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Perfil Socioeconômico e Expectativa de Carreira dos Estudantes de Medicina da Universidade Federal da Bahia

PID: S1981-52712020000200206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Veras Fernandez Feitosa Fernandes
Resumo: Introdução: As recentes de políticas de inclusão e de democratização do acesso ao ensino superior têm conclamado ao desenvolvimento de pesquisas que observem o perfil socioeconômico dos estudantes universitários, ainda mais em cursos de alta concorrência e prestígio, como Medicina. Método: Nesse sentido, foi realizada uma pesquisa de caráter transversal, com aplicação de questionários trianalíticos numa amostra de 381 estudantes, com o objetivo de descrever o perfil socioeconômico do estudante de graduação em Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), assim como conhecer aspectos relacionados à sua vida acadêmica e às expectativas futuras de atuação profissional. Para análise dos dados, utilizou-se o software SPSS 18 em 20 variáveis que abordaram perfil socioeconômico, aspectos relacionados à vida acadêmica dos estudantes e expectativa de carreira. Resultados: Os resultados deste estudo apontam que o perfil do estudante de Medicina é formado por 50,7% de mulheres, 52,8% de pardos, média de idade de 23 anos, 50,4% são oriundos de Salvador e da região metropolitana, 38,8% dos estudantes possuem alta renda familiar, 55,6% estudaram a maior parte do ensino médio em escola particular e para 58% a entrada no curso não se deu por políticas de ação afirmativa. Para 73% dos discentes, Medicina é a primeira graduação. Quase a totalidade dos estudantes (98,4%) afirmou que pretende fazer especialização, esvaziando assim as especialidades raízes e a formação de um médico generalista como preconizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conclusão: Conclui-se que, mesmo com a implementação de políticas de ação afirmativa, o curso de Medicina continua sendo de elite que tende a priorizar espaços de ensino em detrimento dos outros pilares da universidade.

Perfil Socioeconômico e Racial de Estudantes de Medicina em uma Universidade Pública do Rio de Janeiro

PID: S1981-52712020000300211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Souza Pôrto Souza Silva Júnior Borges
Resumo: Introdução: O Brasil continua sendo um país onde persistem muitas barreiras socioeconômicas e raciais para acesso à formação médica. Ainda que o Brasil seja equivocadamente considerado uma democracia racial, pessoas negras, povos indígenas e aqueles de baixo status social são os mais afetados por tais dificuldades de acesso à universidade. As faculdades de Medicina são tradicionalmente ocupadas por grupos brancos, ricos e de classe média alta, embora 54% dos brasileiros se considerem afro-brasileiros. Para lidar com esse cenário, há, desde 2013, a reserva de 50% de todas as vagas em universidades públicas para baixa classe social, povos indígenas e pessoas negras. Nosso objetivo foi descrever o perfil socioeconômico e racial dos ingressantes de uma faculdade de Medicina da Região Sudeste ao longo de cinco anos, analisando as relações entre a estrutura segregacionista brasileira e as políticas de inclusão. Método: Um estudo censitário foi realizado abrangendo todos os grupos que entraram entre 2013 e 2017 na Faculdade de Medicina de uma universidade do Estado do Rio de Janeiro. Optamos por aplicar um questionário autoadministrado que aborda aspectos sociais, raciais, econômicos e de admissão em universidades. Os dados foram analisados por uma descrição simples das frequências e por análise bivariada. Resultados: Constatou-se que o perfil majoritário é branco, com renda anual superior a US$ 8.640, proveniente de escola particular, com apoio financeiro da família, ambos os pais com ensino superior e sem diferença de gênero. Quanto à inserção de pessoas não brancas no curso, o atual sistema de cotas não aumentou significativamente a presença dessas pessoas. Conclusão: Políticas de inclusão racial subordinadas à econômica parecem ser uma barreira à entrada de não brancos na Faculdade de Medicina, o que contribui para a desigualdade racial.

População em Situação de Rua: o Papel da Educação Médica ante a Redução de Iniquidades

PID: S1981-52712020000500403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Cunha Silva Oliveira Souto Souza Solano
Resumo: Introdução: Compreendendo a abordagem holística de saúde e considerando as desigualdades brasileiras, infere-se a discrepância dos estados de saúde entre grupos sociais, sobretudo no que concerne à população em situação de rua (PSR). Essas pessoas lidam com o desamparo institucionalizado, e a pandemia da Covid-19 expôs ainda mais essa situação. Quanto à formação dos profissionais de saúde, torna-se fundamental a abordagem do tema. Relato de Experiência: Com base na inclusão de experiências de docentes que articulavam ações de integração ensino-serviço com a equipe do Consultório na Rua de Mossoró, bem como a abordagem de temas relacionados às populações mais vulneráveis em eixo longitudinal ao curso, despertou-se o interesse dos discentes do curso de Medicina da Ufersa para ações direcionadas à PSR. Destarte, surge, em 2019, a ação “Saúde nas Ruas”, em parceria com o Consultório na Rua, que fornece suporte à PSR em diversos aspectos, com a participação dos alunos do curso de Medicina. A ação, proposta a partir de iniciativa dos próprios alunos, marcou o início do planejamento da inclusão do atendimento a essa população no programa do internato do curso, bem como a criação de um projeto de extensão longitudinal para ações voltadas à PSR. Nesse processo, os discentes puderam imergir na realidade dessa população, e os usuários tiveram autonomia para compartilhar suas experiências e dores. Discussão: Mediante uma formação acadêmica que visa romper com o modelo tecnicista, os estudantes possibilitaram voz à PSR e, compreendendo essas pessoas como sujeitos do processo, refletiram sobre o agir médico na transformação da realidade em que se inserem. Conclusão: O corpo acadêmico participante potencializou em si a empatia e o desejo por uma saúde pública democrática e acessível. Ficou evidente ainda a imprescindibilidade de trabalhar temas específicos sobre populações vulneráveis, com o objetivo de fortalecer a atuação médica como forma de garantir o direito à saúde.

Preceptores de Residência Médica: Perfil Epidemiológico e Capacitação Pedagógica

PID: S1981-52712020000400218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Carvalho Filho Santos Wyszomirska Medeiros
Resumo: Introdução: A residência médica é uma modalidade de pós-graduação, caracterizada como treinamento em serviço, considerada no Brasil como padrão-ouro na formação de médicos especialistas. A preceptoria na residência médica é desenvolvida por um especialista que, além ser responsável pelo residente, prepara-o para a prática profissional. Como ainda não há definição dos principais requisitos para o preceptor, nem sobre a preparação para o exercício, percebe-se relativo despreparo quanto aos aspectos pedagógicos e de capacitação. Método: Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, realizado com 200 preceptores de ambos os sexos, de programas de residência médica em Maceió, em Alagoas. Resultados: A média de idade encontrada foi de 43,31 ± 10,31 anos, com discreta maioria do sexo feminino (52,5%). O tempo médio de conclusão da graduação foi de 19,5 ± 10,58 anos, com 83% dos participantes graduados em Alagoas. Além disso, 78,5% possuem a certificação de residência médica, havendo maior tendência dos preceptores de instituições públicas em obter titulação em pós-graduações stricto sensu. O tempo médio da pós-graduação concluída foi de 12,63 ±10,87 anos; e o de exercício da preceptoria, de 7,07 ± 6,99 anos. Apenas 19% dos preceptores referiram capacitação para a preceptoria, e 29,5% atuam como docentes na graduação. Alagoas acompanhou a tendência nacional de ampliação da PRM, o que pode justificar a idade média encontrada, semelhante a outros estudos. A maioria do sexo feminino pode estar associada a um processo de feminização da saúde. A alta porcentagem de preceptores titulando a residência médica está em sintonia com a Resolução nº 4/78. Neste estudo foram encontrados preceptores experientes, constatação que diverge dos achados de alguns autores. A baixa porcentagem de preceptores com capacitação para a preceptoria indica baixo interesse, falta de estímulos e pouca oferta de treinamentos disponíveis. Conclusão: A população deste estudo é de preceptores predominantemente jovens, com maioria do sexo feminino, que possuem tempo elevado de experiência, e a maioria graduou-se em Alagoas. Houve predomínio da residência médica como principal titulação, e a maioria dos preceptores não recebeu capacitação pedagógica para a função. Por fim, os preceptores de instituições públicas possuem maior proporção de títulos de pós-graduação stricto sensu.

Preditores Educacionais para Fixação de Médicos em Áreas Remotas e Desassistidas: uma Revisão Narrativa

PID: S1981-52712020000100303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rocha Boiteux Azevedo Siqueira Andrade
Resumo: O estudo é uma revisão narrativa da literatura internacional cujos objetivos foram identificar e compreender aspectos educacionais determinantes para fixação de médicos em áreas remotas e desassistidas. A partir de buscas nas bases de dados, foram selecionados dez artigos de revisão sobre instituições e programas de ensino médico que aumentaram a atração e a permanência de seus egressos em regiões de escassez profissional e que explicitaram os aspectos educacionais associados a tais resultados, os quais foram considerados preditores educacionais para fixação de médicos. Os principais preditores encontrados foram: a realização de processos seletivos que priorizaram o ingresso de estudantes previamente vinculados aos locais com escassez de médicos; a construção de estruturas curriculares com metodologias de problematização com foco em questões locais de saúde e com ênfase na abordagem clínica da atenção primária à saúde e da Medicina de Família e Comunidade; e a qualidade das experiências formativas, sobretudo nos cenários de atenção primária, em áreas rurais ou remotas, a qual, por sua vez, envolve a formação e a experiência docente, assim como a infraestrutura e a localização das escolas médicas em áreas estratégicas que permitam a aproximação dos discentes com a realidade das comunidades vulneráveis. Os resultados da revisão apontam ainda que a fixação de médicos em áreas desassistidas demanda o enfrentamento de fatores socioculturais, econômicos e políticos que, frequentemente, transcendem a governabilidade das instituições formadoras. E reiteram a necessidade de uma maior uniformidade conceitual entre as pesquisas, com o intuito de assegurar evidências científicas mais sólidas sobre o assunto e a importância da realização de estudos que contemplem o contexto latino-americano e, de forma específica, o Brasil, onde ainda é escassa a literatura sobre o tema.

Prevalência de Fatores Associados à Depressão e Ansiedade em Estudantes de Medicina Brasileiros

PID: S1981-52712020000100207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Ribeiro Lemos Alt Marins Corbiceiro Nascimento
Resumo: Introdução: Embora a saúde mental seja uma condição essencial para o desenvolvimento humano, a literatura científica mostra alta frequência de depressão e ansiedade em universitários, principalmente entre estudantes de Medicina. Para contribuir para um melhor entendimento sobre a saúde mental de estudantes de Medicina, esta pesquisa teve os seguintes objetivos: 1. estimar a prevalência de escores indicativos de ansiedade, depressão e ansiedade e depressão simultâneas, e 2. analisar os fatores associados com tais condições em estudantes de Medicina de uma universidade federal do Brasil. Métodos: Trata-se de um estudo do tipo transversal realizado com 355 estudantes de uma faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Os participantes foram recrutados durante o primeiro semestre do ano de 2015. As desordens mentais foram avaliadas com o uso da Hospital Anxiety and Depression Scale (Hads). A magnitude dos transtornos mentais e os fatores associados foram analisados com a obtenção de estimativas de prevalência e de razão de prevalência (RP) não ajustada e ajustada e de intervalos de confiança de 95% (IC 95%). Resultados: Analisaram-se 355 estudantes. Ansiedade foi a condição mais comum (41,4%), seguida de depressão (8,2%) e de depressão e ansiedade simultâneas (7,0%). Depois do ajustamento dos modelos multivariados e considerando tanto gênero quanto idade como variáveis de confusão, nossos resultados mostraram um padrão de risco diferenciado em relação aos três desfechos analisados. O risco de ansiedade aumentou com o fato de se “sentir sozinho” (RP ajustada: 1,59; IC 95%: 1.123; 2,259), “ter histórico de acompanhamento psiquiátrico/psicológico antes de ingressar na universidade” (RP ajustada: 1,63; IC 95%: 1,052; 2,542) e “se sentir moralmente lesado na faculdade” (RP ajustada: 1,66; IC 95%: 1,168; 2,364). O risco de depressão aumentou com se “sentir sozinho” (RP ajustada: 6,84; IC 95%: 2,047; 22,894) e “ter histórico de acompanhamento psiquiátrico/psicológico antes de ingressar na universidade” (RP ajustada: 4,74; IC 95%: 1,790; 12,579). Ansiedade e depressão simultâneas foram associadas com se “sentir sozinho” (RP ajustada: 8,90; IC 95%: 2,075; 38,208) e “ter histórico de acompanhamento psiquiátrico/psicológico durante (RP ajustada: 3,16; IC 95%: 1,061; 9,439) e antes (RP ajustada: 6,01; IC 95%: 2,000; 18,098) de ingressar na universidade”. Conclusão: Ansiedade e depressão são comuns em estudantes de Medicina. Os principais fatores associados foram tratamentos para desordens mentais antes do ingresso na universidade, solidão e relações interpessoais problemáticas durante a graduação. Dessa maneira, um melhor acolhimento e uma redução de situações conflituosas podem ajudar a minimizar essas condições frequentes em escolas médicas, uma vez que impactam não apenas a própria qualidade de vida, como também a forma de lidar com os seus pacientes no futuro.

Prevalência de Fixação dos Egressos das Residências Médicas no Estado do Tocantins, no Período de 2013-2017

PID: S1981-52712020000100219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Guedes Dias Osório Baldaçara Guedes Silva Neto
Resumo: Introdução: A realização de residência médica (RM) é uma vertente de qualificação considerada “padrão ouro” para a especialização médica. A compreensão dos motivos que levam ou não à maior fixação do profissional estimulado pela RM e a identificação dos fatores que dificultam a permanência do médico no local ou contribuem para isso são importantes informações para a estruturação dos programas de RM e sistema de saúde. O objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência de fixação dos egressos no estado do Tocantins, após a implantação das residências médicas no período de 2013 a 2017. Método: Trata-se de uma pesquisa observacional do tipo quantitativo, com delineamento transversal, de caráter descritivo e analítico, com uso da técnica telematizada e questionário próprio, realizada com 44 egressos dos programas de RM no estado do Tocantins. O projeto foi revisado e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Tocantins (UFT) sob o Parecer nº 2.292.540. Resultados: A prevalência de fixação foi de 65,9% dos médicos no estado do Tocantins. A maioria dos residentes era do sexo feminino (59,1%), com idade média de 30,8±3,1 anos e renda entre dez e 20 salários mínimos (55,8%), e trabalhou durante a residência (84,1%). As especialidades com maior índice de fixação foram as cirurgias geral e médica. No caso desse estudo, a maioria dos participantes atua nas redes privada e estadual. O principal motivo para não fixação no Tocantins foi cursar outra residência ou subespecialidade em outro estado (64,7%). Conclusão: A prevalência de fixação das RMs no Tocantins no período analisado pode ser considerada alta (65,9%). O perfil de feminização, o juvenescimento e o motivo da não fixação dos egressos são importantes indicadores para serem analisados em conjunto com o processo de fixação e oferta de vagas nas especialidades disponibilizadas no Tocantins. Os resultados do estudo apontaram uma perspectiva favorável e estratégica dos Programas de Residência Médica (PRM) na fixação de médico no Tocantins, o que não pode ser generalizado para a realidade de um sistema de saúde tão desigual no país. Um maior investimento público na estruturação dos serviços da rede de saúde, em especial na rede municipal, na organização de apoio e no desenvolvimento socioeconômico das cidades é necessário.

Prevalência de Sintomas Depressivos em Estudantes de Medicina com Currículo de Aprendizagem Baseada em Problemas

PID: S1981-52712020000300219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Maia Assunção Silva Santos Menezes Bessa Júnior
Resumo: Introdução: A depressão é um distúrbio heterogêneo, com etiologia, evolução e resposta terapêutica variadas, com relatos de aumento crescente na incidência entre os jovens. Dois objetivos nortearam este estudo: estimar a prevalência de sintomas depressivos entre acadêmicos de Medicina de uma universidade com métodos ativos de aprendizagem e investigar possíveis associações com variáveis sociodemográficas. Métodos: Trata-se de um estudo transversal descritivo. Aplicaram-se um questionário eletrônico com variáveis sociodemográficas e o Inventário de Depressão de Beck (BDI). Foram realizadas análise univariada e regressão logística multivariada. Resultados: Avaliamos 173 discentes, com discreta predominância de rapazes (n = 93, 53,7%) e idade mediana de 24 (22-26) anos. Verificaram-se sintomas depressivos em 46,2% (n = 80), dos quais 33,5% (n = 58) leves, 9,2% (n = 16) moderados e 3,4% (n = 6) graves. Sexo feminino (p = 0,032) e insatisfação com a Aprendizagem Baseada em Problemas - ABP (p < 0,001) se associaram de forma independente aos sintomas depressivos em regressão logística multivariada, com aumento na chance de sintomas depressivos de 2 e 3,5 vezes, respectivamente. Os fatores morar com os pais, ter outros diagnósticos psiquiátricos e praticar regularmente atividade física se associaram aos sintomas depressivos apenas em análise univariada. Conclusão: Os acadêmicos de Medicina apresentaram significativa prevalência de sintomas depressivos. A associação dos sintomas depressivos com insatisfação com o método ABP pode fomentar reflexões sobre a conduta pedagógica e as deficiências na aplicação da metodologia ABP na referida universidade. Ressaltamos a importância da implementação da atividade física no projeto pedagógico e curricular do curso de Medicina como estratégia para a promoção de saúde mental e física nos discentes.

Produção Científica dos Pesquisadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na Área da Neurociência

PID: S1981-52712020000200208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Dias Martelli Costa Andrade Oliveira Martelli Júnior
Resumo: Introdução: Este estudo avaliou o perfil e a produção científica dos bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área de neurociência. Método: Construiu-se um banco de dados com os 542 pesquisadores em medicina cadastrados como bolsistas do CNPq. Desse montante de pesquisadores, 94 (17,34%) tinham a área de neurociência como principal campo de pesquisa. Resultados: Todos os 94 pesquisadores da neurociência estavam distribuídos em oito estados brasileiros: São Paulo (n = 49; 52,12%), Rio Grande do Sul (n = 22; 23,40%), Rio de Janeiro (n = 9; 9,57%), Minas Gerais (n = 5; 5,31%), Ceará (n = 4; 4,25%), Santa Catarina (n = 3; 3,19%), Espírito Santo (n = 1; 1,06) e Paraná (n = 1, 1,06%). Quanto à instituição de origem, os pesquisadores da neurociência distribuíram-se por 20 instituições diferentes no país. No entanto, três instituições foram responsáveis por aproximadamente 58,50% dos pesquisadores: USP (n = 30), UFRGS (n = 15) e Unifesp (n = 10). A mediana do tempo desde a obtenção do título de doutor foi de 18,27 anos (IQ, 5-39). Ao longo da carreira acadêmica, os 94 pesquisadores publicaram 16.488 artigos em periódicos científicos, com uma média de 175,40 artigos por pesquisador (variando de 43 a 715 artigos). Dos 16.488 artigos, 12.801 (77,63%) foram indexados na Web of Science (média de 136,18 artigos/pesquisador) e 10.166 (61,65%) na base Scopus (média de 108,14 artigos/pesquisador). Durante a carreira, os bolsistas orientaram 1.279 estudantes de iniciação científica (mediana de 13,60; intervalo: 0-68), 1.329 estudantes de mestrado (mediana de 14,13; intervalo: 1-49) e 970 de doutorado (mediana de 10,54; intervalo: 0-42). O índice H mediano no ISI dos bolsistas foi de 23,75. Conclusões: Observa-se que os pesquisadores da neurociência constituem um grupo com expressiva produção científica (índice H mediano no ISI de 23,75). A maioria dessas publicações científicas se encontrava nas bases Web of Science (77,63%) e Scopus (61,65%). Também se destacou a formação qualificada de recursos humanos, incluindo iniciação científica, mestrado e doutorado. Estudos comparativos com pesquisadores de outros países, em áreas do conhecimento similares, são necessários para melhor compreensão dos presentes resultados.

Programa de Mentoria do Curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte: Atividades Integrativas em Foco

PID: S1981-52712020000400405 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Moreira Albuquerque Pinto Junior Gomes
Resumo: Introdução: Ao ingressarem no curso de Medicina, os estudantes se deparam com desafios inerentes à formação que podem ser geradores de estresse e ansiedade, comprometendo seu bem-estar e desempenho acadêmico. Diante disso, o curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) implantou em 2015 um programa de mentoria que se propõe a contribuir para o desenvolvimento profissional e pessoal do estudante, adotando-se como um diferencial a realização de atividades integrativas. Método: Participam desse programa 25 professores do curso de Medicina da UFRN, que atuam como mentores, 25 monitores ou mentores juniores, que têm o papel de intermediar a comunicação entre os participantes, como também auxiliar no planejamento e desenvolvimento das atividades, e 317 alunos de diversos períodos do curso médico. Além dos encontros mensais regulares, no final de cada semestre, os mentores e mentores juniores organizam a atividade integrativa que agrega todos os discentes e docentes do programa e possibilitam a construção de uma relação mais próxima entre mentores e mentorandos, bem como contribuem para a estruturação de um ambiente universitário mais acolhedor e equânime. Resultado: Em avaliação on-line sobre o programa, os alunos destacaram a “troca de experiências, de sugestões e a ajuda no curso sobre diversos temas” e “adquirir experiência de um profissional experiente” como principais motivações para participar da atividade. Contudo, enfatizaram a falta de tempo para conciliar os encontros com as demais atividades acadêmicas como principal obstáculo para participar do programa. Com a pandemia da Covid-19, mantiveram-se as atividades do programa no modelo on-line, e obteve-se importante engajamento dos participantes, o que representou uma estratégia de enfrentamento do isolamento social e de promoção da saúde mental para os estudantes. Conclusão: Observamos, a partir do engajamento e dos feedbacks recebidos, que o programa, apesar de apresentar alguns desafios, vem se configurando como uma iniciativa capaz de transformar as relações interpessoais entre discentes e mentores, ao promover a integração entre alunos dos diferentes períodos do curso e criar um ambiente favorável ao diálogo e à construção do conhecimento.

Programa de Treinamento em Neurologia para a Educação de Residentes em Psiquiatria: Relato de Experiência em Curitiba, Brasil

PID: S1981-52712020000400404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rodriguez Souza Remonti Hernandez-Fustes
Resumo: Introdução: É necessário que a residência de psiquiatria conste um programa da disciplina de neurologia. No Brasil, como não existe uma padronização dos conteúdos a serem abordados, os residentes realizam estágios em diferentes serviços de neurologia. Neste relato, descreve-se a experiência da aplicação do Programa de Neurologia para Residência Médica de Psiquiatria (PNRMP). Métodos: Trata-se de um estudo observacional e descritivo da experiência do PNRMP em Curitiba, no Paraná. Para a elaboração do PNRMP, realizou-se uma pesquisa teórico-reflexiva nos sites da Associação Brasileira de Psiquiatria, Residências Médicas de Psiquiatria Brasileiras, do PubMed e da SciELO. Na pesquisa, utilizaram-se as seguintes palavras-chave: programa de residência em psiquiatria; residência em neurologia e psiquiatria; neurologia em psiquiatria. Resultados: Em 2011, iniciou-se a elaboração do PNRMP com o objetivo de oferecer aos residentes os subsídios teórico-práticos da interface psiquiatria e neurologia sob supervisão de um preceptor neurologista. O programa, com nove anos de aplicação e 54 residentes formados, ocorre em dois ambulatórios do Sistema Único de Saúde - um de neurologia geral (para residentes do primeiro ano) e outro de epilepsia ou transtornos neurocognitivos do idoso (para residentes do terceiro ano -, com duração de quatro a cinco horas, uma vez por semana. Os residentes realizam um atendimento/hora, e os casos são revisados em parceria com o preceptor que esclarece as dúvidas da entrevista/do exame físico e define o diagnóstico e a conduta colegiada. Procure-se as competências clínicas em treinamento em serviço, discussões de casos, revisões teóricas e seminários. No final do ambulatório, realiza-se uma reunião da equipe para compartilhar os conhecimentos gerados nos atendimentos e orientar atualizações clínicas/terapêuticas. As avaliações são diárias, trimestrais, anuais e quanti-qualitativa, em que se consideram a aquisição de habilidades, o raciocínio clínico, a qualidade nos atendimentos, o profissionalismo e a comunicação com a equipe, os pacientes e os familiares. Conclusão: O PNRMP supera a dicotomia “orgânico versus funcional”. Na integração das atividades teóricas e práticas, busca-se um conhecimento abrangente e resolutivo que permita ao futuro psiquiatra prestar um serviço competente e humano. Recomenda-se a participação dos residentes egressos para que eles possam avaliar o PNRMP. Os autores propõem o desenvolvimento de um PNRMP reprodutivo nacional e padronizado.

Projeto Fellows: Habilidades de Educação para Estudantes das Profissões da Saúde

PID: S1981-52712020000100403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Caramori Mello Barretto Costa Peña Ramos Almeida Pavan
Resumo: As novas tecnologias da informação produziram profundas transformações na educação e na sociedade. Todas as áreas do conhecimento têm sido constantemente reinventadas, readaptadas e recriadas para se ajustarem às novas exigências da prática profissional. A educação nas profissões da saúde também tem seguido esses passos. É nítido como os estudantes, futuros educadores, estão envolvidos nessa transformação e têm sido vetores dessas mudanças. Paralelamente, a concepção dos novos currículos para os cursos da área da saúde pressupõe a participação ativa dos estudantes na própria formação e na de seus pares. Essa nova forma de ensinar, que privilegia o trabalho em equipe, a aprendizagem por pares, a interdisciplinaridade e a autonomia, estimula e exige esse protagonismo dos estudantes. A participação ativa do estudante nas atividades educativas da graduação traz inúmeros benefícios: favorece o aprendizado, as relações interpessoais e a aquisição de habilidades de comunicação, de orientação, de liderança, de pesquisa e de gestão, e desenvolve a responsabilidade social. Os estudantes das profissões da saúde, mesmo nas fases mais precoces de formação, fazem suas escolhas e direcionam sua formação para o que desejam na vida profissional. Quando essa escolha recai sobre uma área específica da saúde, eles encontram, desde a graduação, maneiras de começar a desenvolver seus conhecimentos e habilidades em clínica médica, cirurgia, pediatria, pesquisa em laboratório, saúde pública e outras áreas, mas não encontram apoio à formação quando pretendem ser futuros professores. Nesse contexto, surgiu o Projeto FELLOWS, um projeto de desenvolvimento docente, proposto e conduzido por estudantes de Medicina, em blended learning (presencial e a distância) que tem como objetivos a formação e o aperfeiçoamento em habilidades de educação para estudantes das profissões da saúde, aqui apresentado como um relato de experiência. Em 2017, o projeto estendeu-se de abril a outubro em encontros mensais no horário noturno e, eventualmente, aos sábados. Foi conduzido por quatro estudantes de Medicina (coordenadores) e dois professores supervisores e contou com colaboradores de outras instituições de educação médica. Em 2018, as atividades educativas foram realizadas exclusivamente pelos estudantes/residentes coordenadores e os professores supervisores, por meio de duas sessões de imersão (sexta, sábado e domingo), separadas por um período de quatro meses em que foi elaborado um projeto de educação, construído em grupos de seis estudantes acompanhados por um tutor e um coordenador. As atividades do Projeto FELLOWS seguem as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina de 2001 e 2014, atendem às demandas da educação nas áreas da saúde no Brasil e respeitam o perfil desejado do profissional egresso, com responsabilidade social. Oferecem o contato e progressivo domínio de habilidades de comunicação e de competências para o trabalho docente, o uso de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, o trabalho em equipe, o uso de tecnologias digitais, o exercício da comunicação oral e escrita e a criatividade para a inovação. O processo de execução do Projeto FELLOWS trouxe benefícios diretos para os organizadores e para os participantes, e benefícios indiretos para as instituições de ensino a que pertencem, pois envolveu produção de conhecimento, engajamento estudantil e responsabilidade social.

Qualidade de Vida de Acadêmicos de Medicina: Há Mudanças durante a Graduação?

PID: S1981-52712020000400205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Pires Gusmão Carvalho Amaral
Resumo: Introdução: O conceito de saúde está ampliado para além da ausência de doença e envolve atualmente todos os aspectos de qualidade de vida dos indivíduos, inclusive a percepção deles em relação à condição de vida, ao contexto cultural e ao sistema de valores sob os quais vivem. Método: Objetivou-se analisar a qualidade de vida dos acadêmicos de Medicina da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) por meio do questionário World Health Organization Quality of Life abreviado (Whoqol-Bref) da Organização Mundial da Saúde. O Whoqol-Bref possui 26 questões, das quais duas são gerais sobre a qualidade de vida e a satisfação com a saúde, e 24 estão divididas em domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. As respostas são pontuadas de um a cinco, por grau de intensidade; após coleta, foram calculadas as médias dos escores e os domínios, os quais são convertidos em uma escala de 0 a 100. Resultados: Dos 188 acadêmicos, 62,03% consideraram sua qualidade de vida boa ou muito boa, enquanto 54,25% referiram estar nem satisfeitos nem insatisfeitos, insatisfeitos ou muito insatisfeitos com sua saúde. Além disso, nenhum dos grupos alcançou a “região de sucesso” na avaliação dos domínios, havendo diferença estatisticamente significante apenas do domínio físico (p = 0,02), em que se percebe uma melhora dos escores no decorrer do curso. Os alunos do primeiro e segundo anos tiveram pior avaliação nos domínios, demonstrando que a ansiedade e a expectativa sobre a graduação podem afetar negativamente a qualidade de vida. Em relação aos domínios, destaca-se o “sono e repouso” como a questão de pior avaliação, ocupando a “região de fracasso”, seguida da questão que avalia a oportunidade de lazer e recreação, provavelmente pelo fato de o processo de formação desgastante prejudicar também a saúde física, mental e emocional. Em relação ao sexo, as mulheres tiveram a pior avaliação em todos domínios e nas questões gerais, havendo diferença significativa no domínio psicológico (p = 0,04) e na satisfação com a saúde (p = 0,04). Conclusão: Portanto, faz-se necessário que se desenvolvam intervenções capazes de oferecer apoio aos acadêmicos de Medicina, de modo a ajudá-los a conseguir lidar com as dificuldades que enfrentarão durante o curso.

Qualidade de Vida e Graduação em Medicina

PID: S1981-52712020000300206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Miranda Tavares Silva Braga Santos Guerra
Resumo: Introdução: Nos últimos anos, tem-se questionado sobre a qualidade de vida dos estudantes de Medicina dado o contexto em que estão inseridos. O estresse como resultado do somatório de carga horária extensa, dificuldade de conciliar a vida acadêmica com a pessoal e exposição a situações de dor e sofrimento tem-se mostrado como o principal fator para a queda da qualidade de vida desses acadêmicos. O objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade de vida de acadêmicos de Medicina e seus fatores associados. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado com 419 acadêmicos do curso de Medicina de uma fundação pública de Goiás. Foram incluídos alunos a partir de 18 anos e matriculados no curso do segundo ao oitavo período, de 2017 a 2018. Utilizaram-se os questionários sociodemográfico e de hábitos de vida e o World Health Organization Questionnaire for Quality of Life - Brief Form (WHOQOL-bref). Resultados: Os fatores relacionados com a baixa qualidade de vida foram: sexo feminino, utilizar estimulantes, pensar em desistir do curso e possuir comorbidade. Os relacionados com melhor qualidade de vida foram consumir frutas e hortaliças, praticar atividade física, mais tempo de sono e gestão do estresse. Conclusão: Este estudo encontrou um conjunto de fatores capazes de interferir na qualidade de vida desses estudantes, sugerindo a necessidade de intervenções direcionadas ao apoio pedagógico e psicológico.

Qualidade de Vida e Transtornos Mentais Menores dos Estudantes de Medicina do Centro Universitário de Caratinga (UNEC) - Minas Gerais

PID: S1981-52712020000200211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Silva Pereira Moura
Resumo: Introdução: A qualidade de vida dos estudantes de Medicina há muito tempo tem sido objeto de atenção e pesquisas. Os fatores considerados estressores inerentes aos processos formativos na educação médica são potenciais desencadeadores de transtornos mentais com impacto na qualidade de vida. Conhecer a qualidade de vida, a saúde mental geral dos estudantes de Medicina e os fatores associados é fundamental para subsidiar ações que visem a melhorias e aperfeiçoamentos do aprendizado desses discentes. O objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade de vida dos estudantes de Medicina do Centro Universitário de Caratinga (UNEC), localizado em Minas Gerais, a prevalência de transtornos mentais menores (TMM) e os fatores associados. Método: Trata-se de um estudo descritivo, transversal e quantitativo que foi conduzido por meio de um questionário autorrespondido contendo questões sobre dados sociodemográficos, qualidade de vida (WHOQOL-abreviado) e saúde mental geral (QSG-60 de Goldberg). Participaram do estudo 94 estudantes do curso de Medicina do UNEC, divididos em três grupos: (G1) 32 alunos do primeiro ano, (G2) 30 do terceiro ano e (G3) 32 do quinto ano. Todos preencheram o TCLE. Realizaram-se análises estatísticas descritivas de frequência, análise inferencial e análise de conglomerado. Resultados: Os estudantes percebem sua qualidade de vida como boa. O domínio de relações sociais obteve o maior escore, e o psicológico alcançou o menor escore. Não houve diferença significativa na qualidade de vida e saúde mental geral, nos diferentes períodos do curso. Observou-se correlação significativa entre a saúde mental geral com os domínios de qualidade de vida, mostrando que um pior estado da saúde mental geral vem acompanhado de uma pior qualidade de vida. A prevalência de TMM detectados na amostra analisada foi de 41,5% entre os estudantes de Medicina do UNEC, com escores mais acentuados no domínio estresse psíquico e os menores no domínio desejo de morte. Identificou-se a presença de três grupos com perfis distintos de qualidade de vida: pior percepção da qualidade de vida (25,5% dos estudantes), intermediária (30,9%) e melhor (43,6%). Conclusões: Os estudantes de Medicina pesquisados têm uma boa percepção de sua qualidade de vida. A saúde mental dos estudantes tem influência na qualidade de vida. Os resultados apontam para a necessidade de estudos qualitativos para aprofundar as informações sobre a qualidade de vida dos estudantes do UNEC.

Reflexões para uma Prática em Saúde Antirracista

PID: S1981-52712020000500804 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Borret Araujo Belford Oliveira Vieira Teixeira
Resumo: Introdução: A história da população negra no Brasil inicia-se pelo processo de escravização dos povos da África. Desde o início dessa agressão até os dias atuais, pretos e pardos são vítimas das desigualdades sociais e econômicas, mesmo com a abolição da escravatura. Vemos que o Estado não ofereceu apoio para essa população ser integrada na sociedade, e, por isso, boa parte vive à margem atualmente. Objetivo: Apontar as problemáticas que envolvem a população negra, analisar o contexto da pandemia de Sars-Cov-2 no processo de vulnerabilidade desse grupo, destacar a situação do ensino de pretos e pardos na educação médica e refletir sobre o cuidado em saúde de pessoas negras. Desenvolvimento: Existem algumas teorias sociais que tentam colocar a população negra como um grupo humano distinto dos demais e intelectualmente inferior na sociedade, justificando a marginalização e condição de desumanidade imposta a este. O reconhecimento do racismo no cuidado em saúde fez surgir, em 2009, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) que visa explicitar as iniquidades impostas a esta população e delinear metas para a educação de profissionais e a produção de cuidado, objetivando o combate ao racismo institucional na saúde. Com a pandemia do Sars-Cov-2 em 2020, a vulnerabilidade fica à mostra, assim como a invisibilidade que damos à questão raça/cor na formação médica. Assim, faz-se necessária a discussão transversal da relação raça/cor no ambiente de construção de conhecimento, como destacam as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) voltadas para os cursos de Medicina. O ambiente educacional do curso ainda é ocupado, em sua maioria, por pessoas brancas, tanto educandos quanto educadores. Conclusão: A pandemia da Covid-19 coloca em evidência o racismo estrutural e institucional na saúde, assim como o silenciamento do racismo como determinante do processo saúde e adoecimento na formação dos atuais e futuros profissionais de saúde. Para uma produção de cuidado anti-racista, precisamos entender como a questão raça/cor relaciona-se com a saúde da população.

Reflexões sobre a Terminalidade da Vida com Acadêmicos de Medicina

PID: S1981-52712020000100220 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Brito Sobreiro Atzingen Silva Mendonça
Resumo Introdução: A morte e o morrer são temas pertinentes ao cotidiano de profissionais de saúde e ao processo de aprendizagem de acadêmicos de Medicina; entretanto, desde os primeiros anos da graduação, o estudante é obrigado a suplantar a concepção holística do ser humano e da vida em prol da supervalorização dos fundamentos técnico-científicos da profissão. Métodos: Nesse sentido, diante das poucas oportunidades de questionar os sentimentos e a compreensão desses futuros profissionais com relação à terminalidade da vida, buscou-se conhecer suas percepções por meio da aplicação de um questionário semiestruturado. Foram entrevistados dez acadêmicos de cada ano do curso de Medicina da Univás, totalizando 60 alunos. Para inclusão no estudo, os estudantes deveriam estar regularmente matriculados no curso, aceitando, por livre-arbítrio, participar da pesquisa por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). As entrevistas foram gravadas nas dependências da instituição e o material contendo a fala dos participantes foi posteriormente descartado. Para análise das respostas, utilizou-se o método do Discurso do Sujeito Coletivo. Resultados: Foi suscitada, de maneira preponderante em todos os anos, a concepção de terminalidade como sendo propriamente o “fim da vida”, situação com a qual parcela considerável dos entrevistados (58%) dizia não se sentir preparada para lidar por conta da escassez de reflexões sobre a morte, seus aspectos psicológicos e suas repercussões no contexto médico-acadêmico. Curiosamente, cerca de 16% dos acadêmicos consideravam-se preparados para vivenciar a morte de alguém, mas não para serem intervencionistas no processo; isso é sustentado pelo fato de que os estudantes têm de lidar com o cenário real de transmissão de más notícias, sem antes passar por situações hipotéticas e reflexivas envolvendo o “binômio vida e morte”. Conclusão: Sendo assim, parece necessária a criação de espaços na grade curricular que forneçam apoio não apenas teórico-prático, mas também afetivo das questões envolvendo a terminalidade. A proposta de educação teórico-prática relativa aos cuidados paliativos inserida na grade curricular lapidaria a confiança e atitude dos futuros profissionais perante o cuidado.

Representatividade LGBT+ na Educação Médica e Covid-19: Construindo Redes de Cuidado e Solidariedade

PID: S1981-52712020000500401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Borges Vieira Oliveira Silva Raimondi
Resumo: Introdução: Historicamente, a comunidade LGBT+ enfrenta obstáculos estruturais que interferem na garantia da cidadania plena. Com a pandemia da Covid-19, observa-se que a vulnerabilidade individual da população LGBT+ tornou-se ainda mais intensa e explícita. Diante disso, o presente relato de experiência apresenta e analisa criticamente uma ação de estudantes de Medicina que buscaram promover a representatividade e uma rede de cuidado/apoio e solidariedade entre os(as) estudantes LGBT+ no contexto da pandemia. Relato de experiência: Este relato descreve a construção de um vídeo “Evoluiu Challenge” por acadêmicos(as) e médicos(as) graduados(as) do curso de Medicina de uma universidade pública brasileira. Diante do isolamento social e da necessidade de representatividade, encorajamento e empoderamento LGBT+ dentro do espaço acadêmico da Medicina, identificou-se a necessidade de ações, como a produção do vídeo, para que os(as) acadêmicos(as) mais vulnerabilizados(as) possam localizar em seus/suas colegas de curso uma rede de apoio, solidariedade e empoderamento. O projeto foi desenvolvido com 20 estudantes e três egressos(as) da mesma instituição. Ao todo, foram mais de 85 mil visualizações. Discussão: Diante da experiência relatada, destaca-se a importância dos avanços tecnológicos como promotores da “aproximação” em tempos de isolamento e distanciamento social. Nesse sentido, o vídeo resultou em significativa visibilidade à população LGBT+ presente no meio médico. Ademais, propiciou representatividade e a construção de uma rede de apoio estudantil, como descrito nas DCN, com a promoção do cuidado. Conclusão: A partir deste relato de experiência, fica visível a necessidade de implementação de estratégias de ações de apoio para a população LGBT+ nas universidades, como as redes de cuidado/solidariedade. Dessa maneira, assim como o vídeo, essas estratégias potencializarão a construção de um espaço de ensino-aprendizagem mais inclusivo e que seja um oásis do pensamento contra a opressão e espaço de contestação.

Ressignificando a Relação entre Calouros e Veteranos: Mentoria de Pares na Visão de Alunos Mentores

PID: S1981-52712020000400221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Souza Reato Bellodi
Resumo: Introdução: A mentoria de pares tem sido reconhecida como uma das intervenções de suporte para o enfrentamento de um dos mais estressantes momentos para os estudantes - a transição para o ensino superior. Este estudo traz a experiência do primeiro ano de atividade de um programa de mentoria de pares realizado numa escola médica brasileira. Este estudo teve como objetivos descrever o processo do “fazer mentoria de pares” com calouros do curso médico e apresentar as satisfações e os desafios encontrados no caminho, assim como as sugestões para o aprimoramento da atividade. Método: Analisaram-se qualitativamente os feedbacks enviados ao longo do ano por veteranos que assumiram o papel de mentores. Os depoimentos foram sintetizados tendo por referencial o método do discurso do sujeito coletivo. Resultados: Os mentores realizaram ações de suporte acadêmico e pessoal, e também foram anfitriões do ambiente acadêmico. Os encontros presenciais foram de difícil realização, sendo complementados por encontros virtuais. Encontrar um horário comum e manter a periodicidade dos encontros foram os principais desafios. Desinteresse de alguns calouros e esvaziamento de demandas na segunda metade do ano geraram frustração. No entanto, os mentores observaram o crescimento dos calouros e o seu próprio desenvolvimento pessoal, expressando sentimentos de gratidão e satisfação com os vínculos afetivos criados. Para as próximas experiências, os mentores sugeriram um início mais precoce do programa, menor número de calouros por grupo e maior acompanhamento das atividades pela coordenação. Pedidos expressos para que a mentoria continue no futuro foram feitos. Conclusões: Fazer mentoria de pares é um fazer amplo nos campos acadêmico, pessoal e social. Os calouros recebem ajuda para lidar com as incertezas do início do curso em um espaço seguro em que ansiedades podem ser compartilhadas. A relação de mentoria é mutuamente benéfica e o veterano também se desenvolve ao longo do processo. Dificuldades na realização dos encontros mostraram-se presentes e aprimoramentos precisam ser realizados para maior engajamento com a atividade e ampliação de seus benefícios.

Revista Brasileira de Educação Médica e a Saúde das Pessoas Transgêneras

PID: S1981-52712020000200205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Danon Conceição Daltro
Resumo: Introdução: Este artigo visa compreender o conhecimento circulante na Revista Brasileira de Educação Médica sobre a saúde da população transgênera. Historicamente, a formação em Medicina consolidou-se nos discursos cartesianos interlocutados pela figura do homem branco, heterossexual e cisgênero. Método: Configura-se como uma pesquisa qualitativa, retrospectiva e descritiva, que tem como objetivo problematizar também o currículo de formação médica e a importância de uma educação pautada na ótica dos estudos Queer. Realizou-se uma análise documental para identificar o teor nos construtos conceituais dos documentos publicados de 2008 a 2017. Em seguida, foi escolhido o método de análise de conteúdo por Bardin. Resultados: O manejo metodológico indicou quatro categorias para estudo: conhecimento sobre sexualidade de estudantes de medicina; gênero como variável de pesquisa; gênero e formação; capacitação e sexualidade. Conclusões: O material analisado aponta a ausência de publicações sobre a saúde de pessoas cuja identidade de gênero é considerada como dissidente. Aponta-se a necessidade de abertura editorial, com a finalidade de proporcionar a visibilidade às demandas da população transgênera, na revista, visando ampliar as discussões sobre a saúde integral da população LGBTTQIA+ na graduação médica.
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