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Formação Médica na UFSB: III. Aprendizagem Orientada por Problemas e Competências

PID: S1981-52712018000100129 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Almeida Filho Lopes Coutinho Cardoso Santana Santos Guimarães Oliveira-Lima
RESUMO O tema das reformas curriculares na educação médica brasileira tem sido bastante debatido na literatura especializada. Algumas reformas buscaram introduzir estratégias de aprendizagem ativas, porém com poucas mudanças efetivas. Em artigos anteriores, apresentamos o modelo geral de um curso médico baseado em regime de ciclos, proposto pela Universidade Federal do Sul da Bahia. Neste artigo, submetemos ao debate o conjunto de estratégias pedagógicas estruturantes desse projeto. Primeiro, discutimos o conceito de “competência” articulado às demandas de uma formação ampliada, cidadã e profissional, incorporando tecnologias resolutivas ao cuidado humanizado e aos processos de trabalho em saúde. Em seguida, apresentamos instrumentos e metodologias ativas de aprendizagem que conformam a matriz de estratégias pedagógicas adotada pelo curso, baseada em quatro dispositivos centrais: Compromissos de Aprendizagem Significativa; Equipes de Aprendizagem Ativa; Sistema Integrado de Aprendizagem Compartilhada; Aprendizagem Orientada por Problemas e Competências. Tais dispositivos (e estratégias correlatas) promovem a aplicação de princípios e modelos de aprendizagem ativa e solidária em todas as etapas da formação, com uso intensivo de tecnologias digitais e mídias sociais. Discutimos fundamentos e perspectivas desse formato de organização pedagógico no que se refere à consistência com o modelo curricular da UFSB, enfatizando a estratégia de Aprendizagem Orientada por Problemas Concretos como eixo central de formação orientada pela prática de cuidados em saúde. Como ferramenta padronizada e dinâmica para acompanhamento de pacientes, adota-se o Prontuário Orientado por Problemas e Evidências (POPE), numa versão informatizada, mais adequada e eficiente que o modelo tradicional de prontuário, adaptada para uso nos diferentes contextos de prática clínica onde atua a UFSB. Esta proposta insere-se no esforço de construção de uma nova cultura pedagógica pautada numa perspectiva sociocrítica (intercultural, interepistêmica, interprofissional e interdisciplinar) da educação médica, capaz de articular, de forma indissociável, o sistema de formação em saúde aos de ciência, tecnologia e inovação, visando promover integralidade, humanização e resolutividade nas práticas de atenção à saúde. 310 palavras

Formação dos Médicos que Atuam como Líderes das Equipes de Atenção Primária em Saúde no Paraná

PID: S1981-52712018000100031 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Cavalli Rizzotto
RESUMO Historicamente, os currículos das escolas médicas não procipiaram uma formação voltada à atuação no Sistema Único de Saúde (SUS) e na Atenção Básica e por isso têm sido apontados como um dos fatores que dificultam o trabalho do médico depois de formado. Várias transformações curriculares vêm ocorrendo, porém muitos profissionais não foram contemplados. Este estudo, parte integrante de uma dissertação de mestrado, realizou-se por meio de uma pesquisa de campo, descritiva, transversal, que teve como objetivo analisar a formação do profissional médico que respondeu ao Módulo II do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) no Estado do Paraná, ciclo I e/ou II. Os dados foram obtidos por meio de formulário semiestruturado disponibilizado online pelo programa Qualtrics. De 183 médicos que compunham o universo, 32 (17,48%) participaram da pesquisa. Entre os profissionais respondentes, 16 (50%) são egressos de universidades públicas, 11 (34%) de privadas; 17 (53%) se formaram antes de 2006; 15 (46,9%) consideraram insuficientes ou pouco suficientes os conhecimentos teóricos sobre o SUS e os conhecimentos teóricos e práticos sobre Atenção Primária à Saúde (APS) obtidos na graduação; 13 (59,1%) realizaram até um ano de prática na graduação; 14 (43,75%) relataram que saíram preparados da graduação, mas precisaram de atualização para trabalhar nesse nível de atenção; 12 (37%) possuem residência e, desses, 6 (50%) em Medicina de Família e Comunidade; 21 (66%) possuem alguma especialização, sendo 2 (9%) em Saúde da Família, 3 (14%) em saúde coletiva, e 7 (32%) em Medicina de Família e Comunidade; 23 médicos (71,8%) escolheram atuar na APS para realização pessoal/profissional. Concluiu-se que os médicos participantes da pesquisa de campo consideram sua formação incompleta sobre o SUS e sobre o processo de trabalho em APS, necessitando de formação complementar para sua atuação profissional. Tal fato evidencia que há necessidade de mudanças no processo formativo.

Formação e Atuação Profissional de Médicos Egressos de uma Instituição Privada do Pará: Perfil e Conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais

PID: S1981-52712018000300129 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Maués Barreto Portella Matos Santos
RESUMO O estudo objetivou conhecer o perfil sociodemográfico, de formação e atuação profissional de médicos egressos de uma instituição privada, observar a conformidade deste perfil com o preconizado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e contribuir para o Programa de Acompanhamento de Egressos. O instrumento de coleta de dados foi um questionário validado, adaptado e enviado online aos egressos das primeiras quatro turmas. A maioria era composta por mulheres, jovens, solteiras, com renda mensal de até dez salários mínimos. O curso contribuiu totalmente ou em grande parte para a formação na atenção básica e uma formação humanista, generalista, crítico-reflexiva e ética. Os egressos são atuantes no SUS, como generalistas, alocados na Região Norte, sentindo-se razoavelmente preparados para o mercado de trabalho e competentes. Houve tendência de conformidade deste perfil com o preconizado pelas DCN, e a contribuição para o Programa de Acompanhamento de Egressos se deu por meio da elaboração da Revista do Egresso.

Homeopatia na Graduação Médica: Trajetória da Universidade Federal Fluminense

PID: S1981-52712018000100094 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Oliveira Peluso Freitas Nascimento
RESUMO A medicina homeopática foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como especialidade médica em 1980 e desde então a presença de seu ensino na formação médica tem se ampliado no Brasil. Na graduação médica da Universidade Federal Fluminense (UFF), iniciou-se em 1994. Em estudo de caso com abordagem qualitativa, analisou-se a trajetória do ensino da Homeopatia no curso de Medicina da UFF utilizando-se análise documental, observação direta, entrevistas individuais de coordenadores e alunos, e grupo focal com ex-alunos das cinco disciplinas que abordam a medicina homeopática. Identificou-se uma trajetória de resistência e avanços, desencadeada no processo de reforma curricular em contexto de implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliação da atenção primária. Apoiado na colaboração de profissionais externos à instituição, o ensino da Homeopatia na Medicina da UFF apresenta como principais desafios sua consolidação no currículo obrigatório, integração às demais clínicas, contratação de professores especialistas e recriação do ambulatório-escola em Homeopatia para prática supervisionada. A humanização da prática médica e a integralidade do cuidado foram suas contribuições mais mencionadas, numa perspectiva de integração e complementaridade da abordagem biomédica. Nas disciplinas obrigatórias, defende-se que os alunos possam desenvolver competências e habilidades para: (a) orientar e encaminhar pacientes à Homeopatia quando puderem ser beneficiados por esta medicina; (b) dialogar com colegas homeopatas no acompanhamento de pacientes comuns. As disciplinas optativas são importantes para alunos que queiram ampliar sua formação teórico-prática em Homeopatia, tendo em vista uma atuação profissional que inclua esta especialidade e lhes permita integrar os paradigmas vitalista e biomédico no cuidado em saúde. O ensino da Homeopatia na graduação médica da UFF é sustentado no compromisso de sua comunidade acadêmica com uma formação plural em saúde, capaz de propiciar aos futuros profissionais o uso de diferentes paradigmas para lidar com o processo de adoecimento, o corpo e as pessoas na sociedade contemporânea e, desta forma, contribuir para melhorar o relacionamento com pacientes, promover autonomia, diminuir abordagens invasivas e insensíveis, ampliar a integralidade do cuidado e a resolutividade do trabalho em saúde. O estudo crítico de sua trajetória oferece contribuições para uma reflexão sobre o ensino da Homeopatia também em outras escolas médicas, sejam as que já contemplem a Homeopatia em sua grade de disciplinas, sejam aquelas que estejam planejando inseri-la no currículo em resposta à demanda de alunos e professores.

Houve uma mudança na percepcao de estudantes de medicina do que significa ser um bom médico e de como educá-lo em um período de 14 anos? Um método de estudo misto

PID: S1981-52712018000300201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Wahba Lotufo
RESUMO Fundamentação Existem importantes diferenças culturais entre os indivíduos das gerações x e Y. Entretanto, poucos estudos compararam as percepções dessas duas gerações em relação ao que são bons médicos, e também quanto ao seu processo de treinamento. Objetivo Conduzir um estudo explorando as percepções sobre o que significa ser um bom médico e sobre o processo de formação em uma amostra de estudantes de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, comparando grupos de 2000 e de 2014. Buscamos fornecer informações que possam guiar o desenvolvimento curricular em escolas médicas. Método Foi conduzido um estudo misto por meio de questões abertas dirigidas a estudantes de Medicina da Universidade de São Paulo em 2000 e 2014. A análise qualitativa focou em temas emergentes ligados à percepção dos estudantes sobre o que seriam bons médicos e sobre o treinamento que os estudantes devem receber. Em seguida, foi realizada uma análise quantitativa por meio de Processamento de Linguagem Natural. Resultados A frequência de homens e mulheres estava balanceada entre os grupos de 2000 e 2014. A maior parte dos estudantes tinha ao redor de 20 anos de idade. Os principais conceitos emergentes encontrados envolveram os quatro temas seguintes: Habilidades e qualidades de um bom médico, aspectos positivos e aspectos negativos do currículo, expectativas relacionadas à carreira futura. Do ponto de vista qualitativo, o grupo de 2014 focou suas críticas na escola médica em si e na excessiva carga de estudo, enquanto o grupo de 2000 criticou os professores e a competitividade. Outrossim, o grupo de 2014 denotou maior criticismo e menor idealização em relação à Escola e ao processo de treinamento. Não houve diferenças estatísticas significativas entre os grupos de 2000 e de 2014, nem entre gêneros. Conclusão Os estudantes de medicina da FMUSP desta amostra demonstraram pouca mudança no decorrer dos anos em relação ao que consideram ser bons médicos e como eles devem ser treinados. As preferências dos estudantes por uma educação prática e centrada nos pacientes deveriam guiar o futuro desenvolvimento curricular nas escolas médicas.

Incorporando a Competência Cultural para Atenção à Saúde Materna em População Quilombola na Educação das Profissões da Saúde

PID: S1981-52712018000200100 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Freitas Júnior Santos Lisboa Freitas Garcia Azevedo
RESUMO INTRODUÇÃO: A educação das relações étnico-raciais e a história da cultura afro-brasileira, previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Medicina como temas transversais, representam um desafio para o desenvolvimento curricular no contexto da social accountability, das metodologias de ensino e dos cenários de prática e integração à rede de serviços de saúde. OBJETIVOS: Identificar as necessidades relacionadas à saúde materna em população quilombola, valorizando os valores, conhecimentos, saberes e cultura local. Estabelecer uma estratégia de cuidado, com participação discente, que contemple as necessidades identificadas na comunidade quilombola. Descrever os conhecimentos, habilidades e atitudes necessários ao desenvolvimento de competências culturais relacionadas à saúde materna das mulheres quilombolas. MÉTODOS: Pesquisa-ação para implantação de serviço de atenção interprofissional no pré-natal, com participação discente, tendo por base as necessidades da comunidade quilombola Capoeiras, em Macaíba (RN). Os dados foram analisados qualitativamente, pela técnica de análise de conteúdo temática categorial, com categorias definidas a priori. RESULTADOS: A criação de vínculos (a)efetivos entre usuárias e equipe de saúde e a habilidade de reflexão com ênfase na comunicação se mostraram como principais necessidades para o comportamento culturalmente competente no cuidado à saúde materna quilombola. As oportunidades de o estudante de Medicina conhecer a situação de saúde da população quilombola e vivenciar o trabalho interprofissional se mostraram estratégias efetivas para potencializar o desenvolvimento de competências culturais na formação médica. CONCLUSÕES: A formação de profissionais da saúde hábeis em interagir eficazmente com populações etnicamente diversas requer que estes conheçam os processos que influenciam a saúde e cuidados de saúde das minorias populacionais, além de vivências relacionadas à diversidade cultural, inseridas nos currículos médicos.

Influência de Políticas de Ação Afirmativa no Perfil Sociodemográfico de Estudantes de Medicina de Universidade Brasileira

PID: S1981-52712018000300036 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Silva Amaral Machado Passeri Bragança
RESUMO A adoção de políticas públicas de inclusão pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desde o processo seletivo de 2005, atrelada às modificações nos vestibulares de 2014 e, mais recentemente, no de 2016, possivelmente trouxe grandes mudanças no perfil do estudante de Medicina dessa universidade. Desse modo, o objetivo do presente estudo é avaliar o perfil sociodemográfico desses acadêmicos, bem como suas pretensões na escolha da carreira médica e da futura especialidade. O estudo de corte transversal foi realizado com 290 acadêmicos do primeiro, terceiro e sexto ano da graduação médica da Unicamp por meio de um questionário anônimo aplicado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Houve coleta de dados sociodemográficos, além dos fatores de influência para a escolha da profissão e da especialidade médica. A análise dos dados revelou uma amostra com idade média de 20-24 anos, predominantemente composta por mulheres (63,2%), da etnia branca (77,5%), procedentes do Estado de São Paulo (84,8%) e de regiões interioranas (62,3%). Para o primeiro ano, houve presença de negros (6,6%) e diferença estatística para pardos (22,6%), comparativa com o terceiro e sexto ano, egressos de ensino fundamental (42,5%) e médio (73,6%) públicos, com menor escolaridade materna (ensino médio) e renda familiar inferior (p < 0,001). Por sua vez, o terceiro e sexto ano eram compostos majoritariamente por alunos brancos (76,7% e 90,3%, respectivamente), oriundos de escola privada no ensino fundamental e médio, com maior escolaridade materna (ensino superior ou pós-graduação) e renda familiar mais elevada. Ainda, verificou-se variação das opções de especialidade ao longo do curso (p < 0,001). No primeiro ano, as especialidades mais pretendidas foram Cirurgia/Ortopedia (37,7%), Clínica Médica/Neurologia (23,6%) e Psiquiatria (11,3%). Para o terceiro ano, as especialidades mais desejadas foram Clínica Médica/Neurologia (40%), Cirurgia/Ortopedia (13,4%) e Ginecologia/Obstetrícia (13,3%). Entre os alunos do sexto ano, as especialidades mais escolhidas foram Clínica Médica/Neurologia (24,5%), Ginecologia/Obstetrícia (20,2%) e Cirurgia/Ortopedia (17%). Acadêmicos do primeiro ano também apresentaram diferentes aspirações abrangendo o local de trabalho futuro, com mais desejo de atuar somente no SUS ou em programas internacionais. Nesse contexto, os resultados apontam que a política de bonificação da Unicamp e suas alterações ao longo do tempo, em especial no vestibular de 2016, mostraram-se efetivas em democratizar o acesso à graduação médica, com maior pluralidade demográfica, social, econômica e étnica atreladas a variações na escolha da carreira e da especialidade médica ao longo das turmas analisadas.

Integralidade: Algumas Reflexões

PID: S1981-52712018000300146 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Oliveira Cutolo
RESUMO A integralidade pode ser considerada um dos temas mais recorrentes nas discussões acerca da formação profissional em saúde, especialmente na área médica. Entretanto, mesmo frente a estes movimentos, observam-se controvérsias sobre o termo devido a seu caráter polissêmico. Desta forma, tem-se como objetivo deste estudo a discussão dos sentidos da integralidade tendo por base um resgate bibliográfico na literatura existente, suscitando reflexões de cunho epistemológico, hermenêutico e prático no contexto da formação em saúde. Parte-se da compreensão de que a integralidade traz em si a percepção da complexidade de nossos objetos. Objetos complexos exigem olhares plurais. Dicotomias vinculadas ao modo de pensar moderno, por consequência, devem ser sistematicamente abandonadas. Fala-se de integralidade como superação de dicotomias clássicas no âmbito da saúde: indivíduo e coletivo; saúde e doença; corpo e mente; clínica e saúde pública; teoria e prática. Ou seja, na perspectiva da integralidade, considera-se a saúde como o resultado de aspectos múltiplos da vida de um indivíduo, que não pode ser reduzido a meras díades conceituais, ou mesmo, de relação causa-efeito. Esta ideia fundamenta-se no fato de que, a partir da integralidade, quando se fala de saúde, ela nunca estará alienada da complexidade da vida de sujeitos e de suas contingências. Já a integralidade enquanto articulação de políticas públicas sociais e econômicas baseadas na determinação social do processo saúde-doença em nosso contexto, além de desejável, torna-se fundamental. Porém, é preciso reconhecer que, por se tratar de uma visão contra-hegemônica, sofrerá resistências, e talvez seja esta característica que permita a existência da ideia de integralidade como uma prática utópica. Assim, a integralidade se expressa como uma imagem-objetivo e, mais do que isso, se apresenta como orientadora e guia das ações em saúde, sobretudo como um processo contínuo de lutas e buscas por transformações de nossa sociedade.

Integração Curricular a partir da Análise de uma Disciplina de um Curso de Medicina

PID: S1981-52712018000300027 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Barboza Felício
RESUMO A análise de práticas curriculares tem sido uma atividade cada vez mais presente nas produções científicas no campo do currículo, sobretudo porque nelas se coadunam as relações estabelecidas entre o conhecimento, o currículo prescrito e sua concretização no cotidiano educacional. No campo da educação médica, esta análise adquire especial valor, haja vista a incipiente produção de trabalhos que avaliam as práticas pedagógicas do ponto de vista curricular. Assim, apresentamos a análise crítica de uma prática curricular realizada numa disciplina de um curso de Medicina, que se faz pertinente por apresentar novos olhares sobre a prática enquanto expressão viva do currículo em ação. Com base na análise temática de conteúdo de uma disciplina teórico-prática, evidenciamos elementos que se aproximam do paradigma curricular integrador, segundo os referenciais teóricos de Gimeno Sacristán, James Beane e Luíza Alonso. Indicadores como contextualização da prática e integração das áreas curriculares e dos professores são alguns dos elementos que compõem uma concepção integrada de currículo, cuja interdisciplinaridade, em coerência com o eixo central do desenvolvimento curricular – necessidades de saúde dos indivíduos e populações, identificadas pelo setor saúde –, é apontada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina como possibilidade de desenvolver aprendizagens significativas e contextualizadas, centradas no aluno como sujeito da aprendizagem. Essas recomendações são de fundamental importância na área da saúde, quando a articulação daquilo que se aprende com os cenários e as práticas profissionais fundamentam (ou pelo menos devem fundamentar) a formação. A análise possibilitou perceber como o ensino em saúde pode se beneficiar de uma organização curricular integrada, que oferta diversificação e diálogo entre saberes distintos, relevantes na investigação e resolução de problemas no processo saúde-doença, bem como a construção de conhecimentos teórico-práticos pertinentes a uma formação humanista, crítica e reflexiva.

Inteligência artificial, o Futuro da Medicina e a Educação Médica

PID: S1981-52712018000300003 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Lobo
RESUMO Inteligência artificial (IA) é um ramo da ciência da computação que usando algoritmos definidos por especialistas é capaz de reconhecer um problema, ou uma tarefa a ser realizada, analisar dados e tomar decisões, simulando a capacidade humana. Sistemas computadorizados de apoio à decisão já existem há décadas, mas o aumento da velocidade de processamento e de armazenamento de informação dos computadores, permitiu analisar um grande volume de dados em nanosegundos propondo soluções de problemas, orientando a proposta e tomada de decisões, realizando tarefas sem receber instruções diretas de humanos. Já utilizadas em um grande número de atividades em áreas como o comércio, bancos, transporte, atendimento a usuários e, mesmo, gestão de recursos materiais e do capital humano, IA tem ampliado significativamente a sua aplicação em saúde. Em saúde IA analisa dados disponíveis em bases de dados de nascimentos, mortalidade, hospitalizações, doenças de notificação compulsória e de dados de pacientes registrados em prontuários eletrônicos. Busca, seja indicar a prevalência e evolução de enfermidades, possibilitando antecipar surtos epidêmicos e propor medidas preventivas com oportunidade, seja analisar, por exemplo, a coerência entre uma hipótese diagnóstica de um paciente e exames solicitados e terapia prescrita. IA reconhece imagens, permite interações computadorizadas em linguagem aberta, escrita e falada, percebe relações e nexos, entende conceitos e não apenas processa dados, segue algoritmos e cria sua própria experiência (“machine learning”). A constatação de que 32% dos erros médicos no Estados Unidos decorrem de problemas na relação médico-paciente, de um exame clínico deficiente, ou falha na avaliação de dados e de resultados de exames complementares, tem ressaltado a necessidade de se redefinir a prática médica, visando reservar tempo numa consulta para garantir uma boa comunicação e orientação do paciente. O uso de linguagem natural no registro de dados em prontuários eletrônicos, melhoria do relacionamento através da internet, emprego de computadores na comunicação médico-paciente, emprego de dispositivos vestíveis e corporais na obtenção de dados (“wearable devices”), telemedicina, trabalho em equipes multiprofissionais, visam otimizar o desempenho do médico no atendimento de seu paciente. A redefinição da prática médica resultará, necessariamente, em mudanças na formação do médico. Essa preocupação se refletiu no estabelecimento de um consórcio de escolas, estabelecido pela Associação Americana de Medicina, para discutir mudanças curriculares, ajustando a formação profissional a uma época caracterizada pelo uso intensivo de tecnologias e inteligência artificial. O autor faz considerações sobre a formação médica, propondo um núcleo de conhecimento que deverá alicerçar uma maior flexibilidade do aprendizado, ajustando-o às motivações e orientações dos alunos.

Intersetorialidade e Educação Popular em Saúde: no SUS com as Escolas e nas Escolas com o SUS

PID: S1981-52712018000200073 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Raimondi Paulino Mendes Neto Diniz Rosa Limirio Junior Oliveira Leonardi
RESUMO Em 1988, a Constituição Federal do Brasil deu as bases para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo a saúde como direito. Em 2013, a Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS) amplia as conquistas nessa área ao reafirmar os princípios desse Sistema: universalidade, integralidade, equidade e participação social, esta essencial para o debate de Educação Popular em Saúde. Nesse contexto, o papel da universidade, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de graduação em Medicina de 2014, de atuar sobre as necessidades da população, promovendo saúde e transformando a realidade da sociedade, é fundamental na formação dos estudantes, bem como no seu vínculo com a comunidade. O grupo de execução deste trabalho levantou a proposta de refletir sobre a realidade do SUS na perspectiva de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) das escolas municipais de Uberlândia (MG), dialogando com seus saberes a fim de empoderar a população por meio da construção compartilhada de conhecimento. Nas vivências, identificamos o desconhecimento da população sobre seus direitos e o próprio SUS, e, assim, priorizamos o debate e o diálogo utilizando a amorosidade, princípio da PNEPS, para conseguirmos trabalhar os princípios desse Sistema de Saúde, bem como os direitos da população relativos à saúde. Notamos que a nossa formação ainda é centrada no médico, visto que houve uma dificuldade inicial de estabelecer o contato de forma confortável com ambas as partes. Por trabalharmos com pessoas, naturalmente surgiram demonstrações sobre suas insatisfações com o nosso sistema de saúde, e foi preciso utilizar isso para apontar possíveis soluções e como protagonizar essa luta sem colocar a responsabilidade da melhoria e consolidação de nossa saúde somente nas mãos de terceiros. Era preciso compreender a importância do SUS e saber como mudá-lo por meio, principalmente, da participação social. O objetivo foi alcançado pelo estabelecimento de um vínculo que possibilitou a construção conjunta de conhecimento, trazendo maior autonomia tanto ao grupo quanto aos participantes, aumentando nossa perspectiva de uma mudança na luta pela saúde que almejamos em nossa formação e futura atuação profissional.

Medicina além das grades – uma Experiência da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto

PID: S1981-52712018000400134 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Oliveira Mattos Pazin Filho Santos
RESUMO A saúde da população privada de liberdade possui aspectos peculiares dada a elevada prevalência de infecções sexualmente transmissíveis, lesões dermatológicas e transtornos mentais agravados pela superlotação e precárias condições das unidades penitenciárias. O atendimento à saúde oferecido é de baixa resolutividade, baseado na abordagem de queixas pontuais, com dificuldade de acesso a outros serviços de saúde. A integração ensino-serviço é uma das diretrizes para os cursos de medicina, que tem o papel de formar médicos críticos e reflexivos a partir das necessidades sociais. É dentro dessa aproximação da universidade ao sistema prisional, que nasceu em 2011, a disciplina Medicina do Confinamento na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. O presente relato descreve o processo de concepção dessa disciplina, sua estrutura teórico-prática, assim como oferece uma reflexão sobre o aprendizado e suas particularidades no confinamento. A disciplina, de caráter optativo, tem 30 horas de duração, sendo ofertada duas vezes ao ano, com disponibilidade para 40 vagas anuais. Até 2016, 188 estudantes de medicina participaram da disciplina, que possui além da programação teórica, atividades práticas realizadas em penitenciárias na região de Ribeirão Preto. As distintas realidades experimentadas pelo aluno de graduação no cenário da universidade e das penitenciárias possibilitaram a reflexão sobre a importância da integração destes dois mundos que quando em contato contribuem tanto para qualificação da assistência prestada, quanto para a responsabilidade do estudante como cidadão e do seu papel como profissional. A disciplina promoveu a aproximação da sociedade às populações marginalizadas, participando da ressocialização das pessoas desprovidas de liberdade, além de suscitar reflexões sobre as dimensões do adoecimento, e sua influência no contexto de vida desses pacientes permitindo, portanto, refletir de que maneira a construção de projetos de cuidado adequados a realidade dessas pessoas possa garantir os princípios da universalidade, equidade e integralidade da atenção.

Medicina de Família do Primeiro ao Sexto Ano da Graduação Médica: Considerações sobre uma Proposta Educacional de Integração Curricular Escola-Serviço

PID: S1981-52712018000400191 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Silva Medeiros Junior Fontão Saletti Filho Vital Junior Bourget Rios
RESUMO Em contexto nacional e internacional, discute-se a formação médica devido às mudanças na sociedade contemporânea e suas demandas de saúde. No Brasil, preconiza-se a inserção do aluno na Atenção Primária à Saúde (APS) durante todo o curso médico. Tal inserção é dificultada pelos cenários práticos inadequados, pela falta de preceptores, pela formação insuficiente dos médicos generalistas para receber estudantes, pelos docentes sem capacitação adequada para o ensino na área e pela resistência de docentes de disciplinas tradicionais. Este artigo descreve e analisa um modelo de inserção da APS e Medicina de Família e Comunidade (MFC) em um curso médico no município de São Paulo, os desafios da articulação ensino-gestão e as ações que ajudam a enfrentá-los. A proposta parte de objetivos educacionais que visam desenvolver competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) para que o aluno possa oferecer cuidado integral, compreendendo o indivíduo no contexto de vida familiar, social e ambiental. Os conteúdos programáticos foram desenvolvidos para propiciar aprendizagem em grau crescente de complexidade, articulando saberes prévios com novos saberes. Deste ponto de partida, o desenvolvimento do projeto educacional tem como marca inovadora a combinação de planejamento e gestão educacional que adota as seguintes medidas para aprimorar a qualidade do processo ensino-aprendizagem: (1) inserção dos alunos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do primeiro ano ao internato; (2) contratação de médicos de família como docentes da faculdade; (3) integração dos conteúdos dos módulos de Medicina de Família e APS com os conteúdos de outras disciplinas, como Epidemiologia, Políticas de Saúde e Medicina Baseada em Evidências; (4) metodologias de ensino problematizadoras adequadas à temática abordada e ao perfil do estudante e do docente; (5) avaliações formativas; (6) aprimoramento pedagógico para docentes e preceptores para o exercício do ensino em saúde; (7) práticas que estimulem o aluno a trabalhar em equipes interprofissionais; (8) incentivo a programas de intercâmbio nacionais e internacionais para alunos de graduação e de residência em MFC; (9) fomento à publicação de livros, artigos e pesquisa em APS. Entre os fatores facilitadores para o bom andamento dessa proposta de ensino, ressalta-se o fato de que MFC e APS são fundamentos axiais do projeto político-pedagógico do curso médico e se desenvolvem em uma instituição que tem longa história de assistência e ensino na área da saúde, contribuindo fortemente para a integração serviço-escola. A interlocução necessária às atividades didáticas nos cenários de prática se dá pela proximidade entre gestão local, preceptores e gestores-docentes. Outro fator de fortalecimento da proposta é o investimento na equipe de preceptores por meio de capacitação, participação na construção e na integração de conteúdos propostos nos módulos de MFC e a política de recursos humanos que os valoriza. Assim, considera-se que a apresentação desta iniciativa poda contribuir para o debate de modelos educacionais para inserção curricular da MFC e APS, seus desafios e possibilidades na educação médica contemporânea.

Monitoria e Aprendizagem Baseada em Equipes: Uma nova estratégia híbrida para Educação Médica

PID: S1981-52712018000300162 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Pinho Miranda Tavares Alves Morais Sobreira Almeida
RESUMO A educação médica tem mudado bastante nos últimos anos, principalmente pelo surgimento de novos conceitos relacionados aos processos de ensino-aprendizagem que preconizam o emprego de métodos ativos, tais como a Aprendizagem Baseada em Equipes (ABE), do inglês Team-Based Learning (TBL). A monitoria é uma estratégia bem estabelecida para atividades de ensino que tem sido utilizada em vários cursos de graduação. Esse artigo descreve o teste piloto de um novo modelo de monitoria desenvolvido por meio da adaptação do ABE, então denominado método “PAL-TBL”. O método foi aplicado durante as aulas de Fisiologia Humana com os estudantes do primeiro ano do curso de Medicina da Universidade de Pernambuco – campus Garanhuns, Brasil. O método PAL-TBL foi delineado como uma modalidade de ensino-aprendizagem para contribuir para a formação acadêmica dos estudantes de Medicina. Nesse sentido, a dinâmica organizacional e o desenvolvimento das atividades deram-se durante os anos de 2016 e 2017. A metodologia utilizada foi a seguinte: (i) momento I ou de preparação de material (contexto/cenário) e estudo/análise desse material pelos participantes; (ii) momento II de verificação do conhecimento prévio (teste individual e em equipe), levantamento de dúvidas e feedback e (iii) momento III de aplicação dos conceitos. Vale ressaltar que o momento II contou com momento avaliativo do trabalho das equipes e do material preparado. A produção do material, contexto, questões e devolutiva, foi realizada por meio da interação entre os estudantes monitores e o professor, com o intuito de inserir as experiências vividas previamente, bem como elucidar a importância do uso de métodos ativos durante a formação acadêmica para o desenvolvimento de competências úteis para a prática médica. O desenvolvimento da metodologia proposta levou os estudantes a refletirem mais sobre os problemas apresentados durante as discussões em sala de aula, permitindo uma rica experiência de aprendizagem. Aplicações futuras do PAL-TBL com estudantes de anos mais avançados do curso serão realizadas para ampliar os benefícios da estratégia desenvolvida para a formação médica.

Narrativas e Memórias de Docentes Médicos sobre o Ensino Baseado na Comunidade no Sertão Nordestino

PID: S1981-52712018000100142 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Vieira Pinto Melo
RESUMO O ensino baseado na comunidade trata-se de uma abordagem educacional voltada à inserção de estudantes em cenários de prática real desde os anos iniciais dos cursos, principalmente em comunidades urbanas e/ou rurais e em serviços da atenção primária à saúde, em que o planejamento, a execução e a avaliação das ações desenvolvidas partem das necessidades de saúde local e, idealmente, inclui a participação de pessoas da comunidade, das equipes de saúde e da própria universidade em todas as suas etapas. Este estudo problematizou o processo de implementação de um currículo baseado no ensino em comunidade em uma escola médica criada no âmbito do Programa Mais Médicos, no sertão nordestino. Para isto, trabalhou-se com interlocuções teóricas entre narrativas, memória e currículo. Teve-se por objetivo compreender como docentes médicos vivenciam o ensino baseado na comunidade, tendo em vista suas memórias da formação médica. Trata-se de estudo qualitativo, nos marcos da história oral. Para a produção das narrativas e contextualização dos sujeitos, utilizaram-se observações participantes, questionários socioeconômicos e entrevistas individuais semiestruturadas. As informações foram analisadas pela técnica de codificação temática. Os resultados são apresentados e discutidos por meio de duas categorias temáticas: “eles serão médicos dentro de uma comunidade”: currículo, memória e formação médica; e “na hora em que eu cheguei lá, quis ir embora”: atuação docente no ensino baseado na comunidade. As narrativas desvelaram as disparidades e incongruências entre uma formação médica modelada nas prescrições do currículo “tradicional” e as expectativas de atuação docente num currículo “inovador”, caracterizado pela centralidade do estudante e das necessidades de saúde locais que produzem arranjos pedagógicos diversos próprios do ensino baseado na comunidade. Nesse panorama, imbricam-se desafios, dificuldades e gratificações num movimento ainda amorfo e num espaço ainda com muitos vazios que esperam para serem preenchidos, descritos, narrados com futuras histórias de vida que poderão elucidar como se aprendeu a ser docente nesse horizonte que se espraia a nossa frente. Cumpre destacar a polissemia do termo “comunidade” no contexto estudado e as dificuldades vivenciadas no início da carreira docente, o que evidencia a necessidade de investimentos em desenvolvimento docente nos cursos médicos, em geral, e nos recém-criados, em particular.

Neurofobia Tem Cura

PID: S1981-52712018000400005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Gama
ABSTRACT Neurophobia is a term used to describe a combination of negative reactions observed among students when faced with theoretical concept of neurosciences. It is driven by the belief that this subject matter is excessively abstract and complex, and something of an “eccentric branch” of medicine. The small number of professionals who display an interest in this specialty may be related to a rejection of the subject since their university days. The author attributes the perpetuation of neurophobia to two main factors: the fragmented way in which neuroscience is presented in the basic syllabus and the lack of a proactive attitude among some teachers to bring down the barriers that separate their knowledge from that of their students. In conclusion, proposals for overcoming neurophobia are suggested, which include presenting neurosciences in a more contextualized manner since the start of medical education and teachers adopting a more integrative posture in building bridges to connect new concepts to preexisting knowledge.

Neurofobia no Brasil: Detectando e Prevenindo um Problema Global

PID: S1981-52712018000100121 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Santos-Lobato Magalhães Moreira Farias Porto Pereira Custódio Braga
RESUMO A Neurofobia é um problema global conhecido como uma aversão à Neurologia e às Neurociências por parte de estudantes de Medicina e médicos, podendo contribuir para que se forme um número reduzido de neurologistas e que haja um desconhecimento global sobre manejo de doenças neurológicas entre médicos. Até o momento, não existem estudos sobre Neurofobia no Brasil. O objetivo do presente estudo foi avaliar a percepção de Neurologia e Neurociências entre estudantes de Medicina no Brasil. Estudantes de quatro escolas médicas no Estado do Pará, matriculados no segundo ano (fase pré-clínica), quarto ano (fase clínica) e sexto ano (internato), responderam a um questionário autoaplicado, dividido em duas partes: a primeira incluiu perguntas sobre o nível de interesse, nível de conhecimento, grau de dificuldade, confiança ao examinar pacientes, qualidade das aulas no curso médico e probabilidade de seguir carreira, envolvendo diferentes especialidades clínicas (Cardiologia, Endocrinologia, Gastroenterologia, Nefrologia, Neurologia, Pneumologia e Reumatologia). Na segunda parte, foram feitas perguntas sobre possíveis razões para a Neurologia ser vista como uma disciplina difícil e sobre possíveis maneiras de melhorar a educação neurológica. Foram preenchidos 486 questionários. A Neurologia foi percebida como a disciplina mais difícil (pontuação média 4.00; p < 0.001), em que há menos confiança no exame físico (pontuação média 2.97; p < 0.001) e a de pior qualidade de aulas (pontuação média 3.12; p < 0.001). O principal motivo da Neurofobia foi a necessidade de saber Neuroanatomia e Neurofisiologia (razão muito importante para 39,4% dos estudantes), e a sugestão mais importante para melhorar a educação neurológica foi aumentar a quantidade e a qualidade das aulas práticas (fator muito importante — 53,3%). Estudantes envolvidos em atividades extracurriculares, do sexo feminino e mais velhos têm opiniões mais desfavoráveis a respeito da Neurologia. A Neurofobia está também presente no Brasil, e novas abordagens educacionais devem ser propostas para melhora da atual percepção desfavorável da Neurologia por estudantes de Medicina. Sugerimos que a Comissão de Educação Médica da Academia Brasileira de Neurologia proponha diretrizes para o ensino de Neurologia na graduação.

O Ensino da Patologia e Sua Influência na Atuação de Patologistas e Infectologistas no Rio de Janeiro

PID: S1981-52712018000100216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Pereira Souza Hora Possas Menezes
RESUMO Estudos sobre o ensino da patologia no Brasil são escassos e mostram um cenário desmotivador para estudantes e professores. Embora essa disciplina seja fundamental à formação médica, o distanciamento entre o seu ensino e o das demais disciplinas clínicas leva ao não reconhecimento, por parte dos estudantes, da importância da patologia para a formação profissional, especialmente na área de doenças infecciosas. O objetivo deste estudo foi investigar o processo de formação e produção do conhecimento em patologia em três faculdades de Medicina com ensino tradicional no Estado do Rio de Janeiro e seu impacto na atuação de patologistas e infectologistas. Trata-se de um estudo qualitativo com utilização da técnica do discurso do sujeito coletivo em entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistados sete professores de patologia de duas faculdades públicas e de uma particular e dez médicos - cinco patologistas que atuavam no Rio de Janeiro e cinco infectologistas de um centro de referências em doenças infecciosas no Rio de Janeiro. A disciplina de patologia é oferecida de forma descontextualizada em períodos específicos. Professores reconhecem que aulas descontextualizadas não estimulam o interesse pela especialidade nem preparam estudantes para interação com patologistas e serviços de anatomia patológica. Para infectologistas, falta percepção da importância da patologia na graduação, o que para patologistas gera dificuldades na interação com infectologistas, resultando em preenchimento incompleto de solicitação de exames histopatológicos, dificuldade na interpretação de laudos e envio inadequado de amostras. Infectologistas e patologistas acreditam que mais aulas práticas, maior integração com a clínica e a presença do patologista em outros cenários de aprendizagem aumentem o interesse pela patologia. Todos os professores, infectologistas e patologistas pesquisados reconheceram a existência de lacunas no ensino-aprendizagem na disciplina de patologia na graduação médica e a necessidade de reformulação para torná-la uma especialidade mais interessante e alinhada à realidade profissional.

O Olhar do Estudante de Medicina sobre o Sistema Único de Saúde: a Influência de Sua Formação

PID: S1981-52712018000300057 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Pereira Stadler Uchimura
RESUMO Após o fim do regime militar e a consequente democratização do País, com a realização da VIII Conferência Nacional de Saúde e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), passam a surgir propostas de mudanças para o ensino médico no intuito de adaptá-lo a esse novo sistema. Nesse processo, destaca-se a formação da Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico (Cinaem), em 1991, com a proposta de realizar, em diferentes fases, uma autoavaliação do ensino médico àquela época, o que culminou, em 2001, na elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de Medicina. Entendendo que a educação médica proposta pelas DCN visa formar profissionais de perfil generalista, humanista, crítico e reflexivo, que contemplem o sistema de saúde vigente e cuja formação deve se dar por meio do vínculo com as necessidades sociais da saúde, com ênfase no SUS, este trabalho buscou identificar, mediante uma análise qualitativa, a influência exercida pela formação em Medicina em uma instituição de ensino sobre as percepções de seus acadêmicos e egressos acerca do SUS. Os dados foram coletados em grupos focais, compostos por alunos do terceiro ao décimo segundo período de Medicina, seguindo um roteiro norteador flexível. A leitura transversal e horizontal dos dados, baseada na metodologia de “Estrutura, Processo e Resultados” de Donabedian 24 , permitiu identificar os seguintes temas centrais presentes nas narrativas, sobre os quais foi construída a discussão: corpo docente, adequação teórica e prática, e saúde coletiva. Por fim, foi compreendida a visão que os estudantes têm do SUS, suas intenções de utilização e inserção profissional no sistema e algumas evidências de currículo oculto. O estudo concluiu que a formação médica tem forte influência sobre estes fatores. Grande parte dos estudantes não tem interesse em trabalhar no SUS nem em sua utilização, motivada pelas experiências práticas, pelo discurso e pelo exemplo dos docentes.

O Processo de Raciocínio Clínico de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712018000300194 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Lopes Bregagnollo Barbosa Stamm
RESUMO Introdução As pesquisas no campo de raciocínio clínico têm colaborado no entendimento do processo de raciocínio dos estudantes. As estratégias nesse processo são relacionadas ao sistema analítico [hipotético-dedutivo (HD)] e ao não analítico [esquema-indutivo (SI) e reconhecimento de padrão (PR)]. Objetivos Explorar o processo de raciocínio clínico de estudantes quinto ano de medicina ao final do ciclo clínico do internato médico, identificar as estratégias utilizadas na elaboração de hipóteses diagnósticas e analisar a organização e conteúdo do conhecimento. Método Estudo qualitativo conduzido em 2014 numa universidade pública brasileira com estudantes do internato médico. Este estudo utilizou-se do método Stamm, em que um caso clínico de medicina interna foi elaborado baseando-se na teoria dos protótipos (Grupo 1 = 47 internos), em que os estudantes listam, sob suas percepções, os sinais, sintomas, síndromes e doenças mais típicas da clínica médica. Esse caso foi então utilizado na avaliação do processo de raciocínio clínico do Grupo 2 (30 estudantes aleatoriamente selecionados da amostra inicial) por meio da técnica “think aloud”. As verbalizações foram transcritas e avaliadas por meio da análise temática proposta por Bardin. A análise de conteúdo foi validada por dois especialistas da área no início e ao final de todo o processo. Resultados Os internos elaboraram 164 hipóteses primárias e secundárias durante a rosolução do caso clínico proposto. O SI foi a estratégia mais utilizada, com 48,8%, seguida de PR (35,4%), HD (12,2%) e mista (1,8% cada: SI + HD e HD + PR); Os estudantes construíram 146 eixos semânticos distintos, resultando numa média de 4,8/participante; Durante a análise, eles realizaram 438 processos de interpretação (média de 14,6/participante) e 124 processos de combinação (média de 4,1/participante). Conclusões As estratégias não-analíticas prevaleceram, com PR a mais utilizada no desenvolvimento de hipóteses primárias (46,8%) e a SI para as hipóteses secundárias. Os internos demonstraram uma rede semântica sólida e realizaram três vezes e meia mais processos de interpretação do que combinação, o que reflete uma organização e conteúdo de conhecimento menos aprofundada quando comparados com médicos experientes.
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