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Resenha do Livro: Pensamento Sistêmico: o Novo Paradigma da Ciência

PID: S1981-52712019000500001 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Cesario Cesario
RESUMO O livro Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência exercerá profundas implicações sobre aqueles que desejam compreender as políticas públicas brasileiras para a educação médica, pois tal paradigma estende seus tentáculos para quase todas as áreas do cotidiano, influenciando nossos modos de ser e estar no mundo. Os dois capítulos da parte I apresentam as noções de paradigma e epistemologia, conceitos amplamente utilizados muitas vezes com significados conflitantes, e destacam momentos marcantes no desenvolvimento da concepção de conhecimento científico. Percebem-se a importância do surgimento da ciência para a evolução do mundo e a origem de fenômenos tão presentes e controversos hoje, como a separação entre ciência e filosofia e entre corpo e mente. Os três capítulos da parte II apresentam respectivamente: o delineamento do paradigma tradicional da ciência, as dimensões do paradigma emergente da ciência contemporânea e o pensamento sistêmico como o novo paradigma da ciência. O capítulo 3 apresenta a ciência clássica e tradicional do ponto de vista de três pressupostos fundamentais: simplicidade, estabilidade e objetividade; um quadro de referência com seus próprios termos ajuda o leitor a situar-se em relação a esse paradigma da ciência e ao seu modo de ver o mundo. O capítulo 4 apresenta o paradigma emergente a partir dos pressupostos-espelho daqueles apresentados anteriormente: à simplicidade sobrepõe-se a complexidade; à estabilidade, a instabilidade; e à objetividade, a intersubjetividade. Outro quadro de referência com os termos que se encaixam nos três pressupostos, usados para explicar o novo paradigma, aproxima o leitor de termos mais relevantes para a educação necessária para o século XXI. O capítulo 5 apresenta o cientista novo-paradigmático e defende o pensamento sistêmico como o novo paradigma da ciência. É aqui que o leitor poderá adquirir o argumento que lhe faltava para se apropriar desse novo paradigma, transformando definitivamente sua postura epistemológica diante das questões da vida e do trabalho. O último capítulo, na parte III, traça as origens das abordagens teóricas dos sistemas e leva o leitor a vagar entre a teoria geral dos sistemas e a cibernética; construtivismo e si-cibernética; a teoria da autopoiese e a biologia do conhecer; a nova teoria geral dos sistemas e a teoria geral dos sistemas autônomos. Embora o paradigma da ciência tradicional ainda seja hegemônico, há evidências de que estamos passando por uma transição paradigmática. A revolução digital mudou a maneira como as pessoas pensam e aprendem; isso exige dos professores e profissionais de saúde treinados no último século uma ampliação do olhar para um objeto que emerge da distinção do(s) observador(es) quando em interação com outros objetos e com o ambiente em que vivem. O livro pode ser um começo para aqueles que se lançam na academia ou uma chegada para os que já iniciaram suas reflexões sobre seus papéis, como professores ou estudantes, nos tempos atuais; deve ser lido e debatido por todos os envolvidos com a formação de profissionais para o século XXI.

Residente como Professor: uma Iniciação à Docência

PID: S1981-52712019000200225 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Feijó Fakhouri Filho Nunes Augusto
RESUMO A residência médica, instituída legalmente no Brasil em 1977 pelo Decreto nº 80.281, é considerada a melhor estratégia de ensino em cenário de prática, sendo o padrão ouro da especialização médica. A característica mais marcante da residência é o treinamento em serviço, que articula ensino no cenário de prática, além de construir um perfil profissional. Os residentes desenvolvem também a função docente. Pesquisas americanas estimam que exerçam tal função em boa parte de suas atividades, chegando a um quarto do período total de tempo de seus programas de residência. Esse processo de ensino-aprendizagem durante a residência ainda é pouco estudado, principalmente no Brasil. O objetivo deste estudo foi realizar uma ampla revisão narrativa sobre RaT (Resident as Teacher), tema pouco explorado na literatura brasileira, avaliando historicamente o processo de ensino-aprendizagem dos programas de residência médica. Foi realizada uma revisão na literatura acerca do processo de ensino-aprendizagem da residência médica no Brasil e no mundo. Diversos países estão implementando treinamentos formais de ensino denominados programas de Resident as Teacher (RaT). Somente nos EUA, mais de 50% dos programas de residência têm alguma forma de treinamento RaT. Vários programas foram desenvolvidos e se diferenciam no conteúdo, na duração e no formato, porém são baseados em atributos de ensino considerados essenciais ao ensino. No que diz respeito ao conteúdo, os programas RaT enfatizam predominantemente o modelo preceptor minuto (One Minute Preceptor – OMP), a estrutura de ensino clínico do Programa de Desenvolvimento da Faculdade de Stanford ou os domínios mostrados por Irby como essenciais à excelência em ensino clínico. Em conclusão, sugere-se que os programas brasileiros de residência médica invistam em estudos e, consequentemente, em estratégias efetivas para aprimorar as técnicas de ensino para médicos residentes.

Resilience in the Training of Medical Students in a University With a Hybrid Teaching-Learning System

PID: S1981-52712019000500357 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Kubrusly Rocha Maia Sá Sales Mazza
ABSTRACT Background The exposure of students to stressful events and the association of these events with students’ mental health is an important matter in Medical Education. To address this arduous training and solve emerging problems, some students develop methods to help them and, among these, resilience. A hybrid learning system, merging active and traditional learning, can be a supplementary source of stress generation , since it demands the acquisition of knowledge by the students, for summative assessments of traditional teaching as well as for the autonomous search for knowledge, skills, and attitudes required in the problematization. Purpose To determine the degree of resilience throughout the medical course under the hybrid teaching-learning system, identifying underlying mechanisms. Methods This was a cross-sectional study developed from August 2017 to August 2018, at Christus University Center, Brazil, a medical school that uses problem-based learning curricula associated with traditional teaching methodology. Wagnild and Young Resilience Scale was applied to medical students from all semesters. Socioeconomic, emotional and self-reported performance variables were also collected. The association between variables was assessed with minimally adjusted logistic regression models. Results 173 medical students participated in this study, with a mean age of 22.4 years, of which 65.3% were females. 88.1% of the medical students showed high or very high resilience. Receiving support from family and friends was associated with better resilience (p values lower than 0.001), as students who were “very satisfied” or “satisfied” with family support had a greater tendency to develop better degrees of resilience, with results of “very high resilience trends” (82.50%) and “high resilience trends” (71.10%) surpassing the prevalence identified in dissatisfied students. Also, having a religious belief was also associated with higher resilience degrees (p value = 0.02). Conclusions Factors identified in this study, mainly the importance of the support network from family and friends can be stimulated in order to improve students’ resilience. There was no direct association between the academic performance self-assessment and the students’ resilience and the resilience of medical students tends to remain constant throughout the course.

Responsabilidade Social das Escolas Médicas e Representações Sociais dos Estudantes de Medicina no Contexto do Programa Mais Médicos

PID: S1981-52712019000500462 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Oliveira Santos Shimizu
RESUMO Diversos debates, no contexto nacional e internacional, têm sugerido a necessidade de mudanças na formação médica, de modo que ela esteja em consonância com a organização dos sistemas de saúde. Nessa perspectiva, propõe-se que as escolas sejam orientadas pela responsabilidade social, que consiste em ordenar o ensino, a pesquisa e as atividades em serviço para atender às necessidades em saúde com foco prioritariamente em áreas de difícil acesso. Uma referência mais recente na formação médica em nível nacional foi o Programa Mais Médicos, que dispôs sobre um novo marco regulatório para a educação médica. Avalia-se que as modificações introduzidas pelo programa podem influenciar a elaboração de novas representações sociais dos estudantes de Medicina. Por meio da teoria das representações sociais, realizou-se um estudo qualitativo para analisar a percepção sobre a responsabilidade social das escolas médicas de 149 estudantes de Medicina do sétimo semestre de quatro cursos de instituições federais de ensino superior da Região Nordeste. Dois dos cursos estão no interior e foram criados em virtude do Programa Mais Médicos e outros dois correspondem aos cursos de capitais com mais de 60 anos de existência. Com base na análise do currículo de cada curso, eles foram denominados “tradicionais” ou “novos”. Nos resultados, observou-se que os estudantes dos diferentes cursos se assemelham no que diz respeito ao ingresso por cotas, mas os estudantes de cursos “novos” têm maior ingresso por políticas afirmativas, incluindo critérios regionais de acesso. Ambos os grupos de estudantes destacaram prioritariamente o termo “dever”, o que pode remeter a um âmbito mais individual da noção de responsabilidade. Também foram citados com destaque nos dois grupos os termos “cidadania” e “ética”. Somente os estudantes das escolas “novas” citaram termos como “compromisso”, “justiça” e “SUS”. Essa percepção sugere uma noção mais ampla da responsabilidade social nos estudantes de escolas criadas em virtude do Programa Mais Médicos, apesar da literatura nacional insuficiente sobre esse tema. Conclui-se ressaltando a importância desse programa na implantação de escolas médicas em regiões que anteriormente não contavam com essa formação. Reforça-se ainda a relevância da dedicação dos professores que implantaram os cursos no interior da Região Nordeste, demonstrando a necessidade de se aprofundar nas temáticas que envolvem o desenvolvimento docente. Sugere-se ampliar as análises sobre experiências como essas, de modo que possam ser aprofundadas com a radicalidade necessária ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

Respostas Emocionais de Médicos aos Estímulos Afetivos do International Affective Picture System (IAPS)

PID: S1981-52712019000300046 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Castelhano Wahba
RESUMO As emoções dos médicos têm um papel importante na relação com o paciente, pois podem interferir em suas atitudes, percepções e nos processos de julgamento e decisão. O objetivo desta pesquisa foi analisar a resposta emocional dos médicos aos estímulos do International Affective Picture System (IAPS). Este estudo utilizou o método quantitativo e avaliou 30 médicos, homens e mulheres de diversas especialidades, que dedicassem parte (ou a totalidade) de seu tempo ao atendimento clínico no consultório, que tivessem no mínimo dois anos de experiência após a conclusão da residência médica e que atuassem em medicina convencional (clínica médica). Os instrumentos utilizados na análise foram: o questionário sociodemográfico, para análise das variáveis; o IAPS, composto por imagens afetivas capazes de induzir estados emocionais; e o Self-Assessment Manikin (SAM), para classificação das respostas emocionais por meio de duas escalas: prazer e alerta. Os resultados mostraram que, quanto à percepção emocional, não houve diferença entre os resultados da amostra e da população geral, mas houve diferença na relação com as variáveis sociodemográficas – idade, tempo de formado, tempo médio de atendimento (consulta) e horas semanais dedicadas ao trabalho no consultório –, concluindo-se que médicos mais velhos, com mais tempo de formados e que ficam mais tempo em consulta com o paciente se sentiram mais impactados diante dos estímulos emocionais do que os médicos mais jovens, com menos tempo de formados e que ficam menos com o paciente em consulta. Os resultados também mostraram que os médicos que dedicam mais horas semanais ao trabalho no consultório perceberam os estímulos de forma menos prazerosa que os médicos que trabalham menos tempo no consultório e que dividem seu tempo com outras atividades. São necessárias novas pesquisas e estudos para o aprofundamento do tema das emoções e de sua influência na prática médica, considerando amostras maiores, em contextos distintos e novas variáveis.

Role-Play como Estratégia Pedagógica para Problematizar as Linhas de Cuidado Integral em Saúde aos Adolescentes e Jovens

PID: S1981-52712019000500662 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Paulino Rosa Alves Barros Oliveira Raimondi
RESUMO Diante da necessidade de integrar o debate de gênero e sexualidade à formação médica, uma unidade curricular de Saúde Coletiva de um curso de Medicina público federal propôs a metodologia da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABPj) para essa formação. Nessa proposta pedagógica, os estudantes constroem um produto final como recurso para intervenção/aprimoramento da realidade. Dessa forma, a metodologia da Problematização, com o Arco de Maguerez, forneceu o subsídio à concretização desses produtos. Cada um desses projetos utilizou uma das políticas públicas relacionadas ao debate em torno do gênero e da sexualidade. Neste artigo, relata-se o projeto relacionado à Política Pública de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens na Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde. Na apresentação desse produto foi utilizada a metodologia do role-play, com três cenas, para intervenção/aprimoramento da realidade observada/vivida. Essa experiência também conquistou a premiação de melhor trabalho apresentado naquele ano no Congresso Brasileiro de Educação Médica, construindo nessa escola médica um espaço formal para o desenvolvimento de competências no tocante aos determinantes sociais de gênero e sexualidade, para uma prática médica integral e equânime. Este relato de experiência destaca ainda a relevância do uso de metodologias ativas, como a ABPj e role-play, na educação médica.

Saúde de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais: da Formação Médica à Atuação Profissional

PID: S1981-52712019000100023 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Negreiros Ferreira Freitas Pedrosa Nascimento
RESUMO Introdução A população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) está inserida em um contexto peculiar com relação ao grau de vulnerabilidade à saúde, trazendo desafios para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto sistema universal, integral e equitativo. Com isso, as práticas médicas para implementação de ações direcionadas ao cuidado LGBT podem contribuir de forma substancial para a melhoria da qualidade do acesso aos serviços básicos de saúde, porém perpassam a formação e o ensino médicos. Objetivo Analisar a formação médica para assistência à saúde da população LGBT, na perspectiva de médicos que atuam na atenção básica. Métodos Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório e descritivo, de análise qualitativa, sendo considerados sujeitos-chave 14 médicos que atuam na atenção básica. Para isto, utilizou-se a entrevista semiestruturada para a coleta e o Método de Interpretação dos Sentidos para a produção dos dados. Resultados Emergiram duas categorias, sendo que a primeira trouxe a importância da construção do saber médico-científico para a saúde LGBT, apontando as deficiências desde a formação curricular do curso de Medicina até as capacitações que deveriam ser ofertadas pelos serviços. Já a segunda categoria mostrou o delineamento das fragilidades no cotidiano do cuidado à saúde LGBT, apontando as realidades na assistência à saúde LGBT nas unidades de saúde. Conclusão Percebe-se a urgência na divulgação e implementação da Política Nacional de Saúde LGBT como ferramenta efetiva para promover os direitos humanos entre os profissionais médicos desde a graduação até a atuação profissional.

Sentimentos do Estudante de Medicina quando em Contato com a Prática

PID: S1981-52712019000100013 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Kaluf Sousa Luz Cesario
RESUMO Com a atual configuração curricular dos cursos de Medicina, desde o primeiro ano do curso o estudante entra em contato com os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e com a população usuária do sistema, o que costuma ser chamado de “contato precoce” com pacientes. Tal inserção precoce gera emoções diversas nos estudantes, positivas e negativas. Entretanto, poucos são os estudos brasileiros que abordam esta questão. Espera-se com este estudo descrever os sentimentos vivenciados por estudantes de Medicina de uma instituição privada no interior de São Paulo em três momentos do curso (primeiro, terceiro e quinto anos), quando se inicia uma nova modalidade de atividades junto aos usuários do SUS, respectivamente as atividades de interação com a comunidade na atenção básica, no ambulatório médico e no internato. Foram coletados dados de identificação demográfica e opções de sentimentos vivenciados no início e no fim do ano letivo, segundo gradação em baixa, média e alta intensidade. Os sentimentos investigados foram aborrecimento, alegria, benevolência, desilusão, desânimo, despreparo, empatia, esperança, impotência, motivação, perplexidade, raiva, realização, satisfação e tristeza. Participaram do estudo 120 estudantes. Os resultados apontaram ampla margem de sentimentos de natureza positiva, sendo alegria, motivação e satisfação os mais presentes nos três anos investigados. Desânimo, despreparo e aborrecimento foram os sentimentos negativos mais frequentemente referidos. Observou-se também intensidade forte de sentimentos positivos e intensidade razoável ou baixa de sentimentos negativos, com declínio do início para o fim do ano. Benevolência e esperança foram os sentimentos positivos menos referidos, ao passo que perplexidade, raiva e tristeza foram os sentimentos negativos menos prevalentes. Tais resultados chocam-se com o alto índice de transtornos mentais entre estudantes de Medicina referidos na literatura especializada e chamam a atenção para a necessidade de mais estudos nessa área e para a valorização do campo de prática com o usuário do sistema de saúde na formação profissional.

Situações de Violência Interpessoal/Bullying na Universidade: Recortes do Cotidiano Acadêmico de Estudantes da Área da Saúde

PID: S1981-52712019000500537 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Panúncio-Pinto Alpes Colares
RESUMO Bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas (de maneira insistente e perturbadora) que ocorrem sem motivação evidente e de forma velada, sendo adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s) numa relação desigual de poder, e são consideradas uma forma de violência interpessoal. Este fenômeno se manifesta sutilmente, sob a forma de brincadeiras, apelidos, trotes, gozações e agressões físicas. É possível identificar extensa literatura sobre as consequências do bullying para o desempenho escolar e participação em contextos de vida para crianças e adolescentes, mas ainda são poucos os estudos sobre o fenômeno na universidade. Este estudo buscou a percepção de estudantes e professores de uma universidade pública sobre a presença de violência interpessoal/ bullying no cotidiano acadêmico e suas manifestações. Participaram 137 estudantes e 32 professores, abordados por meio do questionário eletrônico Google Docs. Para 86 estudantes (63%) e 20 professores (63%), a violência interpessoal/ bullying está presente na graduação. A análise de conteúdo permitiu identificar sete categorias empíricas entre estudantes e três entre professores, sendo as mais frequentes violência interpessoal/ bullying na relação veterano-calouro; violência interpessoal/ bullying devido a características pessoais; violência interpessoal/ bullying devido à orientação sexual/gênero e violência na relação professor-aluno. Estudantes e professores são capazes de identificar tal fenômeno como presente no cotidiano da graduação e em diversas esferas, sendo mais recorrente entre os pares. Situações que emergem dos recortes discursivos preocupam pela intolerância presente no cotidiano, fazendo refletir sobre o papel da educação universitária na formação para a cidadania. É imprescindível tomar atitudes em relação à prática do bullying na universidade, a fim de garantir ao estudante sua estabilidade emocional e psicológica e seu bem-estar.

Testamento Vital: Conhecimentos e Atitudes de Alunos Internos de um Curso de Medicina

PID: S1981-52712019000200025 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Mendes Silva Ericeira Pinheiro
RESUMO Introdução O testamento vital é um documento em que o paciente define a que tipo de procedimentos médicos deseja ser submetido quando se encontrar em fase final de vida e constitui importante ferramenta de garantia da dignidade e autonomia do paciente. Objetivo Avaliar o nível de entendimento que os alunos internos do curso de Medicina têm acerca do testamento vital e das decisões que envolvem o final da vida. Métodos Trata-se de estudo quantitativo, descritivo e transversal, realizado com 147 acadêmicos de Medicina que cursavam o período relativo ao internato médico, mediante questionário composto por dez questões que permitiram aferir o nível de conhecimento dos estudantes sobre o testamento vital, verificar sua opinião quanto a respeitar ou não o conteúdo desse documento e questionar a oportunidade de discutir sobre testamento vital durante a graduação. As respostas dos alunos na questão relativa ao conhecimento acerca do testamento vital foram categorizadas em três possíveis grupos: “noção clara”, “noção parcial” e “noção equivocada ou desconhecimento da expressão”. Resultados Apenas 12,9% dos entrevistados tinham noção clara do significado da expressão “testamento vital”, enquanto 74,2% possuíam noção parcial e 12,2% tinham noção equivocada da expressão ou a desconheciam. Apesar disso, 96,6% dos estudantes relataram que essa temática foi discutida na graduação e 87,1% afirmaram conhecer a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.995/2012. A maioria dos estudantes (98%) declarou que, em caso de um paciente em fase final de vida ser detentor de um testamento vital, respeitaria as determinações previstas nesse documento. Conclusão Apesar de grande parte dos alunos ter algum conhecimento sobre a expressão “testamento vital”, apenas uma pequena parcela deles dispunha de noção clara de seu significado. Entretanto, suas atitudes frente a um paciente detentor de um testamento vital são claramente positivas, demonstrando boa aceitação do testamento vital pelo futuro médico.

Teste de Progresso em Consórcios para Todas as Escolas Médicas do Brasil

PID: S1981-52712019000400151 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Bicudo Hamamoto Filho Abbade Hafner Maffei
RESUMO O Teste de Progresso é uma ferramenta de avaliação longitudinal do ganho de conhecimento de estudantes que tem sido aplicada no Brasil há mais de dez anos. O teste situa o estudante em seu processo evolutivo de ensino-aprendizagem e permite à instituição realizar o diagnóstico de suas deficiências ao longo da estrutura curricular. Ele pode ser utilizado pelos colegiados competentes para avaliação de alterações curriculares e avaliações específicas de disciplinas ou módulos de ensino. Com base na experiência de um consórcio de escolas, a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) propôs um projeto que tinha como um de seus objetivos incentivar escolas de todo o País a adotarem o Teste de Progresso como uma de suas ferramentas de avaliação. Reportamos a estratégia adotada para constituir núcleos interinstitucionais de avaliação com Teste de Progresso, bem como os resultados da primeira prova nacional do Teste de Progresso, que contou com a participação de 58 escolas e 23.065 estudantes. A implantação de núcleos interinstitucionais de Teste do Progresso com processos colaborativos de realização da prova representou um avanço para as escolas envolvidas. As escolas iniciaram um processo de colaboração não apenas para o Teste de Progresso, mas também para o intercâmbio de informações e experiências que trocam com base no conhecimento de cada uma. O projeto funcionou como o início de um movimento para que escolas médicas de todas as regiões do País adotem o Teste de Progresso como uma ferramenta de avaliação com potencial para reorientar a formação médica, ao fornecer um diagnóstico de formação em nível individual e institucional.

Tomografia Computadorizada de Abdome na Urgência: o Uso Exagerado das Tecnologias Médicas e a Desvalorização do Diagnóstico Clínico

PID: S1981-52712019000500498 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Silva Oliveira Prado Almeida-Santos Reis
RESUMO O número de tomografias computadorizadas (TC) realizadas de urgência tem aumentado cada vez mais desde a introdução desse recurso nos pronto-atendimentos (PA). Isso levou ao aumento substancial dos custos hospitalares e da exposição dos pacientes à radiação ionizante, o que tem despertado a necessidade do uso mais criterioso da TC no PA. O objetivo deste estudo é mostrar a relação entre os diagnósticos clínico, tomográfico e definitivo em pacientes com dor abdominal aguda não traumática como forma de evidenciar situações nas quais o uso da TC de abdome no PA possa ser considerado dispensável. Trata-se de um estudo transversal, com coleta retrospectiva de dados em prontuário eletrônico. Foram selecionados 834 prontuários de pacientes com dor abdominal aguda (DAA) com menos de sete dias de duração até o atendimento inicial, submetidos à TC de abdome de urgência entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de dezembro de 2017. Os diagnósticos clínicos (pré-TC), tomográficos (pós-TC) e finais foram registrados e submetidos à análise de concordância por meio do cálculo do coeficiente Kappa (K), adotando-se p < 0,05 como significativo. As TC foram avaliadas como desnecessárias quando o diagnóstico clínico foi concordante com as situações em que o diagnóstico final e pós-TC foram também o mesmo. Os diagnósticos mais frequentes foram dor abdominal inespecífica (DAI), uropatia obstrutiva (UO) e apendicite (AP), que correspondem a 73,6% de todos os diagnósticos clínicos, 58,5% dos diagnósticos pós-TC e 61,3% dos diagnósticos finais. Os resultados mostraram concordância moderada para DAI (Kappa = 0,41; p < 0,001) e para UO (Kappa = 0,46; p < 0,001) e excelente para AP (Kappa = 0,87; p < 0,001). Foram consideradas desnecessárias 52,6% das TC realizadas em pacientes com diagnóstico de DAI, 82,4% dos pacientes com UO e 91,7% daqueles com diagnóstico final de AP. Conclui-se que há altas taxas de TC que podem ser entendidas como desnecessárias para o diagnóstico das principais condições de urgência encontradas, especialmente AP. O estudo alerta para a utilização exagerada da TC no PA e faz uma reflexão sobre possíveis causas, como falta de confiança no diagnóstico clínico, medo de erros médicos e processos judiciais, cujas soluções possíveis podem ser mais eficazes se adotadas ainda na base da formação médica.

Tradução e Adaptação Transcultural do Instrumento de Avaliação do Ensino Médico nas Desordens Musculoesqueléticas

PID: S1981-52712019000300054 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Raso Castro
RESUMO As desordens do sistema musculoesquelético representam entre 10-25% do motivo das consultas na atenção primária, mas apenas um pequeno percentual do currículo da graduação é dedicado ao estudo desse assunto. Assim, é necessário desenvolver instrumentos objetivos para avaliar essa deficiência na escola médica. O questionário de Freedman e Bernstein é uma ferramenta validada internacionalmente para avaliação dos conhecimentos médicos básicos sobre as desordens musculoesqueléticas e, consequentemente, do ensino durante a formação médica. O objetivo deste estudo foi desenvolver uma versão da escala em língua portuguesa, validada e adaptada transculturalmente para a população brasileira. A tradução e adaptação transcultural do questionário foram conduzidas seguindo as etapas de tradução inicial, retrotradução, composição de uma versão pré-final e seu teste, sendo realizadas as alterações necessárias após essa última fase e a elaboração do modelo final do instrumento. A etapa de teste da versão pré-final consistiu na sua aplicação ao público-alvo da pesquisa – 15 estudantes do último semestre de Medicina. Cada indivíduo respondeu às perguntas do inquérito e, em seguida, foi entrevistado para se analisar o que ele entendeu que era esperado em cada item do questionário. Tanto a interpretação da questão quanto a resposta foram exploradas. Houve dificuldade de compreensão em duas questões, tendo sido preciso substituir alguns termos para facilitar a assimilação. Após as alterações, não houve impedimentos ao entendimento do instrumento final pelos participantes. A validação de conteúdo foi avaliada por um painel de especialistas, que considerou apropriados os termos e a abrangência do questionário traduzido. Essa apreciação foi realizada após o teste final e nenhuma alteração foi recomendada. O questionário encontra-se traduzido para a língua portuguesa, apresentando equivalência semântica, idiomática, conceitual e cultural com o original. Recomenda-se seu uso para a avaliação do ensino das desordens musculoesqueléticas nas escolas de Medicina do País, possibilitando uma comparação do currículo ortopédico brasileiro com os padrões internacionais.

Transtorno de Ansiedade Social no Contexto da Aprendizagem Baseada em Problemas

PID: S1981-52712019000100065 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Rodrigues Rocha Araripe Rocha Sanders Kubrusly
RESUMO Objetivo Investigar os sintomas de transtorno de ansiedade social (TAS) entre os estudantes de Medicina do Centro Universitário Christus (Unichristus), instituição que adota o método de Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). Métodos Estudo transversal com 431 estudantes do primeiro ao quarto ano do curso de Medicina, por meio da aplicação da Escala de Ansiedade Social de Liebowitz (LSAS-SR), do Inventário de Ansiedade de Beck de Avaliação de Ansiedade, além de questionário com perguntas referentes a questões sociodemográficas, história familiar de doenças psiquiátricas, acompanhamento psicoterápico e psiquiátrico, nível de ansiedade para se expressar na tutoria e percepção de como a ansiedade variou ao longo dos semestres da faculdade. Resultados Utilizando-se a LSAS-SR como instrumento de triagem para casos de TAS, encontraram-se escores sugestivos do transtorno em 59,2% (255) dos estudantes. Em relação ao nível de ansiedade, o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) evidenciou que 59,3% (258) dos estudantes apresentaram nível de ansiedade mínimo; 26,6% (115), nível leve; 9,7% (42), nível moderado; e 4,4% (19), nível grave. Observou-se uma correlação significativa entre os escores obtidos nas escalas BAI e LSAS-SR: estudantes com sintomas sugestivos de ansiedade social apresentaram maior grau de ansiedade. Além disso, estudantes com sintomas de ansiedade social relataram maior nível de ansiedade para se expressar durante as sessões de tutoria. Conclusão A elevada prevalência de TAS apontada nesta investigação já justifica o estímulo à adoção de medidas psicoeducativas e estratégias pedagógicas que venham a auxiliar os estudantes com manifestações de ansiedade social a reduzir esses sintomas, favorecendo o processo de ensino-aprendizagem.

Uma Ferramenta para Desenvolver e Monitorar o Ensino da Saúde Coletiva no Curso Médico

PID: S1981-52712019000500377 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Bursztyn Alves
RESUMO Introdução As novas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso médico (DCN 2014) enfatizam a saúde coletiva como forma de assegurar o compromisso social na educação médica. Porém, elas não indicam claramente as competências a serem adquiridas e os conteúdos a serem trabalhados nesse campo. Essa lacuna precisa ser preenchida, tendo em vista a necessidade de orientar o vasto número de novos cursos de Medicina, que acompanhou a política do Programa Mais Médicos. Objetivos Identificar os desafios da saúde coletiva no ensino médico e construir uma ferramenta de planejamento estratégico para apoiar as escolas médicas no desenho e monitoramento desse componente do currículo de seus cursos. Metodologia A metodologia compreendeu duas etapas: 1. análise crítica de documentos-chave da educação médica (DCN e Matriz do Revalida) e 2. construção de ferramenta de planejamento estratégico para apoio à elaboração do currículo de saúde coletiva na graduação, por meio da condução de oficinas em que se utiliza o “método do mapeio de alcances”. Resultados Os documentos analisados revelam grande variabilidade no entendimento do lugar da saúde coletiva na formação e nas práticas médicas. Enquanto a Matriz do Revalida, publicada em 2009, estabelece as cinco áreas médicas sem fazer alusão à saúde coletiva, as DCN, publicadas em 2014, parecem supervalorizar esse campo. Porém, como não há uma definição clara acerca das competências e dos conteúdos, muitas vezes a saúde coletiva sofre um reducionismo e aparece confundida com medicina de família e comunidade ou sobreposta a ela. As oficinas participativas tomaram como desafio a reversão dessa visão reducionista ao construírem uma ferramenta apoiada na visão do médico no futuro, tendo como missão precisar competências e conteúdos de saúde coletiva no currículo. Identificaram-se os parceiros na implementação desse componente, as atitudes e mudanças esperadas de cada parceiro e o modo de monitorar seus progressos. Conclusão A ferramenta que se baseia no método de mapeio de alcances focaliza as conquistas e mudanças das pessoas. Apresenta-se como um dispositivo flexível e participativo e pode contribuir para a construção de currículos que formem médicos comprometidos com a realidade social.

Uma Investigação sobre Disfunções Familiares em Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712019000500047 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Motta Soares Belmonte
RESUMO Introdução As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina (2014) determinam como perfil do egresso médico uma identidade generalista, humanista, crítica, reflexiva e multicultural. Isto exige habilidades biopsicomotoras qualificadas (competências de cuidar, curar e reabilitar pessoas e suas famílias). Os núcleos psicopedagógicos nacionais encontram no atendimento desses estudantes conflitos pessoais, pedagógicos e familiares traduzidos em transtornos mentais. As disfunções familiares estarão relacionadas ao aumento dessa prevalência na graduação médica (socialização secundária)? Uma socialização primária insatisfatória contribuiria para o adoecer no processo do adultecer? Objetivos Verificar o perfil sociodemográfico, psiquiátrico e familiar de estudantes de Medicina numa instituição federal do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Métodos A pesquisa foi um estudo quali-quantitativo, com intervenção observacional, exploratória, transversal, descritiva e inferencial. A coleta de dados foi feita por meio de dois instrumentos: (1) um questionário construído para esta pesquisa, autoaplicável, com variáveis sociopsicodemográficas e categorias familiares disfuncionais descritas na literatura; (2) o Mini International Neuropsychiatric Interview (Mini), versão 5.0.0, compatível com os critérios do DSM-IV e validado por Patrícia Amorim/2000. Os dados foram colhidos após consentimento livre e esclarecido (TCLE) e organizados em banco de dados, no Excel. A análise foi feita com o software estatístico R. As variáveis quantitativas foram analisadas por desvio padrão, média, mediana e moda. As variáveis qualitativas tiveram análises de frequência. Foram realizados testes estatísticos: exato de Fisher, Wilcoxon bilateral, Qui-Quadrado e Shapiro-Wilk, de acordo com as variáveis e objetivos da análise. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa. CAAE: 67590317.5.0000.5258, em 25/07/2017. Resultados Foram avaliados 129 alunos, com 18 a 32 anos de idade, do primeiro ao 12º período da graduação, 49% do sexo feminino e 51% do sexo masculino. Prevalência de transtorno de ansiedade generalizada: 39,53%; de depressão (atual ou recorrente): 32,56%; e risco de suicídio: 28,68%. A depressão possuiu forte correlação com história familiar de transtorno psiquiátrico (p-valor: 7.639e-08) e com o relacionamento dos pais. Ela esteve presente naqueles com pais divorciados, viúvos ou sem relacionamento (p-valor: 0.008291). O risco de suicídio foi maior entre acadêmicos do ciclo básico, do primeiro ao quarto período da graduação (p-valor: 0,01), e possuía forte correlação com ter sofrido ou sofrer bullying (p-valor: 0,02), ter uma religião (p-valor: 0,006), e depressão (p-valor: 0,03) ou transtorno de pânico (p-valor: 4.903e-05). Houve correlação entre depressão (p-valor: 1.248 e-09) e risco de suicídio (p valor: 0.0009) nos que tinham problemas de comunicação na família. Transtorno de pânico foi observado em 17,05% dos entrevistados, sexo feminino (p-valor: 0.00583). Isto decorre do relacionamento dos pais. Os alunos com pais casados foram os mais afetados (p-valor: 0.01284) Conclusões: Os dados colhidos demonstraram correlações entre disfunções familiares e transtornos psiquiátricos, como depressão, risco de suicídio, transtorno de pânico e transtorno de ansiedade generalizada. Existe a necessidade de um ambiente de ensino-aprendizagem com espaços e cenários e educadores médicos que identifiquem precocemente o sofrimento psíquico na socialização secundária do futuro médico.

Unidade Educacional Eletiva: Experiência de Intercâmbio Internacional na Graduação em Medicina

PID: S1981-52712019000300196 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Gomes Chirelli Takeda
RESUMO No currículo integrado, instituiu-se a Unidade Educacional Eletiva (UEE) como uma ferramenta de construção de conhecimento e incentivo da autonomia dos acadêmicos no processo de formação médica. Nesse sentido, o intercâmbio internacional na graduação busca explorar potencialidades e desafios dentro de uma perspectiva pedagógica, por meio da vivência e compreensão das múltiplas formas de organização de outras instituições de ensino e serviços de saúde, pelo convívio com outros profissionais e estudantes.Uma das estratégias de construção do estágio eletivo pode ser em conjunto com associações estudantis. Este relatopretende contribuir, assim, para a formação em Medicina a partir da reflexão sobre como essa internacionalização do estágio eletivo interfere na formação médica, analisando suas potencialidades e desafios. Aborda os passos para a realização do intercâmbio, apresenta as atividades desenvolvidas nessa vivência, destaca finalidades e resultados observados, comreflexões sobre a vivência. Verifica-se que o intercâmbio internacional estimula a vivência, o reconhecimento e a compreensão das culturas; contribui para o estudante construir sua autonomia e estimula a visão crítico-reflexiva, que impacta a construção de conhecimento, tornando-o ciente de sua responsabilidade social como profissional de saúde. Em vista disso, a UEE tem incentivado o estudante a eleger o intercâmbio como uma atividade curricular, apoiando-o na escolha da área de estudo e instituição nacional ou internacional de seu interesse, podendo articular-se com outras organizações, dentre essas a estudantil. Positivamente tem-se o crescimento pessoal pela compreensão de diferentes culturas, novas amizades e parceria entre diferentes países, mas também há desafios, como a adaptação em outro contexto cultural, o distanciamento afetivo e a compreensão de que diferentes locais têm contextos históricos, sociais e econômicos distintos uns dos outros. Com efeito, pontuam-se avanços e mudanças interessantes para o aprimoramento da UEE, estimulando os estudantes a participarem mais da internacionalização durante a graduação, bem como salientando o papel do orientador no processo do planejamento do eletivo.

Uso de Álcool por Estudantes de Medicina segundo Características de Cursos e Escolas Médicas: uma Revisão da Literatura

PID: S1981-52712019000500098 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Nascimento Costa Pereira Kiepper Keher Moraes
RESUMO Introdução O álcool é fator de risco para várias condições de saúde e responde por mais de 3 milhões de óbitos por ano no mundo. A substância contribui para o desenvolvimento de doenças crônicas, como as cardiovasculares e o câncer, e para condições agudas relacionadas ao efeito direto sobre o sistema nervoso central. Apesar disso, seu uso constituí prática comum entre estudantes, particularmente entre os alunos de Medicina. Os objetivos do presente estudo foram: (i) fazer uma revisão de literatura para identificar estudos de prevalência de uso de álcool entre estudantes de Medicina de escolas brasileiras; (ii) analisar as estimativas de prevalência de uso de álcool segundo características dos cursos e das escolas médicas. Método Trata-se de revisão da literatura efetuada para resgatar publicações nas bases bibliográficas (i) Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde (Lilacs), utilizando a combinação de descritores de saúde [(estudantes de medicina AND álcool)], e (ii) US National Library of Medicine of National Institute of Health (Medline/Pubmed), usando a combinação de descritores de saúde [(medical students AND alcohol AND Brazil)]. Os padrões de uso de álcool nos últimos sete dias (7D), 30 dias (30D) e último ano (ANO) foram analisados pela visualização de gráficos de ações e de dispersão, bem como pela verificação de correlação. Resultados Foram incluídos 14 estudos, dos quais oito foram desenvolvidos na Região Sudeste. A maior parte das instituições envolvidas tinha administração pública (n = 8) e estava localizada em capitais (n = 8). A prevalência de uso de álcool nos últimos sete dias variou de 23,0% a 46,5%; nos últimos 30 dias, variou de 20,2% a 87,6%; e no último ano, variou de 79,3% a 92,9%. A correlação da prevalência com a carga horária do curso e com o tempo de existência da escola mostrou intensidade fraca nos três padrões de uso analisados. No padrão de uso de sete dias, a direção da correlação foi negativa nas duas características (carga horária do curso e tempo de existência da escola). Nos últimos 30 dias, a direção da correlação foi negativa com a carga horária e positiva com o tempo de existência da escola. No último ano, a direção da correlação foi positiva com a carga horária e negativa com o tempo de existência da escola. Conclusões O uso de álcool é tema recorrente na literatura científica no Brasil, e as prevalências de uso nos últimos sete dias, 30 dias e último ano são altas entre estudantes de Medicina. A influência das características de escolas médicas e de cursos de Medicina sobre o uso de substâncias psicoativas carece de mais atenção da comunidade científica, sendo notória a necessidade do envolvimento das instituições de ensino superior no controle do problema do álcool no Brasil.

Utilização da Aprendizagem Baseada em Equipes como Método de Avaliação no Curso de Medicina

PID: S1981-52712019000200208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Cunha Ramsdorf Bragato
RESUMO A educação de adultos pressupõe a utilização de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, que proponham concretamente desafios a serem superados pelos estudantes, tendo o professor como facilitador e orientador do processo. O objetivo deste estudo foi relatar o uso da Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE) como estratégia de avaliação dos alunos na disciplina Interação Ensino-Serviço na Comunidade (Iesc) no curso de Medicina. A aplicação da ABE ocorreu em duas turmas da Iesc, respeitando as três etapas previstas na metodologia. A experiência obtida com a aplicação da ABE em substituição à prova tradicional demonstrou aspectos relevantes, como: na preparação, é fundamental que o acadêmico se comprometa a estudar os temas propostos; a utilização de aplicativo foi uma estratégia inovadora; o desempenho da equipe superou o individual. A aplicação dos conceitos ocorreu nas aulas de campo da Iesc, pois esta propõe a observação de casos clínicos reais nas unidades de saúde e comunidade, utilizando os conhecimentos teóricos adquiridos para direcionar intervenções. A aplicação da ABE se mostrou um método eficiente para avaliação na Iesc, que se pauta na perspectiva da interação e processos colaborativos. O uso do recurso tecnológico como ferramenta despertou interesse entre os estudantes, minimizando a tensão que geralmente ocorre durante o processo da avaliação tradicional. É importante que os cursos de formação em saúde façam uma análise constante para que práticas do ensino tradicional não sejam supervalorizadas em detrimento das práticas ativas de aprendizagem.

Validade e Confiabilidade do Maastricht Clinical Teaching Questionnaire para Língua Portuguesa

PID: S1981-52712019000200015 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Gomes Morais Schwigel Vasconcelos Lima Andreto Vieira Oliveira
RESUMO Introdução Num cenário de aprendizagem clínica, preceptores devem se comportar como mediadores entre os saberes que o estudante já tem e os que necessita adquirir, integrando a teoria e a prática no contexto da assistência ao paciente. Para isso, é necessário capacitar preceptores e desenvolver instrumentos capazes de aferir o desempenho de tais docentes. Em 2008, foi desenvolvido na Holanda o Maastricht Clinical Teaching Questionnaire (MCTQ), destinado à avaliação de preceptores pelos estudantes com o objetivo de proporcionar feedback a esses sobre suas habilidades de ensino em relação à supervisão realizada durante o estágio. A validação de um instrumento para outro idioma é de grande valia, uma vez que permite avaliar e investigar determinado fenômeno em diferentes países. Objetivo Realizar a validação do MCTQ para a língua portuguesa. Metodologia Trata-se de um estudo de validação de instrumento de pesquisa realizado em quatro hospitais do Nordeste brasileiro com a aplicação da versão adaptada para a língua portuguesa do MCTQ em uma amostra não probabilística composta por 246 estudantes de Medicina do quinto e sexto anos de quatro diferentes instituições de ensino do Estado de Pernambuco. Para avaliar a validade do construto, foi utilizado o índice Kappa. A confiabilidade foi medida por meio do Coeficiente Alfa de Cronbach padronizado. O nível de reprodutibilidade do MCTQ foi calculado pelo teste t de Student para medidas repetidas, comparando valores do teste e do reteste. A pesquisa foi aprovada no Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade Pernambucana de Saúde. Resultados O índice Kappa variou entre 0,527 e 0,710, e o Coeficiente Alfa de Cronbach de 0,77 a 0,954, comprovando bom grau de concordância e de consistência interna do instrumento, respectivamente. Em relação à reprodutibilidade, todos os valores de coeficiente de correlação encontrados foram significativos e de boa magnitude (≥ 0,72). Conclusão A versão em português do MCTQ mostrou-se confiável e válida para uso na língua portuguesa e pode ser útil como instrumento a promover melhorias pedagógicas nos cursos de graduação e pós-graduação, especialmente aqueles relacionados às ciências da saúde.
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