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Mapa da Empatia em Saúde: Elaboração de um Instrumento para o Desenvolvimento da Empatia

PID: S1981-52712020000100214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Peixoto Moura
Resumo: Introdução: A empatia é um construto multidimensional que requer a habilidade de perceber e entender a perspectiva do outro, bem como sentir seu estado emocional. Trata-se de habilidade intelectual a ser aprendida que representa um dos domínios da inteligência emocional. O objetivo deste estudo foi elaborar um instrumento para o ensino e a prática da habilidade de empatia nos cenários de ensino em saúde, denominado Mapa da Empatia em Saúde (MES). Método: Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa e descritiva para elaboração do MES. O estudo apresentou três fases: 1. adaptação do Mapa da Empatia a cenários de ensino em saúde, 2. adequação do conteúdo do instrumento realizado por professores de ambulatório da Universidade José do Rosário Vellano (UNIFENAS-BH) durante capacitação docente e 3. avaliação do conteúdo e da exequibilidade do instrumento, primeiramente realizada pela técnica de grupo focal e posteriormente por estudantes do terceiro ano de medicina durante a prática ambulatorial e no grupo tutorial. Resultados: A adequação do instrumento para a utilização em cenários de ensino em saúde foi ancorada nos pilares conceituais da empatia - tomada de perspectiva, compartilhamento emocional e preocupação empática -, bem como nas sugestões dos professores de ambulatório, dos participantes do grupo focal e dos estudantes de medicina. Todas as sugestões foram debatidas e acatadas, após consenso de que indicavam avanços e melhorias do instrumento, no sentido de viabilizar a utilização pelos estudantes em cenários de aprendizagem em saúde. Conclusão: A versão final do MES foi considerada pelos participantes das diferentes fases do estudo uma ferramenta educacional com grande potencial instrucional no que tange ao estímulo do desenvolvimento de empatia, com abrangência de utilização em cenários de ensino na área da saúde.

Melhora na Habilidade de Elaboração de Itens para o Teste de Progresso por meio de Feedback aos Autores: uma Experiência Exitosa

PID: S1981-52712020000100401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Hamamoto Filho Bicudo
Resumo: A avaliação de conhecimentos é uma etapa importante do trabalho docente, pois é preciso que os resultados das avaliações sejam válidos e confiáveis. Diversos programas de desenvolvimento docente têm sido realizados para melhorar a habilidade em elaborar questões objetivas pelos professores. Poucos estudos, no entanto, exploraram os benefícios de fornecer feedback aos autores de itens de múltipla escolha. O Teste de Progresso é uma avaliação longitudinal do ganho de conhecimentos dos estudantes cujos resultados são úteis para gerar feedback aos próprios estudantes, aos professores e aos gestores das escolas médicas. O objetivo deste relato é apresentar uma experiência exitosa em gerar desenvolvimento docente na habilidade de elaborar itens de qualidade para o Teste de Progresso por meio do feedback a respeito da qualidade e do destino destes. Anualmente, os professores das escolas médicas participantes de um consórcio para aplicação do Teste de Progresso são solicitados a formular novos itens para compor a versão do teste. Porém, o destino dos itens não é conhecido por seus autores, ou seja, eles não sabem se as questões são incorporadas à prova, se elas têm boa qualidade, qual o desempenho dos estudantes em cada questão e qual o funcionamento psicométrico delas. Em 2017, uma das escolas participantes do consórcio ofereceu aos seus autores de questões uma devolutiva sobre as falhas na redação, a modificação dos itens pelo comitê revisor, o desempenho dos estudantes nas questões e o funcionamento psicométrico em cada item. A porcentagem de itens falhos, ou seja, de qualidade não satisfatória para a inclusão no teste, era superior a 30%. Houve uma relação inversa entre a quantidade de itens falhos e o número de itens incluídos na prova final, numa análise por área de conhecimento da prova (ou seja, clínica, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, saúde pública e ciências básicas). No ano seguinte, observamos uma diminuição no número de falhas de itens (menor que 10%) e um aumento no número de questões elegíveis a serem selecionadas para o exame de Teste de Progresso. Portanto, oferecer feedback para os redatores de questões parece ser uma boa estratégia para desenvolver a habilidade docente em elaborar itens objetivos de boa qualidade.

Metodologias Ativas de Aprendizagem: Desafios dos Docentes de Duas Faculdades de Medicina do Rio Grande do Sul, Brasil

PID: S1981-52712020000400210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Biffi Diercks Barreiros Fajardo
Resumo: Introdução: As Diretrizes Nacionais Curriculares de 2014 dos cursos de Medicina no Brasil propõem a formação de médicos generalistas, humanistas, críticos, reflexivos e éticos, com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, prioritariamente tendo como base dessa formação os cenários do Sistema Único de Saúde. Para atingir esse objetivo, as instituições de ensino devem adotar tecnologias educacionais como as metodologias ativas de aprendizagem, que estimulam o estudante a buscar e construir seu próprio conhecimento. Este estudo tem como objetivos identificar e analisar os desafios que os professores da disciplina de Saúde Coletiva de dois cursos de Medicina do Rio Grande do Sul, no Brasil, enfrentam no uso das metodologias ativas de aprendizagem. Método: O desenho metodológico escolhido foi a pesquisa qualitativa com abordagem de estudo de caso comparativo. Os sujeitos da pesquisa foram os professores da disciplina de Saúde Coletiva de duas universidades. Coletaram-se as informações por meio de questionário sociodemográfico, entrevista semiestruturada e observação semidirigida. O tratamento dos achados pautou-se pela análise temática, e os dados do questionário foram tabulados para exame de sua frequência. Resultado: Os principais achados foram o entendimento, por parte dos docentes, da importância das metodologias ativas nos processos pedagógicos de ensino, a dificuldade de sua inserção pela falta de preparo e a compreensão da necessidade das metodologias ativas de ensino como orientadoras do projeto pedagógico dos dois cursos estudados. Conclusão: As universidades devem ser estimuladas a construir um projeto de educação permanente para o corpo docente, em que essas metodologias sejam assumidas como ponto principal na prática docente, contribuindo também para refletir sobre o modelo de formação que está instituído, assim como repensar a organização do projeto político-pedagógico dos cursos de Medicina.

MiniCex como Instrumento para Avaliação de Programa no Internato de um Curso de Medicina

PID: S1981-52712020000100208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Oliveira Appenzeller Caldas
Resumo: Introdução: avaliação de programa é o processo de obtenção de informações sobre um curso ou programa de ensino que leva em consideração aspectos de custo-efetividade, de checagem da adequação da avaliação ao propósito do curso e da capacidade do programa de induzir transformação da realidade. Tais avaliações regulares retroalimentam as tomadas de decisão que almejam melhores práticas de ensino e aprendizagem. O Miniexecício Clínico Avaliativo (Mini Clinical Evaluation Exercise - MiniCex) é uma escala de classificação de desempenho projetada para avaliar as habilidades que os acadêmicos e residentes necessitam em encontros reais com os pacientes. Diante da importância da avaliação de programa para uma instituição, a utilização de dados do MiniCex pode ser de grande valia para o acompanhamento dos alunos e do curso, favorecendo o planejamento e as melhorias na instituição. Objetivo: utilizar o MiniCex como parte de uma avaliação de programa no início do internato do curso de Medicina, visando determinar as áreas do curso básico e pré-clínico nas quais o aluno possui deficiências. Métodos: Foi realizado um estudo transversal, de caráter descritivo, com a utilização de dados retrospectivos obtidos por meio das fichas do MiniCex aplicadas aos alunos do nono semestre no módulo de Clínica Médica que correspondeu ao primeiro semestre do internato da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará, sendo avaliados um total de 111 alunos dentre os 154 aptos ao internato no período de agosto de 2017 a julho de 2018. Resultados: Dentre as avaliações realizadas, com 97,2% solicitadas pelos professores, a maioria (72%) foi de casos novos, 45% e 38,7% de baixa e moderada complexidade, respectivamente. Houve predomínio afecções do sistema musculoesquelético (27,7%), seguido do sistema gastrointestinal/hepatologia (14,8%). Quanto às habilidades em cada domínio, obteve-se rendimento suficiente em todos. Observou-se que 12,6% dos alunos tiveram deficiência em pelo menos uma área, o que foi seguido de 6,3% de alunos insuficientes em duas áreas e 4,5% com rendimento insatisfatório em três ou mais áreas. Conclusão: o MiniCex aplicado aos estudantes do internato mostrou-se capaz de fornecer informações importantes e úteis como parte de uma avaliação de programa das áreas prévias ao internato. A análise dos dados obtidos foi encaminhada aos professores do pré-internato e do internato e à direção do curso. Enviou-se a análise aos primeiros para que pudessem rever seus programas e detectar em que ponto podem intervir e fazer as alterações que visem à melhor aquisição de conhecimentos básicos pelos discentes e consequentemente ao aumento do desempenho deles. Quanto aos professores do internato, o objetivo foi apresentar-lhes um panorama dos aspectos em que precisarão concentrar seus programas conforme as carências indicadas pelos acadêmicos que chegam ao internato. Por último, à direção, o material serviu de guia do que deve fiscalizar dos docentes dos semestres que antecedem o internato.

Novos Tempos, Novos Desafios: Estratégias para Equidade de Acesso ao Ensino Remoto Emergencial

PID: S1981-52712020000500201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Appenzeller Menezes Santos Padilha Graça Bragança
Resumo: Introdução: Com a suspensão das atividades presenciais e a implementação do ensino remoto do curso de Medicina da Unicamp, foi necessária a elaboração de estratégias para identificar as necessidades dos estudantes para continuidade das aulas nessa nova modalidade. Objetivo: Demonstrar as estratégias desenvolvidas e as soluções encontradas para permitir a equidade de acesso ao ensino remoto no curso de medicina da FCM-Unicamp. Método: São apresentados dados do relatório institucional, elaborado a partir de questionários aplicados para os estudantes do curso de Medicina sobre as dificuldades referentes ao acesso ao ensino remoto emergencial e as ações realizadas para solucionar as principais dificuldades encontradas. Resultados: Constatamos que os anos iniciais do curso apresentam a maior proporção de alunos com dificuldades, embora, em todos os anos, os discentes tenham relatado alguma dificuldade. Os principais problemas identificados foram internet instável e/ou apenas acesso por redes móveis. Verificou-se ainda que os alunos tinham maior dificuldade em acompanhar as atividades síncronas. A maior parte dos alunos mencionou que acompanhava as aulas por computadores e notebooks, mas, muitas vezes, estes eram compartilhados com outros membros da família. Alguns estudantes apontaram também que muitas vezes, não conseguiam acompanhar o curso por falta de aparelhos ou acesso à internet. Nesse caso, computadores e chips de celular e para uso em tablets eram emprestados aos alunos. Houve orientação aos professores para adequação das ferramentas pedagógicas utilizadas. Conclusão: Garantir a equidade de acesso é fundamental para permitir a continuidade dos estudos na transformação do estudo presencial em remoto emergencial. O ato de escutar os alunos sobre as dificuldades em relação ao ensino remoto e a realização de suporte material são ferramentas essenciais para o sucesso dessa estratégia pedagógica. A orientação do corpo docente em relação às dificuldades dos alunos foi importante para adequação do ensino remoto. Essas ações auxiliaram os estudantes na mudança do ensino imposta pelo distanciamento social.

Níveis de Burnout e Bem-Estar de Estudantes de Medicina: um Estudo Transversal

PID: S1981-52712020000400206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Cazolari Cavalcante Demarzo Cohrs Sanudo Schveitzer
Resumo: Introdução: A presença de estresse crônico, causado pelas atividades e exigências do curso de Medicina, pode levar ao que se chama de burnout, uma síndrome caracterizada por três dimensões: exaustão emocional, desumanização (ou despersonalização) e reduzida realização profissional. Diante do aumento da incidência de síndrome de burnout, sintomas de ansiedade e depressão, tentativas de suicídio e suicídio entre estudantes de Medicina, encarado como consequência de exigências cada vez maiores de alcance de sucesso profissional e financeiro em detrimento da saúde física e mental, entende-se a importância de estudar o assunto e propor medidas de prevenção e controle. Este estudo teve como objetivos avaliar e descrever os níveis de burnout e qualidade de vida dos estudantes de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. Método: Foram avaliados os níveis de burnout e qualidade de vida dos alunos do primeiro ao sexto ano do curso de Medicina da Unifesp, a partir dos questionários MBI-SS e Whoqol-Bref, on-line, em plataforma REDCap. Resultados: Um total de 302 estudantes responderam aos questionários completos. Em relação ao MBI-SS, os estudantes apresentaram baixo valor no fator exaustão emocional e altos valores na descrença e eficácia profissional, indicando um burnout entre baixo e moderado. Observou-se também que estudantes do gênero feminino apresentaram maior tendência à exaustão emocional em comparação ao gênero masculino, bem como estudantes do primeiro e segundo anos apresentaram maiores valores de eficácia profissional quando comparados com os do terceiro e quarto anos, sem diferença entre os gêneros. A partir das respostas do Whoqol-Bref, os estudantes consideraram ter boa qualidade de vida. Esses resultados indicam possíveis fatores que podem interferir na qualidade de vida dos estudantes: a carga horária excessiva de atividades, modelo de ensino baseado em aulas expositivas extensas, ausência de estímulo e reconhecimento pelos seus esforços. Conclusão: Os estudantes de Medicina avaliados neste estudo têm boa qualidade de vida e níveis baixos ou moderados de burnout, atentando-se para as diferenças entre anos de curso e características sociodemográficas.

O Caminho se Faz ao Caminhar: Novas Perspectivas da Educação Médica no Contexto da Pandemia

PID: S1981-52712020000500409 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Felisberto Giovannini Diógenes Carlos Lins
Resumo: Introdução: Este relato aborda os aspectos relacionados à experiência vivenciada durante a pandemia da Covid-19, na vigência da suspensão das atividades presenciais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), e apresenta a estratégia desenvolvida por meios digitais para mitigar os impactos no processo formativo de futuros médicos e na atenção à saúde de mulheres e adolescentes. Participaram três professoras do Departamento de Ciências Biomédicas (DCB-UERN), 31 estudantes do curso de Medicina, 12 residentes do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia (PRMGO) da UERN/Prefeitura Municipal de Mossoró (PMM), dois técnicos e 150 pacientes, em espaços virtuais e nos cenários de práticas do PRMGO da UERN/PMM, em ambulatórios de ginecologia e obstetrícia (GO) da FACS/UERN e no Programa de Extensão Pró-Mulher. Relato de Experiência: Realizaram-se 18 webinários multiprofissionais, além da utilização de um aplicativo para acompanhamento no pré-natal, redes sociais como ferramentas de promoção da saúde e desenvolvimento de pesquisa e um instrumento de avaliação da qualidade da informação em saúde. Discussão: Ações de apoio ao estudante e o estímulo ao desenvolvimento docente contribuem para a redução dos impactos da pandemia, nas dimensões da educação e da atenção à saúde. O envolvimento de estudantes na produção de materiais educativos e a realização de palestras e sessões demonstrativas por meios remotos podem promover a aprendizagem e o desenvolvimento de competências médicas. Entretanto, o uso das tecnologias digitais na educação médica e na atenção à saúde implica enorme responsabilidade ética, social e política perante a salvaguarda dos direitos humanos, devendo ser assegurada a utilização adequada e segura das tecnologias. Conclusão: Em cenários desafiadores no interior do Rio Grande do Norte, na Região Nordeste, é possível promover a aprendizagem significativa e contribuir para o desenvolvimento de competências médicas mediante a inclusão digital genuína, com ações integradoras e interdisciplinares, cujos benefícios poderão ser ampliados por políticas afirmativas que contemplem as características e os indicadores regionais, de modo a diminuir as assimetrias.

O Conceito de Validade na Educação Médica: uma Análise Bibliométrica

PID: S1981-52712020000400303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Souza Sequeira Martins Bicudo
Resumo: Introdução: Avaliação é uma parte crítica da aprendizagem, e validade é sem dúvida seu aspecto mais importante. No entanto, diferentes visões e crenças levaram a uma concepção fragmentada do significado de validade, com um foco excessivo nos métodos psicométricos e escores, negligenciando a utilidade do teste. As últimas décadas testemunharam a criação de um número significativo de testes para avaliar diferentes aspectos da formação da profissão médica, mas os pesquisadores frequentemente limitam suas conclusões à consistência de suas medidas, sem nenhuma análise adicional sobre os impactos educacionais e sociais do teste. O objetivo deste trabalho é determinar o conceito predominante de validade nos estudos de avaliação em educação médica. Método: Foi realizada uma pesquisa bibliométrica da literatura de estudos sobre avaliação da aprendizagem de estudantes de Medicina para determinar o conceito prevalente de validade. A pesquisa abrangeu o período de janeiro de 2001 a agosto de 2019. Os estudos foram classificados em duas categorias: 1. “conceito de validade fragmentada” e 2. “conceito de validade unificada”. Para ajudar nos argumentos de validade, os estudos também foram classificados com base na estrutura de Miller para avaliação clínica. Resultados: A partir de uma pesquisa inicial que resultou em 2.823 estudos, selecionaram-se 716 com base nos critérios de elegibilidade, e consideraram-se 693 (96,7%) estudos com conceito fragmentado de validade que priorizavam os resultados dos escores em detrimento de uma análise da utilidade do teste, e apenas 23 (3,2%) foram alinhados com uma visão unificada de validade, apresentando uma análise explícita das consequências e da utilidade do teste. Embora a última década tenha testemunhado um aumento expressivo de estudos sobre avaliação, esse crescimento não foi acompanhado por uma mudança significativa do conceito de validade. Conclusões: Esta análise bibliométrica demonstrou que os estudos sobre avaliação de aprendizagem em educação médica têm um conceito fragmentado de validade, limitados aos métodos psicométricos e escores. A grande maioria dos trabalhos não está comprometida com uma análise sobre a utilidade e o impacto educacional de uma política de avaliação. Essa visão restritiva pode levar à perda de tempo e recursos valiosos com métodos de avaliação sem consequências educacionais significativas.

O Ensino da Anamnese Assistido por Tecnologias Digitais durante a Pandemia da Covid-19 no Brasil

PID: S1981-52712020000500411 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Magalhães Rocha Santos Dantas Manso Ferreira
Resumo: Introdução: Em dezembro de 2019, na China, surgiu o primeiro caso de infecção da Sars-CoV-2, causadora da Covid-19. Em março de 2020, após se alastrar pelos continentes, a Organização Mundial da Saúde conferiu característica de pandemia. Para tentar conter o avanço, foi criada a política de distanciamento social, responsável pela interrupção de inúmeras atividades, incluindo aulas presenciais. Assim, ampliou-se a busca por meios de ensino remoto, a fim de amenizar os prejuízos causados na educação. Nesse ínterim, a Universidade Federal de Alagoas propôs realizar a monitoria on-line como forma de promover interação entre estudantes e docentes na pandemia. Relato de Experiência: A construção do curso ocorreu de forma remota por meio de plataformas digitais, como Google Meets® e portal do serviço de conferência web da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Foram 54 inscrições de alunos de Medicina, e 38 (70,3%) cumpriram os requisitos para certificação e finalizaram. Produziram-se 22 podcasts, hospedados nas plataformas Anchor® e Spotify®, além de seis formulários do Google® com questões acerca dos conteúdos dos podcasts. Utilizaram-se as plataformas Kahoot®, um jogo com questões para aumentar a interação e o Padlet®, um “mural virtual” no qual eram postados conteúdos do curso. Discussão: A implantação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação Medicina (DCN) instigou nos estudantes autonomia no aprendizado, conferindo espaço para a inserção de tecnologias na educação. Apesar da insuficiência para sanar os prejuízos causados na educação pela pandemia, essas tecnologias conferem aos professores, aos alunos e às instituições de ensino a capacidade de adequação aos meios disponíveis para minimizar prejuízos. Conclusão: A monitoria on-line permitiu que, mesmo um assunto predominantemente prático como a anamnese, fosse discutido e praticado graças ao suporte tecnológico. Percebe-se, portanto, efetividade na utilização de tecnologias no processo de ensino-aprendizagem quando se utilizam plataformas interativas.

O Ideal Profissional na Formação Médica

PID: S1981-52712020000100225 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Sassi Seminotti Paredes Vieira
Resumo Introdução: No curso de Medicina, os estudantes recebem não somente conhecimento e habilidades técnicas em sala de aula e nos campos de prática, mas também aprendem valores, atitudes e comportamentos profissionais. Nesse processo, ocorre a construção social do médico, em que será desenvolvido o ideal profissional. Esta pesquisa teve como objetivo compreender o processo de formação da identidade profissional a partir dos seguintes aspectos: a identificação dos ideais de profissão e de profissionais sobre as qualidades pessoais e profissionais dos docentes do curso médico, a imagem de profissional e os fatores contribuintes para o ingresso na profissão. Métodos: Para isso, utilizou-se uma metodologia qualitativa de caráter exploratório, realizada por meio de entrevista semiestruturada com 20 discentes do primeiro ao sétimo semestre do curso de Medicina de uma escola médica de João Pessoa. As informações coletadas foram estudadas com base na análise do discurso. As categorias utilizadas para análise foram: o “bom médico”, o “bom professor” e a idealização do profissional “bem-sucedido”. Resultados: Os sujeitos da pesquisa tinham em média 22,2 anos de idade e 13 eram do sexo feminino e sete do sexo masculino. Mais da metade dos alunos se autodeclarou de cor branca e 45% informaram renda familiar maior que 20 salários mínimos. Quando se exploraram as categorias, percebeu-se que a imagem profissional mescla a ideia de status, por meio do reconhecimento da sociedade e da estabilidade financeira, e a de intenção de cuidar das pessoas. Conclusão: Observou-se que o “bom médico” deve ser um profissional “humano”; “estudioso”, “atualizado” e “resolutivo”; “profissional comprometido” e “responsável”. Além disso, os estudantes esperam desenvolver esses aspectos durante a graduação, mas muitas vezes se deparam com o que “não querem ser”. Outro elemento importante foi a percepção do conflito entre as ideias de “técnico competente” e “médico humano”. Essas características são transferidas para o “bom professor”, sendo reconhecido o educador que detém mais características do ideal profissional.

O Prático Visual: o Infográfico como Ferramenta Facilitadora do Aprendizado no Curso de Medicina

PID: S1981-52712020000400401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Oliveira Lessa Ribeiro Vasconcelos
Resumo: Introdução: No contexto das graduações médicas, o desenvolvimento de metodologias que estimulam a busca do aprendizado, a autonomia e a criatividade dos discentes é essencial para a formação médica no Brasil. O estudo visa descrever a construção de infográficos como proposta pedagógica para o aprendizado dos processos orgânicos do envelhecimento humano por estudantes de Medicina. Método: Os discentes do quarto período do curso de Medicina de uma instituição de ensino superior construíram infográficos como requisito de conteúdo prático do módulo “Processos de Envelhecimento”. Adotou-se o infográfico do tipo estático, seguindo critérios como: definição do público-alvo; definição do objetivo; escolha do tema; seleção das informações mais relevantes (foco); linguagem direta e acessível; informações organizadas; escolhas das paletas de cores e estilo; e esboço do infográfico. Todo processo de elaboração foi supervisionado pelo docente responsável, sendo previamente estabelecidos os critérios de avaliação. Resultados: A turma foi dividida em sete grupos, resultando na produção de um infográfico com uma temática específica por grupo. Os temas do envelhecimento humano foram: doenças articulares degenerativas, enfraquecimento ósseo, pneumonia no idoso, infarto agudo do miocárdio, demência vascular, aterosclerose e herpes-zóster. É válido salientar que, além da criação, cada grupo apresentou aos demais colegas o produto final, explicitando cada item inserido no infográfico estático. Conclusões: Foi possível observar que os alunos cumpriram de forma satisfatória os requisitos avaliativos propostos, demonstrando envolvimento na construção dos infográficos e, sobretudo, no aprendizado simples, criativo e objetivo, utilizando uma poderosa ferramenta visual. Acrescenta-se também que o material impresso servirá de apoio no laboratório de histologia e em atividades extramuros.

O Que Já Aprendemos?: Educação Médica, Vulnerabilidades e Responsabilidade Social em Tempo de Pandemia

PID: S1981-52712020000500802 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Raimondi Tourinho
Resumo: Introdução: Com a pandemia da Covid-19 houve um recrudescimento da vulnerabilidade, do empobrecimento e do desemprego. Com base no pressuposto de que uma escola médica responsável e comprometida precisa estar atenta às necessidades básicas da sociedade para que os processos formativos possam atender a elas, torna-se necessário refletir sobre a educação médica em tempos de pandemia. Objetivo: O presente ensaio buscará refletir criticamente sobre “o que já aprendemos” em relação à educação médica no contexto atual de pandemia da Covid-19. Desenvolvimento: Em 2010, a revista Lancet publicou um manuscrito intitulado “Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world”, o qual realiza uma análise histórica e socioepidemiológica sobre a formação em saúde, a fim de refletir sobre as características necessárias para uma formação profissional voltada para o século XXI. Diante disso e dos 20 anos vividos em um novo século, questionamo-nos: como estamos formando profissionais para o século XXI? Estamos reproduzindo padrões tecnicistas com uma “nova roupagem” ou promovendo a responsabilidade social ao longo do processo formativo? Estamos utilizando metodologias ativas com um enfoque técnico ou ampliando a análise a partir da perspectiva da determinação social do processo saúde-doença proposta pelas DCN? Não é nossa proposta apresentar uma resposta simples, mas fomentar o debate para que possamos pensar juntos(as) quais são os caminhos possíveis para ampliarmos nossa formação e realmente pensarmos em processos formativos voltados para a promoção da equidade no século XXI. Conclusão: Precisamos advogar em função dos usuários do SUS e também despertar em nossos(as) estudantes o olhar para essa necessidade. As demandas sociais da atualidade também exigem competências atitudinais e relacionais dos profissionais da saúde, o que precisa ser colocado em prática na formação desses profissionais.

O Reflexo do Aumento de Vagas da Residência de Cirurgia Geral no Brasil

PID: S1981-52712020000100213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Tonatto Filho Gallotti Treiguer Olijnyk Grossmann Lombard
Resumo: Introdução: Nos últimos anos, houve um aumento no número de vagas de residência médica em todas as regiões do Brasil. Apenas nos últimos quatro anos, de 2014 a 2018, houve um aumento de 18.953 vagas gerais ofertadas para o primeiro ano de residência médica para 26.094, 37% a mais, o que foi acompanhado também pela área de cirurgia geral. Em consequência, o número de cirurgiões gerais vem aumentando substancialmente, de 12.430 em 2008 para 34.065 em 2018, um aumento percentual absoluto de 174%. Esses novos cirurgiões vêm trazendo consigo seus conhecimentos teóricos e práticos já atualizados, em sua maioria, de novas técnicas e modalidades cirúrgicas. Nesse contexto, nas últimas duas décadas a cirurgia videoassistida vem se tornando a via de escolha para inúmeros procedimentos no Brasil e no mundo, tendo em vista seus benefícios para os pacientes, tais como menor permanência hospitalar no pós-operatório e menos resposta metabólica ao trauma cirúrgico. Este estudo correlaciona o aumento do número de vagas em residência médica e consequentemente de novos cirurgiões ao aumento de cirurgias videolaparoscópicas no sistema público de saúde. Metodologia: Os dados para revisão foram extraídos do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus). Escolheram-se as cirurgias com maior frequência para análise dos dados. Resultados: Os resultados foram divididos nas cinco áreas geograficamente distribuídas pelo Brasil. Ao final do estudo atual, demonstrou-se que o número de cirurgias videoassistidas aumentou em 233%, acompanhado pela elevação de 63% no número de vagas de residência médica e acréscimo de 174% no número de novos cirurgiões no Brasil, no mesmo período. Conclusão: O atual estudo demonstrou que o aumento do número de cirurgias videoassistidas no país está relacionado diretamente com o aumento exponencial do número de vagas de residência médica e, por consequência, do número de novos cirurgiões gerais. A formação desses novos cirurgiões gerais ocorre, cada vez mais, num contexto de técnicas videolaparoscópicas que trazem consigo inúmeros benefícios já reconhecidos para os pacientes. Conclui-se, portanto, que o acréscimo no número de vagas de residências médicas em cirurgia geral - que cada vez mais empregam os ensinamentos em técnicas videolaparoscópicas - tem contribuído como fator complementar para o aumento do número de cirurgias videoassistidas observado em todas as regiões do Brasil.

Papel do Instrutor de Pediatric Advanced Life Support na Aplicação das Melhores Práticas em Ressuscitação Pediátrica

PID: S1981-52712020000400219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Gaspary Paiva
Resumo: Introdução: A parada cardiorrespiratória é um evento emergencial que requer tanto a identificação precoce de sinais de deterioração clínica quanto ações rápidas e eficazes para a sua reversão. Muitos médicos e enfermeiros que atendem crianças procuram se capacitar no atendimento desses eventos, realizando o curso Pediatric Advanced Life Support (PALS), tornando-se posteriormente instrutores. O objetivo desta pesquisa foi conhecer a percepção do instrutor de PALS sobre seu papel na articulação entre o cenário simulado e o real da ressuscitação pediátrica. Método: Trata-se de uma abordagem qualitativa em que se utilizou a entrevista semiestruturada como técnica de pesquisa. Foram realizadas 12 entrevistas com instrutores do PALS vinculados a variados centros de treinamento em São Paulo. Os dados qualitativos das entrevistas seguiram o método de análise proposto por Minayo, e o marco teórico adotou os conceitos de campo e habitus de Pierre Bourdieu. Resultados: A análise das entrevistas mostrou que os médicos e enfermeiros se sentem reconhecidos e seguros, conduzem melhor a equipe, realizam intervenção construtiva, sugerem mais treinamentos em ressuscitação pediátrica e implantam melhorias nos serviços após se tornarem instrutores do PALS. O habitus incorporado no campo simulado foi reproduzido pelos instrutores no campo da assistência, exceto na aplicação do debriefing. Conclusão: O papel dos instrutores foi de multiplicação das boas práticas, envolvendo as equipes e favorecendo a realização de atendimentos sistematizados e baseados em evidências, com resultados positivos no dia a dia das instituições hospitalares.

Percepción Global de los Gestores Académicos, Alumnos y Profesores Sobre la Sostenibilidad y sus Relaciones con la Salud en el Curso de Medicina en el Sudeste de Brasil

PID: S1981-52712020000400222 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Muner Garcia
Resumen: Introducción: Frente a los cambios que se producen en los ámbitos socioambiental, cultural y tecnológico, se propuso analizar el conocimiento de gestores académicos, profesorado y estudiantes del curso de Medicina de una institución de educación superior de la Región Sudeste de Brasil sobre sostenibilidad y su implicación en el área de la salud. Se realizó un estudio de caso, con enfoque metodológico de investigación cualitativa y cuantitativa. Métodos: El estudio incluyó el análisis del currículo del curso y los planes de clases, entrevistas a los gestores académicos y profesores y un cuestionario para los alumnos. Las categorías del estudio fueron: concepto de sostenibilidad, importancia para la salud, relaciones entre sostenibilidad y salud y sostenibilidad en el currículo. Resultados: Los participantes están próximos a un enfoque de sostenibilidad débil, siendo la percepción de los alumnos la más reduccionista; que las relaciones entre sostenibilidad y salud se establecen mediante las enfermedades y/o la calidad de vida y que el currículo atiende en escasa medida a la perspectiva de la sostenibilidad. Conclusión: Todos los participantes consideran importante incluir la sostenibilidad en el área de salud para mejorar la formación de los profesionales y están predispuestos a participar de actividades para su propia formación y desarrollo del enfoque. Esta sugerencia apunta para un proyecto futuro de ambientalización curricular para la sostenibilidad en el ámbito institucional, en el que se debe prestar especial atención a la formación del profesorado en relación con el desarrollo del enfoque en sus propias aulas.

Percepção Discente sobre o Ambiente Educacional da Disciplina de Semiologia Médica

PID: S1981-52712020000100210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Pricinote Gomes Monteiro Filho Silva Souza Junior Ferreira Roberti Fernandes
Resumo: Introdução: A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM-UFG) iniciou um novo processo de mudança curricular em 2014. As disciplinas de Semiologia I e II passaram a adotar metodologias ativas de ensino para adequação às necessidades da reforma curricular. O objetivo deste artigo foi avaliar a percepção dos discentes do primeiro ano da FM-UFG sobre o ambiente educacional das disciplinas de Semiologia I e II. Método: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo corte transversal, envolvendo 86 alunos. O instrumento de coleta de dados foi o questionário Dundee Ready Education Environment Measure (Dreem), versão em português. Os resultados foram considerados em três níveis: questões individuais, cinco dimensões e Dreem global. Calcularam-se a média, o desvio padrão e os respectivos intervalos de confiança de 95%. Obteve-se a confiabilidade interna do Dreem pelo cálculo do alfa de Cronbach, avaliou-se a distribuição dos dados da amostra pelo teste de Shapiro-Wilk e realizou-se a comparação entre os percentuais da média dos escores dos domínios e do DRREM global pela ANOVA, seguida do teste de Tukey. Resultados: A média do Dreem global foi de 134,83/200 ± 17,42, uma percepção mais positiva que negativa. As cinco dimensões tiveram os seguintes resultados: percepção da aprendizagem (32,74 / 48 ± 5,59 / uma visão mais positiva); percepção dos docentes (32,71 / 44 ± 6,23 / na direção certa); percepção dos resultados acadêmicos (20,22 / 32 ± 4,09 / sentimento positivo); percepção do ambiente geral (31,74 / 48 ± 5,69 / atitude positiva); percepção das relações sociais (17,42 / 28 ± 3,83 / não é tão ruim). Foram encontrados alguns pontos problemáticos em relação a fatos memorizáveis, metodologia de ensino prévio e cansaço para cursarem a disciplina. A dimensão com mais áreas fortes foi a percepção dos docentes. Houve significância estatística quando os percentuais da média dos escores dos domínios e do Dreem global foram comparados. Conclusão: O ambiente educacional das disciplinas de Semiologia I e II da Faculdade de Medicina da UFG criado pelas inovações metodológicas foi avaliado positivamente pelos discentes participantes, com destaque para o domínio percepção dos docentes.

Percepção dos Acadêmicos de Medicina sobre o Teste de Progresso

PID: S1981-52712020000200212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Sartor Rosa Madeira Uggioni Ferreira Filho Rosa
Resumo: Introdução: O Teste de Progresso serve para medir a consolidação do conhecimento ao longo da formação acadêmica médica. O teste é administrado periodicamente a todos os alunos de um currículo, com o propósito de avaliar o crescimento cognitivo deles na graduação. Além de avaliar o estudante de forma individual, o teste avalia a instituição, de modo a mostrar em quais áreas a sua base curricular deve ser melhorada. O objetivo deste estudo foi avaliar a percepção de acadêmicos de Medicina da Universidade do Extremo Sul Catarinense em relação ao Teste de Progresso. Método: Realizou-se um estudo transversal, em que se coletaram dados por meio de questionários elaborados pelos pesquisadores, aplicados aos alunos do curso de Medicina - que fizeram o Teste de Progresso em algum momento do curso - no período de 15 de outubro a 30 de novembro de 2018. A análise estatística foi realizada com um nível de confiança de 95%. Resultados: Obteve-se uma taxa de resposta de 70,41%, com um número de 424 questionários incluídos na pesquisa. Os dados demográficos revelam uma população de predominância feminina (60,4%), branca (96,2%), com uma média de 23 anos de idade. Nas fases iniciais, intermediárias e finais da pesquisa, os participantes sabiam o objetivo do Teste de Progresso, bem como a maioria dos estudantes, em todas as fases, considerou-o importante. Observou-se também que a maioria dos estudantes considera clínica cirúrgica e saúde coletiva como seu pior desempenho no Teste de Progresso. Já nas áreas de clínica médica, pediatria e ginecologia obstetrícia, os estudantes das fases intermediárias e finais se consideram satisfeitos com seu nível de conhecimento. “Avaliar a evolução/o desempenho do acadêmico” foi o ponto positivo mais citado. Já entre os negativos, destacou-se “diminuir o número de questões para que a prova não fique tão extensa”. Conclus ões: Os estudantes da amostra consideram o Teste de Progresso importante e conhecem o objetivo dele. Reconheceram que se sentiram mais preparados nas fases finais. As principais áreas a que os estudantes atribuíram seu pior desempenho foram: clínica cirúrgica e saúde coletiva. Já nas áreas de clínica médica, pediatria e ginecologia obstetrícia, eles se mostraram satisfeitos com o próprio nível de conhecimento.

Percepção dos Estudantes de Medicina sobre o Uso da Metodologia da Problematização durante a Graduação

PID: S1981-52712020000400212 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Santiago Moraes Almeida
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para Graduação em Medicina estabelecem que o curso deve ser centrado no aluno como sujeito da aprendizagem. Devem-se utilizar metodologias que privilegiem a participação do aluno na construção do conhecimento. O objetivo deste estudo foi compreender a percepção do aluno de Medicina acerca da metodologia da problematização na unidade Problema Integrador de Competências (PIC) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Método: Trata-se de uma pesquisa transversal descritiva com abordagem qualitativa. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada que se utilizou de um roteiro de temas previamente confeccionado. Entrevistaram-se 30 acadêmicos do primeiro ao décimo segundo módulo sobre a unidade PIC que é desenvolvida por meio da metodologia da problematização com a inserção do arco de Charles Maguerez. Para a análise dos dados, adotou-se Teoria Fundamentada nos Dados ou Grounded Theory. Resultados: Com os resultados obtidos após realização da transcrição e análise das entrevistas, foi possível criar as seguintes categorias explicativas do fenômeno investigado: pontos fortes, frágeis e melhorias; características do aluno e do professor no PIC; contribuições do PIC para formação médica. Por meio da análise das categorias explicativas, evidenciaram-se a eficiência e as contribuições da funcionalidade e aplicabilidade da metodologia da problematização na unidade do PIC. Constatou-se que os discentes que participaram desta pesquisa conseguiram desenvolver habilidades relacionadas à comunicação, pesquisa, resolutividade e proatividade, aprenderam a trabalhar em equipe e ouvir e respeitar a opinião dos colegas, tornaram-se pessoas mais críticas e entenderam a importância de enxergar o paciente de forma holística; todos aspectos imprescindíveis para a formação em Medicina. A partir da percepção dos acadêmicos de Medicina, foi possível evidenciar que a metodologia da problematização inserida no campo da formação médica ainda tem fragilidades tanto na formação do aluno quanto na atuação do professor mediador. Conclusões: Os resultados aqui apresentados poderão servir para que os cursos de Medicina que se utilizam dessa metodologia possam fomentar estratégias que visem à sua correta aplicabilidade.

Percepção e Vivência da Morte de Estudante de Medicina durante a Graduação

PID: S1981-52712020000100206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Correia Taveira Marques Chagas Castro Cavalcanti
Resumo: Introdução: o estudo da morte envolve a exploração que o indivíduo faz na busca de si mesmo. A Medicina tende a negá-la e controlá-la por meio de avanços tecnológicos e medicalização, o que leva ao pensamento de que o médico pode regular a duração dela. A morte é carregada de significados simbólicos e faz parte do processo de desenvolvimento humano, contudo muitas vezes é desconhecida do estudante de Medicina, o que leva ao temor pela indefinição do momento em que ocorrerá o encontro. Inerente às atividades do médico, há a crença de que poderá ser sempre evitada, sendo entendida como falha ou insucesso do tratamento, ou como desconhecimento do profissional, provocando ansiedade e cobrança tanto por parte da população como dos médicos. Este estudo objetivou relatar a vivência e percepção sobre a morte entre estudantes de Medicina. Método: trata-se se um estudo qualitativo, observacional, realizado com 50 alunos de três períodos de um curso de Medicina em Alagoas, em 2018. Usou-se um questionário com a seguinte pergunta aberta: “Após a vivência da morte durante o curso, o que mudou na sua atuação como estudante e na sua vida?”. Os dados foram analisados manualmente em quatro etapas. A primeira fase consistiu na organização dos dados, procurando ideias que emergiram das respostas à questão norteadora, quando foi realizada a pré-análise, por meio de uma leitura aprofundada, na busca da criação das categorias, uma vez que elas não foram elaboradas previamente. A segunda fase correspondeu à elaboração da segunda planilha que armazenou as ideias explícitas (categorias provisórias) e implícitas (focos) com a identificação dos sentidos. A terceira fase procurou responder à pergunta da pesquisa por meio das unidades de registro, em que se relacionou a fala com o foco/tema e se identificou o sentido da inferência. A quarta fase compreendeu duas planilhas: uma com a interpretação dos focos e suas unidades de registros e outra com elaboração de síntese para cada foco. A vivência da morte pode acontecer em relação ao outro ou à própria morte, ocorrendo diferenças nos dois processos. Aqui abordagem concentrou-se na morte do outro e em como ela é vivenciada pelo estudante de Medicina durante a graduação. Resultados: Os dados obtidos resultaram em três categorias relacionadas à vivência da morte durante a graduação, refletindo o preparo ou não para lidar com o fenômeno. Cada categoria apresentou duas subcategorias: significação da morte, com as subcategorias “vida pessoal” e “vida profissional”; qualificação profissional, com as subcategorias “limites de atuação profissional” e “curso em relação à morte”; humanização, com as subcategorias “relação médico-paciente” e “cuidados paliativos”. Conclusão: A pesquisa mostrou que os discentes modificaram sua visão da morte após a vivência durante o curso e que estão despertos para o tema, revelando a importância deste para sua formação e também a necessidade da ampliação de sua discussão durante a graduação.

Percepções acerca do Programa Mais Médicos e do Processo de Supervisão Acadêmica

PID: S1981-52712020000400225 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Shimizu Santos Sanchez Hone Millett Harris
Resumo: Introdução: Este estudo teve como objetivo analisar as percepções dos atores envolvidos acerca do Programa Mais Médicos (PMM) e do processo de supervisão acadêmica, as suas fragilidades e pontencialidades para a melhoria das práticas na atenção primária à saúde. Método: Trata-se de estudo qualitativo, realizado por meio de cinco entrevistas em profundidade com médicos supervisores do PMM, analisados com auxílio do software Iramuteq, e 24 entrevistas com gestores de unidades, 12 coordenadores da atenção básica e sete médicos da atenção secundária, que foram submetidas à análise de conteúdo. Resultados: Da análise surgiram três eixos temáticos: benefícios do programa para os municípios e a população, os desafios do processo de supervisão e as dificuldades do sistema de saúde fragmentado. Conclusões: As percepções dos atores acerca do PMM são positivas, sobretudo porque o programa levou médicos para os municípios com áreas vulneráveis. Antes do PMM, os médicos não tinham interesse em deslocar-se para essas áreas e, quando o faziam, não permaneciam muito tempo nesses locais. A supervisão é importante apoio de formação continuada em serviço, contudo requer que seja mais bem articulada com os diversos níveis de gestão do sistema de saúde. A precariedade da rede de serviços limita a atuação tanto dos médicos como da supervisão, demonstrando que é preciso investir em uma rede de atenção sólida e eficaz. Ademais, ficou evidente que, mais uma vez, a população enfrentará a falta de médicos por causa das mudanças nas políticas de saúde que não priorizam a garantia do acesso universal aos serviços de saúde. É necessária a construção de políticas mais abrangentes que não se limitem ao provimento esporádico de médicos. É imprescindível que haja ações contínuas e mais bem integradas às redes de atenção, visando a um sistema de saúde eficiente e eficaz.
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