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Saúde Mental de Alunos de Medicina Submetidos à Aprendizagem Baseada em Problemas: Revisão Sistemática da Literatura

PID: S1981-52712020000400302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Silva Nascimento Nascimento Couto Souza Filho Cunha
Resumo: Introdução: O curso de Medicina possui fatores potencialmente estressantes que podem gerar adoecimento psíquico nos alunos. Métodos curriculares alternativos ao sistema tradicional, como aAprendizagem Baseada em Problemas (ABP), podem ter impacto na saúde mentaldos discentes. O objetivo deste estudo foirealizar uma revisão sistemática de estudos que avaliaram a saúde mental de estudantes de Medicina submetidos ao método ABP. Método: Realizou-se uma busca de alta sensibilidade nas principais bases de dados científicas associadas àsaúde mental (CochraneLibrary, Medline via PubMed, Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde(BVS), Eric e Embase) com inserção até 22 de setembro de 2019. Os descritos indexados e os termos de identificação foram definidos por especialistas e avaliados pelo grupo de tecnologia da informação da Universidade Estadual do Pará.Os critérios de inclusão para os estudos obtidos por meioda busca foram: artigos apresentados na íntegra, escritos em qualquer língua, publicados no período de 1998 a 2018, com foco na saúde mental de alunos do curso de Medicina submetidos ao método ABP. Excluíram-se os trabalhos que não avaliaram a saúde mental, os artigos em que a amostra não foi submetida à metodologia de ensino ABP e aqueles de revisão literária. Após a seleção, os artigos foram avaliados duplamente por revisores independentes quanto ao risco de viés e à qualidade de evidência mediante a ferramenta Robins-I. Resultados: Identificaram-se 1.261 estudos, dos quais se excluíram 1.251 conforme orientaçãodoprotocolo Prisma, restando dezartigos ao final, os quais foram sintetizados de forma descritiva. Em geral, os estudos têm mostrado que o método de ABP, em comparação com o método tradicional, promove melhor desempenho acadêmico, bem como estimula atividades práticas, fato que gera certo grau de satisfação. Conclusão: Os discentes de Medicina submetidos ao método ABP são associados a resultados adequados de aprendizado e desempenho médico-científico. Entretanto,metodologias científicas mais assertivas, baseadas em critérios metodológicos mais rigorosos,são necessárias para elucidar de forma mais abrangente os benefícios e danos dessa metodologia pedagógica.

Saúde da Mulher, Gênero, Políticas Públicas e Educação Médica: Agravos no Contexto de Pandemia

PID: S1981-52712020000500803 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Ferreira Silva Mantovani Colares Ribeiro Stofel
Resumo: Introdução: A pandemia de Covid-19 agrava as desigualdades sociais e torna urgente olhar para as populações vulneráveis, especialmente as mulheres. O isolamento social e a crise econômica intensificam a violência contra as mulheres e dificultam seu acesso à saúde. Desenvolvimento: O reconhecimento das vulnerabilidades sociais desse grupo na pandemia reitera a necessidade de uma formação médica atenta às desigualdades de gênero e alinhada às políticas públicas de saúde da mulher no SUS. Este ensaio tem como objetivo refletir sobre as competências necessárias aos graduandos em Medicina, buscando uma atenção integral à saúde da mulher e em diálogo com as políticas públicas vigentes e as DCN. Este texto está organizado em quatro áreas: saúde materno-infantil, saúde sexual, direitos reprodutivos e cuidados com mulheres no climatério e na menopausa. Conclusão: Observamos que, para garantir a saúde integral da mulher, as escolas médicas devem dar aos alunos oportunidades de aprender um conjunto de habilidades, para que, uma vez formados, possam: pautar sua conduta por evidências científicas, ouvir as mulheres, comunicar-se adequadamente com elas, respeitar suas singularidades em cada etapa do ciclo ginecológico, construir uma relação mais simétrica, adotar uma visão ampla de suas condições de vida e dar à mulher maior controle sobre o próprio corpo, a saúde, sexualidade e vida.

Sentimentos dos Estudantes de Medicina e Médicos Residentes ante a Morte: uma Revisão Sistemática

PID: S1981-52712020000400304 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Souza Assis Silva Souza Tadeu Campos Turci
Resumo: Introdução: Como os profissionais da área médica terão que lidar com a questão da morte, este trabalho teve como objetivos identificar os sentimentos dos estudantes de Medicina e dos médicos residentes do Brasil ante o morrer e a morte, e compreender como eles vivenciam a própria formação durante a graduação e a especialização para esse enfrentamento. Método: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura feita com base na metodologia PRISMA. A revisão foi conduzida entre agosto e dezembro de 2019 com os descritores “estudantes de medicina”, “medical students”, “morte” e “death”, pesquisados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). Resultados: Dos 372 artigos identificados na busca, 18 estudos publicados atendiam a todos os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Quanto à análise dos artigos em relação aos sentimentos dos estudantes de Medicina e dos médicos residentes perante situações de morte, percebeu-se que a maioria dos estudos relatou experiências negativas, como medo, insegurança, tristeza, raiva e culpa. Apesar de ainda serem incipientes as disciplinas e estratégias institucionalizadas, parece que, com o decorrer do curso e da prática profissional, os sentimentos negativos são amenizados, porque se vivenciam com mais frequência contextos de terminalidade e morte, oportunizando, assim, o aprendizado por meio da observação e postura perante essas situações práticas, visto que a morte e suas interfaces fazem parte do cotidiano médico. Conclusões: Os estudantes de Medicina e os médicos residentes do Brasil apresentam desconforto e dificuldade em lidar com os processos de morte e do morrer. Para modificar esse cenário de despreparo, é consenso entre eles a necessidade de incluir disciplinas teórico-práticas de Tanatologia, Cuidados Paliativos e Psicologia Médica no currículo das faculdades de Medicina e reformular o conteúdo delas de forma a abordar mais profundamente o processo de morte no contexto prático.

Sintomas de Depressão, Ansiedade e Estresse em Estudantes de Medicina e Estratégias Institucionais de Enfrentamento

PID: S1981-52712020000100223 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Costa Medeiros Cordeiro Frutuoso Lopes Moreira
Resumo: Introdução: Este estudo teve como propósito estimar a prevalência de sintomas de estresse, depressão e ansiedade dos estudantes de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), associando-os com outros fatores. Métodos: Trata-se de um estudo quantitativo epidemiológico, do tipo transversal. Participaram desta pesquisa estudantes de Medicina da UFRN, distribuídos equitativamente entre os diferentes períodos do curso. Entregaram-se 288 questionários, no entanto validaram-se 279, os demais não foram respondidos corretamente. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN (Parecer nº 2.009.026) e todos os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), após serem informados sobre os objetivos da pesquisa. Para a coleta dos dados, utilizaram-se os seguintes instrumentos: 1. ficha de Identificação para os dados sociodemográficos, 2. Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), 3. Inventário de Depressão de Beck (IDB) e 4. Inventário de Ansiedade de Beck (BAI). Para análise dos resultados, realizaram-se análises descritivas a partir da média, do desvio padrão e da frequência dos dados coletados. A análise inferencial foi realizada para verificar a associação entre as variáveis de desfechos e os atributos dos estudantes. Resultados: Dos estudantes entrevistados, 66,3% tinham estresse e a maioria estava na fase de resistência (58,4%) com predominância de sintomas psicológicos (42,3%). Em relação à sintomatologia depressiva, 28% dos estudantes apresentavam sintomas: 51,3% com sinais de depressão de leve a moderada, 35,9% com sinais de depressão moderada e 12,8% com sinais de depressão severa. No que se refere à sintomatologia ansiosa, 66,3% dos estudantes apresentavam sinais de ansiedade em seu grau mínimo; e 33,7%, sinais de ansiedade leve, moderada ou severa. Desses últimos, 21,9% tinham sinais de ansiedade leve; 10,8%, sinais de ansiedade moderada; e 1%, sinais de ansiedade severa. Conclusões: Diante disso, acredita-se que as instituições de ensino superior devem se comprometer com o desenvolvimento integral dos seus estudantes apresentando estratégias institucionais para o enfrentamento dessa realidade.

Teleconsulta no Contexto da Covid-19: Experiência de uma Equipe em Cuidados Paliativos

PID: S1981-52712020000500404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Castro Chazan Santos Candal Chazan Ferreira
Resumo: Introdução: Cuidados paliativos é um direito que deve ser assegurado. Diante da pandemia causada pela Covid-19, a recomendação de isolamento social foi uma das estratégias para o enfrentamento. Relato de experiência: A equipe do Núcleo de Cuidados Paliativos do Hospital Universitário Pedro Ernesto organizou o fluxo de atendimento aos pacientes por meio do acréscimo ao atendimento presencial das modalidades de teleconsulta. Essa ampliação gerou um aumento da comunicação do paciente e da família dele com a equipe de saúde, preservando, dessa forma, um plano terapêutico baseado no cuidado, acolhimento e respeito adequado a esse período de enfretamento do novo coronavírus. Discussão: A comunicação entre os profissionais das diversas áreas de saúde do núcleo se intensificou quanto às discussões dos casos e desfechos apresentados. Apresentam-se as principais estratégias, os processos, as percepções e os desafios desenvolvidos e enfrentados pela equipe interdisciplinar. Destaca-se o papel da equipe de agente facilitador da integração e comunicação entre o paciente, o Hupe e a rede SUS. Conclusão: A equipe do núcleo foi fundamental para que os pacientes e familiares assistidos pudessem atravessar o momento com mais tranquilidade, segurança e cuidado integral.

Teleconsulta: uma Revisão Integrativa da Interação Médico-Paciente Mediada pela Tecnologia

PID: S1981-52712020000100304 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Catapan Calvo
Resumo: A teleconsulta médica pode utilizar diferentes tecnologias para mediar a comunicação entre médico e paciente localizados em espaços geográficos diferentes. A implementação dessa ferramenta tem sido incentivada em diversos países, sob a alegação de seu potencial em superar distâncias, oferecendo cuidados em saúde em menor tempo, com redução de custos e da carga de trabalho. A escassez de evidências sobre essas alegações, além do esclarecimento sobre as situações nas quais a teleconsulta pode ser adequada, segura e eficaz, tem gerado debates, intensificados após a publicação da Resolução nº 2.227/2018 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que permitiu a teleconsulta médica, com premissas e recomendações. Este artigo visa analisar as experiências internacionais da teleconsulta médica, incluindo os meios de comunicação e tecnologias empregados, sua utilização, benefícios e limitações, evidenciando e relacionando os pontos polêmicos da resolução publicada pelo CFM. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura para identificar essas experiências em quatro bases de dados, de janeiro de 2013 a fevereiro de 2019. Das 1.912 referências encontradas, foram analisadas 42, após a aplicação dos critérios de exclusão e inclusão. A coleta e a análise de dados indicaram que sistemas de telefonia, e-mail, consulta eletrônica, vídeo ou uma combinação deles têm sido utilizados em diversos países para mediar a relação médico-paciente. Sua aplicação vai do diagnóstico ao tratamento, ao monitoramento, ao manejo e à prescrição tanto de condições agudas quanto crônicas. Os principais benefícios incluem menor demanda por consultas presenciais, com possibilidade de gerenciamento da carga de trabalho dos médicos, permitindo uma reorganização dos sistemas. Além disso, a teleconsulta permite superar barreiras de distância, de maneira flexível e conveniente para os pacientes, com a possibilidade de contribuir para a continuidade do cuidado, autonomia do paciente e economia de recursos, nesse último caso, quando se evita o absenteísmo laboral para atendimento médico presencial. Algumas limitações da teleconsulta incluem a incapacidade de realizar o exame físico, e por essa razão ela não é recomendada para a primeira consulta. As dificuldades técnicas e de comunicação para cada meio de comunicação e sua inadequação para determinados grupos de pacientes são outras barreiras importantes. A segurança, tanto dos dados quando da acurácia do diagnóstico e da precisão clínica, a aceitação dos pacientes e profissionais e a necessidade de mudanças organizacionais também são consideradas limitações da teleconsulta. O sucesso da teleconsulta depende da integração de diferentes organizações e profissionais, que deverão, por meio de planejamento cuidadoso, maximizar seu potencial e melhorar o desenho do serviço, englobando questões clínicas, técnicas, organizacionais e do contexto. Portanto, é importante pesquisar em quais situações e agravos a teleconsulta pode ser benéfica, segura e eficaz para o cuidado ao paciente, assim como o meio de comunicação mais apropriado para cada uma delas.

Teorias de Mudança de Comportamento: um Novo Paradigma da Educação Médica?

PID: S1981-52712020000400801 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rios
Resumo: Apresenta-se uma perspectiva crítica sobre a importância das teorias de mudança de comportamento baseadas em evidência para a educação médica. Inúmeros modelos teóricos têm sido propostos para explicar mudanças de comportamento, com duas teorias atualmente emergindo como um novo paradigma, nomeadamente a Behaviour Change Wheel (BCW) e a Prime Theory of Motivation. Por trás disso, está o fato de que essas teorias foram propostas com base em uma revisão abrangente da literatura sobre modelos explicativos de mudanças comportamentais, além de consenso entre especialistas. O princípio básico é que qualquer mudança de comportamento envolve necessariamente três aspectos inter-relacionados: capacidade, oportunidade e motivação. No presente ensaio, essas teorias foram abordadas com vistas a problemas que envolvem comportamentos na educação médica, com ênfase na questão das práticas obsoletas de ensino na formação de profissionais de saúde. Assumindo que bons professores têm uma visão global da profissão de professor, e não apenas de sua especialidade, intervenções para melhorar performances ultrapassadas de ensino entre educadores em saúde devem primeiramente entender a motivação deles para mudar. Também é necessário investigar os conhecimentos e as habilidades deles sobre métodos inovadores de ensino-aprendizagem (capacidade), bem como se o ambiente apoia a diversificação metodológica e a inovação (oportunidade). Em suma, as teorias de mudança de comportamento baseadas em evidências podem representar um novo paradigma para a educação médica quando o objetivo envolve superar problemas comportamentais.

Teste de Progresso na Escola Médica: uma Revisão Sistemática acerca da Literatura

PID: S1981-52712020000100302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Reberti Monfredini Ferreira Filho Andrade Pinheiro Silva
Resumo: O Teste de Progresso é uma avaliação objetiva, estruturada com 60 a 150 questões de múltipla escolha, elaborada com o objetivo de promover uma avaliação das competências cognitivas esperadas no final do curso de graduação. Esse teste é aplicado a todos os discentes no mesmo dia, de modo que seja possível comparar os resultados entre as séries e analisar a performance evolutiva do conhecimento no decorrer do curso. Este trabalho teve como objetivo realizar uma revisão sistemática e literária acerca do Teste de Progresso nas escolas médicas no Brasil e no mundo, compreendendo os benefícios de sua implantação para o desenvolvimento do aprendizado, tanto para o aluno quanto para o docente e para a instituição. A pesquisa foi realizada no período de julho de 2018 a abril de 2019 e abordou artigos publicados no período de janeiro de 2002 a março de 2019. Utilizaram-se os descritores “Teste de Progresso nas escolas médicas” e “Teoria de Resposta ao Item em Medicina” nas plataformas PubMed, SciELO e Lilacs. Não houve limitação de idioma na seleção dos artigos, porém a pesquisa foi realizada em inglês. Foram encontrados 192.026 artigos, e, após a aplicação de filtros de busca avançada, incluíram-se 11 artigos no estudo. O Teste de Progresso (TP) vem sendo aplicado nas escolas médicas, de forma isolada ou em grupos de escolas parceiras, desde o final da década de 1990. Os resultados do teste constroem curvas de desempenho dos acadêmicos, o que permite identificar fragilidades e qualidades dos estudantes nas diversas áreas do conhecimento relacionadas ao curso. O Teste de Progresso não é um instrumento exclusivo de avaliação do desempenho dos estudantes, mas assume também um significado como ferramenta avaliativa para uso na gestão acadêmica, e para isso é fundamental que as instituições assumam papel ativo na elaboração e na análise dos dados dessa avaliação. Os exames desenvolvidos para testar a competência clínica em estudantes de Medicina necessitam ser válidos e confiáveis. Para que o método avaliativo seja válido, é necessário que o assunto seja amplamente revisado e estudado, visando a melhorias e adequações na execução dos testes.

Tradução e Adaptação Transcultural do Instructional Materials Motivation Survey (IMMS) para o Português do Brasil

PID: S1981-52712020000400224 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Cardoso-Júnior Garcia Coelho Said Strapasson Resende
Resumo: Introdução: No cenário educacional, diversas metodologias de ensino-aprendizagem vêm sendo utilizadas como ferramentas instrucionais, com o objetivo de aumentar a motivação dos estudantes e favorecer a aprendizagem significativa. Por sua vez, instrumentos que avaliem a motivação, após exposição a diferentes estratégias e materiais de ensino, podem contribuir para análise e decisão sobre sua efetividade. Nesse sentido, o questionário Instructional Materials Motivation Survey (IMMS) avalia a motivação, após atividades instrucionais, por meio de quatro domínios: atenção, relevância, confiança e satisfação. Assim, esta pesquisa teve como objetivo realizar a tradução e adaptação transcultural do IMMS para o português brasileiro. Método: A tradução e adaptação transcultural foram realizadas em seis etapas: tradução do questionário original, síntese das traduções, retrotradução, revisão pelo comitê de especialistas, teste da versão pré-final, confecção da versão final e auditoria pelo comitê externo. As traduções foram realizadas por duas professoras de inglês, de língua nativa brasileira. As retrotraduções foram realizadas por dois professores de inglês, de língua nativa inglesa. O comitê de especialistas foi formado por um professor de medicina e educação médica, dois professores de medicina, uma pedagoga, um estatístico e um professor de inglês. A versão brasileira final do IMMS foi testada, após aula invertida, tendo como objetivo avaliar a consistência interna do instrumento. Considerou-se como aceitável valor de alfa de Cronbach ≥ 0,70. Resultados: No processo de tradução e adaptação transcultural, foram atingidas todas as equivalências: semântica, idiomática, cultural e conceitual. Na avaliação da consistência interna, dos 52 estudantes submetidos à aula invertida, 48 (92,3%) responderam à versão brasileira do IMMS. O instrumento apresentou consistência interna de 0,718, avaliada por meio do teste alfa de Cronbach. Conclusões: A versão final do instrumento IMMS, após processo de tradução e adaptação transcultural, manteve todas as suas 36 sentenças e as instruções do instrumento original, e apresenta boa consistência interna, de acordo com o teste alfa de Cronbach. A possibilidade de avaliação da motivação, no contexto educacional, por instrumento amplamente validado, traz consigo ganhos tanto no campo da prática quanto da pesquisa pedagógica. Seu emprego no Brasil possibilitará novas validações em cenários educacionais nacionais e contextos diversos.

Tratamento Psíquico Prévio ao Ingresso na Universidade: Experiência de um Serviço de Apoio ao Estudante

PID: S1981-52712020000300205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Rocha Carvalho Cypriano Ribeiro
Resumo: Introdução: Dados da literatura apontam para um aumento da frequência de sofrimento mental entre estudantes de Medicina. Entretanto, os fatores responsáveis ou que têm contribuído para isso ainda não estão completamente esclarecidos. Conhecê-los é fundamental para o planejamento de um serviço de apoio que acolha, identifique, acompanhe e, se necessário, encaminhe o estudante com sofrimento mental. Método: Avaliamos, neste trabalho, o relato de tratamento psíquico, anterior ao ingresso na universidade, de estudantes do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais que buscaram atendimento no Núcleo de Apoio Psicopedagógico aos Estudantes da Faculdade de Medicina (Napem). Os relatos, os dados sociodemográficos e os motivos que levaram o aluno a procurar o serviço foram obtidos de uma ficha de inscrição preenchida pelo estudante. Resultados: No ano avaliado, 87 estudantes (47 homens, média de idade 23,3 anos) procuraram os serviços do Napem. Desses alunos, 42 (48,3%) cursavam os dois primeiros anos; 24 (27,6%), o terceiro e quarto anos; e 21 (24,1%), o quinto e sexto anos. Tratamento psíquico antes do ingresso na universidade foi relatado por 53 (60,9%) alunos: 37 (42,5%) declararam ter feito uso de medicamentos psicoativos e 16 relataram tratamento com psicoterapia sem medicação. Os relatos de tratamento psíquico e de uso de medicamentos psicoativos antes do ingresso na universidade foram significativamente mais frequentes (p = 0,04 e p = 0,04, respectivamente) entre os estudantes que cursavam os dois primeiros anos do curso do que entre os dos demais anos. Não se observaram diferenças estatisticamente significativas em relação à média de idade (p = 0,06), à distribuição por sexo (p = 0,87), à procedência (p = 0,68) ou ao tipo de moradia em Belo Horizonte (p = 0,96) quando se compararam os grupos com e sem relato de tratamento psíquico. Dentre os motivos apontados para a busca de atendimento no Napem, “ansiedade”, “depressão/sintomas depressivos” e “instabilidade de humor” foram relatados por 59 (67,8%) estudantes. Problemas relacionados ao curso foram declarados por cinco (5,7%) alunos. Conclusão: Os resultados do estudo sugerem que o tratamento psíquico prévio ao ingresso na universidade pode ser um dos fatores que contribuem para o sofrimento mental do estudante de Medicina durante o curso.

Um Simulador de Artroscopia de Joelho Acessível

PID: S1981-52712020000100222 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Milcent Coelho Rosa Fonseca Schroeder Stieven Filho
Resumo: Introdução: O objetivo deste trabalho é descrever um modelo de simulador de artroscopia de joelho acessível, de baixo custo e facilmente reprodutível, com o intuito de permitir a difusão de metodologias de ensino ativas e treinamento mais eficazes. Métodos: Para a confecção da câmera artroscópica, foi utilizada uma câmera endoscópica para celulares e computadores modelo SXT-5.0M da fabricante KKMOON. Introduziu-se a câmera em um tubo de metal, o qual foi acoplado a um conjunto de três conectores hidráulicos de PVC de 20 mm para simular a empunhadura e camisa do artroscópio. A câmera tem resolução de 1.280 x 720 pixels e seis lâmpadas brancas de LED embutidas, simulando e dispensando a utilização de uma fonte de luz auxiliar. O modelo de joelho foi confeccionado a partir de um cano de PVC fixado em uma base de madeira, ao qual se acoplou um modelo de fêmur e tíbia sintéticos. No corpo do cano de PVC, foram confeccionadas quatro perfurações de 3 cm de diâmetro, compatíveis com os portais artroscópicos habituais. Para os meniscos, fez-se um modelo em massa de modelar (Corfix®), até que as estruturas anatômicas estivessem próximas do real. O modelo é composto por ambos os meniscos e pela eminência intercondilar, simulando a superfície articular proximal da tíbia. O modelo de massa de modelar foi a base para um molde em resina poliéster cristal fina. Com o molde em resina, os modelos meniscais foram confeccionados com borracha de silicone para moldes do tipo II, amplamente utilizados na indústria e no artesanato. Resultados: Obteve-se um simulador funcional e reprodutível, composto de um modelo de joelho e uma câmera artroscópica. Tal simulador funciona adequadamente adaptado a uma TV, um monitor ou computador e permite a simulação de procedimentos diagnósticos, meniscectomia e meniscoplastia. Conclusão: É possível desenvolver um simulador de artroscopia de joelho, com peças disponíveis em comércio local e eletrônico, por um valor aproximado de R$ 300,00.

Uma Estratégia de Redução do Estresse entre Estudantes Médicos

PID: S1981-52712020000300216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Catarucci Rossi Bruno Beteto Habimorad Andrews Burdmann Patrício
Resumo: Introdução: O curso de graduação em Medicina expõe os alunos a uma quantidade significativa de estresse, o que pode gerar consequências negativas para o aprendizado, a motivação e o contato com os pacientes. Algumas técnicas e práticas têm sido indicadas para auxiliar no manejo e na redução do estresse, como é o caso da meditação que já é utilizada em escolas médicas. Este estudo avaliou os efeitos de um programa de redução do estresse e desenvolvimento da empatia em medicina (Redemed©) sobre a percepção de estresse de seus participantes e possíveis grupos de acolhimento. Método: Este é um ensaio quase experimental cuja amostra foi composta por 40 estudantes que compuseram o grupo controle e 47 alunos de um grupo de intervenção que participaram de oito encontros semanais de duas horas divididas em: 30 minutos de teoria sobre como o estresse influencia o estado de saúde, 60 minutos de vivências interpessoais e 30 minutos de ioga e meditação. Ambos os grupos, antes e depois do curso, responderam ao questionário sobre estresse percebido (PSS - Escala de Cohen). Resultados: Após os oito encontros semanais, o grupo intervenção apresentou melhora significativa (p = 0,030), demonstrando que a participação no curso Redemed© mostrou-se eficaz no controle do estresse entre os estudantes do presente estudo. Os alunos também foram questionados quanto à autopercepção sobre se sentirem ou não apoiados por outros grupos. Os três grupos de acolhimentos mais citados entre os alunos, tanto do grupo ativo como do controle, foram: amigos/família, centro acadêmico e a equipe do esporte que praticavam. Após as oito semanas, enquanto o grupo controle permaneceu com as mesmas indicações, no grupo intervenção foram citados: amigos/família, Redemed© e centro acadêmico. Conclusão: Este estudo mostrou que o programa Redemed©, com encontros durante oito semanas utilizando a meditação como sua técnica central, foi eficaz na redução do estresse percebido pelos estudantes de Medicina que participaram dessa intervenção quando comparado ao grupo controle (p = 0,000). As práticas integrativas e complementares podem ser uma ferramenta importante dentro das escolas médicas, de modo a levar os estudantes a lidar melhor com o estresse a que estão expostos ao longo do curso.

Validação de Modelo de Treinamento para Realização de Nós e Pontos Laparoscópicos em Ambiente de Simulação

PID: S1981-52712020000200204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Costa Rocha Carvalho Moura Junior Medeiros
Resumo: Introdução: O objetivo deste estudo foi avaliar a progressão da competência, a curva de aprendizagem e o grau de satisfação com o modelo de treinamento de estudantes de Medicina submetidos a capacitação para realização de pontos laparoscópicos em simulador. Método: Trata-se de estudo prospectivo, longitudinal, intervencionista, realizado de abril de 2016 a julho de 2017, com participação de 52 estudantes de Medicina do Centro Universitário Christus, de Fortaleza, Brasil, do primeiro ao terceiro ano, submetidos a treinamento teórico prático, sistematizado, metodizado, com progressão de habilidades para realização de pontos laparoscópicos em ambiente de simulação, em quatro etapas com duração total de 16 horas. Foi estabelecida a tarefa de realizar pontos laparoscópicos, com cinco seminós, nas etapas inicial e final, em molde de sutura, em simulador de cavidade abdominal, em 18 minutos. Os desfechos principais foram o tempo e a qualidade de execução. Os estudantes foram avaliados antes da primeira e depois de todas as etapas do treinamento quanto à quantidade e qualidade dos pontos ou quanto ao conteúdo da estação e satisfação com o modelo de treinamento. Realizaram-se os testes ANOVA e T de Student para as amostras independentes e o teste do qui-quadrado para as categóricas. Para variáveis com medidas seriadas, utilizou-se o modelo linear geral. Utilizaram-se modelos binomiais univariados nas variáveis de avaliação do modelo de treinamento. Foram considerados significativos os valores de p menores que 0,05. Resultados: Analisaram-se os valores das medianas, entre a primeira e última etapas do treinamento, do número de seminós (0,0 e 15,0) e pontos laparoscópicos (0,0 e 3,0), da adequação dos tamanhos dos cotos dos fios (0,0 e 11,0), do número de seminós iniciais ajustados (0,0 e 3,0) e sequenciais ajustados (0,0 e 24,0). Houve significância estatística em todos os parâmetros avaliados (p < 0,001). A curva de aprendizagem mostrou que 99,1% dos estudantes atingiram a competência. O grau de avaliação satisfatória do modelo de treinamento foi considerado bom ou ótimo em 97% ou mais, com relevância estatística em oito das dez afirmações avaliadas. Conclusões: O estudo revelou que os alunos apresentaram progressão na competência e evolução na curva de aprendizagem. O grau de satisfação dos estudantes em relação às etapas do modelo de treinamento foi muito significativo.

Versão Brasileira do Tool for Assessing Cultural Competence Training (TACCT): uma Matriz de Competência Cultural

PID: S1981-52712020000400217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Pimenta Mendonça Ferreira Lima Teixeira Pinto Mendonça
Resumo: Introdução: Este estudo teve como objetivos traduzir, adaptar e avaliar as propriedades psicométricas do Tool for Assessing Cultural Competence Training (TACCT) para o português falado no Brasil. Métodos: Os itens do TACCT foram adaptados transculturalmente por meio das etapas de tradução, reconciliação, retrotradução, revisão da retrotradução, revisores independentes, etapa Delphi, pré-teste e incorporação dos resultados do pré-teste no processo de tradução. A versão final do instrumento para a língua portuguesa foi autoaplicada em 320 estudantes de uma escola médica. Para verificar a precisão da escala, adotou-se a análise de confiabilidade. Utilizamos a análise fatorial confirmatória para avaliação da validade de construto e dimensionalidade do instrumento. Resultado: A versão final do TACCT mostrou-se adequada e teve sua validade e confiabilidade confirmadas. Conclusão: A versão brasileira do TACCT é válida e confiável e tem potencial para ser utilizada no processo de implantação, revisão ou aprimoramento de currículos de escolas médicas brasileiras.

Vídeo com Pacientes Virtuais na Avaliação do Conhecimento dos Internos de Medicina sobre Cefaleias

PID: S1981-52712020000200210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Bastos Vilela Canuto
Resumo: Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais enfatizam que os currículos médicos devem se basear nas necessidades de saúde da população. Por entender que a cefaleia é um problema de saúde pública, ela deve estar entre as competências exigidas para a atuação profissional em nível da atenção primária. Assim, a avaliação do ensino das cefaleias na graduação de Medicina é fundamental. O objetivo do trabalho é apresentar uma metodologia inovadora de avaliação que utiliza vídeo com personagens virtuais para avaliar o conhecimento dos estudantes de Medicina sobre as cefaleias. Método: Trata-se de uma pesquisa exploratória, quantitativa, em que o conhecimento dos internos de Medicina de uma universidade pública federal foi avaliado por meio de casos clínicos com pacientes virtuais. Os dados foram analisados de acordo com as categorias a priori: 1. diagnóstico da cefaleia, 2. tratamento agudo da cefaleia, 3. tratamento profilático da cefaleia e 4. necessidade de exames complementares ou avaliação com especialista. Resultados: Dentre os 155 estudantes matriculados no internato, 31 participaram da pesquisa. A análise mostrou que apenas 16,13% identificaram a enxaqueca crônica, 93,55% reconheceram os sinais de alarme para a cefaleia secundária e 96,77% diagnosticaram a cefaleia tensional. No tratamento da fase aguda da enxaqueca, as classes mais prescritas foram os anti-inflamatórios e analgésicos simples. No caso da cefaleia secundária, de etiologia infecciosa, a maioria (69,56%) prescreveu antibioticoterapia empírica. Com relação à terapia profilática, 87,09% a indicaram na enxaqueca e apenas 29,03%, na cefaleia tensional. Na indicação de exames complementares, 77,42% não a consideraram adequada na enxaqueca, enquanto 77,42% indicaram o estudo do líquido cefalorraquidiano na cefaleia secundária. A maioria dos estudantes solicitou parecer da neurologia para a cefaleia secundária e não o solicitaram na cefaleia tensional. A ferramenta avaliativa foi eficaz na avaliação do conhecimento sobre cefaleia. A utilização de vídeos com pacientes virtuais é uma ferramenta útil na avaliação do conhecimento sobre cefaleias. Conclusões: Os resultados obtidos permitem concluir que existem lacunas no diagnóstico e manejo das cefaleias durante a graduação de Medicina da universidade estudada, e, por isso, é imperativa a definição de uma matriz de competências mínimas para o ensino, no Brasil, da cefaleia na graduação de Medicina.

e-COVID Xingu: Mídias Sociais e Informação no Combate à Covid-19 em Altamira, Pará

PID: S1981-52712020000500407 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Carvalho Nascimento Granato Damasceno Teixeira Sato
Resumo: Introdução: A necessidade de levar informação visando combater a Covid-19 é ainda mais urgente nas regiões em desenvolvimento, uma vez que nesses locais há carência de recursos, supervisão governamental limitada, consideráveis índices de pobreza e dificuldade de acesso à informação. Com base na realidade da Transamazônica e do Xingu e na urgente necessidade da diminuição do número de casos da Covid-19 na região, a qual depende da adesão da população às medidas preventivas, surgiu o projeto de extensão “e-COVID Xingu: Mídias Sociais e Informação no Combate à COVID-19 em Altamira, Pará”. Este trabalho tem como objetivo descrever as experiências dos integrantes desse projeto durante a pandemia na região. Relato de Experiência: O projeto adotou como público-alvo a população do Xingu, em especial as comunidades indígenas e rurais. Publicações nas redes sociais levaram informações sobre medidas de prevenção, grupos de risco e isolamento social. Para alcançar as populações mais vulneráveis e que não possuem acesso à internet, uma parceria com a rádio local levou material informativo para a zona rural e comunidades indígenas afastadas. O projeto também lançou uma cartilha, em português e kayapó, com orientações de prevenção da Covid-19 para os indígenas do Médio Xingu. Discussão: Os informativos conseguiram bom alcance pelas redes sociais. Ademais, os meios de comunicação em massa, como o rádio, ainda se mostram eficazes na disseminação de informações. Com multiplataformas pode-se fazer educação em saúde inclusiva a diversos grupos sociais, seja pela internet, pelo rádio ou por materiais físicos. Conclusão: Utilizando múltiplas ferramentas de comunicação e respeitando o distanciamento social, a universidade, por meio de ação extensionista, pôde contribuir no combate à Covid-19, ao levar informações e conhecimento ao público, e atentar à necessidade de também incluir e informar populações histórica, social e economicamente vulneráveis, como indígenas e comunidade rurais do Xingu.

“Meu Sonho É Ser Compreendido”: Uma Análise da Interação Médico-Paciente Surdo durante Assistência à Saúde

PID: S1981-52712020000400202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Pereira Passarin Nishida Garcez
Resumo: Introdução: A comunidade surda representa uma importante parcela da população brasileira que enfrenta inúmeras barreiras na acessibilidade à saúde. Falhas de comunicação aumentam as chances de diagnósticos equivocados, erros de prontuário, constrangimentos, não adesão ao tratamento, sofrimento e insatisfação do usuário. Este estudo teve como objetivos caracterizar os atendimentos de saúde aos surdos, na perspectiva dos profissionais médicos, dos internos de Medicina e dos próprios usuários, e discutir as estratégias desenvolvidas na interlocução e interação médico-paciente e as ferramentas para o aprimoramento da prática médica. Método: Trata-se de um estudo observacional, descritivo, com análise integrada de conteúdo. Participaram da pesquisa 181 indivíduos que foram divididos em três grupos: profissionais médicos (n = 46), graduandos de Medicina da quinta e sexta séries (n = 54) e indivíduos surdos (n = 81). Utilizaram-se dois instrumentos semiestruturados: um para médicos e internos e outro para surdos. Realizou-se uma análise descritiva das variáveis quantitativas com distribuições percentuais para variáveis categóricas e medida de tendência central e dispersão para variáveis numéricas. As respostas das questões dissertativas foram organizadas em três corpus textuais relacionados ao sentimento dos profissionais médicos, internos e surdos durante o atendimento. Em seguida, o material foi submetido à análise lexicográfica com auxílio do software IRaMuTeQ. Resultado: Dentre os médicos e acadêmicos, 76% afirmaram que já atenderam um paciente com surdez grave parcial ou severa. Embora 49% dos surdos tenham afirmado que já sentiram algum desconforto e também alguma segurança no atendimento, 55,5% mencionaram que já deixaram de ir ao médico por medo de não serem compreendidos ou relataram algum problema, como dor, desconforto ou angústia. A participação de acompanhantes como mediadores da relação médico-paciente foi a estratégia mais apontada por todos os participantes. Entre os entrevistados surdos, outras estratégias frequentes mencionadas foram leitura labial e Libras; no caso dos médicos, mímica e escrita; em relação aos internos, leitura labial e escrita. Todas as estratégias não são resolutivas. Conclusão: As percepções dos diferentes atores da interação médico-paciente analisados mostraram diferença de satisfação com o serviço e riscos à saúde dos surdos, o que significa que falta planejamento multimodal com estratégias de comunicação efetivas.

“Nota de Conceito Global” na Avaliação da Performance do Interno de Medicina: uma Oportunidade Desperdiçada

PID: S1981-52712020000200207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2020
Autores: Mota Nunes Martin Hokama Hamamoto Filho Hokama
Resumo: Introdução: Possuir diploma de médico é o suficiente para o exercício profissional na maioria dos estados brasileiros. A avaliação do desempenho do aluno pelas escolas médicas é, certamente, o mais importante filtro de proficiência profissional em vigência. Assim, é fundamental a utilização de instrumentos de avaliação adequados. Competência é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que permitem uma prática médica de excelência. Diferentemente, performance pode ser definida como o que o indivíduo realmente produz em seu cotidiano. O internato é uma inigualável oportunidade para o acompanhamento preciso dos atributos esperados de um estudante em formação. Quando avaliamos a competência, buscamos medir o quanto o aluno sabe, concebe ou realiza procedimentos em um contexto objetivo de avaliação. Performance é o que efetivamente o indivíduo utiliza de suas competências. Há, portanto, uma maior dificuldade de avaliar performance, pois motivação, disciplina, condições físicas e psíquicas, e outros aspectos vivenciais estão em jogo. Além disso, é necessária uma avaliação constante, o que implica acompanhamento e monitoramento próximos. A Nota de Conceito Global (NCG) é uma das modalidades que permitem, não obstante sua implícita subjetividade, avaliar o desempenho do aluno/estagiário. Para isso, é estratégico que seja construída por meio de nomenclatura padronizada, parâmetros definidos que possibilitem quantificação, levando em conta diferenças existentes entre os diversos projetos políticos pedagógicos. Pela heterogeneidade dos estágios, diferentes contextos da prática da medicina e grande número de sujeitos envolvidos seriam os critérios estabelecidos para a constituição da NCG devidamente padronizados e adequados para avaliar alunos no internato? Método: Neste trabalho, estudamos, por meio dos planos de ensino, como a NCG está estruturada na avaliação de internos de uma instituição e o que pode ser aperfeiçoado e contribuir para o conhecimento do assunto. Resultados: Constatamos que a NCG compõe 30% (quinto ano) e 40% (sexto ano) da Nota Global do Aluno (NGA), que corresponde a uma nota única ao final de cada ano de graduação e leva em conta o desempenho e a carga horária das disciplinas. Adicionalmente, avaliamos os termos utilizados como critérios a serem utilizados para a NCG. A análise dos planos de ensino mostrou que a NCG se mostrou irregular e sem padronização institucional entre as disciplinas; há uma ausência de uniformidade na composição da nota final ou nos critérios a serem avaliados, bem como na aplicação diferenciada dos itens em cada cenário de aprendizado. Conclusões: A falta de uma metodologia uniforme impede o acompanhamento do aluno de forma global, inclusive o quanto a cultura e os valores institucionais poderiam influenciar o desempenho estudantil. Perde-se a oportunidade de realizar uma avaliação efetivamente construtiva. Contudo, a NCG, pela sua natureza subjetiva, poderia, se adequadamente aplicada, ser instrumento fundamental para o diálogo entre professores e alunos em uma avaliação formativa. Dessa forma, pela inserção inadequada, dentro de uma avaliação somativa, perde-se uma grande oportunidade de crescimento do aluno e da própria instituição.

A Busca pela Residência Médica em Acupuntura na EPM-Unifesp

PID: S1981-52712019000300027 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Bissoto Gallian
RESUMO Este estudo nasceu da observação do considerável aumento das práticas integrativas em saúde e sua inserção no Sistema Único de Saúde do Brasil por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC) de 2006. Surge, então, o questionamento dos motivos que levaram a esse aumento. O presente estudo analisou os porquês da busca de médicos recém-formados pela especialização em acupuntura na Universidade Federal de São Paulo, programa de residência médica recente na profissão. Os autores optaram pela metodologia da História Oral de Vida, tendo em vista seu potencial humanizador ao lidar com relatos de colegas e ainda pela rememoração do que foi vivido pelo entrevistado. A análise dos dados foi feita segundo o método de imersão e cristalização, baseado na fenomenologia hermenêutica, por meio do qual surgiram temáticas comuns nas narrativas dos entrevistados, as quais puderam ser analisadas com apoio na literatura vigente. Com base nas narrativas colhidas e analisadas, observou-se que um grande influenciador dos médicos na escolha da acupuntura é o descontentamento com a prática do modelo biomédico, que separa o paciente de sua totalidade, compartimentando o ser em múltiplas especialidades, o que transforma o paciente em pedaços sem avaliar sua existência como pessoa e sua saúde como um todo. Todos os narradores afirmaram considerar a acupuntura uma prática mais humana de fazer saúde, o que satisfaz o anseio de tratar o paciente, não apenas suas partes ou seus sintomas isolados, sendo esse fator fundamental para compreendermos o crescimento dessas práticas. Uma análise mais profunda das narrativas permitiu observar que na história de vida desses jovens médicos existem vivências que possibilitaram que eles estivessem dispostos a desenvolver sua humanidade de forma mais intensa. Outra característica notória que surgiu nas narrativas foi o fato de nenhum dos entrevistados ter tido contato com a acupuntura durante a graduação em Medicina, o que demonstra a incipiente inserção dessa prática no meio acadêmico, mesmo em se tratando de uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina desde a década de 1990.

A Educação Baseada na Comunidade no Ensino Médico na Uniceplac (2016) e os Desafios para o Futuro

PID: S1981-52712019000400117 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Pedroso Nogueira Damasceno Medeiros Silva Veloso
RESUMO Introdução A Educação Baseada na Comunidade (EBC) no contexto da formação de profissionais da saúde não é um conceito novo, pois sua origem data da década de 1970. Porém, ao longo dos anos, o modo como a EBC é aplicada na educação médica vem sofrendo transformações. No Brasil, desde 2001, a EBC foi incorporada às diretrizes curriculares dos cursos de graduação da área da saúde e, mais recentemente, em 2014, na publicação das novas diretrizes dos cursos de graduação em Medicina. Objetivos Os objetivos do estudo foram levantar os sentidos e significados que os professores atribuem à Educação Baseada em Comunidade nas matrizes curriculares em vigência no ensino médico da Uniceplac no ano de 2016 e identificar possibilidades de aprimoramento do ensino na instituição em consonância com as diretrizes nacionais em vigência. Método Estudo de caráter qualitativo, realizado no Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos (Uniceplac). Os dados foram coletados por meio de entrevista reflexiva com 13 docentes que estão ou estiveram diretamente ligados à EBC nessa instituição no ano de 2016. O método de análise de dados foi a Análise de Conteúdo de Bardin, com a utilização do software Atlas-ti 7 para o suporte na análise. Resultados Os resultados demonstram que a maioria dos docentes afirma conhecer o conceito de EBC, mas sua compreensão diverge da literatura. Além disso, os docentes indicaram falhas na carga horária, nas relações dos professores entre si e com a coordenação, no planejamento e na conquista de cenários adequados das disciplinas ligadas à EBC, além de desafios macropolíticos de aplicabilidade da EBC nos cenários do Sistema Único de Saúde (SUS). Estes resultados estavam relacionados à burocratização das parcerias e a uma falta de corresponsabilidade entre professor, instituição de ensino e Estado. Conclusão Como a EBC vem sendo incorporada gradativamente à educação médica, as instituições também têm uma necessidade crescente de transformação e adequação às diretrizes curriculares vigentes. Sugere-se uma capacitação permanente do corpo docente sobre a compreensão e aplicação da EBC, bem como a criação de um órgão, setor ou funcionário destinado apenas à institucionalização, formalização e manutenção dos cenários, destacando-se cenários da atenção básica no SUS. É também essencial instruir os alunos sobre o tema, para que possam compreender a aplicabilidade da EBC, sua importância na formação médica e sua contribuição para a melhoria da qualidade de vida da população.
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