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A Expectativa Profissional do Futuro Médico: Análise do Quadriênio 2014-2017

PID: S1981-52712019000300073 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Assunção Pereira Albuquerque Ferreira Caldas
RESUMO O objetivo deste trabalho é descrever as expectativas dos estudantes de Medicina quanto à carreira profissional. Foi realizado um estudo transversal, descritivo e analítico, no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2017, com 116 estudantes concluintes em 2014, 116 de 2015, 91 de 2016 e 110 de 2017, totalizando uma amostra de 431 sujeitos. Foi aplicado um questionário para obtenção de informações sobre idade, gênero, ano de formatura, desejos de atuação profissional para os dez anos seguintes, a especialidade que deseja seguir, o nível de atenção no qual deseja trabalhar, a renda a ser alcançada, o número de empregos que acha necessário para alcançá-la e o número de empregos que pretende ter. O estudo demonstrou predomínio de homens (58,7%), e a média de idade foi de 26,4 ± 3,91 anos. Entre as especialidades pretendidas pelos egressos, Clínica Médica foi a mais almejada em todos os anos estudados, exceto no ano de 2016, em que predominou Pediatria. Sobre os desejos profissionais para dez anos após a formação, a docência foi almejada por cerca da metade deles, variando entre 46% e 59%, enquanto a quase totalidade da amostra demonstrou o desejo de trabalhar com assistência (atendimento direto ao paciente). Não houve predomínio entre as atividades ambulatorial/consultório e hospitalar, assim como entre o setor público e o privado. Em relação ao desejo de atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, os formandos de 2014 e 2016 expressaram desejo de atuar predominantemente no nível terciário (40,5 ± 29,3% e 41,1 ± 29,7%, respectivamente) em relação aos demais níveis de atenção. Sobre a pretensão de renda salarial, predominou a faixa acima de dez salários mínimos, sendo que a maioria expressou achar necessários pelo menos três empregos para alcançá-la, embora o desejo da maior parte dos estudados tenha sido manter apenas dois empregos. Conclui-se que as chamadas áreas básicas, como Clínica Médica, Cirurgia Geral e Pediatria, ainda são bastante almejadas pelos formandos. Contudo, mais do que o desejo de segui-las, provavelmente isto representa a necessidade de pré-requisito para acesso a outras especialidades. No geral, os egressos pretendem trabalhar com assistência, têm uma expectativa salarial alta, admitem a necessidade de diversos vínculos empregatícios para atingir esta meta e têm pouco interesse em trabalhar no nível primário de atenção à saúde. Tal realidade poderia ser discutida no âmbito da academia, a fim de oferecer informações realistas aos estudantes sobre o mercado de trabalho e a carreira médica, minimizando frustrações futuras durante o exercício profissional.

A Falta de Cadáveres para Ensino e Pesquisa

PID: S1981-52712019000500579 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Cordeiro Menezes
RESUMO O estudo tem como objetivo abordar a importância da disponibilização de cadáveres não reclamados e de cadáveres doados para utilização em estudos, com foco na formação de profissionais da área da saúde, no aperfeiçoamento de profissionais já formados nessa área e no avanço de pesquisas sobretudo em técnicas cirúrgicas, no âmbito de instituições de ensino e pesquisa, tanto públicas como privadas. Parece unânime, entre os autores que versam sobre a matéria, a opinião de que a utilização de cadáveres é insubstituível na formação técnica e no aperfeiçoamento do profissional. Verifica-se, entretanto, a falta do material em questão, o que, por sua vez, se deve a uma série de dificuldades aqui levantadas, como a falta de centrais de regulação que administrem o fluxo de captação e distribuição de cadáveres e a diminuição do número de cadáveres não reclamados. Configura-se, assim, o seguinte problema: por um lado, tem-se a clara necessidade de obtenção de restos mortais humanos para o ensino básico na área da saúde – em se tratando fundamentalmente das disciplinas de Anatomia –, para o aperfeiçoamento de profissionais dessa área e para pesquisa – a exemplo das disciplinas de técnicas cirúrgicas –; por outro lado, é flagrante a carência de material cadavérico, fato que, por via de consequência, vem comprometendo a qualidade final dos serviços de saúde, em especial os de caráter cirúrgico. Realizou-se aqui levantamento bibliográfico visando conhecer o estado da arte sobre a legislação vigente e os projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. Verificou-se que, apesar da existência de legislação concernente à matéria, é necessário haver aperfeiçoamento legislativo-normativo para contemplar as diversas demandas, incluídas as tecnologias que vêm surgindo. O processo legislativo é muito lento em face da necessidade aqui apontada, considerado o expressivo aumento do número de cursos na área da saúde. É mister, pois, que sejam tomadas medidas urgentes para suprir o passivo na área, o que deve realizar-se necessariamente por meio de regulamentação legal e normativa.

A Formação-Intervenção na Atenção Primária: uma Aposta Pedagógica na Educação Médica

PID: S1981-52712019000500632 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Coêlho Miranda Coutinho Neto
RESUMO A implantação do Sistema Único de Saúde e o reconhecimento da atenção primária à saúde (APS) como reorientadora do modelo de atenção à saúde trouxeram consigo a necessidade de novos processos de formação que incorporassem o ensinar e o aprender aos processos cotidianos de trabalho. Apresentamos um relato de experiência de implementação dos módulos de Fundamentos da Atenção Básica I e II (FABS I e FABS II), oferecidos aos estudantes de uma universidade pública do Nordeste brasileiro. Com uma estrutura fundamentada em módulos, adota-se o modelo tutorial como orientação pedagógica e parte-se do pressuposto da longitudinalidade, assegurando um contato contínuo e consistente do estudante com os temas abordados e com os serviços de APS e os demais nós que compõem a rede de saúde. Encontros semestrais potencializam a consolidação da relação ensino-serviço, propiciando a permanente avaliação dos processos vivenciados nas Unidades de Saúde, numa perspectiva reflexiva, histórica, crítica e transformadora. O primeiro módulo representa uma introdução teórico-prática à APS, e o segundo, situado no eixo de desenvolvimento profissional e compromisso social, aprofunda as noções teórico-práticas sobre a APS e a atuação do médico nesse contexto. Após cada tutoria, os estudantes vivenciam, nos encontros com e nas Unidades de Saúde da Família, os temas abordados e sua relação com o território e com aqueles que nele habitam e trabalham. No contexto das graduações em saúde, a inserção dos alunos no cotidiano da atenção primária é fundamental, considerando a indissociabilidade entre teoria e prática, a roda enquanto método democrático nas tutorias e a oferta e demanda dos temas em discussão coletiva. Ampliamos a análise sobre o papel do professor-apoiador, numa dupla tarefa de apoio aos alunos e à rede de atenção envolvida no processo formação-intervenção. A valorização da integração ensino-serviço-comunidade contribui para a formação de profissionais para o sistema de saúde e implica a defesa de diretrizes para legitimidade e sustentabilidade da atenção primária.

A Narrativa do Aluno de Medicina na Formação em Atenção Primária à Saúde: Potencializando Espaços de Aprendizagem Mediados pelas Tecnologias Digitais

PID: S1981-52712019000500330 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Palácio Gonçalves Struchiner
RESUMO A formação em Atenção Primária à Saúde demanda práticas pedagógicas contextualizadas que promovam participação ativa do aluno e reflexão na aprendizagem. Nessa perspectiva, a narrativa digital surge como estratégia inovadora que integra a arte de contar histórias com as diferentes linguagens das tecnologias digitais de informação e comunicação, possibilitando aos alunos expressar suas vivências de aprendizagem, compartilhá-las e refletir sobre elas. A integração das tecnologias digitais no ensino da saúde oferece opções de trabalho que se distanciam de uma prática tradicional, pois recursos como um ambiente virtual de aprendizagem, um blog ou uma rede social sugerem novas formas de interação e produção de conhecimento. O objetivo deste artigo é analisar a percepção de alunos e sua professora sobre a contribuição de blogs como espaços de construção de narrativas digitais no processo de ensino-aprendizagem, na formação em Atenção Primária à Saúde. O estudo envolveu a realização de entrevistas semiestruturadas com nove alunos e uma professora, de uma disciplina que trabalha o ensino da Atenção Primária à Saúde no curso de Medicina de uma universidade pública brasileira. Durante um semestre, os alunos produziram narrativas digitais como atividades de reflexão sobre o contato com o usuário do serviço de saúde, na comunidade, e as perspectivas relacionadas a esse processo de formação em Atenção Primária à Saúde. Os dados da pesquisa foram organizados e analisados seguindo os pressupostos da análise de conteúdo. As principais percepções revelam as potencialidades do uso do blog na produção de narrativas reflexivas, como interface que promove o diálogo, a subjetividade e a criatividade do aluno, além de incentivar a produção compartilhada de conhecimentos. Os resultados desse estudo corroboram as expectativas sobre a contribuição da narrativa digital para uma prática pedagógica que valorize a participação ativa tanto dos educadores quanto dos educandos, permitindo um movimento dialógico no processo de ensino-aprendizagem e novas formas de pensar a educação e o papel dos sujeitos envolvidos.

A Percepção do Supervisor do Provab sobre a Fixação do Médico na Atenção Primária à Saúde

PID: S1981-52712019000200048 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Cortez Guerra Silveira Noro
RESUMO Atrair profissionais médicos para o trabalho na Atenção Primária em Saúde (APS) tem sido um desafio permanente para o Sistema Único de Saúde. A impossibilidade de educação continuada e permanente configura-se como um dos principais fatores impeditivos do provimento e da fixação de médicos na APS. O Programa de Valorização do profissional da Atenção Básica (PROVAB) trouxe como pressuposto o incentivo à Educação Permanente em Saúde (EPS) com ênfase na interação ensino-serviço-comunidade (IESC), contando com a presença de uma supervisão pedagógica composta por médicos capacitados para tal fim. O objetivo do presente estudo foi analisar os motivos que levaram um grupo de médicos de Natal, Rio Grande do Norte, participantes do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (PROVAB), a permanecerem na Atenção Primária em Saúde por meio da precedência ao Programa Mais Médicos (PMM), a partir da percepção de seus supervisores. Para tanto, foi realizado estudo qualitativo por meio da técnica de grupo focal com sete supervisores médicos do PROVAB e do PMM. A análise de conteúdo identificou cinco categorias de análises temáticas: Contexto político do início dos programas; Perfil do supervisor pedagógico; Perfil do médico que fez precedência do PROVAB para o Programa Mais Médicos; Motivos de fixação do provabiano à APS; e Porque não escolher a APS para a vida? Evidenciou-se que o PROVAB funcionou como uma estratégia inicial de enfrentamento aos desafios de se fixar médicos à APS em consonância à remodelação da formação médica. Apesar do contexto político desfavorável nos anos que se seguiram à implementação do PROVAB, houve uma sinergia entre a supervisão e os médicos que se empoderaram para desenvolverem suas atividades proporcionando condições para enfrentamento das condições desfavoráveis. A aproximação com o contexto do território e as competências adquiridas no programa acerca da Atenção Primária em Saúde com desenvolvimento de vínculo com a comunidade funcionaram como fatores de estímulo para a permanência do médico na Atenção Primária em Saúde traduzindo-se na mudança do perfil do profissional que assimilou e adquiriu o componente social de trabalhar em áreas de grande vulnerabilidade. Esse movimento deve favorecer as mudanças previstas nos cursos de graduação em Medicina, evitando um retrocesso que tange aos vazios assistenciais, animando a luta que se constitui na busca por um Brasil em que o acesso universal à saúde e a um profissional médico não seja um privilégio de poucos, mas o direito garantido de todos.

Abordando a Relação Clínica e a Comunicação de Notícias Difíceis com o Auxílio das Artes e dos Relatos Vivos

PID: S1981-52712019000400131 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Gularte Velho Gonçalves Beschoren
RESUMO Introdução A Relação Clínica (RC) é um termo mais abrangente do que relação médico-paciente e, atualmente, tem sido utilizado para descrever o contato da equipe de saúde com o paciente e seus familiares, além da interação da equipe entre si. Para estabelecer relações interpessoais satisfatórias, é importante reunir habilidades de comunicação e empatia, que têm um papel-chave na RC. No entanto, tais temas acabam sendo pouco discutidos durante a formação médica, em detrimento de um estudo mais focado em doenças e tratamentos. Rígidos protocolos e diretrizes têm tomado grande espaço dos currículos de graduação médica, deixando menos tempo para a discussão de temas mais abstratos, relacionados às humanidades e à subjetividade dos pacientes, visão que faz parte da realidade das pessoas. Objetivos Propiciar espaços e referenciais teóricos para a discussão de temas menos abordados no currículo médico e incentivar a importância da comunicação e empatia nos processos de saúde/doença. Métodos Diante da importância de proporcionar aos alunos de Medicina vivências humanizadoras, propusemos a realização de oficinas teórico-práticas e conduzimos uma pesquisa qualitativa com o intuito de avaliar a percepção dos estudantes sobre o ensino-aprendizagem de temas do escopo da RC. Ao todo, participaram do projeto 33 alunos a partir do quarto semestre do curso de Medicina, por adesão voluntária, após convite distribuído via correio eletrônico. Foram ofertadas seis oficinas teórico-práticas, executadas em um trabalho com grupos pequenos e abordando temas como: empatia, luto, cuidados paliativos, final de vida e comunicação de notícias difíceis. As técnicas para coleta dos dados foram a realização de dois grupos focais ao final dos seis encontros e a observação participante, cujos apontamentos eram tomados num diário de campo. Resultados A análise de conteúdo (Bardin, 2011) foi o método escolhido para estudo dos resultados, após transcritas e analisadas as falas dos grupos. No final da análise, emergiram quatro categorias principais (e cinco subcategorias), das quais destacamos duas que serão discutidas neste artigo: “A arte, o cinema e a literatura evocam os sentimentos: buscando o humanismo” e “As notícias difíceis na visão dos pacientes – as experiências vivas”. Para isso, foram utilizadas metodologias ativas, como trabalho em pequenos grupos, uso de vídeos e trechos de filmes, músicas, relatos, leitura de textos e rodas de conversas. Conclusão Os depoimentos dos participantes demonstraram satisfação com as temáticas e metodologias propostas. Dessa forma, analisamos o auxílio de tais técnicas para sensibilizar os alunos, levando-os a refletir sobre a importância da empatia e da comunicação no atuar dos médicos e equipe de saúde, desenvolvendo habilidades de relação interpessoal.

Acupuntura no Ensino Médico da Universidade Federal Fluminense: Desafios e Perspectivas

PID: S1981-52712019000100003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Safe Anjos Mendes Nogueira Nascimento
RESUMO O ensino da acupuntura vem sendo progressivamente introduzido em cursos médicos no Brasil e no mundo. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), a reforma curricular da Faculdade de Medicina, implementada em 1994, possibilitou a oferta da disciplina optativa Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura a partir de 1995, além da criação, em 1997, de um curso de especialização em acupuntura destinado ao público médico. Este artigo apresenta um estudo que buscou identificar os principais desafios e perspectivas relacionados a esse ensino na graduação e pós-graduação médicas da UFF, resgatando o debate sobre a polarização paradigmática entre a acupuntura da MTC e a acupuntura neurofisiológica. Foi realizada uma pesquisa qualitativa de caráter etnográfico com análise documental, observação dos cenários de sala de aula e entrevistas semiestruturadas com o professor e alunos da disciplina e curso selecionados. De forma complementar, para garantir a triangulação de informações, utilizou-se a técnica do grupo focal com ex-alunos da graduação médica. O tratamento e a interpretação dos dados deste estudo se ancoraram na discussão epistemológica de Thomas Kuhn – o conceito de paradigmas e a questão da incomensurabilidade de ideias. Os resultados desta pesquisa mostraram que, apesar das diferenças paradigmáticas significativas, há interesse e receptividade de estudantes de Medicina e médicos na abordagem integrativa do processo saúde-doença oferecida pela medicina tradicional chinesa/acupuntura. Entre os aspectos positivos levantados, destacam-se a valorização da abordagem de dimensões do adoecimento humano negligenciadas pela biomedicina, o favorecimento da construção de um olhar integral sobre o sujeito e os bons resultados obtidos nos tratamentos com acupuntura. Os principais desafios apontados foram a necessidade de promover maior integração teórico-prática nas aulas, sugerida pelos alunos da graduação, e a crítica ao reducionismo no ensino da MTC/acupuntura, com simplificação exagerada de conteúdos complexos, feita pelos alunos da pós-graduação. Duas conclusões se destacaram neste estudo. Constatou-se um duplo padrão de aprendizado: abertura dos estudantes de graduação e pós-graduação médicas para o paradigma da medicina chinesa devido às suas especificidades e múltiplas abordagens terapêuticas, ao mesmo tempo em que se buscavam aproximações com o modelo biomédico. A complementaridade entre o paradigma da medicina chinesa e o das neurociências foi a principal característica do processo de incorporação da acupuntura ao ensino médico da UFF.

Adaptação Transcultural e Validação das Propriedades Psicométricas do Instrumento Nutrition in Patient Care Survey (Nips) no Brasil

PID: S1981-52712019000400026 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Sleumer Campos Machado Moura
RESUMO Introdução O hábito nutricional inadequado é considerado importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). O médico tem importante papel na modificação e melhoria do comportamento nutricional de seus pacientes e consequente melhoria da saúde. Neste contexto, é necessário mensurar, mediante instrumentos confiáveis, a atitude de estudantes e médicos sobre nutrição no atendimento a pacientes, para subsidiar intervenções educacionais que impactarão a prática clínica. Objetivo Traduzir, adaptar culturalmente e validar o instrumento Nutrition in Patient Care Survey (Nips), que avalia atitudes no cuidado nutricional na prática clínica, para ser utilizado na população de língua portuguesa falada no Brasil. Metodologia A versão original Nips em inglês inicialmente foi traduzida para a língua portuguesa e submetida a uma adaptação transcultural do vocabulário e da construção linguística. Esta versão foi retraduzida para o inglês. O questionário foi então aplicado para pré-teste em 30 estudantes de Medicina, com o intuito de eliminar dúvidas quanto à compreensão das perguntas. A versão final do instrumento adaptado foi aplicada a 400 estudantes de Medicina. Foi realizada a análise de confiabilidade e de validade, utilizando-se análise fatorial exploratória pelo método de extração de componentes principais e rotação Varimax Resultado Quatrocentos estudantes responderam a todas as perguntas do Nips e foram incluídos na análise. Após análise fatorial, foi definida a estrutura final da escala, que passou a ter 37 itens, em formato Likert de 1 (discordo totalmente) a 5 (concordo totalmente), divididos em dez fatores, diferentemente do observado na escala original, que apresenta cinco fatores. A consistência interna (alfa de Cronbach) para os dez fatores estudados foi superior a 0,60 na maioria deles, e o alfa de Cronbach geral foi superior a 0,50. Na análise de validade do construto, a maioria dos coeficientes de correlação se mostrou significativa (valores p < 0,005). Com essa estrutura, a escala proposta apresentou consistência interna entendida como favorável, explicando 58,93% das atitudes dos alunos em relação ao cuidado nutricional na assistência ao paciente. Conclusão A versão em português do instrumento Nips, após o processo de adaptação, mostrou-se útil e adequada para levantar informações relativas à atitude dos estudantes de Medicina no cuidado nutricional do paciente.

Alinhamento de Diferentes Projetos Pedagógicos de Cursos de Medicina com as Diretrizes Curriculares Nacionais

PID: S1981-52712019000200143 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Oliveira Senger Ezequiel Amaral
RESUMO O objetivo desta pesquisa foi analisar os projetos pedagógicos de dois cursos (PPC) de graduação em Medicina para determinar o grau de alinhamento às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do ensino médico, visando compreender as diferenças decorrentes dos modelos curriculares adotados. Três especialistas em ensino médico foram convidados a analisar os documentos relativos aos projetos pedagógicos de curso (PPC) e preencher um instrumento de avaliação desenvolvido para avaliar adesão às DCN 2001, previamente publicado, com dez dimensões. O escore calculado por meio do instrumento classifica as escolas em relação ao grau de aderência às DCN, sendo valores de escore de 0 a ≤ 20%, de 20 a ≤ 40%, de 40 a ≤ 60%, de 60 a ≤ 80% e de > 80% considerados, respectivamente, divergente, fracamente aderente, regular aderência, aderente moderadamente e fortemente aderente. Também se realizou análise de conteúdo dos PPC para buscar evidências sobre os domínios no texto. Os escores totais, de 47,5% (IES1) e 82,5% (IES2), mostraram adesão regular do PPC da IES1 e acentuada do PPC da IES2 às DCN 2001. Essas diferenças se manifestaram especialmente nas dimensões da adequação da metodologia de ensino à concepção do curso, da inter-relação das disciplinas na concepção e execução do currículo e na existência de módulos ou temas integradores. As análises dos PPC mostraram que, de maneira geral, há aderência às DCN, em diferentes estágios. Observou-se boa confiabilidade desse instrumento utilizado na análise dos três avaliadores para ambas as instituições de ensino superior (alfa de Cronbach de 0,77 para a IES1 e de 0,75 para a IES2). A comparação das médias dos escores dos avaliadores por dimensão foi submetida a uma análise de significância com o Teste t de Student. Conclui-se que as duas escolas, em intensidade e por caminhos diferentes e respeitando a cultura institucional, incorporaram paulatinamente o arcabouço das diretrizes curriculares nacionais.

Alvorecer do Paradigma Sistêmico na Educação Médica

PID: S1981-52712019000500305 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Cesario Cesario Santos
RESUMO A formação de médicos no Brasil seguia os moldes do projeto flexneriano até que o emergente Sistema Único de Saúde, com o diagnóstico da situação do setor saúde e a implantação de políticas de reorientação do modelo assistencial para um voltado à Atenção Básica, mostrou a necessidade de realinhar a formação médica às suas necessidades. As novas escolas médicas têm que iniciar com um modelo pedagógico que se utilize de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, e as antigas escolas têm que se adaptar ao modelo proposto. Este momento de transição vem gerando conflitos, dificuldades, angústias, currículo oculto e incompreensões. Tal situação é decorrente da exigência de ultrapassagem de paradigmas para atuar no novo modelo pedagógico, sem, contudo, que as pessoas envolvidas tenham consciência disso. Vemos e interpretamos o mundo por meio dos nossos paradigmas, que agem como lentes que filtram o que enxergamos, estabelecem limites do que acreditamos, e influenciam nossas percepções e ações. Assim, o objetivo deste artigo é propor um olhar sobre conceitos e práticas neste momento de transição paradigmática, visando colaborar com a discussão e, principalmente, compreensão das incoerências, dificuldades e insucessos na implantação de projetos contemporâneos na área da saúde. O estudo das partes simples não é suficiente para entender o todo complexo, que deve ser estudado e compreendido em sua inteireza, a partir, inclusive, da sua relação com o outro. A instabilidade e a complexidade do mundo colocam em evidência a importância dos processos, do contexto de cada situação e das conexões sistêmicas entre todos os fenômenos. No emergente Pensamento Complexo, não cabem mais as contribuições isoladas de cada disciplina, mas exige-se o olhar e posicionamento interdisciplinar para buscar verdades construídas em conjunto, estabelecidas no contexto e na relação com o outro. Não se fala mais em saúde ou em doença, mas sim no processo saúde-doença; da mesma forma, o ensino e o aprendizado dão lugar ao processo de ensino-aprendizagem. Como característico em uma situação de transição paradigmática, há conflitos e diferenças de compreensão do mundo, que geram situações identificadas como crises. Vivemos sob a égide de dois paradigmas diferentes e simultâneos, que partilham conhecimentos e práticas: o Paradigma Newton-Cartesiano e o Paradigma Sistêmico. A partir da reflexão gerada por este artigo, espera-se que o leitor identifique o paradigma dominante em sua vida e seu posicionamento no contexto da transição paradigmática, compreenda os conflitos que enfrenta no seu trabalho e na sua vida, e se permita uma reorientação de rota, com vistas a viver melhor e atuar de forma mais coerente e saudável no mundo.

Análise da Qualidade e Estilo de Vida entre Acadêmicos de Medicina de uma Instituição do Norte do Paraná

PID: S1981-52712019000100039 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Bührer Tomiyoshi Furtado Nishida
RESUMO O objetivo do estudo foi avaliar o estilo de vida e estimar a prevalência do consumo de álcool, tabaco e outras drogas entre estudantes de Medicina de uma instituição de Maringá, no Paraná. Trata-se de um estudo transversal, descritivo, exploratório realizado com universitários do primeiro ao sexto ano do curso de Medicina. A coleta de dados ocorreu de junho a agosto de 2017 por meio do instrumento autoaplicável denominado “Questionário de Estilo de Vida Fantástico”. Composto por 25 questões objetivas, esse instrumento considera o comportamento dos indivíduos no último mês e seus resultados permitem determinar a associação entre estilo de vida e saúde. A soma de todos os pontos permite chegar a um escore total que classifica os indivíduos em cinco categorias: “excelente”, “muito bom”, “bom”, “regular” e “necessita melhorar”. É desejável que os indivíduos atinjam a classificação “bom”. Quanto menor o escore, maior será a necessidade de mudança. Os critérios de exclusão adotados foram: estudantes menores de 18 anos e aqueles que não estivessem presentes no dia da coleta. Após a coleta, os dados foram transcritos para uma planilha eletrônica e posteriormente analisados utilizando-se estatística descritiva. Participaram da pesquisa 576 acadêmicos, dos quais a maioria com idade entre 21 e 25 anos, sexo feminino, cor/raça branca, solteiros, estudaram em escola privada no ensino médio e moram sozinhos. Em relação à escolaridade do pai e da mãe, observou-se que 73,61% e 83,68% estudaram por 12 ou mais anos, respectivamente. Menos da metade dos estudantes apresentaram diagnóstico de depressão ou outra patologia crônica psiquiátrica. Grande parte dos alunos não dorme bem e não se sente descansada. Observou-se alta prevalência de estudantes que estão satisfeitos com seus trabalhos ou funções. A maioria referiu não ter fumado no último ano e nunca ter usado drogas como maconha e cocaína, enquanto 81% relataram uma ingestão média de álcool por semana de zero a sete doses. A classificação predominante no EVF foi “bom”, e, com isso, conclui-se que os estudantes devem ser orientados a adotar um estilo de vida mais saudável, que se concilie com as atividades acadêmicas.

Análise do Acesso à Informação Acadêmica entre Estudantes de Medicina Inseridos numa Metodologia Ativa de Aprendizagem

PID: S1981-52712019000400176 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Lorena Andrade Arcoverde Vilela Mota Lorena Sobrinho
RESUMO O acesso à informação acadêmica vem se tornando um dos pilares para o protagonismo do estudante no processo de aprendizagem, sendo estratégico analisar o comportamento e manejo frente aos recursos informacionais disponíveis, pertinentes na formação e na excelência de futuros profissionais. O objetivo desta pesquisa foi analisar o comportamento relatado por estudantes de Medicina de uma instituição de ensino superior com metodologia ativa de aprendizagem referente ao acesso a informações acadêmicas, bem como opiniões sobre a construção de conhecimento acadêmico durante a graduação. Realizou-se um estudo observacional transversal e analítico com 274 estudantes do curso de Medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde, em Recife (PE). Foi elaborado e validado um questionário específico para a coleta dos dados, analisados descritivamente por meio de frequências absolutas e percentuais para as variáveis categóricas e das medidas. Para avaliar associação entre duas variáveis categóricas foi utilizado o Teste Qui-Quadrado de Pearson e o Teste Exato de Fisher. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo comitê de ética e respeitou as exigências éticas. Entre os pesquisados, 52,8% utilizavam meios eletrônicos de estudo isoladamente, enquanto 37,7% deles assinalaram que manuseavam conjuntamente meios eletrônicos e impressos, e 9,4% citaram apenas meios impressos. Em relação às formas de estudo com que o aluno mais se identifica, as assertivas assinaladas por um grupo majoritário dos discentes foram “livros online (PDF, Word, Epub, etc.)” e “livros em papel” (81,9% e 68,3%, respectivamente). Sobre o questionamento acerca da utilização de bases de dados eletrônicas na rotina acadêmica de estudos, a maioria (67,9%) dos alunos respondeu positivamente ao enunciado. Entre as bases de dados mais citadas, encontram-se SciELO (86,7%) e PubMed (70,6%). Ao se avaliar o acesso à informação científica entre estudantes de Medicina, foi visto que, embora a maioria dos alunos utilize bases de dados eletrônicas em sua rotina acadêmica, mais da metade não havia recebido treinamento relacionado às técnicas de pesquisa bibliográfica: a maioria havia aprendido com a prática. Os estudantes pesquisados, em quase sua totalidade, concordam sobre a importância da prática baseada em evidências na rotina acadêmica, sendo relatado por mais da metade dos alunos que, ao deixarem de buscar informações online, se sentem menos atualizados.

Aplicação do Portfólio nas Escolas Médicas: Estudo de Revisão

PID: S1981-52712019000100163 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Garcia Nascimento
RESUMO Com o objetivo de formar um profissional crítico, criativo e reflexivo, novas propostas e reformulações vêm sendo criadas para o ensino médico, com base num processo educativo que promova o desenvolvimento de múltiplas competências. Buscando orientar a melhor atuação do estudante no processo ensino-aprendizagem, o portfólio fornece subsídios à reflexão, ampliando a capacidade de raciocínio, aliando o conhecimento teórico – adquirido em sala de aula e pesquisas – a vivências em serviços, territórios e demais cenários de aprendizagem. Englobando informações de diferentes estratégias pedagógicas, o portfólio possibilita maior autonomia, autoavaliação, criatividade, capacidade de crítica e de intervenção. Este estudo descreve a aplicação do portfólio nas escolas médicas brasileiras com base numa revisão de publicações científicas e do levantamento de projetos pedagógicos via internet. Procedeu-se a uma revisão integrativa de artigos científicos do período de 2007 a 2017, nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), por meio dos descritores Portfólio AND Educação Médica, Portfólio AND Ensino, Portfólio AND Avaliação Educacional, e ao levantamento de projetos pedagógicos publicados na internet com citações referentes ao portfólio. Foram encontradas 19 publicações de investigações e 73 projetos pedagógicos acessíveis, entre os quais 38 citavam a palavra portfólio. Os conceitos de competências e narrativas permeiam parte expressiva dos trabalhos. Constatou-se que os portfólios são aplicados de forma muito diferenciada em cada escola, tanto como dispositivo de reflexão da prática, quanto como arquivo de trabalhos. As descrições referem-se à aplicação em determinadas disciplinas, em geral de práticas em serviços e comunidades e experimentos em situações focais. Por meio do portfólio, problematizam-se situações e estimula-se a reflexão e a busca de conhecimentos. Destaca-se o exercício da narrativa, que permite aliar a prática à teoria, facilitando a aprendizagem, além de ampliar a segurança e a habilidade do estudante – que precisa tomar decisões frente a situações reais, muitas vezes complexas –, fazendo com que este se torne um indivíduo ativo e crítico, com maior autonomia, intervindo na realidade. Comparando-se o número de projetos pedagógicos que citaram o uso do portfólio e as publicações encontradas, conclui-se que há grande carência de estudos voltados ao processo ensino-aprendizagem nas escolas médicas. Quanto aos achados a respeito da aplicação do portfólio, sobressaem as dificuldades relativas à manutenção do modelo biomédico nas escolas e métodos tradicionais de ensino e avaliação, bem como a falta de motivação e condições para que os docentes se dediquem a transformações que requerem capacitação, coesão e apoio institucional. Com a fragilidade na participação do professor e o excesso de tempo consumido na realização do portfólio, o estudante se depara com um instrumento que fomenta a autorreflexão e facilita seu aprendizado, mas também enfrenta a dificuldade de romper a barreira do ensino tradicional.

Aprendizado da Anatomia Hepatobiliar pela Mesa Anatômica Virtual 3D

PID: S1981-52712019000500615 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Rosa Correia Zidde Thuler Brito Biolchini
RESUMO Objetivo Avaliar a eficácia da mesa anatômica virtual 3D como recurso complementar ao aprendizado da anatomia hepatobiliar por estudantes de graduação em Medicina. Metodologia Trata-se de estudo randomizado e controlado que comparou a aprendizagem anatômica de estruturas hepatobiliares, apoiada por um modelo real versus por um modelo virtual, ambos tridimensionais (3D), por parte de estudantes de medicina. Avaliou-se também a percepção dos estudantes quanto aos recursos utilizados para o ensino da anatomia. Os alunos foram submetidos a um pré-teste e a duas avaliações após a aplicação das intervenções. Resultados Globalmente, tanto a mesa anatômica virtual 3D quanto o fígado real aumentaram o conhecimento dos estudantes sobre a anatomia hepatobiliar em relação ao conhecimento prévio deles (p = 0,001 e p = 0,01, respectivamente para a segunda e terceira avaliação). Na comparação longitudinal entre o pré-teste e a segunda avaliação (anatomia hepatobiliar e segmentação de Couinaud), esse aumento foi significantemente maior no grupo alocado para o fígado real (p = 0,002); já na comparação do pré-teste com a terceira avaliação (inclusão de órgãos anexos na mesa anatômica ou no fígado real), o aumento do conhecimento foi significantemente maior no grupo alocado para a mesa anatômica (p = 0,04). A percepção de satisfação dos participantes quanto aos recursos de aprendizagem foi considerada muito boa, com percentual mínimo de satisfação de 80%. Conclusão A mesa anatômica virtual 3D forneceu mais conhecimento de anatomia hepatobiliar que um fígado real para estudantes de medicina, em relação ao conhecimento prévio deles sobre essas estruturas. Na comparação transversal das avaliações pós-instrução, não houve diferença entre as duas intervenções. Além disso, a plataforma 3D teve um impacto positivo no nível de satisfação dos participantes do estudo. Este estudo mostra que a mesa anatômica virtual 3D tem potencial para melhorar tanto a compreensão quanto o interesse dos estudantes de medicina pela anatomia. Recomenda-se, no entanto, que futuros protocolos como este sejam realizados com amostras maiores e explorando outras estruturas anatômicas.

Aprendizagem Baseada em Problemas: Contribuição para Médicos Pediatras

PID: S1981-52712019000500322 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Reis Passos Higa
RESUMO Introdução A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) tem se destacado na educação médica por ser uma proposta fundamentada no construtivismo, com a finalidade de desenvolver a autonomia e o raciocínio crítico do estudante para tomada de decisões. Objetivo Por conta das dificuldades encontradas pelos graduandos e das escassas informações relativas à contribuição da ABP para a prática clínica de médicos pediatras, objetivou-se avaliar a contribuição da ABP para a formação dos médicos pediatras. Metodologia Trata-se de uma série de casos de abordagem descritiva, desenvolvida com médicos pediatras egressos de duas instituições públicas de ensino. A definição da amostra ocorreu de forma intencional, amostragem não probabilística, em que os atributos dos participantes são definidos conforme o objeto de estudo, a fim de selecionar quais os indivíduos são mais adequados para serem incluídos na amostra, a qual é composta por dez médicos pediatras, sendo cinco egressos de cada instituição. Para responderem ao questionário, selecionaram-se médicos especialistas em pediatria. A coleta de dados foi realizada pela pesquisadora principal, por meio de três questões semiestruturadas respondidas via e-mail. As respostas dos entrevistados às questões abertas foram analisadas pelo método de análise reflexão-síntese, que pressupõe a análise e síntese de conteúdo mediadas pela sensibilidade e pela razão. Resultados Os resultados obtidos entre 2003 e 2012 indicaram que 28% dos médicos pediatras apresentavam título de especialista e 72% não o tinham esse título. Os discursos apresentados pelos participantes permitiram identificar que a ABP contribuiu para a formação e atuação dos médicos pediatras em diferentes aspectos, proporcionando a busca de conhecimento, a habilidade para trabalhar em equipe e a facilidade para realizar o manejo clínico de forma interdisciplinar e holística. Porém, os discursos também demonstraram que esse método pode não favorecer o aprofundamento das matérias básicas. Conclusão A ABP contribuiu para a formação e atuação do médico pediatra, porém pode não ter favorecido o aprofundamento das matérias básicas.

Aprendizagem da Empatia na Relação Médico-Paciente: um Olhar Qualitativo entre Estudantes do Internato de Escolas Médicas do Nordeste do Brasil

PID: S1981-52712019000500349 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Batista Lessa
RESUMO A empatia é um atributo do ato clínico, de fundamental importância para o estabelecimento de uma boa relação médico-paciente. Os cursos de graduação em Medicina devem orientar a formação com o propósito de desenvolver competências que favoreçam a capacitação de um profissional crítico e apto a entender a importância do trabalho em equipe. Este estudo tem por objetivo analisar a aprendizagem da empatia em estudantes de graduação de cursos médicos de universidades públicas do Nordeste do Brasil, os quais estão inseridos no último ano do internato médico. Para tanto, buscou-se apreender as concepções de empatia desses alunos, conhecer como ocorreu a aprendizagem para uma atitude empática durante a formação médica e identificar a maneira de aprimorar essa aprendizagem. Optou-se pela metodologia de cunho qualitativo, e utilizou-se de grupos focais com estudantes de duas universidades distintas, cujas falas foram submetidas a uma análise temática, em que se procurou apreender as concepções de empatia, a aprendizagem da mesma na graduação e as sugestões para o aprimoramento de seu ensino/aprendizagem. Os resultados apontaram que os estudantes não reconhecem ou identificam momentos de ensino relevantes, durante a formação, no tocante à aprendizagem da empatia e, quando mencionados, fazem a sua relação mais à teoria do que à prática médica. Destacam que a metodologia utilizada é pouco estimulante e que os docentes carecem de capacitação. Solicitam, ainda, um olhar institucional para a saúde mental deles. Não houve diferenças significativas entre sexo e idade dos estudantes quanto à disposição empática. Conclui-se que esta pesquisa confirmou o pressuposto inicial: a graduação médica, de modo geral, não tem preparado, adequadamente, os estudantes para a prática da empatia na relação médico-paciente. Para esses alunos, destaca-se como dificuldade a “capacidade de se colocar no lugar do outro”, fortalecendo, assim, a necessidade de um olhar mais cuidadoso do aparelho formador no sentido de intervir com mais propriedade para elevar a aprendizagem desse componente da empatia.

As Artes na Educação Médica: Revisão Sistemática da Literatura

PID: S1981-52712019000400054 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Mairot Costa Heringer Borges Moura
RESUMO Introdução A introdução das artes no currículo médico tem despertado interesse crescente, uma vez que estas apresentam qualidades únicas que podem auxiliar no desenvolvimento dos aspectos sociais da prática médica, oferecendo maneiras novas e distintas de exploração do conhecimento e da identidade profissional. Objetivo Avaliar a eficácia da utilização das artes no currículo médico por meio de uma revisão bibliográfica. Metodologia As bases de dados Lilacs, SciELO, PubMed e Eric foram pesquisadas para artigos publicados sobre estudos que tentaram avaliar a eficácia de uma abordagem baseada em artes na educação médica de graduação. Outros artigos foram identificados por meio de busca ativa. Foram utilizados os seguintes descritores (art or visual arts or paintings or literature or narrative or poetry or theatre or movies or films or cinema) AND (medical education or medical student or medical curriculum). Foram incluídos somente os artigos cujo estudo foi realizado com estudantes de Medicina e cuja eficácia da intervenção foi avaliada por comparação entre grupos (estudos quantitativos) ou pela satisfação do estudante de Medicina por questionário (estudos qualitativos). Os artigos selecionados foram lidos na íntegra por dois pesquisadores, de modo a identificar o tipo de arte utilizada na intervenção, o autor, a amostra, a metodologia e a conclusão sobre a atividade relatada. Resultados Foram incluídos 28 artigos no estudo, distribuídos de acordo com o tipo de arte utilizada: (n = 16) artes visuais; (n = 6) literatura; (n = 3) teatro; (n = 3) cinema. As competências educacionais sensíveis às artes relatadas nos estudos avaliados foram: habilidades de observação diagnóstica, trabalho em equipe, reflexão e argumentação; facilitar o aprendizado cognitivo; aspectos humanísticos da medicina (empatia/relação médico-paciente); profissionalismo. Alguns estudos afirmam que as intervenções baseadas em artes são eficazes na alteração de atitudes, entretanto não definiram como esse sucesso foi medido. Nenhum estudo considera os efeitos sobre o comportamento. As evidências para o uso de intervenções baseadas em artes para promover habilidades de observação diagnóstica mostraram ser mais fortes. No entanto, seu efeito em outras habilidades clínicas não foi estudado. Conclusão A arte pode ser uma estratégia facilitadora do aprendizado, uma vez que auxilia o estudante a lidar com a complexidade do ser humano e da saúde humana. Este conhecimento mais amplo sobre a saúde e a doença pode levar à melhoria da relação médico-paciente na prática clínica. Entretanto, devido à natureza qualitativa da maioria dos estudos, baseados principalmente na opinião do estudante sobre as modificações ocorridas em suas atitudes, a eficácia das intervenções nem sempre foi efetivamente demonstrada.

Aspectos que Compõem o Perfil dos Profissionais Médicos da Estratégia Saúde da Família: o Caso de um Município Polo de Minas Gerais

PID: S1981-52712019000500395 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Barbosa Coelho Carvalho Sarria Santos Cavalcante
RESUMO Estudo quali-quantitativo, de abordagem exploratória, que buscou identificar o perfil do médico da Estratégia Saúde da Família no município de Governador Valadares, bem como sua formação e características do seu trabalho. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 36 médicos de equipes de Saúde da Família nesse município. Utilizou-se a estatística descritiva simples e análise de conteúdo, modalidade temático-categorial, para a organização e análise dos dados coletados. Os resultados indicaram a predominância do sexo feminino, e apontaram profissionais brasileiros com idades entre 24 e 35 anos, com formação em instituição pública, com especialização na área de Medicina de Família. A maioria dos entrevistados pertence ao Programa Mais Médicos, com tempo de permanência na mesma equipe de até três anos. As vantagens destacadas foram identificação com a proposta de trabalho e valorização profissional, ao passo que as desvantagens apontadas foram vínculo empregatício instável, desamparo da gestão, local de atuação de difícil acesso e excesso de cobranças. Foram relatados como pontos facilitadores o trabalho em equipe e boa relação com a comunidade, enquanto a falta de recursos humanos e materiais, de equipamentos, financeiros e de tecnologia é um dos pontos dificultadores. Salienta-se a importância da atenção da gestão diante dessas dificuldades a fim de adequar a infraestrutura das unidades de saúde para proporcionar um trabalho que colabore para a mudança da saúde da população do território adscrito. É necessário repensar a maneira de incentivar o médico a permanecer na Estratégia Saúde da Família, com segurança e perspectivas no trabalho. Cabe salientar a importância do perfil desse médico, que, muitas vezes, teve uma formação diferente da preconizada nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Medicina, o que dificulta a resolução dos problemas apontados neste estudo, haja vista o desconhecimento do papel da atenção primária, da importância da integração da rede de saúde e dos atributos do médico nesse nível de atenção.

Atitudes e Conhecimentos de Estudantes de Medicina sobre Nutrição Clínica

PID: S1981-52712019000500127 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Barros Rodrigues Porto Ferreira Botelho
RESUMO Resultados O cuidado nutricional é considerado importante por estudantes de Medicina, médicos e educadores médicos em todo o mundo. É inegável o papel da nutrição na prevenção e tratamento das principais causas de doenças não comunicantes no mundo atual. Assim, o ensino de conhecimentos em nutrição clínica torna-se parte essencial do currículo médico. Embora a prática de nutrição clínica no Brasil, como em muitos países, seja responsabilidade dos médicos, a formação curricular desses médicos é rara. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo analisar atitudes e conhecimentos de estudantes de Medicina sobre o ensino de nutrição clínica numa escola médica. Trata-se de um estudo exploratório, analítico, com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada numa instituição de ensino superior privada de Belém (PA), no período de maio a junho de 2018. Foi elaborado um questionário para a pesquisa, uma adaptação de protocolos utilizados em trabalhos anteriores com questões sobre atitudes e conhecimentos em nutrição clínica. Participaram os alunos que cursavam o 11 o e 12 o semestre (último ano) da graduação em Medicina. A pesquisa seguiu as normas que regulamentam pesquisas que envolvem seres humanos, contidas na Resolução nº 466/12 CNS/Conep. A análise estatística utilizou o programa Bioestat ® . Dos 92 alunos que receberam o questionário, 87 completaram a pesquisa. A maioria deles (94,3%) demonstrou atitude positiva sobre nutrição clínica na prática clínica e concordou com frases como “orientação nutricional deve fazer parte do cuidado de rotina de todos os médicos”. Quanto à avaliação de conhecimentos, a média de acertos foi de 61,3% das questões, com melhor desempenho em áreas como doenças cardiovasculares, gastrointestinais, endocrinologia, obesidade e metabolismo de vitaminas. Por outro lado, foram identificadas lacunas de conhecimentos em temas como nutrição no paciente cirúrgico, nefrologia e ginecologia/obstetrícia. Não foi observada correlação significante entre a atitude positiva dos estudantes e seus conhecimentos em nutrição clínica. Conclui-se que, apesar de apresentarem atitudes positivas sobre nutrição na prática clínica, os estudantes de Medicina no último ano da graduação têm dificuldades sobre os conhecimentos necessários para fornecer tais orientações nutricionais.

Avaliação Baseada em Cenários de Prática para Detectar Lacunas de Aprendizagem no Internato Médico em Ginecologia e Obstetrícia

PID: S1981-52712019000100181 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Coelho Medeiros Peixoto Júnior Diniz McKinley Bollela
RESUMO Contexto Currículo Baseado em Desfechos ajuda a comunicar as expectativas de desempenho entre alunos e professores. O Miniexercício de Avaliação Clínica (Miniex) é uma ferramenta útil para avaliação formativa no local de trabalho. O objetivo deste estudo foi usar avaliação em cenários reais de prática e feedback dos alunos para qualificar um programa de internato médico em Ginecologia e Obstetrícia (GO). Métodos Foi realizado um estudo transversal com docentes e estudantes do internato médico em GO. O Miniex foi introduzido no sistema de avaliação de estágio adicionado a testes de perguntas de múltipla escolha (MCQ). Esta ferramenta avalia a coleta de histórico, o exame físico, o julgamento clínico, o profissionalismo e o humanismo, além da escala global no final do teste. No final da rotação de quatro meses, questionários foram aplicados para coletar a percepção do aluno sobre a aquisição de habilidades durante o programa. Os resultados do Miniex, o teste de MCQ e as respostas aos questionários foram comparados para determinar a medida em que os objetivos de aprendizagem foram alcançados. Resultados Três docentes avaliaram 84 estudantes de Medicina usando Miniex ao longo do estágio de quatro meses. As pontuações médias para exame físico e habilidades de julgamento clínico foram menores em comparação com as habilidades de anamnese e aconselhamento. Com base na percepção dos alunos, o preparo para exame físico e o aconselhamento foram classificados como “inadequados”, especialmente quanto à divulgação de más notícias. A correlação bivariada entre as habilidades do Miniex e os escores do teste MCQ mostrou uma relação positiva (r = 0,27). Apesar de avaliar as diferentes habilidades da pirâmide de Muller, parece haver uma relação entre “knows” e “does”. Essas descobertas ajudaram os coordenadores de internato e docentes a identificar lacunas importantes no programa do estágio. Com base nesses resultados, foi iniciado um treinamento no laboratório de habilidades durante o primeiro mês de rotação para todos os alunos ingressantes, adicionado ao treinamento simulado anterior durante o terceiro ano do curso de Medicina. Conclusões A introdução do Miniex oferece informações críticas para identificar e aprimorar elementos curriculares importantes nos anos clínicos.
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