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Espiritualidade e Formação nos Programas de Residência em Saúde de uma Cidade no Nordeste Brasileiro

PID: S1981-52712019000300082 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Jordán Barbosa
RESUMO Introdução Evidências da literatura mostram a influência da espiritualidade na saúde dos indivíduos. No entanto, poucas instituições de ensino em saúde no Brasil incluem a temática em seus conteúdos programáticos. Essa realidade é ainda mais evidente ao tratarmos de programas de especialização ou residência na área da saúde. Objetivo Analisar a abordagem de conteúdo relacionado à espiritualidade nos programas de residência da Secretaria de Saúde da cidade do Recife (Sesau-Recife). Método O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em pesquisas sob o Parecer no 2.136.503. Trata-se de um estudo exploratório, descritivo, com abordagem combinada, que envolveu a análise dos Projetos Político-Pedagógicos por meio de roteiro de análise documental e entrevistas com residentes e preceptores de oito programas de residência da Sesau-Recife, utilizando um roteiro de entrevista semiestruturada. As informações coletadas foram analisadas segundo a proposta de Minayo. Resultados e discussão Na análise documental não foi encontrado conteúdo sobre espiritualidade. Nas entrevistas, o conteúdo coletado foi categorizado em: conceitos; espiritualidade baseada em evidências; espiritualidade e cuidado; espiritualidade e finitude; espiritualidade e formação. Na análise foi observado que os preceptores e residentes, em sua maioria, não conhecem os conceitos, as evidências e a aplicabilidade da espiritualidade na prática clínica e na formação em saúde. Os entrevistados demonstraram interesse em capacitação na temática e consideraram relevante a inclusão da espiritualidade no conteúdo dos programas. Conclusão A abordagem da espiritualidade em cursos de saúde vem crescendo rapidamente no cenário internacional e de forma mais lenta, porém presente, no cenário nacional. Essa realidade inclui de forma mais contundente os cursos de graduação. Ao se tratar de pós-graduação, no entanto, pouco se avançou. Os programas de residência da Sesau-Recife são um exemplo desta assertiva, visto que não contemplam, ao menos de forma oficial, conteúdos de espiritualidade em seus programas. Neste sentido, visto o benefício que traz para os indivíduos, recomenda-se a inclusão da espiritualidade nos conteúdos oficiais desses programas.

Estresse e Residência Multiprofissional em Saúde: Compreendendo Significados no Processo de Formação

PID: S1981-52712019000400157 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Silva Moreira
RESUMO Durante o processo de formação, os residentes multiprofissionais em saúde estão expostos a eventos estressores que podem comprometer sua trajetória profissional. Este estudo avaliou o estresse de pós-graduandos do Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde (RIMS) em uma maternidade-escola, como também buscou compreender os significados atribuídos pelos residentes diante desse processo. A pesquisa compreendeu duas abordagens metodológicas, quantitativa e qualitativa, de forma complementar. Assim, participaram deste estudo 26 sujeitos, distribuídos de forma equivalente entre o primeiro e o segundo ano do Programa de Terapia Intensiva Neonatal. Para coleta de dados, foram aplicados os seguintes instrumentos: ficha de identificação, que abordou questões socioculturais, Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos de Lipp (ISSL), além de um questionário com questões abertas. Para análise dos resultados, foram realizadas a tabulação e a análise das frequências, utilizando-se o programa PSPP, versão 1.0.1. Na abordagem qualitativa, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo de Bardin. Verificou-se que 96,2% dos pesquisados apresentaram estresse. Destes, 72% estavam na fase de resistência e 28% na quase exaustão, predominando os sintomas psicológicos (68%). A análise qualitativa permitiu identificar que a sobrecarga de atividades e a escassez de articulação entre teoria e prática foram fatores desafiadores no cotidiano da formação. Além disso, em relação aos fatores gratificantes vivenciados durante a residência, o trabalho interdisciplinar e o reconhecimento do trabalho por parte do usuário foram considerados, pelos residentes, vivências gratificantes. Já a dificuldade de reconhecimento do trabalho por parte da equipe, a preceptoria e a mão de obra barata foram vistas como fatores relacionados a sentimentos de frustração. É indispensável elaborar políticas públicas a fim de aprimorar os projetos pedagógicos dos Programas de Residência Multiprofissional em Saúde (PRMS), contribuindo para a saúde física e mental dos residentes.

Estresse em Estudantes ao longo da Graduação Médica

PID: S1981-52712019000500246 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Kam Toledo Pacheco Souza Santana Bonfá-Araujo Custódio
RESUMO O estresse corresponde a uma resposta física, psíquica e hormonal que ocorre quando o organismo necessita se adaptar frente a uma situação desafiadora. É uma das respostas mais recorrentes no meio acadêmico devido à rotina exaustiva e conteúdo denso que exigem responsabilidade e competitividade dos estudantes. Na graduação médica, somam-se a estes fatores a preocupação do estudante em aprender o conteúdo discutido em aulas e a pressão exercida pelos próprios acadêmicos, além da cobrança da sociedade. Diante da relevância do tema, este estudo teve como objetivo avaliar a ocorrência do estresse durante a graduação médica em acadêmicos de uma universidade privada da região do Alto Tietê, no Estado de São Paulo. Foram aplicados dois instrumentos de pesquisa, o Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos de Lipp (ISSL) e a Escala de Estresse Percebido (PSS), em 420 estudantes (67,14% do sexo feminino) matriculados entre os ciclos básico (primeiro e segundo ano) e profissionalizante (terceiro ao sexto ano). Todos os participantes da pesquisa eram voluntários. De acordo com o PSS, foram verificados maiores níveis de estresse entre os alunos do primeiro ao terceiro ano quando comparados aos discentes do quarto ao sexto ano. O ISSL demonstrou a ocorrência de estresse em 65% dos estudantes. Entre estes, 9,04% se encontravam em fase de “quase exaustão” e 0,95% na fase de “exaustão”, as fases mais elevadas dos níveis de estresse, sendo que a ocorrência de sintomas teve prevalência no sexo feminino. Em todas as turmas analisadas, os alunos do primeiro ao terceiro ano apresentaram maior índice de estresse em relação aos demais, o que pode estar associado à distribuição dos conteúdos curriculares com predomínio de disciplinas conceituais, assim como ao processo de transição de conteúdos teóricos para atividades práticas. Estes resultados podem estar vinculados à adaptação dos alunos à rotina das universidades, às disciplinas cursadas e às obrigações que o ensino superior exige.

Estrutura do Programa em Treinamento de Docência na Residência: Residente como Professor

PID: S1981-52712019000500341 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Feijó Fakhouri Filho Ruffini Nunes Augusto
RESUMO Introdução Na residência médica, os residentes exercem o duplo papel de professor e aprendiz. Treinamentos de como ensinar residentes a exercer a função de docência com qualidade estão sendo implementados em todo o mundo e são denominados programas de Residente como Professor (Resident as Teacher – RaT). De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, pode-se aprender a estabelecer objetivos educacionais e matriz de competência, além de habilidades como comunicação, empatia, mediação de conflitos, entre outras. A implementação desses programas deve ser baseada na compreensão do contexto de cada residência médica na qual se deseja inseri-los, e os residentes também devem conhecer as potencialidades de cada cenário de atuação da sua especialidade para promover uma docência eficaz. Objetivo O objetivo do estudo foi o desenvolvimento de uma estrutura de programa de treinamento de docência (RaT) dividido em módulos e detalhado com suas respectivas referências bibliográficas. Metodologia Realizou-se uma revisão de literatura sobre ensino médico e testaram-se alguns métodos em cenário de prática durante uma dissertação de mestrado, utilizando a técnica SNAPPS, e durante uma tese de doutorado, utilizando a técnica OMP. Resultado Foi construído um programa de treinamento de docência nas residências médicas baseado nos resultados positivos encontrados na literatura sobre ensino médico. Propõe-se que cada módulo tenha a duração de um mês aproximadamente, com atividades de um turno por semana. O formato da discussão pode variar de acordo com cada especialidade e com o número de residentes de cada programa. Sugere-se a realização de flipped classroom (sala de aula invertida) com o envio do referencial bibliográfico de suporte sobre os temas aos residentes por e-mail uma semana antes da realização de cada módulo. Diversas atividades podem ser postas em prática em cada módulo para sedimentação do material estudado. Conclusão Após a estruturação de um roteiro a ser implementado pelos programas de residência médica no Brasil, espera-se que os residentes desempenhem com maior eficácia o papel que muitos já exercem na prática e que consequentemente o nível de aprendizagem dos alunos de graduação e internos melhore.

Existe Alteração em Marcadores Inflamatórios em Estudantes de Medicina após Participação em Programa Mente-Corpo?

PID: S1981-52712019000200079 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Catarucci Bruno Habimorad Beteto Andrews Sandrim Burdmann Patrício
RESUMO Introdução Estudantes do curso de Medicina estão expostos a carga elevada de estresse, desencadeada por terem que lidar com adoecimento e morte dos pacientes, extensa carga horária, privação de sono, competitividade, cobrança, responsabilidade e medo de errar, entre outros fatores. Algumas técnicas e práticas como a meditação têm sido utilizadas para auxiliar no manejo e redução de estresse, já sendo utilizadas em escolas médicas. O estresse pode ativar componentes do sistema inflamatório, desencadeando uma série de doenças. As desordens causadas pelo estresse podem ser mensuradas por meio de marcadores sorológicos, sendo que os biológicos são os principais utilizados. Objetivo Avaliar os efeitos de um programa de práticas mente-corpo, Redução de Estresse e Desenvolvimento da Empatia na Medicina (Redemed©), nos níveis dos marcadores pró- e anti-inflamatórios de estudantes de medicina. Metodologia Trata-se de um estudo quase-experimental, composto por 86 estudantes, sendo 44 do grupo intervenção, que participaram do programa Redemed© com oito encontros semanais, englobando técnicas de meditação e exercícios de vivências interpessoais, e 42 estudantes do grupo controle. Ambos os grupos, antes e após o curso, coletaram sangue para análise dos marcadores: proteína C reativa (PCR), fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa), interleucina 06 (IL06) e interleucina 10 (IL10). Resultados Neste estudo, não foi observada alteração estatisticamente significativa nas citocinas pró-inflamatórias: PCR, TNF-α e IL06. No entanto, a IL-10, que é uma citocina anti-inflamatória, apresentou uma variação positiva e estatisticamente significativa (p: 0,009). Ela tem sido utilizada em estudos com práticas integrativas e complementares a fim de demonstrar seus benefícios. Conclusão O programa Redemed© parece beneficiar os estudantes de Medicina por meio da modulação inflamatória e como grupo de acolhimento no qual eles puderam compartilhar seu estresse e treinar estratégias de enfrentamento. Este estudo, mesmo não tendo encontrado diferença estatística significativa nos marcadores pesquisados, com exceção da IL10, traz à tona este tema importante do grande estresse vivenciado por estudantes de Medicina e a necessidade de as escolas médicas terem maior cuidado com seus alunos, acolhendo e trabalhando o estresse desses estudantes de forma a reduzir e gerenciar melhor este fator de adoecimento em suas vidas.

Facebook® como Ferramenta Pedagógica em Saúde Coletiva: Integrando Formação Médica e Educação em Saúde

PID: S1981-52712019000500652 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Bernardes Dias Pereira Fernandes Raimondi Paulino
RESUMO As mídias sociais conquistaram significativa importância na vida dos jovens contemporâneos, tanto no âmbito pessoal – para informação, divertimento – quanto no coletivo – para se projetarem como seres sociais e compartilharem informações com várias pessoas quase que instantaneamente. Diante disso, docentes da unidade curricular Saúde Coletiva III do curso de Medicina em uma universidade pública de Minas Gerais perceberam a influência do Facebook® na vida dos discentes e utilizaram-no para atingir objetivos de aprendizagem de conceitos e aplicações práticas de promoção em saúde e prevenção de agravos com a comunidade. A experiência foi conduzida durante dois semestres letivos consecutivos, por duas diferentes turmas do curso. Foi criada uma página do Facebook® com a finalidade de promover a saúde da população por meio de postagens criativas, críticas e acessíveis. Os acadêmicos tornaram-se protagonistas da atividade, uma vez que a escolha das temáticas, a busca ativa por fontes científicas de qualidade, a responsabilidade por cada postagem e o gerenciamento da página foram atribuídos a eles, sendo supervisionados pelos docentes. Obteve-se a interação com a comunidade para além da acadêmica, já que a página foi divulgada para atingir a população como um todo, contribuindo para a educação em saúde e consequentemente para a autonomia do cuidado pelos indivíduos. Dessa forma, as postagens dos discentes alcançaram muitos cidadãos, os quais, além de acessarem informações relevantes sobre saúde, podiam tirar dúvidas e fazer comentários sobre o tema. Portanto, a vivência permitiu o desenvolvimento de competências como Comunicação, Liderança, Atenção à Saúde e Administração e Gerenciamento, preconizadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais. Entretanto, existem algumas limitações, como a necessidade de acesso à internet e a smartphones. À luz da vivência, pôde-se concluir que o uso de mídias sociais no curso de Medicina é uma forma efetiva de desenvolvimento de competências e de ampliação e consolidação do conhecimento, sendo os acadêmicos sujeitos fundamentais nesse processo, uma vez que a participação ativa deles é requisitada. Dessa forma, é proposta a replicação dessa experiência em outros ambientes de ensino-aprendizagem em Saúde, não somente pelo curso de Medicina, especialmente com utilização desse recurso pela Atenção Básica, favorecendo a formação de profissionais mais comprometidos com o cuidado integrado da população, em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).

Fatores Associados à Manutenção do Vício de Fumar e do Consumo de Álcool entre Acadêmicos de Medicina em uma Capital do Nordeste do Brasil

PID: S1981-52712019000100055 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Gomes Pereira Santos Pinheiro Alencar Cavalcanti
RESUMO Introdução Há um aumento no consumo de drogas entre os jovens no Brasil. Esse consumo se destaca entre os estudantes universitários, acarretando uma preocupação adicional quando associado aos estudantes da área da saúde. Objetivo Identificar os fatores associados à manutenção do vício de fumar e do consumo de álcool entre acadêmicos de Medicina. Métodos Trata-se de um estudo analítico, de prevalência, envolvendo estudantes de Medicina das quatro escolas médicas da cidade de Fortaleza, Nordeste do Brasil. Foi aplicado um questionário semiestruturado, contendo 46 perguntas objetivas, aos estudantes que cursavam o primeiro ano (S1/S2) durante o ano de 2012 e novamente em 2016, quando esses mesmos estudantes se encontravam no internato (I3/I4). A amostra foi calculada considerando como população do estudo o número máximo de alunos nos dois períodos avaliados.O projeto foi aprovado pelo CEP, por meio do Parecer nº020/2012. Resultados Foram entrevistados 360 estudantes no primeiro momento da pesquisa e 354 estudantes no segundo momento. O consumo de tabaco passou de 17,4% durante o primeiro ano do curso para 28,2% durante o internato (p<0,001). O mesmo ocorreu com o consumo de álcool, que já era elevado no início do curso (84,6%) e aumentou para 92,6% (p<0,001). No primeiro ano do curso, 40,5% dos estudantes referiram já ter se embriagado pelo menos uma vez. Durante a faculdade, esse percentual subiu para 59,5% (RP=1,66; p<0,001). Conclusão O consumo de álcool e tabaco aumentou de forma importante durante o curso de Medicina. Há necessidade de intervenções nos hábitos dos acadêmicos de Medicina com o objetivo de reduzir o consumo exagerado de álcool e a manutenção do tabagismo nesta população.

Fatores que Influenciam a Escolha da Especialização Médica pelos Estudantes de Medicina em uma Instituição de Ensino de Curitiba (PR)

PID: S1981-52712019000200152 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Martins Rodriguez Coelho Silva
RESUMO A escolha da especialidade médica é de suma importância para o estudante de Medicina, uma vez que representa a escolha da sua prática diária. Embora a realização acadêmica, considerações financeiras e preferências de estilo de vida influenciem a escolha, os aspectos intrapessoais têm impacto na decisão do médico. Objetivos Avaliar os principais fatores que influenciam o acadêmico de Medicina na escolha da especialidade médica e identificar as áreas de atuação preferidas pelos estudantes dos quatro primeiros anos de uma instituição de ensino superior de Curitiba (PR). Resultados Dos 397 estudantes, 307 responderam a um questionário previamente elaborado para este estudo, sendo que 291 foram considerados válidos. Duzentos e quatro estudantes são do sexo feminino e 87 do sexo masculino. Os fatores de influência foram comparados entre os estudantes dos diferentes anos e com resultados publicados na literatura. Os principais fatores considerados pelos estudantes nesta decisão foram: conhecimento mais amplo ou específico, contato com o paciente, local de atuação profissional e estilo de vida após a residência médica. Para as mulheres, a pressão do dia a dia durante o exercício da especialidade, a relação a longo prazo com o paciente e a facilidade de emprego foram significativamente mais relevantes na escolha da especialidade do que para os homens. Pai ou mãe médicos influenciam os estudantes na decisão da escolha da especialidade. O perfil financeiro do estudante influenciou a escolha quando relacionado a retorno financeiro a longo prazo, sendo mais relevante para os estudantes com renda familiar mensal entre 6 mil e 15 mil reais ou maior que 20 mil reais. A especialidade de Cirurgia Geral foi a preferida pelos estudantes, com predominância no sexo masculino, seguida de Pediatria, Clínica Médica e Psiquiatria. Conclusões Estilo de vida, local de atuação e retorno financeiro precoce foram considerados igualmente importantes por estudantes de todos os anos avaliados. Devido à grande quantidade de variáveis avaliadas e de fatores que influenciam esta decisão, estudos adicionais são necessários para comparações mais significativas com a literatura disponível.

Feedback Baseado em “Peer Instruction” Melhora a Retenção de Conhecimento em Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712019000300155 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Passeri Mazur
RESUMO Instrução de pares (PI) é um processo interativo de ensino-aprendizagem entre os estudantes e tem sido aplicado em várias universidades em todo o mundo. Essa metodologia de ensino ativa melhora o desempenho dos alunos e sua capacidade de resolver problemas quando realizam atividades com seus colegas. Não há estudos sistemáticos sobre o uso de PI no feedback da avaliação. O objetivo do nosso estudo é identificar se o uso do PI no feedback da avaliação melhora a retenção de conceitos básicos em educação médica. Foram convidados a participar deste estudo 226 estudantes de graduação (segundo ano = 115, terceiro ano = 111) matriculados em uma escola de Medicina no Brasil. Após o exame regular (ER), os alunos do grupo controle (125) poderiam solicitar a revisão de prova de acordo com a rotina do curso, e os alunos do grupo de estudo (101) foram convidados a participar de uma intervenção imediata após o ER com uma sessão de feedback usando-se o método de ensino por instrução de pares. No final do feedback, os alunos responderam novamente ao exame pós-feedback (PFE) para que pudéssemos identificar quaisquer alterações nas respostas em comparação ao exame regular feito antes do feedback. Após seis meses, aplicamos um exame de diagnóstico (DE) para identificar se os alunos mantiveram os conceitos abordados nos exames anteriores. O desempenho dos estudantes dos grupos controle e estudo são estatisticamente diferentes no RE (p = 0,0014) e no DE (p < 0,000). O grupo de estudo demonstrou melhor desempenho em ambos os exames do que o grupo controle. Com a sessão de feedback, usando-se PI imediatamente após o exame, a retenção do conhecimento básico foi de 39%, aumentando em 15%. Os alunos que tiveram feedback de avaliação tiveram a oportunidade de discutir suas dificuldades. Esses alunos apresentaram o maior número de respostas corretas assimiladas e menor assimilação de respostas erradas. Portanto, os alunos que receberam feedback imediato apresentaram menor tendência a cometer os mesmos erros conceituais da primeira avaliação. PI no feedback foi eficaz em melhorar a retenção de conhecimentos básicos em estudantes de Medicina.

Ganho de Conhecimento no Internato Médico em Psiquiatria Não Reduz Estigmatização dos Transtornos Mentais

PID: S1981-52712019000500424 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Araújo Ramos Suarte Coutinho Braga Blanco-Vieira
RESUMO Introdução Considerando a prevalência dos transtornos mentais, é essencial que qualquer médico seja capaz de prestar assistência qualificada e humanizada a pessoas em sofrimento psíquico. No entanto, o usual estigma e a falta de conhecimento no manejo das doenças mentais por parte dos médicos podem representar uma barreira de acesso e ineficiência importante enfrentada pelos pacientes no sistema de saúde. Objetivo Estimar o ganho de aprendizado percebido e a redução de estigma em relação a pessoas portadoras de esquizofrenia por estudantes de Medicina após a exposição ao estágio obrigatório no internato numa escola médica pública no Distrito Federal. Método Estudo quasi-experimental para avaliação de impacto de programa educacional durante o internato médico em saúde mental. A amostra consistiu em 35 estudantes do último ano do curso de Medicina. Foram aplicados questionários para aferição do grau e tipificação do estigma em relação à esquizofrenia e à autopercepção sobre manejo de medicamentos e sobre tratamento de doenças psiquiátricas. Os instrumentos utilizaram uma escala do tipo Likert de três pontos para aferição dos resultados. Os questionários foram aplicados imediatamente antes e após a exposição ao programa educacional, que teve duração de quatro semanas. Os valores médios de autopercepção e estigma foram comparados entre os dois momentos empregando-se o teste t de Student emparelhado. Resultados Não houve mudança significativa do grau de estigmatização nas dimensões avaliadas (estereótipo total, p = .230; preconceito percebido, p = .172; distância social, p = .209; direitos civis, p = .837). Quanto à autopercepção de conhecimento, os valores médios do número de resposta igual a 3 e a soma no momento pós- são significativamente maiores que no momento pré- (p = .007 e p < .0001, respectivamente). Os ganhos não se mostraram associados significativamente com as variáveis demográficas. Conclusão A despeito do ganho em conhecimento, a imersão em saúde mental no internato do curso de Medicina ao longo de quatro semanas não se mostrou eficaz para mudança no estigma. É possível que a curta duração da intervenção implique contato insuficiente com o portador de doença mental para redução do estigma. Sugerimos a realização de novos trabalhos com ampliação da amostra e com desenhos experimentais.

Guia Atualizado sobre Atividades Profissionais Confiáveis (APCs)

PID: S1981-52712019000500712 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Cate
RESUMO Desde a virada do milênio, a Educação Médica Baseada em Competências (EMBC) tornou-se um novo padrão para a formação médica em muitos países. A EMBC foi operacionalizada em estruturas detalhadas de competências que todo médico deve demonstrar na graduação, e estruturas semelhantes foram criadas para especialidades. No entanto, as competências, descrevendo as qualidades que os médicos devem possuir, não se traduzem diretamente nas atividades cotidianas dos médicos. Por essa razão, as Atividades Profissionais Confiáveis (APCs) foram introduzidas. As APCs são unidades de prática profissional que podem ser confiadas aos estudantes, uma vez que demonstram as competências necessárias para executá-las sem supervisão. As APCs se tornaram um tema popular nos programas de EMBC em diferentes países com centenas de publicações em poucos anos. Este trabalho foi escrito para apresentar em língua portuguesa as fortalezas e fragilidades das APCs. Após uma sucinta revisão histórica, expõe-se a razão de as APCs serem uma ponte entre o marco das competências e a prática clínica diária. Enquanto as competências são qualidades dos indivíduos, as APCs são unidades de trabalho. As duas podem ser vistas como duas dimensões de uma matriz, mostrando que quase todas as atividades na área da saúde se baseiam em múltiplas competências, como capacidade de comunicação, colaboração, comportamento profissional e conhecimento de conteúdo. Em continuidade, apresentam-se o modo de elaborar uma tomada de decisão de atribuição como forma de avaliação e os referenciais para os níveis de supervisão. As decisões de atribuição se concentram nos cinco níveis de supervisão que o estudante demanda para realizar uma atividade específica: 1. ao aprendiz é permitido observar; 2. é permitido executar a APC sob supervisão; 3. é permitido realizar a APC com supervisão indireta; 4. é permitido executar a atividade sem supervisão; 5: é permitido supervisionar aprendizes iniciantes. Para os leitores interessados em aplicar esse conceito na prática, é proposto um processo com o passo a passo dentro do desenvolvimento curricular. O artigo conclui com uma revisão do estado da arte do trabalho com as APCs em diferentes disciplinas, profissões e países.

Habilidades em Diagnóstico Radiológico do Interno em Medicina

PID: S1981-52712019000300145 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Miranda Monteiro Pires Miranda
RESUMO Introdução Habilidades de internos em medicina para interpretação de exames radiológicos não são avaliadas nem tampouco conhecidas pela maioria das escolas Médicas. Objetivo investigar o desempenho de estudantes do internato de medicina para interpretação de exames radiológicos de tórax e abdome. Métodos um teste com 10 radiografias não contrastadas de tórax e abdome com diagnósticos simples foi respondido por estudantes de internato (grupo Estudantes, n=50) e médicos (grupo Controle, n=20) e enviado a estudantes de internato por via eletrônica (Grupo Online, n=38). As respostas do grupo Estudantes foram comparadas ao Controle e ao Grupo Online separadamente. Resultados Em apenas 20% casos tanto médicos e estudantes tiveram um rendimento satisfatório, 40% dos casos dos médicos e em 50% dos estudantes o desempenho foi realmente ruim (menos e 40% de respostas corretas) e no restante das respostas o desempenho foi apenas mediano. Os estudantes do grupo Online obtiveram desempenho próximo aos estudantes do grupo Estudantes em 80% das questões. Uma análise ponto a ponto das respostas é cuidadosamente apresentada. Conclusões O desenvolvimento da competência em diagnóstico radiológico deve ser aprimorado. As escolas médicas devem se preocupar em desenvolver intervenções curriculares efetivas para aperfeiçoá-las.

Hipertensão Arterial Sistêmica: a Perspectiva dos Docentes no Ensino Médico

PID: S1981-52712019000400082 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Scholze Scopel Zappelini Duarte Júnior
RESUMO Investigamos as representações sociais dos professores do curso de Medicina de uma universidade no litoral norte de Santa Catarina quanto à abordagem de pessoas com hipertensão arterial sistêmica (HAS) na prática clínica. Realizamos uma pesquisa qualitativa, utilizando entrevistas semiestruturadas para a coleta de dados com oito docentes do curso em uma amostragem de conveniência, representando as grandes áreas envolvidas no internato médico. Os dados foram analisados conforme a metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo, usando como operadores as idéias centrais e expressões-chave. Verificamos que as pessoas com hipertensão chegam aos profissionais de diversas formas: a partir de um achado no exame físico realizado por outros motivos, na revisão de saúde por questões preventivas, em situações de urgência, referências ou com queixas que a pessoa atendida relaciona à pressão arterial elevada. Os docentes identificaram falta de associação entre a HAS e sintomas, atribuindo tal associação às pessoas acometidas, ainda que o discurso dos próprios sujeitos tratasse a HAS como doença mais do que como fator de risco. A má adesão ao tratamento surgiu como limitação das medidas não farmacológicas e farmacológicas, evidenciando-se a dificuldade de justificar as mudanças exigidas na vida das pessoas para lidar com um risco que não se traduz em illness na ausência de complicações associadas. Sugere-se a importância de definir de forma adequada a HAS como um sinal vital e fator de risco na graduação médica, a fim de evitar a promoção da doença e abordar de forma efetiva o problema por meio de um Plano de Manejo Conjunto quando as intervenções se fizerem necessárias.

Identificação do Nível de Conhecimento em Cuidados Paliativos na Formação Médica em uma Escola de Medicina de Goiás

PID: S1981-52712019000400065 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Pereira Rangel Giffoni
RESUMO Introdução O atual panorama mundial e, mais recentemente, brasileiro, nos permite afirmar que os cursos de Medicina carecem de disciplinas que abordem os temas de morte, luto e comunicação de más notícias, geralmente inseridos no contexto dos Cuidados Paliativos, embora não somente em disciplinas que conduzam os futuros profissionais médicos para além do conhecimento técnico-científico, tendo em vista a necessidade dos pacientes e familiares de serem cuidados também nos âmbitos psicossocial e espiritual1. Sabemos que existem barreiras para a aplicação de técnicas de cuidados paliativos no Brasil. Entre elas, podemos destacar a falta de formação em Cuidados Paliativos da equipe de saúde, especificamente, neste estudo, dos profissionais médicos. Objetivos Identificar o nível de conhecimento em Cuidados Paliativos (CP) na formação médica dos acadêmicos de Medicina do sexto ano de uma escola de Medicina do Estado de Goiás, compreender a percepção dos acadêmicos quanto à aprendizagem referente aos CP durante a sua formação médica e discutir a inclusão de CP na formação médica da instituição do estudo e no Brasil. Método Um questionário com nove questões foi aplicado para avaliar o nível de conhecimento em Cuidados Paliativos dos acadêmicos do sexto ano de Medicina de uma escola médica do Estado de Goiás. A população do estudo foi constituída de 81 indivíduos, de ambos os sexos, maiores de 18 anos. Resultados Foi observado que 73,84% dos entrevistados souberam definir ortotanásia, 43,07% acertaram a definição de distanásia e 58,73% assinalaram corretamente sobre eutanásia. Temos ainda que 36,92% dos alunos não se consideram preparados para lidar com a terminalidade, e a maioria dos acadêmicos (74,3%) referiu déficit quanto à abordagem do tema na graduação. Conclusão Embora os acadêmicos avaliados conheçam alguns princípios dos CP, estes não são suficientes. Os alunos alegam carência na abordagem do tema, enfatizando a necessidade de implementação dos Cuidados Paliativos como disciplina obrigatória na grade curricular brasileira.

Impacto do Treinamento de Habilidades de Comunicação e do Registro Médico na Prática do Método Clínico de Atendimento Integral à Pessoa

PID: S1981-52712019000100047 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Moura Moura Faria Soares Faria
RESUMO Introdução A prática do atendimento clínico integral à pessoa é um desafio enfrentado pelo educador médico, por instituições de ensino e por pesquisadores que tentam contribuir para que os estudantes desenvolvam competências educacionais que sintetizem conhecimentos, habilidades e atitudes para esse modelo. Objetivo O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do treinamento de habilidades de comunicação na prática do método clínico de atendimento integral à pessoa, com ou sem o uso de registro específico para o atendimento. Métodos Participaram do estudo 46 estudantes do sétimo período do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Uma combinação de atividades educacionais foi utilizada para propiciar a aquisição de habilidades de comunicação para o atendimento clínico integral à pessoa, como modeling example, seguido de reflexão individual e discussão, aula expositiva interativa e uso de formulário de registro específico para o atendimento clínico integral à pessoa (RACIP). O estudo foi dividido em quatro fases: (1) pré-treinamento: filmagem de atendimento clínico em ambiente simulado, realizado pelos 46 estudantes, com a utilização do modelo de registro de consulta vigente no HC-UFMG; (2) treinamento: os estudantes foram divididos em três grupos: G1 – submetidos à atividade educacional não relacionada ao atendimento clínico; G2 e G3 – submetidos a treinamento de habilidades de comunicação; (3) avaliação: filmagem de consulta em ambiente simulado, realizada por todos os grupos, sendo que G1 e G3 utilizaram o RACIP, e G2, o modelo de registro vigente; (4) feedback e oportunidade de mesma aprendizagem para todos os grupos. Os vídeos dos atendimentos clínicos realizados pelos estudantes, pré e pós-treinamento, foram avaliados por uma banca constituída por três avaliadores, utilizando-se o instrumento AVACIP (avaliação de atendimento clínico integral à pessoa), levando-se em consideração cinco domínios: início da consulta; expectativas do paciente sobre a consulta; perspectiva do paciente sobre sua doença; comportamento e hábitos de vida; uso de propedêutica complementar e aliança terapêutica. Resultado O escore total de atitudes positivas de cada grupo foi maior na Fase 3 em relação à 1 (p = 0,001), mostrando que todas as estratégias promoveram a melhora das habilidades de comunicação, mas não houve diferença entre os grupos em cada fase (p > 0,310). Quando os escores foram analisados por domínio, observou-se que o G3 apresentou melhor desempenho do que os outros. Conclusão O treinamento de habilidades em comunicação e o uso de modelo de registro específico para o atendimento melhoram o desempenho dos estudantes em relação ao atendimento clínico integral à pessoa.

Inovações no Desenho Curricular não Garantem Atitudes Centradas no Paciente entre os Estudantes

PID: S1981-52712019000400167 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Pereira Bernardes Minari Silva Paro
Introdução Escolas médicas de todo o mundo estão engajadas em reformas curriculares com o objetivo de melhorar a centralidade do ensino no paciente e no aluno, implementando transformações curriculares a fim de contrabalançar a erosão dos valores humanísticos e profissionais, bem como a perda do idealismo de médicos recém-formados. Escolas médicas brasileiras encaram o desafio de redesenhar os currículos médicos em direção a abordagens mais centradas no paciente e no aluno, estimuladas pelas recentes diretrizes curriculares nacionais dos cursos de Medicina. Entretanto, os resultados desejados não têm sido totalmente alcançados. Objetivo Acessar as atitudes dos estudantes de Medicina e determinar preditores das atitudes mais centradas no paciente entre os estudantes de Medicina de diferentes desenhos de currículo (tradicional, inovador e avançado). Método Estudantes de Medicina do primeiro ao sexto ano de 21 escolas médicas brasileiras que participaram do projeto de avaliação de tendências de mudanças no curso de graduação nas escolas médicas brasileiras proposta pela Associação Brasileira de Educação Médica, com diferentes estágios de currículo (tradicional, inovador e avançado), responderam à versão brasileira da Escala de Orientação Médico-Paciente (EOMP) e a um questionário com variáveis sociodemográficas e curriculares. Resultados Estudantes de Medicina brasileiros cuidam mais do que compartilham informação, poder e responsabilidade (p < 0.001; d = 0.599). Cuidam mais do contexto psicossocial do que da perspectiva do paciente (p < 0.001; d = 0.797) e compartilham mais poder e responsabilidade do que entendimento (p < 0.001, d = 0.455). Gênero feminino (B = 0.180), estudantes de escolas médicas públicas (B = 0.132), ano de treinamento médico (B = 0.021), preferência por futura prática em serviços públicos (B = 0.053) e atividades extracurriculares (B = 0.068) foram preditores de atitudes mais centradas no paciente entre os estudantes de Medicina (p < 0.05). Diferentes desenhos curriculares não foram associados com atitudes mais centradas no paciente (p > 0.05). Conclusões Desenhos curriculares não predizem atitudes dos estudantes de Medicina. Ser mulher e frequentar uma escola médica pública foram importantes preditores de atitudes mais centradas no paciente entre os estudantes de Medicina.

Interatividade e Mediação na Prática de Metodologia Ativa: o Uso da Instrução por Colegas e da Tecnologia na Educação Médica

PID: S1981-52712019000100087 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Garcia Oliveira Plantier
RESUMO Introdução A metodologia ativa permite que os estudantes assumam posturas ativas em relação a seu processo de ensino-aprendizagem. A Instrução por Colegas (IpC) é uma metodologia ativa de aprendizagem caracterizada pela aprendizagem por meio de debates entre os alunos, estimulados por questões teóricas de múltipla escolha, voltadas para mostrar as dificuldades dos alunos e gerar no universitário uma reflexão sobre conceitos desafiadores. Ademais, a técnica possibilita a comunicação em sala de aula para atrair os alunos e abordar tópicos críticos da disciplina. Concomitantemente, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) têm sido cada vez mais empregadas no contexto educacional e estão obtendo cada vez mais relevância como ferramenta auxiliar no processo de ensino-aprendizagem na área da saúde. Objetivo O objetivo deste estudo foi analisar o processo de intervenção pedagógica mediada pela IpC com suporte didático das TIC na disciplina de Bioquímica. Metodologia O público-alvo deste estudo qualitativo foi constituído por estudantes do curso de Medicina (n = 30). A metodologia, resumidamente, considera uma breve apresentação do conteúdo e depois a aplicação das questões de múltipla escolha, de início respondidas individualmente. Se o índice de respostas corretas for insatisfatório (< 70%), os alunos devem compor pequenos grupos para debaterem entre si. As TIC possibilitam um sistema de envio e análise das respostas de forma imediata. O método foi aplicado mediante questionário eletrônico disponibilizado na plataforma Google Forms. As respostas dos estudantes foram mapeadas por meio da análise imediata dessa plataforma. Para avaliação do método, optou-se pelo uso de uma ficha estruturada de reação que deveria ser preenchida pelos participantes. Resultados Os resultados da percepção dos alunos frente a essa metodologia inovadora mostraram-se positivos. As porcentagens de acerto das questões aumentaram após a aplicação do método, evidenciando na prática a aprendizagem dos estudantes. Conclusão Diante dos resultados, o uso do IpC associado às TIC pode ser um caminho promissor para fortalecer o ensino e a aprendizagem.

Interface entre Oferta de Vagas de Residência Médica, Demanda por Médicos Especialistas e Mercado de Trabalho

PID: S1981-52712019000500119 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Silva Melo Teixeira
RESUMO A formação de médicos especialistas no Brasil vem sofrendo uma série de interferências ao longo do tempo, entre as quais a recomendação de pautar a oferta/ampliação de vagas de residência médica em necessidades regionais. Para direcionar a ampliação de vagas de residência de determinada região, foi realizado um diagnóstico da realidade local de atendimento especializado. Para isso, neste estudo, avaliou-se ao longo de cinco anos: a demanda de consultas por médicos especialistas na rede municipal de saúde, a quantidade de vagas de residência ofertadas nas universidades do município e sua ocupação conforme especialidade, e o número de médicos especialistas atuantes no setor público e privado. Constatou-se que existe grande demanda por consultas de médicos especialistas sem acolhimento pela rede pública de saúde. As especialidades com maior número de encaminhamentos não atendidos foram Oftalmologia, Neurologia, Endocrinologia, Cardiologia, Cirurgia Vascular e Gastroenterologia. Em paralelo, a oferta de vagas de residência foi relevante para o número de egressos locais. No entanto, constatou-se manutenção de vagas ociosas em todos os anos avaliados, especialmente para residência de Medicina de Família e Comunidade. Por fim, o número de médicos especialistas atuantes no setor privado foi muito superior ao dos atuantes no setor público, inclusive para as especialidades com maior carência de atendimento na rede pública. Mesmo com a mobilidade que caracteriza a formação médica complementar por meio da residência, as necessidades locais poderiam influenciar a fixação dos médicos especialistas. Cabe uma discussão sobre os parâmetros norteadores da oferta/ampliação de vagas de residência médica, ao se considerar inclusive que o reduzido número de especialistas em Medicina da Família e Comunidade atuante na rede pode interferir no aumento de encaminhamento a outras especialidades. Assim, a identificação das demandas em saúde é insuficiente para nortear a oferta de vagas de residência, em especial ao se considerar a formação do médico especialista frente ao mercado de trabalho.

Liga de Anatomia Aplicada (LAA): as Múltiplas Perspectivas sobre Participar de uma Liga Acadêmica

PID: S1981-52712019000100080 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Yang Braga Hipólito Vieira Pessanha Abrantes Pereira Corrêa
RESUMO Relata-se a experiência dos membros da Liga Acadêmica de Anatomia Aplicada (LAA) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), sejam eles ligantes, gestores ou orientadores. A motivação para esse trabalho reside no desejo de apontar a importância dessas organizações estudantis e seu impacto sobre os alunos, considerando o recente crescimento e criação de diversas ligas. O modelo tradicional de ensino praticado pela maioria das academias no Brasil, caracterizado por uma relação vertical entre professores e alunos, justifica, ao menos em parte, a limitação criativa dos alunos, e consequentemente, dos futuros profissionais. É nesse panorama que as ligas acadêmicas são necessárias, buscando aguçar o espírito crítico dos alunos e tornar palpáveis os assuntos contemplados pela grade curricular tradicional, que, devido aos cronogramas e horários extenuantes, permanecem abstratos e pouco atrativos, contribuindo para a desmotivação e quebra de expectativa dos alunos ingressantes. Nesse sentido, também se busca atender às demandas dos novos acadêmicos, ansiosos pela aplicação prática do conteúdo abordado no ciclo básico. Todas as atividades precisam ser bem organizadas para que atinjam seus objetivos. Assim, os orientadores devem garantir a supervisão, os gestores devem ser bem selecionados, e a divisão de tarefas deve ser efetiva, de modo a conquistar o engajamento dos ligantes. Todo esse trabalho, seja para a produção de conteúdos científicos, seja para a composição de palestras, cursos ou simpósios, influencia diretamente o modo de pensar de cada parte envolvida. Junto a todo o processo descrito, a base para desenvolver as atividades consiste no tripé ensino-pesquisa-extensão, que complementa a aprendizagem, desenvolve a investigação e contribui para a disseminação dos saberes acadêmicos e o cumprimento do dever social. Neste trabalho, é possível entender o impacto que uma liga tem na formação dos estudantes de Medicina e no constante estímulo à atualização do docente. Assim, foram recolhidos depoimentos e aplicados questionários que ratificam a importância da liga no crescimento tanto pessoal, quanto profissional, nas diversas esferas, e como essas atividades extracurriculares têm se mostrado benéficas na aquisição de novas experiências para discentes e docentes.

Ligas Acadêmicas e Formação Médica: Estudo Exploratório numa Tradicional Escola de Medicina

PID: S1981-52712019000100115 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Moreira Mennin Lacaz Bellini
RESUMO O grande número de ligas acadêmicas na Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) leva a questionamentos acerca de seu significado para os estudantes e do papel que desempenham na formação médica, assim como preocupações sobre distorções no ensino, especialização precoce, relevância social e inserção no Sistema Único de Saúde (SUS). Para tentar elucidar essas questões, este estudo, de caráter qualitativo, constou de análise documental dos estatutos das ligas; análise de conteúdo dos depoimentos dos alunos participantes das ligas, colhidos em quatro grupos focais e em entrevistas com dois docentes preceptores de ligas. Foram encontradas 45 ligas atualmente em funcionamento na EPM–Unifesp, a grande maioria ligada a uma especialidade médica. Os principais motivadores para participação nas ligas foram a busca por prática, vontade de conhecer melhor uma especialidade, complementação de conhecimentos e necessidade de reconhecimento como adulto profissionalmente responsável. Tanto alunos quanto professores reconhecem que, por vezes, as ligas ocupam-se de reparar falhas da graduação. Das ligas estudadas, poucas têm atuação em pesquisa ou extensão, priorizando aulas teóricas e atendimentos, supervisionados por docentes, médicos não docentes, residentes ou alunos de anos mais adiantados. Os preceptores se encarregam principalmente da parte organizacional. As ligas podem reproduzir modelos da graduação, isto é, sobrecarga de atividades, aulas expositivas e ruins. Quanto à inserção no SUS, as ligas poderiam ser um espaço de capacitação para nele atuar. Apesar de estudantes afirmarem que pensam em fazer residência na área da liga, os docentes discordam de que elas levem a uma especialização precoce. Considera-se que, ao mesmo tempo em que preenchem lacunas e expectativas em relação ao curso, as ligas têm limitações quanto ao impacto de suas atividades na formação e relevância social, podendo subverter a estrutura curricular e também favorecer a especialização precoce. Recomenda-se maior atenção por parte da Câmara de Graduação da EPM às ligas acadêmicas no que se refere a número de ligas existentes, processo seletivo, atividades desenvolvidas, docentes envolvidos e objetivos explicitados, no sentido de avaliar o papel das ligas no currículo e na formação médica.
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