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O Trote e a Saúde Mental de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712018000200110 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Lima Ramos-Cerqueira Dantas Lamardo Reis Torres
RESUMO Introdução: A prática do trote é um fenômeno que teve início na Idade Média e ainda persiste em muitas universidades pelo mundo. No Brasil, embora seja um problema amplamente reconhecido, tem sido insuficientemente estudado. Objetivo: Estimar a prevalência e identificar fatores associados à ocorrência de trote numa faculdade de Medicina pública, localizada no interior do Estado de São Paulo. Método: Foi realizado um estudo transversal do qual participaram 477 estudantes de Medicina do primeiro ao sexto ano do curso. O questionário autopreenchido continha questões e instrumentos estruturados que permitiram avaliar: características sociodemográficas e da vida acadêmica, apoio social, sintomas depressivos, uso problemático de álcool (por meio do Alcohol Use Disorder Identification Test — Audit), transtorno mental comum (por meio do Self Reporting Questionnaire — SRQ) e se o participante sofreu trote que considerou abusivo ou se aplicou trote do qual se arrependeu posteriormente. Foi realizada análise bivariada e regressão logística para identificar fatores independentemente associados a cada um dos desfechos (ter sofrido trote que considerou abusivo ou ter aplicado trote do qual se arrependeu posteriormente). Resultados: A taxa de resposta foi de 87,0%. Relataram ter sofrido trote abusivo 39,8% (IC95% 35,4% — 44,2%) dos estudantes, enquanto afirmaram ter aplicado trote do qual se arrependeram 7,5% (IC95% 5,2% — 9,9%) deles. Ter sofrido trote abusivo associou-se a: sexo masculino, não estar adaptado à cidade, apresentar menor escore na escala de apoio social e ter feito ou estar fazendo tratamento psiquiátrico e/ou psicológico após o ingresso na universidade. Ter aplicado trote, por sua vez, também se associou a sexo masculino, assim como a maior idade e maior pontuação no Audit. Conclusão: Trote associou-se a sexo masculino e à procura por tratamento de saúde mental entre os que o receberam e a uso problemático de álcool entre os que o praticaram. É fundamental que as instituições debatam e compreendam melhor o problema do trote, a fim de adotar medidas efetivas para que este seja prevenido.

O processo de raciocínio clínico de estudantes de medicina

PID: S1981-52712018000100115 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Lopes Bregagnollo Barbosa Stamm
RESUMO Introdução: As pesquisas no campo de raciocínio clínico têm colaborado no entendimento do processo de raciocínio dos estudantes. As estratégias nesse processo são relacionadas ao sistema analítico [hipotético-dedutivo (HD)] e ao não analítico [esquema-indutivo (SI) e reconhecimento de padrão (PR)]. Objetivos: Explorar o processo de raciocínio clínico de estudantes quinto ano de medicina ao final do ciclo clínico do internato médico, identificar as estratégias utilizadas na elaboração de hipóteses diagnósticas e analisar a organização e conteúdo do conhecimento. Método: Estudo qualitativo conduzido em 2014 numa universidade pública brasileira com estudantes do internato médico. Este estudo utilizou-se do método Stamm, em que um caso clínico de medicina interna foi elaborado baseando-se na teoria dos protótipos (Grupo 1 = 47 internos), em que os estudantes listam, sob suas percepções, os sinais, sintomas, síndromes e doenças mais típicas da clínica médica. Esse caso foi então utilizado na avaliação do processo de raciocínio clínico do Grupo 2 (30 estudantes aleatoriamente selecionados da amostra inicial) por meio da técnica "think aloud". As verbalizações foram transcritas e avaliadas por meio da análise temática proposta por Bardin. A análise de conteúdo foi validada por dois especialistas da área no início e ao final de todo o processo. Resultados: Os internos elaboraram 164 hipóteses primárias e secundárias durante a rosolução do caso clínico proposto. O SI foi a estratégia mais utilizada, com 48,8%, seguida de PR (35,4%), HD (12,2%) e mista (1,8% cada: SI + HD e HD + PR); Os estudantes construíram 146 eixos semânticos distintos, resultando numa média de 4,8/participante; Durante a análise, eles realizaram 438 processos de interpretação (média de 14,6/participante) e 124 processos de combinação (média de 4,1/ participante). Conclusões: As estratégias não-analíticas prevaleceram, com PR a mais utilizada no desenvolvimento de hipóteses primárias (46,8%) e a SI para as hipóteses secundárias. Os internos demonstraram uma rede semântica sólida e realizaram três vezes e meia mais processos de interpretação do que combinação, o que reflete uma organização e conteúdo de conhecimento menos aprofundada quando comparados com médicos experientes.

Paradigma na Formação Médica: Atitudes e Conhecimentos de Acadêmicos sobre Morte e Cuidados Paliativos

PID: S1981-52712018000200034 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Malta Rodrigues Priolli
RESUMO A Organização Mundial da Saúde (OMS) define Cuidados Paliativos como abordagem que aprimora a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares que enfrentam problemas associados a doenças ameaçadoras de vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento. Recentemente no Brasil, promoveu-se a Medicina Paliativa a especialidade médica, obrigando a repensar os conceitos de educação em terminalidade da vida nas escolas brasileiras. O relacionamento pessoal com a morte parece influenciar diretamente a premissa do cuidar-mais-que-curar, sendo essencial na relação do cuidador com aquele que morre. Há estreita relação entre ansiedade e medo da morte e a atitude do estudante de Medicina perante situações de terminalidade de vida. A visão que o acadêmico tem sobre a morte poderá determinar a disponibilidade interna, valores, conceitos e preconceitos com relação à morte e ao morrer e determinar seu desempenho como profissional. Dessa forma, os programas de educação médica devem ressaltar não apenas os aspectos teóricos e técnicos em Cuidados Paliativos, mas também o clima emocional que envolve o ato médico e a finitude da vida. Objetivo: Comparar as atitudes de acadêmicos em curso de Medicina perante a morte e o processo de morrer segundo o contato teórico e/ou prático com a disciplina de Cuidados Paliativos ao longo de sua formação médica. Método: Estudo de coorte que avalia a modificação do perfil do acadêmico de Medicina com base nos questionários de Tanatofobia e Autoeficácia em Cuidados Paliativos. Resultados: A reflexão teórica diminui a ansiedade relacionada à atividade prática (p < 0,05). As habilidades em comunicação e multidisciplinaridade em Cuidados Paliativos são mais bem desempenhadas pelo grupo que recebe treinamento completo, teórico e prático, do que nos grupos que recebem apenas teoria ou nos que adquirem seus conhecimentos mediante aprendizado em serviço exclusivamente (p < 0,05). Conclusão: A disciplina Cuidados Paliativos auxilia na superação de medos relacionados à morte, reduzindo a ansiedade envolvida na prática dos cuidados de fim de vida, principalmente no quesito comunicação. Estudantes que recebem treinamento teórico e prático em Cuidados Paliativos mostram maior confiança diante de situações de terminalidade.

Percepção de Acadêmicos de Medicina e de Outras Áreas da Saúde e Humanas (Ligadas à Saúde) sobre as Relações entre Espiritualidade, Religiosidade e Saúde

PID: S1981-52712018000100067 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Zanetti Lemos Gotti Tomé Silva Rezende
RESUMO Introdução: Alguns autores encontraram relação estreita e positiva da religiosidade e espiritualidade com comportamentos saudáveis, resultando em saúde adequada. Além disso, dados da literatura sugerem que, de modo geral, as pessoas se apoiam em suas crenças para enfrentar momentos de dificuldades pessoais e coletivas. Os profissionais cujas práticas estão ligadas ao cuidado em saúde necessitam se capacitar para atender e respeitar as manifestações e necessidades dos pacientes no que se refere a religiosidade e espiritualidade. Objetivos: Investigar o que pensam os acadêmicos ingressantes no curso de Medicina e de outras áreas da saúde e humanas acerca do tema; identificar o papel e a importância da religiosidade e espiritualidade em suas vidas e futuras práticas profissionais. Metodologia: Trata-se de estudo quantitativo-qualitativo, descritivo, transversal, de amostra intencional. Entre fevereiro e abril de 2014, foi aplicado aos acadêmicos do primeiro período de Medicina, Biomedicina, Enfermagem, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Educação Física, Nutrição, Psicologia e Serviço Social um questionário que avaliou variáveis sociodemográficas e conceitos que envolvem religiosidade e espiritualidade e saúde. A análise dos dados empregou Qui-Quadrado clássico, feita pelo SPSS versão 2.0, e P < 0,05 foi considerado significante. Resultados: Foram selecionados 270 alunos, de 18 a 43 anos; entretanto, 183 preencheram o questionário, sendo a maioria do sexo feminino, de família convencional, cristã/católica, que herdou a religião dos pais; 78,6% (144/183) referiram afiliação religiosa, 43,5% (87/183) a exercem de forma organizacional. A maioria dos indivíduos considerou que a religiosidade e espiritualidade confere sentido a suas vidas, fortalece em momentos difíceis, traz benefícios à saúde, e considera importante a abordagem de temas relacionados em sua formação acadêmica, enquanto 31,4% (57/183) referiram que houve influência da religiosidade e espiritualidade na escolha profissional. Conclusão: Os alunos das áreas estudadas que ingressaram na Universidade Federal do Triângulo Mineiro manifestaram características positivas relacionadas ao tema religiosidade e espiritualidade, e têm expectativa de uma abordagem mais integral e espiritual do homem na grade curricular.

Percepção de Médicos Residentes quanto às Habilidades de Comunicação após uma Oficina de Comunicação de Más Notícias

PID: S1981-52712018000400175 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Dias Carvalho Furlaneto Oliveira
RESUMO Introdução A comunicação de má notícia, embora frequente entre os profissionais de saúde e seus pacientes, ainda é considerada tarefa extremamente difícil. Essa habilidade de dar informação é um dos principais determinantes da relação médico-paciente. Objetivo Considerando a necessidade de promover espaços acadêmicos que proporcionem a aprendizagem da comunicação de notícia difícil, o presente estudo objetivou avaliar a percepção de um grupo de residentes de Clínica Médica quanto ao interesse pelo ensino e aprendizagem de comunicação, assim como suas habilidades de dar notícia difícil, antes e após uma oficina de comunicação de má notícia. Métodos Todos os médicos residentes do primeiro ano de Clínica Médica de um hospital-geral, em Belém, Pará (Brasil), foram convidados a responder a um questionário composto por dados sociodemográficos e perguntas sobre a sua prática de comunicação, além da versão da Escala de Atitudes e Habilidades de Comunicação (Communication Skills Attitude Scale) que aborda o interesse pela aprendizagem das habilidades comunicacionais. O questionário e a escala foram aplicados em dois momentos: antes e após a oficina teórico-prática de comunicação de má notícia, elaborada para esta pesquisa. Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa. Os dados quantificados foram tratados estatisticamente por meio do teste de Wilcoxon (avaliação do escore do CSAS) e Qui-Quadrado e Teste G de aderência (variáveis quantitativas do questionário sobre habilidades de comunicação). A avaliação qualitativa foi feita pela análise de conteúdo de Bardin. Resultados Dez médicos residentes participaram da pesquisa. Os resultados demonstraram, após a participação na oficina, melhora na percepção dos residentes quanto à prática de comunicação de notícia difícil (em 80% dos participantes) e nas atitudes relacionadas ao interesse pela aprendizagem de comunicação (CSAS = 99,5 e 105, antes e após a oficina, respectivamente – p = 0,0039). Conclusão Um efeito positivo na percepção dos participantes quanto às habilidades de comunicação e seu interesse pelo aprendizado de tais habilidades foi identificado após uma intervenção focalizada no contexto da comunicação de má notícia.

Percepção de Tutores quanto a Sua Avaliação pelos Discentes de um Curso Médico

PID: S1981-52712018000100057 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Barreto Xavier Sonzogno
RESUMO Entre as metodologias ativas de ensino-aprendizagem, a Aprendizagem Baseada em Problemas proporciona novos papéis aos agentes desse processo. O docente passa de detentor único do conhecimento a facilitador do processo ensino-aprendizagem. Por outro lado, o discente deixa o papel de sujeito passivo neste processo, participando ativamente na construção do conhecimento. O presente estudo objetivou analisar o significado atribuído pelo tutor às avaliações realizadas pelos discentes do curso médico da Universidade Estadual de Montes Claros sobre o seu desempenho profissional. Trata-se de estudo qualitativo, descritivo e exploratório, cujos sujeitos foram 11 tutores do Módulo Conteúdo Específico do primeiro e sétimo períodos do segundo semestre de 2009. Utilizou-se entrevista estruturada na coleta de dados, com análise e interpretação dos resultados segundo análise temática. Os tutores são, na maior parte, docentes do sexo feminino com curso de especialização e mestrado; há predomínio do regime de trabalho de 40 horas semanais. Das falas dos entrevistados emergiram as seguintes categorias temáticas: aspectos que influenciaram a escolha da tutoria: convites e necessidade da instituição; capacitação para tutoria: somente alguns docentes fizeram capacitação, alguns sujeitos tornaram-se tutores observando a ação de outros tutores; conhecimento da avaliação realizada pelos discentes no final de cada módulo: a avaliação feita pelo discente não se realiza de forma compromissada; docentes e gestores não se envolvem nos resultados obtidos; e, por último, as categorias concepção do tutor quanto à avaliação e percepção do tutor sobre a avaliação via intranet: nota-se que todos os sujeitos conhecem e sabem da importância da realização de tal processo, porém alguns docentes não se interessam pelas avaliações discentes. Espera-se que os resultados contribuam para melhoria da percepção do docente sobre seu papel na construção e organização curricular e, consequentemente, na formação de novos profissionais médicos, como previsto no Projeto Político Pedagógico deste curso.

Percepção dos Internos e Recém-Egressos do Curso de Medicina da PUC-SP sobre Sua Formação para Atuar na Atenção Primária à Saúde

PID: S1981-52712018000300121 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Poles Oliveira Anjos Almeida
RESUMO Introdução A Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC/SP campus Sorocaba (SP) iniciou, em 2006, uma reforma curricular do curso de Medicina e um novo projeto pedagógico baseado nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina de 2001 (DCN). Nesta organização curricular, a Prática em Atenção à Saúde é um módulo horizontal com seus eixos desenvolvidos do primeiro ao sexto ano, realizado em vários cenários de prática, mas priorizando a atenção primária à saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) e tendo a aprendizagem baseada na prática e a problematização como estratégias centrais de ensino-aprendizagem. Objetivo Avaliar se o aluno de Medicina no final do curso e o recém-egresso se julgam preparados para atuar na atenção primária à saúde, identificando os pontos positivos e negativos da sua formação de modo a propor os ajustes necessários no sentido de contribuir para o aprimoramento do curso de Medicina e da formação dos egressos da FCMS da PUC/SP. Métodos Questionário com quatro questões abertas e cinco de múltipla escolha em escala Likert, respondido por 66 internos e oito recém-formados. Resultados Mais de 70% dos participantes se sentem bem preparados ou muito bem preparados para atuar na atenção primária como generalistas, de maneira humanista, crítica e reflexiva, com competências para desenvolver ações de prevenção, promoção e reabilitação de saúde, de acordo com as DCN e a hierarquização do SUS e valorizando o trabalho multiprofissional. Foram considerados pontos positivos: a inserção do aluno na atenção primária desde o início do curso, favorecendo a humanização da relação médico–paciente, e o conhecimento e manejo das doenças mais prevalentes. Os pontos mais negativos relatados foram: pouco atendimento médico ao longo do módulo, visitas domiciliares sem a presença dos preceptores e desvalorização da atenção primária à saúde na vida profissional. Conclusões Os internos ao final do curso e recém-egressos do curso de Medicina da FCMS da PUC/SP se sentem preparados e seguros para atuar na atenção primária à saúde do SUS da forma preconizada nas DCN e oferecem sugestões críticas para melhorar o ensino/aprendizagem neste cenário.

Perfil dos Egressos da Residência Médica em Cirurgia Geral de uma Universidade do Interior Paulista

PID: S1981-52712018000400144 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Pinto Ferreira Caritá Silva
RESUMO O estudo teve como objetivo geral caracterizar o perfil de egressos do Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral da Universidade de Ribeirão Preto (SP). MÉTODO Trata-se de um estudo descritivo, transversal e de abordagem quantitativa. Participaram da pesquisa 26 egressos desse programa, do período de 2005 a 2014. A coleta dos dados foi realizada de março a agosto de 2015 por meio de dois instrumentos autoaplicáveis. O primeiro deles era composto por dois blocos: identificação (sexo, idade, estado civil, naturalidade, endereço, local e ano de graduação em Medicina) e situação profissional (áreas de atuação, ensino, pesquisa e/ou assistência, número e tipo de empregos e remuneração. O segundo instrumento foi elaborado com afirmações sobre o programa de residência médica relacionadas às dimensões humanas, técnicas e profissionais do treinamento em Cirurgia Geral. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. RESULTADOS De modo geral, os egressos ficaram satisfeitos com o treinamento em Cirurgia Geral oferecido pela instituição. A maioria dos egressos foi do sexo masculino, solteira e de nacionalidade brasileira. A totalidade dos participantes concluiu a residência médica em Cirurgia Geral em dois anos e atuava na área cirúrgica. Alguns deles também exerciam outra atividade médica, além da cirúrgica. Mais de 80% dos egressos cursaram ou estavam cursando outra residência médica em especialidade cirúrgica, principalmente, no Estado de São Paulo. A renda mensal média da maioria dos egressos derivada do trabalho médico situou-se na faixa de 10 a 20 salários mínimos nacionais, enquanto a resultante exclusivamente da atividade como cirurgião se apresentava na faixa de até dez salários mínimos nacionais. A análise das dimensões humanas revelou que a maioria dos egressos ficou satisfeita com o programa. Em relação às dimensões técnicas, observou-se que metade dos participantes ficou satisfeita com a programação teórica e 76,9% com o volume cirúrgico. Quando perguntados acerca das dimensões profissionais, 24 (92,4%) discordaram de que o treinamento em Cirurgia Geral é muito longo e relataram a preocupação de que a especialidade se torne obsoleta. CONCLUSÃO Os resultados apresentam subsídios importantes para discussões na própria instituição e em outras instituições de ensino que oferecem residência médica em Cirurgia Geral. Ressalta-se, inclusive, o momento de reflexão pelo qual passa o País, onde a formação e a especialização médicas se encontram no centro dos debates dos ministérios da Educação e da Saúde e das instituições de ensino, os quais precisam ser ampliados para toda a sociedade. Assim, torna-se imperiosa a avaliação dos programas de residência, a fim de implementar medidas de aperfeiçoamento e de correção de rumos.

Preparação Pedagógica para Médicos e Sua Atuação no Curso de Medicina

PID: S1981-52712018000300171 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Oliveira Medeiros Pires Pinto
RESUMO A formação de um perfil médico resolutivo das principais necessidades de saúde da população é um desafio para as escolas médicas contemporâneas. Nesse processo, o docente médico destaca-se, visto que a prática docente na formação médica se baseia na reprodução de modelos considerados válidos, aprendidos anteriormente, e na experiência prática. Questiona-se, então, a aptidão pedagógica do médico ao exercício docente, uma vez que a relação professor-acadêmico se dá em esferas diferentes da relação médico-paciente, partindo da necessidade de entender quais caminhos os docentes buscam para adquirir habilidades específicas à docência. Objetivo Realizar uma revisão integrativa acerca da formação pedagógica dos médicos no contexto da docência. Métodos Revisão integrativa da literatura, não observacional, descritiva. Inicialmente, buscaram-se estudos nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), US National Library of Medicine e National Institutes of Health (PubMed) e na Cochrane Library com auxílio do operador booleano e dos seguintes descritores: Health Human Resource Training; Faculty, Medical e Education, Medical, Continuing. Os critérios de inclusão foram: artigos gratuitos, completos, publicados entre 2012 e 2016, em português, espanhol e inglês. Resultados Nas quatro bases de dados, encontraram-se 24 artigos relacionados ao tema da pesquisa. Após leitura exaustiva dos artigos encontrados, apenas cinco convergiam e respondiam à questão norteadora levantada na reflexão inicial. As estratégias e metodologias de ensino e a avaliação dos processos de supervisão clínica na construção do saber técnico dos estudantes aparecem como tópicos importantes no aprender e exercer a docência. Além disso, emerge, nessas discussões, a necessidade de programas de educação continuada na formação docente, bem como a construção de instrumentos avaliativos dos professores, tutores e preceptores. Conclusões Nesse modo, ressalta-se o aprimoramento contínuo na formação pedagógica dos docentes e no desenvolvimento de programas de educação permanente e o aprimoramento do corpo docente pela escola.

Prevalência de Burnout entre Médicos Residentes de um Hospital Universitário

PID: S1981-52712018000300097 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Bond Oliveira Bressan Júnior Bond Silva Merlo
RESUMO Introdução A medicina é uma atividade laborativa conhecida por elevados padrões de exigência. O período de formação do profissional médico inclui a residência médica, etapa em que fatores estressores podem ser magnificados. Assim, essa população poderia estar mais suscetível a síndrome de exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização profissional, conhecida como burnout. Objetivo Determinar a prevalência de burnout e de cada uma de suas dimensões na população de médicos residentes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e investigar características sócio-ocupacionais associadas. Métodos Estudo transversal com médicos residentes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), realizado no período de dezembro de 2015 a janeiro de 2016, mediante aplicação de um instrumento informatizado que contém dois questionários: um com variáveis sociodemográficas e o questionário Maslach Burnout Inventory (MBI). Análise estatística foi realizada pelo software SPSS versão 18, sendo utilizado o teste exato de Fisher e o teste do Qui-Quadrado de Pearson para as correlações. Resultados Dos 506 médicos residentes do HCPA, 151 participaram voluntariamente do estudo. Burnout esteve presente em 123 participantes (81,5%). “Exaustão emocional” foi a mais frequente dimensão (53%), seguida por “despersonalização” (47,7%) e “falta de realização profissional” (45%). Gênero masculino e residentes do segundo ano apresentaram maior possibilidade estatística de desenvolver burnout, sendo que os últimos também apresentaram menor realização profissional e maior despersonalização. Residentes do quarto ano estiveram menos associados à despersonalização e ao burnout de maneira global. Residentes de especialidades cirúrgicas estiveram menos associados à exaustão emocional. Cursar Psiquiatria mostrou-se um fator protetor para despersonalização, enquanto Radiologia apresentou ser um risco para essa dimensão. Conclusão A alta prevalência de burnout entre médicos residentes, especialmente entre aqueles que cursam o segundo ano, suscita preocupação, uma vez que pode levar ao risco de desenvolver depressão, ao abandono profissional e à diminuição na qualidade assistencial prestada aos pacientes. Assim, medidas preventivas contra seu desenvolvimento, associadas ao diagnóstico precoce e manejo clínico adequado, são fundamentais para a redução de sua prevalência.

Prevalência e Fatores Associados à Depressão e Ansiedade entre Estudantes Universitários da Área da Saúde de um Grande Centro Urbano do Nordeste do Brasil

PID: S1981-52712018000400055 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Leão Gomes Ferreira Cavalcanti
RESUMO INTRODUÇÃO Apesar dos altos índices de depressão e ansiedade, os profissionais de saúde ainda têm dificuldades em lidar com essas enfermidades, principalmente quando envolvem os estudantes universitários e profissionais da área da saúde. OBJETIVO Estimar a prevalência e os fatores associados à depressão e ansiedade em estudantes universitários da área da saúde. MÉTODOS Foi realizado um estudo transversal analítico com alunos do primeiro ano dos cursos da saúde (Biomedicina, Enfermagem, Fisioterapia, Medicina e Odontologia) de um Centro Universitário no Ceará. Foram aplicados três questionários. O primeiro envolvia aspectos sociodemográficos; o segundo foi o Inventário de Depressão Beck (BDI) (adaptação e padronização brasileira); e o terceiro, o Inventário de Ansiedade Beck (BAI) (adaptação e padronização brasileira). Os dados foram digitados utilizando-se o software Epi-info, versão 3.5.1. e analisados no Stata 11.2. Análise bivariada foi realizada para as associações entre as variáveis por meio da Razão de Prevalência (RP), sendo calculados seus respectivos intervalos de confiança e considerados significativos aqueles que apresentaram um p < 0,05. O projeto foi aprovado pelo CEP, por meio do CAAE nº 1.132.140, de 30 de junho de 2015. RESULTADOS Responderam aos questionários 476 estudantes. Predominou o sexo feminino (71,6%), estudantes com menos de 20 anos de idade (69,3%) e solteiros (92,0%). As prevalências de depressão e ansiedade foram de 28,6% e 36,1%, respectivamente. Estudantes menos satisfeitos com o curso apresentaram chance quase quatro vezes maior de terem depressão (p < 0,001). Destacaram-se ainda fatores de risco como relacionamento familiar insatisfatório (p < 0,001), quantidade insuficiente de sono (p = 0,006) e relacionamento com amigos insatisfatório (p < 0,001). A prevalência de ansiedade esteve mais associada ao sexo feminino (p < 0,001) e entre os estudantes que apresentaram relacionamento insatisfatório com familiares (p < 0,001), amigos (p = 0,005) e colegas (p < 0,001). Apresentar insônia (p < 0,001), não fazer atividade física (p = 0,040) e maior preocupação com o futuro (p = 0,002) também apresentaram associação significativa com um quadro de ansiedade. CONCLUSÃO As prevalências de ansiedade e depressão entre os estudantes da área da saúde foram muito superiores às da população em geral, tendo os estudantes do curso de Fisioterapia apresentado o resultado mais alto.

Processos de Desenvolvimento do Raciocínio Clínico em Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712018000100075 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Peixoto Santos Faria
RESUMO O raciocínio clínico se refere ao processo cognitivo, através do qual, o médico é capaz de estabelecer o diagnóstico correto e propor uma conduta adequada frente a um problema clínico encontrado. Apesar da grande evolução do conhecimento médico ao longo dos tempos, a prática clínica é ainda hoje, muito dependente da habilidade profissional de elaborar um diagnóstico correto e, a partir deste, definir a melhor conduta. Trabalhos recentes vêm demonstrando que erros diagnósticos constituem fonte de doenças evitáveis e morte, promovendo prejuízos clínicos e financeiros a pacientes, familiares e à nação. As escolas médicas e seus docentes têm o desafio de facilitar a aquisição desta competência pelos estudantes, pois, trata-se de um dos maiores atributos a ser desenvolvido durante o curso médico. Nas últimas três décadas, os processos envolvidos no aprendizado e desenvolvimento do raciocínio clínico vêm sendo estudados e muito já se sabe sobre as fases envolvidas na formação desta importante habilidade. Teorias e estudos cognitivos sobre a formação e o uso da memória podem ser encontrados em diversas áreas do conhecimento. No entanto, pouco material existe com uma discussão direcionada para o ensino médico. Este é um dos objetivos deste artigo, apresentar uma revisão das principais teorias e pesquisas sobre os processos do desenvolvimento do raciocínio clínico, fornecendo aos professores um material que permita a compreensão desta fascinante área do ensino médico. Espera-se assim, contribuir para a formação docente, estimular o desenvolvimento da pesquisa em educação médica e fornecer subsídio técnico para o planejamento de estratégias instrucionais orientadas pelos princípios do aprendizado do raciocínio clínico. Para facilitar a compreensão, as teorias serão apresentadas em tópicos. No entanto, uma vez que o raciocínio clínico é uma atividade cognitiva complexa, é importante lembrar que os mecanismos propostos em cada tópico apresentam fatores que se sobrepõem e muitas vezes ocorrem simultaneamente.

Profissionais de saúde: um ponto de vista sobre a morte e a distanásia

PID: S1981-52712018000300087 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Ferreira Nascimento Sá
RESUMO Para o profissional da saúde, a morte é um tema que se apresenta corriqueiramente, ao depararem-se com a certeza da morte de seus pacientes. O cuidado com o paciente terminal é uma questão de grande relevância, uma vez que o aprimoramento das técnicas e da qualidade da assistência permitem o prolongamento de muitas vidas. A partir desse fato, buscamos conhecer se existe preparo prévio do ponto de vista técnico e emocional do profissional de saúde para evitar a distanásia. Nosso estudo busca analisar qual a percepção dos profissionais diante desse processo de morte e também qual o seu preparo para a promoção de cuidados no fim da vida. Para este fim, foram entrevistados profissionais de saúde que cuidaram de pacientes em estado grave ou terminal, selecionados dentre os trabalhadores de um hospital-escola na cidade de Campinas, buscando contemplar as diferentes categorias profissionais do serviço. Trata-se de um estudo qualitativo que empregou como técnica a entrevista semi-estruturada, abordando a percepção do profissional diante da iminência da morte de seu paciente ou da sua sobrevivência com sequelas e limitações. O material coletado foi analisado pela técnica de análise de conteúdo e a amostra foi limitada por saturação. Foram entrevistados profissionais de diversas categorias da equipe multiprofissional, sendo observados algumas questões em comum em seus discursos, sistematizadas em três eixos temáticos baseados nas percepções do profissional: quanto a própria formação profissional, quanto à dinâmica equipe multiprofissional e quanto ao contato com os familiares, sinalizando para as respectivas conclusões: (1) o desconforto em conversar sobre a morte com o paciente e seus familiares e a sensação de despreparo para abordar o tema, (2) a falta de integração dentro da equipe multiprofissional e (3) a dificuldade de lidar com famílias que muitas vezes não aceitam o processo de morte de seu familiar, além do (4) desconhecimento por parte do profissional dos conceitos envolvidos em cuidados paliativos como “distanásia”, “ortotanásia” e “eutanásia”. Diante dos resultados obtidos, ficou clara a necessidade de uma formação profissional voltada para a discussão do tema da morte, de forma que terminalidade seja um assunto discutido com maior frequência e menos desconforto com pacientes e familiares. Além disso, faz-se necessário o direcionamento da formação das diversas categorias de profissionais de saúde para a integração da equipe multiprofissional, com relações horizontais e discussões dos casos entre todos os profissionais envolvidos no cuidado, a fim de melhorar a sua qualidade.

Projeto Sérgio Arouca: Relato de Experiência

PID: S1981-52712018000100047 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Maeyama Cutolo Chaves Barni
RESUMO Historicamente, a formação médica encontra-se voltada para o tradicional modelo biomédico. As Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Medicina, aprovadas em 2001, indicam a necessidade de ajustar a formação de recursos humanos ao serviço, seguindo os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Em conformidade com tais Diretrizes, o governo federal elabora, em 2005, o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde), com o objetivo de favorecer a formação de profissionais adequados às perspectivas da Atenção Básica. Em 2009, no contexto do Pró-Saúde e inspirados pelo Projeto Rondon, professores do curso de Medicina da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) criam o Projeto Sérgio Arouca, uma iniciativa que visa à atuação na Atenção Básica de municípios carentes do Estado de Santa Catarina. O presente relato baseia-se em participações de acadêmicos de Medicina e objetiva demonstrar o quanto estas experiências foram enriquecedoras para a formação profissional e a construção de uma nova visão da prática médica, enfrentando situações e cenários distintos dos vivenciados no cotidiano na universidade.

Promoção da Saúde em Campos de Estágio para a Formação Médica

PID: S1981-52712018000100181 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Giovannini Paiva Neto Silva Cunha Maia Rodrigues
RESUMO O presente estudo investigou as concepções e práticas de Promoção da Saúde dos profissionais das nove Unidades Básicas de Saúde (UBS) que constituem campo de estágio do curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), na cidade de Mossoró (RN), discutindo-se os achados na perspectiva das novas tendências em educação médica, Saúde e Atenção. Trata-se de um estudo exploratório com abordagem qualitativa, aplicando-se a técnica de análise temática para análise de dados. Os sujeitos da pesquisa foram 25 profissionais que atuam na Estratégia Saúde da Família (ESF). Os resultados revelaram três tendências conceituais: Promoção da Saúde assimilada como prevenção de doenças; concepção difusa sobre Promoção da Saúde; e caracterização apropriada. Entre as práticas, prevaleceram as palestras, realizadas nas UBS com grupos de pacientes, no contexto de ações e programas, como Hiperdia, idosos e grávidas, e as orientações individuais, proporcionadas tanto nas UBS, quanto durante as visitas domiciliares. Entre os principais desafios postos à Promoção da Saúde foram constatados: persistência do modelo biomédico, déficit de recursos humanos, excesso de demanda e ausência de mecanismos de qualificação, que atuam como fatores de fragilização e fragmentação das equipes. Conclui-se que é necessário intensificar os esforços para uma construção dialogada entre Ensino, Serviço, Gestão em Saúde e a sociedade. No campo da educação médica, destaca-se a disponibilidade de instrumentos que amparam a articulação entre as instituições formadoras e os serviços de saúde e oferecem mecanismos para uma formação integrada e a Educação Permanente. Reafirma-se o papel das escolas médicas, empenhadas em dar concretude aos propósitos da Promoção da Saúde, harmonizados com o modelo dialógico da educação, para a formação de profissionais médicos com o perfil que a sociedade precisa, em favor de uma vida mais saudável e de uma sociedade melhor.

Qual Guia de Comunicação na Consulta Médica É o Mais Adequado para o Ensino de Habilidades Comunicacionais na Atenção Primária à Saúde Brasileira?

PID: S1981-52712018000300108 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Campos Rios
RESUMO Introdução O uso de habilidades de comunicação está associado a desfechos positivos na consulta médica e no cuidado à saúde, como melhora da adesão aos tratamentos, da satisfação de médicos e pacientes, e da relação entre eles. Isto é ainda mais significativo na Atenção Primária à Saúde (APS), que é um espaço de cuidado integral de saúde. Uma comunicação efetiva é aquela em que todos os participantes interagem de modo a trocar informações e em que, ao final, todas as partes tenham o mesmo entendimento sobre o problema, acordem sobre as medidas a tomar e se sintam entendidas em suas necessidades. Para que este tipo de comunicação aconteça, o ensino dessas habilidades deve ocorrer de forma adequada e contínua, durante toda a formação médica. Até o momento, não existe um instrumento brasileiro que cumpra esta finalidade. No Brasil, têm-se utilizado guias internacionais para este ensino. No entanto, dos guias mais usados internacionalmente e mais citados na literatura da área, nenhum é completamente adequado à realidade da APS brasileira. Objetivo Comparar quatro instrumentos de habilidades de comunicação frequentemente utilizados, tendo em vista os aspectos que caracterizam a APS nacional. Metodologia Os guias foram descritos, analisados qualitativamente e comparados quanto às seguintes categorias: estrutura do guia, criação do guia, etapas importantes da consulta e foco no médico. Análise: Os instrumentos diferem quanto a facilidade de uso, foco no ensino de APS, discussão de etapas importantes da consulta e foco no médico; todos discutem a construção de planos compartilhados e nenhum tem uma tradução validada para português do Brasil. Conclusão Dos quatro guias estudados, “A Consulta em 7 em Passos” tem o melhor perfil de uso para a APS nacional. No entanto, recomenda-se a criação de um guia brasileiro para estruturar, homogeneizar e facilitar o ensino das habilidades de comunicação nas escolas médicas do País.

Qualidade de Vida de Estudantes de Medicina em um Curso que Adota Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem

PID: S1981-52712018000400096 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Chagas Sanches Silva Melo Germano Avó
RESUMO A qualidade de vida (QV) de estudantes de Medicina tem sido alvo de estudos, mas não encontramos na literatura trabalhos que avaliem a QV de estudantes de escolas médicas que adotam exclusivamente metodologias ativas de ensino-aprendizagem. O presente estudo avaliou a qualidade de vida dos estudantes do primeiro ao quarto ano do curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos. Como instrumento de coleta de dados, foi utilizado o questionário WHOQoL-100, em sua versão completa, traduzida e validada em português, que avalia seis domínios, além da QV global. Foram participantes todos os 182 estudantes matriculados do primeiro ao quarto ano do curso. Quatro estudantes foram excluídos da amostra por preenchimento incompleto do questionário, resultando em cinco grupos: grupo controle com 32 alunos recém-ingressos no curso de Medicina; grupo primeiro ano com 38 alunos concluintes; grupo segundo ano com 35 concluintes; grupo terceiro ano com 35 concluintes; e grupo quarto ano com 38 concluintes. A análise descritiva dos resultados foi apresentada como média ± erro padrão da média. A significância das diferenças foi determinada por análise de variância, seguida pelo teste de comparações múltiplas de Newman-Keuls. Para a análise de correlação, foi utilizado o método de correlação de Spearman. O nível de significância adotado foi de 5%. A QV global apresentou melhor pontuação no grupo controle (77,54 ± 2,153); seguida, em ordem decrescente, pelos grupos segundo ano (65,71 ± 3,923), quarto ano (65,63 ± 3,306), primeiro ano (65,46 ± 3,289) e terceiro ano (52,86 ± 2,776). Houve diferença significativa na QV global do grupo terceiro ano em relação aos demais (p < 0,05). Entre todos os domínios avaliados, o psicológico influenciou significativamente a QV, apresentando forte correlação com a QV nos grupos do primeiro ao quarto ano.

Saúde Mental de Ingressantes no Curso Médico: uma Abordagem segundo o Sexo

PID: S1981-52712018000300214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Medeiros Camargo Barbosa Caldeira
RESUMO O curso de Medicina possui elevada carga horária e habitualmente demanda grande envolvimento dos estudantes. Em consequência, acadêmicos de Medicina podem apresentar alta prevalência de estresse, Síndrome de Burnout e sintomas depressivos, que podem comprometer a qualidade de sua vida. Tais aspectos demonstram a necessidade de estudos mais profundos deste grupo populacional, especialmente em um novo contexto de acesso ao ensino superior. O presente estudo teve por objetivo avaliar globalmente a saúde mental dos acadêmicos ingressantes no curso médico, com ênfase em qualidade de vida, Transtornos Mentais Comuns, sintomas depressivos, nível de sonolência diurna e Burnout, segundo o sexo. Trata-se de estudo transversal, realizado com acadêmicos do primeiro período de graduação em Medicina, oriundos de três instituições do Norte de Minas. Foram aplicados questionários de avaliação de sonolência diurna, sintomas depressivos, Transtornos Mentais Comuns, Burnout e qualidade de vida, além de um questionário com informações sociodemográficas. Os acadêmicos foram abordados na própria faculdade onde estudam, no início ou no término da aula. Na análise dos dados utilizou-se o Teste Qui-Quadrado e o t de Student para amostras independentes, na comparação entre os sexos. Foram avaliados dados de 101 estudantes ingressantes. O estresse esteve presente em 45,5% dos estudantes. A prevalência de sintomas depressivos em grau variado também foi significativa, afetando 43,6% dos estudantes. Houve diferença estatisticamente significante no componente mental da qualidade de vida e na presença de Transtornos Mentais Comuns entre homens e mulheres. Uma parcela bastante significativa apresentou níveis patológicos de sonolência diurna, sintomas de Transtornos Mentais Comuns, sintomas depressivos de graus variados, exaustão emocional e despersonalização. Mais de um terço dos acadêmicos considera sua qualidade de vida ruim, tanto no domínio físico, quanto no mental. A qualidade do curso e da assistência à saúde requer um profissional humanizado e que busque boas condições de saúde. Por isso, é essencial que as universidades discutam estratégias que visem à promoção de saúde e à prevenção de sintomas que comprometem a saúde mental dos acadêmicos.

Simulação de consultas médicas com pacientes padronizados: utilizando um debriefing aprofundado baseado nas emoções do paciente e do estudante

PID: S1981-52712018000100084 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Schweller Ribeiro Passeri Wanderley Carvalho-Filho
RESUMO Em geral, os estudantes de medicina têm poucas oportunidades para refletir sobre suas emoções guiados por um médico mais experiente, e isto pode levar a uma diminuição da sua autoconfiança para lidar com pacientes reais, particularmente em situações de estresse. Como consequência podem surgir o distanciamento emocional e o cinismo. Neste contexto, a consolidação de uma identidade profissional comprometida com os interesses do paciente pode ser um desafio se os estudantes não estiverem confortáveis em seus papéis de cuidadores. Muitas vezes, o currículo médico não cria oportunidades suficientes para refletir sobre o desenvolvimento da identidade profissional e sobre os desafios da prática médica futura. Objetivo: Desenvolver um debriefing estendido e profundo para abordar a dimensão afetiva das consultas médicas e a formação da identidade profissional no contexto de uma atividade de simulação com pacientes padronizados em uma escola médica no Brasil. Métodos: Os autores conduziram uma atividade de simulação de consultas médicas com paciente padronizado com um debriefing estendido baseado nas emoções do paciente e do estudante. Durante cada um dos encontros a formação e consolidação da identidade profissional foram abordadas. Alunos do quarto e sexto ano médicos (n=551) participaram das atividades e responderam um questionário sobre a atividade e sobre os objetivos alcançados. Resultados: Os estudantes sentiram-se confortáveis durante a atividade devido a "abertura para o diálogo", "proximidade com professores e colegas" e um "ambiente livre de julgamentos". Mais de 90% dos estudantes considerou que o aprendizado será aplicado tanto em suas vidas profissionais como em suas vidas pessoais, por um maior "entendimento das emoções", "empatia", "habilidade para ouvir" e "habilidade para lidar com conflitos". Mais da metade dos estudantes sentiu-se motivada a estudar, especialmente "relação médico-paciente", "tratamento", "doenças comuns" e "medicina em geral". A atividade foi considerada importante para resgatar a motivação inicial que os levaram a escolher o curso médico. Conclusões: Refletir sobre as doenças e seus impactos na vida dos pacientes pode motivar os estudantes a aprender medicina, permitindo o resgate do significado pessoal e social de sua prática. O aprofundamento do debriefing foi importante para nutrir uma identidade profissional comprometida com a empatia e com os interesses dos pacientes. Atividades planejadas para abordar a influência e a importância das emoções na prática médica podem ajudar os estudantes no processo de reconciliação entre suas identidades pessoal e profissional.

Team-Based Learning como Forma de Aprendizagem Colaborativa e Sala de Aula Invertida com Centralidade nos Estudantes no Processo Ensino-Aprendizagem

PID: S1981-52712018000400086 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2018
Autores: Oliveira Lima Rodrigues Pereira Júnior
RESUMO Ao longo dos últimos anos, metodologias de ensino na educação de nível superior evoluíram e têm valorizado cada vez mais o papel do estudante no processo ensino-aprendizagem e a construção do seu próprio conhecimento e de seus pares. No entanto, a estrutura formadora presente em grande parte dos cursos de ensino médico ainda carece de inovações em suas práticas pedagógicas que permitam a vivência de significativas experiências formadoras e que estimulem a aprendizagem baseada no diálogo e na interação entre os estudantes. Uma das propostas que têm sido estimuladas como alternativa para melhorar a formação médica é o Team Based Learning (TBL), que favorece a aprendizagem dinâmica, com discussões em grupo, ambiente motivador, cooperativo e solidário. Nesse contexto, este artigo tem como objetivo, por meio de um relato de experiência, descrever o planejamento, a implantação e o desenvolvimento de conteúdos sobre concepção e formação do ser humano e saúde reprodutiva utilizando o TBL como metodologia de ensino em um curso de Medicina da expansão do Programa Mais Médicos localizado no interior do Nordeste brasileiro. Inicialmente, os estudantes recebiam roteiros prévios de estudos sobre os conteúdos que seriam desenvolvidos na sala de aula e realizavam o estudo prévio das atividades desenvolvidas em sala de aula. Em sala, respondiam individualmente a um teste. Após, divididos em pequenos grupos, debatiam cada uma das questões e respostas que eles elegiam, entrando em consenso para a apresentação de uma única resposta do grupo. O TBL foi bastante útil ao processo de aprendizagem e na avaliação da formação dos acadêmicos. Os estudantes exercitaram suas habilidades de comunicação, argumentação e convencimento, melhorando sua interação entre pares, com os docentes e desempenho pessoal. Acredita-se que o TBL permitiu ofertar de forma mais articulada os conhecimentos necessários para responder às demandas e necessidades de saúde mais frequentes da população e auxiliar na transformação da realidade das condições de vida e saúde locais.
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