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Matriz de Competências para Programas de Residência Médica em Endocrinologia e Metabologia

PID: S1981-52712019000500195 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Valente Caldato
RESUMO Introdução Competências médicas tornaram-se o ponto central em todos os níveis na educação médica ao redor do mundo. Nesse contexto, Programas de Residência Médica (PRM) no Brasil têm começado a buscar um currículo baseado em competências para aprimorar a formação do especialista. Objetivo Elaborar uma proposta de Matriz de Competências para Programas de Residência Médica em Endocrinologia e Metabologia (MREM). Metodologia O estudo foi dividido em quatro fases. A primeira fase consistiu na revisão bibliográfica e construção da Matriz Piloto. Na segunda fase, em encontro presencial, aplicou-se a Matriz Piloto a endocrinologistas, com posterior análise dos dados e construção da Matriz Estruturada. Na terceira fase, aplicou-se a Matriz Estruturada no Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2016) a endocrinologistas, com um total de 49 respostas. Com base na metodologia Delphi, analisaram-se as 230 competências de cada uma das matrizes e criou-se um questionário contendo competências com divergência superior a 10% e com as sugestões dos especialistas. Na quarta e última fase, também utilizando-se metologia Delphi, enviou-se por e-mail o questionário e realizou-se análise dos dados e construção da proposta MREM. Resultados Na segunda, terceira e quarta fase, a taxa de resposta dos endocrinologistas foi de 73,3%, 51% e 76,4%, respectivamente, tendo o Sudeste apresentado o maior número de participantes. A Matriz Piloto apresentava 219 competências, a Matriz Estruturada, 230, e a proposta final da MREM, 244. As áreas de competências Diabetes e Obesidade, Síndrome Metabólica e Alterações de Apetite tiveram as maiores modificações e sugestões. Em todas as fases, apenas duas competências foram excluídas. As sugestões da terceira fase foram unanimamente aceitas. Conclusão A proposta de MREM finalizou com 21 áreas e 244 competências, 33 classificadas como pré-requisito, 157 como competência essencial, 36 como desejável e 18 como avançada. As competências distribuíram-se da seguinte forma na MREM: campo “Fundamentos” – 100 competências, 15 pré-requisitos, 65 competências essenciais, 14 desejáveis e 6 avançadas; campo “Conhecimento Específico” – 132 competências, 18 pré-requisitos, 87 competências essenciais, 19 desejáveis e 8 avançadas; e campo “Formação Complementar” – 12 competências, nenhum pré-requisito, 5 competências essenciais, 3 desejáveis e 4 avançadas. A MREM foi aprovada pela Comissão de Formação em Endocrinologia e Metabologia da SBEM e submetida a avaliação no Ministério da Educação (MEC), sendo utilizada como base para a Matriz de Competências de Endocrinologia e Metabologia, publicada pelo Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM).

Modelo de Treinamento para Inserção de Dispositivos Intrauterinos

PID: S1981-52712019000400047 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Rodrigues Loureiro Andrade Ramos Mainardi Rama Botelho
RESUMO Introdução Aprender praticando exclusivamente em pacientes é cada vez menos aceitável no ensino médico. O ensino baseado em simulação é uma ferramenta capaz de gerar aquisição de habilidades e competências de forma eficaz e em ambiente controlado, sem causar dano ao paciente. A Ginecologia é uma especialidade médica que depende de treinos bem estruturados, e entre os procedimentos ginecológicos destaca-se a inserção dos dispositivos intrauterinos de cobre. Para aumentar a oferta deste método contraceptivo, é preciso capacitação adequada dos profissionais de saúde. Os simuladores físicos imitam a realidade e auxiliam na aquisição de habilidades e competências, tornando de fundamental importância o ensino baseado em simulação para inserção de dispositivos intrauterinos. Objetivo Desenvolver um modelo de treinamento para aquisição de habilidades na inserção de dispositivos intrauterinos. Método Foi desenvolvido um simulador (modelo de utilidade) para inserção de dispositivos intrauterinos, composto por uma base rígida retangular com 17 cm x 15 cm x 21 cm (A x L x P), com peso de 420 gramas, confeccionada em acrinolitrilabutadieno estireno (ABS). Acoplada a este suporte, existe uma estrutura semiflexível, composta por um protótipo de canal vaginal, com colo uterino e região vulvar semelhantes à anatomia humana, confeccionada em ácido poliático flexível (PLA-FLEX). Foram selecionados 15 médicos residentes de Ginecologia e Obstetrícia para treinamento teórico-prático com o simulador proposto pelo estudo para capacitação em inserção de dispositivo intrauterino de cobre. O simulador utilizado neste estudo foi avaliado e validado por especialistas em Ginecologia e Obstetrícia. Resultados Houve melhora estatisticamente significante dos parâmetros avaliados comparando-se a avaliação inicial (pré-treinamento) e final (pós-treinamento) dos residentes, com homogeneidade no desempenho final. Na avaliação inicial, apenas 40% dos dispositivos ficaram bem posicionados, em contraste com 93,3% de sucesso de inserção após implementado o modelo de treinamento. Conclusão Desenvolveu-se um modelo de treinamento baseado em simulação que contribuiu para a aquisição de habilidades de inserção de dispositivo intrauterino de cobre quando aplicado aos residentes de Ginecologia e Obstetrícia.

Morte Encefálica: Conhecimento e Opinião dos Médicos da Unidade de Terapia Intensiva

PID: S1981-52712019000300115 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Souza Tostes Silva
RESUMO Objetivos Verificar o conhecimento dos médicos de UTI sobre o diagnóstico de morte encefálica (ME) e averiguar a opinião dos médicos de UTI sobre doação de órgãos. Métodos Estudo quantitativo, exploratório, descritivo e transversal. Foram entrevistados 38 médicos que trabalham em UTI adulto em um hospital estadual da cidade do Rio de Janeiro. O instrumento de coleta de dados foi dividido em três partes: a primeira se referia a informações profissionais; a segunda era composta por nove questões fechadas, de múltipla escolha, que abordavam critérios técnicos para a realização do diagnóstico de morte encefálica; outras sete questionavam a opinião dos entrevistados sobre morte encefálica e doação de órgãos. Resultados A população do estudo possui média de idade de 38,45 anos (DP = 10,58). Em relação ao tempo de formação, observou-se a média de 11,87 anos (DP = 8,94). O quantitativo geral de acertos das questões conceituais foi de 8,07 (DP = 0,78). Dos 38 participantes, apenas 31,57% acertaram todas as questões. Observou-se que dois entrevistados (5,2%) não se consideravam seguros em realizar o exame clínico. Não foram encontradas diferenças significativas nos números de acertos em comparações referentes a idade e/ou sexo dos entrevistados. Conclusão Somente o grupo profissional de intensivistas teve participantes que acertaram todas as questões técnicas. No entanto, algumas questões básicas precisam ser mais bem discutidas. É importante a incorporação de disciplinas que abordem o tema nos cursos de graduação da área de saúde. Atitudes educativas sobre o tema podem ser mais bem difundidas nos cursos de graduação das diversas áreas de saúde, com a inclusão de disciplinas na grade curricular, bem como a abordagem do tema de forma extensiva nos cursos de especialização em terapia intensiva, de modo a permitir que se formem profissionais com maior grau de conhecimento sobre todo o contexto que envolve a ME e o processo doação-transplante, uma vez que esse processo não admite falhas em nenhuma das etapas.

Motivação Intrínseca do Estudante de Medicina de uma Faculdade com Metodologia Ativa no Brasil: Estudo Transversal

PID: S1981-52712019000500012 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Azevedo Caminha Andrade Godoy Monteiro Falbo
RESUMO Estudo transversal baseado na Teoria da Autodeterminação para identificar a motivação intrínseca no cenário do grupo tutorial e seus fatores associados em 276 estudantes de Medicina de uma faculdade do Nordeste do Brasil entre outubro e dezembro de 2016, tendo sido utilizado o Inventário de Motivação Intrínseca, após sua tradução e adaptação transcultural. Variáveis estudadas: idade, sexo, estado civil, dependentes financeiros, número de tentativas no vestibular para ingresso no curso de Medicina, período em curso, graduação anterior, residência com os pais, escolha do curso por influência ou por pressão dos pais. Realizadas análises uni- e multivariada de Poisson para analisar os fatores associados à motivação intrínseca, foi considerado como nível de significância para fins estatísticos o valor p<0,05. O escore médio da motivação foi de 3,8, indicando motivação. Em estudantes do segundo, sexto e décimo períodos do curso de Medicina, permaneceram no modelo final como variável associada à motivação intrínseca aqueles que haviam realizado uma ou duas tentativas no vestibular, quando comparados aos estudantes que tinham realizado três ou mais tentativas (RP=0,88; IC95%(0,79-0,97); p = 0,011). Nas análises discriminadas por período, no segundo período, permaneceram no modelo final os estudantes que possuíam graduação anterior ao curso de Medicina, quando comparados aos que não possuíam (RP=0,92; IC95% (0,87-0,97); p = 0,005). No sexto período, nenhuma diferença estatisticamente significante foi encontrada; e no décimo período, a variável de ter realizado uma ou duas tentativas no vestibular (RP=0,65; IC95% (0,47-0,88); p = 0,006). Os estudantes se mostraram motivados na atividade do grupo tutorial. O menor número de tentativas no vestibular para ingresso no curso de Medicina e possuir graduação anterior foram variáveis que se mostraram associadas à motivação intrínseca.

Novas Diretrizes Curriculares Nacionais e a Formação Médica: Expectativas dos Discentes do Primeiro Ano do Curso de Medicina de uma Instituição de Ensino Superior

PID: S1981-52712019000200067 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Meireles Fernandes Silva
RESUMO As perspectivas dos discentes, seus desapontamentos ou realizações interferem de maneira significativa no processo de aprendizagem e na maneira como eles veem a profissão. Este estudo propôs avaliar a relação entre as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Medicina (DCN), implementadas em 2014, e as expectativas quanto à formação acadêmica de discentes do primeiro ano do curso de Medicina de uma instituição particular de educação superior, situada no Estado de Minas Gerais. O estudo utilizou o método quanti-qualitativo, com aplicação de questionários que abordavam aspectos como perfil do discente, motivações iniciais e expectativas sobre sua formação acadêmica, planos e projetos futuros em relação à profissão e conhecimento sobre as DCN. Os resultados quanto ao perfil desses estudantes indicaram predomínio de discentes do sexo feminino, procedentes do interior do Estado de Minas Gerais, na faixa etária de 18 a 20 anos e que ingressaram na instituição por meio do vestibular, tendo prestado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As principais motivações para a escolha do curso de Medicina incluíram aptidões pessoais e vocacionais e possibilidade de realização pessoal; as expectativas quanto à formação acadêmica incluíram a inserção em contextos hospitalares nos anos iniciais do curso e o desejo de atuar no processo saúde-doença em diferentes níveis de atenção, promovendo a recuperação e reabilitação da saúde. Os projetos pós-formatura desses discentes incluem fazer residência médica, buscar competência profissional, conciliar trabalho e qualidade de vida e tornarem-se médicos especialistas/subespecialistas. Numa visão global, os alunos se declararam satisfeitos com a graduação, apontando apenas algumas falhas no processo ensino-aprendizagem. A maioria dos discentes do primeiro período (56%) demonstrou desconhecimento em relação às DCN de 2001 e 2014, e a maioria dos discentes do segundo período (54,8%) relatou o conhecimento apenas das diretrizes de 2014, sendo a faculdade apontada como a principal fonte de informação sobre as novas DCN. As expectativas dos discentes corroboram, em sua maioria, os princípios, fundamentos e finalidades da formação em Medicina previstos nas novas DCN do curso no que tange às principais competências e habilidades gerais da formação médica, como a Atenção Integral à Saúde, Educação em Saúde e Gestão em Saúde, bem como sobre as novas dimensões abordadas nessas diretrizes. No entanto, alguns pontos de desencontro foram observados, como, por exemplo: baixa intenção de se tornarem profissionais generalistas e terem sua formação voltada à atenção primária, o que é preconizado nas diretrizes; intenção de cuidar da própria saúde mental (ponto não abordado nas novas diretrizes); e certa resistência a respeito da inclusão de novas disciplinas e de novas metodologias ativas de aprendizado em detrimento da valorização dos métodos tradicionais de ensino.

O Cinema como Recurso Educacional no Ensino de Atitudes Humanísticas a Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712019000500057 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Picanço Nazima Santos Picanço Júnior Cambraia Morais Pena Costa
RESUMO Introdução A educação médica contemporânea prioriza o desenvolvimento de conhecimento científico e habilidades técnicas, associados a atitudes profissionais. Atitudes são componentes da habilidade afetiva e influenciam a prática médica, por isso devem ser ensinadas sistematicamente durante a graduação. A utilização de filmes como recurso pedagógico na graduação médica possibilita uma reflexão no contexto biopsicossocial em que o paciente está inserido, contribuindo para desenvolver atitudes humanísticas entre estudantes de Medicina e futuros médicos. Objetivo Avaliar a eficácia do cinema como recurso educacional no ensino de atitudes humanísticas aos discentes do curso de Medicina. Material e Métodos Foi realizado um estudo transversal, exploratório, quantitativo, com 107 estudantes do primeiro ao sexto ano do curso de Medicina da Universidade Federal do Amapá. Foi utilizada a Escala de Atitude de Estudantes de Medicina (validada por Colares et al.1 ) antes e depois da exibição de filmes relacionados a temáticas relevantes na área médica. Esta escala psicométrica é composta de respostas de múltipla escolha do tipo Likert e visa aferir atitudes de estudantes de Medicina em relação aos seguintes fatores: assistência primária à saúde; aspectos psicológicos e emocionais envolvidos nas doenças; aspectos éticos no exercício profissional; doença mental, situações relacionadas à morte; pesquisa científica. Foi empregado o Teste de Wilcoxon (Wilcoxon Rank Test) para comparar dados de amostras pareadas. Resultados Todos os fatores avaliados pela escala de atitudes dos estudantes de Medicina frente a aspectos relevantes da prática médica apresentaram aumento significativo na frequência de atitudes positivas (p < 0,05) após as sessões de cinema entre os alunos do primeiro ao quarto ano da graduação. Os alunos do quinto e sexto ano não apresentaram mudança significativa de atitudes nos fatores relacionados à morte, à doença mental e à contribuição com o avanço científico da medicina. Conclusão O cinema é uma ferramenta pedagógica eficaz no ensino de atitudes humanísticas a estudantes do curso médico.

O Desafio da Oferta de Cursos de Especialização em Atenção Básica da Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde aos Profissionais dos Programas de Provimento

PID: S1981-52712019000100136 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Lemos Campos Brito Nascimento Oliveira
RESUMO A implantação de novas políticas públicas de provimento de profissionais de saúde para a atenção básica demandou a oferta de oportunidades educacionais. O objetivo é apresentar a iniciativa do Sistema Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) na oferta de cursos de especialização em atenção básica aos profissionais dos programas de provimento. Participaram das ofertas 15 instituições públicas de ensino superior do Sistema UNA-SUS. Foram estudantes 41.100 profissionais de todo o Brasil, entre eles, médicos, dentistas e enfermeiros. Foram analisados os dados provenientes da Plataforma Arouca do Sistema UNA-SUS, sendo selecionados como indicadores quantitativos para análise o número de profissionais que concluíram o curso, de profissionais aguardando ingresso no curso, de estudantes cursando, de estudantes falecidos, de estudantes inativados sem ingresso e de estudantes reprovados ou que abandonaram o curso. Foi realizada ainda a análise de 2163 Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) que estavam disponíveis no Acervo de Recursos Educacionais em Saúde do Sistema UNA-SUS entre os meses de maio e outubro de 2017. Foi possível realizar uma análise quantitativa e qualitativa seguindo as orientações do pensamento hermenêutico-dialético. Os resultados mostraram que até o momento 20.437 profissionais dos programas de provimento concluíram os cursos de especialização em atenção básica e ainda há 8.201 cursando. Em relação ao TCC, observou-se que as doenças crônicas não transmissíveis, os tumores e os problemas relacionados à gravidez, parto e puerpério, assim como aspectos relacionados à saúde infantil e saúde do idoso foram os mais evidentes nos projetos dos profissionais. Concluiu-se que a utilização de estratégias pedagógicas inovadoras pelas instituições de ensino provocou a reflexão sobre a prática, a mudança no processo de trabalho e a troca de saberes e experiências. Os cursos ofertados prepararam os participantes dos programas de provimento para a atuação na atenção básica e demonstraram melhor conhecimento sobre o Sistema Único de Saúde e letramento digital, especialmente, os estrangeiros e os intercambistas.

O Ensino de Gestão de Antimicrobianos em Escola Médica do Rio de Janeiro

PID: S1981-52712019000500484 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Silva Almeida Sacre Souza
RESUMO Introdução Programas de gestão de antimicrobianos (PGA) são ferramentas importantes para minimizar o problema global da resistência antimicrobiana. As bases destes programas devem começar idealmente na graduação médica. Objetivo Identificar a apresentação dos conceitos dos PGA no currículo de uma escola médica. Material e métodos Estudo transversal realizado com docentes da Universidade Federal Fluminense (UFF). O critério de inclusão utilizado foi ministrar conteúdos relativos a PGA para o curso de Medicina. Foram mensurados apresentação de componentes-chave dos PGA, carga horária destinada, metodologias de ensino e avaliações empregadas. Resultados Estudo realizado entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018, sendo incluídos 6 dos 329 (1,8%) docentes que ministravam aulas para o curso de Medicina. A carga horária destinada à apresentação dos PGA totalizou 83 horas, com mediana de 3 h/docente, o que correspondeu a 1,1% da carga horária total do curso inteiro. Cinco dos seis professores (83,3%) apresentaram pelo menos um dos componentes-chave dos PGA. A frequência de apresentação dos componentes-chave dos PGA foi de: especificidade do tratamento (5/6 - 83,3%), duração do tratamento (4/6 - 66,7%), otimização do tempo de administração (4/6 - 66,7%), possibilidade de troca de via de administração (3/6 - 50%) e monitorização de níveis séricos (2/6 - 33,3%). Quatro dos seis docentes (66,7%) utilizaram combinações de metodologia de ensino, as quais foram reportadas nas seguintes frequências: aulas tradicionais (5/6 - 83,3%), estudos de casos clínicos (4/6 - 66,7%) e aprendizado baseado em problemas (4/6 - 66,7%). Cinquenta por cento dos docentes utilizaram combinações de avaliações para assimilação do conteúdo, e as mais utilizadas foram: respostas dissertativas curtas (3/6), casos clínicos (2/6), perguntas de múltipla escolha (2/6), resumos clínicos (1/6), seminários (1/6) e respostas dissertativas longas (1/6). Conclusões Verificamos que os componentes-chave relativos aos PGA foram apresentados em uma escola médica do Rio de Janeiro, sendo a combinação de diferentes metodologias de ensino a principal estratégia para transmissão dos conceitos. Metade dos docentes utilizou combinação de avaliações para mensurar o conteúdo apresentado. Há necessidade de ajustes para que aspectos importantes, como troca de via de administração e monitorização de níveis séricos, sejam mais debatidos na graduação.

O Internato Médico após as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014: um Estudo em Escolas Médicas do Estado do Rio de Janeiro

PID: S1981-52712019000300036 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Cândido Batista
RESUMO Instituídas em 2014, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Curso de Graduação em Medicina contêm várias recomendações, especialmente para o internato médico. Apesar do reconhecimento da necessidade de mudanças no que se refere à capacitação profissional para atender às demandas da comunidade, muitos consideraram pouco democrática a instituição dessas DCN. Seu processo de implantação ainda é pouco estudado. Objetivou-se analisar o internato médico em escolas médicas do Estado do Rio de Janeiro após a instituição das DCN de 2014, sob a ótica dos coordenadores de curso e de internato. Em 2016, o Estado do Rio de Janeiro possuía 19 cursos de Medicina, em 15 escolas médicas. Destes, nove cursos participaram da pesquisa. A população de estudo foi representada por 13 participantes – nove coordenadores de curso e quatro coordenadores de internato. Trata-se, assim, de uma amostragem do universo das escolas, sem intenção de generalização dos resultados para todo o Estado. Foram utilizadas abordagens qualitativas e quantitativas. As questões abertas foram submetidas à análise de conteúdo, e a escala atitudinal foi avaliada por análise estatística. Na visão dos coordenadores, todas as escolas médicas estão em processo de adequação às determinações das DCN de 2014. A maioria está de acordo com a inclusão obrigatória, no internato, das áreas de Urgência e Emergência, Atenção Básica e Saúde Mental. Muitas são as dificuldades encontradas no processo de implantação e/ou reestruturação dessas atividades no internato: escassez de cenários; precariedade dos cenários existentes na Emergência do Sistema Único de Saúde; falta de docentes/preceptores e o prazo estabelecido para a implantação das Diretrizes. Entretanto, algumas estratégias têm sido planejadas, como a diversificação dos cenários de prática, a criação de estágios eletivos, o estabelecimento de convênios e parcerias, o desenvolvimento de atividades integradas com outras áreas do internato e a utilização de laboratórios de simulação realística. As escolas médicas vivem um momento de transformação curricular, impulsionado pelas DCN. Esse momento deve ser encarado como uma oportunidade para revisitar o internato médico e, possivelmente, encontrar estratégias para aprimorar a formação médica nesse espaço privilegiado da graduação. Acredita-se que a divulgação dos resultados desta pesquisa possa auxiliar as escolas médicas no processo de apropriação e implantação das determinações das DCN de 2014.

O MBTI na Educação Médica: uma Estratégia Potente para Aprimorar o Trabalho em Equipe

PID: S1981-52712019000400015 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Rosa Rosa Barros Hattori Paulino Raimondi
RESUMO A assistência à saúde torna-se cada vez mais complexa, e as novas demandas exigem que as pessoas readaptem seus processos de trabalho para a construção de uma equipe multiprofissional que assegure integralidade, qualidade e efetividade do cuidado aos usuários do sistema de saúde. A Association of American Medical Colleges recomendou que os currículos médicos buscassem estratégias para o desenvolvimento de colaboração, responsabilidade compartilhada e equipes de alto desempenho, caracterizadas pelas habilidades de liderança, tomada de decisões, comunicação, resolução de conflitos, autoconhecimento, cooperação, corresponsabilidade e compromisso. Em consonância com essa orientação, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os Cursos de Graduação em Medicina afirmam que o estudante deve ser capaz de assumir liderança nas relações interpessoais, com comprometimento, responsabilidade, empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e desempenho de ações efetivas, mediada pela interação, participação e diálogo, objetivando o bem-estar da comunidade. Uma estratégia para a produção de equipes e o desenvolvimento de competências do trabalho em equipe é o Myers-Briggs Type Indicator (MBTI), amplamente utilizado nos setores de recursos humanos, de gerenciamento e administração na construção de equipes, com o propósito de autoconhecimento e autodesenvolvimento, desenvolvimento organizacional, treinamento gerencial e desenvolvimento curricular acadêmico e profissional. Assim, o MBTI foi incorporado ao planejamento e à execução de um componente curricular de Saúde Coletiva, no sétimo semestre de um curso de Medicina de uma universidade federal brasileira, como estratégia para a divisão das equipes de trabalho durante o período. Dessa forma, o objetivo deste artigo é relatar a experiência vivenciada e realizar análises quantitativa e qualitativa dessa experiência por meio de respostas discentes obtidas em questionários. Após a realização do MBTI pelos estudantes, para a formação das equipes foi aplicado o agrupamento por temperamento, que consiste em reunir os 16 tipos psicológicos em quatro temperamentos: SJ (guardiães), SP (artesãos), NF (idealistas) e NT (racionais). As equipes de trabalho foram formadas de modo que cada uma fosse composta por pelo menos um representante de cada temperamento. A análise quantitativa demonstrou que a intervenção foi estatisticamente significativa. A análise qualitativa das respostas às questões abertas foi obtida inicialmente pela categorização das informações, seguida pelo agrupamento em categorias amplas, por meio da análise de conteúdo. As categorias “formação de equipes satisfatória”, “oportunidade de autoconhecimento e conhecimento dos pares pelo MBTI” e “discordância da divisão segundo MBTI” elucidaram a percepção discente sobre as potencialidades e desafios do uso do MBTI na formação de equipes na educação médica. Com essa experiência, percebemos que somar habilidades individuais é possível e importante não apenas para a construção de produtos finais de qualidade, mas para que o processo de trabalho seja valorizado e permita autoconhecimento e o desenvolvimento de habilidades de relação interpessoal. Fica evidente a importância de que, enquanto estudantes e professores, profissionais de saúde e pessoas, nós nos permitamos ser afetados pelo potencial transformador do processo educacional para que, então, sejamos capazes de agir também como agentes promotores da mudança.

O Problema da Consciência: por Onde Começar o Estudo?

PID: S1981-52712019000100175 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Klem de Mattos Silva Gama
RESUMO O estudo do sistema nervoso e suas funções é fascinante e complexo. Um dos mais intrigantes assuntos deste campo é como a neurobiologia produz estados conscientes, o notório problema da consciência (cérebro e mente). Para esse estudo, são necessários conhecimentos tanto de neuroanatomia e fisiologia como de questões linguísticas e filosóficas, o que torna o assunto temido ou ignorado pelos estudantes de Medicina. Assim, aquele que vai iniciar o estudo desse capítulo da neurociência se depara com um questionamento: por onde começar? A quantidade de informação é muito grande, e o ponto de partida, em geral, pode ser a biologia, a psicologia ou a filosofia. Portanto, este ensaio tem como objetivo sugerir um caminho, entre vários possíveis, para nortear aqueles que desejam informações preliminares sobre o tema. Isto porque alguns estudantes têm dificuldade com o assunto por não dominarem alguns conceitos fundamentais ou desconhecerem as teorias defendidas, fixando-se apenas na vertente biológica do assunto. Desta maneira, na introdução deste manuscrito são apresentadas três possibilidades conceituais para a palavra consciência e alguns problemas de limitação do idioma. Na sequência, a neurobiologia é abordada de forma sucinta, com ênfase na atividade eletroquímica neuronal. Em seguida, são relatadas as teorias sobre a consciência e os pontos de vista de dois autores: David Chalmers e Daniel Dennett. A escolha desses autores para este trabalho visa demonstrar que tais teorias possuem movimento pendular: iniciando com Descartes e sua teoria dualista em um extremo, passando por outras teorias intermediárias e chegando até os materialistas reducionistas no extremo oposto. A metodologia se resume à pesquisa de artigos científicos sobre o tema. Por fim, embora a corrente majoritária defenda que a consciência é um fenômeno bioquímico, pois, para haver consciência é necessário cérebro, também há aqueles que defendem que a consciência não seja um atributo da matéria. Discussões como esta devem ser encorajadas e embasadas em fundamentação teórica.

O Professor e a Arte de Avaliar no Ensino Médico de uma Universidade no Brasil

PID: S1981-52712019000300005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Zimmermann Silveira Gomes
RESUMO A avaliação é intrínseca ao ato de ensinar e uma possibilidade de ampliar e melhorar o conhecimento adquirido pelo aluno. No ensino na área da saúde, a avaliação possui peculiaridades e requer constante diálogo com os docentes e discentes a fim de receber aprimoramentos. O objetivo deste estudo foi traçar um diagnóstico inicial do processo avaliativo no curso de Medicina de uma instituição de ensino superior pública no Estado do Paraná, sob a perspectiva de professores e alunos. Trata-se de um estudo exploratório, de abordagem metodológica qualitativa, de natureza interpretativa, realizado com 22 professores e 20 alunos do internato de Clínica Médica. A coleta de dados deu-se de novembro de 2015 a fevereiro de 2016, com entrevista semiestruturada, de caráter individual, que foi gravada e transcrita literalmente. Foi empregada análise de conteúdo para examinar os dados, que foram decodificados e agrupados por similaridade de assuntos, tendo emergido quatro categorias de análise. Os resultados mostram que os participantes do estudo apontaram dificuldades na avaliação. Em relação aos docentes, foi mencionada a necessidade de formação didático-pedagógica e em avaliação de habilidades, estratégias para aprimoramentos em feedback, em autoavaliação do aluno e na padronização do processo avaliativo realizado pelos docentes. O médico professor percebe-se como aprendiz neste processo e tem a percepção de que a falta de domínio pedagógico para aprender e melhorar sua avaliação gera a necessidade de formação. Conclui-se que, na arte de avaliar, a participação dos professores e alunos se torna importante estratégia para ajustes e melhorias. As reflexões sobre o papel dos atores no cenário do ensino são benéficas para a formação de ambos, pois juntos compartilham olhares, percepções e sugestões, rumo ao ensino e ao aprendizado de excelência. O feedback, a autoavaliação e a padronização constituem elementos singulares e colaboram com o processo avaliativo.

O Uso da Estratégia Gameficação na Educação Médica

PID: S1981-52712019000100147 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Paiva Barros Cunha Andrade Castro
RESUMO Introdução O ensino por meio de metodologia ativa vem ganhando cada vez mais destaque no cenário da educação médica, complementando, ou mesmo substituindo, o método de ensino tradicional. Diante disso, o sistema de gameficação, bem aceito por estudantes, inova, uma vez que o aprendizado se torna lúdico e participativo, contribuindo para a formação holística dos acadêmicos. Objetivos: Descrever a realização de uma gincana – composta por quatro fases e de caráter competitivo –, bem como comprovar a eficácia do método como uma forma inovadora de aprendizagem. Ao todo, 16 acadêmicos de Medicina participaram da gincana. Metodologia Caracteriza-se como um estudo de delineamento observacional transversal, com uso de metodologias quantitativas e qualitativas. O estudo é composto pela aplicação de um método de ensino e aprendizado baseado no processo de gameficação, com posterior aplicação de um questionário avaliativo aos alunos, para análise crítica. Resultados Foi observada satisfação dos alunos quanto à atividade, sendo unânime a afirmação de que a técnica utilizada facilita o aprendizado. Entre os integrantes, 87,5% preferiram a aplicação de práticas de metodologias ativas em detrimento das tradicionais, e 81,25% dos participantes apontaram a necessidade de integrar métodos com abordagens lúdicas às suas atividades curriculares. Por outro lado, 12,5% dos estudantes concordaram em que a atividade lúdica aplicada não contribui para o trabalho em equipe e 6,25% preferiram adesão às práticas de metodologia tradicional. Conclusão O método de gameficação desenvolve um ambiente propício ao aprendizado, com grande adesão dos estudantes. Percebe-se também a necessidade de mudança, apoiada pelos alunos, nas formas de ensino utilizadas na graduação, devendo-se buscar metodologias que abranjam o desenvolvimento de múltiplas competências e que possam usar a ludicidade como atrativo para o processo de aprendizado.

O Uso do Role-Play no Ensino da Técnica de Anamnese e de Habilidades de Comunicação para Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712019000300178 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Engelhorn
RESUMO Contexto Comunicação adequada é uma habilidade clínica e, portanto, deve fazer parte dos currículos nas escolas médicas. Várias técnicas podem ser empregadas para ensinar habilidades de comunicação aos estudantes de Medicina. Objetivo Relatar experiência baseada na utilização da técnica de role-play na aprendizagem e satisfação dos estudantes de Medicina na realização da entrevista médica. Métodos Estudo transversal com alunos da disciplina de Semiologia em três etapas distintas: entendimento da teoria, aplicação prática na simulação por representação de papéis (role-play) entre os alunos e gravação de vídeo com pacientes internados no hospital.O desempenho dos estudantes no role-play e no vídeo gravado foi avaliado com base em instrumento adaptado do Guia Calgary-Cambridge. Também foi realizada uma pesquisa de satisfação com os estudantes no final do semestre. Resultados Foram avaliados 30 estudantes, 43% dos quais não foram capazes de detalhar adequadamente os sintomas durante a simulação, porém na gravação do vídeo não apresentaram esta dificuldade. Em relação ao desempenho na simulação e no vídeo, cinco estudantes (16,6%) mantiveram o mesmo desempenho; um estudante (3,3%) apresentou desempenho inferior; e 25 estudantes (83%) apresentaram melhora do desempenho na entrevista com os pacientes em relação à simulação. A grande maioria (92,5%) dos estudantes considerou a atividade útil na sua formação. Conclusão O uso da técnica de role-play no ensino da anamnese apresentou-se como um método de aprendizagem útil e foi bem aceito pelos estudantes de Medicina participantes deste estudo.

Orientação de Hábitos Alimentares Saudáveis sob o Olhar do Estudante de Medicina

PID: S1981-52712019000100126 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Rossi Bruno Catarucci Beteto Habimorad Patrício
RESUMO The rising number of students leagues in the Escola Paulista de Medicina of the Universidade Federal de São Paulo (EPM–Unifesp) leads to questions about their meaning to students and their role in medical training, as well as concerns about learning distortions, early specialization, social relevance, and insertion in the Brazilian national health system, called the Sistema Único de Saúde (SUS). In order to try and clarify these questions, this qualitative study analyzes the statues of the leagues, and the statements of tutors and students, gathered by means of four focal groups with students and two interviews with the tutors. We found 45 leagues currently running at the EPM–Unifesp, most of them associated with a medical specialty. The main motivators for joining in a league were: the search for practical activities, the desire to gain more experience of a particular specialty, the desire for more knowledge, and the need to be recognized as a responsible adult. Of the leagues studied, few conducted research or university extension activities, focusing on treatment and theoretical classes, supervised by professors, non-teacher physicians, resident doctors, or more senior students. The tutors are in charge of the organizational aspects. The leagues can reproduce graduation models, such as an overburdoning with activities and poor expository classes. Concerning insertion in the SUS, the leagues could be a means of training future SUS professionals. Although students claim that they intend to specialize in the league’s field, the tutors disagree that they lead to early specialization. We consider that while leagues fill gaps in the learning and expectations of the course, they are limited in regards to the impact of their activities on medical training and their social relevance. They can subvert the curricular structure and favor early specialization. We recommend that universities pay closer attention to students leagues, observing their number, selection process, activities, tutors involved and explicit objectives, with the purpose of evaluating their roles in the curriculum and medical training.

Para Além da Formação Tradicional em Saúde: Experiência de Educação Popular em Saúde na Formação Médica

PID: S1981-52712019000300184 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Rios Caputo
RESUMO Nos últimos anos, a formação médica tem estado no cerne de diferentes discussões e políticas no campo da saúde. Embora o ensino médico brasileiro venha evoluindo, seja em aspectos curriculares ou metodológicos, ainda há importantes lacunas a preencher para se garantir uma formação integral e humanista. Não basta transformar as metodologias e a grade curricular; é fundamental inserir os estudantes em espaços de prática e reflexão, capazes de afetar positivamente seus “mundos existenciais”. Uma possível ferramenta de construção desses espaços seria a extensão universitária, entendida como um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político capaz de favorecer a interação entre a universidade e os mais diversos setores da sociedade, transformando-os mutuamente. Este artigo apresenta e analisa os impactos de uma ação extensionista baseada na Educação Popular em Saúde, desenvolvida em um assentamento do interior da Bahia, na formação dos estudantes de Medicina participantes, segundo a percepção destes. Foram analisados, por meio da análise de conteúdo, os diários de campo e as entrevistas semiestruturadas realizadas com dez discentes de Medicina, participantes do programa “A participação social e a garantia do direito à saúde: planejamento intersetorial, arte, mobilização social e educação popular, em um assentamento da Bahia”. Os resultados indicam que o ensino tradicional da medicina por vezes negligencia o ser humano em toda a sua potencialidade, bem como seu contexto social, político e cultural; poucas são as possibilidades nos currículos de atuação real em comunidade; as atividades práticas se restringem muitas vezes ao âmbito hospitalar; poucas são as oportunidades de trocas e diálogos com discentes de outros cursos de graduação. Conclui-se que a extensão universitária pode favorecer importantes processos de mudanças no ensino médico ao possibilitar uma compreensão ampla dos indivíduos, de suas relações e de seus modos de viver no mundo.

Percepção da Efetividade dos Métodos de Ensino Utilizados em um Curso de Medicina do Nordeste do Brasil

PID: S1981-52712019000200040 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Cruz Carvalho Pinheiro Giovannini Nascimento Fernandes
RESUMO A educação médica se encontra em um processo de transformação, principalmente no que se refere à diversificação dos métodos de ensino utilizados. No entanto, a utilização e correta implementação destas novas metodologias ainda constituem verdadeiros desafios. Nessa perspectiva, o presente estudo objetivou avaliar a percepção e opinião dos professores e alunos quanto à efetividade dos métodos de ensino utilizados no curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Para isso, foi realizado um estudo descritivo exploratório, de caráter transversal, cuja coleta de dados ocorreu de julho de 2015 a junho de 2016. Foram entrevistados 140 alunos (82,5% dos discentes do curso) e 80 professores (55% do corpo docente) de ambos os sexos e provenientes de todos os períodos e componentes curriculares. Após aceitação do convite para participar da pesquisa, foi realizada uma entrevista com perguntas objetivas e subjetivas, destinada à obtenção de dados sociodemográficos e opiniões e percepções dos indivíduos quanto aos métodos de ensino-aprendizagem utilizados pelo corpo docente. A análise dos resultados ocorreu por estatística descritiva e teste do χ2 de Pearson ou Exato de Fisher, utilizando-se os softwares Pepi e Past, considerando-se como significantes valores de p ≤ 0,05. As opiniões e sugestões dos entrevistados foram representadas por meio de nuvem de palavras, utilizando-se o software WordArt. As metodologias tradicionais constituíram as técnicas mais utilizadas (76,0% dos professores), além de serem consideradas mais eficazes do que as metodologias contemporâneas, tanto pelos professores (78,0%) quanto pelos alunos (92,0%). No entanto, grande parte desses (75,0% dos docentes e 73,6% dos discentes) gostaria de utilizar e vivenciar outras metodologias didático-pedagógicas como forma de melhorar o aprendizado. Observou-se ainda que o tempo de experiência docente e a realização de pós-graduação stricto sensu estiveram significantemente associados à utilização de métodos de ensino-aprendizagem mais contemporâneos. Diante disso, conclui-se que a falta de experiência e de vivência com outras metodologias de ensino, somada à carga horária extenuante do curso, pode dificultar a implementação e aceitação dessas metodologias mais contemporâneas. Desta forma, nota-se a premente necessidade de incentivar a capacitação didático-pedagógica do corpo docente, assim como a implementação do projeto pedagógico do curso a fim de promover o desenvolvimento de metodologias centradas no aluno, conforme recomendações atuais para o ensino dos cursos da área da saúde, principalmente o de Medicina.

Percepção de Alunos de Curso de Graduação em Medicina sobre o Team-Based Learning (TBL)

PID: S1981-52712019000300111 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Masocatto Couto Matta Porfirio
RESUMO O Team-Based Learning (TBL) é uma estratégia educacional baseada em aprendizagem ativa que se tornou uma proposta pedagógica alternativa importante no contexto dos métodos de ensino utilizados em educação médica. A proposta do presente trabalho foi avaliar a percepção dos alunos sobre o uso da metodologia TBL em curso de graduação em Medicina e analisar os diferentes aspectos da aplicação desse método de ensino em relação à forma tradicional de ensino utilizada na maior parte dos cursos de Medicina no País. Foi aplicado um questionário específico aos alunos com oito questões e respostas dicotomizadas (escala de Likert com cinco itens). Durante o mês de junho de 2017, alunos do curso de graduação em Medicina (quarto e sétimo períodos) foram submetidos a várias sessões de ensino com o método TBL na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) com os temas sepse, trauma, leucemia, câncer colorretal e câncer de pulmão. A amostra foi calculada em 193 participantes, considerando uma precisão relativa de 10% e um nível de significância de 5% para uma estimativa de 70% de respostas positivas (concordo e concordo firmemente) para a afirmação “Esse TBL teve um impacto positivo no meu aprendizado”. A análise foi realizada com cálculo de estatística descritiva e das frequências relativas e absolutas de respostas com intervalo de confiança de 95% para cada ponto estimado. A utilização do método foi percebida como favorável nos aspectos de preferência (em relação à aula expositiva tradicional), motivação, satisfação e aprendizado. O TBL se destacou como um método pedagógico excelente para a aprendizagem em alunos do curso de Medicina. Uma das vantagens foi a capacidade de desenvolver habilidades em raciocínio clínico e a possibilidade de construir o conhecimento com sua utilização prática. O método ativo apareceu, dessa forma, como uma importante alternativa de metodologia se comparada ao método tradicional.

Percepção discente e docente sobre o desenvolvimento curricular na atenção primária após Diretrizes Curriculares de 2014

PID: S1981-52712019000300091 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Rezende Rocha Naghettini Fernandes Pereira
RESUMO As novas diretrizes curriculares nacionais (DCN) do curso de medicina preveem uma formação com maior foco na Atenção Primária à Saúde. A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), buscando estas mudanças e adaptando-se às DCN de 2014, criou um novo Projeto Pedagógico de Curso (PPC). Este estudo avaliou as percepções de discentes e docentes sobre o desenvolvimento do novo currículo do curso de medicina de uma Universidade Federal da região centro-oeste do Brasil, após as novas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014, quanto ao ensino na Atenção Primária à Saúde (APS). Realizou-se uma pesquisa qualitativa, cuja coleta de dados ocorreu por meio de dois grupos focais: um com docentes e outro com discentes. As perguntas norteadoras foram relacionadas ao entendimento dos discentes sobre a APS e a concordância entre os assuntos teóricos e o que é visto nas atividades práticas, a avaliação do novo PPC e as críticas e sugestões ao novo currículo e a desospitalização. Com docentes, as perguntas-guia questionaram sobre a implementação do novo currículo, a avaliação do novo PPC, a percepção de apoio institucional e as críticas à formação na APS. Para análise dos dados oriundos da transcrição dos grupos focais utilizou-se a técnica de análise de conteúdo que buscou sistematizar as questões respondidas pelos participantes, facilitando sua interpretação. Quanto à modalidade, foi escolhida a análise temática fundamentada em Bardin. A percepção de discentes e docentes foi que o desenvolvimento do novo currículo ainda é frágil. Os discentes apontaram a depreciação do ensino na APS por alguns professores e a falta de longitudinalidade no ensino da APS. Os docentes destacaram a falta de apoio da gestão municipal, escassez de campos de estágio e de formadores qualificados para esta mudança. Conclui-se que o novo currículo, mesmo desenhado para contemplar o ensino na APS, apresenta algumas lacunas de temas relevantes, enfrenta resistências por parte do corpo docente e carece de professores com formação específica na área.

Percepção do Estudante de Medicina sobre a Inserção da Radiologia no Ensino de Graduação com Uso de Metodologias Ativas

PID: S1981-52712019000200095 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Silva Domingues Kietzer Freitas
RESUMO A radiologia no curso de graduação em Medicina alcançou nova dimensão não só como instrumento de diagnóstico complementar, mas também por sua utilização como ferramenta de ensino, integrada ao estudo da anatomia e patologia, entre outros assuntos. Embora os conhecimentos da radiologia sejam bastante utilizados no ensino da medicina através de metodologias ativas, ainda são escassos os trabalhos relatando a experiência de como o aluno percebe a importância desse conhecimento. Objetivo Estudar a percepção de alunos de medicina sobre a inserção da radiologia no ensino de graduação com uso de metodologias ativas. Método Estudo qualitativo, realizado com estudantes de medicina matriculados no terceiro e quinto semestres, cuja amostra constituiu-se de 12 alunos de uma população de 100 alunos de uma universidade pública estadual. Os dados foram obtidos através de entrevistas, com a aplicação de um questionário semiestruturado com questões abertas sobre o ensino da radiologia, suas implicações e aplicações em medicina, características positivas e negativas, no processo de aprendizagem através do uso de metodologias ativas. Os dados foram analisados separadamente, agrupados por categorização e submetidos à análise temática por dois pesquisadores, antes da reflexão conjunta, havendo ainda a descrição do ambiente e também a triangulação dos resultados. Resultados Foram identificados conteúdos latentes e semânticos, recorrentes, singulares e controversos. Os temas recorrentes identificados como fundamentos de uma estratégia vantajosa para o ensino do radiodiagnóstico na graduação médica foram: necessidade de introdução precoce da radiologia por conta de sua transversalidade e seu papel na atividade de ensino em serviço; ensino sistemático dos princípios biofísicos e vocabulário para facilitar o estudo; o papel do exame complementar no contexto do problema na tutoria e o desenvolvimento de material didático de conteúdo integrado com abordagem morfofuncional. Aspectos singulares como a dificuldade para estudo que envolva conhecimento de língua estrangeira e o uso de redes sociais, e controvérsias identificadas, a respeito do papel do professor no processo de ensino e aprendizagem, bem como, em relação ao significado do aprendizado da radiologia na graduação em medicina, também foram considerados elementos construtivos de uma abordagem moderna, já que o ensino da radiologia vive um momento de reformulação. Conclusão Observou-se que na percepção dos estudantes entrevistados, o componente curricular morfofuncional, frequentemente utilizado no ensino baseado em problemas poderá ser usado para abordar a radiologia e diagnóstico por imagem numa visão multidimensional, contextualizada e interdisciplinar que vá além do papel de método de exame complementar, integrado a outros saberes de forma significativa, especialmente anatomia e patologia, facilitando a aprendizagem tanto da radiologia quanto dos demais assuntos envolvidos na temática abordada em cada módulo de estudo.
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