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Engajamento e Protagonismo Estudantil na Promoção da Educação Médica em Tempos de Pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712020000500408 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Guimarães Mayer Lima Mendonça Santos Rodrigues Raimondi
Resumo: Introdução: Este artigo relata as experiências da representação estudantil da Faculdade de Medicina de uma universidade federal brasileira, incluindo organização de eventos, participação nas decisões em instâncias superiores e interrupção do ensino em uma pandemia. Relato de Experiência: Inicialmente, houve a mobilização do movimento estudantil para regulamentar as atividades remotas. Em seguida, outras instituições da universidade movimentaram-se para regulamentar as atividades acadêmicas remotas emergenciais. Por fim, realizou-se um evento para informar aos estudantes os planos para a implementação dessas atividades e dialogar sobre questões da educação médica nesse contexto. Discussão: A importância da integração das instituições de representação estudantil com órgãos superiores é notável e ocorre pela proatividade dos(as) alunos(as) e pelo consenso com docentes e técnicos(as) administrativos(as). Foi preciso considerar o contexto socioeconômico dos envolvidos e manejar seus interesses. Assim, lidar com conflitos e propor soluções abrangentes foi fundamental para garantir, de forma democrática, condições viáveis para aplicação das atividades acadêmicas remotas emergenciais por meio da promoção da inclusão digital para professores(as). Além disso, criaram-se meios de assistências para os(as) estudantes. Portanto, percebeu-se o protagonismo dos(as) acadêmicos(as) na resolução de conflitos por meio da participação ativa em conselhos e realização de eventos informativos e consultivos destinados ao restante da comunidade, o que resultou também em pesquisa, extensão e atividades para a melhora da saúde mental no contexto atual. Conclusão: Percebe-se que a participação acadêmica nas deliberações da universidade possibilitou decisões mais democráticas que consideraram os impactos da pandemia na vida dos(as) estudantes e as futuras consequências na formação médica. Além disso, esse processo despertou o interesse da comunidade em atividades de gestão acadêmica.

Ensino e Cuidado em Saúde LGBTI+: Reflexões no Contexto da Pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712020000500805 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Lopes Junior Raimondi Murta Souza Borret
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Graduação em Medicina (DCN) de 2014 definem que o(a) graduando(a) deve ser formado(a) para abordar a diversidade biológica, étnico-racial, de gênero e orientação sexual. Entretanto, essa temática costuma ser invisibilizada, reiterando a LGBTI+fobia institucional que perpetua desigualdades e iniquidades no ensino e cuidado em saúde. Essa situação se tornou mais explícita durante a pandemia da Covid-19. Objetivo: Analisar as DCN sob a ótica das diversidades de gênero e sexual, de modo a problematizar “o que” e “como” pode ser aprimorado na educação médica em relação às questões LGBTI+. Desenvolvimento: Considerando que a aprendizagem de adultos ocorre a partir da problematização de vivências do cotidiano, serão apresentados três casos relativos ao atual momento da pandemia da Covid-19, com base nos quais se podem abordar temas sobre a saúde LGBTI+ no curso médico. Após, serão problematizadas algumas competências específicas sobre saúde LGBTI+ que podem ser aprimoradas durante a formação médica, inclusive no período da pandemia da Covid-19, a fim de visibilizar a temática LGBTI+ no currículo como uma estratégia de combater a LGBTI+fobia na escola médica e promover o cuidado integral em saúde. Conclusão: É possível abordar sobre a saúde LGBTI+ a partir de situações vivenciadas durante a pandemia da Covid-19. Entretanto, é necessário ter clareza de como as DCN se traduzem em competências específicas sobre saúde LGBTI+. Essa pode ser uma das estratégias a fim de tornar os currículos mais acolhedores e compromissados com as necessidades de saúde dessa população.

Ensino em Saúde LGBT na Pandemia da Covid-19: Oportunidades e Vulnerabilidades

PID: S1981-52712020000500410 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Morais Neto Tagnin Araújo Sousa Barra Hercowitz
Resumo: Introdução: A pandemia da Covid-19 e as medidas sanitárias de isolamento social impuseram a necessidade de reestruturação do ensino, com migração para tecnologias digitais. Em relação à educação em saúde da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), assunto que ainda está em processo de inserção nas escolas médicas, tal mudança trouxe novas oportunidades para a discussão do conteúdo, mas também criou e escancarou vulnerabilidades preexistentes. Relato de Experiência: Ocorreram no Brasil diversas experiências de educação em saúde LGBT durante o período da pandemia da Sars-Cov-2, com auxílio de plataformas digitais. Em uma universidade do Rio Grande do Norte, uma disciplina optativa de Atenção à Saúde da População LGBT, que já seria ministrada no formato presencial, sofreu modificações e acabou por ser ofertada no modelo remoto. A liga de semiologia de uma faculdade de São Paulo se viu obrigada a mudar a sua aula com a mesma temática em decorrência do isolamento social. Discussão: Essas experiências permitiram a análise de uma série de oportunidades e vulnerabilidades trazidas por esse momento de reformulações no ensino. A modalidade remota expôs e expandiu desigualdades sociais por conta da necessidade de equipamentos e internet para acesso aos conteúdos, marginalizando uma parcela vulnerável da população. Além disso, o ambiente digital pode ser inseguro para o pronunciamento de pessoas LGBT. Em contrapartida, essa modalidade permitiu a ampliação do público atingido pelas atividades, resultante da diminuição dos custos e da quebra de barreiras geográficas permitidas pelo ambiente digital. Surgiram inovações nas ferramentas de ensino, como uso de podcasts e vídeos, flexibilizando as formas de ensino e divulgação de informações. Conclusão: Diante das deficiências encontradas com a experiência do ensino remoto emergencial, espera-se que, no futuro, os aprendizados adquiridos levem a uma implementação curricular mais democrática de atividades inclusivas em ensino sobre saúde LGBT nas universidades.

Estratégias Didáticas Ativas de Ensino-Aprendizagem para Preceptores de Medicina de Família e Comunidade no EURACT

PID: S1981-52712020000300221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Barreiros Diercks Biffi Fajardo
Resumo: Introdução: O médico de família e comunidade (MFC) tem como campo de atuação a atenção primária à saúde, sendo preparado para atuar no cuidado das pessoas, famílias e comunidade. Sua formação ideal deve acontecer em Programas de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade (PRMMFC), campo de ensino em serviço em que um preceptor, também MFC, acompanha o residente. O preceptor pedagogicamente bem formado consegue atuar no processo de aprendizado do residente para que desenvolva as competências necessárias para seu futuro exercício profissional. As metodologias ativas de aprendizagem (MAP) ancoram-se na pedagogia crítica e trabalham com problemas para o desenvolvimento dos processos de ensino-aprendizagem. Partem da prática e, a partir dela, buscam a teoria; com isso, preparam o residente para tomar consciência de seu mundo e atuar na transformação dele. As MAP são concretizadas nos processos pedagógicos pelas estratégias didáticas ativas de ensino-aprendizagem, recursos pedagógicos efetivos utilizados pelos preceptores no cotidiano de formação do residente. São divididas em dois grupos: dinâmicas ativas de ensino-aprendizagem e ações para o ensino ativo. Este artigo relata os efeitos de um curso de formação para preceptores de MFC no uso de dinâmicas ativas de ensino e ações para o ensino ativo no processo de preceptoria em PRMMFC. Método: Pesquisa qualitativa, do tipo estudo de caso comparativo mediante o uso de formulário sociodemográfico, entrevista individual semiestruturada e diário de campo. As informações produzidas foram examinadas por análise de discurso, tendo participado dez preceptores de quatro PRMMFC do estado de São Paulo, Brasil (metade realizou o curso Leonardo EURACT nível 1 e metade não). Resultados: Os preceptores que fizeram o curso demonstraram maior conhecimento e uso de utilização de estratégias didáticas de aprendizagem, especificamente dinâmicas ativas de ensino-aprendizagem e ações para o ensino ativo. Conclusões: Foi possível perceber que a tecnologia de ensino Leonardo EURACT nível 1 modifica a prática de ensino dos preceptores que o cursaram, pois demonstram maior uso e domínio das ferramentas na sua prática pedagógica. Além disso, o curso possibilita maior compreensão das dinâmicas e ações apresentadas e, assim, promove o aprendizado dos residentes de forma crítica e estimulando a autonomia.

Estratégias de Educação Permanente na Avaliação das Equipes de Saúde da Família: uma Revisão Sistemática

PID: S1981-52712020000100301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Mesquita Valente Soeiro Cortez Lobo Xavier
Resumo: O Programa de Melhoria de Acesso e Qualidade da Atenção Básica, implantado pelo Ministério da Saúde, visa garantir a melhoria do acesso e da qualidade dos serviços ofertados pela atenção básica. Essa estratégia tem como perspectiva a promoção de melhorias do processo de trabalho e da assistência à saúde com base na indução, no monitoramento e na avaliação de processos e resultados a serem alcançados pelas equipes da Estratégia Saúde da Família. Nesse contexto, apresenta como uma das suas ferramentas mais potentes a educação permanente em saúde, que tem como objetivo promover as mudanças das práticas de atenção, gestão, educação e participação. Este artigo objetiva descrever as estratégias de educação permanente em saúde utilizadas no processo de avaliação das equipes de saúde da família, visando à melhoria da qualidade da assistência. Trata-se de uma revisão sistemática, com vistas a responder à seguinte questão de pesquisa: “Quais estratégias devem ser inseridas no âmbito das equipes de saúde da família para consolidar os processos avaliativos fomentados pelo Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica, tendo como foco a educação permanente em saúde?”. Em síntese, os artigos selecionados nesta revisão apresentam as experiências em relação à avaliação do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica, as ações referentes à educação permanente em saúde inseridas no processo de trabalho das equipes de saúde da família e o grau de incorporação de tecnologias de informação e comunicação na atenção básica. Ainda há evidências do uso de práticas educativas formativas e verticalizadas que não levam em consideração as necessidades do território nem as demandas dos profissionais no cotidiano do trabalho em saúde. A revisão demonstra a existência de uma lacuna do conhecimento que retrate estratégias de educação permanente para efetivação do processo avaliativo fomentado pelo Programa de Melhoria de Acesso e Qualidade da Atenção Básica.

Estratégias de Ensino-Aprendizagem para Formação Humanista, Crítica, Reflexiva e Ética na Graduação Médica: Revisão Sistemática

PID: S1981-52712020000300301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Moura Mariano Gottems Bolognani Fernandes Bittencourt
Resumo: Introdução: A medicina é uma área do conhecimento diretamente associada às relações humanas e influenciada por elas. A prática médica requer mais que conhecimento técnico, necessita de habilidades que possibilitem a aplicação adequada da técnica para a recuperação e promoção da saúde de um indivíduo. As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) atuais trazem em seu texto as competências necessárias à formação médica, que vão além do campo técnico. As DCN orientam que a graduação médica deve ser pautada em uma formação generalista, humanista, crítica, reflexiva e ética. Nesse contexto, buscou-se com esta revisão identificar estratégias de ensino-aprendizagem utilizadas para o alcance das referidas competências psicossociais na graduação médica. Método: Foi realizada revisão sistemática, em que se pesquisaram artigos que apresentassem intervenções e/ou métodos pedagógicos para a aquisição, durante a graduação médica, de competências necessárias a uma formação médica generalista, humanista, crítica, reflexiva e ética. Os estudos selecionados foram sintetizados e analisados com base nos critérios do sistema Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation (Grade). Resultados: A estratégia de busca inicialmente resultou em 98 artigos elegíveis, dos quais, após segunda avaliação, 11 artigos primários foram selecionados. Inicialmente, agruparam-se os artigos conforme a competência segundo a qual foram pesquisados e reorganizados de acordo com o critério conceitual em que se enquadraram. Assim, dos 11 artigos selecionados com a estratégia de busca, seis foram classificados como formação humanista, dois como formação crítica, dois como formação reflexiva e um como formação ética. Conclusões: Os estudos encontrados mostram que dimensões importantes da formação médica, muitas vezes deixadas de lado durante a graduação, podem ser abordadas de maneira sistemática e com métodos pedagógicos já validados na literatura, pois trata-se de métodos de ensino-aprendizagem efetivos que agregam habilidades fundamentais ao graduando em Medicina, retirando do currículo oculto competências fundamentais ao médico em formação. Com a passagem dessas competências para um currículo formal, torna-se possível avaliá-las e melhorar a qualidade da formação médica. Dessa forma, essas estratégias de ensino-aprendizagem incorporam atitudes que podem significar o sucesso ou insucesso profissional médico.

Estudantes de Medicina em Roda: os Diálogos da Extensão Popular com os Indígenas Potiguara

PID: S1981-52712020000300202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Luna Nordi Rached Correia Carvalho Morais
Resumo: Introdução: A extensão universitária com populações excluídas socialmente pode ser uma estratégia na formação de profissionais sobre a diversidade cultural e social brasileira. A perspectiva da Educação Popular em Saúde (EPS) nesse contexto é uma das possibilidades para fomentar interações dialógicas entre ensino e comunidade, favorecendo espaço para o desenvolvimento da formação em saúde com compromisso social. O Projeto de Extensão Îandé Gûatá surge em 2013, na Paraíba, a partir dos princípios da EPS e da Extensão Popular, com foco no encontro entre indígenas Potiguara e estudantes de Medicina. Esta pesquisa objetivou avaliar os aprendizados construídos pelos extensionistas desse projeto em sua formação médica. Método: Para tanto, desenvolveu-se uma pesquisa com abordagem qualitativa a partir dos referenciais teórico-metodológicos das práticas discursivas. Utilizou-se a técnica da roda de conversa para construção de dados, realizada no momento de encerramento do ciclo do projeto. Para análise do material, foram identificados repertórios linguísticos a partir das falas dos sujeitos com construção de três conjuntos de sentidos: a extensão universitária como espaço contra-hegemônico de formação médica; o desenvolvimento de competências gerais para o futuro profissional de saúde; o encontro entre diferentes culturas nas vivências da extensão. Os repertórios linguísticos foram discutidos com base em referenciais teóricos de EPS, saúde indígena e competências na educação médica. Resultados: Nas falas dos estudantes, o projeto permitiu ganhos nos seguintes atributos: conhecimento, porque permitiu reflexões, identificação de lacunas e maior entendimento sobre o processo saúde-doença no contexto da população indígena; habilidades de fazer e receber críticas, de trabalho em equipe e de diálogo entre culturas diferentes; e atitudes, ampliando a postura do profissionalismo, a compreensão e a ação perante as questões éticas e sociais. Conclusões: Dessa forma, destacam não somente o desenvolvimento de competências gerais para o futuro médico, mas também as mais específicas, como a competência cultural. Além disso, enfatizam o desafio de dialogar na polaridade, de modo a diminuir as distâncias dentro do mesmo espaço institucional e do conflito cultural, e promover a compreensão e ação numa educação emancipatória. Esse coletivo de estudantes esperançou com a comunidade indígena a aproximação dessas distâncias, num compromisso coletivo de produzir mudança e transformação social.

Fatores Associados aos Níveis de Fadiga e Sonolência Excessiva Diurna em Estudantes do Internato de um Curso de Medicina

PID: S1981-52712020000100205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Vaz Gléria Bastos Sousa Silva Almeida
Resumo: Introdução: O objetivo deste estudo foi mensurar os níveis de fadiga e SED em estudantes internos de um curso de Medicina, bem como analisar os fatores sociodemográficos e pessoais associados. Métodos: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. Os participantes da pesquisa foram alunos do internato da PUC Goiás, período que corresponde aos dois últimos anos de curso. Para o desenvolvimento da pesquisa, utilizaram-se três instrumentos: um questionário sociodemográfico com perguntas direcionadas ao fenômeno investigado, a Escala de Sonolência de Epworth (ESE) e a Escala de Fadiga de Chalder. Resultados: Foram incluídos na pesquisa 116 estudantes internos do curso de medicina da PUC Goiás. A média de idade foi de 24,3 (±8,4) anos. Quanto ao sexo, 31,9% da amostra foi composta pelo sexo masculino, e 68,1%, feminino. Quando se analisou o nível de fadiga, observou-se a presença considerável de fadiga em 99 (85,3%) dos internos. Na comparação entre fadiga e os aspectos sociodemográficos, constatou-se que a variável sexo obteve associação significativa, com maiores escores em alunos do sexo feminino (p = 0,035). Já na comparação da fadiga com os aspectos pessoais, observou-se associação significativa da fadiga com os que afirmaram: praticar atividades físicas raramente (p = 0,0038), praticar atividade artística às vezes (p = 0,034), fazer atividade turística às vezes (p = 0,022), ter doença psiquiátrica (p = 0,0006), ter dificuldades para dormir (p < 0,0001), não ser fumante (p = 0,011), fazer uso de substâncias que alteram o sono (p = 0,028) e não estar satisfeito com o próprio rendimento acadêmico (p < 0,0001). Quanto à análise da sonolência excessiva diurna, perceberam-se níveis consideráveis de sonolência em 62 (53,4%) dos estudantes, e o escore médio entre os internos participantes foi de 11,2. Na comparação dos aspectos sociodemográficos dos participantes do estudo com os níveis de SED, identificou-se maior escore no sexo feminino (p = 0,041). Quando se comparou a SED com os aspectos pessoais dos estudantes, observou-se associação significativa entre os alunos que referiram ter dificuldade para dormir (p = 0,039) e aqueles que não estavam satisfeitos com o próprio rendimento acadêmico (p = 0,027). Por fim, a análise de correlação de Pearson foi realizada entre os níveis de fadiga e os níveis de SED dos 116 estudantes internos de medicina pesquisados e identificou com significância estatística uma moderada correlação positiva (r = 0,3779) entre esses dois agravos (p < 0,0001). Conclusão: Os dados apontaram que aspectos sociodemográficos e pessoais dos discentes exercem influência direta sobre os seus níveis de fadiga e SED. Tal evidência é de suma relevância, já que fadiga e SED podem trazer consequências negativas para os acadêmicos. Um melhor conhecimento da associação positiva entre fadiga e SED, bem como os fatores associados a esses agravos, permite uma abordagem dessa problemática por parte das instituições de ensino superior, visando aos melhores desfechos na qualidade de vida dos discentes e futuros profissionais médicos.

Fatores Associados à Escolha da Especialidade de Medicina de Família e Comunidade

PID: S1981-52712020000300209 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rodrigues Duque Silva
Resumo: Introdução: A Medicina de Família e Comunidade (MFC) é considerada a especialidade mais relacionada com os princípios de longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado da atenção primária à saúde (APS). A escolha da especialidade de MFC pode ser considerada por aspectos pessoais, profissionais e do currículo médico. O objetivo deste estudo foi analisar o perfil dos médicos residentes e egressos dos programas de residência de MFC de Pernambuco e os fatores associados à escolha da especialidade. Método: Realizou-se um estudo de corte transversal envolvendo 129 médicos ingressantes nas residências de MFC de Pernambuco, de 2012 a 2017. A coleta de dados foi feita com a aplicação de questionário eletrônico do LimeSurvey em escala tipo Likert de cinco pontos, com perguntas sobre fatores que contribuíram para a escolha da especialidade. Fizeram-se análises descritivas das variáveis do estudo no Epi Info 7.0, apresentadas em distribuição de frequência e medidas de tendência central e dispersão. Avaliou-se a consistência interna dos dados pelo alfa de Cronbach. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Pernambucana de Saúde. Resultados: Responderam ao questionário 104 médicos, com média de idade de 31 + 6,1 anos. Do total de participantes, 58,6% eram mulheres, 70% eram egressos de faculdades públicas e 66,3% escolheram a MFC após a conclusão da faculdade. Os aspectos pessoais analisados como influenciadores na escolha da especialidade de MFC foram: compromisso social, aptidão e afinidade com a especialidade, e circunstâncias da vida pessoal. Em relação às características da residência, a duração e a disponibilidade de vagas favoreceram a escolha. A maior parte dos aspectos relacionados com as caraterísticas próprias da especialidade exerceu influência positiva na escolha dos participantes. Os fatores do currículo da graduação que favoreceram a escolha da especialidade foram: influência de preceptores modelos e atividades práticas no contexto da MFC. O coeficiente alfa de Cronbach foi de 0,847. Conclusões: Entre os fatores referidos pelos residentes como influenciadores na escolha da especialidade de MFC, incluem-se os aspectos pessoais e as características do programa de residência e da especialidade. Por sua vez, os aspectos do currículo da graduação, de forma geral, não contribuíram para a essa escolha, entretanto houve concordância de que a vivência em cenário de prática de MFC e o exemplo de preceptores modelos influenciaram na decisão.

Fatores Associados à Ocorrência da Síndrome de Burnout entre Estudantes de Residências Multiprofissionais

PID: S1981-52712020000200214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Oliveira Pereira Silva Costa Quirino Naghettini
Resumo: Introdução: Os residentes multiprofissionais da saúde lidam diariamente com alto nível de estresse, favorecendo o prejuízo ao atendimento do paciente, o que pode causar reações emocionais e interpessoais que contribuem para o desenvolvimento da síndrome de burnout, revelando, assim, a importância de identificar as condições de risco para a síndrome e a possível proteção. O objetivo deste estudo foi descrever a ocorrência de burnout, suas dimensões de comprometimento e a associação com características sociodemográficas entre profissionais da residência multiprofissional. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem quantitativa, realizada com residentes multiprofissionais em saúde de hospitais públicos localizados em uma capital do Centro-Oeste do Brasil. Adotou-se o Inventário da Síndrome de Burnout (ISB), utilizando-se de seis índices (condições organizacionais positivas, condições organizacionais negativas, exaustão emocional, distanciamento emocional, desumanização e realização profissional), associados à avaliação de características sociodemográficas, como sexo, estado civil, profissão, trabalho anterior, mudança de cidade, morar sozinho, ter filhos, fazer outro curso, gostar do que faz nas horas vagas, praticar atividade física, ter religião, estar em processo terapêutico. O método de regressão logística foi utilizado para verificar a associação entre essas características e o diagnóstico da síndrome de burnout. Participaram da pesquisa 134 residentes. Resultados: Evidenciou-se que a exaustão emocional está presente em 91% dos participantes; o distanciamento emocional em 89,6%; a desumanização em 61,9%; a realização profissional em 11,2%; as condições organizacionais positivas em 85,1%; e as condições organizacionais negativas em 82,1%. A associação positiva foi feita entre a realização de cursos simultâneos, a característica sexo masculino e o fato de morar sozinho. Conclusões: Observa-se que a prática de terapia pode reduzir a chance do desenvolvimento da síndrome e conclui-se que há uma alta prevalência da síndrome de burnout no grupo pesquisado, sendo resposta ao estresse definido pela presença de exaustão, distanciamento e desumanização. Apesar desses resultados, a percepção de realização profissional se mantém independente do estresse.

Fatores Associados à Suscetibilidade para o Desenvolvimento de Transtornos Alimentares em Estudantes Internos de um Curso de Medicina

PID: S1981-52712020000300215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Aidar Freitas Bastos Brasileiro Silva Almeida
Resumo: Introdução: O objetivo deste estudo foi analisar os fatores associados à suscetibilidade para o desenvolvimento de transtornos alimentares em estudantes internos de um curso de Medicina. Método: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quantitativa, em que se aplicaram dois questionários: um com dados sociodemográficos e outro com o Teste de Atitudes Alimentares (EAT-26), que é um instrumento psicométrico para triar transtornos alimentares. Resultados: Foram incluídos na pesquisa 162 estudantes internos de Medicina. No gênero feminino, identificaram-se maiores escores no EAT-26 na escala da dieta (D) (p = 0,0079), que evidencia uma recusa patológica a comidas hipercalóricas e uma excessiva preocupação com a forma física, na escala de bulimia e preocupação com os alimentos (B) (p = 0,0014) e no escore geral da EAT-26 (p = 0,0005). Maior escore na escala D foi encontrado em estudantes que trabalham e estudam (p = 0,0278) e naqueles com sobrepeso (p = 0,0297). Aqueles que referiam estar seguindo alguma dieta tiveram maiores escores na escala D (p < 0,0001), na escala B (p = 0,0300) e no escore geral (p = 0,0001). Os que afirmaram ter preocupação quanto à quantidade de calorias obtiveram maiores escore na escala D (p < 0,0001), na escala B (p = 0,0010) e no escore geral (p < 0,0001). Os que referiram ter medo de engordar tiveram maiores escores na escala D (p < 0,0001), na escala B (p = 0,0001) e no escore geral (p < 0,0001), e, em contrapartida, aqueles que não tinham medo de engordar obtiveram maior escore na escala controle oral (CO) (p = 0,0149), que reflete o autocontrole associado aos alimentos e reconhece influências sociais do meio em que o indivíduo está inserido em relação à ingesta alimentar, assim como aqueles abaixo do peso (p = 0,0042). Os ansiosos obtiveram maiores escores na escala D (p = 0,0356), na escala B (p = 0,0266) e no escore geral (p = 0,0310). Conclusões: Ficaram evidenciados maiores escores na escala EAT-26 em estudantes internos de Medicina que são do sexo feminino, que trabalham e estudam e naqueles com sobrepeso. Além disso, seguir alguma dieta, possuir preocupação quanto à quantidade de calorias, ter medo de engordar, ser ansioso, triste e insatisfeito com próprio corpo também foram fatores associados com maiores escores. Todos esses fatores podem ser relacionados com um maior risco de esses estudantes desenvolverem distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia.

Fatores Preditivos de Atraso na Graduação em um Curso De medicina: Estudo de Coorte Retrospectivo no Brasil, 2010-2016

PID: S1981-52712020000100201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rocha Toledo Júnior
Resumo: Introdução: a formação do médico é um processo longo e dispendioso. Os processos de seleção são muito competitivos em todo o mundo, mas a aprovação não é garantia de sucesso acadêmico. Os cursos de Medicina são muito exigentes e estressantes, e alguns estudantes não são capazes de lidar adequadamente com esse novo cenário. Estima-se que 10%-15% dos estudantes de Medicina tenham alguma dificuldade em adaptar-se ao curso, o que pode levar ao insucesso acadêmico. A identificação de fatores preditivos de insucesso pode suportar a criação de mecanismos e estratégias para evitar o atraso ou abandono do curso. O objetivo deste estudo é identificar fatores preditivos de insucesso acadêmico em um curso de Medicina no Brasil. Método: estudo observacional retrospectivo foi realizado com todos os estudantes de Medicina que foram admitidos em uma escola médica privada em 2010 e 2011. O desfecho principal foi o sucesso acadêmico. Definiu-se o insucesso acadêmico como atraso na graduação ou abandono do curso (Grupo 1) e o sucesso acadêmico como graduação seis anos após o ingresso no curso (Grupo 2). Coletaram-se dados sociodemográficos e acadêmicos, além das notas no processo de admissão e nas disciplinas do primeiro semestre. Os alunos ingressantes no curso e aqueles aprovados no primeiro semestre (aprovados) foram analisados separadamente. Realizou-se análise descritiva e comparativa, regressão logística e análise de curva ROC. O nível de significância foi de 0,05. Resultados: 312 alunos foram admitidos no período do estudo, mas dez foram excluídos por falta de informação. Dos 302 ingressante, 105 foram incluídos no Grupo 1 e 197 no Grupo 2. Trinta e dois alunos foram reprovados no primeiro semestre. Os 270 alunos aprovados no primeiro semestre foram divididos em Grupo 1 (n = 73) e Grupo 2 (n = 197). Entre os alunos ingressantes, notas baixas no processo de admissão estavam associadas à maior chance de insucesso acadêmico (pajustado = 0,012). Dos 270 alunos aprovados no primeiro semestre, o baixo desempenho acadêmico (média das notas do semestre) estava associado ao insucesso acadêmico (pajustado = 0,001). Conclusões: notas baixas no processo seletivo (alunos ingressantes) e o baixo desempenho acadêmico no primeiro semestre (alunos aprovados no primeiro semestre) foram fatores preditivos de insucesso acadêmico.

Formação de Recursos Humanos na Área da Saúde e Implementação do SUS: Análise de um Município Polo Universitário e Referência Macrorregional

PID: S1981-52712020000400214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Santos Sousa Ferreira Paulo Rodrigues
Resumo: Introdução: Este artigo discute a formação de recursos humanos para o setor saúde em um município polo universitário e referência macrorregional em saúde, tendo em vista o papel que ele assume na oferta de serviços de saúde e na formação de profissionais no processo de implementação do Sistema Único de Saúde (SUS). Método: Trata-se de um estudo transversal, exploratório e descritivo, tendo como fontes o Inep, MEC, CNES e o Datasus. Foi analisada a oferta de 12 cursos de graduação de saúde. Resultado: O estudo mostra o crescimento na oferta de serviços e de cursos de saúde, com participação robusta de instituições de ensino superior privadas, destacando-se os cursos de Enfermagem e Medicina, o que pode estar associado à empregabilidade no setor saúde, em função de importantes políticas públicas implementadas no SUS. Conclusão: O aumento da formação de recursos humanos para o setor tem relação também com a integralidade da assistência no SUS que requer permanente formação de recursos humanos, visto que, apesar da grande inserção tecnológica, a saúde não dispensa uso intensivo desses recursos.

Grupo de Trabalho Populações (In)Visibilizadas e Diversidades: Comunidade de Práticas Reafirmando Princípios da Abem

PID: S1981-52712020000500406 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Raimondi Lopes Junior Souza Pereira Afonso Oliveira
Resumo: Introdução: A atual pandemia da Sars-CoV-2 (Covid-19) deixou ainda mais evidentes a desigualdade social e o impacto dos determinantes sociais nos indicadores de saúde. Por conta disso, os profissionais de saúde, para cuidar das pessoas e populações, devem desenvolver ações que promovam a equidade, papel que também cabe às instituições de ensino e saúde. As Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Medicina trazem em seu artigo 3º que a formação do(a) graduando(a) deverá ocorrer com “responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania”. Relato de Experiência: Este relato mostra como o debate da determinação social do processo de saúde e doença vem ocorrendo ao longo dos eventos nacionais de educação médica, especificamente nos Congressos Brasileiros de Educação Médica (Cobem), e como isso resultou na construção coletiva e colaborativa do grupo de trabalho Populações (In)Visibilizadas e Diversidades da Abem (GT-PIVD). Discussão: Os Cobems têm ampliado as oportunidades para debates sobre determinantes sociais por meio de atividades relacionadas às questões LGBTI+, racial, da mulher e indígena. O GT-PIVD, criado em 2019, reúne um coletivo de educandos(as) e educadores(as) com o objetivo de promover esse debate na formação médica e nos eventos da Abem, além de ser uma comunidade de trocas de experiências sobre as populações (in)visibilizadas e diversidades. Conclusão: Algumas iniciativas, como a “Carta de Porto Alegre”, sobre equidade de gênero e diversidade sexual, e a criação do GT-PIVD, são produtos dos Cobem. O GT-PIVD, por meio de sua comunidade de práticas virtuais, tem se tornando um espaço importante de trocas de experiências entre educandos(as) e educadores(as) sobre racismo, sexismo, LGBTIfobia e outras violências, inclusive durante a pandemia da Covid-19.

Gênero e Sexualidade nas Escolas Médicas Federais do Brasil: uma Análise de Projetos Pedagógicos Curriculares

PID: S1981-52712020000200201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Raimondi Abreu Borges Silva Hattori Paulino
Resumo: Introdução: Desde 2014, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de graduação em Medicina do Brasil destacam a necessidade da inclusão dos temas gênero e sexualidade nos currículos dos cursos de Medicina, almejando um melhor cuidado com as pessoas. Objetiva-se, com isso, identificar e analisar a abordagem de gênero e sexualidade nos Projetos Pedagógicos Curriculares (PPC) dos cursos de Medicina das Instituições Federais do Brasil. Método: Trata-se de um estudo transversal do tipo descritivo e de análise documental, realizado por meio da análise de PPC dos cursos de graduação em Medicina das Universidades Federais do Brasil. Os dados foram obtidos no sítio eletrônico do curso de graduação de Medicina de cada Instituição de Ensino Superior. Além disso, foram enviadas mensagens por correio eletrônico para as coordenações desses cursos de modo a obter os PPC atualizados. Para a análise quantitativa, realizou-se uma descrição inicial da amostra seguida de uma análise estatística utilizando o teste qui-quadrado para avaliar se haveria associação ou não entre a presença do debate de gênero e/ou sexualidade nos PCC, a publicação das DCN de 2014 e a região geográfica brasileira, bem como entre a natureza da unidade curricular (obrigatória ou complementar/optativa) e a perspectiva da abordagem. Para a análise qualitativa, foi utilizada a análise documental com a técnica de análise de conteúdo por meio do método de análise temática. Resultados: Identificou-se que 48 (69,56%) dos 69 PPC analisados discutem os temas gênero e/ou sexualidade em uma ou mais disciplinas oferecidas pelo curso. Há um predomínio da temática da sexualidade, de unidades curriculares de caráter obrigatório (88,32% das 137 unidades curriculares) e de uma abordagem para além da perspectiva exclusivamente biológica (63,5% dos 48 PPC e 62,04% das unidades curriculares). Não foram evidenciadas significâncias estatísticas pelo teste qui-quadrado. Em relação à análise documental, construíram-se duas categorias: “gênero e sexualidade associados a uma perspectiva biológica” e “gênero e sexualidade associados a uma perspectiva predominantemente ampliada ou dos determinantes sociais em saúde”. Observou-se que a primeira categoria predomina em unidades curriculares associada a órgãos, sistemas ou ciclos de vida do ser humano, enquanto a segunda, às Ciências Sociais e Humanas aplicadas à Saúde e à Atenção Primária à Saúde. Conclusões: Há uma quantidade relevante de PPC e, consequentemente, de unidades curriculares que têm uma perspectiva para além da abordagem exclusivamente biológica. Apesar disso, há uma dificuldade para um cuidado integral em saúde que pode estar relacionado a uma visibilidade seletiva à patologia e aos aspectos técnicos da prática médica e a uma dificuldade de efetivamente promover um diálogo interdisciplinar entre as ciências biológicas, exatas e humanas como proposto pelas DCN.

Humanidades Médicas e seu Lugar no Currículo: Opiniões dos Participantes do Cobem/2017

PID: S1981-52712020000100218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Barboza Felício
Resumo: É crescente a percepção de que uma formação médica com enfoque exclusivo nas disciplinas biológicas é insuficiente para a apreensão da complexidade e da singularidade do adoecimento humano. Partimos, assim, do pressuposto de que as humanidades médicas oferecem uma contribuição importante para a formação médica, por meio de referências para uma compreensão ampliada do processo saúde-doença e para a organização do cuidado em saúde, isto é, voltadas para a humanização. Este trabalho buscou conhecer as percepções de um grupo de discentes, docentes e coordenadores de curso médico sobre a integração das disciplinas de humanidades médicas nos currículos dos cursos de Medicina. A pesquisa de abordagem descritiva, quantitativa e de corte transversal consistiu na aplicação de um questionário estruturado a um grupo de participantes do 55º Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem, Porto Alegre, RS, outubro de 2017), considerado assim uma amostra de conveniência. Os participantes do evento foram abordados nos intervalos das conferências e convidados a responder a um questionário que buscava opiniões sobre a inserção e a integração das disciplinas das Ciências Humanas nos currículos dos cursos de Medicina. O questionário continha ainda a caracterização da amostra quanto à região de origem, ao âmbito jurídico da instituição (privada, pública ou confessional) e ao papel do respondente (docente, discente ou coordenador/a). Foram obtidos 234 questionários, submetidos posteriormente à análise estatística descritiva. A análise evidenciou que as humanidades médicas são percebidas como importantes na formação, mas não há consenso sobre serem fundamentais na aquisição de habilidades humanísticas. As experiências interdisciplinares curriculares existem, porém nem todos percebem as temáticas de humanidades em diversos momentos no currículo médico ou articuladas a outras disciplinas. Enquanto as experiências interdisciplinares são percebidas com maior facilidade, a articulação transversal das temáticas humanísticas aparece em menor medida. De acordo com as respostas, as disciplinas permanecem concentradas apenas nos períodos iniciais, contudo a percepção de suficiência apresenta opiniões divididas. Também há discreta diferença na opinião sobre a articulação das humanidades nos ciclos básico e avançado. A menor percepção de integração das humanidades aparece nas práticas que integram ensino-serviço-comunidade.

Identidade, Cuidado e Direitos: a Experiência das Rodas de Conversa sobre a Saúde dos Povos Indígenas

PID: S1981-52712020000200401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Luna Malvezzi Teixeira Almeida Bezerra
Resumo: Introdução: Há uma fragilidade histórica na formação dos profissionais da atenção à saúde indígena no Brasil e reconhece-se o despertar da sensibilidade para situações de diálogo entre diferentes culturas como essencial nesse contexto. Assim, surge em 2016 o projeto de extensão “Rodas de Conversa sobre a Saúde dos Povos Indígenas”, criado numa parceria entre professores de Medicina e estudantes indígenas do Programa de Educação Tutorial Indígena - Ações em Saúde, da Universidade Federal de São Carlos. Método: Este é um relato sobre os três anos dessa experiência, tendo sido construído a partir de uma análise documental de abordagem qualitativa. Os objetivos foram resgatar os temas e conteúdos desenvolvidos e discutir as vivências, as perspectivas e os diálogos desse espaço de encontro. Ao longo do texto há descrição das atividades realizadas e reconhecimento de suas potencialidades e seus limites. Resultados: Com base nos círculos de cultura e instrumentos de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, os encontros trataram de temas relacionados à saúde indígena, aqui agrupados em três categorias: identidade, cuidado e direitos indígenas. O formato em rodas de conversa possibilitou a construção de saberes no campo da saúde indígena relacionados às diferentes culturas, às políticas de saúde específicas e às concepções do processo saúde-doença, propiciando aproximação inicial com o contexto de saúde indígena no Brasil. Adicionalmente, proporcionou um espaço com protagonismo indígena que ousou apontar para olhares inovadores sobre questões identitárias e compreensões de saúde, doença e processos de cura, levantando inclusive epistemologias intrínsecas a essas populações. Conclusões: A partir do diálogo entre diferentes atores, foi possível despertar o interesse dos participantes para especificidades étnico-culturais e dar visibilidade à presença dos indígenas na universidade. Além disso, pode ser um primeiro passo para a construção de disciplinas interdisciplinares optativas e a inserção da temática nos currículos de graduação na área da saúde.

Impacto da Capacitação de Profissionais da Rede Pública de Saúde de São Paulo na Prática da Fitoterapia

PID: S1981-52712020000100215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Haraguchi Sañudo Rodrigues Cervigni Carlini
Resumo: Introdução: Após a aprovação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos em 2006, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo iniciou o curso “Plantas Medicinais” que posteriormente foi ampliado para curso “Plantas Medicinais e Fitoterapia”, com o propósito de capacitar profissionais de saúde. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto das edições de 2014 e 2015 do curso “Plantas Medicinais e Fitoterapia” nas práticas profissionais. Métodos: Realizou-se estudo exploratório, descritivo, com abordagem quali-quantitativa. No processo quantitativo (fase I), enviou-se um questionário via e-mail para profissionais de saúde egressos do curso, divididos em sete categorias: biomédico, cirurgião-dentista, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, médico e nutricionista. Do total de 165 questionários, 114 foram respondidos (69,1%). No processo qualitativo e quantitativo (fase II), realizaram-se entrevistas semiestruturadas, presenciais e individuais visando obter informações detalhadas da prática fitoterápica. Entrevistaram-se 73 profissionais de saúde a fim de comparar as práticas deles antes e depois da capacitação. Resultados: O curso impactou positivamente a aceitação e a aplicação da fitoterapia pelos profissionais de saúde, com um aumento significativo (p < 0,001) na ampliação de atividades relacionadas à fitoterapia (rodas de “chás”, “hortas medicinais” e capacitação). Houve ainda impacto na aplicação de produtos à base de plantas como Matricaria chamomilla (camomila), Maytenus ilicifolia (espinheira-santa) e Valeriana officinalis (valeriana). Verificou-se também aumento no conhecimento dos riscos da fitoterapia, embora sem o respectivo aumento na notificação de reações adversas. O estudo confirmou a importância da inclusão dos cursos em “Plantas Medicinais e Fitoterapia” na graduação e na pós-graduação, bem como da capacitação técnica e educação permanente para profissionais de saúde do SUS. Conclusão: O impacto positivo na quase totalidade dos aspectos avaliados, como o aumento do conhecimento e a prescrição de fitoterápicos, confirma a importância de tais cursos. Os resultados sugerem que a capacitação promoveu impacto positivo na prática fitoterápica dos profissionais da rede pública de saúde de São Paulo.

Implementação da Campanha Choosing Wisely no Internato de Clínica Médica

PID: S1981-52712020000300212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Mendonça Aguiar Lins-Kusterer Correia Vieira Menezes
Resumo: Objetivo: avaliar a implementação de estratégias da campanha Choosing Wisely (CW) no internato de clínica médica. Métodos: Este estudo de intervenção envolveu professores e alunos do internato, por meio de questionários on-line na plataforma SurveyMonkey e atividades presenciais. Usando a técnica Delphi, os professores identificaram três situações desnecessárias que geralmente ocorrem na prática. As recomendações foram agrupadas por frequência e assunto e adaptadas ao formato CW. Utilizou-se uma escala Likert para classificar a opinião dos especialistas, obtendo-se a lista final de recomendações. Antes da introdução da campanha da CW, realizamos um Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE). Foram comparados dois grupos de estudantes: um grupo que realizou a avaliação OSCE antes da implantação da campanha CW (110) e outro que participou de todas as ações educativas (n = 98). Implementamos a campanha da CW, desenvolvendo ações educativas usando as recomendações durante oficinas, banners e avaliação teórica, além de um Exame Clínico Objetivo Estruturado (OSCE). Resultados: após o agrupamento das recomendações, restaram 24 itens. Os especialistas selecionaram oito recomendações, abordando comportamentos desnecessários como solicitação de vários exames, uso excessivo de anti-inflamatórios não hormonais, indicação de endoscopia digestiva para pacientes mais jovens com dispepsia, excesso de radiografia de tórax em unidade de terapia intensiva, prescrição de profilaxia antibiótica por mais tempo do que o recomendado, indicação de rotina de testes alérgicos, triagem inicial inadequada para avaliação da tireóide e espirometria em pacientes assintomáticos. As ações educativas resultaram em conscientização e discussão entre os participantes, evidenciado por meio de avaliação teórica (> 95%), bem como no OSCE, onde o nível de sucessos foi maior no grupo exposto quando comparado ao grupo não exposto (p = 0,001). Conclusão: a implementação da campanha CW melhorou as habilidades clínicas dos estudantes do internato em clínica médica e permitiu discussões positivas sobre custo-consciência em saúde.

Lições Aprendidas com a Liga Estudantil de Cirurgia: Vale a Pena?

PID: S1981-52712020000100402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Miranda Miranda Lima Arraes
Resumo: Introdução: Um dos grandes desafios dos currículos de escolas médicas é oferecer treinamento em técnicas cirúrgicas básicas que permitam ao egresso de Medicina desenvolver competências para atender a casos simples que se apresentam à assistência primária do SUS. A fim de abordar o problema da qualificação técnico-cirúrgica dos estudantes de Medicina e aproveitar o apelo das ligas, foi proposto e realizado um projeto de assistência cirúrgica a pacientes portadores de hérnia inguinal, baseado em ligas acadêmicas. O objetivo do estudo é expor e discutir os resultados e a experiência acadêmica aprendida com a Liga de Cirurgia de Hérnia Inguinal. Métodos: Este é o relato da experiência de três anos com um grupo de liga acadêmica para abordar o problema da qualificação técnico-cirúrgica de estudantes de Medicina e que se aproveita do apelo das ligas acadêmicas entre estudantes de Medicina. Os participantes foram um professor de cirurgia geral, um anestesista e estudantes de graduação em Medicina interessados na clínica cirúrgica, da Faculdade de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Pernambuco, Recife, Brasil. Resultados: Vinte e quatro estudantes foram atendidos. Operaram-se 86 pacientes. Realizaram-se dois seminários com nove aulas e uma oficina de técnicas cirúrgicas. Um trabalho intitulado “Liga de cirurgia de hérnia inguinal” foi apresentado. Não se observou recorrência de hérnia; as complicações cirúrgicas foram mínimas e em pequeno número. Os estudantes mostraram rápido desenvolvimento de habilidades cirúrgicas, interpessoais e de comunicação. Entretanto, esse modelo de ensino suporta um pequeno número de estudantes e gera grande competição para os residentes de cirurgia geral em seu primeiro ano no Hospital Universitário. Conclusão: A liga de cirurgia proporciona aos estudantes uma rica experiência pedagógica, oferecendo a oportunidade de qualificação técnica e humana. No entanto, o modelo proposto apresenta limitações. De acordo com o nosso julgamento, não representa a solução para as falhas e omissões no currículo da grade universitária.
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