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Avaliação da Competência de Estudantes de Medicina em Identificar Riscos à Segurança do Paciente através de Simulação

PID: S1981-52712019000500431 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Guarana Souza Dias Valentim
RESUMO Introdução A segurança do paciente (SP) está entre os principais temas discutidos pelos profissionais da área de saúde em todo o mundo. No Brasil, em 2016, ocorreram mais de 302 mil mortes por eventos adversos evitáveis e 70% eram de causas preveníveis, que custaram mais de 10,9 bilhões de reais. Objetivo Avaliar os conhecimentos, habilidades e atitudes de estudantes do quarto e oitavo períodos do curso de Medicina sobre segurança do paciente por meio de simulação. Método Foi realizado um estudo transversal. A coleta de dados foi feita por meio de dois instrumentos, um com o perfil sociodemográfico e outro a ser preenchido durante a simulação. A simulação ocorreu numa sala de laboratório preparada para reproduzir um cenário hospitalar. Foram planejados pelos pesquisadores seis riscos a serem identificados no cenário durante o tempo de sete minutos. Os dados foram analisados com uso do Epi-Info 7.1. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da instituição. Resultado Participaram do estudo 42 estudantes, sendo 24 do quarto período e 18 do oitavo. Nenhum estudante identificou todos os seis riscos. No geral, os alunos apresentaram baixo desempenho, tendo identificado em média de dois a três riscos à segurança do paciente. O risco de administração de medicação equivocada foi percebido por 34 estudantes (81%); a falta de identificação por 15 (36%); o risco de quedas por 11 (26%); problemas de higienização das mãos por 6 (14%); o risco de procedimentos cirúrgicos equivocados por 3 (7%) e o risco de lesões por pressão não foi identificado por nenhum estudante. Três riscos adicionais não planejados pelos pesquisadores foram identificados pelos estudantes, com predomínio de identificação de dois riscos por estudantes do oitavo período. Conclusão Os estudantes apresentaram pouca competência em identificar riscos à segurança do paciente. Contudo, demonstraram melhor desempenho ao longo do curso, revelando quão importante é trabalhar a segurança do paciente já nos primeiros anos de graduação.

Avaliação da Demanda Preliminar de Atendimento Dirigida pelo Aluno ao Núcleo de Apoio Psicopedagógico ao Estudante da Faculdade de Medicina (Napem) da Universidade Federal de Minas Gerais

PID: S1981-52712019000500091 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Ribeiro Melo Rocha
RESUMO O sofrimento psíquico do estudante universitário, particularmente do estudante de Medicina, é conhecido e tem sido motivo de preocupação. O Núcleo de Apoio Psicopedagógico ao Estudante da Faculdade de Medicina (Napem) da Universidade Federal de Minas Gerais tem como função acolher o estudante que demanda ajuda espontaneamente. O objetivo deste trabalho foi analisar os motivos da busca por atendimento descritos pelos próprios estudantes ao preencherem a ficha de inscrição no Napem. Foram catalogadas 273 fichas, que representam o total de inscrições de novos estudantes em dois anos da última década. Para preservar a identidade dos estudantes, os anos analisados não foram identificados. Desse grupo, 235 eram estudantes de Medicina, 28 de Fonoaudiologia, 4 do curso superior de Tecnologia em Radiologia e 6 eram estudantes de outros cursos. A metodologia utilizada para análise dos dados foi qualitativa, com análise de conteúdo, e o teste do qui-quadrado foi empregado para a comparação de frequências. Os motivos descritos pelos estudantes foram alocados em cinco categorias estabelecidas pelos pesquisadores – distúrbios do humor, problemas pessoais, características de personalidade, questões acadêmicas e outros. Os resultados mostraram que os distúrbios do humor foram os mais frequentemente relatados (44,3%), seguidos por características de personalidade (26,4%) e por problemas pessoais (13,9%). As questões acadêmicas foram as que apresentaram menor frequência (5,5%). O desejo de morrer foi descrito por 17 (6,2%) estudantes. Quando os estudantes de Medicina foram comparados aos dos demais cursos, não foi observada diferença estatisticamente significativa entre as categorias (p = 0,21), sendo também observado o predomínio de motivos alocados na categoria distúrbios do humor (41,7%). Entretanto, quando considerados separadamente os dois períodos analisados, a frequência de distúrbios do humor nos alunos do curso de Medicina foi significativamente maior (p = 0,0005) entre os inscritos no segundo ano, comparados aos inscritos no primeiro ano do estudo. Deve ser ressaltado, ainda, que quase 50% do total de estudantes que se inscreveu no segundo ano analisado neste estudo cursavam os períodos iniciais, resultado significativamente maior (p = 0,002) quando comparado ao dos inscritos no primeiro ano do estudo. Embora reconhecendo as limitações referentes à análise da demanda preliminar de atendimento formulada pelo aluno ao procurar ajuda, particularmente quando expressa de forma escrita, acredita-se que os resultados deste estudo possam contribuir para a organização dos serviços de apoio psíquico e servir de alerta para essa questão. Pela magnitude do problema, fica evidente a necessidade da existência de espaços de acolhimento para os estudantes e de atuação precoce no início do curso, com atividades que possam recebê-los e escutá-los quando do ingresso na faculdade, como, por exemplo, os programas de tutoria.

Avaliação da Empatia nos Médicos Residentes do Hospital Universitário Alzira Velano em Alfenas, Minas Gerais

PID: S1981-52712019000500296 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Paiva Andrade Rocha Peixoto
RESUMO INTRODUÇÃO Muito se discute a importância da empatia na relação médico-paciente. Poucos estudos avaliaram essa habilidade em médicos residentes (MR). OBJETIVO Avaliar a empatia dos MR do Hospital Universitário Alzira Velano (Huav) por meio da Escala Jefferson de Empatia Médica (Ejem), que fornece quatro tipos de escores: empatia geral (EG); tomada de perspectiva do doente (TP); compaixão (CP) e capacidade de colocar-se no lugar do outro (LO). MÉTODOS A Ejem e um questionário sociodemográfico foram aplicados em 36 MR do Huav no início do segundo semestre de 2016 após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. RESULTADOS A análise estatística mostrou que os escores de empatia apresentaram associação em relação às variáveis: sexo, área de atuação (clínica ou cirúrgica) e período da residência em curso. Para a variável sexo, os seguintes achados foram encontrados: MR do sexo feminino do 1° ano apresentaram escores de EG e TP maiores que as MR no ≥ 2°ano (p = 0,01) e (0,03), respectivamente. Em relação à área de atuação, foi encontrado: (a) os escores de EG dos MR do 1° ano eram maiores, comparados aos dos MR no ≥ 2° ano, tanto para a área clínica (p = 0,03) como para a cirúrgica (p = 0,02); (b) MR da área cirúrgica apresentaram escores TP mais elevados no 1° ano em relação aos MR no ≥ 2° ano (p = 0,01). Nenhuma associação aos fatores estudados foi observada para os escores CP e LO. CONCLUSÃO Os dados demonstram que os escores de empatia dos MR dos anos finais são menores em relação aos dos MR do primeiro ano, fato verificado também para MR do sexo feminino. Nossos dados concordam com as observações da literatura e evidenciam a importância do desenvolvimento de estratégias instrucionais para o ensino da empatia entre médicos residentes.

Avaliação da Qualidade de Vida dos Residentes de Ortopedia Brasileiros

PID: S1981-52712019000500219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Araújo Arar Moura
RESUMO Introdução São muitos os determinantes que comprometem a saúde e a qualidade de vida (QV) de médicos residentes. O conhecimento sobre a QV de residentes permite subsidiar ações para melhorar a QV pessoal e profissional desse público e, assim, garantir melhoria na qualidade do atendimento prestado aos pacientes. Objetivo Avaliar a QV dos residentes de ortopedia brasileiros e os fatores associados. Método Trata-se de um estudo descritivo, transversal e quantitativo, conduzido por meio de questionário autorrespondido, para avaliação da QV dos residentes de ortopedia do Brasil. Foram utilizados o questionário World Health Organization Quality of Life (WHOQOL)-Abreviado e um questionário sociodemográfico. Resultados Participaram deste estudo 250 residentes de ortopedia brasileiros, do terceiro ano. As variáveis que influenciaram positivamente a QV foram: ser disciplinado para o estudo, estudar uma hora ou mais por dia, ter acesso a banco de dados médico-científico, ter domínio de língua estrangeira, ter boa qualidade de sono, avaliar bem sua residência e seu desempenho na residência e já ter escolhido sua subespecialidade na ortopedia. Observou-se ainda neste estudo que os residentes se distribuíram em três grupos com graus de QV distintos. Os indivíduos do grupo que apresentou maior pontuação em todos os domínios se caracterizaram por já ter escolhido a subespecialidade na ortopedia, apresentar excelente/boa qualidade de sono e se autoavaliar bem no desempenho na residência médica. Conclusão Os residentes de ortopedia percebem sua QV como boa a excelente, mas os residentes com qualidade ruim de sono, que não escolheram uma subespecialidade, que estudam menos de uma hora por dia, com baixo desempenho acadêmico e com baixa avaliação da residência têm pior percepção de sua QV. Esses pontos devem ser áreas-alvo para intervenções específicas, a fim de alcançar maior QV.

Avaliação da Reforma Curricular de um Curso de Medicina na Perspectiva dos Docentes

PID: S1981-52712019000500135 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Pavan Senger Marques
RESUMO Em 2006, o curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (FCMS da PUC-SP) reestruturou inteiramente seu currículo e o projeto pedagógico, e passou a utilizar métodos ativos de ensino-aprendizagem, centrados na Aprendizagem Baseada em Problemas. É comum haver certa resistência de parte dos docentes em relação às mudanças em função das possíveis consequências para a sua prática diária. Entretanto, a participação do docente e seu comprometimento diante de propostas de reformas são fundamentais para que elas de fato ocorram e se renovem continuamente. Neste sentido, este estudo teve como objetivo avaliar a visão do docente do curso de Medicina da FCMS da PUC-SP sobre as mudanças desencadeadas pela reforma curricular e o impacto destas mudanças sobre seu próprio trabalho, sobre a qualidade do curso e do médico formado e as sugestões para aperfeiçoar o currículo, dentro da busca contínua por um profissional bem formado e adequado às necessidades da população e do sistema de saúde. Os dados foram obtidos por meio de um questionário semiestruturado, pré-testado, enviado aos docentes em atividade no curso. A segunda parte do questionário, objeto deste artigo, deveria ser respondida pelos docentes que já estivessem em atividade antes da reforma curricular. Dos 178 docentes, 102 responderam ao questionário, e, destes, 73 (71,6%) já exerciam atividades no curso antes da reforma curricular e responderam à segunda parte do questionário. De maneira geral, os docentes têm uma visão positiva sobre as mudanças desencadeadas pela reforma, com ênfase no papel ativo do aluno no processo de ensino-aprendizagem e no crescimento proporcionado ao professor, gerado pelo modelo pedagógico escolhido. Também consideram que houve melhora na qualidade do curso e do médico formado. Embora bem avaliada, a mudança para um modelo interdisciplinar e as deficiências da estrutura física e dos equipamentos disponibilizados para o curso dificultam o trabalho do professor. A dificuldade na avaliação do aluno e a falta de um plano de capacitação permanente do docente aparecem como os principais problemas a serem enfrentados na busca do aperfeiçoamento do curso.

Avaliação das Estratégias de Autoaprendizagem em Alunos de um Curso de Medicina em Belém – Pará

PID: S1981-52712019000400036 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Barreto Gomes Furlaneto Barreto
RESUMO Introdução A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) é uma metodologia de ensino-aprendizagem que tem sido incorporada aos currículos das escolas médicas que priorizam o estudante no centro da discussão. O diagnóstico e a mensuração das estratégias de estudo e aprendizagem constituem um dos aspectos fundamentais à melhoria do processo de ensino-aprendizagem. Objetivo O estudo teve como objetivo identificar as estratégias do discente em desenvolver seu estudo autodirigido, avaliando a utilização de ferramentas úteis no contexto do seu ensino-aprendizagem. Metodologia Foi realizado um estudo transversal observacional descritivo e analítico, aplicando-se 348 questionários a alunos de um curso de Medicina, uniformemente distribuídos do segundo ao nono semestres. Os questionários, do tipo Likert, foram direcionados para investigar as estratégias utilizadas no estudo individual e sua percepção desses alunos em relação à aprendizagem. A análise estatística foi feita por diferentes métodos, de acordo com as variáveis e categorias observadas, e executada com auxílio do software BioEstat 5.45. Resultados com p ≤ 0,05 (bilateral) foram considerados significativos. Resultados A média de idade foi de 22,7 anos, com 57,3% de mulheres. A maioria mostrou hábito de estudo superior a três vezes por semana (72,2%), em lugares fixos, sobretudo na biblioteca (96,8%). A maioria dos alunos dispunha de recursos eletrônicos para acessar a internet. A maioria dos respondentes (43,6%) utilizou muito pouco o recurso de videoaula. Cinquenta por cento dos alunos julgaram fácil cumprir o horário de estudo e evitaram situações que desviavam sua atenção. Cinquenta por cento deles estudaram sozinhos todos os objetivos e mantiveram foco nos mesmos. O uso do mapa conceitual não foi frequente, mas a maioria elaborou esquemas durante o estudo. Para a maioria dos estudantes, a busca de artigos científicos no idioma inglês aconteceu apenas em 50% das vezes. Apenas 25% dos alunos fizeram “sempre” a síntese do estudo em forma de resumo. No mínimo 25% dos estudantes utilizaram mais de um livro-texto em seus estudos, e o acesso a artigos por meio de plataformas de bases de dados científicos ocorreu “sempre”. Em relação ao uso de apostilas comerciais e resumos não próprios, até 75% dos alunos responderam que isso ocorre em aproximadamente “50% das vezes”. A autopercepção da retenção do conhecimento, para 50% dos estudantes, ocorreu “cerca de 50% das vezes” ou com “muita frequência”. Conclusão Alunos deste estudo que trabalham com a metodologia ABP utilizaram recursos apropriados para seu estudo, planejando e organizando sua aprendizagem. O hábito de planejar o estudo esteve positivamente associado às melhores estratégias de aprendizagem e à busca por fontes de melhor qualidade técnica, resultando em maior percepção da retenção do conhecimento pelo aluno. Como houve falhas nas estratégias de aprendizagem, sugere-se a criação de um guia de orientações de autoaprendizagem para auxiliar o aluno no desempenho de seu estudo.

Avaliação de Habilidades de Comunicação em Ambiente Simulado na Formação Médica: Conceitos, Desafios e Possibilidades

PID: S1981-52712019000500236 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Rocha Romão Setúbal Collares Amaral
RESUMO Na comunidade acadêmica internacional, a comunicação eficaz entre profissionais de saúde, pacientes e seus familiares é reconhecida como condição indispensável para a qualidade dos cuidados em saúde. No Brasil, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina estabelecem que o egresso deve ser preparado para se comunicar por meio de linguagem verbal e não verbal, com empatia, sensibilidade e interesse, promovendo o cuidado centrado na pessoa e uma relação horizontal e compartilhada com o paciente. Para alcançar esses objetivos, faz-se preciso a implementação de atividades curriculares que promovam o desenvolvimento dessa habilidade e avaliem a sua aquisição durante a graduação em Medicina. A habilidade em se comunicar adequadamente não pode ser aprendida apenas por observação e tende a declinar ao longo do curso. Recomenda-se que seu ensino se estenda de modo coerente a todos os níveis de formação, incluindo os internatos e programas de residência. Na avaliação de habilidades de comunicação, especialistas recomendam que seja instituída uma matriz que permita repetidas oportunidades de avaliação e feedback, reforçando o uso das habilidades mais básicas de entrevista até as mais complexas, como a comunicação de más notícias. Dessa maneira, para um ensino e avaliação eficientes, são necessários métodos e instrumentos com sólida fundamentação teórica. Atividades em ambiente simulado com a participação de pacientes padronizados têm sido amplamente utilizadas para o ensino e a avaliação dessa habilidade durante a consulta clínica. Nesse contexto, programas de desenvolvimento docente são fundamentais para que estratégias eficazes de ensino e avalição sejam implementadas e permitam ao futuro médico a aquisição de habilidades essenciais ao ético exercício profissional. Este artigo propôs-se a uma revisão narrativa sobre avaliação de habilidades de comunicação em ambiente simulado apresentando seus conceitos, desafios e possibilidades. Também aborda aspectos práticos para a organização desse tipo de avaliação.

Avaliação do Conhecimento de Alunos do Internato Médico sobre Pancreatite Aguda Utilizando a Aprendizagem Baseada em Problemas

PID: S1981-52712019000100157 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Marinzeck Stefaneli Paschoalino Caritá Silva
RESUMO A pancreatite aguda é doença frequente nas enfermarias de hospitais gerais, tem etiologia multifatorial e pode levar a alterações graves dos diversos aparelhos e sistemas corpóreos. O internato, em geral, é o momento em que os alunos de Medicina sedimentam os conhecimentos adquiridos de maneira fracionada durante as etapas básicas do curso. Atualmente, com a mudança do modelo pedagógico em vários cursos de Medicina, a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) vem sendo adotada. O objetivo deste estudo foi avaliar a efetividade do método ABP na aquisição de conhecimentos de alunos do internato médico sobre pancreatite aguda, em comparação ao método tradicional. Trata-se de estudo descritivo, de abordagem quantitativa e caráter transversal. A amostra foi composta por 40 alunos que cursavam a décima primeira etapa do curso de Medicina de uma instituição de ensino superior privada do interior paulista no segundo semestre de 2015. Foi realizada avaliação entre os sujeitos do grupo pesquisa e do grupo controle quanto à diferença no nível de conhecimento sobre o tema. Como teste estatístico foi utilizado o teste paramétrico t de Student para dois grupos independentes. Como resultado, obteve-se que os alunos que participaram das sessões tutoriais pelo método ABP tiveram maior rendimento nas respostas às questões do instrumento de avaliação, com p = 0,013. Assim, ratifica-se que, além dos ganhos já sabidos em relação à formação de um profissional médico proativo, atento para sentir seu ambiente de trabalho, seus pares e os usuários, o método é também eficiente para a continuidade do processo ensino-aprendizagem durante o internato médico. Desse modo, recomenda-se utilizar a ABP no processo ensino-aprendizagem da Clínica Cirúrgica na universidade do estudo. Propõe-se também a continuidade de pesquisas com médicos residentes para avaliar a aquisição do conhecimento de outras patologias em outras clínicas, comparando-se os métodos ABP e o tradicional com vistas a mais subsídios para adoção da ABP nesse estágio de formação.

Avaliação do Impacto dos Programas de Reorientação Profissional em Cursos da Área da Saúde

PID: S1981-52712019000200122 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Moraes Sousa Menezes Queiroz Costa Guimarães Ferreira
RESUMO Problematizou-se a percepção dos atores dos cursos da área da saúde da Universidade Federal de Goiás quanto ao impacto do Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde articulado ao Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (Propet-Saúde) na reestruturação curricular. Realizou-se um estudo transversal com a participação de 300 atores de sete cursos, entre estudantes, tutores, preceptores, professores e coordenadores de graduação. Para isto, foi construído e validado um instrumento atitudinal do tipo Likert com duas dimensões: D1: reestruturação curricular e os princípios do Propet-Saúde e D2: projeto pedagógico do curso e o Propet-Saúde. A validação de conteúdo do instrumento considerou as equivalências semântica, cultural e conceitual, atribuição de pontos (de 1 a 4) e randomização das assertivas. A pontuação gerou três intervalos interpretativos: de 1 a 1,99 (insatisfação); 2 a 2,99 (relativa satisfação) e 3 a 4 (satisfação). Foi feito pré-teste e, após a inserção das contribuições, o instrumento foi aplicado. Após a aplicação, o instrumento foi validado estatisticamente quanto à dispersão e confiabilidade. Foi realizada análise fatorial considerando função e curso. A dispersão por meio da correlação linear evidenciou perda de quatro asserções (11,77%) denotando excelente validação de conteúdo; a confiabilidade foi de 0,93 (p < 0,01), evidenciando ótima densidade estatística. As médias gerais de D1 e D2 foram 3,09 e 3,11 respectivamente, indicando satisfação entre os respondentes. Conclui-se que os participantes reconhecem importantes avanços, como a reestruturação curricular a partir dos programas, inserção dos alunos já no início do curso em cenários de prática, estímulo à interdisciplinaridade, diversificação de práticas avaliativas e uso de metodologias ativas. Na análise fatorial, verificou-se que os cursos de Medicina e Biomedicina mostram-se mais refratários às contribuições dos programas Pró-Saúde e Pet-Saúde. Outros desafios foram apontados, como carga horária excessiva, que dificulta a integração entre cursos e o desenvolvimento da competência em administração/gestão ainda incipiente. A junção dos programas na forma Propet-Saúde deve ser fortalecida, pois evidenciou grande assertividade na organização curricular, bem como na integração ensino-serviço, aspecto central para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Avaliação, Ensinagem e Metodologias Ativas: uma Experiência Vivenciada no Componente Curricular Mecanismos de Agressão e de Defesa, no curso de Medicina da Universidade do Estado da Bahia, Brasil

PID: S1981-52712019000200216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Dias-Lima Silva Ribeiro Bendicho Guedes Lemaire
RESUMO A contemporaneidade e a docência nas áreas de saúde e formação profissional, tem se transformado e evoluído nos últimos tempos, com a introdução das metodologias ativas no processo ensino-aprendizagem, nas instituições de ensino superior no Brasil. Essas metodologias ativas de aprendizagem, como a ABP, Aprendizagem Baseada em Problemas, são utilizadas com a finalidade de que estudantes da área da saúde adquiram o conhecimento de forma significativa, em relação ao ensino tradicional. A educação médica no Brasil tem sido assunto de muitas discussões sobre a formação profissional em saúde e vem passando por significativas mudanças nos últimos anos. O presente artigo tem por objetivo relatar uma experiência docente no ensino de graduação em Medicina, nos componentes curriculares Mecanismo de Agressão e Defesa I e II (MADs), na Universidade do Estado da Bahia – Campus I. MADs é um componente curricular atualmente presente em diferentes cursos da área de saúde do Brasil. Este componente é composto pelas disciplinas microbiologia, parasitologia, imunologia e patologia, lecionado de forma integrada. Foram aplicadas metodologias ativas de ensino, do tipo aprendizagem baseada em problemas (ABP), que abrangeram sessões tutoriais, atividades em laboratórios, apresentações científicas e o uso de filmes. Além disto, foram utilizados recursos lúdicos e a ferramenta MOODLE no campus virtual. Esta proposta teve início no ano de 2012 e vem sendo aplicada a partir desta data até os dias atuais. A experiência vivenciada nas MADs, com a utilização de variadas formas de metodologias de ensinagem, tem permitido “romper” com o tradicional, isto é, tem levado o discente a desenvolver habilidades, competências e construção dos saberes. Estas novas alternativas de ensino nos permitiu uma interação mais ampla entre a relação discente-docente e nos fez refletir e avançar no processo avaliativo, que tem sido realizado de forma ampla e processual. Além disso, um impacto positivo para sua formação pode ser observado. No que se refere ao processo de ensino, aprendizagem e avaliações, novas propostas pedagógicas devem ser inseridas priorizando o caráter formativo e de desenvolvimento dos discentes, para que haja a construção de competências necessárias ao perfil estabelecido pelas DCNs, Diretrizes Curriculares Nacionais, do curso de Graduação em Medicina e demais cursos de saúde.

Bioquímica e Função Renal: Utilizações de Sequências Didáticas com Enfoque Investigativo para Reaproximação de Conceitos Específicos

PID: S1981-52712019000500404 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Magalhães Oliveira Ponce Zuliani
RESUMO As propostas de ensino atuais envolvem estratégias de ensino que auxiliam e incentivam a construção do conhecimento, fazendo com que o aluno seja um participante ativo do processo de aprendizagem, e têm sido alvo de diversas pesquisas. Este artigo relata, aula a aula, uma sequência didática realizada com alunos em fase inicial de formação, aplicada à primeira turma do curso de Ciências Médicas da USP – Bauru, que propõe em seu projeto pedagógico o Aprendizado Baseado em Problemas (PBL) como principal estratégia de ensino. Nesta sequência didática, utilizamos atividades experimentais investigativas. A característica principal de uma sequência didática que inclui atividades investigativas é seu processo evolutivo gradual, com o objetivo de entrelaçar a perspectiva científica e as concepções dos estudantes por meio de atividades de ensino-aprendizagem bem planejadas, contextualizadas e empiricamente adaptadas ao raciocínio do aluno. O objetivo deste trabalho é compartilhar uma vivência assertiva da aplicação de uma sequência didática de caráter investigativo contextualizada, que envolveu conceitos que foram desde as propriedades químicas mais simples das biomoléculas/íons até a associação e discussão de um caso clínico hipotético envolvendo proteinúria. Essa fisiopatologia consiste na excreção de proteína na urina, principalmente albumina, e ocorre quando há algum dano nos rins. Sendo assim, a dosagem da fração proteica na urina (albuminúria) é utilizada principalmente para detecção precoce de doença renal crônica e pode ser também um instrumento para o diagnóstico de doenças cardiovasculares. Portanto, deve-se estar atento aos possíveis elementos interferentes e às variadas causas de erros inerentes a esse exame. Desta maneira, por meio de um recurso didático que envolve atividades experimentais investigativas contextualizadas, tendo como questão problematizadora um caso de proteinúria, pudemos nos reaproximar de conceitos específicos e valorizar os saberes procedimentais e atitudinais, o que é importante para os alunos nesta fase de formação. Nesta proposta, os alunos foram protagonistas do processo de aprendizagem, no qual puderam levantar e testar suas hipóteses, interligando conhecimentos e adquirindo habilidades e competências específicas, o que possibilitou uma reflexão sobre a importância dos fundamentos e aplicações das ciências básicas. O propósito das sequências didáticas investigativas e contextualizadas é formar sujeitos autônomos, que saibam tomar decisões e trabalhar emequipe, seguros e críticos, compreendendo como os saberes científicos evoluem e estão relacionados.

Classificação dos Grupos de Interesse Especial (SIGs) da Rede Universitária de Telemedicina (Rute) em Grupos Homogêneos com base em Sua Produção em Comunicação, Cooperação e Coordenação (3C)

PID: S1981-52712019000500036 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Brito Lopes Meireles Moraes Messina Haddad Pisa
RESUMO Introdução A Rede Universitária de Telemedicina (Rute) é uma iniciativa que visa, no Brasil, promover a integração em telemedicina e telessaúde de hospitais universitários, hospitais certificados de ensino, faculdades de Medicina e profissionais da área da saúde por meio de infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação e dos grupos de interesse especial (SIGs). Nesses grupos, que são criados e coordenados por instituições integrantes da Rute, profissionais de saúde e pesquisadores planejam uma agenda de videoconferências e/ou webconferências para debater temas específicos. Este artigo apresenta resultados da classificação dos SIGs da Rute em grupos homogêneos com base em sua produção em comunicação, cooperação e coordenação (3C). Métodos Foi realizado um inquérito com coordenadores dos SIGs entre abril e maio de 2016. A classificação dos SIGs em grupos homogêneos considerou as atividades desenvolvidas na rede entre 2007 e o momento da aplicação do inquérito. O estudo é retrospectivo, baseado em dados históricos das unidades, instituições e SIGs. Os coordenadores de 71 SIGs Rute foram convidados a responder. Desses, 45 SIGs ativos responderam ao inquérito de avaliação por completo e foram considerados nas análises. Resultados Quase um terço dos coordenadores respondentes (35%) declarou que seus SIGs atuam no eixo ensino, 21% atuam nos eixos de assistência e pesquisa, desenvolvimento e inovação, enquanto 12% atuam em gestão e 11% em avaliação. Foi feita a classificação dos SIGs em três grupos homogêneos – colaboração emergente, colaboração em desenvolvimento e colaboração plena – e identificado que, fora das sessões, 71% dos 45 SIGs (11 do grupo colaboração emergente e 20 do grupo em desenvolvimento) usam correio eletrônico como principal ferramenta de comunicação. Quatro SIGs do grupo colaboração plena indicaram: uso de serviço de mensagens instantâneas (1 SIG), site próprio (1 SIG) e redes sociais (2 SIGs). Conclusão Os resultados deste estudo podem não aferir com precisão a real produção e colaboração que os SIGs desenvolvem. Sugere-se, portanto, apreciar esta análise como um ponto de partida ou um referencial para a comunidade Rute. Porém, os resultados indicam que o desenvolvimento da colaboração na Rute e nos SIGs verificado nas análises é significativo, apontando uma evolução positiva para a Rute quanto ao interesse, participação e divulgação de ações em telemedicina e telessaúde no País.

Competência Cultural: uma Resposta Necessária para Superar as Barreiras de Acesso à Saúde para Populações Minorizadas

PID: S1981-52712019000500082 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Gouveia Silva Pessoa
RESUMO O reconhecimento das características culturais dos grupos sociais e de suas diferentes necessidades e concepções do processo saúde-doença, segundo Starfield, é um importante atributo derivado da atenção primária: a competência cultural. Por meio desse atributo, é possível desenvolver laços fortes com as pessoas e famílias alvo dos cuidados em saúde, obtendo-se maior satisfação, diagnósticos mais precisos e maior adesão ao tratamento. Mesmo num país como o Brasil, que ainda oferece um sistema de saúde universal e gratuito, populações minorizadas – por etnia, identidade de gênero, orientação sexual ou condição socioeconômica – enfrentam barreiras de acesso a esses serviços e apresentam piores indicadores de saúde. Tanto o profissional de saúde, quanto o usuário podem pertencer a vários grupos culturais simultaneamente, de acordo com sua identidade de gênero, idade, etnia, região, religião, orientação sexual, profissão ou papel que desempenha na família, classe social, bem como de outras características, e manifestar-se de maneiras culturalmente distintas em diferentes situações. É importante que o médico de família e comunidade reconheça que possui um conjunto de premissas e valores fundamentais que influenciam seu comportamento e sua interpretação do que é dito pelo outro. Devido a essa complexidade, esses aspectos devem ser considerados na discussão do processo saúde-doença e da construção de um plano de cuidados compartilhado. Este ensaio discute o desenvolvimento da competência cultural como uma resposta às barreiras de acesso à saúde para populações minorizadas no contexto da medicina de família e comunidade, com base na literatura. Foi realizada uma revisão exploratória do tema, que também identificou objetivos de aprendizagem e estratégias de ensinagem que podem ser incorporadas aos programas de residência em medicina de família e comunidade, visando colaborar com a sistematização do ensino desta competência, respeitando-se as especificidades regionais. Ele ainda aponta a necessidade de mudanças institucionais para incentivar e valorizar a prática da competência cultural, com disponibilização de tempo e infraestrutura para o desenvolvimento dessa competência pelos profissionais da atenção primária.

Comunicação de Más Notícias: Ferramenta Essencial na Graduação Médica

PID: S1981-52712019000500314 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Vogel Silva Ferreira Machado
RESUMO A comunicação é um processo dinâmico e aberto. No âmbito da saúde, engloba desde a transmissão de mensagens, até a obtenção de informações. “Má notícia” pode ser considerada como toda a informação que envolva uma mudança drástica e negativa na vida da pessoa e na perspectiva do futuro. Conceder más notícias ao paciente inclui desde um diagnóstico de uma doença terminal, até doenças que interfiram em sua qualidade de vida. No Brasil, há uma problemática sobre esse assunto, pois há pouca inclusão da comunicação de más notícias na grade curricular , como também pouca prática da utilização de métodos de comunicação. Isso impacta diretamente tanto na vida profissional e pessoal do futuro médico, quanto na relação com o paciente. O presente estudo, transversal descritivo, teve como objetivo descrever a compreensão de acadêmicos do sexto ano e residentes do primeiro ano de medicina ao lidar com a comunicação de más notícias. O estudo foi conduzido nas cidades de Joinvile e Jaraguá do Sul.O estudo foi submetido à apreciação ética conforme as normas brasileiras e aprovado. Nosso A amostra constituiu-se de 63 participantes; os dados foram coletados por questionário entre abril e setembro de 2018, e expressos de forma descritiva por meio da frequência de cada resposta. Destacam-se como resultados que a tarefa considerada mais difícil pelos entrevistados foi a de conversar sobre o fim de tentativa de tratamento curativo; 61% consideram-se razoáveis na habilidade de contar más notícias; e envolver o familiar ou paciente na tomada de decisão é o fator mais difícil durante a discussão. Além disso, 74% dos participantes desconheciam algum método de comunicação e 44% acreditam que aulas práticas com pacientes reais seria uma forma efetiva de aprendizado. Conclui-se que o despreparo para mediar tais situações implica em condutas heterogêneas que poderiam ser evitadas com um melhor treinamento durante a graduação.

Conhecimento de Alunos de Medicina do Centro Universitário do Estado do Pará sobre a Residência Médica

PID: S1981-52712019000100032 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Oliveira Barreto Furlaneto Borges Neto
RESUMO A residência médica (RM) é um curso de pós-graduação cujo ensino se baseia principalmente na prática voltada a determinada especialidade. Ao decidir se especializar, o acadêmico de Medicina precisa entender como funciona o processo de seleção, o número de vagas, as fases, a necessidade de se matricular em um curso preparatório para residência, quais as especialidades de cada serviço, seus pontos negativos e positivos, entre outros aspectos. Dessa forma, este estudo tem como objetivo identificar o conhecimento de alunos de Medicina do Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA) sobre a residência médica, as principais fontes de informação a respeito do assunto e as lacunas nesse conhecimento. Foi realizado um estudo observacional do tipo transversal, exploratório, de caráter descritivo e analítico, com uso de um questionário próprio, com 259 acadêmicos do curso de Medicina do CESUPA. Observou-se que 99,6% dos participantes desejam cursar residência médica, tendo a maioria se declarado com baixo e médio conhecimento sobre o tema (49% e 42%, respectivamente). Mais de 60% já realizaram algum tipo de pesquisa sobre o assunto, sendo a internet a fonte de informações mais utilizada. Foi identificado que apenas 6,6% dos participantes sabem corretamente o número de fases obrigatórias do processo seletivo e 89,6% acham necessária a realização de curso preparatório. Conclui-se que ainda existem lacunas no conhecimento dos acadêmicos de Medicina a respeito dos programas de residência médica, devendo este assunto ser mais explorado no meio acadêmico mediante intervenções que possam ampliar os horizontes dos alunos, deixando-os mais aptos e críticos no momento de decidir onde irão fazer a residência médica e como irão se preparar para ela.

Conhecimento do Acadêmico de Medicina sobre Cuidados Paliativos

PID: S1981-52712019000500286 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Orth Haragushiku Freitas Hintz Marcon Teixeira
RESUMO Introdução O envelhecimento da população mundial traz consigo o aumento de doenças crônicas, sem ser acompanhado de melhoria na qualidade de vida ou do enfrentamento das enfermidades. Nesse contexto, os cuidados paliativos se enquadram como um modelo interdisciplinar que visa garantir o cuidado integral ao ser humano. Em contrapartida, a busca incessante pela cura pode resultar em um sentimento de negação e derrota frente à finitude da vida. Durante o processo de graduação médica, é necessário abordar essa temática para que os futuros profissionais se sintam adequadamente preparados e seguros, proporcionando o melhor para seus pacientes. Objetivo Avaliar o conhecimento sobre cuidados paliativos dos acadêmicos do internato do curso de graduação em Medicina da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), campus Tubarão. Método Realizou-se um estudo transversal por meio de questionário autoaplicável com 39 questões, agrupadas em 12 questões sociodemográficas e 27 questões objetivas sobre cuidados paliativos. A coleta de dados ocorreu de março a junho de 2018. Foram utilizados os testes de qui-quadrado (X2), exato de Fisher, razão de verossimilhança, Anova e teste de Tukey. O nível de significância estatística adotado foi de 5%. Resultados Participaram do estudo 188 acadêmicos, 56,9% do sexo feminino, com faixa etária prevalente entre 21 e 25 anos. Caso fossem pacientes oncológicos, 3,2% (6) dos entrevistados prefeririam a decisão de tratamento tomada somente pelo médico, sendo que, destes, 83,3% (5) eram do sexo masculino (p = 0,04); 49,5% (93) dos entrevistados se declararam preparados para enfrentar o processo de morte e luto, sendo que, destes, 54,8% (51) eram do sexo masculino (p = 0,005); 80,3% (151) dos acadêmicos negaram ter adquirido habilidades para comunicar más notícias, sendo que, destes, 62,9% (95) eram do sexo feminino (p < 0,001). O décimo semestre do curso apresentou a melhor média de acertos em questões relacionadas à farmacologia do tratamento da dor. A maioria dos acadêmicos considerou importante incorporar conteúdos sobre cuidados paliativos ao currículo, porém 68,1% não tinham interesse em atuar nessa área. Conclusão O ensino sobre a temática de cuidados paliativos durante a graduação de Medicina da Unisul resultou em um conhecimento adequado dos acadêmicos do internato, porém se observa dificuldade frente ao processo de morte e insegurança na abordagem de comunicações e na atitude médica. É necessário aprimorar o ensino de competências e habilidades na área, enfatizando o cuidado universal centrado no paciente e não somente na cura de doenças, bem como mobilizar esforços a fim de incentivar a autoestima dos acadêmicos.

Conhecimento dos Alunos de Medicina sobre Oftalmologia

PID: S1981-52712019000300100 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Abreu Abreu Paulino Pierre
RESUMO Este ensaio foi feito com base em um estudo descritivo que visou avaliar o conhecimento de alunos de Medicina sobre Oftalmologia. Por meio do aplicativo Survey Monkey, foi aplicado um questionário composto por 20 questões que foram respondidas por graduandos do primeiro ao sexto ano de Medicina. A análise dos dados coletados indicou aumento do nível de conhecimento acerca da Oftalmologia de acordo com o ano cursado na faculdade, ou seja, estudantes do quinto e sexto anos têm maior propriedade no assunto e também alunos que optaram pela opção de Oftalmologia como futura especialização. Além disso, um dado importante que se apresentou neste estudo foi que, embora tenham conhecimento de patologias oftalmológicas importantes, os alunos não têm plena familiaridade com o manejo de emergências e condutas oftalmológicas como médicos generalistas no pronto-socorro.

Conhecimento dos Discentes sobre Aleitamento Materno em um Curso Médico

PID: S1981-52712019000200058 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Frazão Vasconcelos Pedrosa
RESUMO O aleitamento materno é uma prioridade global em virtude dos inúmeros benefícios que oferece à saúde das crianças, suas mães e à sociedade. Como as taxas de aleitamento materno no mundo estão aquém do desejado, as instituições formadoras têm a responsabilidade social de preparar os profissionais de saúde para o ensino e a promoção do aleitamento materno. Este estudo propôs identificar a progressão do conhecimento sobre aleitamento materno em um curso médico. Teve abordagem descritiva, quantitativa e de corte transversal. Consistiu na aplicação de um questionário sobre aleitamento materno a todos os discentes matriculados no curso de Medicina de uma universidade de Alagoas. Foram excluídos da amostra os discentes do primeiro e 12º períodos que participaram da validação semântica do instrumento utilizado – Encuesta sobre Conocimientos en Lactancia” (ECoLa) –, originalmente redigido na língua espanhola. Após ter sido submetido a um processo de validação semântica, ele foi disponibilizado integralmente por meio de mídia eletrônica. Em seguida, realizou-se uma análise documental do curso de Medicina (PPC, ementas de disciplinas, planos de curso) e se identificou onde o tema estava inserido. Foram encontrados conteúdos referentes ao tema aleitamento materno no segundo, quarto, quinto e décimo períodos do curso. O questionário aborda áreas de conhecimento como fisiologia, saúde pública, aleitamento nos primeiros dias, problemas tardios, avaliação da mamada, condição materna e atitude. Observou-se que, nos três primeiros períodos do curso, os índices de acertos do questionário se mantiveram estáveis (45,61%, 39,04%, 41,13%), e não houve diferença significativa entre eles (p > 0,05). A progressão entre um período e outro ocorreu de forma significativa entre o terceiro (41,13%) e o quarto período (61,13%), com aumento do índice de acertos em 20%. Nos demais períodos, do quarto ao 12º, houve pouca variação nos índices, sem diferença significativa entre eles (p > 0,05). Visualizando cada área de conhecimento do estudo, nota-se que há muito a ser feito para promover o ensino sobre aleitamento materno durante o curso médico. Várias metodologias inovadoras podem favorecer o aprendizado dos profissionais da saúde. Sugere-se abordar o tema do primeiro ao último período do curso, de forma gradual e com crescente complexidade, para que os egressos possam contribuir para aumentar a taxa de aleitamento materno na comunidade que vão assistir.

Corpos (Não) Controlados: Efeitos dos Discursos sobre Sexualidades em uma Escola Médica Brasileira

PID: S1981-52712019000300016 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Raimondi Teixeira Moreira Barros
RESUMO As conquistas dos movimentos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) estabeleceram uma tensão na sociedade que sugere serem irreversíveis suas conquistas, inclusive em termos de visibilidade e recusa ao silenciamento. O cenário de redemocratização e a luta contra o preconceito e a discriminação, assim como pelos direitos humanos e acesso à saúde para todos, compõem alguns dos objetivos desses movimentos. Entretanto, a ideia ainda recorrente da impureza da homossexualidade, que posiciona o sujeito gay como “ser perigoso” reatualiza o estigma e a discriminação com base na suposta “contaminação presumida” do HIV/aids. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo analisar os efeitos dos discursos sobre as (homo)sexualidades e o HIV/aids na formação médica. Por meio da autoetnografia performática, foi desenvolvida uma análise nas intersecções do self nos coletivos, do eu nas culturas, do agente nas agências, a partir de cenas (auto)etnográficas e da observação participante nos vários cenários de ensino-aprendizagem de uma escola médica pública brasileira. Observamos que, embora proscrito desde a CID 10, o diagnóstico de “homossexualismo” segue sendo produzido e produzindo efeitos por meio da solicitação sistemática e sem evidências de investigação do HIV/aids na formação médica. Assim, compreendemos que ainda há certa cultura hegemônica heterossexual-homofóbica na formação e no cuidado em saúde que atualiza o circuito da exclusão, dominação, colonização e subjugação do sujeito homossexual pela reiterada relação “ser gay – ter HIV/aids”. Com os encontros e as experiências vividas aqui analisadas, explicitam-se visceralmente as disputas e os enfrentamentos no currículo, na esfera do cotidiano e em nossa própria consciência e prática diária para a produção de espaços que considerem outras possibilidades de existência para além da somente hegemônica heterossexualidade branca masculina. Concluímos, também, que foram e ainda continuam sendo abertas várias disputas na formação e atuação médicas, evidenciando que “não estamos sozinhos”. Muitos(as) de nós estamos comprometidos(as) com a tentativa de construir outros modos de ensinar e cuidar, guiados por performances – escritas e corporificadas – de inclusão e resistência, cujo objetivo é expor, desafiar e transformar narrativas desumanas contra a população LGBT e a opressão em geral.

Cuidados Paliativos: Prática dos Médicos da Estratégia Saúde da Família

PID: S1981-52712019000300062 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Ribeiro Poles
RESUMO Com o avanço do conhecimento científico e aumento da expectativa de vida, criou-se a ilusão de que o ser humano é imortal. Ademais, existe uma deficiência na educação médica atual, que forma profissionais tecnicistas e sem preparo para cuidar de um paciente com doença grave e incurável. Por volta da metade do século XX, surgiram movimentos voltados para a humanização dos atendimentos em saúde, que levavam em consideração a integralidade do indivíduo. Cuidado paliativo é uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças que ameacem a continuidade da vida, por meio do alívio do sofrimento, tratamento da dor e de outros sintomas de natureza física, psicossocial e espiritual. Considerando que esse tipo de cuidado pode ser oferecido em diferentes contextos, ressalta-se que a Atenção Primária em Saúde é uma possibilidade recente para a assistência em cuidados paliativos. Entretanto, ainda existe uma dificuldade dos serviços de Atenção Primária no Brasil em oferecer essa modalidade de assistência. Assim, a pesquisa teve como objetivo compreender a percepção dos médicos da Estratégia Saúde da Família acerca dos cuidados paliativos. Trata-se de estudo descritivo, com abordagem qualitativa, em que foi utilizada a metodologia da análise temática. Os participantes foram 16 médicos que atuam nas Unidades Estratégia Saúde da Família do município de Lavras, Minas Gerais. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada. Com base na análise dos dados identificou-se que os médicos possuem conhecimento incipiente sobre o conceito de cuidados paliativos e que, embora tenham tido algum tipo de experiência com esse tipo de paciente, apresentam dificuldade para abordá-lo de maneira holística. Isto se deve, principalmente, à deficiência na formação acadêmica, que ainda privilegia o conhecimento biomédico e a cura das doenças em detrimento do alívio do sofrimento humano. Conclui-se que é imprescindível abordar o tema durante a formação médica, bem como discuti-lo entre os profissionais já atuantes nos serviços de saúde para que seja possível proporcionar melhor qualidade de vida e de morte.
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