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Validação de um Programa de Treinamento Simulado de Habilidades Laparoscópicas por Residentes de Cirurgia

PID: S1981-52712019000200106 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Barreto Rocha Borges Peixoto Júnior Moura Júnior Peixoto
RESUMO Introdução Os treinamentos com simuladores para videocirurgia têm sido propostos como ferramentas de ensino, permitindo avaliação formativa de alunos em condições mais controladas e seguras. Objetivo Validar um programa estruturado de treinamento de endossuturas para residentes de cirurgia, por meio de duas escalas estruturadas de aquisição de habilidades laparoscópicas e da percepção dos participantes. Métodos Estudo experimental longitudinal quantitativo, que contou com a participação de 12 residentes de cirurgia provenientes de quatro hospitais distintos. O treinamento consistia na confecção de endossuturas com simuladores de vídeo em sete sessões num período de sete meses. A avaliação da progressão da competência técnica dos alunos foi realizada por três avaliadores, utilizando-se o Objective Structured Assessement of Technical Skills (Osats) e a Escala de Progressão de Proficiência (EPP) em Endossuturas. Os residentes usaram um questionário com escala de Likert de 1 a 5 para avaliar o programa de treinamento realizado quanto à aquisição de habilidades específicas. Foram feitos os testes de Anova e Qui-Quadrado para comparação entre variáveis. As correlações e associações entre duas variáveis numéricas foram verificadas por meio de regressão linear simples e múltipla, quando foram incluídos os fatores determinantes além do número de sessões de treinamento. Foi calculado o ranking médio para análise da escala de Likert. Foram consideradas significativas as comparações com valor de p ≤ 0,05. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição. Resultados Quanto ao desempenho dos residentes observado pelos avaliadores por meio do Osats, observou-se melhora estatisticamente significante na pontuação em relação aos ítens: respeito ao tecido (p = 0,006), tempo e movimento (p = 0,001), conhecimento e manuseio dos instrumentos (p = 0,002), fluxo da cirurgia (p = < 0,001), conhecimento do procedimento específico (p = 0,001), pelo teste Qui-Quadrado. Em relação ao número total de pontos pela EPP e à nota média nos testes pelo Osats modificado, o total e a nota média nos testes foram significantes (< 0,001 e < 0,001), utilizando-se o teste Kruskal-Wallis ao longo dos meses de treinamento. Na percepção dos alunos, o programa de treinamento contribuiu para o desenvolvimento de habilidades cirúrgicas, tendo como itens mais bem avaliados o manuseio de pinças e porta-agulhas e a confecção de nós. Os itens mais mal avaliados foram a hapticidade e a passada de alça. Demonstrou-se ganho significativo na aquisição de competência técnica pelos residentes durante o curso, percebido por meio dos dois instrumentos de avaliação utilizados (Osats e EPP). Conclusão Houve ganho significativo de habilidades pelos residentes de cirurgia ao longo dos sete meses do programa de treinamento simulado, demonstrado pelos dois instrumentos de avaliação estruturada e pela percepção dos residentes.

Voluntariado: uma Avaliação da Motivação entre Acadêmicos de Medicina e da Experiência no Projeto “Cuidando da Sua Saúde em Ponto dos Volantes, Jequitinhonha, MG”

PID: S1981-52712019000500490 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Amorim Real Duarte Mesquita Cota Miranda
RESUMO Objetivo Trata-se de um estudo descritivo, dividido em duas abordagens distintas, a respeito do trabalho voluntário entre estudantes de Medicina. Este artigo buscou compreender o nível de engajamento desses estudantes em projetos voluntários e as repercussões geradas com a atuação em um projeto de voluntariado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em um grupo de alunos. Método O estudo foi realizado em duas partes. A primeira parte trata-se de um estudo transversal de análise quantitativa que, por meio de um questionário online na plataforma Google Forms, entrevistou 135 acadêmicos de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) do primeiro ao décimo segundo período. Os participantes foram questionados sobre já terem ou não se engajado em serviços voluntários e os motivos deste engajamento. A segunda parte do artigo versa sobre um estudo transversal de análise qualitativa que avaliou o impacto do projeto voluntário “Cuidando da sua saúde em Ponto dos Volantes”, promovido pela Faculdade de Medicina da UFMG, na vida dos participantes. O projeto ocorreu em julho de 2017 no Vale do Jequitinhonha (MG), com 19 integrantes, todos alunos da graduação de Medicina. Foram avaliadas, por meio da plataforma Google Forms, as opiniões de 15 dos 19 estudantes participantes do projeto. Resultados Os resultados do primeiro estudo mostraram que 108 (80%) dos participantes já haviam feito algum trabalho voluntário na vida e 97,3% deles gostariam de participar de outra atividade semelhante. Quando questionados sobre os benefícios que o voluntariado proporcionou, o crescimento pessoal foi a alternativa mais selecionada, com 94 (25,06%) votos dentre o total de 375 votos; o incremento do curriculum vitae não ficou entre os mais votados, tendo obtido somente 23 (6,13%) votos. Entre as pessoas sem interesse em se dedicar ao voluntariado, a falta de tempo foi o motivo mais escolhido. Além disso, 110 (81,48%) dos participantes da pesquisa afirmam ter desejo de trabalhar como voluntários após a graduação. No segundo estudo, todos os 15 alunos (100%) que responderam ao questionário mostraram interesse em realizar novo trabalho voluntário. Quando indagados sobre o impacto do trabalho em suas vidas, apenas aspectos positivos foram levantados, como valorização da própria vida e da do próximo. Quanto ao motivo de se engajar no projeto, a grande maioria mencionou a possibilidade de conhecer realidades distintas da cotidiana e dos serviços da faculdade. Conclusão Juntos, ambos os estudos mostram que o trabalho voluntário tem alcançado notoriedade na vida dos estudantes de Medicina da UFMG e que o não engajamento em tais projetos ocorre mais por falta de conhecimento e divulgação destes do que pela falta de interesse dos alunos. Nosso estudo concluiu ser necessário maior investimento na criação e divulgação de projetos voluntários acadêmicos e acredita que essa realidade deva ser expandida não só nas universidades ao longo do País, mas em escolas e em comunidades como um todo.

“Nunca Me Falaram sobre Isso!”: o Ensino das Sexualidades na Perspectiva de Estudantes de uma Escola Federal de Medicina

PID: S1981-52712019000500108 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2019
Autores: Val Mesquita Rocha Cano-Prais Ribeiro
RESUMO Estudantes e profissionais de saúde se mostram embaraçados ao se depararem com questões relativas às sexualidades de seus pacientes. Diante disso, não é incomum o estabelecimento de uma relação superficial, erros no diagnóstico e a impossibilidade de condução do tratamento. Pesquisas indicam que essa dificuldade decorre de uma formação inadequada dos profissionais, especialmente no que diz respeito ao cuidado de grupos vulneráveis, cujas experiências extrapolam os marcos heteronormativos hegemônicos que delimitam o campo sexual. No Brasil, poucos estudos buscaram compreender como esse assunto é tratado no ensino médico. Esta investigação se debruçou sobre essa questão e teve como objetivo conhecer, na perspectiva de estudantes de uma escola federal de Medicina, como os aspectos relacionados às sexualidades e aos gêneros são abordados em suas graduações. Trata-se de uma pesquisa qualitativa em que foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 15 estudantes do último ano do curso. As falas foram gravadas, transcritas e examinadas por meio da análise de conteúdo. O diálogo entre as categorias empíricas que se sedimentaram ao longo da investigação e a literatura revelaram dificuldades dos alunos em lidar com um tema que não pode ser completamente apreendido por um saber técnico e operacional. A ideia de que não se fala sobre o assunto no curso de Medicina contribui para velar o fato de que se fala (e se fala muito) sobre tais questões. A abordagem, no entanto, se dá por um viés organicista, que contribui para a manutenção da crença em categorias binárias, naturalizadas e essencializadas, que reforçam as normas que regulam o campo da sexualidade. Apostando no protagonismo de todos aqueles envolvidos no ensino médico, discute-se, finalmente, a necessidade de alterações qualitativas no currículo que possibilitem a construção de novas formas de conhecimento e de atuação. Formas que, valorizando experiências, saberes e práticas pedagógicas diversas, possam romper com as dicotomias e com as hierarquias hegemônicas, transformando positivamente a realidade social.

A Análise de Trajetórias Assistenciais como Metodologia de Integração Ensino-Serviço na Saúde

PID: S1981-52712018000400184 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Argenton Pilecco Dolinski Medeiros
RESUMO A integração ensino-serviço é considerada pelo Ministério da Saúde (MS) uma importante estratégia para a formação de profissionais que atendam aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Este artigo descreve um relato de experiência acerca da promoção de integração entre estudantes de Medicina e uma equipe Estratégia Saúde da Família (ESF). A partir das Visitas Domiciliares (VD) às famílias acompanhadas pelos estudantes, elaborou-se o desenho de trajetórias assistenciais que posteriormente foram discutidas com os profissionais da ESF. As trajetórias evidenciaram o agravo de doenças crônicas, o mix público-privado na utilização dos serviços de saúde e a busca de atendimento apenas quando surgem os sintomas. A equipe de saúde confirmou as dificuldades relatadas pelos usuários em relação ao atendimento especializado, ao acesso a procedimentos cirúrgicos e à realização de alguns exames. Por outro lado, os profissionais também relataram cuidados que não apareceram nas trajetórias informadas pelo usuário, como a realização de consultas médicas na ESF e atendimento realizado pela equipe de enfermagem. Observou-se que muitos usuários percebem a atenção primária (AP) como uma extensão do atendimento emergencial, não compreendendo as atribuições desse nível de atenção. Esta situação, somada à dificuldade da equipe na realização da promoção em saúde e de VD, contribui para a frustração dos trabalhadores da ESF. Esta análise permitiu aos estudantes identificar tanto as dificuldades do usuário no acesso à saúde como as da equipe para promover a integralidade do cuidado. Além disso, verificou-se certo distanciamento entre o preconizado pelas políticas públicas e os processos de trabalho, apesar dos esforços dos trabalhadores para atender às necessidades dos usuários, evidenciando também as falhas na gestão e na rede de atenção à saúde. Constatou-se a importância desta metodologia para a formação interprofissional em saúde, visto que promove a análise de situações encontradas no cotidiano de uma equipe de saúde.

A Aprendizagem Baseada em Casos da Atenção Primária à Saúde nas Escolas Médicas Brasileiras

PID: S1981-52712018000200045 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Chini Osis Amaral
RESUMO Este estudo visou conhecer a inserção dos estudantes na comunidade das escolas médicas brasileiras e como essas escolas estão realizando a integração curricular dos conteúdos básicos ao clínico por meio de casos clínicos vivenciados da atenção primária à saúde. Um questionário estruturado, com 26 itens, pré-testado, foi enviado inicialmente por e-mail aos coordenadores de 160 cursos de Medicina reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), com pelo menos uma turma de egressos. As escolas e os coordenadores foram identificados com base na lista de escolas filiadas à Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), no período de maio a outubro de 2013. O questionário foi respondido por 108 coordenadores das escolas médicas associadas. As respostas foram obtidas por e-mail, entrevista gravada por telefone (telepesquisa) e impressos (face a face), de maio a outubro de 2013, após assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os dados foram tabulados e analisados por meio de estatística descritiva, com distribuição percentual das variáveis categóricas, utilizando o programa estatístico Epi-InfoTM, versão 7.1.4.Para 88% dos coordenadores entrevistados, a escola prevê a integração curricular entre ciências básicas e clínicas; 58,3% apresentam integração curricular por meio da metodologia da problematização com casos clínicos da atenção primária à saúde;para 43,5% dos entrevistados, os conteúdos estão parcialmente integrados. Todas as escolas seguem as DCN 2001 e 38,9% delas receberam auxílio de políticas indutoras do governo federal. O currículo está norteado pelos agravos mais prevalentes para 63,9% das escolas, e 75,9% consideram os objetivos de aprendizagem relevantes para a população. Um total de86,1% prevê o trabalho com equipe multiprofissional, e 56,5% das escolas integram o médico de família com as demais especialidades. Para 71,3%, as atividades na comunidade aumentam a responsabilidade social dos egressos, e 37% acreditam que essas atividades possam auxiliar na melhor distribuição dos futuros profissionais. De acordo com os coordenadores, a maioria das escolas médicas apresenta integração de conteúdos básico-clínicos, e 67,6% opinaram que as estratégias utilizadas para integração em suas escolas são bem-sucedidas.

A Arte no Ensino da Cardiologia: Relato da Experiência do Uso de Massas Moldáveis no Aprendizado da Anatomia Normal e Patológica do Coração

PID: S1981-52712018000400103 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Amorim Junior Severi Moser Mattos
RESUMO INTRODUÇÃO A anatomia e a fisiologia do coração humano há muito tempo despertam curiosidade, dada a complexidade da morfologia cardíaca, a sua importância para a manutenção da vida e seu grande valor simbólico. O entendimento da fisiologia cardíaca e sua representação nas diversas modalidades artísticas têm ajudado até hoje na formação de profissionais de saúde que trabalham com cardiologia e também na comunicação com familiares. Este artigo apresenta a experiência de um especializando em um serviço de referência no ensino de cardiologia pediátrica, na construção de modelos de corações normais e patológicos em massa de modelar e massa de biscuit, e as implicações no processo de ensino-aprendizagem do grupo de preceptores e residentes da instituição. RELATO DE EXPERIÊNCIA Um residente do primeiro ano de cardiologia pediátrica, sem treinamento ou experiência prévia com artes plásticas, foi estimulado pela preceptoria do programa a moldar corações normais e com cardiopatias congênitas para fins de aprendizado da anatomia interna e externa do órgão. Os materiais utilizados foram massa de modelar e massa de biscuit. RESULTADOS Dez peças foram produzidas ao longo de um ano de especialização, com melhora progressiva nos aspectos artísticos e anatômicos. Entre os modelos patológicos, foram produzidas peças representativas de tetralogia de Fallot, transposição dos grandes vasos, persistência do canal arterial e comunicação interventricular. CONCLUSÃO A experiência proporcionou três efeitos positivos constatados pela equipe: maior entendimento da anatomia cardíaca normal e patológica por parte do especializando envolvido, o qual se refletiu, por exemplo, em melhor compreensão de imagens médicas, como ecocardiografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética cardíacas, maior aproximação dos residentes do programa com as artes plásticas em uma especialidade que sempre teve uma relação muito estreita com o desenho e a escultura, e produção de modelos em três dimensões de estruturas normais e patológicas que podem ser usadas em aulas e encontros científicos para discussão da disciplina.

A Avaliação Crítica da Literatura Médica como Instrumento de Complementação Educacional no Internato de Medicina

PID: S1981-52712018000100027 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Silva
RESUMO Este artigo aborda a literatura científica como um instrumento de auxílio na busca do conhecimento pelo interno de Medicina, associada a uma avaliação crítica de publicações de artigos médicos. A produção científica no mundo tem se tornado um grande aliado do ensino médico e pode ser intensificada no internato de Medicina. A saúde baseada em evidência, que engloba a melhor literatura científica, associada à experiência clínica e à vontade do paciente, tem despertado a necessidade do profissional de saúde de se atualizar por meio da literatura médica. Entretanto, muitos artigos científicos estão sendo produzidos e publicados sem terem sua qualidade avaliada. Saber escolher uma literatura por meio do conhecimento de sua crítica auxilia o profissional de saúde a otimizar seu tempo. Na graduação, o estudante tem espaço para aprender a identificar fatores relevantes para definir qual o melhor artigo e, juntamente com o aprendizado clínico, entender e discutir a melhor conduta para o paciente. A pergunta é o ponto de partida do estudante de graduação, seguida pela busca da melhor terapia, dos melhores exames diagnósticos, qualidade de vida do paciente e prognóstico de alguma doença. Esse universo impulsiona o aluno de graduação a se interessar pela leitura de um artigo relacionado a sua dúvida. A facilidade de realizar buscas nos bancos de dados eletrônicos auxilia na escolha da melhor literatura e traz ao leitor o que está sendo produzido no mundo científico. O aprendizado de como avaliar criticamente a literatura científica tem se tornado um grande parceiro do aluno da graduação de Medicina na busca de novos conhecimentos com evidência científica de alta qualidade. A importância da avaliação crítica da literatura reside em despertar nos estudantes o interesse pela pesquisa clínica associada ao conhecimento de novas tecnologias produzidas mundialmente. Sua aplicação consciente possibilita melhor qualidade na assistência clínica.

A Experiência de Alunos do Internato em Medicina de Família e Comunidade na Condução de Entrevistas McGill MINI Narrativa de Adoecimento com Pacientes Crônicos com Dificuldades de Adesão ao Tratamento

PID: S1981-52712018000300178 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Bastos Cunha Souza
RESUMO A formação médica no Brasil, apesar das várias políticas indutoras governamentais objetivando sua mudança é, ainda, predominantemente hospitalocêntrica, sendo o processo de aprendizagem centrado na doença. Em uma escola médica tradicional, realizamos uma pesquisa na qual o aluno do Internato conduziu uma entrevista voltada para experiência de adoecimento com pacientes crônicos com dificuldades de adesão ao tratamento de hipertensão e/ou diabetes na Atenção Primária. Quatorze Internos em Medicina de Família e Comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro foram treinados a aplicar a Entrevista McGill MINI Narrativa de Adoecimento para identificar os modos de compreensão e atribuição de sentidos da experiência de adoecimento e tratamento. Antes e depois da realização do conjunto de 35 entrevistas McGill MINI, os alunos foram individualmente ouvidos quanto a sua compreensão do fenômeno adesão e à experiência com a entrevista McGill MINI. As 35 entrevistas realizadas pelos alunos foram analisadas quanto ao alcance dos objetivos de cada seção da entrevista McGill MINI, além do objetivo geral do entrevistador ser capaz de ofertar um lugar de expertise ao paciente no relato de sua experiência de adoecimento. Buscamos investigar a consistência da experiência do aluno com este roteiro para a obtenção da narrativa de adoecimento, utilizando para tal os temas conceituais desta entrevista – protótipos e modelos explicativos – e os temas emergentes identificados através da análise de conteúdo realizada conforme a técnica descrita por Bardin. Na análise das entrevistas realizadas pela pesquisadora com os Internos ao início e final do Internato, a análise temática foi feita a partir de dois grandes temas: compreensão e experiência clínica com o fenômeno da adesão, e apreciação da experiência de realização da entrevista McGill MINI no contexto da formação médica. Os alunos reconheceram a entrevista McGill MINI como útil para compreender e explorar a experiência de adoecimento e tratamento de um indivíduo no seu contexto socioeconômico e cultural. Ao reconhecerem esta importância da entrevista McGill MINI, os Internos frequentemente referiam as poucas oportunidades de aprendizagem na abordagem de pacientes em geral. Apesar de previamente reconhecerem a importância da escuta e do desenvolvimento do vínculo, desconheciam como isto poderia ser construído, e a experiência aumentou a autoconfiança no cuidado às pessoas no cotidiano médico. Os alunos perceberam que a não-adesão envolve múltiplos fatores, que normalmente não aparecem durante uma consulta médica habitual, e houve de fato uma ampliação na compreensão do fenômeno da adesão.

A Importância da Identificação dos Estilos de Aprendizagem na Educação Médica

PID: S1981-52712018000300189 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Caetano Luedke Antonello
RESUMO A aprendizagem é uma construção complexa que envolve diversos fatores, principalmente a interação entre professores e alunos no processo de ensino/ aprendizagem. Entender como os alunos aprendem e quais fatores influenciam o desempenho acadêmico são informações essenciais para o planejamento das aulas, além de permitir um melhor aproveitamento do potencial de aprendizado e desempenho dos alunos. A capacidade de modificar construtivamente o comportamento de uma pessoa depende de quão bem combinamos nossas experiências, reflexões, conceituações e estratégias para desenvolver o processo de mudança. Isso parece particularmente relevante na educação médica, na qual se espera que os alunos retenham, processem e apliquem grandes quantidades de informação durante todo o período de treinamento. Ao longo dos anos tem havido uma mudança gradual na educação médica de uma abordagem de aprendizagem passiva para uma abordagem de aprendizagem ativa. Para fortalecer o ambiente de aprendizado, os educadores precisam estar cientes dos diferentes estilos de aprendizado de seus alunos e, desta forma, adaptar estratégias e metodologias pedagógicas que aprimoram o processo de aprendizagem. No entanto, o espaço de reflexão sobre o processo de ensino ainda é incipiente nas instituições de ensino superior no Brasil. O presente artigo propõe uma revisão crítica sobre a importância da identificação dos estilos de aprendizagem dos alunos no ensino médico de graduação. Existem diferentes ferramentas para avaliar estilos de aprendizagem. Diferentes estilos podem coexistir em equilíbrio (estilo multimodal) ou predominar (estilo unimodal) no mesmo indivíduo. Avaliar os estilos de aprendizagem dos alunos pode ser uma ferramenta útil na educação, uma vez que é possível analisar as vias sensoriais mais favoráveis para assimilar e processar os conhecimentos, influenciando positivamente o processo de aprendizagem. No último século, a educação médica vem postulando novos desafios para melhorar o processo de aprendizagem através da reforma curricular. Além disso, impulsionou mudanças cruciais no campo da educação médica, transformando um modelo de ensino passivo, previsível e centrado na figura do professor em um modelo de aprendizagem ativo, centrado no aluno, interativo e baseado em problemas.

A Integralidade em Saúde na Educação Médica no Brasil: o Estado da Questão

PID: S1981-52712018000400123 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Dias Carvalho Landim Carneiro
RESUMO A educação médica vem protagonizando transformações importantes nas primeiras décadas do século XXI no Brasil, buscando redirecionar a formação no sentido de atender aos princípios e diretrizes do sistema nacional universal de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo tem como principal objetivo pesquisar sobre a integralidade como eixo norteador do ensino médico na graduação no Brasil, visando contribuir com as discussões na área sobre a temática. Trata-se de um estudo de revisão de literatura inspirado na abordagem do estado da questão, que propõe a realização do mapeamento bibliográfico de modo dirigido para identificar, aprimorar e destacar a especificidade e a relevância do objeto de investigação. A pesquisa foi realizada no segundo semestre de 2017 nas bases de dados SciELO e Lilacs, utilizando como descritores “educação médica” e “integralidade em saúde”. Como critérios de inclusão, elegeram-se exclusivamente artigos científicos publicados no período de 2007 a 2017. Com base nos critérios de inclusão/exclusão, foram selecionados cinco artigos para compor os dados da pesquisa. A análise e interpretação se deram com base na análise de conteúdo temática, que resultou em três categorias: polissemia e polifonia da integralidade, contribuição da noção de competência para a integralidade e integralidade como meta permanente do cuidado e do ensino. Os resultados encontrados indicam que os discentes de Medicina sentem dificuldade em conceituar integralidade em sentido amplo, limitando-se ao sentido de “cuidado integral”. Os docentes também sentem dificuldade de trabalhar a integralidade no ensino, contudo, nos cursos com currículos orientados por competência, como preconizado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso médico, a integralidade se mostra mais presente na relação teoria-prática. Por último, a integralidade é abordada pelos autores como busca permanente a orientar a formação médica desde a graduação. Estes resultados demonstram que há interesse e preocupação em formar os profissionais médicos para atender às necessidades de saúde dos indivíduos e populações com base numa compreensão abrangente, teórica e prática da integralidade.

A Integração do Telessaúde nas Centrais de Regulação: a Teleconsultoria como Mediadora entre a Atenção Básica e a Atenção Especializada

PID: S1981-52712018000200063 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Maeyama Calvo
RESUMO Em 2007, o Ministério da Saúde, com o objetivo de desenvolver ações de apoio às equipes de atenção básica por meio da educação permanente e de tecnologias virtuais, instituiu o Programa Telessaúde Brasil, mais tarde denominado Telessaúde Brasil Redes. Inicialmente, no projetopiloto, foram constituídos nove Núcleos de Telessaúde no Brasil, sendo um deles em Santa Catarina, vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina e posteriormente com parceria da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Um dos serviços ofertados pelo Núcleo de Telessaúde de Santa Catarina é a teleconsultoria, que se trata de consulta registrada e solicitada por profissionais de saúde com o fim de esclarecer dúvidas sobre procedimentos clínicos, de gestão e processo de trabalho, realizada por meio de telecomunicação bidirecional à distância. Embora o serviço esteja disponível desde sua implantação, seu uso sempre foi numericamente pequeno, ao passo que há grande quantidade de encaminhamentos desnecessários à atenção especializada com possibilidade de manejo na atenção básica. Este trabalho relata a experiência da implantação de fluxo compulsório de teleconsultoria antes do encaminhamento às especialidades, ocorrida no Núcleo de Telessaúde de Santa Catarina. O estabelecimento do fluxo compulsório demonstrou que grande parte dos casos apresenta sugestão de manejo na atenção básica, com diminuição importante do número de encaminhamentos às especialidades envolvidas e consequente diminuição do tempo de espera para consulta com o especialista. Além disso, nestes casos de sugestão de encaminhamento, a teleconsultoria possibilita a classificação de risco, a solicitação prévia de exames e o manejo compartilhado, qualificando, desta forma, o acesso à especialidade e o próprio cuidado ao usuário. A teleconsultoria potencializa ainda a qualidade da comunicação entre os pontos de atenção, pois ela passa a ser estratégica na definição do fluxo do usuário, tanto para a referência, quanto para a contrarreferência, com aprendizado mútuo e funcionamento que de fato caracteriza uma rede de cuidados. Quanto à compulsoriedade da teleconsultoria, ainda que cause alguns desconfortos no início do processo, o uso incipiente do serviço quando da modalidade espontânea, o número de encaminhamentos desnecessários às especialidades e a quantidade de teleconsultorias com possibilidade de manejo na atenção básica justificam a decisão como propósito de gestão. Esse conjunto de aspectos tem impacto positivo no cuidado do usuário, que tem suas necessidades atendidas e acompanhadas, seja na atenção básica ou na atenção especializada, em tempo, situação e local oportunos.

A Jornada do Acadêmico de Medicina - Um Modelo Simbólico da Formação Médica

PID: S1981-52712018000100040 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Aragão Rossi Casiraghi
RESUMO Formar-se médico é reconhecidamente uma tarefa árdua e que envolve grandes desafios, que se iniciam no processo de entrada para a universidade e se estendem durante o longo processo de formação. No presente ensaio, revisita-se o modelo clássico da Jornada do Herói, também conhecido como monomito. Este modelo, proposto pelo antropólogo Joseph Campbell e revisado pelo roteirista cinematográfico Christopher Vogler, foi utilizado para descrever e compreender as diferentes percepções das transformações sofridas pelos acadêmicos de Medicina ao longo do curso. O presente trabalho consiste em um ensaio teórico interpretativo que busca correlacionar a vivência do percurso de formação do estudante de Medicina com a Jornada do Herói. Mesmo considerando que as situações individuais são vivenciadas em sua singularidade, a análise dos aspectos comuns fornece subsídios para identificar aspectos de vivências coletivas. Não se pretende provar nenhum ponto específico, mas justamente discutir como as etapas do monomito se apresentam no cotidiano acadêmico. O que se busca é interpretar a vivência do percurso formativo de um estudante de Medicina na perspectiva do arquétipo do herói, identificando os eventos que definem as etapas ou passos na Jornada, segundo a visão de Campbell. A discussão traz a lume a jornada do acadêmico apresentada segundo os passos propostos inicialmente: quatro atos contendo três passos cada. É importante ressaltar que os estágios não são propostos como etapas fixas ou obrigatórias, mas, sim, como sendo passíveis de embaralhamento, supressão ou acréscimo, sem comprometimento da narrativa. Dessa forma, os principais eventos da trajetória do estudante de Medicina foram confrontados com os eventos previstos do monomito, enfatizando o caráter simbólico da jornada, que é primordial. As similaridades entre a Jornada do Herói e a experiência acadêmica foram analisadas, fornecendo subsídios que fomentem a discussão dos aspectos simbólicos da formação médica, seus impactos nas situações vivenciadas por alunos, professores e profissionais médicos, bem como sua repercussão no relacionamento do médico com a sociedade e consigo mesmo.

A Percepção do Sistema de Saúde por Estudantes de Medicina através do Uso de Portfólio Reflexivo

PID: S1981-52712018000400046 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Chatkin Boas
RESUMO A mudança no modo de pensar os cursos de Medicina e o perfil de médico que se espera formar no Brasil desde 2001 acabou por afetar as pessoas e instituições envolvidas nesse processo. Neste estudo buscou-se compreender como os estudantes de Medicina de uma universidade privada percebem o modelo de médico segundo o qual estão sendo formados e se entendem o sistema em que estarão inseridos após sua formatura. Para isto, foi realizado um estudo qualitativo com base nos portfólios dos acadêmicos do último período do curso de Medicina dessa universidade nos anos de 2013 e de 2014. A análise dos portfólios considerou o que se espera da formação médica no Brasil desde 2001: médicos generalistas com formação humanista, crítica, reflexiva e ética. Os resultados mostraram que a maioria dos alunos consegue identificar as diretrizes do sistema de saúde e como este se organiza, mas não se identifica com o cenário e os profissionais que nele atuam. Quanto ao seu papel nesse contexto, alguns adotaram a posição de espectadores, enquanto poucos se reconheceram como parte no processo de mudança necessário ao alcance das diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Os estudantes acreditavam que a Estratégia Saúde da Família (ESF) poderia dar certo, mas não se sentiam parte desse sistema, olhando de fora, descrevendo, mas não percebendo esse lugar como seu e nem como o lugar do seu paciente imaginado.

A Percepção dos Estudantes de Medicina sobre a Influência do Mediarte na Educação Médica

PID: S1981-52712018000200054 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Amorim Bedaque
RESUMO O brincar é uma ferramenta de extrema importância para todas as crianças e, no hospital, representa uma fuga do ambiente desgastante e dos sintomas da doença. Nesse contexto, o Mediarte: com Amor e Humor é um projeto de extensão que visa à prática da ludoterapia, musicoterapia e palhaçoterapia, no setor de Pediatria do hospital universitário e que, além de transformar a vida das crianças, acredita-se ter potencial para influenciar os voluntários – estudantes de Medicina do curso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Objetiva-se neste estudo identificar a influência do projeto na vida e formação médica dos estudantes de Medicina, utilizando como referencial teórico as Diretrizes Nacionais do Curso de Graduação em Medicina (DCN). Desse modo, realizou-se uma pesquisa qualitativa mediante entrevistas semiestruturadas e análise de conteúdo proposta por Bardin. Exploraram-se três categorias temáticas: “Por que estou aqui?”, “O que aprendi?” e “Que barreiras encontrei?”. Destacam-se como resultados: a vontade dos voluntários de se inserir precocemente no ambiente do cuidado e de interagir com crianças, como aspectos atraentes para o projeto; o desenvolvimento das competências de comunicação, humanização e relação médico-paciente durante a participação no Mediarte. Como barreira encontrada, tem-se, por exemplo, a necessidade de adaptação para brincar com crianças doentes, que, embora tenham certas limitações, não perdem o brilho nos olhos a cada brincadeira. O estudo concluiu que o projeto, na vida dos estudantes voluntários, exercita as competências desejadas pelas novas DCN. Tais resultados servem de estímulo à prática do Mediarte como mais uma estratégia educacional interessante, capaz de atender às demandas atuais da formação médica ampliada e complexa, bem como um estímulo à implantação de projetos semelhantes em outras escolas médicas pelo Brasil.

A experiência de alunos do internato em medicina de família e comunidade na condução de entrevistas McGill MINI narrativa de adoecimento com pacientes crônicos com dificuldades de adesão ao tratamento

PID: S1981-52712018000300016 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Bastos Cunha Souza
RESUMO A formação médica no Brasil, apesar das várias políticas indutoras governamentais objetivando sua mudança é, ainda, predominantemente hospitalocêntrica, sendo o processo de aprendizagem centrado na doença. Em uma escola médica tradicional, realizamos uma pesquisa na qual o aluno do Internato conduziu uma entrevista voltada para experiência de adoecimento com pacientes crônicos com dificuldades de adesão ao tratamento de hipertensão e/ou diabetes na Atenção Primária. Quatorze Internos em Medicina de Família e Comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro foram treinados a aplicar a Entrevista McGill MINI Narrativa de Adoecimento para identificar os modos de compreensão e atribuição de sentidos da experiência de adoecimento e tratamento. Antes e depois da realização do conjunto de 35 entrevistas McGill MINI, os alunos foram individualmente ouvidos quanto a sua compreensão do fenômeno adesão e à experiência com a entrevista McGill MINI. As 35 entrevistas realizadas pelos alunos foram analisadas quanto ao alcance dos objetivos de cada seção da entrevista McGill MINI, além do objetivo geral do entrevistador ser capaz de ofertar um lugar de expertise ao paciente no relato de sua experiência de adoecimento. Buscamos investigar a consistência da experiência do aluno com este roteiro para a obtenção da narrativa de adoecimento, utilizando para tal os temas conceituais desta entrevista – protótipos e modelos explicativos – e os temas emergentes identificados através da análise de conteúdo realizada conforme a técnica descrita por Bardin. Na análise das entrevistas realizadas pela pesquisadora com os Internos ao início e final do Internato, a análise temática foi feita a partir de dois grandes temas: compreensão e experiência clínica com o fenômeno da adesão, e apreciação da experiência de realização da entrevista McGill MINI no contexto da formação médica. Os alunos reconheceram a entrevista McGill MINI como útil para compreender e explorar a experiência de adoecimento e tratamento de um indivíduo no seu contexto socioeconômico e cultural. Ao reconhecerem esta importância da entrevista McGill MINI, os Internos frequentemente referiam as poucas oportunidades de aprendizagem na abordagem de pacientes em geral. Apesar de previamente reconhecerem a importância da escuta e do desenvolvimento do vínculo, desconheciam como isto poderia ser construído, e a experiência aumentou a autoconfiança no cuidado às pessoas no cotidiano médico. Os alunos perceberam que a não-adesão envolve múltiplos fatores, que normalmente não aparecem durante uma consulta médica habitual, e houve de fato uma ampliação na compreensão do fenômeno da adesão.

Análise da Produção Bibliográfica sobre Problem-Based Learning (PBL) em Quatro Periódicos Selecionados

PID: S1981-52712018000100015 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Cavalcante Lira Cavalcante Neto Lira
RESUMO Trata-se de uma revisão integrativa que analisa as características bibliométricas da produção científica empírica sobre PBL em periódicos de referência em educação médica no Brasil e no mundo, de 2005 a 2014, e recomenda direcionamentos para futuras pesquisas. Dos artigos do corpus, foram extraídos os seguintes dados: ano de publicação, cenário do estudo, objetivos do estudo, tipo de estudo, principais conclusões e diretrizes para pesquisas futuras assinaladas pelos autores. Os artigos publicados nos três periódicos internacionais tiveram por cenário escolas médicas de todos os continentes, sendo que seis estudos são multicêntricos. Os estudos nacionais se concentram nos estados das regiões Sul e Sudeste. Quanto aos objetivos dos estudos analisados, há predominância da busca da efetividade do PBL, ou seja, dos resultados, em termos de desempenho dos alunos, seja na formação ou na prática médica, comparando seu desempenho com o de alunos submetidos aos métodos tradicionais de ensino. Quanto à tendência da quantidade de artigos sobre PBL publicados nos últimos dez anos, observou-se uma significativa redução da quantidade de artigos publicados nos três periódicos internacionais de 2005 a 2010. No caso do periódico nacional, os dados sugerem que a produção científica sobre PBL no Brasil ainda é incipiente. No que se refere aos métodos de pesquisa utilizados nos estudos publicados nos quatro periódicos selecionados, houve predominância dos métodos quantitativos, com predomínio do survey (n = 26). As principais conclusões dos estudos seguem a mesma linha dos objetivos. Elas mostram os resultados positivos do PBL tanto na formação médica quanto em suas repercussão na prática profissional. Quanto às diretrizes para futuras pesquisas, há uma inclinação para a realização de mais estudos que investiguem a efetividade do PBL, assim como mais estudos comparativos. Conclui-se que a pesquisa sobre PBL é incipiente, sendo preciso realizar mais estudos que busquem responder a questões teórico-metodológicas e epistemológicas do método. Isto sem deixar de observar a qualidade das pesquisas que estão sendo conduzidas, pois, quanto mais qualidade tiverem, melhor irão subsidiar a tomada de decisões. Um dado promissor é que o PBL tem despertado o interesse de pesquisadores mundo afora. Isto mostra que o método, apesar de seus rigorosos passos, pode se adaptar a diversas culturas e contextos educacionais. Este estudo apresenta limitações, pois, para viabilizar a pesquisa, as buscas se reduziram a alguns periódicos e a um corte temporal de dez anos. Dessa forma, recomenda-se efetuar pesquisas que englobem mais periódicos e um espaço de tempo maior, para que se possa traçar um panorama mais completo das publicações sobre PBL.

Análise dos Níveis de Empatia de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712018000100152 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Nascimento Ferreira Júnior Silva Carvalho Bastos Almeida
RESUMO Objetivo: Analisar os níveis de empatia em estudantes de Medicina pertencentes a uma universidade filantrópica, avaliando a evolução do cuidado compassivo, da capacidade de se colocar no lugar do paciente e da tomada de perspectiva em alunos ingressantes e concluintes de um curso de Medicina. Métodos: Trata-se de um estudo transversal descritivo com abordagem quantitativa. Dois questionários foram aplicados, um com dados sociodemográficos e o outro com a Escala Jefferson, que avalia a empatia médica. Foram incluídos na pesquisa 152 acadêmicos do segundo, terceiro, 11° e 12° períodos de um curso de Medicina de uma universidade filantrópica da cidade de Goiânia (GO). Resultados: A média de idade foi de 22,7 anos (± 3,7), sendo 64,5% do sexo feminino e 98,0% de solteiros. A maioria tem renda familiar acima de dez salários mínimos (49,3%) e reside em casa própria (84,2%). O escore global dos ingressantes foi de 116,9 (± 13,0) e o dos concluintes de 117,1 (± 15,1). Acerca do cuidado compassivo, os escores foram 69,4 (± 8,0) e 68,8 (± 9,4); na capacidade de se colocar no lugar do paciente, 8,4 (± 3,0) e 8,6 (± 2,9); e na tomada de perspectiva 39,1 (± 6,3) e 39,7 (± 6,3), respectivamente. No conjunto da população pesquisada, os escores foram: global (117,0 ± 13,9), cuidado compassivo (69,1 ± 8,6), colocar-se no lugar do paciente (8,5 ± 3,0) e tomada de perspectiva (39,4 ± 6,3). Em relação a “colocar-se no lugar do paciente”, os escores das idade foram: 18 a 24 anos de 8,6; 25 a 29 anos de 8,2 e 30 a 45 anos de 7,8. O sexo feminino teve escores maiores em relação à empatia (119,0) e no “cuidado compassivo” (70,7). Conclusão: Os dados apontaram uma tendência discreta dos concluintes em serem mais empáticos do que os ingressantes. Dados sociodemográficos, como gênero feminino, ausência de doença pessoal, morar em residência própria e a menor idade foram preditores que indicaram maior capacidade empática na relação com os pacientes.

Aprendizagem Cooperativa e a Formação do Médico Inserido em Metodologias Ativas: um Olhar de Estudantes e Docentes

PID: S1981-52712018000400115 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Conceição Moraes
RESUMO INTRODUÇÃO Com a finalidade de adquiriras competências médicas preconizadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, as instituições acadêmicas da área da saúde têm buscado novas estratégias. Nessa conjuntura, observa-se que a aprendizagem cooperativa, ao ser estimuladano âmbito de metodologias ativas de ensino e aprendizagem, pode trazer diferenciais importantes na formação do médico. Assim, o objetivo geral deste estudo foi explorar a percepção de estudantes e docentes sobre aprendizagem cooperativa em um currículo médico baseado em métodos ativos (Aprendizagem Baseada em Problemas e Problematização). Os objetivos específicos foram investigar os benefícios da cooperação no trabalho em pequenos grupos de estudantes e identificar as necessidades de adequação dos docentes em sua atuação nesses grupos reduzidos. MÉTODOS O estudo é descritivo, qualitativo e quantitativo, com aplicação de questionários e entrevistas semiestruturadas a estudantes da primeira à quarta série de Medicina e docentes participantes de tutorias e ciclos pedagógicos. Os dados provenientes dos questionários foram dispostos em tabelas e avaliados por meio da escala do tipo Likert. As entrevistas foram gravadas e transcritas para posterior realização de agrupamento de núcleos de sentido para análise de conteúdo, modalidade temática. A pesquisa foi conduzida com fomento e apoio do Pibic/CNPQ com o processo de no 115007/2016-4. RESULTADOS E DISCUSSÃO No que se refere ao perfil dos estudantes, a maioria se situava entre 22 e 25 anos, majoritariamente do sexo feminino e de cor branca. Em relação aos docentes, 85% se graduaram em método tradicional,tendo de 16 a 30 anos de formação e de 15 a 21 anos de trabalho com métodos ativos, sendo que 92% deles com pós-graduação. Os resultados quantitativos e qualitativos foram convergentes, estudantes e docentes apresentaram concepções análogas quanto aos benefícios da aprendizagem cooperativa em pequenos grupos, julgando que habilidades de comunicação, raciocínio crítico, interdependência positiva, avanços em trabalho em equipe, além de boa aquisição de conhecimento cognitivo são garantidos nesse processo. Observou-se também que, à medida que avançavam nas séries, os estudantes expressavam percepções um pouco diferentes em relação a diversas questões, o que pode estar relacionado à maturidade que advém com o passar dos anos e principalmente à experiência com os métodos ativos. CONSIDERAÇÕES FINAIS A aprendizagem cooperativa é eficaz em pequenos grupos, traz benefícios sociais, cognitivos e psicomotores, e é favorecida no âmbito de metodologias ativas com educação permanente dos professores. Os resultados encontrados neste estudo poderiam ser úteis para outras faculdades de Medicina que almejam trabalhar com métodos ativos ou mesmo para as que já os utilizam com a finalidade de orientar gestores e coordenadores do curso.

Articulação Entre os Ciclos Básico e Profissionalizante: Percepção dos Alunos da UFPR

PID: S1981-52712018000100226 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Moura Foltran Fraiz Novak
RESUMO O ensino médico tradicional possui suas bases históricas sustentadas pelo positivismo francês e pelo Relatório Flexner, refletindo-se, atualmente, na divisão dos ciclos básico e profissionalizante. Essa divisão é objeto de constante debate há décadas, dando espaço para que outros modelos de ensino médico fossem propostos e desenvolvidos. Muitos aspectos da educação médica tradicional são alvos de crítica, como, por exemplo, o mecanicismo, o biologicismo, o individualismo, o hospitalocentrismo e a especialização precoce. A desarticulação entre os ciclos básico e profissionalizante, frequentemente destacada, impede que o conteúdo do ciclo básico seja transmitido de forma a manter sua aplicabilidade no ciclo profissionalizante ou na futura atuação médica. O presente artigo avalia essa articulação entre os ciclos do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná segundo a visão singular do aluno e pesquisa a influência da articulação na qualidade do ensino. Um questionário desenvolvido pelos autores, composto por questões relacionadas ao ensino do ciclo básico e por tabelas que permitem a correlação entre as disciplinas dos ciclos, foi aplicado aos alunos do oitavo período do curso de Medicina. As tabelas apresentam correlação das disciplinas de maneira tanto individualizada quanto agrupada nos períodos do ciclo básico. Também foi requisitado que os alunos avaliassem possíveis propostas que incrementassem a articulação entre os ciclos. Os principais resultados da pesquisa foram: 63% dos alunos consideram que o ciclo básico tem importância significante para a futura prática médica; 77°% consideram-se insatisfeitos com o ensino do ciclo básico; 94% consideraram ter assimilado menos que 60% do conteúdo ministrado durante o ciclo básico, sendo que 65% dos alunos avaliaram este conteúdo assimilado como pouco útil; 52% já pensaram em desistir do curso de Medicina, metade deles durante o ciclo básico; destes últimos, 44% correlacionam esta intenção com a falta de integração entre os ciclos. A análise global da articulação nas tabelas evidenciou que 59% de todas as disciplinas do ciclo básico foram avaliadas como não articuladas com o ciclo profissionalizante. Já a análise individualizada nas tabelas mostrou que a disciplina de Fisiologia, por exemplo, foi avaliada com articulação insignificante por até 70% dos alunos, e, quando em relação às disciplinas clínicas correlatas, essa mesma avaliação perfez a opinião de até 44% dos estudantes. Portanto, percebe-se que há uma incapacidade do ciclo básico em transmitir um conteúdo adequado ao aprendizado e que seja condizente com o ciclo profissionalizante. Os resultados da pesquisa reafirmam, por meio de dados objetivos e quantitativos, a fragmentação do curso de Medicina, característica ainda predominante nos currículos das escolas mais tradicionais. O trabalho revisa a temática nos cenários nacional e internacional, evidenciando a abrangência do assunto, além de inquirir e propor abordagens que possam auxiliar na articulação entre os ciclos, resgatando as principais discussões acerca da solução dos problemas que envolvem a formação médica integral.

As Ligas Acadêmicas na Área da Saúde: Lacunas do Conhecimento na Produção Científica Brasileira

PID: S1981-52712018000100199 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Cavalcante Vasconcelos Lira Henriques Albuquerque Maciel Ribeiro Gomes
RESUMO As Ligas Acadêmicas são potentes estratégias desencadeadas na formação em saúde, protagonizadas por discentes e supervisionadas por docentes, que integram atividades de ensino, pesquisa e extensão. O objetivo deste trabalho é conhecer a produção científica brasileira acerca das Ligas Acadêmicas a fim de identificar lacunas do conhecimento. Trata-se de um estudo do tipo estado da questão, realizado por meio de busca nas bases de dados Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e no Banco de Teses e Dissertações da Capes. Utilizou-se como palavra-chave “ligas acadêmicas”, seguida pela questão norteadora: “Qual a produção científica acerca das Ligas Acadêmicas?”. Após análise detalhada, foram selecionadas para a amostra final do estudo 24 produções. Verificou-se que a área do conhecimento que mais pesquisa sobre as Ligas Acadêmicas é a medicina, sendo a Revista Brasileira de Educação Médica o periódico com mais publicações sobre esse tema. Identificou-se ainda que preponderaram os seguintes tipos de estudo: relato de experiência e editorial. Os relatos de experiência estavam relacionados principalmente às experiências em Ligas por especialidades e por cursos de graduação. Destaca-se ainda a normatização das Ligas Acadêmicas e as Ligas Acadêmicas e a formação em saúde como objeto de estudo. As Ligas Acadêmicas vêm crescendo em todo o território nacional, destacando-se os cursos de Medicina como precursores destas iniciativas. As principais contribuições para a formação em saúde são a promoção de uma formação embasada na realidade em que os futuros profissionais estarão inseridos, a capacidade de estímulo ao trabalho em equipe, a reflexão crítica e a autonomia dos estudantes. No entanto, são reconhecidos alguns desafios, como a especialização precoce e a falta de supervisão docente efetiva. Com base no tripé da universidade formado pelo ensino, pesquisa e extensão, as Ligas Acadêmicas têm a possibilidade de promover a formação diferenciada em saúde, antecipar a inserção de seus participantes nos campos de atuação e preencher as lacunas do conhecimento encontradas na graduação por meio do protagonismo e da autonomia discentes, além de proporcionar a integração ensino-serviço-comunidade.
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