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Conhecimento de Libras pelos Médicos do Distrito Federal e Atendimento ao Paciente Surdo

PID: S1981-52712017000300390 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Gomes Machado Lopes Oliveira Medeiros-Holanda Silva Barletta Kandratavicius
RESUMO O ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas escolas médicas é pouco difundido, e este cenário pode dificultar o atendimento de importante parcela da população: o paciente surdo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência, sendo parte de um grupo conhecido como vulneráveis. A surdez está entre as deficiências mais prevalentes, e no contexto do atendimento médico a dificuldade em atender integralmente o paciente surdo constitui um problema de saúde pública relevante, mas pouco abordado. O objetivo do presente estudo foi avaliar o conhecimento de Libras por médicos do Distrito Federal e sua percepção frente ao atendimento de pacientes surdos. Assim, foi realizado um estudo observacional transversal e descritivo com aplicação de questionários a 101 médicos escolhidos ao acaso, atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal. Foram entrevistados médicos de 24 especialidades, com idade média de 41 anos. Deles, 92,1% já atenderam um paciente surdo e 76,2% consideraram o conhecimento de Libras importante para sua prática médica, mas apenas um relatou conhecimento básico na língua. Quanto ao sentimento do médico no atendimento, houve predomínio de incerteza e desconforto. Um número significativo de médicos já realizou atendimento de pacientes surdos em sua prática profissional no SUS, e a maioria considerou o conhecimento de Libras relevante, especialmente os médicos com menos de 55 anos de idade. Possivelmente, o sentimento de desconforto no atendimento decorre do predominante desconhecimento da língua pelos médicos e da conseguinte dificuldade durante o atendimento. Destaca-se a importância da implantação ou ampliação do estudo de Libras antes ou durante a formação médica e dos demais cursos da área de saúde. A conscientização dos profissionais de saúde perante o atendimento integral do paciente surdo é um passo fundamental na implementação efetiva do ensino de Libras de forma especializada no ensino superior, resultando em maior confiança e qualidade na relação médico-paciente.

Conhecimento de Libras pelos Médicos do Distrito Federal e Atendimento ao Paciente Surdo

PID: S1981-52712017000400551 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Gomes Machado Lopes Oliveira Medeiros-Holanda Silva Barletta Kandratavicius
RESUMO O ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas escolas médicas é pouco difundido, e este cenário pode dificultar o atendimento de importante parcela da população: o paciente surdo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência, sendo parte de um grupo conhecido como vulneráveis. A surdez está entre as deficiências mais prevalentes, e no contexto do atendimento médico a dificuldade em atender integralmente o paciente surdo constitui um problema de saúde pública relevante, mas pouco abordado. O objetivo do presente estudo foi avaliar o conhecimento de Libras por médicos do Distrito Federal e sua percepção frente ao atendimento de pacientes surdos. Assim, foi realizado um estudo observacional transversal e descritivo com aplicação de questionários a 101 médicos escolhidos ao acaso, atuantes no Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal. Foram entrevistados médicos de 24 especialidades, com idade média de 41 anos. Deles, 92,1% já atenderam um paciente surdo e 76,2% consideraram o conhecimento de Libras importante para sua prática médica, mas apenas um relatou conhecimento básico na lingua. Quanto ao sentimento do médico no atendimento, houve predomínio de incerteza e desconforto. Um número significativo de médicos já realizou atendimento de pacientes surdos em sua prática profissional no SUS, e a maioria considerou o conhecimento de Libras relevante, especialmente os médicos com menos de 55 anos de idade. Possivelmente, o sentimento de desconforto no atendimento decorre do predominante desconhecimento da língua pelos médicos e da conseguinte dificuldade durante o atendimento. Destaca-se a importância da implantação ou ampliação do estudo de Libras antes ou durante a formação médica e dos demais cursos da área de saúde. A conscientização dos profissionais de saúde perante o atendimento integral do paciente surdo é um passo fundamental na implementação efetiva do ensino de Libras de forma especializada no ensino superior, resultando em maior confiança e qualidade na relação médico-paciente.

Conhecimentos dos Médicos Residentes de Ginecologia e Obstetrícia sobre Contracepção Hormonal em Situações Especiais

PID: S1981-52712017000100069 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Giglio Melo Ferreira Albernaz Ribeiro
RESUMO Introdução Os anticoncepcionais hormonais (ACH) vêm sendo utilizados e difundidos desde a década de 1960. Sua importância atualmente é inegável, pois eles são responsáveis pelo tratamento e prevenção de várias doenças ginecológicas. A evolução dos ACH consistiu na implantação de uma ampla variedade de contraceptivos, de diferentes dosagens, combinações e formas de administração. Com o intuito de orientar sobre a segurança dos vários métodos contraceptivos em contextos específicos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o guia Critérios de Elegibilidade para o Uso de Contraceptivos. Objetivo Este estudo objetiva avaliar o conhecimento dos residentes de Ginecologia e Obstetrícia de Goiânia a respeito da contracepção hormonal, de acordo com o guia Critérios de Elegibilidade para o Uso de Contraceptivos da OMS. Métodos Foi realizado um estudo transversal, descritivo, com residentes de Ginecologia e Obstetrícia de dois hospitais de Goiânia (GO), um filantrópico e outro da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás. Foi aplicado um questionário com perguntas de cunho epidemiológico e perguntas técnicas sobre indicações e contraindicações de determinados métodos contraceptivos nas seguintes situações especiais: cefaleias, hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, tromboembolismo, trombose arterial e embolia pulmonar. Foi realizada análise univariada, e os dados foram dispostos em tabelas de frequência. Resultados Os questionários foram respondidos por 33 residentes, com média de idade de 29,2 anos, dos quais 61% afirmaram ter formação adequada sobre contracepção; 63% se sentiam aptos a prescrevê-los; e os residentes dos dois últimos anos se sentiram mais seguros (82,4%) do que o grupo de recém-chegados à residência e os residentes do primeiro ano (75%), porém não foi obtida diferença significativa entre eles. Conclusão Os anos de residência médica não foram suficientes para melhorar significativamente os conhecimentos a respeito dos critérios de elegibilidade da OMS entre os grupos iniciais e finais do curso de residência, apesar de oferecerem maior segurança na prescrição.

Consumo de Estimulantes Cerebrais por Estudantes de Medicina de uma Universidade do Extremo Sul do Brasil: Prevalência, Motivação e Efeitos Percebidos

PID: S1981-52712017000100102 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Morgan Petry Licks Ballester Teixeira Dumith
RESUMO Introdução Substâncias psicoestimulantes são aquelas com capacidade de aumentar o estado de alerta e a motivação, além de possuírem propriedades antidepressivas, de melhora no humor e no desempenho cognitivo. Por esse motivo, muitos estudantes fazem consumo indiscriminado dessas substâncias. O objetivo deste estudo foi investigar o uso de substâncias estimulantes do sistema nervoso central pelos estudantes de graduação em Medicina da Universidade Federal do Rio Grande – Furg (RS), verificando as substâncias mais utilizadas, os motivos de uso e o perfil dos usuários. Métodos Foi realizado um estudo quantitativo observacional do tipo transversal com 200 estudantes de graduação em Medicina da Furg, matriculados nessa instituição no segundo semestre de 2015. Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário padronizado e de autopreenchimento, com questões demográficas, comportamentais e sobre o uso de estimulantes. Foram coletadas informações acerca do consumo de cafeína, metilfenidato (Ritalina®), modafinil, piracetam, bebidas energéticas, anfetaminas e MDMA (ecstasy). Os dados foram analisados pelo teste exato de Fisher no pacote estatístico Stata 11.2. Resultados A prevalência de uso de substâncias estimulantes na vida foi de 57,5% (IC95% 50,9 a 64,4), sendo que 51,3% destes começaram a usá-las durante a faculdade. O uso de psicoestimulantes no momento da pesquisa teve prevalência de 52,3% (IC95% 45,3 a 59,3), valendo destacar que 16,6% dos estudantes consumiam mais de uma substância psicoestimulante. As substâncias mais consumidas foram bebidas energéticas (38,0%) e cafeína mais de cinco vezes por semana (27,0%). O consumo de estimulantes foi maior entre os estudantes das séries iniciais do curso. Os principais motivos alegados para o consumo de estimulantes foram compensar a privação de sono (47,4%) e melhorar raciocínio, atenção e/ou memória (31,6%). Em relação aos efeitos percebidos com o uso de estimulantes, 81,2% relataram redução do sono, 70,8% perceberam melhora na concentração, 58,0%, 56,1% e 54,0% reportaram, respectivamente, redução da fadiga, melhora no raciocínio e melhora do bem-estar. Conclusões O consumo de estimulantes entre os estudantes de Medicina foi elevado. Mais da metade dos estudantes relataram consumir psicoestimulantes, e um em cada três destes usou para melhorar o desempenho cognitivo. O uso dessas substâncias foi considerado eficaz pela maioria dos usuários, o que pode dificultar o combate a esse consumo.

Currículo Orientado por Competência para a Compreensão da Integralidade

PID: S1981-52712017000100012 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Taroco Tsuji Higa
RESUMO Esta pesquisa avalia como o currículo de uma faculdade do interior paulista contribui para a compreensão da integralidade pelos estudantes das duas primeiras séries dos cursos de Enfermagem e Medicina, estruturados conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). Esta compreensão é importante desde as séries iniciais para avançar do modelo biomédico para o biopsicossocial. Trata-se de um estudo de caso educacional qualitativo, realizado por meio de entrevista com quatro perguntas abertas: 1.Qual a sua compreensão sobre integralidade e necessidades de saúde?2.Como você entende o ser humano após um/dois ano(s) de experiência na Famema?3. Como as atividades das Unidades, Educacional Sistematizada (UES) e de Prática Profissional (UPP) têm contribuído para sua compreensão do que são necessidades de saúde?4. Como as atividades das UES e UPP têm contribuído para o seu entendimento de cuidado à pessoa na perspectiva da integralidade? A interpretação dos resultados foi realizada pela técnica de Análise de Conteúdo, na modalidade temática. Essa análise possibilitou a organização de cinco categorias temáticas: compreensão parcial de integralidade e Necessidade de Saúde (NS)- compreendem integralidade como um dos princípios do SUS e um conceito importante para abordar na faculdade e na pesquisa; compreensão de integralidade além do princípio do Sistema Único de Saúde- referem aos aspectos biológicos, psicológicos e sociais da pessoa e à influência do meio ambiente como promotor do processo saúde-doença; entendimento biopsicossocial do ser humano- que aborda o entendimento do ser humano após o tempo de experiência na Famema, tanto da Problematização quanto da ABP; entendimento fragmentado do ser humano- evidencia que eles não entendem o ser humano na sua totalidade, de acordo com o esperado para um profissional de saúde; e contribuição teórica das atividades desenvolvidas na Unidade Educacional Sistematizada e prática das atividades da Unidade de Prática Profissional- revelaram também o que apreenderam na articulação e na complementaridade entre os cenários e descreveram que a UES contribui prioritariamente com a teoria e a UPP da mesma maneira com a prática do cuidado a partir das NS da população. Esse resultado indica que a organização curricular propicia a formação de profissionais segundo o perfil preconizado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, mas, demonstra também dificuldades de entendimento sobre integralidade, NS e ser humano, resultado perfeitamente compreensível, visto que a população estudada se encontra nas séries iniciais dos cursos.

Desenvolvimento de um Currículo para Treinamento Simulado de uma Anastomose Laparoscópica

PID: S1981-52712017000400576 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Barreira Rocha Mesquita Borges
RESUMO Introdução: Os programas de simulação permitem um ambiente seguro e eficiente para a aquisição de habilidades cirúrgicas, e o currículo estruturado para realizar um treinamento simulado de uma anastomose intestinal é um exercício educacional valioso para residentes do segundo ano.No momento, inexiste um currículo de treinamento padronizado que possa ser utilizado no ensino da cirurgia laparoscópica básica e avançada por meio da confecção de uma gastroenteroanastomose. Objetivo: Desenvolver um currículo sistematizado para treinamento por simulação de uma anastomose cirúrgica laparoscópica. Métodos: Estudo experimental longitudinal e de caráter quantitativo. A amostra foi de 12 residentes de Cirurgia Geraloriundos de quatro hospitais. O treinamento consistiu na confecção de dez anastomoses, divididas igualmente em cinco sessões e ocorridasnum período de seis semanas. A anastomose entre um estômago e um intestino sintéticos por laparoscopia foi realizada numa caixa preta com fios de seda. No final do treinamento, os residentes utilizaram um questionário com a escala de Likert para avaliar o currículo de treinamento proposto. Resultados: Os participantes do treinamento pontuaram muito bem o currículo de treinamento proposto, tendo como itens mais bem avaliados a necessidade de ter o treinamento inserido no hospital de ensino e fazer parte da carga horária obrigatória. Os quesitos com pior avaliação foram as pinças e fios utilizados. Houve redução do tempo operatório, que se aproximou daquele dos experts. Conclusão: Um currículo estruturado para a simulação de uma anastomose gastrojejunal laparoscópica pode ter em sua programação a participação em 20 anastomoses, sendo dez como cirurgião principal e dez como cirurgião assistente. A distribuição dos procedimentos deve ocorrer em cinco sessões, com intervalo aproximado de uma semana e duração de seis semanas. O treinamento com órgãos sintéticos e uma caixa preta deve ser obrigatório, acessível e acompanhado por um cirurgião experiente que forneça um feedback individualizado.

Desenvolvimento de um Currículo para Treinamento Simulado de uma anastomose Laparoscópica

PID: S1981-52712017000300424 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Barreira Rocha Mesquita Borges
RESUMO Introdução: Os programas de simulação permitem um ambiente seguro e eficiente para a aquisição de habilidades cirúrgicas, e o currículo estruturado para realizar um treinamento simulado de uma anastomose intestinal é um exercício educacional valioso para residentes do segundo ano. No momento, inexiste um currículo de treinamento padronizado que possa ser utilizado no ensino da cirurgia laparoscópica básica e avançada por meio da confecção de uma gastroenteroanastomose. Objetivo: Desenvolver um currículo sistematizado para treinamento por simulação de uma anastomose cirúrgica laparoscópica. Métodos: Estudo experimental longitudinal e de caráter quantitativo. A amostra foi de 12 residentes de Cirurgia Geral oriundos de quatro hospitais. O treinamento consistiu na confecção de dez anastomoses, divididas igualmente em cinco sessões e ocorridas num período de seis semanas. A anastomose entre um estômago e um intestino sintéticos por laparoscopia foi realizada numa caixa preta com fios de seda. No final do treinamento, os residentes utilizaram um questionário com a escala de Likert para avaliar o currículo de treinamento proposto. Resultados: Os participantes do treinamento pontuaram muito bem o currículo de treinamento proposto, tendo como itens mais bem avaliados a necessidade de ter o treinamento inserido no hospital de ensino e fazer parte da carga horária obrigatória. Os quesitos com pior avaliação foram as pinças e fios utilizados. Houve redução do tempo operatório, que se aproximou daquele dos experts. Conclusão: Um currículo estruturado para a simulação de uma anastomose gastrojejunal laparoscópica pode ter em sua programação a participação em 20 anastomoses, sendo dez como cirurgião principal e dez como cirurgião assistente. A distribuição dos procedimentos deve ocorrer em cinco sessões, com intervalo aproximado de uma semana e duração de seis semanas. O treinamento com órgãos sintéticos e uma caixa preta deve ser obrigatório, acessível e acompanhado por um cirurgião experiente que forneça um feedback individualizado.

Distribuição do Profissional Médico na Macrorregião Norte do Paraná: Inequidade entre os Municípios de Diferentes Portes Populacionais

PID: S1981-52712017000100117 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Domingos Carvalho Fonseca Cordoni Junior Nicoletto
RESUMO A inadequada distribuição do profissional médico nas diferentes localidades do território nacional ocorre de várias formas: entre as regiões do País; entre capital e interior; entre áreas urbanas e rurais; entre áreas centrais e periféricas das regiões metropolitanas e entre assistência pública e privada. Desse modo, mesmo que se apresente uma relação medico/habitante adequada, a distribuição desses profissionais tende a se concentrar em determinadas áreas. Com o objetivo de analisar a distribuição dos médicos nos 97 municípios que compõem a macrorregião norte do Paraná, realizou-se estudo exploratório, descritivo,com base em dados secundários – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde(SCNES)– acessados em outubro e novembro de 2014. Os resultados indicam uma distribuição desigual da população e dos médicos entre os 97 municípios da macrorregião. Os três municípios maiores abrangem 39,3% da população e 56,1% dos médicos, enquanto nos outros 94 municípios em que residem 60,7% da população atuam 43,9% dos médicos. Porém, a distribuição dos profissionais que fazem parte do Programa Mais Médicos ocorre de forma inversa, ou seja, metade desses médicos atua nos pequenos municípios em que reside aproximadamente um terço da população, o que demonstra que a distribuição destes profissionais contribui para melhorar o índice de médicos nos pequenos municípios. O enfrentamento das desigualdades na distribuição dos médicos nas diferentes regiões do País é complexo, não havendo soluções únicas e isoladas, sendo necessárias intervenções que articulem a gestão federal, estadual e municipal, estratégias de financiamento, formação dos profissionais de saúde e a regulação da formação e do processo de trabalho em saúde, políticas que fortaleçam as vulnerabilidades dos municípios menores. Investir na redução dessa desigualdade torna-se fundamental para a garantia da integralidade da atenção, sobretudo em localidades de difícil acesso, para assegurar o direito à saúde, especialmente em relação à carência de profissionais no âmbito do SUS.

Engagement no Trabalho em Residentes Médicos de Pediatria

PID: S1981-52712017000100126 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Teixeira Lourenção Gazetta Gonsalez Rotta Pinto Peres Beretta
RESUMO Objetivos Avaliar os índices de engagement no trabalho em residentes médicos de Pediatria. Métodos Amostra composta por 36 profissionais matriculados no programa de residência médica em Pediatria da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto no ano de 2013. Os dados foram coletados de setembro de 2013 a fevereiro de 2014, utilizando-se a Utrecht Work Engagement Scale (Uwes) – Escala Utrecht de Engajamento no Trabalho –, composta por 17 itens de autoavaliação com três dimensões, Vigor, Dedicação e Absorção, além de um escore geral do constructo. Resultados 91,67% eram do sexo feminino; a idade mediana foi de 28 anos (mínimo: 25; máximo: 34); 86,11% eram solteiros; 33,33% tinham renda familiar de 2 a 5 salários, e 44,44%, mais de 10 salários mínimos; 88,89% estavam satisfeitos com o trabalho; e 52,78% já pensaram em desistir do programa. Os índices de engagement variaram de 3,56 a 4,28. A dimensão Dedicação obteve índice alto (4,28±1,12), e as dimensões Absorção, Vigor e Engagement, médios (3,58±1,00; 3,56±0,98; 3,78±0,96). Quanto ao desejo de desistir do programa, ambos os grupos apresentaram índices médios para as dimensões Absorção e Vigor; nas dimensões Dedicação e Engagement, índices médios para os que já pensaram em desistir do programa e altos para aqueles que nunca pensaram em desistir. Sobre a satisfação com o programa, na dimensão Dedicação, os índices foram: alto para os satisfeitos e médio para os não satisfeitos (4,49 e 2,6); as dimensões Absorção, Vigor e Engagement apresentaram índices médios para ambos os grupos – 3,66, 3,68 e 3,92 entre os satisfeitos e 2,95, 2,54 e 2,7 para os não satisfeitos, respectivamente. Conclusão Os residentes em Pediatria da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto apresentaram bons índices de engagement, principalmente no domínio Dedicação. Há um baixo percentual de profissionais com baixo índice de engagement em todos os domínios da Uwes.

Ensino da Bioética Convergente de Ricardo Maliandi nos Cursos de Medicina

PID: S1981-52712017000400468 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Mugayar Carraro-Eduardo Sá
RESUMO Este artigo sublinha a patente deficiência dos currículos de Medicina em relação às Ciências Humanas e defende que o estudo da Bioética — disciplina que procura integrar as Ciências Humanas às Ciências Biológicas — poderá ajudar a preencher essa nociva lacuna. Apresentamos a Bioética Convergente de Ricardo Maliandi e Oscar Thüer como um valioso arcabouço teórico capaz de auxiliar o médico a protagonizar a resolução dos conflitos éticos inerentes à sua prática profissional, sem incorrer em unilateralidade. Comparamos sua fundamentação teórica com a conhecida proposta, também principialista, de Beauchamp e Childress, apontando as vantagens daquela em relação a esta. Exemplificamos sua aplicabilidade com a análise de potenciais conflitos éticos inferidos de informações obtidas em prontuário de uma paciente internada no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Universitário Antônio Pedro. Para a realização dessa análise, buscamos, na literatura médica, dados probabilísticos em relação à doença em questão (neoplasia de esôfago com fístula traqueoesofageana complicada por choque séptico pulmonar), ressaltando que esses dados podem ajudar na melhor compreensão do prognóstico, sem que por isso possam ser utilizados como respaldo da equipe médica para decisões unilaterais de limitação terapêutica. A literatura médica também nos brindou com propostas de condução de casos difíceis do ponto de vista ético, como o da paciente em tela. Escolhemos uma delas (Azoulay et al.12), reconhecendo e demonstrando sua compatibilidade com a Bioética Convergente de Maliandi e Thüer. Trata-se, portanto, de um ensaio teórico sobre limitação terapêutica, no qual procuramos unir a fundamentação da literatura à aplicabilidade em um caso real de paciente crítica. Acreditamos que este artigo poderá ser um ponto de partida para a difusão da Ética Convergente — trabalho de toda a vida do filósofo Ricardo Maliandi, explicitada, no que tange à Bioética, com auxílio do médico Oscar Thüer — nos cursos de Medicina, trazendo mais segurança e menos solidão ao difícil processo de tomada de decisão inerente à relação médico-paciente ou médico-família, em especial no que se refere à atenção médica no fim da vida.

Ensino da Bioética Convergente de ricardo maliandi nos Cursos de medicina

PID: S1981-52712017000300402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Mugayar Carraro-Eduardo Sá
RESUMO Este artigo sublinha a patente deficiência dos currículos de Medicina em relação às Ciências Humanas e defende que o estudo da Bioética — disciplina que procura integrar as Ciências Humanas às Ciências Biológicas — poderá ajudar a preencher essa nociva lacuna. Apresentamos a Bioética Convergente de Ricardo Maliandi e Oscar Thüer como um valioso arcabouço teórico capaz de auxiliar o médico a protagonizar a resolução dos conflitos éticos inerentes à sua prática profissional, sem incorrer em unilateralidade. Comparamos sua fundamentação teórica com a conhecida proposta, também principialista, de Beauchamp e Childress, apontando as vantagens daquela em relação a esta. Exemplificamos sua aplicabilidade com a análise de potenciais conflitos éticos inferidos de informações obtidas em prontuário de uma paciente internada no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Universitário Antônio Pedro. Para a realização dessa análise, buscamos, na literatura médica, dados probabilísticos em relação ã doença em questão (neoplasia de esôfago com fístula traqueoesofageana complicada por choque séptico pulmonar), ressaltando que esses dados podem ajudar na melhor compreensão do prognóstico, sem que por isso possam ser utilizados como respaldo da equipe médica para decisões unilaterais de limitação terapêutica. A literatura médica também nos brindou com propostas de condução de casos difíceis do ponto de vista ético, como o da paciente em tela. Escolhemos uma delas (Azoulayet al.12), reconhecendo e demonstrando sua compatibilidade com a Bioética Convergente de Maliandi e Thüer. Trata-se de um ensaio teórico sobre limitação terapêutica, no qual procuramos unir a fundamentação da literatura à aplicabilidade em um caso real de paciente crítica. Acreditamos que este artigo poderá ser um ponto de partida para a difusão da Ética Convergente — trabalho de toda a vida do filósofo Ricardo Maliandi, explicitada, no que tange à Bioética, com auxílio do médico Oscar Thüer — nos cursos de Medicina, trazendo mais segurança e menos solidão ao difícil processo de tomada de decisão inerente à relação médico-paciente ou médico-família, em especial no que se refere à atenção médica no fim da vida.

Ensino e Aprendizagem em Odontologia: Análise de Sujeitos e Práticas

PID: S1981-52712017000100022 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Lage Almeida Vasconcelos Assaf Robles
RESUMO O presente estudo pedagógico objetivou investigar o processo de formação em Odontologia com base na visão dos gestores, docentes e discentes de um curso de Odontologia em uma instituição de ensino superior (IES) – Faculdade de Odontologia do Instituto de Saúde de Nova Friburgo da Universidade Federal Fluminense (FO/ISNF/UFF). A amostra não probabilística foi composta por 98 sujeitos (8 gestores, 28 docentes e 62 alunos), que foram entrevistados ou responderam a questionários semiestruturados. A análise dos resultados foi realizada por meio da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) e representações sociais. Os resultados apontaram que 49,0% e 76,5% do corpo docente e discente da IES não têm conhecimento sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). As sugestões de melhoria incluíram a oferta de cursos de formação continuada em docência, inclusive a respeito das DCN, melhorias na infraestrutura do campus universitário e uma relação professor/aluno mais compatível. O estudo permitiu verificar algumas deficiências nas práticas e posturas, percebidas pelos sujeitos entrevistados. Entretanto, parece haver uma relevante preocupação de alguns sobre um alinhamento do Projeto Político Pedagógico (PPP) com as DCN.

Estratégia Educacional em Saúde Mental para Médicos da Atenção Básica

PID: S1981-52712017000400478 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Pereira Andrade
RESUMO Introdução: A Estratégia de Saúde da Família e a Reforma da Assistência Psiquiátrica Brasileira têm trazido contribuições importantes para a melhora da atenção em saúde no País. Ambas defendem os princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e propõem uma mudança no modelo de assistência à saúde, privilegiando a descentralização e a abordagem comunitária/familiar em detrimento do modelo tradicional, centralizador e voltado para o hospital Objetivos: Este artigo objetiva fornecer elementos práticos que poderão servir de modelo para a implantação de estratégias educacionais em saúde mental, para médicos que atuam na atenção básica, no contexto da realidade brasileira. Métodos: Trata-se de um estudo de investigação educacional, de enfoque qualitativo, construído com base na metodologia de triangulação de dados, colhidos em revisão da literatura, aplicação de questionários e grupos focais. O estudo foi conduzido na cidade de Sobral (CE) e contou com a participação de 26 médicos, lotados em 28 Unidades Básicas de Saúde, além de três docentes de escolas médicas brasileiras. Resultados: A maioria dos médicos de família se sentiu despreparada para o atendimento das demandas de saúde mental e identificou falhas importantes na formação durante a graduação médica. Segundo eles, os temas de saúde mental foram insuficientes, de cunho eminentemente hospitalar, curativo e fora do contexto da atenção comunitária. Em alguns casos, a formação ocorreu de maneira bastante negativa, reforçando preconceitos e tabus em relação ao atendimento psiquiátrico e criando barreiras que dificultaram o interesse e a disponibilidade desses médicos para atender pacientes portadores de transtornos mentais. A estratégia educacional resultante deste estudo oferece às equipes de saúde e às instituições formadoras de recursos humanos referências conceituais, práticas e metodológicas para a elaboração de programas de qualificação em saúde mental, no contexto da atenção básica à saúde. Conclusões: As ferramentas de identificação de necessidades de aprendizado em saúde utilizadas neste estudo mostraram-se úteis na elaboração de programas de educação permanente junto aos profissionais da rede básica. Para maior validação da proposta, recomenda-se sua aplicação e avaliação em outros municípios brasileiros.

Estresse em Estudantes de Cursos Preparatórios e de Graduação em Medicina

PID: S1981-52712017000200194 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Santos Maia Faedo Gomes Nunes Oliveira
RESUMO Há anos, o estresse vem sendo reconhecido como importante influenciador no desempenho profissional, acadêmico e na saúde das pessoas. Muitas vezes, o período que antecede o ingresso na universidade é reconhecido como um momento causador de ansiedade, estresse e até depressão. As causas relacionadas a tal desconforto nesse período são diversas, como, por exemplo, a pressão para o sucesso no exame, a interferência familiar e a concorrência. Além disso, o curso de Medicina é visto como um dos mais difíceis e trabalhosos, pois exige dedicação, esforço, sacrifício e resistência física e emocional dos alunos. Tendo em vista os fatores estressores na vida estudantil, este trabalho buscou avaliar a presença de sintomas de estresse entre pré-vestibulandos e acadêmicos de Medicina na cidade de Montes Claros (MG) por meio da aplicação de formulários que investigam fatores sociodemográficos e as fases do estresse (Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos de Lipp). Mediante análise estatística, verificou-se que estudantes de pré-vestibular do sexo feminino (p<0,001) e aqueles com mais de três anos de curso (p= 0,012) e com presença de cefaleia (p=0.010) apresentaram-se em fases avançadas do estresse. Nos estudantes do curso médico, apenas a associação significativa entre presença de transtornos de humor e níveis de exaustão foi observada (p=0,023). Índices de resistência e exaustão significativamente maiores nos estudantes do pré-vestibular foram observados quando comparados aos dos acadêmicos de Medicina (p<0,001). É prudente, portanto, questionar a adequação de um sistema competitivo e estressante ao qual o jovem tem que se submeter pelo simples desejo de estudar. Ressalta-se-se, então, a necessidade de o jovem ter a habilidade de lidar com o estresse e a ansiedade, elemento fundamental para o sucesso no vestibular de Medicina. Além disso, verifica-se a necessidade de acompanhamento psicológico dos estudantes de Medicina e de cursos preparatórios a fim de evitar a instalação de comorbidades estressoras que afetem o desempenho escolar e profissional.

Estudantes e Professores da Área da Saúde Conhecem o Programa Mais Médicos?

PID: S1981-52712017000100110 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Villa Real Succi Montalli Succi
RESUMO Diminuir as iniquidades na assistência à saúde continua sendo um grande desafio para países tanto pobres quanto ricos. No Brasil, o Programa Mais Médicos (PMM) foi instituído pelo governo federal em 2013 com a proposta de formar recursos humanos na área médica para o Sistema Único de Saúde (SUS), diminuir a carência de médicos, reduzir as desigualdades regionais na área da saúde e aprimorar a formação médica, ampliando a inserção do médico em formação nas áreas onde ele possa conhecer melhor a realidade da saúde da população. Considerando que os estudantes da área da saúde estão diretamente envolvidos com as propostas e os desfechos desse programa, o objetivo deste estudo foi avaliar o conhecimento e posicionamento não só dos estudantes, mas também de seus professores sobre o PMM. Um questionário foi aplicado a 106 alunos e 53 professores de uma faculdade privada na área da saúde (Medicina e Odontologia). A taxa de acerto das 25 questões sobre os objetivos e propostas de ação do PMM variou de 38,4% a 50,6%. A maioria dos docentes e alunos de Medicina referiu conhecer o PMM e reconhecia como proposta do programa diminuir a carência de médicos e melhorar a atuação nas políticas públicas de saúde. A proposta de aprimoramento da formação médica, oferta de cursos de Medicina e de vagas para residência médica, entretanto, era desconhecida por mais de 60% dos entrevistados. A contratação de médicos estrangeiros foi erroneamente considerada não só como um dos objetivos do programa, mas também como a ação proposta para atingir seus objetivos. Em conclusão, alunos e professores de instituições da área da saúde, embora sendo atores importantes na estratégia de atingir os objetivos propostos, conhecem pouco o PMM, particularmente nas ações relacionadas ao currículo das escolas e à residência médica. Estimular debates sobre o programa em escolas médicas pode modificar essa situação e favorecer o seu desfecho.

Formação na Modalidade a Distância pela Universidade Aberta do SUS: Estudo Qualitativo sobre o Impacto do Curso na Prática Profissional

PID: S1981-52712017000200201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Marin Nascimento Tonhom Alves Girotto Otani Silva
RESUMO Introdução As propostas da atual Política Nacional de Saúde impõem a necessidade de transformação nas formas de cuidado em saúde e, consequentemente, nas relações de trabalho da equipe para se obter uma visão ampliada sobre o processo saúde-doença. Existe, portanto, necessidade de instrumentalizar os profissionais da saúde nos aspectos técnicos, éticos e políticos para a transformação de seus processos de trabalho, sendo que para isso, vem sendo proposto pelo Ministério da Saúde cursos na modalidade a distância. Objetivo Compreender o impacto do Curso de Especialização em Saúde da Família desenvolvido na modalidade a distância na prática profissional de egressos. Método Estudo qualitativo realizado por meio de 24 entrevistas com egressos (11dentistas, oito enfermeiros e cinco médicos) de um curso de especialização em Saúde da Família na modalidade a distância realizado pela Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde UNA-SUS em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A análise teve como direção os pressupostos do pensamento hermenêutico-dialético, que se insere na perspectiva interpretativa das metodologias qualitativas. Resultados Para os egressos, foi possível incorporar uma visão ampliada das necessidades de saúde da população e do estabelecimento de vínculo, o que é essencial ao processo de cuidado ampliado e inovador; reconhecer o papel e a importância dos diferentes profissionais da equipe, levando a novas formas de fazer o cuidado e a uma visão diferenciada sobre o sentido da Estratégia Saúde da Família; melhorar o processo de gestão por meio de decisões compartilhadas, organizar o processo de trabalho e considerar os dados epidemiológicos no planejamento das ações, o que envolve a gestão de pessoas, dos processos de trabalho e da informação. Conclusões Movimentos de Educação Permanente como este são essenciais à implantação efetiva dos princípios e diretrizes do SUS, uma vez que aproxima os profissionais de conceitos e práticas necessárias a um novo modo de agir e pensar em saúde.

Habilidade de Comunicação da Má Notícia: o Estudante de Medicina Está Preparado?

PID: S1981-52712017000200260 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Sombra Neto Silva Lima Moura Gonçalves Pires Fernandes
RESUMO Nas últimas duas décadas, ocorreram mudanças curriculares nos cursos de Medicina com o objetivo de formar profissionais humanizados e capazes de atender às demandas atuais. No contexto desse novo modelo, ressalta-se a importância do ensino de comunicação da má notícia na graduação, habilitando acadêmicos a atuar de maneira empática e eficiente. O conteúdo carregado de emoção reforça a necessidade de o médico se preparar adequadamente para saber lidar com as reações dos pacientes e com os próprios sentimentos. Este artigo é um estudo transversal que avaliou, por meio de checklist, a habilidade de comunicação da má notícia apresentada por acadêmicos de Medicina do ciclo pré-clínico em prova prática no modelo Objective Structured Clinical Examination (Osce). Foram avaliados 119 alunos do quarto semestre do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza, dos quais 67% obtiveram desempenho global superior ou igual a 90%. A maior dificuldade observada foi em realizar um “anúncio breve” do problema ao transmitir a má notícia, com 35,3% de erro. Em contrapartida, os estudantes foram eficazes em não “dourar a pílula” ao comunicarem o diagnóstico, quesito que obteve índice absoluto de acertos. Além disso, foi analisada a capacidade dos alunos em identificar a influência dos sintomas na vida do paciente, por meio dos estágios do luto de Kübler-Ross e da escala de desempenho clínico Eastern Cooperative Oncology Group (Ecog), obtendo uma porcentagem de acertos de 84,1%. Embora o desempenho global tenha sido avaliado como excelente, estudantes de Medicina do ciclo pré-clínico mostram-se hesitantes em suas primeiras consultas e no primeiro contato com os pacientes, em especial naqueles de forte conteúdo emocional, fato que ficou evidente ao se identificarem as principais falhas cometidas pelos discentes durante a prova prática de comunicação da má notícia. Dessa forma, com o intuito de aprimorar essa habilidade tão importante para a prática médica, reforça-se o uso de nossas experiências de ensino-aprendizagem, como pacientes atores, treinamento entre os pares, abordagem de protocolos padronizados e reflexões acerca da importância dessas estratégias no ensino da má notícia.

Homeopatia na Graduação Médica: Trajetória da Universidade Federal Fluminense

PID: S1981-52712017000200240 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Oliveira Peluso Freitas Nascimento
RESUMO A medicina homeopática foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como especialidade médica em 1980 e desde então a presença de seu ensino na formação médica tem se ampliado no Brasil. Na graduação médica da Universidade Federal Fluminense (UFF), iniciou-se em 1994. Em estudo de caso com abordagem qualitativa, analisou-se a trajetória do ensino da Homeopatia no curso de Medicina da UFF utilizando-se análise documental, observação direta, entrevistas individuais de coordenadores e alunos, e grupo focal com ex-alunos das cinco disciplinas que abordam a medicina homeopática. Identificou-se uma trajetória de resistência e avanços, desencadeada no processo de reforma curricular em contexto de implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliação da atenção primária. Apoiado na colaboração de profissionais externos à instituição, o ensino da Homeopatia na Medicina da UFF apresenta como principais desafios sua consolidação no currículo obrigatório, integração às demais clínicas, contratação de professores especialistas e recriação do ambulatório-escola em Homeopatia para prática supervisionada. A humanização da prática médica e a integralidade do cuidado foram suas contribuições mais mencionadas, numa perspectiva de integração e complementaridade da abordagem biomédica. Nas disciplinas obrigatórias, defende-se que os alunos possam desenvolver competências e habilidades para: (a) orientar e encaminhar pacientes à Homeopatia quando puderem ser beneficiados por esta medicina; (b) dialogar com colegas homeopatas no acompanhamento de pacientes comuns. As disciplinas optativas são importantes para alunos que queiram ampliar sua formação teórico-prática em Homeopatia, tendo em vista uma atuação profissional que inclua esta especialidade e lhes permita integrar os paradigmas vitalista e biomédico no cuidado em saúde. O ensino da Homeopatia na graduação médica da UFF é sustentado no compromisso de sua comunidade acadêmica com uma formação plural em saúde, capaz de propiciar aos futuros profissionais o uso de diferentes paradigmas para lidar com o processo de adoecimento, o corpo e as pessoas na sociedade contemporânea e, desta forma, contribuir para melhorar o relacionamento com pacientes, promover autonomia, diminuir abordagens invasivas e insensíveis, ampliar a integralidade do cuidado e a resolutividade do trabalho em saúde. O estudo crítico de sua trajetória oferece contribuições para uma reflexão sobre o ensino da Homeopatia também em outras escolas médicas, sejam as que já contemplem a Homeopatia em sua grade de disciplinas, sejam aquelas que estejam planejando inseri-la no currículo em resposta à demanda de alunos e professores.

Humanidades Médicas – Metodologia Utilizada no Curso de Medicina do Centro Universitário Lusíada (Unilus)

PID: S1981-52712017000300449 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Bartolo Santos DinatoI Pinto
RESUMO Na atualidade, não há mais dúvidas sobre a importância das ciências humanas e humanidades no currículo médico, isto já é consenso. É necessário retomar, pelo menos parcialmente, a capacidade de empatia e comunicação dos futuros médicos, a exemplo do que se tinha outrora, além do olhar sistêmico para que os pacientes possam se sentir mais bem acolhidos, o que é muito bem ilustrado no texto da médica Tatiana Bruscky, produzido pela Ria Slides: “Onde andará o meu doutor”4. No entanto, ainda não foi encontrada uma forma sistematizada de trabalhar esses conceitos, apesar das iniciativas que vêm ocorrendo no Brasil, principalmente após 2014, visto que as Diretrizes Curriculares para os cursos de graduação em Medicina inseriram ainda mais aspectos relacionados à comunicação médico-paciente. Introduzir esses assuntos e discussões no ensino dos cursos de Medicina é uma tarefa difícil, pois, quase sempre, dosar teoria e prática e tornar as disciplinas que as compõem atrativas e valorizadas pelos alunos são um grande desafio. Não existem parâmetros claros e nem descrições pormenorizadas das metodologias utilizadas, apenas breves relatos. Este artigo aborda, detalhadamente, uma das formas de ensinar humanidades no curso de Medicina do Centro Universitário Lusíada (Unilus), descrevendo a metodologia passo a passo, a experiência e alguns resultados desde a sua implantação em 2010, com uma estação denominada Comunicação, pertencente à disciplina de Habilidades Práticas. Ela é desenvolvida nos três primeiros anos, sendo que no primeiro o foco é a comunicação entre médico, paciente e familiares em situações diversas de consulta; no segundo ano, é a comunicação de más notícias, enquanto no terceiro o enfoque são os cuidados na comunicação do pré e pós-operatório. Por meio de simulações, os alunos conseguem treinar e refletir sobre uma vasta gama de casos e contextos, dos mais simples aos mais complexos. O intuito é compartilhar a didática aplicada e estimular a discussão e a troca de experiências entre profissionais interessados e comprometidos com a excelência na formação médica.

Impacto da “Disciplina Relação Médico-Paciente” sobre Atitudes Centradas no Paciente

PID: S1981-52712017000200283 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Silva Ribeiro Nogueira Reis Barbosa Rocha Diniz
RESUMO Vários estudos têm demonstrado que as atitudes centradas no paciente entre os estudantes de Medicina decaem ao longo do curso de graduação. A relação médico-paciente sofre influência profunda da contemporaneidade, e, cada vez mais, comunicar-se na prática clínica torna-se um desafio. O processo de educar em medicina deve encorajar os estudantes a compartilhar o processo de tomada de decisão com seus pacientes. Os estudantes devem compreender não somente o que preocupa seus pacientes, mas também o que os motiva no cuidado em saúde. No processo ensino-aprendizagem, a adoção de medidas eficazes direcionadas ao aprimoramento da escuta e das habilidades de comunicação torna-se a pedra angular na construção da relação médico-paciente de alta qualidade. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da disciplina “relação médico-paciente” nas atitudes centradas no paciente entre os estudantes de Medicina. Também foi avaliada a influência de variáveis demográficas e do período do curso de Medicina nessas atitudes. Metodologia Foram incluídos 279 estudantes de Medicina que responderam ao questionário Patient-Practitioner Orientation Scale (PPOS): 128 (45,9%) estudantes matriculados na disciplina “Relação médico-paciente” e 151 (54,1%) estudantes voluntários, que não cursaram a disciplina, pareados por sexo e idade aos que frequentaram a disciplina. Os dados foram analisados no software SPSS 17.0 (SPSS Inc., Chicago IL, EUA). Regressão linear múltipla foi realizada para determinar se variáveis demográficas e o período do curso de Medicina estavam independentemente associados aos escores do PPOS (escore total; dimensões sharing e caring). Modelos logísticos foram criados para avaliar associação entre a disciplina “Relação médico-paciente” e os escores das subescalas do PPOS. Resultados Na análise de regressão linear, sexo feminino (p ≤ 0,01), idade mais avançada (p ≤ 0,02) e estar cursando os primeiros anos da faculdade de Medicina (p ≤ 0,02) estavam significativamente associados às atitudes mais centradas no paciente. Maior pontuação na subescala sharing estava independentemente associada à participação na disciplina “Relação médico-paciente” (4,50 ± 0,65 para aqueles que frequentaram vs. 4,33 ± 0,65 para aqueles não matriculados na disciplina, p = 0,03) em modelo logístico ajustado por sexo, idade e período do curso de Medicina. Educadores da área da saúde devem buscar estratégias inovadoras que estimulem atitudes humanísticas, melhorem as habilidades de comunicação e influenciem de forma decisiva as atitudes adotadas pelos estudantes de Medicina, que devem estar focadas no cuidado centrado no paciente/pessoa.
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