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Aspectos Pedagógicos do Aprender e Ensinar na Rede de Saúde: a Proposta Sombra

PID: S1981-52712018000400037 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Abrahão Souza Senna Fernando Camuzi Aboud Braga
RESUMO A inclusão do mundo do trabalho na formação funda, no processo ensino-aprendizagem em saúde, uma ligação indissociável entre as unidades de saúde e as instituições de ensino superior. Formar profissionais o mais próximo da realidade dos usuários, com participação ativa nos problemas e necessidades que estão postos na vida, é o principal motor deste processo e convoca profissionais, usuários, alunos e docentes a vivenciar uma permanente tensão entre cuidar e ensinar. O encontro entre o trabalhador de saúde, o aluno e o usuário revela-se o principal foco de intercâmbio pedagógico, configurando-se como um cenário produtor de conhecimento e de questões para investigação, além do exercício do cuidado em saúde. Algo que remete ao desafio de construir estruturas pedagógicas capazes de produzir cuidado e conhecimento a partir do mundo do trabalho e considera a articulação de modos de agir e cuidar no campo da saúde. Trabalhar em busca de constituir formas de ensinar/aprender significa operar e agir sobre conceitos e sobre o campo de experiência que se coloca como um problema do experimentar na existência, pois estamos imersos no mundo do trabalho e do cotidiano dos serviços. Articular vínculo e responsabilidade dos sujeitos envolvidos com a produção do cuidado pode ser um meio de produzir maneiras de ensinar com outros sentidos e significados. Um arranjo em que a experiência no trabalho se torna capaz de produzir indícios para a construção de projetos terapêuticos e de ensinar produtores de sentido com respostas significativas às questões sobre cuidar e formar profissionais em saúde.

Avaliação Critério-Referenciada em Medicina e Enfermagem: Diferentes Concepções de Docentes e Estudantes de uma Escola Pública de Saúde de Brasília, Brasil

PID: S1981-52712018000300067 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Miranda Junior Tatsch Braga Spengler Júnior Novaes
RESUMO Introdução A avaliação critério-referenciada analisa o desempenho acadêmico sem comparar um estudante com outro, diferindo, assim, da avaliação normo-referenciada, que objetiva determinar os melhores e os piores desempenhos. A Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) do Distrito Federal adota a avaliação critério-referenciada como único sistema avaliativo, buscando analisar o desempenho dos estudantes de forma integral e sem estimular a competitividade. Objetivo Analisar a concepção de docentes e estudantes de Medicina e Enfermagem acerca destes tipos avaliativos. Metodologia Estudo quali-quantitativo, descritivo, com delineamento transversal, por aplicação de questionários semiestruturados ao corpo acadêmico da primeira à quarta série da ESCS, realizado em 2013. Foram comparados estudantes, docentes e cursos utilizando-se o teste Qui-Quadrado. Resultados e Discussão: Obteve-se uma amostra de 413 participantes (n = 55,9%), totalizando 54 docentes e 344 estudantes. Observou-se fragilidade do conceito de avaliação critério-referenciada em todo o corpo acadêmico e insatisfação quanto aos critérios avaliativos adotados na escola (323 ou 79,6%). Entre os motivos apontados, destacam-se a subjetividade na correção dos exames empregados e dificuldades ao concorrer em concursos de residência. Outros autores relatam que o método critério-referenciado tende a inflacionar as menções dos estudantes, embora os avalie de maneira mais integral. Por isso, recomendam a adoção dos sistemas critério e normo-referenciado para, respectivamente, aferir melhor o desempenho dos estudantes e compará-los entre si. Conclusão A comparação entre estudantes é necessária para processos seletivos dentro e fora da instituição de ensino superior estudada. Por isso, a avaliação critério-referenciada isoladamente não supre as necessidades desta instituição, gerando problemas durante e após a formação acadêmica. Diante disso, propõe-se a adoção de ambos os modelos (normo e critério-referenciado), com a aplicação de padrões de desempenho. Os instrumentos avaliativos também necessitam de critérios mais objetivos para uma correção de testes mais uniforme e justa. Para isso, propõe-se o incremento na capacitação dos docentes com discussões sobre a elaboração de instrumentos avaliativos, como a Teoria de Resposta ao Item.

Avaliação Somativa de Habilidades Cognitivas: Experiência Envolvendo Boas Práticas para a Elaboração de Testes de Múltipla Escolha e a Composição de Exames

PID: S1981-52712018000400074 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Bollela Borges Troncon
RESUMO As questões objetivas ou testes de múltipla escolha com somente uma alternativa correta constituem um dos métodos mais utilizados em todo o mundo em exames destinados a avaliar habilidades cognitivas, especialmente nas avaliações somativas. Provas que contêm predominantemente questões objetivas de múltipla escolha são utilizadas sobretudo nos exames em que muita coisa está em jogo, como concursos vestibulares, provas finais de cursos de graduação e exames próprios dos concursos de ingresso à residência médica ou de obtenção de título de especialista. Esta ampla difusão justifica-se pelo fato de os exames compostos com este tipo de questão preencherem mais completamente os requisitos de validade e de fidedignidade, além de terem vantagens quanto à viabilidade ou factibilidade, particularmente em provas com grande número de candidatos. No entanto, os requisitos de validade e fidedignidade, em especial, somente são preenchidos adequadamente quando se seguem normas próprias das boas práticas de construção de exames e de elaboração dos testes propriamente ditos. Neste artigo se descrevem algumas das boas práticas na elaboração de testes de múltipla escolha, baseadas em fontes da literatura nacional e internacional, bem como na experiência dos autores. Apresenta-se e se discute um conjunto de regras práticas para construir questões de múltipla escolha de boa qualidade no que se refere à forma e ao conteúdo e se comenta como compor tabelas de especificação. Este tipo particular de matriz da avaliação permite verificar o alinhamento entre os temas abordados na prova e os objetivos curriculares ou o que se espera que os estudantes/candidatos dominem, o que configura um importante indicador de validade. Apresenta-se também uma experiência bem-sucedida de trabalho em grupo na organização de exames que utilizam este tipo de questão, como exemplo de desenvolvimento de processo organizado para obtenção de questões de melhor qualidade, que também contribuiu para o desenvolvimento docente no campo de avaliação da aprendizagem.

Avaliação da Relação Médico-Paciente em Alunos Internos de um Curso de Medicina

PID: S1981-52712018000100161 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Nascimento Almeida Júnior Silva Carvalho Santos Almeida
RESUMO Objetivo: Avaliar as atitudes dos alunos internos de um curso de Medicina a respeito da relação médico-paciente, tendo como dimensões desta relação o cuidar e o compartilhar. Métodos: Trata-se de um estudo transversal descritivo com abordagem quantitativa. No desenvolvimento da pesquisa foi utilizado um questionário com dados sociodemográficos ocupacionais e a Patient-Practitioner Orientation Scale (PPOS), que avalia a relação médico-paciente na perspectiva de estudantes. Foram entrevistados 136 alunos internos de um curso de Medicina de uma universidade de Goiânia (GO). Resultados: A média de idade dos alunos internos pesquisados foi de 24,7 (± 2,8), sendo 90 do sexo feminino (66,7%) e 128 (94,1%) solteiros. Os escores entre todos os alunos internos foram: global (4,48 ± 1,56), compartilhar (3,92 ± 1,59) e cuidar (5,04 ± 1,31). As mulheres apresentaram escores maiores no que tange ao fator “compartilhar” (3,97 ± 11,61) em relação aos homens (3,82 ± 1,54), com p = 0,034, e também na média global, feminino (4,51 ± 1,57) e masculino (4,40 ± 1,55), com p = 0,047. No fator “compartilhar”, aqueles que afirmaram ter realizado estágio extracurricular (3,98 ± 1,62) tiveram melhor escore do que os que não fizeram (3,81 ± 1,53), com p = 0,033. Os estudantes que apontaram a contribuição social na escolha do curso de Medicina (4,00 ± 1,58) apresentaram melhor escore no fator “compartilhar”. Conclusão: A maioria dos alunos internos pesquisados teve a atenção voltada à figura do médico e não à do paciente, o que é demonstrado principalmente pelo decréscimo dos escores no final dos períodos de formação. Em contrapartida, os acadêmicos acreditam que as expectativas, sentimentos e circunstâncias da vida do paciente possam interferir no tratamento. Mulheres, alunos que realizaram atividades extracurriculares durante o curso e estudantes que apontaram a contribuição social na escolha do curso apresentaram melhores resultados sob o ponto de vista de dialogar e permitir que o paciente faça parte do tratamento.

Avaliação de Questões de Prova de Concursos de Residência Médica

PID: S1981-52712018000200026 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Aragão Casiraghi Coelho Sarzedas Peloggia Huguenin
RESUMO Introdução: A prova de residência, apesar de não ter o objetivo de avaliar a formação médica, o faz indiretamente. A avaliação da qualidade das provas de residência médica permite, entre outras coisas, reavaliar o próprio processo de formação e as competências esperadas para os profissionais. Objetivo: Avaliar provas de primeira fase de diferentes programas de residência médica dos maiores centros urbanos brasileiros. Método: Foram avaliadas 500 questões de provas de residência dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. As questões foram avaliadas considerando sua origem, localização geográfica, área de conhecimento, contextualização, cenários do contexto e complexidade pela taxonomía de Bloom. Resultados: A maioria das questões apresentava contextualização (64,4%, n = 322), sendo os cenários predominantes de alta complexidade e em ambiente hospitalar. Identificou-se que a categoria taxonômica predominante foi o reconhecimento (41,60%, n = 208), sendo a segunda categoria mais frequente o julgamento em 26% das questões (n = 130), seguidas de síntese (15%, n = 75), análise (7,60%, n = 38), compreensão (6%, n = 30) e aplicação (3,8%, n = 19). Considerando a dicotomização entre questões de raciocínio teórico e clínico, encontramos uma situação de equilíbrio entre ambas (raciocínio clínico: 48,9%, n = 243; raciocínio teórico: 51,4%, n = 257). A associação de contextualização com raciocínio clínico foi alta, com risco relativo de uma questão solicitar raciocínio clínico na presença de contextualização de 26,31 (IC 11,06 – 62,59). Considerações finais: O quadro delineado pela presente pesquisa demonstra que os diferentes processos seletivos para residência médica no Brasil diferem muito entre si quanto ao perfil de seleção, com provas de caráter hospitalocêntrico, privilegiando cenários de alta complexidade em ambiente hospitalar. Embora muito se tenha feito e falado no sentido de promover mudanças na educação médica do Brasil, o processo seletivo para residência médica ainda não reflete as mudanças preconizadas desde o fim do século passado e consolidadas nas políticas públicas do início deste século. Se pensarmos que estamos selecionando profissionais que muito provavelmente se fixarão naquela instituição após o fim de sua pós-graduação, podemos ter uma ideia do círculo de retroalimentação que se cria nos programas.

Ações para a Retomada do Ensino da Humanização nas Escolas de Medicina

PID: S1981-52712018000400014 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Amore Filho Dias Toledo Jr
RESUMO Este artigo é baseado na dissertação do curso de Mestrado Profissional em Ensino em Saúde realizado pelo primeiro autor na Universidade José do Rosário Vellano – Unifenas e cujo título é “Ações para a retomada do ensino da humanização nas escolas de Medicina: uma revisão sistemática da literatura, 2010-2016”. O artigo apresenta os resultados da pesquisa, que efetuou uma revisão sistemática da literatura sobre a retomada da humanização nas escolas de Medicina. A desumanização da medicina tem sido atribuída, em grande parte, às escolas de Medicina, que privilegiam aspectos científicos em detrimento daqueles teóricos e voltados ao humanismo. As escolas de Medicina se viram impelidas a rever seus currículos, retomando disciplinas e organizando intervenções para a retomada do humanismo na prática médica. O objetivo geral da dissertação foi identificar as ações propostas ou desenvolvidas nos cursos de Medicina para a retomada da humanização na prática médica. Os objetivos específicos foram evidenciar os principais atributos do humanismo e descrever as principais intervenções educacionais adotadas para o desenvolvimento do humanismo na prática médica. Para atingir esses objetivos, foi realizada uma revisão sistemática de literatura, mediante pesquisa nas bases de dados da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde e PubMed, no período de 2010 a 2016, nos idiomas português e inglês. A pesquisa resultou na seleção de 23 publicações. Os resultados mostraram que o principal atributo do humanismo é a empatia, que as escolas de Medicina estão desenvolvendo como principais ações as alterações no currículo dos cursos e que as principais ações educacionais implementadas envolvem alterações curriculares, intercâmbios e programas de extensão, mediante a inclusão de novas disciplinas, uso de atividades lúdicas e atuação em contextos culturais distintos dos de origem dos estudantes. Concluiu-se que a abrangência das medidas ainda é pequena, considerando-se o universo dos cursos de Medicina, e que seus resultados carecem de análise mais objetiva.

Burnout e depressão em residentes de um Programa Multiprofissional em Oncologia: estudo longitudinal prospectivo

PID: S1981-52712018000100190 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Cavalcanti Lima Souza Silva
RESUMO A residência multiprofissional é uma modalidade de especialização lato sensu que se caracteriza pelo treinamento em serviço. A escassa experiência profissional prévia, a extensa carga horária do programa e o duplo papel do estudante-trabalhador podem levar o residente ao adoecimento. O objetivo deste estudo foi analisar a ocorrência de síndrome de burnout e de depressão entre residentes de um programa multiprofissional em oncologia. Trata-se de estudo prospectivo longitudinal com 46 residentes de um programa de residência multiprofissional em oncologia. Foram utilizados três instrumentos de coleta de informações: um para identificar características sociodemográficas e afastamentos por motivos de saúde; o Maslach Burnout Inventory; e, o Inventário de Depressão de Beck. Os instrumentos de coleta de dados foram aplicados, nos mesmos participantes do estudo, em 3 momentos ao longo de dois anos: no início, no final do primeiro e do segundo ano da residência. Os resultados referentes às características sociodemográficas, à intensidade das três dimensões do burnout, à frequência da síndrome de burnout e à frequência e intensidade da depressão foram analisados por estatística descritiva. O teste exato de Fisher foi aplicado para análise de correlação entre as variáveis relacionadas aos hábitos pessoais e aos afastamentos por motivos de saúde com a presença de síndrome de burnout ou de depressão. Os scores dos três aspectos do burnout e da depressão nos 3 momentos estudados foram comparados utilizando o teste de Wilcoxon. Ao final do estudo identificou-se que 75,0% dos participantes apresentaram síndrome de burnout e 72,5% tiveram algum nível de depressão. Quanto aos componentes do burnout, houve aumento dos scores de exaustão emocional e baixa realização pessoal. Também houve aumento da frequência e da intensidade de depressão. Observou-se correlação positiva entre afastamento por motivos de saúde e presença de burnout e entre ocorrência de síndrome de burnout e casos de depressão. A síndrome de burnout esteve correlacionada com ocorrência de depressão e ambos os problemas tiveram aumento significativo ao longo do programa de residência. Os achados apontam para a gravidade do problema, considerando que ambas as condições apareceram no primeiro ano de curso. Estratégias para prevenção e controle são necessárias, a fim de minimizar as consequências na aprendizagem, na qualidade de vida dos residentes e na assistência prestada aos pacientes com câncer.

Características do Tutor Efetivo em ABP – Uma Revisão de Literatura

PID: S1981-52712018000100105 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Martins Falbo Neto Silva
RESUMO A tutoria educacional, desenvolvida eminentemente em caráter individual, é considerada padrão ouro em educação quando comparada a outras estratégias de ensino. Na Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), o tutor representa um papel crucial como facilitador do processo de aprendizagem. A maioria dos professores envolvidos na educação médica como tutores na ABP teve sua formação baseada em aulas teóricas, com pouquíssimos modelos profissionais de tutoria, gerando desconforto e dúvidas com relação ao seu novo papel. Com o objetivo de identificar as características que conferem maior efetividade ao tutor em ABP, fez-se uma revisão da literatura publicada nas bases de dados Pubmed, Embase, Lilacs, SciELO e Eric de 1999 a 2013. Estão abrangidos na pesquisa estudos quantitativos e qualitativos que incluem instrumentos de avaliação de tutores em PBL e indicativos de sua efetividade. Do total de 201 artigos, 35 foram incluídos: 18 artigos (51,4%) buscaram analisar os componentes de efetividade na tutoria; 8 artigos (22,9%) buscaram analisar diferenças entre tutores especialistas e não especialistas em conteúdos na tutoria; e 9 artigos (25,7%) buscaram analisar as variações de comportamento do tutor. As características predominantes dos tutores efetivos variam entre o uso do conhecimento e a facilitação do processo de aprendizagem. Os achados indicam que três domínios interdependentes de competência são importantes para o tutor: a congruência social, definida como o alinhamento social com os alunos, por meio do estabelecimento de um clima acolhedor e aberto de discussão, a habilidade de se comunicar informalmente e ter empatia com os estudantes; a congruência cognitiva, caracterizada pela capacidade de discutir e questionar os estudantes de maneira a estimulá-los a estudar; e o domínio dos conteúdos explorados nos problemas. Com relação ao comportamento do tutor, há uma relativa estabilidade nos domínios de congruência social e congruência cognitiva em diferentes circunstâncias, que podem ser aprimoradas mediante estratégias de desenvolvimento docente.

Caso Motivador como Estratégia Problematizadora e Integradora no Ensino Médico em um Curso de Oncologia

PID: S1981-52712018000400165 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Hokama Hokama Batista
RESUMO Caso Motivador, também denominado situação-problema ou case study, é uma metodologia centrada no aluno, problematizadora, de ensino-aprendizagem, que permite conhecer os saberes prévios do grupo frente à situação apresentada, bem como identificar necessidades de aprendizagem, construir novos significados e saberes, além de desenvolver competências específicas para o autoaprendizado. Estrategicamente, é a inserção, no decorrer de um curso, de um material social (textos, áudios, impressos, vídeos), cuja análise e discussão permitem contextualizar o conteúdo teórico. É muito útil no ensino de disciplinas básicas e pré-clínicas na área de saúde, conduzindo o aprendizado por meio de situações do cotidiano e da futura prática profissional. Os caminhos percorridos pelos alunos com a reflexão e a discussão dos casos motivadores permitem um contraste entre o senso comum e o senso universitário, que cria o movimento motivacional mediante o fluxo da prática e da realidade para o conteúdo teórico a ser trabalhado e pela oportunidade de gerar dilemas, opiniões, comparações e controvérsias no desenvolvimento do trabalho, com mediação do professor. Dessa forma, permite discutir e antecipar competências e habilidades futuras, além de proporcionar novas dimensões teóricas e práticas às vezes não previstas. É, portanto, uma oportunidade de o aluno criar a perspectiva da prática no momento em que tem contato teórico com o conteúdo da disciplina. É uma metodologia problematizadora mais versátil que o Problem Based Learning (PBL), pois pode ser inserida num curso tradicional (Lecture Based Teaching), não se tornando, assim, a única estratégia didática. Objetivamos, aqui, relatar nossa experiência na construção, aplicação e avaliação de dois casos motivadores voltados aos discentes do quarto ano do curso teórico de Oncologia da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp). Os casos motivadores foram construídos com base em notícias divulgadas pela mídia e aplicados a uma turma de 27 discentes, divididos em dois grupos. A primeira sessão de discussão ocorreu na abertura do curso e a segunda sessão, no encerramento, quando os alunos apresentaram o resultado final do trabalho em forma de seminário. O fechamento dos casos motivadores ocorreu no final do curso, mediante aula dialogada sobre o tema “Prognóstico do Câncer”, eixo comum dos dois casos motivadores. Tendo por base esta experiência, concluímos que o uso do Caso Motivador como prática pedagógica aproxima os alunos da realidade social e os leva a construir redes de conhecimentos, tornando-os sujeitos ativos do processo de aprendizagem, sem abrir mão da profundidade e da especificidade dos conhecimentos que um aluno de Medicina precisa desenvolver.

Cuidado à Saúde e a Formação do Profissional Médico

PID: S1981-52712018000300009 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Gonçalves Silva Gonçalves
RESUMO O curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) apresenta um currículo inovador, com processos metodológicos e pedagógicos inovadores, adequados às novas Diretrizes Curriculares Nacionais. Das Unidades Educacionais que compõem seu currículo, merece destaque a Unidade Educacional de Prática Profissional (UEPP), que simboliza os ideais de transposição dos muros da universidade pela graduação, proporcionando aos alunos a aprendizagem em cenários reais da prática profissional, com o envolvimento de docentes e estudantes no cuidado à saúde das populações. O objetivo deste estudo foi analisar o cuidado à saúde prestado pelos estudantes no contexto da UEPP nas Unidades de Saúde da Família (USF). Os sujeitos da pesquisa foram os pacientes acompanhados pelos estudantes da segunda série do curso de Medicina da UFSCar em 2014. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas, e os dados foram analisados pela técnica de análise de conteúdo temática. Na análise, foram construídas duas categorias temáticas: “uma relação estudante-paciente cuidadosa” e “abordagem dialógica na elaboração da história clínica”. Na primeira categoria, os pacientes destacam: a atenção e dedicação dispensadas a eles como importantes no processo longitudinal de cuidado, com sensível diferença na percepção do serviço ofertado pela USF nos períodos de ausência dos estudantes; a facilidade no acesso aos acadêmicos e as ações destes em relação aos pacientes cuidados, as quais se refletiram numa aproximação maior entre o usuário e o sistema de saúde, bem como na melhora da percepção individual de autocuidado. A aprovação dos usuários é demonstrada, entre outras formas, na sugestão de que o modelo de visita dos acadêmicos fosse adotado em outras unidades de saúde. Na segunda categoria, o estabelecimento de uma relação dialógica entre o estudante e os pacientes possibilitou construir histórias clínicas de conteúdo ampliado, que refletiam um acompanhamento regular e acessível. Em sua abordagem, os estudantes realizavam ações de promoção e prevenção de saúde direcionadas a cada faixa do ciclo de vida e, em troca, dispunham de um cenário prático rico e satisfatório para a aquisição de habilidades previstas academicamente para a expertise de um estudante de Medicina em seus dois primeiros anos de graduação. Com os resultados apurados e a discussão realizada, verificou-se que esta Unidade Educacional proporcionou a construção de um aprendizado sobre a clínica desde os primeiros anos da graduação. Inferem-se as múltiplas possibilidades que a atenção básica fornece à formação do profissional médico e os valores positivos destacados a partir de uma relação de atenção continuada do estudante em relação ao paciente. Além disso, destaca-se que a experiência dos estudantes de Medicina permite a construção de relações interpessoais no processo de cuidado em saúde, servindo como base para toda a graduação e vida profissional, e como modelo para outras instituições.

Cuidados Paliativos: Importância do Tema para Discentes de Graduação em Medicina

PID: S1981-52712018000300078 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Correia Bezerra Lucena Farias Freitas Riscado
RESUMO Introdução Cuidados paliativos são ações que buscam atuar na qualidade de vida de pessoas doentes e de seus familiares, aliviando e prevenindo o sofrimento diante de uma doença terminal. A inserção da temática dos cuidados paliativos no currículo da graduação em Medicina auxiliaria futuros médicos a enfrentar as limitações/implicações a que serão submetidos em sua vida profissional e até mesmo durante a graduação. Objetivo Identificar a importância da temática dos cuidados paliativos para discentes da graduação em Medicina. Metodologia Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal. Foi utilizada uma versão adaptada do instrumento PEAS – Physicians’ End-of-Life Care Attitude Scale. Foram usadas 37 questões do tipo Likert, buscando atender às finalidades do estudo. A coleta ocorreu em 2015, em amostra aleatória, não probabilística, composta por 134 estudantes que cursavam os dois últimos anos (internato) da graduação de Medicina de uma universidade federal brasileira. Os dados foram analisados pelo programa SPSS. Resultados Dos 134 participantes, 59,7% eram do sexo feminino, com idades entre 22 e 37 anos. Os resultados apontam que 85,84% dos estudantes necessitam de alguma supervisão ou instrução básica para discutir a respeito de cuidados paliativos e sobre a retirada de tratamento com pacientes e familiares. Com relação ao manejo clínico do paciente terminal, 78,35% se consideram capazes de manejar sozinhos, ou sob supervisão mínima, sintomas como constipação ou vômitos, entretanto apenas 19,05% se consideram capazes de manejar sintomas como delirium ou dispneia terminais. Apesar de 41,8% dos estudantes não se preocuparem com sua própria morte, 88,1% se sentem ansiosos ou desconfortáveis diante da morte do seu paciente. A inclusão, no currículo de Medicina, de habilidades de comunicação em cuidados paliativos e em ética sobre o fim da vida foi considerada importante ou muito importante por 95,5% dos estudantes entrevistados. Conclusão Os dados demonstraram que os discentes identificam as deficiências ocasionadas pela ausência ou limitação do ensino de cuidados paliativos na graduação e têm interesse em ver a temática incluída como disciplina no currículo médico, o que sugere a realização de mais estudos sobre o tema.

Educação Médica no Brasil: uma Análise Histórica sobre a Formação Acadêmica e Pedagógica

PID: S1981-52712018000400066 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Machado Wuo Heinzle
RESUMO O presente ensaio apresenta uma breve análise histórica da educação médica no Brasil por meio de sua evolução acadêmica e pedagógica. Evidenciam-se, nas últimas décadas, novos modelos de ensino como opção para a formação de profissionais médicos, estando estes envolvidos com os conceitos contemporâneos de saúde e doença, voltados ao atendimento das demandas sociais, suscitadas nacional e internacionalmente. Neste ensaio abordaremos os seguintes focos de estudo: (a) ensino superior e escolas médicas no Brasil, (b) arquitetura curricular na educação médica: desafios e possibilidades e (c) reflexos das mudanças curriculares e das metodologias ativas no perfil do médico formado. Acerca de mudanças na formação profissional médica, chegamos à conclusão de que mudanças nas arquiteturas curriculares parecem não bastar, como agentes isolados, na alteração do perfil dos profissionais. No Brasil, ainda são escassos os estudos acerca do médico formado pelos diferentes métodos e currículos, ficando em aberto a discussão acerca da eficiência transformadora das arquiteturas curriculares distintas.

Efetividade da Avaliação Programática do Estudante de Medicina: Estudo de Caso Baseado nas Impressões de Estudantes e Professores de uma Escola Médica Britânica

PID: S1981-52712018000300153 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Troncon
RESUMO A avaliação programática do estudante é uma abordagem relativamente nova, que tem como objetivo principal o aperfeiçoamento das condições de utilização dos diferentes métodos de avaliação, com vistas ao melhor cumprimento das funções da avaliação: somativa, formativa e controle da qualidade do currículo. A introdução de um sistema de avaliação programática do estudante em uma instituição do ensino superior constitui tarefa complexa e consumidora de recursos humanos e materiais, mas as informações sobre a efetividade desses sistemas são escassas. Embora a literatura especializada registre vários estudos sobre avaliação no ambiente de trabalho (estágios profissionalizantes e aperfeiçoamento profissional) em diferentes profissões da área da Saúde, são poucas as investigações sobre o tema em cursos de graduação em Medicina. Neste artigo, relata-se a experiência de uma escola médica britânica que adotou recentemente a avaliação programática. Trata-se de um estudo de caso baseado nas percepções de estudantes e professores, que concordaram em se submeter a entrevistas semiestruturadas gravadas. Os arquivos de áudio foram transcritos, fornecendo textos nos quais se realizou análise qualitativa de conteúdo. Essa análise produziu visões sobre pontos fortes do programa de avaliação e permitiu identificar aspectos que requerem aperfeiçoamento. Os resultados mostraram que, embora expressando diferentes perspectivas e criticando vários pontos da avaliação programática, estudantes e professores compartilham uma visão predominantemente positiva do programa de avaliação. Os estudantes valorizam muito a abundância de oportunidades de receber devolutivas construtivas, sobretudo nas atividades clínicas, bem como a realização periódica de exames estruturados de habilidades clínicas com finalidades somativa e formativa. Os professores valorizam muito a organização global do programa e a sua efetividade na detecção de estudantes com dificuldades. Valorizam, também, a diversidade de oportunidades de treinamento e desenvolvimento docente na temática da avaliação. Estes achados permitem concluir que estudantes e professores de Medicina, ainda que ressaltem a necessidade de aperfeiçoamentos, vêm tendo experiências predominantemente positivas de um sistema de avaliação programática recentemente introduzido na instituição. Assim, é possível inferir que a complexidade e os custos de implementação de um sistema de avaliação programática do estudante de Medicina podem ser compensados por seus efeitos positivos, como indicam as opiniões de estudantes e professores.

Enfrentamentos do Estudante na Iniciação da Semiologia Médica

PID: S1981-52712018000200079 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Costa Herculano Gama Cabral Campos Oliveira
RESUMO Introdução: Uma das maiores expectativas do acadêmico de Medicina é ter contato com o paciente. Tradicionalmente, é na disciplina de Semiologia Médica que este contato se materializa. Este artigo pretende identificar vivências, opiniões e situações adversas enfrentadas por alunos do quarto período a fim de propor estratégias de enfrentamento para esses dilemas na graduação. Metodologia: Estudo descritivo, de abordagem qualitativa, cujos participantes foram 87 alunos do quarto período do curso de graduação em Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que compuseram 12 grupos focais. As discussões foram transcritas para posterior análise. O material produzido foi submetido a uma Classificação Hierárquica Descendente (CHD) simples com auxílio do software Iramuteq versão 0.6. Resultados: A CHD dividiu o corpus em cinco classes: o paciente; o estudante; a metodologia; reconhecimento; o exame físico. Foram relatadas como barreiras nas primeiras vivências do estudante: a escolha dos pacientes para as primeiras anamneses; a sensação de que não está ajudando o paciente; receio de incomodar; dificuldade de distinguir o normal do patológico; problemas na metodologia de ensino; o desafio de lidar com a intimidade emocional e corporal do paciente; dificuldades técnicas no exame físico. Discussão: A percepção de incompetência e de não poder contribuir com o tratamento do paciente gera no estudante ansiedade, angústia, frustrações, insegurança, dúvida e medo, o que dificulta o enfrentamento nos primeiros contatos com o paciente. Tais condições prejudicam tanto o aprendizado, como a saúde mental do aluno e, dependendo de como sejam enfrentadas, podem interferir na formação e na prática médica. Considerações finais: Nos primeiros contatos com o doente, o estudante necessita de habilidades que não se sente capaz de demonstrar. Assim, são vivenciados vários sentimentos, que limitam a construção de um conhecimento que é progressivo, mas que acontece num cenário real, onde as demandas se apresentam de forma integral. Por esse motivo, espaços de diálogo são fundamentais para que os graduandos tenham uma rede de apoio para suprimir o estresse do contato com o paciente e os desafios do seu adoecimento. É necessária maior integração entre docentes e discentes para melhor aproveitamento das aulas em cenários práticos, bem como respeito às limitações próprias do estudante, de forma que este não as entenda como inadequadas.

Engajamento entre Estudantes do Ensino Superior nas Ciências da Saúde (Validação do Questionário Ultrecht Work Engagement Scale (UWES-S) com Estudantes do Ensino Superior nas Ciências da Saúde)

PID: S1981-52712018000200015 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Silva Pereira Junior Coelho Picharski Zagonel
RESUMO O ingresso na vida acadêmica traz mudanças significativas, ligadas ao modelo de ensino-aprendizagem e à rotina do estudante. O engajamento é considerado o oposto do burnout: ao contrário dos estudantes que sofrem de estresse acadêmico, os alunos engajados se sentem muito conectados às atividades, percebendo-as como um desafio positivo. Esta pesquisa teve como objetivo geral avaliar o escore de engajamento entre estudantes do ensino superior das Ciências da Saúde; e como objetivos específicos, validar o instrumento Utrecht Work Engagement Scale (UWES-S) com estudantes do ensino superior nas Ciências da Saúde; avaliar Vigor, Dedicação e Absorção do constructo engajamento e comparar os escores entre variáveis de duas ou mais categorias para obter o escore de engajamento entre estudantes do ensino superior nas Ciências da Saúde. Método: Estudo observacional analítico transversal, com abordagem quantitativa. Resultados: O UWES-S alcançou validade confirmatoria ao ser aplicado a estudantes de cinco cursos da área da saúde nos níveis de Vigor, Dedicação e Absorção. No que tange ao escore das dimensões, tem-se que Medicina e Enfermagem apresentam maior Vigor e Dedicação; os turnos de estudo manhã e integral apresentam maior Vigor e Absorção; na dimensão Absorção, observou-se maior escore entre os estudantes que cursavam até o quarto período; quanto ao tempo de dedicação aos estudos fora da faculdade, observou-se que os escores se mantiveram altos nas três dimensões do constructo, assim como para estudantes que praticavam atividades de lazer. Estudantes de Medicina e Enfermagem dos turnos da manhã e integral, casados, com filhos, que dedicam grande parte do tempo aos estudos fora da faculdade, que têm atividades de lazer apresentam maior escore de engajamento com relação às demandas acadêmicas. Conclusão: O engajamento como constructo é recente no Brasil. Seu conhecimento possibilitou um novo olhar sobre o contexto acadêmico, os mecanismos de adaptação do estudante ao ensino superior e a necessidade da proximidade do docente como mediador e da universidade como sustentáculo do processo.

Estilos de Pensamento na Escolha da Especialidade Médica e Sua Correlação com as Políticas de Provimento para a Atenção Básica à Saúde - Um Estudo de Caso

PID: S1981-52712018000200089 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Maeyama Ros
RESUMO A publicação das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina, em 2001, iniciou um processo de mudança nos cursos de Medicina, buscando atender às necessidades do Sistema Único de Saúde no que diz respeito à formação para a atenção básica. Uma das maiores dificuldades encontradas para a consolidação da atenção básica reside na na carência de profissionais em quantidade e qualidade. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa, de cunho qualitativo, foi identificar os aspectos que envolvem a escolha da especialidade médica em alunos egressos da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) que tiveram participação efetiva durante a graduação em projetos na atenção básica. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, e a análise de dados foi executada por meio da categoria Estilo de Pensamento, desenvolvida por Ludwik Fleck. Os resultados demonstraram a hegemonia de um estilo de pensamento com características voltadas para a especialidade focal e com visão mercantil sobre a profissão, porém com visão ampliada para abordagem dos problemas, denominado, dessa forma, Estilo de Pensamento Flexneriano Ampliado. De modo contrahegemônico, também foi identificado um estilo de pensamento voltado à prática generalista integral, com caráter eminentemente público, aqui chamado de Estilo de Pensamento da Atenção Básica. A hegemonia do Estilo de Pensamento Flexneriano foi justificada especialmente pela força dos acoplamentos neoliberais, corroborados também pela estrutura curricular majoritariamente flexneriana. As complicações vivenciadas por alguns entrevistados no trabalho de atenção básica também foram consideradas impedimentos importantes que dificultam a consolidação do Estilo de Pensamento da Atenção Básica e, consequentemente, sua escolha como campo de trabalho. Os tráfegos intercoletivos também apresentaram importância no processo de escolha da especialidade médica, porém ainda hierarquizados pelos acoplamentos. Em que pesem estas escolhas, a aproximação com a atenção básica demonstrou ser bastante importante na construção da contra-hegemonia e na formação de matiz com visão ampliada do Estilo de Pensamento Flexneriano clássico, ambos importantes para a mudança do modelo de atenção.

Estratégia Adaptada de Feedback Voltado para Ambulatórios de Graduação

PID: S1981-52712018000400029 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Maia Kubrusly Oliveira Oliveira Augusto
RESUMO INTRODUÇÃO Feedback é uma informação provida pelo professor para melhorar o desempenho do estudante. Embora seja uma importante ferramenta de ensino e seja desejada pelos discentes, ainda é utilizada de maneira insuficiente. OBJETIVO Este estudo criou um manual para uso de feedback estruturado com base nos resultados de grupos focais que verificaram a percepção dos alunos do internato de Medicina sobre o tema. MÉTODOS Trinta e um alunos do internato de Medicina de uma instituição de ensino superior participaram de entrevistas de grupo focal sobre suas impressões relativas ao feedback. Os dados foram analisados pela Análise de Conteúdo de Bardin. RESULTADOS Os alunos compreendem o que é feedback e o vivenciam por meio das metodologias ativas de ensino. Reconhecem sua importância para o aprendizado, mas se queixam da baixa frequência desse instrumento. Sobre como gostariam de receber o feedback e as virtudes inerentes aos docentes e discentes para o sucesso do mesmo, notou-se o alinhamento de suas ideias com o que diz a literatura. CONCLUSÃO Os alunos conhecem feedback e o vivenciam na prática, reconhecendo sua importância para o aprendizado e sendo receptivos a ele. Desenvolveu-se um manual com estratégia de feedback estruturado voltado ao uso em ambulatórios didáticos na graduação em Medicina.

Estratégia Educacional em Saúde Mental para Médicos da Atenção Básica

PID: S1981-52712018000100006 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Pereira Andrade
RESUMO Introdução: A Estratégia de Saúde da Família e a Reforma da Assistência Psiquiátrica Brasileira têm trazido contribuições importantes para a melhora da atenção em saúde no País. Ambas defendem os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e propõem uma mudança no modelo de assistência à saúde, privilegiando a descentralização e a abordagem comunitária/familiar em detrimento do modelo tradicional, centralizador e voltado para o hospital Objetivos: Este artigo objetiva fornecer elementos práticos que poderão servir de modelo para a implantação de estratégias educacionais em saúde mental, para médicos que atuam na atenção básica, no contexto da realidade brasileira. Métodos: Trata-se de um estudo de investigação educacional, de enfoque qualitativo, construído com base na metodologia de triangulação de dados, colhidos em revisão da literatura, aplicação de questionários e grupos focais. O estudo foi conduzido na cidade de Sobral (CE) e contou com a participação de 26 médicos, lotados em 28 Unidades Básicas de Saúde, além de três docentes de escolas médicas brasileiras. Resultados: A maioria dos médicos de família se sentiu despreparada para o atendimento das demandas de saúde mental e identificou falhas importantes na formação durante a graduação médica. Segundo eles, os temas de saúde mental foram insuficientes, de cunho eminentemente hospitalar, curativo e fora do contexto da atenção comunitária. Em alguns casos, a formação ocorreu de maneira bastante negativa, reforçando preconceitos e tabus em relação ao atendimento psiquiátrico e criando barreiras que dificultaram o interesse e a disponibilidade desses médicos para atender pacientes portadores de transtornos mentais. A estratégia educacional resultante deste estudo oferece às equipes de saúde e às instituições formadoras de recursos humanos referências conceituais, práticas e metodológicas para a elaboração de programas de qualificação em saúde mental, no contexto da atenção básica à saúde. Conclusões: As ferramentas de identificação de necessidades de aprendizado em saúde utilizadas neste estudo mostraram-se úteis na elaboração de programas de educação permanente junto aos profissionais da rede básica. Para maior validação da proposta, recomenda-se sua aplicação e avaliação em outros municípios brasileiros.

Estudo da Atitude diante do Paciente Alcoolista e do Conhecimento sobre Alcoolismo em função do Padrão de Beber de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712018000300049 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Aguiar Catelli Toledo Ubaldo Silva Fonseca
RESUMO Objetivo Avaliar a atitude frente ao paciente alcoolista e o conhecimento sobre uso do álcool do estudante de Medicina em função do seu padrão de beber. Métodos Estudo transversal realizado com estudantes matriculados no terceiro, sexto e décimo primeiro período dos cursos de Medicina de três universidades federais da Região Sudeste do Brasil (UFF, UFJF e Unifesp). Foram coletados dados sociodemográficos e aplicadas escalas de avaliação da atitude médica diante do paciente alcoolista. Os dados foram complementados por uma avaliação do conteúdo científico sobre alcoolismo e pelo Audit para avaliar o padrão de ingestão de álcool dos alunos. Resultados Participaram do estudo 371 estudantes. Os consumidores de bebidas alcoólicas no padrão binge representaram 60,4% (n = 223), e 113 estudantes (30,7%) apresentaram comportamento de risco para o consumo de álcool (Audit ≥ 8). O padrão de consumo alcoólico não diferiu entre as universidades e nem entre os períodos avaliados (Kruskal Wallis, p > 0,05). Os alunos das três universidades aumentaram a pontuação na escala de conhecimentos com o progredir do curso. Entretanto, não houve correlação significativa entre conhecimento e padrão de beber (Spearman > 0,05). Quanto à atitude, foi observado que já é satisfatória no terceiro período e melhora no sexto período. Exceção foi observada entre os alunos da Unifesp, que já apresentaram atitude positiva quase máxima no terceiro período e que foi mantida até o final do curso. Conclusão Embora a atitude dos alunos melhore ao longo do curso, assim como seu conhecimento sobre adição a substâncias, o comportamento de beber permanece o mesmo, sem correlação com os conhecimentos transmitidos a respeito dos riscos de beber.

Fatores Associados ao Consumo Alcoólico de Risco entre Universitários da Área da Saúde

PID: S1981-52712018000100207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Mendonça Jesus Lima
RESUMO O álcool é a droga mais utilizada por universitários, pois o período de transição do ensino médio à universidade representa uma nova fase na vida de muitos estudantes pela maior exposição a mudanças no convívio familiar, em grupos sociais e em suas atividades diárias. Objetivo: Avaliar o padrão de consumo de álcool e os fatores associados ao consumo alcoólico de risco em universitários da área de saúde de Aracaju (SE). Métodos: Trata-se de estudo transversal com 1.147 estudantes do primeiro e do penúltimo período dos cursos de Medicina, Odontologia, Enfermagem, Fisioterapia e Nutrição de duas universidades da Grande Aracaju, sendo uma pública e uma privada. Os instrumentos foram dois questionários autoaplicáveis, um com as características gerais dos estudantes e o Alcohol Use Disorders Identification Test. Realizou-se estatística descritiva e a variável dependente foi dicotomizada para posterior regressão logística. Aplicou-se o Qui-Quadrado para testar a associação entre o consumo alcoólico de risco e as demais variáveis estudadas. O nível de significância adotado foi de 5%. Resultados: Verificou-se que 80,7% consumiram bebida alcoólica pelo menos uma vez na vida e que 68,8% ingeriram álcool no último ano. A média de idade de início da experimentação do alcool foi de 15,82 anos. O padrão de consumo de risco foi evidenciado em 21,1% dos estudantes e esteve associado positivamente com sexo masculino (OR = 2,94), instituição privada de ensino (OR = 1,59), tabagismo (OR = 5,99), desejo de consumir álcool consequente à mídia televisiva (OR = 2,35), uso associado com bebidas energéticas (OR = 1,83), dirigir alcoolizado (OR = 1,85), pegar carona com motorista alcoolizado (OR = 3,16) e uso de outras drogas (OR = 1,84). Conclusão: Observou-se início precoce de experimentação alcoólica e elevada prevalência de consumo alcoólico de risco entre os universitários da área de saúde de Aracaju (SE). Os fatores de risco mais fortemente associados com este padrão de consumo foram tabagismo, pegar carona com motorista alcoolizado e sexo masculino.
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