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Curricularização da Extensão Universitária no Ensino Médico: o Encontro das Gerações para Humanização da Formação

PID: S1981-52712019000500672 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Almeida Barbosa
RESUMO Este trabalho relata uma experiência de curricularização da extensão universitária no curso médico que teve como objetivos conduzir ações de extensão com vistas ao bem-estar de idosas de uma Instituição de Longa Permanência (ILP), bem como desenvolver habilidades do médico honesto, íntegro, cuidadoso, altruísta e empático consigo, com os “idosos” e com os pares envolvidos nas ações. O modelo usado para organização das atividades combinou métodos de aprendizagem de habilidades por meio da experiência, reflexão crítica sobre as experiências, ambiente de pequeno grupo para suporte e validação e programa longitudinal coeso para desenvolvimento total. As atividades foram vivenciadas em grupos de 12 integrantes, supervisionados por um professor com visitas semanais à ILP de agosto a dezembro de 2018. O modelo utilizado mostrou-se útil para o desenvolvimento de características humanísticas almejadas nos indivíduos em formação. O envolvimento em todas as etapas do processo e o comprometimento com o bem-estar da população selecionada indicam que a curricularização cumpriu seu papel de proporcionar aos estudantes o desenvolvimento de consciência cidadã em paralelo à formação técnica. A instituição de ensino superior deve oferecer continuamente ações para que os estudantes desenvolvam plenamente seu lado humano e preservem as características observadas no contato com a população idosa.

Cursos Preparatórios para os Exames de Residência e a Evasão dos Cenários de Prática: Cadê o Interno que Estava Aqui?

PID: S1981-52712019000100105 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: André Melo Lima Brienze Werneck Fucuta
RESUMO Embora não seja obrigatória, a residência médica faz parte do processo de ensino e da formação dos médicos e é considerada padrão ouro na modalidade de ensino de pós-graduação lato sensu. Entretanto, o número de vagas para residência médica não acompanhou a expansão dos cursos de graduação em Medicina, gerando uma intensa disputa por uma vaga nos cursos de residência, o que fez proliferar os cursos preparatórios para os exames de residência (CP). A evasão do interno de Medicina de suas atividades acadêmicas para se dedicar às atividades dos cursinhos preparatórios para os exames de residência médica preocupa os docentes. Este estudo tem por objetivo traçar um perfil no internato da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) sobre a adesão dos internos aos CP. Os resultados apontam que a imensa maioria dos 297 alunos pesquisados pretende fazer residência médica e que apenas 27 alunos (84,4%) dos 32 que consideravam o curso de preparação necessário, mas não dispunham de recursos financeiros para frequentá-los. Os entrevistados afirmaram que a maior qualidade dos cursos preparatórios reside na didática das aulas e que a maior desvantagem destes é a dissociação entre conteúdo teórico e prático, também vivida no internato. Concluímos que a percepção dos internos e acadêmicos de Medicina é bem definida quanto aos cursinhos preparatórios para residência médica. Apesar de aderirem à prática destes cursinhos, sabem que há uma dicotomia entre a teoria e a prática oferecida no internato, o que prejudica a formação profissional. A grande maioria dos acadêmicos pesquisados pretende fazer a residência médica após o internato, dando continuidade aos estudos e ao aprendizado. Por outro lado, a atual conjuntura do mercado de trabalho na área da medicina, marcada por uma concorrência acirrada, e as exigências constantes de atualização e aperfeiçoamento levam os acadêmicos a verem na residência o único caminho natural após o internato e ainda uma alternativa para sanar as possíveis deficiências do internato. Mudanças na graduação sugeridas pelos pesquisados, como melhor didática em aulas da graduação e a abordagem de conteúdo teórico durante o internato, refletem a deficiência da graduação e do internato, a qual pode ser sanada com uma postura mais assertiva de professores e preceptores.

Desafios Associados à Formação do Médico em Saúde Coletiva no Curso de Medicina de uma Universidade Pública do Ceará

PID: S1981-52712019000200114 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Custódio Peixoto Arruda Vieira Sousa Ávila
RESUMO A implementação do Sistema Único de Saúde (SUS) acarretou a emergência de processos de qualificação de recursos humanos em saúde, o que engendrou a necessidade de construir as concepções curriculares no campo educacional da saúde no Brasil. Assim, o campo da Saúde Coletiva (SC) emerge como profícuo no desenvolvimento da discussão multirreferencial em saúde, no âmbito da educação, formação e trabalho. Este estudo objetivou analisar a percepção de docentes do curso de Medicina de uma universidade pública do Ceará sobre os desafios da formação médica em Saúde Coletiva. Trata-se de um estudo de caso com abordagem qualitativa, realizado com emprego da técnica de grupo focal. Foi conduzida uma sessão de grupo focal com quatro docentes das disciplinas da área da Saúde Coletiva, sendo o material qualitativo organizado em categorias e processado por meio da Análise Temática. Após a análise, emergiram as categorias: preconcepções dos discentes sobre a Saúde Coletiva; infraestrutura e preparação para uso das metodologias ativas; diálogo entre os docentes das disciplinas do eixo de Saúde Coletiva; interlocução entre a teoria e prática médica; papel ativo do discente na aprendizagem; interdisciplinaridade. Os professores assinalaram o preconceito no início do curso, sendo as novas estratégias didático-pedagógicas, pautadas nas metodologias ativas, fundamentais e mais atraentes e adequadas ao contexto social vigente, estimulando a busca do conhecimento e a melhoria da relação aluno-professor. Ademais, reconheceram a existência de fatores específicos do curso de Medicina que dificultam a aplicabilidade de estratégias didático-pedagógicas: fragilidade da formação pedagógica de grande parte do corpo docente para o exercício da docência, devido à inexistência de uma política de educação permanente e à estrutura física inadequada. Ratifica-se a importância das disciplinas da área da Saúde Coletiva para a formação do médico nessa área no que tange às competências propostas pelas DCN 2014, contribuindo para o agir do médico e para sua organização como parte de uma equipe de saúde. Dessa forma, para qualificar a formação médica, inexoravelmente, não se pode prescindir da inserção da Saúde Coletiva na matriz curricular do curso. Para que isso ocorra, é imprescindível que os conteúdos teóricos estejam atrelados ao contexto social e tecnológico vigente e pautados nas metodologias ativas de aprendizagem.

Desempenho Acadêmico de Estudantes Bolsistas durante o Curso de Medicina

PID: S1981-52712019000300163 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Moreira Passeri Velho Ferraresi Appenzeller Amaral
RESUMO A inclusão, a adesão e o sucesso de estudantes de baixa renda na graduação são metas importantes no ensino superior brasileiro, assim como em outras partes do mundo, principalmente em cursos concorridos e em tempo integral, como o de Medicina. Este manuscrito analisa o desempenho de estudantes de graduação em Medicina, comparando dois grupos: os que se candidataram e receberam uma bolsa de estudos durante os anos acadêmicos (bolsistas) e os demais (sem bolsa). Analisamos dados de 417 estudantes de Medicina que se formaram entre 2010 e 2013, correspondendo a quatro anos de uma coorte retrospectiva, numa universidade pública gratuita no Brasil. A análise estatística foi realizada pelo teste exato de Fisher, o teste t de Student, o de Mann-Whitney e a regressão linear para comparar os escores desses grupos no sexto e décimo segundo semestres (meio e último semestres) e no exame de admissão para programas de residência médica, compostos por: escore total, teste de múltipla escolha para avaliação do conhecimento, avaliação clínica estruturada simulada, entrevista e perguntas escritas. A variável independente foi receber uma bolsa de estudos, enquanto as variáveis de controle foram idade, estratos socioeconômicos, gratificações extras para o ensino médio em instituição pública e autodeclaração de raça, pontuação no vestibular (geral e em cada área avaliada) e escolaridade dos pais. Um total de 243 alunos (58,2%) receberam uma bolsa de estudos, a maioria como bolsa de iniciação científica (217 ou 89,3%), enquanto 10,7% a receberam por assistência social. A renda média per capita foi cerca de 16% menor entre os bolsistas (p = 0,01) em comparação com aqueles que não receberam bolsa. Os estudantes bolsistas obtiveram melhor desempenho acadêmico no sexto (p<0,01) e no décimo segundo (p<0,01) semestres, mas não na admissão em programas de residência médica. O bom desempenho foi independentede idade,raça, recebimento de bônus à admissão na escola médica e formação educacional dos pais. Portanto, concluímos que receber uma bolsa na graduação foi associadoa melhor desempenho dos alunos durante o curso de graduação em Medicina. Enfatizamos a importância de reforçar programas semelhantes, especialmente para ajudar a apoiar os alunos mais vulneráveis socioeconomicamente.

Desenvolvimento Docente: Representações Sociais Construídas por Professores de Escolas Médicas

PID: S1981-52712019000200176 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Almeida Maia Hoffman Barbosa Sampaio Ramos Rodrigues Neto
RESUMO O desenvolvimento docente visa apoiar educadores em diversas funções nas áreas de ensino, pesquisa, extensão, gestão e avaliação. O objetivo deste estudo foi avaliar o desenvolvimento docente a partir das representações sociais construídas pelos professores de um curso de medicina. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, na qual o método de análise utilizado foi análise do discurso e, como aporte teórico, as representações sociais. Foram selecionados doze professores aleatórios e uma entrevista semiestruturada foi conduzida para a coleta de dados. As respostas, gravadas em áudio, foram transcritas e a análise do discurso foi realizada com o objetivo de mapear as representações sociais construídas pelos sujeitos. As representações sociais foram agrupadas em duas categorias: Desenvolvimento Institucional e Desenvolvimento Pessoal. Na categoria Desenvolvimento Institucional, três subcategorias foram identificadas: Princípios orientadores dos Programas de Desenvolvimento docente, Estratégias de Ensino-aprendizagem utilizadas em Programas de Desenvolvimento docente, e Competências a serem desenvolvidas pelos docentes, e em Desenvolvimento Pessoal, identificaram-se duas subcategorias: Desenvolvimento como pessoa e como ser social e Desenvolvimento profissional. Muito embora uma variedade de representações sociais tenha sido construída em relação à docência em educação médica ao longo dos anos, somente nas últimas décadas o desenvolvimento docente se tornou um maior foco nas reflexões dos gestores de instituições educacionais e dos professores. No presente estudo, observou-se que para o desenvolvimento docente ser efetivo, é necessário que o educador queira aprender; no entanto, é essencial ter o reconhecimento e apoio institucional. Os Programas de Desenvolvimento Docente devem ser flexíveis e adaptáveis para atender às necessidades da instituição e dos professores e encorajar a reflexão sobre a própria prática, o intercâmbio de experiências, o desenvolvimento de relações interpessoais e a colaboração. No entanto, é vital identificar e facilitar o desenvolvimento de lideranças e avaliar sistematicamente o processo e os resultados alcançados, a fim de incentivar o desenvolvimento das carreiras acadêmicas dos professores, pois esta pode ser uma forma de profissionalizar o ensino. Portanto, é necessário que os gestores e professores possam sustentar uma missão compartilhada para alcançar recursos, se adaptar às mudanças, buscar a excelência na liderança da organização em um contexto nacional e internacional e, consequentemente, favorecer uma educação médica de qualidade.

Desenvolvimento e Avaliação de uma Plataforma Colaborativa Digital para Educação e Tomada de Decisão Médica Baseada em Evidências

PID: S1981-52712019000500513 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Santos Sztajnberg Machado Nobre Souza Savassi
RESUMO O processo de educação para tomada de decisão médica tem passado por mudanças nos últimos anos. Anteriormente suportada por material impresso, a resolução de problemas da prática clínica passou a contar recentemente com a ajuda de ferramentas digitais conhecidas como plataformas de sumários. Médicos e estudantes de Medicina têm utilizado tais ferramentas quando têm dúvidas encontradas nos cenários de prática. Essas plataformas apresentam como vantagem a presença de conteúdo de alta qualidade, baseado em evidências e sempre atualizado. Sua popularização deu-se sobretudo com a ascensão do uso da internet e, mais recentemente, de dispositivos móveis como tablets e smartphones, facilitando seu uso na prática clínica. Apesar de amplamente disponíveis, a maioria das plataformas atuais apresenta diversas barreiras de acesso, como custo, idioma estrangeiro e não ser adaptada à epidemiologia brasileira. Uma plataforma gratuita e totalmente nacional de sumários médicos baseados em evidências foi proposta, por meio do conceito da construção colaborativa, para contornar essas barreiras. Além disso, foram implementados conceitos de gamificação. Também há a possibilidade de avaliação pelos próprios usuários, que atribuem notas a cada conteúdo desenvolvido. A plataforma foi construída mediante ferramentas tecnológicas modernas e disponibilizada para web e aplicativo para dispositivos móveis. Após o desenvolvimento, um processo de avaliação foi conduzido pelos pesquisadores para atestar a validade do conteúdo, a usabilidade e a satisfação dos usuários. Foram aplicados questionários e ferramentas de avaliação consolidados na literatura. O processo de desenvolvimento da plataforma digital fomentou a interdisciplinaridade, por intermédio do envolvimento de profissionais da área médica e de tecnologia da informação. O trabalho também permitiu a reflexão sobre os processos educacionais inovadores, nos quais o aprendizado fundamentado em problemas da vida real e a construção de conhecimento de forma colaborativa estão integrados. Osresultados da avaliação apontam que a plataforma criada pode se tornar uma alternativa factível para tomada de decisão médica baseada em evidências.

Desenvolvimento e Validação de Instrumento para Avaliação das Competências Gerais nos Cursos da Área da Saúde

PID: S1981-52712019000500598 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Matia Almeida Esteves Ribeiro Coelho
RESUMO A avaliação das competências gerais nas graduações da área da saúde permanece desafiante. Objetivos Desenvolver um instrumento para apoiar os docentes na avaliação das competências gerais dos graduandos de cursos da área da saúde; testar a confiabilidade do instrumento com professores e estudantes do mesmo campo de atuação; validar o instrumento de competências gerais, direcionado aos professores e graduandos da área da saúde. Métodos A pesquisa foi do tipo metodológico, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa nº 826.770. Foram realizadas a validação de constructo, a de critério e a de conteúdo com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e na busca de referencial teórico, além de testes estatísticos como alfa de Cronbach, test t, valor de p, análise fatorial, correlação do coeficiente de Pearson e Akaike information criterion (AIC), que também garantiram a confiabilidade. O estudo foi desenvolvido em uma instituição de ensino superior de Curitiba (PR), nos cursos de Enfermagem, Biomedicina, Farmácia, Psicologia e Medicina, sendo a sua população composta de 50 avaliações de estudantes e 50 de professores, o que contemplou todos os períodos e cursos em andamento no segundo semestre de 2014. Resultados Foi possível a confecção de um modelo com três versões de instrumentos que avaliam as competências gerais para os cursos da área da saúde. A primeira englobou as competências gerais de 10 cursos da área da saúde, que se subdividem em: atenção à saúde, tomada de decisões, comunicação, liderança, administração e gerenciamento e educação permanente. A segunda e terceira versões contam com três dimensões, atenção à saúde, gestão em saúde e educação em saúde, voltadas para as competências gerais da nova formulação das DCNs do curso de Medicina. As três versões contam com um instrumento voltado para o professor e outro, espelho, dirigido ao estudante. Conclusão Para validar o instrumento sobre competências gerais, direcionado aos professores e graduandos de cursos da área da saúde, foram utilizadas, no que se refere ao seu conteúdo, a busca de referencial teórico, as DCNs e a avaliação de experts; para a validação de critério, o teste t, o teste χ2e a correlação de coeficiente de Pearson; e para validade de constructo, os testes estatísticos de análise fatorial exploratória e confirmatória e o AIC. Para validade de conteúdo, recorreu-se aos mesmos passos descritos para o primeiro objetivo, a fim de garantir a confiabilidade dos instrumentos, e empregaram-se o alfa de Cronbach e o AIC. Após esse processo, foi possível o desenvolvimento de três versões do instrumento, sendo as duas primeiras para utilização de professores e para professores e estudantes em conjunto; e a versão 3 foi apropriada para professores ou estudantes e ainda para professores e estudantes em conjunto, porém ela pode ser utilizada por todos os cursos da área da saúde estudados.

Desenvolvimento e Validação de um Aplicativo Móvel para o Ensino de Eletrocardiograma

PID: S1981-52712019000500157 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Lima Coelho Medeiros Kubrusly Marçal Peixoto Júnior
RESUMO Introdução A interpretação do eletrocardiograma (ECG) é fundamental para a identificação de doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de morte no mundo. A aquisição dessa competência é essencial na formação do médico generalista, e o uso de novas ferramentas de ensino, apoiadas na tecnologia, como o mobile learning, pode facilitar a aquisição desse conhecimento. Objetivos Este estudo teve por objetivo desenvolver e avaliar a usabilidade e a potencialidade para o uso em educação médica de um aplicativo móvel de ensino para interpretação do ECG. Métodos Com a participação de dois professores da área da saúde e um da computação, um analista de sistemas, um programador e um designer gráfico, foi desenvolvido um aplicativo móvel para ensino da interpretação do ECG, utilizando-se a linguagem Java. Para análise de validação foram empregados um questionário de avaliação da usabilidade baseado no System Usability Scale (SUS) e um questionário utilizado para avaliar a adequação de softwares para uso em educação médica, previamente traduzido para o português e aplicado no Brasil. Resultados Foi desenvolvido o aplicativo “ECG Fácil” para uso off-line e de acesso gratuito nas plataformas iOS e Android. Na fase de validação do aplicativo, 109 discentes tiveram acesso livre ao aplicativo móvel durante seis semanas e depois avaliaram a usabilidade por meio de questionário baseado no SUS. As respostas ao questionário mostraram boa confiabilidade, conforme a análise de validação pelo coeficiente alfa de Cronbach (valor: 0,74), e o aplicativo apresentou excelente aceitação, com escore médio de 85,3 na escala SUS. Enquanto isso, 15 docentes avaliaram o aplicativo por meio do questionário utilizado para avaliar a adequação de softwares para uso em educação médica, tendo a maioria concordado com os itens que indicam que ele é adequado ao uso em educação médica. Conclusão O aplicativo “ECG Fácil” foi considerado de boa usabilidade pelos alunos e adequado à finalidade educacional pelos professores. Estudos futuros com esse aplicativo serão necessários para avaliar a aquisição e a retenção de conhecimento sobre a interpretação do ECG pelos alunos.

Dimensão dos Problemas Éticos Implicados na Educação Médica

PID: S1981-52712019000400099 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Garcia-Jr Verdi
RESUMO O ensino médico necessita passar por adaptações continuamente em suas diretrizes curriculares de acordo com as demandas sociais. Trazer à tona o tema dos problemas éticos no ensino médico é lançar mão de um possível artifício para contribuir com o entendimento das necessidades variantes da população brasileira. O objetivo deste trabalho é analisar os problemas éticos vivenciados por discentes e docentes do curso de Medicina da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Trata-se de uma pesquisa qualitativa. Os participantes do estudo foram estudantes do primeiro ao sétimo período do curso de Medicina e professores da instituição. Os dados foram coletados por meio de grupos focais com os discentes e de entrevista coletiva com os docentes. A análise dos dados coletados se deu pela codificação e categorização por análise temática de conteúdo. Os discentes ponderam que enfrentar os problemas éticos da formação médica remete à necessidade de aprender a lidar consigo mesmo e difundir o debate e o estudo da ética no curso de Medicina. Os docentes consideram como ações de enfrentamento dos problemas éticos: (1) empoderamento dos discentes para enfrentar as forças repressivas; (2) fortalecimento de práticas de tomadas de decisão coletivas no âmbito dos espaços institucionais; (3) formação continuada dos professores; (4) valorização de docentes com uma formação alicerçada no planejamento e ações de cunho coletivo e vinculadas às Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Medicina. A identificação do conhecimento acerca da temática reflete a inseparável relação entre os saberes dos docentes e discentes e a institucionalização do ensino médico no que diz respeito a problemas éticos. Estes estão presentes em todos os períodos do curso de Medicina analisados, ainda que nem sempre ditos ou visíveis e, portanto, transversais às disciplinas curriculares e aos espaços de práticas, direta ou indiretamente. Os participantes da pesquisa apontam as incongruências existentes na formação, com discrepâncias entre teoria e prática, desde as relações entre docente e discente até as relações entre instituição e docente/discente.

Diminuição do Estigma sobre Transtorno Mental após Internato em Psiquiatria do Curso de Medicina de Duas Instituições em Fortaleza (CE)

PID: S1981-52712019000400141 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Feijó Motta Saldanha Kubrusly Augusto
RESUMO Historicamente, várias doenças são causadoras de estigma. O estigma e o preconceito em torno da doença mental existem amplamente em todo o mundo e pesquisas têm mostrado que a população em geral tem conhecimentos limitados sobre doenças mentais. Entre os transtornos mentais, a esquizofrenia é uma das mais estigmatizadas. Os estudantes de Medicina, por também fazerem parte da sociedade, não ficam imunes ao estigma em relação a pessoas com transtornos mentais. Vários estudos sugeriram que a educação psiquiátrica do estudante de Medicina, principalmente as experiências que envolvem contato direto com o paciente, como o internato, pode ter um impacto positivo, como no engajamento direto ao atendimento do paciente, interesse em participar de outras atividades como terapia grupal, gerenciamento de casos, além do entendimento de que pacientes com condições psiquiátricas podem ser tratados com sucesso. A maioria dos médicos, no entanto, recebe pouco treinamento ao interagir com pacientes com doenças mentais. Geralmente sentem-se desconfortáveis ou ineficazes ao se comunicarem com eles, mesmo sobre queixas físicas. O objetivo deste estudo foi avaliar se o estágio do internato em um hospital psiquiátrico de Fortaleza diminui o estigma dos alunos de Medicina em relação à doença mental. Foi aplicado o questionário validado AQ-9 aos estudantes de Medicina no período inicial do estágio do internato em Psiquiatria e repetida a mesma avaliação no final do período. Do total de 88 estudantes, observou-se que 37 (42%) eram do sexo masculino e 51 (58%) eram do sexo feminino. A média de idade foi de 24,68 anos. Pôde-se observar que houve diferença entre os três primeiros domínios do AQ-9, que evidenciaram, respectivamente, uma diminuição significativa em piedade (p = 0,029), periculosidade (p = 0,004) e medo (p < 0,001). Admite-se que existe estigma na população de estudantes analisada e que o estágio em Psiquiatria do internato de duas faculdades de Medicina estudadas reduziu significantemente três dos nove domínios avaliados. Apenas o gênero como dado sociodemográfico influenciou o resultado. Alunos do sexo feminino apresentaram maior média do que os alunos do sexo masculino em relação ao domínio medo, enquanto os alunos do sexo masculino apresentaram maior média do que os alunos do sexo feminino em relação ao domínio segregação. Fortalece-se a importância do estágio em Psiquiatria durante o internato para além do aprendizado técnico, já que o mesmo tem a capacidade de diminuir o estigma em relação aos pacientes psiquiátricos, principalmente os pacientes esquizofrênicos.

Do Burnout à Estratégia de Grupo na Perspectiva Balint: Experiência com Residentes de Pediatria de um Hospital Terciário

PID: S1981-52712019000200032 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Pastura Barboza Albernaz Fernadez
RESUMO A síndrome de burnout (esgotamento) atinge mais de 70% dos médicos residentes em todo o mundo. Apesar dos dados alarmantes, ainda podemos caracterizá-la como uma doença negligenciada. Alguns trabalhos descrevem estratégias de enfrentamento do problema, porém poucos serviços as adotam na prática. Objetivo Determinar a prevalência da síndrome entre residentes de Pediatria de um hospital terciário brasileiro e descrever a estratégia de grupo psicodinâmico implementada localmente com base nos resultados. Metodologia Estudo de prevalência transversal com aplicação da escala Maslach Burnout Inventory aos residentes, seguida de planejamento e execução de um projeto piloto de intervenção, de grupo, na perspectiva Balint. Resultados De 23 residentes de primeiro e segundo ano de Pediatria em dezembro de 2016, 95% eram do sexo feminino, a média de idade era de 27 anos, e a média da carga horária trabalhada era de 75 horas semanais, sendo que apenas três residentes se dedicavam exclusivamente à residência médica. Encontramos uma prevalência de 87% de residentes que apresentavam critérios para síndrome de burnout, sendo 74% com exaustão, 57% com baixa realização profissional e 39% despersonalizados. O grupo de intervenção ocorreu entre maio e dezembro de 2017 com outros seis residentes de primeiro ano que atendiam no Ambulatório Geral de Pediatria às sextas-feiras. A periodicidade foi de uma hora a cada 15 dias. A participação foi voluntária, e os encontros aconteciam segundo o conceito de “espaço protegido”. As discussões eram baseadas em casos clínicos e abordavam também a relação médico-família e as dinâmicas hospitalares. Conclusão A elevada prevalência da síndrome de burnout deste trabalho não foi uma novidade frente aos dados da literatura nacional e internacional. Estabelecemos, porém, uma discussão local que resultou numa estratégia que visa ao bem-estar dos residentes e proporciona oportunidade de aprendizado do reconhecimento das reações pessoais, dos pacientes e de toda a equipe de saúde. Entendemos que os benefícios se dão, finalmente, na qualidade da assistência oferecida aos pacientes.

E o Passado é uma Roupa que Não nos Serve Mais: uma Reflexão sobre Integração Ensino-Saúde-Comunidade em Curso Médico do Nordeste

PID: S1981-52712019000500007 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Souza Correia Araújo Wanderley Machado
RESUMO A formação médica, assim como a sociedade brasileira, tem passado por importantes transformações. Tais mudanças buscam atender as demandas sociais e sanitárias contemporâneas, sobretudo no que diz respeito a uma formação voltada à realidade sociossanitária local. Em razão disso, a formação deve buscar desenvolver competências, habilidades e atitudes em um cenário de integração do ensino com a saúde e a comunidade. O curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, campus Arapiraca, iniciado no ano de 2015, resulta do processo de expansão das escolas médicas do País e do processo de interiorização das ações dessa universidade. O curso está estruturado em três eixos (tutoria, habilidades médicas e integração ensino-saúde-comunidade). Neste texto, pretende-se apresentar o processo de trabalho do eixo de Integração Ensino-Saúde-Comunidade (Iesc), seus principais avanços e os desafios envolvidos no processo de formação. O Iesc tem como missão promover a aproximação entre o acadêmico e a realidade sociossanitária local a fim de garantir uma formação médica capaz de oferecer uma assistência integral, respeitosa, ética, crítica e humanística, considerando o sujeito e o contexto em que está inserido, sua cultura, crença, hábitos e costumes. Em 2017, para cumprir sua missão, o eixo reestruturou o currículo do curso de modo que a formação ocorra no ciclo básico (primeiro e segundo anos), passando pelo ciclo intermediário (terceiro e quarto anos) e alcançando o internato (quinto e sexto anos). Nossa experiência tem mostrado que o aprendizado significativo deve nascer da prática, isto é, do processo de experimentações com a realidade. É nítido o maior envolvimento dos nossos estudantes quando incluímos atividades com finalidades práticas bem definidas. Nossa sistemática de trabalho envolve reuniões mensais, quando são discutidos os principais problemas e elaboradas estratégias de condução do eixo, padronização de cadernos de curso e estratégias avaliativas, processo de formação continuada dos docentes, como parte do plano bianual de qualificação e inclusão de avaliação por parte dos acadêmicos, com o semestre em curso. A variedade de estratégias pedagógicas, todas ancoradas nas metodologias ativas de ensino-aprendizagem, contribui para o maior envolvimento dos nossos estudantes nas aulas. Os principais desafios são consolidar a inserção na rede de saúde local e qualificar o corpo docente no uso de metodologias ativas em todos os processos de aprendizagem.

Educação Médica e Formação na Perspectiva Ampliada e Multidimensional: Considerações acerca de uma Experiência de Ensino-Aprendizagem

PID: S1981-52712019000100072 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Santos Júnior Misael Silva Gomes
RESUMO A fragmentação curricular e a separação entre as diversas dimensões da formação médica têm sido responsáveis por incitar o debate sobre a necessidade de lançar mão de estratégias que promovam maior proximidade entre o que se ensina nos cursos de graduação em Medicina e o que, de fato, faz parte do dia a dia dos profissionais de saúde em seus campos de trabalho. Dessa forma, diversas são as propostas de atualização do currículo que vêm sendo discutidas no âmbito das escolas médicas e demais setores envolvidos com a formação profissional. Assim, o presente trabalho tem por objetivo descrever vivências e contribuições das ações realizadas durante o desenvolvimento de dois eixos disciplinares do curso de bacharelado em Medicina da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), os quais centram suas propostas em promover a articulação entre ensino, serviço e comunidade, inserindo o discente do primeiro ano do referido curso em cenários do Sistema Único de Saúde (SUS). Quanto à metodologia, trata-se de um trabalho do tipo “relato de experiência”, e, para a sua construção, foram empregadas as reflexões dos autores-participantes das disciplinas acerca das ações por eles experimentadas. Utilizando fundamentos advindos da Saúde Coletiva e das ciências humanas e sociais, as experiências pedagógicas e métodos de aprendizagem proporcionados foram capazes de levar os alunos a entenderem, na prática, o funcionamento do SUS e suas dimensões política e administrativa, além de fazerem reflexões acerca dos conceitos de saúde-doença a partir da inserção em vivências práticas na comunidade. Tais atividades configuraram experiências altamente enriquecedoras e espaços privilegiados de formação acadêmica e cidadã para o futuro da atuação profissional em medicina. Ademais, fornecem ferramentas efetivas para a aplicação do que as Diretrizes Curriculares Nacionais preconizam para uma formação médica alinhada às necessidades da comunidade e do SUS.

Educação em Saúde em Grupo no Tratamento de Obesos Grau III: um Desafio para os Profissionais de Saúde

PID: S1981-52712019000500681 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Soeiro Valente Cortez Mesquita Xavier Lobo
RESUMO A obesidade tem se apresentado como sério problema de saúde pública mundial devido à magnitude que seus números alcançaram nos últimos anos. Diante do quadro de aumento do sobrepeso e obesidade no município do Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMSRJ), com o apoio técnico do Instituto de Nutrição Annes Dias (INAD), implementou em julho de 2011 o primeiro Centro de Referência em Obesidade (CRO) no bairro de Acari. Este serviço oferece tratamento clínico ambulatorial para usuários com obesidade grau III (também conhecida como obesidade mórbida), com consultas individuais, assim como atendimentos em grupo, e também funciona como apoio especializado, contribuindo para ampliação da capacidade de atuação das equipes da Atenção Primária à Saúde (APS) com esse perfil de usuários através de uma equipe multiprofissional composta por educador físico, enfermeiro, médico endocrinologista, nutricionista e psicólogo. Neste contexto, a partir das experiências vivenciadas no CRO o objetivo do estudo é realizar uma revisão da literatura sobre a importância das atividades de educação em saúde em grupo no tratamento de indivíduos obesos grau III e como os profissionais de saúde tem lidado com esse tema nas publicações dos últimos 5 anos. Metodologia Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de acordo com a estratégia PICO (participantes, intervenção, contexto e resultados), cuja coleta dos dados foi realizada entre outubro e novembro de 2018, nas bases de dados Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Web of science, SciVerse Scopus, PUBMED e Bases de Dados em Enfermagem (BDENF). Resultados A partir da análise dos 11 artigos selecionados no estudo foi possível identificar três temáticas relevantes para a discussão: Rede de apoio aos usuários em tratamento, A Atenção primária à saúde e atividades em grupo no tratamento de obesos grau III, implementação de serviços especializados e qualificados no atendimento desse público. Conclusão As evidências mostram que a função da equipe de saúde em relação ao cuidado desse perfil de usuários vai além de orientações e informações e que o desenvolvimento e a implementação de serviços e/ou tratamentos voltados para obesos grau III constituem desafios significativos, e necessitam de profissionais qualificados na configuração de equipe multidisciplinar atuando de forma interdisciplinar que conscientizem o usuário a assumir o protagonismo de seu tratamento. E para isso, as atividades educativas em saúde em grupo, são ferramentas importantes para promoção de autonomia e compartilhamentos de experiências na busca por qualidade de vida relacionada à saúde.

Educação médica de graduação via web em um ambiente virtual de aprendizagem utilizando uma abordagem pedagógica original: um estudo observacional longitudinal

PID: S1981-52712019000100097 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Magalhães Li
RESUMO Contexto A educação médica assíncrona via web, em Ambientes de Aprendizagem Virtual (AVA), cresceu muito, em virtude de suas diversas vantagens. Há várias configurações e métodos de instrução disponíveis. As propostas existentes são pouco estruturadas e/ou não são efetivamente utilizadas para o ensino de habilidades de diagnóstico para estudantes de graduação em Medicina, no Brasil. É necessário um método instrutivo robusto, com características pedagógicas positivas. Assim, propomos um método pedagogicamente estruturado para AVA, que inclui uma leitura inicial motivadora (Crônica Médica – CM) e um programa de construção de conhecimento, utilizando casos reais juntamente com recursos audiovisuais (Oficina Diagnóstica – OD). Objetivamos verificar a aceitação e a eficácia do método proposto na melhoria da capacidade diagnóstica dos estudantes de Medicina, em longo prazo. Métodos Foi desenvolvido um questionário de opiniões, dois materiais CM/OD e dois questionários de Conhecimento e Habilidades Diagnósticas (CHD) sobre acidente vascular encefálico e epilepsia. Dois grupos de estudantes de Medicina foram acompanhados neste estudo observacional longitudinal, em 2013. Os alunos responderam ao CHD1 e participaram de uma aula teórica tradicional, sobre um dos tópicos. Eles também acessaram um AVA para realizar o método CM/OD sobre um dos dois temas. O mesmo questionário (CHD2 e CHD3) foi aplicado, respectivamente, um mês e cinco-seis meses após o CHD1. Analisamos a média CHD1 de todos os alunos e as médias pareadas nos três momentos, dos que acessaram e daqueles que não acessaram o AVA. O questionário de opiniões foi aplicado e analisado por estatística descritiva. Resultados Oitenta e sete alunos participaram, mas seis foram excluídos por não responderem a todos os questionários. A média geral do CHD1 foi de 1,59 (desvio-padrão 0,71). Dos 81 participantes, 66 (81,5%) acessaram o AVA, mostrando melhora significativa nas habilidades de diagnóstico no CHD2 (média 5,65, p <0,05) e CHD3 (média 4,57, p < 0,05), com variações não significativas para aqueles que não acessaram. A CM foi considerada pelo menos boa para 62 alunos (94%), e 52 alunos (78,8%) julgaram que o gabarito disponível foi suficiente para sanar todas as dúvidas da OD. Conclusões O método CM/OD no AVA provou ser eficaz para melhorar a capacidade de diagnóstico dos estudantes de graduação em Medicina, em longo prazo, e foi bem aceito pelos alunos. Ele apresenta várias características pedagógicas positivas e pode ser replicado.

Educação para o Processo do Morrer e da Morte pelos Estudantes de Medicina e Médicos Residentes

PID: S1981-52712019000200005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Santos Pintarelli
RESUMO Introdução O processo do morrer e da morte é um tema gerador de reações distintas entre estudantes de medicina e médicos residentes, que são influenciados por suas experiências pessoais e profissionais prévias, bem como questões culturais, psicológicas, religiosas e outras. Objetivo Avaliar a educação de estudantes de medicina (EM) do Curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (CM-UFPR) e de médicos residentes (MR) do Hospital de Clínicas da UFPR (HC-UFPR) sobre a temática do morrer e da morte. Método Estudo observacional quantitativo. Foi elaborado um questionário autoaplicável composto por 28 perguntas de múltipla escolha para avaliar a educação sobre o processo do morrer e da morte, com elementos adaptados do Frommelt Attitude Toward Care of the Dying Scale Form B (FATCOD-B Scale). Resultados 805 EM responderam ao questionário de pesquisa (74,6% do total de alunos, matriculados no primeiro semestre de 2016) e 93 MR (73,8% do total de residentes de especialidades clínico-cirúrgicas, matriculados no ano de 2016). O relato de experiência de contato com pessoas em processo de morte aumentou, progressivamente, durante a maior parte dos períodos do CM, atingindo a quase totalidade de residentes de primeiro ano e a totalidade daqueles mais graduados, em todas as especialidades. Durante o curso de medicina, 40,1% dos estudantes e 51,1% dos médicos residentes receberam algum tipo de formação pedagógica para o processo do morrer e da morte. A influência da afiliação religiosa na educação para a morte foi admitida por 54% dos EM e 44,3% dos MR. 58% dos EM e MR referiram os sentimentos de frustração e impotência após as mortes de pacientes. O contato com pacientes em processo de morte gerou diversos sentimentos nos EM e MR, incluindo tristeza, angústia, esfriamento, aumento da sensibilidade, amadurecimento profissional, entre outros. Conclusão EM e MR relataram ter recebido escassa formação sobre a morte durante a faculdade, e suas percepções acerca do tema são influenciadas por múltiplos aspectos, como a religiosidade. O contato com a morte desperta reações igualmente diversificadas. Mais estudos são necessários para aprofundar a complexidade dessa temática no âmbito da formação médica.

Egressos de um Mestrado Profissional em Saúde da Família: Expectativas, Motivações e Contribuições

PID: S1981-52712019000400005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Viniegra Silva Aguiar Souza
RESUMO O modelo de assistência à saúde pautado na Estratégia Saúde da Família, criada no início da década de 1990, incentivou mudanças no ensino na saúde, evidenciando a necessidade de criar cursos de pós-graduação lato e stricto sensu voltados para capacitar profissionais que fomentem a atenção integral à saúde. Avaliações periódicas são realizadas e estimuladas pela Capes/MEC a fim de manter a qualidade dos cursos de pós-graduação, mas ainda são escassas as avaliações de cursos de mestrado profissional em saúde da família, cujo ensino é recente. Objetivos Descrever o perfil acadêmico, contribuição, motivações e expectativas de egressos de um mestrado profissional em Saúde da Família. Método Por meio de estudo transversal e quantitativo, foram analisados resultados de 102 questionários respondidos por egressos do Mestrado Profissional em Saúde da Família da Universidade Estácio de Sá (RJ) que concluíram o curso no período de 2007 a 2012. O instrumento foi constituído de perguntas abertas e fechadas, enviado por e-mail e disponibilizado na internet através da plataforma eletrônica Survey Monkey. O estudo avaliou idade, sexo, procedência regional, formação acadêmica, bem como as contribuições, expectativas e motivações relacionadas ao curso. Resultados Predominou o sexo feminino e maiores de 30 anos de idade, com egressos oriundos de 13 estados da federação, provenientes, em sua maioria, dos cursos de Medicina e Enfermagem. A contribuição do mestrado na vida profissional foi avaliada como ótima ou excelente por 77% dos entrevistados. As expectativas quanto ao curso foram bem avaliadas, e os principais motivos para a busca do mestrado foram aprimoramento técnico-científico e satisfação pessoal, não sendo significativas as respostas sobre busca por melhores salários ou vínculo empregatício. Conclusão O curso foi avaliado positivamente pelos egressos, tendo superado suas expectativas, alcançado os interesses que os levaram a buscar o aprendizado, ocasionando mudanças na vida pessoal e profissional. Uma análise longitudinal do impacto do mestrado profissional na carreira dos egressos demandará uma sequência de estudos semelhantes, como vem sendo estimulado pela Capes/MEC em anos recentes.

Ensinando a Anamnese Psiquiátrica para Estudantes de Medicina através da Inversão de Papéis: Relato de Experiência

PID: S1981-52712019000200200 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Torres Smaira Vellozo Trench Lovadini Lima
RESUMO Introdução Tem havido um renovado interesse pela temática da relação médico-paciente e dos valores humanitários na formação dos estudantes de Medicina, pois a capacidade de sentir empatia pelos pacientes é considerada um dos pilares da boa prática médica. A inversão de papéis é uma técnica derivada do psicodrama que pode favorecer o desenvolvimento da capacidade empática na relação médico-paciente. Objetivo Relatar a experiência de ensino-aprendizagem da anamnese psiquiátrica no curso de Semiologia em Psiquiatria com alunos da terceira série do curso médico da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), utilizando a inversão de papéis como principal método pedagógico. Método Relato de experiência. A atividade é desenvolvida em cinco etapas distintas, mas inter-relacionadas: (1) leitura e estudo autônomos da apostila de propedêutica psiquiátrica; (2) realização da anamnese em três grupos de 15 alunos, em que estes alternam o papel de médico (entrevistador) e paciente (entrevistado); (3) realização de uma anamnese completa com um colega de turma, alternando-se também o papel de paciente e de médico; (4) realização, pela mesma dupla, da anamnese psiquiátrica com um paciente internado no hospital geral universitário; (5) discussão das anamneses realizadas, atividade em que os alunos assumem o papel do paciente entrevistado para relatar, em primeira pessoa, os dados obtidos na entrevista. Resultados Os alunos mostram-se colaborativos, participando com interesse de todas as etapas da atividade, que parece favorecer não apenas o aprendizado específico da anamnese psiquiátrica, mas também a capacidade empática pelos colegas e pacientes. Nas discussões, atenção especial é dada às descobertas e dificuldades vivenciadas pelos estudantes nessas atividades práticas, assim como aos sentimentos experimentados em cada uma das etapas do processo. A atitude do preceptor de ouvir e acolher com respeito todos os relatos, dúvidas e manifestações afetivas dos alunos procura ser um modelo de postura de acolhimento sem julgamento dos problemas e sentimentos dos pacientes, postura fundamental para o estabelecimento da aliança terapêutica. Conclusão A inversão de papéis pode auxiliar os estudantes de Medicina no aprendizado da anamnese psiquiátrica, assim como no desenvolvimento da empatia, habilidade essencial à prática médica de boa qualidade.

Ensino Baseado na Evocação do Conhecimento em Aulas de Neuroanatomia

PID: S1981-52712019000400092 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Sanders Ponte Viana Júnior Peixoto Junior Kubrusly Leitão
RESUMO As faculdades de Medicina são continuamente desafiadas a desenvolver modalidades de ensino que melhorem a compreensão e a retenção do conhecimento anatômico. Tradicionalmente, a aprendizagem tem sido considerada como a codificação de novos conhecimentos, enquanto a evocação tem sido considerada apenas um meio para avaliar a aprendizagem. Pesquisas demonstram que a prática da evocação do conhecimento é uma maneira de promover um aprendizado robusto, durável e transferível para novos contextos. Isso implica que os alunos deixem de lado o material que estão aprendendo e pratiquem ativamente reconstruí-lo por conta própria. Um desafio geral é desenvolver maneiras de implementar a aprendizagem baseada em evocação em ambientes educacionais. Desenvolvemos uma abordagem pedagógica que implementa a aprendizagem baseada em evocação em aulas práticas de neuroanatomia, que difere do ensino usual de neuroanatomia, na medida em que envolve ativamente os alunos na aprendizagem. Requer que os estudantes recuperem conhecimentos anatômicos em forma oral e escrita, bem como identifiquem estruturas em material cadavérico. As aulas práticas de anatomia tradicionalmente se baseiam na exposição passiva dos estudantes ao material de cadáveres, com o professor apontando e nomeando estruturas anatômicas. Desde agosto de 2014, aplicamos a prática da evocação em aulas de neuroanatomia. Um total de 720 alunos foi incluído no estudo. O desempenho dos alunos uma semana após a aula prática foi melhor no grupo submetido ao método de ensino tradicional do que no grupo de aprendizagem baseada em evocação (p < 0,0001, tamanho do efeito = 0,60). Quatro semanas após a intervenção, no entanto, o desempenho dos alunos que aprenderam usando uma abordagem baseada na evocação foi melhor do que o dos estudantes passivamente expostos ao material de aprendizagem (p < 0,0001, tamanho do efeito = 0,75). Em conjunto, nossos resultados sugerem que o aprendizado baseado em evocação tem um efeito maior na retenção a longo prazo. A aprendizagem baseada em evocação é fácil de aplicar e econômica. Pode ser implementada em praticamente qualquer ambiente educacional. Esperamos que nosso relato possa inspirar os educadores a adotarem abordagens de práticas de aprendizagem por evocação e a buscarem maneiras de aplicar métodos de ensino e aprendizagem derivados da pesquisa sobre educação em salas de aula reais.

Ensinoaprendizagem de Gênero e Sexualidade em um Curso de Medicina no Brasil: promovendo o Cuidado Integral em Saúde e os Direitos Humanos

PID: S1981-52712019000200130 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Raimondi Paulino Hattori Limirio Júnior Silva Zaidhaft
RESUMO Este artigo apresenta a estruturação de uma unidade curricular para a discussão da temática de gênero e sexualidade, bem como os primeiros resultados da implantação dessa discussão em um curso médico de uma Universidade Federal Brasileira. Utilizou-se como eixo de elaboração do artigo o modelo Context / Input / Process / Product (CIPP) de avaliação de programas para apresentar a estruturação dessa unidade curricular e a heterogeneidade de percursos e caminhos para a sua efetivação (etapas 1, 2 e 3 do CIPP), bem como os primeiros resultados da implementação dessa discussão em um curso médico (etapa 4 do CIPP). Na etapa 1, realizou-se uma análise documental do projeto pedagógico curricular da escola médica em estudo; nas etapas 2 e 3, fez-se uma narrativa descritiva do processo de planejamento e implementação da unidade curricular a partir do Arco de Paulino & Raimondi para o ensinoaprendizagem das políticas públicas em interface com o cuidado para os cursos da saúde; na etapa 4, aplicou-se aos discentes um questionário de preenchimento voluntário retrospectivo pré/pós-intervenção, com questões fechadas, por meio de uma escala Likert de sete pontos, a fim de avaliar a percepção discente sobre o aprimoramento de suas competências relacionadas às questões de gênero e sexualidade no cuidado em saúde com base nessa experiência pedagógica. Nesta etapa, fez-se uma análise estatística descritiva e inferencial, utilizando-se o teste t de Student, o cálculo do tamanho do efeito (d de Cohen) e o modelo linear geral de delineamento misto a fim de determinar se há diferença significativa entre os gêneros antes e depois da intervenção de cada uma das perguntas. Os resultados mostram que a intervenção/unidade curricular desenvolvida por meio do Arco de Paulino & Raimondi foi estatisticamente significativa, com grande impacto no aprimoramento de competências relacionadas a essa temática, na perspectiva discente, o que foi mais evidente no gênero feminino. Conclui-se que essa estratégia pedagógica se mostrou potente na educação das profissões da saúde para promover a integralidade no cuidado em relação às questões de gênero e sexualidade a partir do aprimoramento de competências relacionadas às questões de gênero e sexualidade no cuidado em saúde, promovendo, assim, os princípios do SUS, de justiça social e direitos humanos.
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