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Conhecimento de Discentes do Curso de Graduação em Medicina sobre Vias de Parto

PID: S1981-52712020000400216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Leite Giuliano Dias Júnior Silva Terra Ribeiro
Resumo: Introdução: As taxas de cesáreas no mundo todo têm apresentado valores acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, especialmente no Brasil, e, com isso, trata-se de um problema de saúde pública. As principais causas para esse cenário se encontram na orientação e no suporte fornecidos pelo profissional de saúde, principalmente pelo médico. Assim, a formação do discente de Medicina pode impactar o seu perfil como profissional. Este estudo teve como objetivo avaliar o perfil e o conhecimento de acadêmicos do curso de Medicina de uma universidade pública acerca das vias de parto. Método: Trata-se de um estudo quantitativo de natureza descritiva e de corte transversal que se desenvolveu em uma universidade pública do sul de Minas Gerais com 165 acadêmicos do curso de Medicina, do quarto, sexto, oitavo e décimo períodos. Para a coleta de dados, aplicou-se um questionário semiestruturado, contendo 57 questões, após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Os dados foram tabulados e avaliados por meio de frequência e também expressos em porcentagem. Resultados: Constatou-se que 89,09% dos estudantes acertaram a indicação de via de parto no caso de gestantes de baixo risco sem intercorrências, já para a via de parto de gestantes diabéticas e com pré-eclâmpsia, apenas 25,45% e 18,18%, respectivamente, acertaram. Verificou-se também que 75,15% dos estudantes consideram que o uso de mais tecnologia durante o parto o torna mais benéfico para a mãe e o bebê, e 77,58% dos participantes não indicariam a cesariana por causa das comodidades. Conclusões: Pode-se concluir que existem discrepâncias quanto às respostas obtidas pelos participantes do estudo. É importante que novas pesquisas sejam feitas para avaliar as fragilidades na matriz curricular visando formar profissionais médicos que possam contribuir para a mudança do cenário obstétrico do país.

Conhecimento de Estudantes de Medicina sobre Suporte Básico de Vida no Atendimento à Parada Cardiorrespiratória

PID: S1981-52712020000400201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Bastos Silva Azevedo Bordallo Soeiro
Resumo: Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) é caracterizada pela interrupção brusca da circulação sistêmica e da respiração. Devido à redução de oxigênio e de nutrientes para os tecidos corporais, há maior risco de morte do indivíduo, o que torna a PCR uma grave emergência médica. Nesse contexto, a correta realização do suporte básico de vida no atendimento pré-hospitalar (APH) é de fundamental importância para diminuir a taxa de mortalidade e as sequelas em vítimas de PCR. Considerando a importância do assunto no ensino médico, o presente estudo teve o objetivo de identificar os conhecimentos dos estudantes de medicina sobre o tema, de modo a verificar se os discentes reconhecem os sinais indicativos de parada cardiorrespiratória; a sequência de medidas aplicadas durante o atendimento pré-hospitalar de vítimas em PCR e as técnicas indicadas para prestação do atendimento. Método: Trata-se de uma abordagem observacional, exploratória, descritiva e quantitativa, com uma amostra constituída por 245 alunos do curso de medicina da Universidade Estadual do Pará. Na realização da coleta de dados foi utilizado um questionário contendo 18 questões, aplicado por meio da Plataforma Google Forms. Resultados: O conhecimento foi satisfatório, com acertos significativos nos semestres mais avançados do curso. Os conhecimentos mais limitados incluíram o manejo da técnica de compressão, uso correto do DEA e manobras de retificação das vias aéreas. Conclusões: Apesar da quantidade significativa de acertos, observou-se a necessidade de uma melhor abordagem do tema durante a formação médica, a fim de possibilitar a correta realização do atendimento pré-hospitalar às vítimas de PCR, haja vista sua importância nos cenários de urgência e emergência.

Construindo o Internato de Saúde Mental: a Experiência da Universidade São Francisco

PID: S1981-52712020000100209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Paulin Poças Giraldez Marim Centelhas Nicolucci
Resumo: Introdução: O modelo de formação médica no Brasil vem apresentando importantes modificações nos últimos anos. Com o lançamento do Programa Mais Médicos em 2013, cujo propósito era a formação de recursos humanos na área médica para atuarem preferencialmente em áreas carentes, sob a referência do Sistema Único de Saúde (SUS), e o posterior lançamento das Diretrizes Curriculares Nacionais, no ano seguinte, uma nova realidade se apresentou em relação ao internato médico, quanto à necessidade do módulo de saúde mental. O surgimento de novas escolas médicas, bem como a inexistência de internato de saúde mental em escolas mais antigas, pressupõe a reflexão e viabilização desse novo campo de atuação. O artigo propõe apresentar a experiência do curso de Medicina da Universidade São Francisco (USF), de Bragança Paulista, que desenvolve internato de saúde mental há 15 anos. Método: Como premissa estrutural estabelecemos cinco norteadores de organização, planejamento e execução do internato, respeitando a especificidade e realidade de cada curso no que tange à carga horária, ao corpo docente e aos cenários de aprendizagem. Resultados: O objetivo é apresentar informações sobre o conteúdo programático de saúde mental na graduação, a estruturação do internato, a existência de internato próprio de saúde mental ou vinculado a um módulo mais abrangente, a carga horária existente, a distribuição do número de alunos por módulo, o número de docentes e os cenários de aprendizagem existentes. Conclusão: Os autores apresentam o modelo de funcionamento do internato de saúde mental do curso de Medicina da USF, que deve servir como proposta de viabilização e norteamento para os cursos de Medicina que necessitam de um referencial de formação. A educação médica que se encontra em importante momento de inflexão deve formar profissionais que, mesmo não sendo psiquiatras, sintam-se preparados para as demandas de saúde mental, que se apresentam no cotidiano da atenção à saúde, sob a estruturação dos princípios básicos do SUS.

Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes em Instituições de Ensino de Montes Claros/MG

PID: S1981-52712020000100221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Santana Ramos Azevedo Neves Lima Oliveira
Resumo: Introdução: A entrada dos jovens na universidade gera uma mudança de ambiente e costumes, tornando-se um período de grande vulnerabilidade para o uso de substâncias psicoativas. O objetivo deste estudo foi analisar o uso de substâncias psicoativas por estudantes de graduação e pré-vestibulandos, de Montes Claros-MG. Métodos: Foi realizado um estudo quantitativo, transversal, que avaliou 348 estudantes, em instituições de ensino pré-vestibular (52 estudantes) e superior (98 de Engenharia Civil, 68 de Medicina e 130 de Direito), da cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, analisando fatores associados ao uso de psicoestimulantes. Para a obtenção dos dados, utilizou-se um questionário padronizado e validado de autopreenchimento. Obtiveram-se informações sobre o uso de metilfenidato (Ritalina®), cafeína, pó de guaraná, modafinila, piracetam, energético, anfetamina e ecstasy. Resultados: Dos 348 estudantes entrevistados, cerca de 53,7% faziam uso de algum psicoestimulante. Houve um maior uso de substâncias psicoativas nos participantes do grupo do pré-vestibular (75%) em relação ao ensino superior (50%). Observou-se uma maior prevalência do uso atual de cafeína (63,5%) e de pó de guaraná (11,5%) entre os estudantes de pré-vestibular, e de ecstasy (1,7%) e cloridrato de metilfenidato (1,9%) entre os estudantes de ensino superior. A redução do sono (64,9%) foi o efeito mais percebido pelos usuários de estimulantes cerebrais do ensino superior, seguido de melhora na concentração (48%), no bem-estar (45,3%) e no raciocínio (38,5%), redução da fadiga (33,1%), melhora na memória (23,6%) e redução do estresse (23%). Entretanto, nos estudantes do pré-vestibular apenas a melhora no raciocínio (43,6%) e a redução do estresse (23%) obtiveram relevância significativa. Conclusões: Foi possível observar uma maior prevalência do uso de psicoestimulantes nos pré-vestibulandos em relação ao grupo dos universitários. Entre as áreas do ensino superior, não foram encontradas diferenças quanto ao uso dos estimulantes cerebrais pesquisados. É preciso destacar os malefícios do uso de psicoestimulantes em longo prazo, sobretudo a dependência e a tolerância química. Em função disso, o apoio familiar e o psicopedagógico são indispensáveis para prevenir e tratar as consequências do uso desmedido de psicoestimulantes.

Corpos Anatomizados e Educação Médica: Identificando Intersecções entre Cultura, Formação e Prática Médica

PID: S1981-52712020000300220 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rodrigues Batista Vecchia
Resumo: Introdução: A prática médica é atravessada por um conjunto de ideais, valores e comportamentos compartilhados e transmitidos entre as especialidades e os diferentes perfis profissionais, exercendo influência significativa durante a graduação, especialmente por um currículo oculto. Método: Buscou-se levantar e caracterizar intersecções entre cultura, formação e prática médica no processo de anatomização do corpo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com professores médicos de um curso de Medicina. Resultado: São apresentadas as discussões geradas a partir da análise do corpo anatomizado como habitus e suas repercussões para o entendimento da influência da cultura médica na formação. Conclusão: A anatomização do corpo humano está diretamente ligada ao modelo de saúde biologicista, e a perspectiva da saúde integral depende de mudanças na forma de se encarar e ensinar o corpo.

Crenças: Encontro da Formação Médica com a Assistência

PID: S1981-52712020000100202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Pinto Falcão
Resumo: Introdução: Este artigo relata pesquisa realizada em um hospital público universitário do Rio de Janeiro. A partir da compreensão do ser humano como ser biopsicossocial, abre-se espaço para a investigação de componentes culturais que podem influenciar as pessoas em suas formas de enfrentamento da doença. Foram investigadas as percepções de um grupo de médicos em relação à presença de crenças religiosas de seus pacientes, bem como a inclusão do tema na formação médica. A pesquisa destaca a presença de característica cultural de certos grupos de indivíduos: crença em algo que transcende a realidade natural e que pode assumir variadas formas. Métodos: Foram entrevistados 41 médicos mediante entrevistas semiestruturadas orientadas por questões abertas abordando opiniões, condutas e atitudes com relação às crenças religiosas e espirituais e o seu papel no contexto assistencial. Utilizou-se como base teórica a Teoria das Representações Sociais de Moscovici e como abordagem metodológica o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Resultados: Os discursos revelaram a percepção do grupo investigado de que não houve nenhum preparo na formação médica para responder às demandas provocadas pelo tema, mas a experiência na assistência os conduziram à percepção de que crenças compõem o perfil de muitos pacientes e que estas podem ser relevantes no trabalho médico. Atividades educativas e consulta à literatura científica já produzida sobre esse tema não fizeram parte da formação. O encontro com a realidade tem sido feita com base no “bom senso” do profissional médico a partir de experiências pessoais e profissionais. Conclusão: Os discursos mostram que responder às demandas provocadas pelas crenças tem sido feito com dificuldades na prática médica, mesmo trabalhando em um hospital universitário que produz pesquisas e estimula constantemente a atualização científica. Na ausência de suporte conceitual qualificado para a prática médica, os sujeitos esforçam-se para aprender nas trocas profissionais e por iniciativas de estudos próprios. Trata-se, assim, de uma questão que demanda resposta apropriada no contexto da formação médica.

Crianças em Situação de Violência Intrafamiliar: Conceitos, Vivências e Sentimentos de Graduandos de Medicina

PID: S1981-52712020000100216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Santos Lima Carvalho
Resumo: Introdução: O objetivo do estudo foi conhecer as concepções de violência entre acadêmicos dos cursos de Medicina do estado da Bahia, suas vivências com o fenômeno e orientação quanto ao encaminhamento dos casos. Métodos: Trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada com 20 graduandos de cursos de Medicina de instituições públicas do estado da Bahia. Coletaram-se os dados por meio de um formulário eletrônico via web, disponibilizado no Google Forms, e os discentes foram informados sobre o endereço da página por meio de e-mail. Resultados: A maioria dos discentes afirmou que o tema violência contra a criança foi abordado durante a graduação. Concepções compartilhadas pela maioria dos discentes sobre o tema estão relacionadas às definições da violência como agravos físicos infringidos às vítimas, porém identificaram-se, além de aspectos subjetivos, definições mais amplas da percepção social, contemplando diferentes dimensões do fenômeno. Os sentimentos vivenciados em face de situações de violência mais frequentemente citados foram impotência, medo, tristeza, despreparo, compaixão, empatia, revolta e raiva. Para os discentes, as dificuldades encontradas na abordagem das vítimas da violência decorrem da falta de preparo na formação e de posicionamentos relacionados ao próprio médico, como medo de envolvimento e responsabilização. Mencionaram-se ainda características inerentes às crianças e descrença nos órgãos de proteção. Conclusão: Embora os discentes tenham relatado contato com o tema durante a graduação, a maioria avaliou a formação como insuficiente. O despreparo profissional para a abordagem de temas médico-sociais, a exemplo da violência, tem sido atribuído em parte ao viés biologicista da formação médica. Nesse sentido, destaca-se a compreensão da violência como fenômeno essencialmente sócio-histórico, em detrimento das diferentes dimensões do agravo que implicam o processo saúde-doença. Nessa perspectiva, tal viés obscurece o reconhecimento das diversas manifestações da violência como objeto do trabalho em saúde, sugerindo a necessidade de uma abordagem ampliada na formação médica que possa contemplar a complexidade do tema.

De Médico de Família a Preceptor de Estudantes no Sistema Único de Saúde: Relato de Experiência

PID: S1981-52712020000400403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Oliveira Souza
Resumo: Introdução: Neste artigo, é relatada a experiência de um médico especialista em Medicina de Família e Comunidade, que trabalha em uma unidade básica de saúde da região sul do município de São Paulo, na atenção primária à saúde do Sistema Único de Saúde, ao se tornar preceptor de estudantes de Medicina da Universidade São Caetano do Sul. Método: Os estudantes conheceram a estrutura típica de uma unidade básica de saúde e treinaram a confecção da entrevista médica, sob supervisão, e do exame físico, à medida que adquiriam as competências necessárias. Treinaram ainda o pedido de exames complementares. Com isso aprenderam na prática a aplicar o método clínico. Os estudantes também treinaram a competência de aplicar o método clínico em ambientes não controlados por meio da visita domiciliar, o que lhes permitiu também conhecer a realidade do paciente in loco. Por meio do acompanhamento de famílias e de casos-índice realizado durante alguns anos, os estudantes puderam conhecer os diferentes ciclos de atendimento da Estratégia Saúde da Família, inclusive a questão da morte, que se inicia no contexto sociofamiliar. Os discentes também atuaram em grupos de orientação e transmissão de conhecimento para a comunidade e puderam treinar a comunicação e a adaptação referentes à população atendida. Participaram de reuniões de equipe, nas quais vivenciaram o planejamento semanal das atividades, a discussão interdisciplinar de casos mais complexos e as estratégias criadas. Resultados: Obtiveram-se resultados promissores com o uso das metodologias ativas que se baseiam na autonomia do estudante ante o processo de aprendizagem. Essas metodologias são aplicadas ao ensino da Medicina em ambientes de prática clínica, pois o contato com a realidade melhora o aprendizado, desafia o aluno a pesquisar com autonomia a fim de entender com clareza o que fazer com os objetivos de aprendizagem estabelecidos, ensina a usar experiências pregressas para inter-relacionar novos conhecimentos com os conhecimentos prévios, por meio da Medicina Baseada em Evidências, e refletir sobre a prática médica. Conclusão: De acordo com as Diretrizes Nacionais Curriculares, a inserção do estudante de Medicina no âmbito do Sistema Único de Saúde é imprescindível para que ele possa adquirir os conhecimentos necessários para atuar sobretudo na atenção primária à saúde.

Depressive Symptoms in Medical Students and Their Association with Hormonal and Socioeconomic Variables

PID: S1981-52712020000400209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Paula Silva Tenorio Pinto Vasconcelos Barbosa
Resumo: Introdução: A depressão incapacita e causa comprometimento da qualidade de vida, de modo que a alta prevalência desta em estudantes de Medicina é problema relevante. Sabe-se que variáveis hormonais, como cortisolemia, e fatores socioeconômicos podem estar relacionados ao surgimento de sintomas depressivos. Este estudo teve como objetivos verificar a prevalência de sintomas depressivos em estudantes de Medicina de um centro universitário de Maceió e analisar sua correlação com os níveis de cortisol sérico, os hábitos de vida e o perfil socioeconômico. Método: Trata-se de estudo quantitativo, analítico e de caráter transversal com estudantes de Medicina de uma faculdade privada de Maceió. Uma amostra de 122 acadêmicos aderiu à pesquisa, na qual se aplicaram o Inventário de Depressão de Beck e um questionário socioeconômico. Realizou-se ainda a dosagem do cortisol sérico. Resultados: Dentre 78 mulheres e 44 homens participantes, foram identificados 40 casos de sintomas depressivos (32,9%), sendo três casos de sintomas depressivos graves (2,5%), nove casos de sintomas depressivos moderados (7,4%) e 28 com sintomas depressivos leves (23,0%). Quanto à dosagem de cortisol, o valor médio obtido foi de 12,72 µg/dL, obtendo-se um valor máximo e um mínimo de 29,7 µg/dL e 0,9 µg/dL, respectivamente. Não foi constatada nenhuma correlação entre os sintomas depressivos e os níveis de cortisol sérico matinal neste estudo. Entre as variáveis explicativas analisadas, apenas religião obteve uma correlação estatisticamente significativa com os sintomas depressivos, com prevalência de escores de maiores valores entre os estudantes que não possuem uma religião. Conclusões: Ressalta-se a alta prevalência de depressão entre os estudantes de Medicina. Os resultados obtidos denotam que a alteração do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal não é a única etiologia associada ao desenvolvimento da depressão. Por sua vez, a prática religiosa revelou-se como um provável fator protetor do seu desenvolvimento.

Desafios das Fake News com Idosos durante Infodemia sobre Covid-19: Experiência de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712020000500405 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Yabrude Souza Campos Bohn Tiboni
Resumo: Introdução: A pandemia do novo coronavírus trouxe consigo uma infodemia, ou seja, um excesso de informações, que, em populações com baixa análise crítica e falta de conhecimento técnico-científico, pode gerar e disseminar fake news. No Brasil, esses déficits são encontrados frequentemente nos idosos, que representam 13% da população, e na maior parte dos analfabetos absolutos e funcionais, o que os torna tanto vítimas quanto propagadores. Relato de Experiência: Foi realizada uma atividade multicêntrica baseada no projeto-piloto da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná que promoveu educação em saúde para a população idosa por meio de redes sociais e comunicação on-line. Assim, os estudantes de Medicina ficaram disponíveis para esclarecer dúvidas e mitos relacionados à Covid-19 e enviar materiais informativos. Doze instituições de ensino superior da Região Sul do Brasil replicaram o projeto de 4 de julho a 6 de agosto de 2020, com o objetivo de combater às fake news e estimular a criação de canais de comunicação confiáveis com essa população. Discussão: A inclusão digital do idoso é algo recente, e a proporção daqueles que são usuários da internet vem crescendo no país. Entretanto, ainda há baixa interpretação crítica de informações, dificuldade de acompanhar o fluxo de notícias e pouca habilidade com ferramentas da internet. Nesse sentido, dar protagonismo a essa população digitalmente invisibilizada e permitir a ampliação do conhecimento médico geriátrico durante a pandemia, por meio do contato de acadêmicos com as demandas dos idosos, é uma forma efetiva de possibilitar um entendimento maior acerca das vulnerabilidades e necessidades do público geriátrico no que tange à educação em saúde. Conclusão: A construção do canal de comunicação entre acadêmicos e idosos apresentou uma possibilidade inovadora para a população idosa obter informação científica de forma acessível, de modo a conscientizá-la do novo coronavírus e da propagação de notícias falsas.

Desafios do Brincar com Idosos: Narrativas de Estudantes de Medicina do Programa Amigos do Sorriso

PID: S1981-52712020000400220 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Chung Marangon Luna Bettini Watanabe Shiroma
Resumo: Introdução: O programa de extensão Amigos do Sorriso foi construído a partir da compreensão da extensão universitária como integrante da formação dos estudantes, ao proporcionar vivências e trocas na aproximação entre a academia e a sociedade em geral. Os participantes são estudantes da área da saúde e desenvolvem atividades lúdicas com foco no processo de humanização, na educação em saúde e nos seus efeitos multiplicadores. Desde 2010, o programa realiza atividades quinzenais numa instituição de longa permanência para idosos (Ilpi), com o objetivo de oportunizar momentos lúdicos, com estratégias criativas e comunicativas, no sentido de ressignificar a velhice por meio do brincar. Este artigo tem como objetivos descrever as vivências e compreender quais foram os aprendizados desenvolvidos pelos estudantes de Medicina nesse âmbito. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida a partir de 13 narrativas redigidas entre 2018 e 2019 por estudantes de Medicina que participaram das atividades lúdicas na Ilpi. Realizou-se análise temática de conteúdo dos materiais em diálogo com os referenciais teóricos e a literatura relacionada. Resultados: As três categorias temáticas foram: o brincar com o idoso, construção artesanal da comunicação e partilha entre gerações sobre o envelhecer. Os extensionistas discutiram as diversas formas do brincar, sua relação com a promoção da saúde e as especificidades de desenvolver atividades lúdicas com o idoso. Utilizaram diversas formas de comunicação para interação com os idosos, conversando, ouvindo e contando histórias e respeitando os silêncios, o que provocou encontros e desencontros, todos disparados pelo brincar. Discutiram sobre o processo de envelhecimento, a saúde do idoso, a velhice asilar e o próprio encontro de gerações por meio do qual puderam refletir sobre si mesmos. Conclusões: As atividades na Ilpi proporcionaram aos estudantes a percepção da potência das estratégias lúdicas, promotoras da autonomia e saúde, sem infantilização dos idosos. Possibilitaram o reconhecimento de estratégias para aproximação e vínculo, respeitando limites individuais e coletivos, ao compartilharem histórias e sentimentos de forma empática. Dessa forma, destaca-se o desenvolvimento de competências para o futuro médico, tanto gerais como para o cuidado com as pessoas idosas, no reconhecimento de que todos estão envolvidos no universo do florescer do envelhecimento.

Desafios do Feedback na Avaliação Formativa, no Programa Interinstitucional de Interação Ensino-Serviço-Comunidade: Perspectiva de Alunos

PID: S1981-52712020000400204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Miranda Pessoa Marco Borges Neves Miotto Ribeiro Lorenzon Marques
Resumo: Introdução: Este trabalho aborda a utilização do mecanismo de feedback na avaliação formativa durante a formação médica, visto que esse instrumento é de grande importância para o estímulo dessa formação que se pauta pelas metodologias ativas de ensino. O estudo tem como objetivos caracterizar a aplicação dessa ferramenta e identificar possíveis falhas na utilização dela no cotidiano do módulo Pinesc, no curso de Medicina da Universidade Anhanguera (Uniderp). Método: Trata-se de uma pesquisa quantitativa e seccional que abrange alunos do primeiro ao oitavo semestre inseridos no módulo longitudinal Pinesc. Na coleta dos dados, utilizou-se um questionário com perguntas relativas à avaliação formativa que é realizada pelos preceptores, o qual é repassado aos acadêmicos de acordo com o cálculo de amostragem. O feedback é a atividade central da avaliação formativa e possibilita o desenvolvimento da capacidade reflexiva e autoavaliativa e de habilidades. Contudo, a utilização do feedback ainda encontra obstáculos principalmente pela dificuldade de os avaliadores elencarem os pontos negativos e as facilidades dos avaliados. Resultado: Neste estudo, foram relatadas algumas falhas e pontos positivos no processo de aplicação desse instrumento. Por conta disso, elencam-se e sugerem-se aperfeiçoamentos para uma melhor utilização do feedback e um aproveitamento acadêmico mais favorável. Conclusão: Como base da avaliação formativa, o feedback ainda demonstra possuir muitas fragilidades quanto à sua forma e aplicação.

Desempenhos na Área de Competência Educação em Saúde: Autoavaliação de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712020000300210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Santos Miranda Pertile Barbosa Caldeira Costa
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de Medicina, publicadas no ano de 2014, descrevem as competências esperadas para o egresso. O objetivo deste estudo foi investigar como os estudantes de Medicina se avaliam na área de competência educação em saúde. Método: Trata-se de um estudo transversal analítico com estudantes dos dois últimos anos de quatro escolas médicas de Minas Gerais, Brasil. Aplicou-se um questionário embasado nas DCN e fundamentado em três ações-chave: identificação de necessidades de aprendizagem individual e coletiva, promoção da construção e socialização do conhecimento e promoção do pensamento científico e crítico e apoio à produção de novos conhecimentos. Realizou-se a análise descritiva e bivariada pelo teste qui-quadrado de Pearson, com nível de significância 5%. O teste analisou desempenhos na área de educação em saúde conforme sexo, ano de graduação e autoavaliação da experiência na atenção primária à saúde (APS). Resultados: Participaram 524 estudantes, a maioria do sexo feminino (57,0%), com idade entre 21 e 25 anos (66,9%), matrícula no último ano da graduação (65,3%), com participação em liga acadêmica (55,6%) e experiência positiva no âmbito da APS (78,5%). A maioria dos estudantes considerou “ótimo” o próprio desempenho nos quesitos de aprendizado com as relações interprofissionais (69,0%), identificação das próprias necessidades de aprendizagem (63,5%) e promoção de ações de educação em saúde da mulher (66,5%). Os estudantes avaliaram que o desempenho deles é “ruim/regular” no uso de sistemas de informação (33,8%) e na adoção de metodologia científica na leitura crítica de artigos técnico-científicos (21,2%). Foram associados à “boa/ótima” experiência em APS os seguintes desempenhos: apoio à produção de novos conhecimentos, construção e socialização de conhecimentos para a comunidade e promoção de ações de educação em saúde da mulher (p < 0,05). Nesse último desempenho, destaca-se a diferença significante entre sexos: as estudantes do sexo feminino avaliaram-se melhor que os homens (p < 0,05). Conclusão: A experiência positiva na APS está associada com desempenhos de fundamental importância para atuação médica, tanto na abordagem individual como na coletiva.

Desenvolvimento da Habilidade de Comunicação dos Estudantes de Medicina para o Aconselhamento Pré-Teste HIV no Pré-Natal

PID: S1981-52712020000100211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rodrigues Freitas Júnior Barreto Cassiano Lima Silva
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação em Medicina preconizam a ênfase na habilidade de comunicação para o profissionalismo do egresso. Promover o desenvolvimento da habilidade de comunicação efetiva para a competência clínica representa um desafio para a educação médica. O presente estudo objetivou contribuir para o desenvolvimento da habilidade de comunicação durante a formação médica por meio de estratégia de ensino e aprendizagem que utilizou como ferramenta o aconselhamento pré-teste HIV no pré-natal. Métodos: Trata-se de estudo com métodos mistos sequenciais e abordagem qualitativa, desenvolvido em três fases. Na primeira fase, 30 estudantes do internato em Tocoginecologia participaram de consulta simulada, gravada em áudio e vídeo, direcionada para conhecimentos específicos e habilidades para comunicação efetiva no tema. Na segunda fase, uma estratégia de feedback individual contou com a análise conjunta do vídeo e avaliação de critérios estabelecidos em checklist específico. Na terceira fase, buscou-se avaliar a autopercepção dos estudantes acerca de sua participação na estratégia e de sua necessidade de desenvolvimento da habilidade de comunicação durante a formação. Resultados: A análise geral dos dados revela um baixo desempenho, sobretudo quanto aos conhecimentos específicos necessários à comunicação efetiva para o aconselhamento pré-teste HIV no pré-natal. Conclusões: Nesse sentido, a autopercepção dos estudantes mostrou-se coerente com os resultados observados e apontou a necessidade de melhorar os conhecimentos específicos aliados às habilidades de comunicação para, então, possibilitar um aconselhamento adequado. Além disso, nos discursos dos estudantes, são frequentes falas reflexivas a respeito da importância de praticar e desenvolver a habilidade de comunicação.

Desenvolvimento e Validação de um Aplicativo para Smartphone para Ensino de Residência em Ortopedia

PID: S1981-52712020000400215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Alencar Neto Araújo Barroso Filho Silva Garrido Rocha Rocha
Resumo: Introdução: Além de proporcionar vários benefícios, o aprendizado móvel oferece novos ambientes de ensino. Desenvolvemos e validamos um aplicativo de smartphone para residentes de ortopedia e traumatologia, a fim de ajudá-los no estudo e, consequentemente, na aprovação do exame do Conselho de Ortopedia e Traumatologia. Métodos: Trata-se de um estudo quantitativo para validar a aplicação móvel. O instrumento foi desenvolvido para as plataformas iOS® e Android®, em português e gratuito. Os 132 participantes do estudo, divididos em três grupos, usaram a ferramenta. Adotaram-se dois questionários: a já validada System Usability Scale (SUS) e um outro criado pelos autores (devidamente validado) para avaliar a praticidade e viabilidade do aplicativo como ferramenta de aprendizagem. O modo, a frequência absoluta e o percentual das variáveis estudadas foram cruzados pelo teste de Fisher ou qui-quadrado de Pearson. Resultados: Dos 132 participantes, 55,3% possuem iOS®. Todos os participantes afirmaram que já haviam usado um aplicativo em seus smartphones; seis (4,5%) mencionaram que nunca utilizaram aplicativos para fins acadêmicos (valor de p < 0,001); 100% destacaram a utilidade dessa tecnologia no desenvolvimento teórico do residente; e 124 (93,9%) concordaram que se trata de um método auxiliar de aprendizagem para médicos ortopedistas em geral. Obteve-se um escore médio da SUS de 84,2 (DP 10,8) com margem de erro de 1,9. O escore da SUS variou de 82,4 a 86,1 (IC95%). O coeficiente alfa de Cronbach foi de 0,797. Conclusão: O aplicativo desenvolvido foi bem-sucedido nos exames realizados e pode ser uma alternativa no ensino médico na área ortopédica.

Design Thinking na Reestruturação do Sistema de Avaliação de Disciplina em um Curso de Medicina

PID: S1981-52712020000400402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Côrtes Júnior Souza Vilagra Côrtes Vilagra Tempski
Resumo: Introdução: A construção de conhecimento é facilitada pela utilização de metodologias inovadoras, centradas no estudante e que lhes permitam participar da elaboração de propostas para soluções de problemas reais. O design thinking (DT) é um processo que propõe a busca, de forma empática, colaborativa e criativa, de soluções para problemas complexos. Neste relato de experiência, aplicou-se o DT à educação médica como um recurso para que a comunidade acadêmica participasse diretamente da qualificação do ensino. Método: Trata-se de relato de experiência com a utilização do DT na reestruturação do sistema de avaliação de uma disciplina em um curso de graduação em Medicina. Resultado: Foi possível viabilizar soluções a partir da prototipagem, de maneira compartilhada e colaborativa, que resultaram na otimização da qualidade do processo avaliativo da disciplina, com a adoção de novos métodos. Conclusão: O DT aplicado ao campo da educação médica permitiu a reflexão sobre um processo inovador e a operacionalização dele na reestruturação da avaliação do conteúdo programático de uma disciplina no curso de graduação em Medicina.

Dificuldades Iniciais no Aprendizado do Exame Físico na Percepção do Estudante

PID: S1981-52712020000100217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Costa França Santos Guilherme Medeiros Silva Júnior
Resumo: Introdução: Ao longo da formação no curso de Medicina, o estudante enfrenta diversas situações que podem ser geradoras de insegurança e ansiedade, entre as quais se destacam as primeiras aulas práticas com pacientes que tradicionalmente ocorrem na disciplina de Semiologia Médica. A realização do primeiro exame físico com um paciente real é uma potencial circunstância geradora de estresse para os que dão seus primeiros passos na construção de habilidades indispensáveis à carreira médica. A forma de lidar com o estresse advindo desses encontros é bastante individual e relaciona-se com diversos fatores inerentes ao estudante e ao modelo de ensino adotado. O presente estudo propõe-se a identificar as principais adversidades relatadas pelos alunos na sua iniciação ao exame físico. Método: Para tanto, realizou-se um estudo exploratório, com abordagem qualitativa, executado durante as atividades do Módulo Horizontal Básico 4 (MHB4), o qual está inserido na grade curricular do quarto semestre do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba. Uma amostra de 35 estudantes foi dividida em seis grupos focais. A coleta de dados foi realizada na oitava semana do semestre letivo e ocorreu simultaneamente em todos os grupos. A discussão iniciou-se por meio da pergunta norteadora “Quais são as dificuldades encontradas durante o exame físico do paciente?”. Procedeu-se, então, à gravação das falas dos alunos, com posterior transcrição, na íntegra, de todo o material textual, o qual foi submetido à análise de conteúdo por meio do método preconizado por Bardin. Resultados: As falas dos alunos foram elencadas em cinco categorias nomeadas como: insegurança e inexperiência; submissão do paciente; sensação de estar incomodando o paciente; direcionamento de gênero; escolha do paciente por conveniência. A partir dessa análise foi possível observar que a realização do primeiro exame físico é um evento gerador de grande estresse emocional para os estudantes. Questões como a insegurança, a inexperiência e a sensação de estar utilizando o paciente como um objeto são citadas como fatores que geram desconforto nos estudantes e dificultam seu aprendizado. Conclusões: As percepções dos estudantes são de insegurança, inexperiência e invasão da privacidade de um paciente que se encontra numa situação de passividade diante da situação. Nesse contexto, o enfrentamento das dificuldades toma proporções maiores e irrealísticas no aprendizado do exame físico.

Educação Médica durante a Pandemia da Covid-19: uma Revisão de Escopo

PID: S1981-52712020000500301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Santos Cordeiro Schneider Ceccon
Resumo: Introdução: Os desafios impostos pela pandemia da Covid-19 à educação médica exigem novas estratégias pedagógicas para a formação de profissionais éticos, humanistas, críticos e reflexivos. Objetivo: Identificar as estratégias pedagógicas para a educação médica implementadas durante a pandemia da Covid-19 em diferentes países do mundo. Método: Realizou-se uma revisão da literatura acadêmica indexada em bases de dados internacionais, de acordo com a metodologia scoping review. As informações foram coletadas nas bases de dados PubMed, Lilacs, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde e Web of Science e Scopus. Utilizaram-se as palavras-chave “Education, Medical” AND “Pandemics” OR “Coronavirus Infections”. Encontraram-se 1.350 artigos, dos quais 27 atenderam aos critérios de inclusão e foram analisados. Resultados: Identificou-se que as estratégias pedagógicas para a educação médica durante a pandemia da Covid-19 são centradas no ensino remoto, com a utilização de plataformas digitais de educação a distância por meio da internet e da tecnologia. A literatura reconheceu a necessidade de envolvimento dos professores com o processo pedagógico, o planejamento das atividades e a identificação das plataformas digitais apropriadas. Não há consenso sobre a inserção dos estudantes nas atividades práticas. Os estudos evidenciaram a existência da educação a distância mesmo antes da pandemia e vinculação com a prática da telemedicina. A necessidade de os currículos de Medicina incluírem disciplinas de gerenciamento de pandemia com foco na saúde pública também foi identificado. Conclusão: As experiências encontradas estão concentradas em países de alta renda e desenvolvidos e são dependentes da internet e das tecnologias de informação e comunicação. Identificaram-se omissões acerca das limitações e fragilidades dessa nova estratégia pedagógica, especialmente a falta de acesso universal e igualitário aos meios digitais, a desconsideração de realidades minoritárias e subdesenvolvidas e a desvalorização das relações interpessoais essenciais à formação médica.

Educação Nutricional: uma Lacuna na Formação Médica

PID: S1981-52712020000400301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Villacorta Barros Macedo Caldato
Resumo: Introdução: O papel da nutrição na medicina tem sido modificado de uma função passiva, de uma terapia adjuvante, para uma terapia proativa e sofisticada, que previne diversos agravos à saúde e modifica a história natural da doença. Estudos recentes observam que a educação médica não contempla, de maneira suficiente e eficiente, os aspectos nutricionais do cuidado destinado ao paciente, formando médicos pouco confiantes em promover cuidados nutricionais a seus pacientes. Este estudo teve como objetivos analisar e descrever estudos científicos que tenham avaliado a educação nutricional nas escolas médicas, buscando, neste contexto, encontrar temas em nutrição importantes para a graduação em Medicina. Método: Esta pesquisa foi realizada por meio de uma scoping review (revisão de escopo), do tipo transversal, descritiva, após pesquisa de sinônimos utilizando as ferramentas Medical Subject Headings (MeSH) e Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Resultados: Encontraram-se inicialmente 1.057 publicações que passaram por triagens sequenciais até chegarmos a um total de 16 artigos que alcançavam o escopo desta pesquisa. A maioria dos artigos é dos Estados Unidos (50%) e avaliou de maneiras diferentes um total de 860 alunos de Medicina e 243 escolas médicas em relação ao ensino da nutrição. Conclusões: Nesta revisão, evidenciamos que, a despeito dos vários estudos que ratificam a relação bem estabelecida da nutrição na prevenção e no tratamento de doenças em nível ambulatorial ou hospitalar, a educação nutricional na formação médica não acompanhou essas evidências, e, por muitos anos, o assunto foi subestimado. No Brasil não foram encontrados estudos sobre esse tema com os descritores utilizados.

Efeitos da Doença Mental sobre os Níveis de Inteligência Emocional em Estudantes de Medicina Brasileiros: Estudo Transversal Unicêntrico, 2017-2018

PID: S1981-52712020000300208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Coury Duca Toledo Júnior
Resumo: Introdução: Estudos recentes mostram os efeitos diretos da inteligência emocional (IE) na prática médica e, mais especificamente, no estabelecimento e na manutenção de boa relação médico-paciente. Os objetivos deste estudo foram comparar os níveis de IE entre estudantes de diferentes anos de um curso de Medicina e avaliar fatores que influenciam esses níveis. Método: Trata-se de estudo transversal com estudantes de Medicina do primeiro, terceiro e sexto anos de uma instituição privada em Belo Horizonte, Minas gerais, Brasil. Os níveis de IE foram medidos por meio de teste autoaplicado de inteligência emocional de Schutte. Coletou-se também dados pessoais e demográficos. Todos os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes de sua inclusão no estudo. O teste t de Student, a ANOVA, o teste de correlação de Pearson e a regressão linear foram utilizados na análise estatística. Resultados: Foram recrutados 255 voluntários entre outubro de 2017 e abril de 2018. Dezesseis (7,1%) alunos foram excluídos porque os questionários estavam incompletos. A amostra final foi composta de 209 participantes (71 do primeiro ano, 69 do terceiro ano e 69 do sexto ano). A maioria era do sexo feminino (66,0%), 95,2% eram solteiros, 10,0% tinham graduação prévia e 16,3% relataram diagnóstico prévio de distúrbio mental. A idade média foi de 23,2 (±3,9) anos. Não houve diferença entre os escores total de IE e de seus diferentes domínios entre os 3 anos. O teste de Pearson mostrou correlação positiva fraca entre a idade e o escore total (r = 0,172; p = 0,013) e a “percepção das emoções” (r = 0,236; p = 0,001). A análise multivariada mostrou associação positiva significativa entre a idade e o escore total (pajustado= 0,040), a “percepção das emoções” (pajustado = 0,013) e o “gerenciamento das emoções dos outros” (pajustado= 0,020). Redução significativa do escore total (pajustado = 0,033), do “gerenciamento das próprias emoções” (pajustado < 0,001) e do “gerenciamento das emoções dos outros” (pajustado = 0,025) foi observada entre os voluntários que relataram distúrbio mental prévio. Conclusões: Níveis elevados de IE foram observados nos 3 anos. Houve correlação positiva entre a idade e o escore total, a “percepção das emoções”, o “gerenciamento das próprias emoções” e o “gerenciamento das emoções dos outros”. A presença de distúrbio mental foi associada à redução do escore total, do “gerenciamento das próprias emoções” e do “gerenciamento das emoções dos outros”.
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