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Implantação de Estratégias de Ensino à Distância durante o Internato: Desafios e Perspectivas

PID: S1981-52712017000200269 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Lau Mendes Ventura Bollela Teixeira
RESUMO O componente teórico-prático do internato do curso de Medicina pode ser abordado por meio de estratégias de ensino em ambiente virtual. Neste aspecto, a flexibilidade de tempo e espaço para o estabelecimento do processo de ensino-aprendizagem apresenta-se vantajosa no período em que há predomínio absoluto de atividades práticas. O ambiente virtual pode-se firmar como espaço para convergência de experiências e discussões com estudantes em diferentes cenários de prática. O objetivo deste estudo foi avaliar a percepção de aprendizagem de internos sobre duas atividades em ambiente Moodle. A primeira intervenção consistiu em discussão de casos clínicos de pacientes com doenças infecciosas e parasitárias provenientes de atenção primária e secundária, previamente atendidos por outros colegas do internato. A segunda intervenção referia-se ao preenchimento do portfólio reflexivo, com devolutiva docente, das atividades realizadas pelos internos durante o estágio de Saúde Coletiva. Para ambas as intervenções, foram avaliadas sistematicamente a expectativa prévia, a satisfação posterior e a autopercepção de ganho de conhecimento/habilidades atribuída às atividades. Como resultado, foram avaliadas respostas de 36 estudantes na primeira intervenção e de 30 estudantes na segunda, o que representou mais de 97% dos estudantes convidados. A maioria considerou o ambiente Moodle adequado e referiu ganho de conhecimento/habilidades em ambas as intervenções. Os principais ganhos apontados foram melhoria nas competências para elaboração do raciocínio clínico e para a reflexão sobre a prática clínica na atenção primária. Ao longo das discussões de casos clínicos, houve aumento significativo do envolvimento dos estudantes depois que foi atribuída nota à participação qualificada destes. No caso do portfólio reflexivo, o feedback docente foi considerado um fator motivador importante para os estudantes. No entanto, nesta atividade, 51% das postagens não receberam devolutiva do docente responsável. Conclui-se que o ambiente Moodle é uma ferramenta útil para o aprendizado dos estudantes durante o internato, faltando ainda cuidar do desenvolvimento docente dos tutores que conduzirão este processo.

Inteligência Artificial e Medicina

PID: S1981-52712017000200185 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Lobo
RESUMO Ao mesmo tempo em que se discutem problemas na relação médico-paciente e a deficiência do exame clínico na atenção médica, que torna o diagnóstico clínico mais dependente de exames complementares, enfatiza-se cada vez mais a importância do computador em medicina e na saúde pública. Isto se dá seja pela adoção de sistemas de apoio à decisão clínica, seja pelo uso integrado de novas tecnologias, incluindo as tecnologias vestíveis/corporais (wearable devices), seja pelo armazenamento de grandes volumes de dados de saúde de pacientes e da população. A capacidade de armazenamento e processamento de dados aumentou exponencialmente ao longo dos recentes anos, criando o conceito de big data. A Inteligência Artificial processa esses dados por meio de algoritmos, que tendem a se aperfeiçoar pelo seu próprio funcionamento (self learning) e a propor hipóteses diagnósticas cada vez mais precisas. Sistemas computadorizados de apoio à decisão clínica, processando dados de pacientes, têm indicado diagnósticos com elevado nível de acurácia. O supercomputador da IBM, denominado Watson, armazenou um volume extraordinário de informações em saúde, criando redes neurais de processamento de dados em vários campos, como a oncologia e a genética. Watson assimilou dezenas de livros-textos em medicina, toda a informação do PubMed e Medline, e milhares de prontuários de pacientes do Sloan Kettering Memorial Cancer Hospital. Sua rede de oncologia é hoje consultada por especialistas de um grande número de hospitais em todo o mundo. O supercomputador inglês Deep Mind, da Google, registrou informações de 1,6 milhão de pacientes atendidos no National Health Service (NHS), permitindo desenvolver novos sistemas de apoio à decisão clínica, analisando dados desses pacientes, permitindo gerar alertas sobre a sua evolução, evitando medicações contraindicadas ou conflitantes e informando tempestivamente os profissionais de saúde sobre seus pacientes. O Deep Mind, ao avaliar um conjunto de imagens dermatológicas na pesquisa de melanoma, mostrou um desempenho melhor do que o de especialistas (76% versus 70,5%), com uma especificidade de 62% versus 59% e uma sensibilidade de 82%. Mas se o computador fornece o know-what, caberá ao médico discutir o problema de saúde e suas possíveis soluções com o paciente, indicando o know-why do seu caso. Isto requer uma contínua preocupação com a qualidade da educação médica, enfatizando o conhecimento da fisiopatologia dos processos orgânicos e o desenvolvimento das habilidades de ouvir, examinar e orientar um paciente e, consequentemente, propor um diagnóstico e um tratamento de seu problema de saúde, acompanhando sua evolução.

Medicina Evolutiva: Incorporando a Teoria da Evolução na Formação de Profissionais de Saúde Brasileiros

PID: S1981-52712017000400487 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Waizbort Luz
RESUMO O objetivo deste trabalho é apresentar a Medicina Evolutiva à comunidade de educação médica brasileira. A Medicina Evolutiva pode ser definida como a aplicação da teoria da evolução por seleção natural à compreensão de problemas de saúde humana. Essa abordagem inovadora provê a medicina de um quadro teórico organizado que contribui para explicar uma grande diversidade de afecções importantes. Originada em princípios da década de 1990, a Medicina Evolutiva procura explicar as doenças tanto com base em causas fisiológicas próximas, normalmente mobilizadas pela medicina, quanto com base em causas evolutivas distantes, responsáveis pelo aparecimento e manutenção, ao longo da história da Terra, de estruturas biológicas úteis e funcionais. A Medicina Evolutiva está estruturada em torno da ideia principal de que as características biológicas funcionais resultam de processos evolutivos, adaptativos. Procura-se com isso entender muitas doenças em termos de vulnerabilidades das adaptações legadas por nossa herança filogenética, como no caso de desajustes do corpo humano em relação ao ambiente moderno. Além de apresentar uma definição de Medicina Evolutiva, discutimos dois problemas que têm sido abordados à luz da teoria da evolução por seleção natural. Em primeiro lugar, discutimos como a emergência e a distribuição geográfica e étnica da intolerância à lactose (e sua contrapartida, a persistência da lactase) só podem ser compreendidas considerando-se a história evolutiva recente de nossa espécie, incluindo suas transformações culturais. As limitações de explicações prévias que prescindiam desses fundamentos são apresentadas. Em seguida, abordamos o caso das hérnias discais. Tentamos demonstrar as relações entre essa condição e os desajustes da postura bípede ao estilo de vida moderno. A compreensão desse desajuste e as restrições à ação da seleção natural ao adaptar a estrutura quadrúpede a uma vida bípede estão entre os conceitos específicos utilizados para formular uma hipótese com potencial diagnóstico relevante. Concluímos este ensaio sugerindo maneiras pelas quais estudantes de Medicina poderiam incorporar esse saber relativamente novo em sua formação.

Medicina de Família do Primeiro ao Sexto Ano da Graduação Médica: Considerações sobre uma Proposta Educacional de Integração Curricular Escola-Serviço

PID: S1981-52712017000200336 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Silva Medeiros Junior Fontão Saletti Filho Vital Junior Bourget Rios
RESUMO Em contexto nacional e internacional, discute-se a formação médica devido às mudanças na sociedade contemporânea e suas demandas de saúde. No Brasil, preconiza-se a inserção do aluno na Atenção Primária à Saúde (APS) durante todo o curso médico. Tal inserção é dificultada pelos cenários práticos inadequados, pela falta de preceptores, pela formação insuficiente dos médicos generalistas para receber estudantes, pelos docentes sem capacitação adequada para o ensino na área e pela resistência de docentes de disciplinas tradicionais. Este artigo descreve e analisa um modelo de inserção da APS e Medicina de Família e Comunidade (MFC) em um curso médico no município de São Paulo, os desafios da articulação ensino-gestão e as ações que ajudam a enfrentá-los. A proposta parte de objetivos educacionais que visam desenvolver competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) para que o aluno possa oferecer cuidado integral, compreendendo o indivíduo no contexto de vida familiar, social e ambiental. Os conteúdos programáticos foram desenvolvidos para propiciar aprendizagem em grau crescente de complexidade, articulando saberes prévios com novos saberes. Deste ponto de partida, o desenvolvimento do projeto educacional tem como marca inovadora a combinação de planejamento e gestão educacional que adota as seguintes medidas para aprimorar a qualidade do processo ensino-aprendizagem: (1) inserção dos alunos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do primeiro ano ao internato; (2) contratação de médicos de família como docentes da faculdade; (3) integração dos conteúdos dos módulos de Medicina de Família e APS com os conteúdos de outras disciplinas, como Epidemiologia, Políticas de Saúde e Medicina Baseada em Evidências; (4) metodologias de ensino problematizadoras adequadas à temática abordada e ao perfil do estudante e do docente; (5) avaliações formativas; (6) aprimoramento pedagógico para docentes e preceptores para o exercício do ensino em saúde; (7) práticas que estimulem o aluno a trabalhar em equipes interprofissionais; (8) incentivo a programas de intercâmbio nacionais e internacionais para alunos de graduação e de residência em MFC; (9) fomento à publicação de livros, artigos e pesquisa em APS. Entre os fatores facilitadores para o bom andamento dessa proposta de ensino, ressalta-se o fato de que MFC e APS são fundamentos axiais do projeto político-pedagógico do curso médico e se desenvolvem em uma instituição que tem longa história de assistência e ensino na área da saúde, contribuindo fortemente para a integração serviço-escola. A interlocução necessária às atividades didáticas nos cenários de prática se dá pela proximidade entre gestão local, preceptores e gestores-docentes. Outro fator de fortalecimento da proposta é o investimento na equipe de preceptores por meio de capacitação, participação na construção e na integração de conteúdos propostos nos módulos de MFC e a política de recursos humanos que os valoriza. Assim, considera-se que a apresentação desta iniciativa poda contribuir para o debate de modelos educacionais para inserção curricular da MFC e APS, seus desafios e possibilidades na educação médica contemporânea.

Níveis de Ansiedade e Depressão entre Residentes de Pediatria

PID: S1981-52712017000400557 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Lourenção Teixeira Gazetta Pinto Gonsalez Rotta
RESUMO Objetivo: Avaliar os níveis de ansiedade e depressão dos profissionais matriculados em um Programa de Residência Médica em Pediatria de uma instituição de ensino do interior do Estado de São Paulo. Métodos: Estudo transversal descritivo, com todos os médicos residentes matriculados no Programa de Residência Médica em Pediatria. Os dados foram coletados entre os meses de novembro de 2013 e fevereiro de 2014, utilizando-se três instrumentos autoaplicáveis: um instrumento elaborado pelos autores, com dados sociodemográficos; a Escala de Ansiedade de Beck ou Inventário de Ansiedade de Beck e a Escala de Depressão de Beck ou Inventário de Depressão de Beck. Os níveis de ansiedade e depressão foram analisados por uma psicóloga segundo dados dos instrumentos e categorizados em ausência de depressão/ansiedade, depressão/ansiedade leve, depressão/ansiedade moderada e depressão/ansiedade grave. Resultados: Participaram do estudo 36 médicos residentes. Houve predominância do sexo feminino (91,4%), idade mediana de 28 anos (mínimo: 25; máximo: 34), solteiros (86,11%), renda familiar de dez ou mais salários mínimos (47,1%), jornada de trabalho de 12 horas ou mais (55,6%), sem atividade física (55,5%) e de lazer (44,2%), com outro vínculo laboral (71,4%), satisfeitos com o trabalho (88,9%); 52,8% pensaram em desistir do programa. Ansiedade esteve presente em 50,0% dos profissionais e depressão em 44,4%. Houve associação estatística da ansiedade com a faixa etária (p<0,005) e com o desejo de desistir do programa (p=0,038); e da depressão com a faixa etária (p=0,001), prática de atividade física (p=0,016), atividades de lazer (p=0,012) e com o desejo de desistir do programa (p=0,008). Conclusão: Os níveis de ansiedade e depressão foram superiores aos observados em outros programas, havendo associação destes transtornos com a faixa etária e ausência de atividade física e de lazer, evidenciando a necessidade de maior atenção e suporte aos profissionais, de implementação de ações de controle dos fatores estressores entre os residentes de Pediatria ede estratégias de promoção do bem-estar físico e mental desses profissionais.

O Ensino da Acupuntura na Escola Médica: Interesse e Desconhecimento

PID: S1981-52712017000100134 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Carnevale Brandão Ferraz Barros
RESUMO O ensino da acupuntura ainda não está presente na maioria das escolas médicas do Brasil apesar de a acupuntura ser indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ser reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina desde 1995, estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente após a publicação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (2006), e apresentar um número crescente de adeptos entre profissionais de saúde e pacientes. O objetivo deste estudo é analisar o conhecimento, interesse e experiência com acupuntura dos estudantes de uma escola médica do Sudeste brasileiro. Foi realizado um estudo prospectivo e descritivo no período de agosto de 2011 a julho de 2012, com aplicação de questionário fechado composto por 17 questões, sobre o conhecimento, interesse e utilização da acupuntura. Foram incluídos no estudo 458 estudantes do primeiro ao sexto ano do curso. O nível declarado de conhecimento sobre acupuntura pelos estudantes foi, em sua maioria, pequeno ou nenhum. Entre os estudantes que declararam ter algum conhecimento em acupuntura, o estudo livre (autodidata) foi o meio de acesso à acupuntura mais citado pelos estudantes. Foi verificado grande interesse dos estudantes em aprender acupuntura e incluir uma disciplina de acupuntura no currículo do curso médico, sendo uma disciplina optativa a opção mais escolhida pelos estudantes. Entre os participantes, a maioria já foi tratada com acupuntura, possui familiares que já foram tratados, e os resultados de eficácia foram favoráveis. Quanto à aceitação do tratamento com a acupuntura por pacientes, a maioria dos participantes não só aceitaria, mas também estimularia o uso. Conclui-se, portanto, que há interesse e desconhecimento dos estudantes em relação à acupuntura e que a implantação de disciplina sobre a acupuntura receberia o apoio dos estudantes e seria essencial para proporcionar o contato deles com essa especialidade, contribuindo, desse modo, para uma atualização necessária no currículo dos cursos médicos brasileiros.

O Ensino da Radiologia: uma Análise dos Currículos da Área da Saúde de Instituições de Ensino Superior na Região Sul do Brasil

PID: S1981-52712017000200251 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Pereira Santos Lopes
RESUMO Introdução Devido à importância da radiologia da pesquisa médica no diagnóstico e prevenção de doenças e seu potencial tecnológico atual e futuro, são necessárias constantes avaliações sobre a dinâmica curricular desta especialidade. Objetivo Avaliar o perfil curricular da área radiológica nos cursos de Medicina, Fisioterapia e Biomedicina oferecidos em Instituições de Ensino Superior públicas e privadas da Região Sul do Brasil. Material e métodos A matriz curricular dos cursos foi analisada, sendo levantados dados sobre disciplinas cujos nomes estariam relacionados à área radiológica (DRARs). Foi utilizada a estatística descritiva para a análise dos dados. A proporcionalidade de carga horária (CH) das DRARs nos cursos foi feita pela correlação entre a CH total do curso e a CH destinada às DRARs, por meio da análise do coeficiente de correlação de Pearson. Para verificar a existência de padronização do estudo de radiologia entre os cursos, foi realizado o teste t de Student, com nível de significância p < 0,05. Resultados A CH média encontrada nos cursos foi de 58 horas. O curso de Biomedicina possui a maior média de CH quando comparado com os cursos de Medicina e Fisioterapia. Foi observada alta variância nos cursos com relação à CH das DRARs. Os cursos de Medicina e Biomedicina mostraram correlação positiva, isto é, quanto maior a CH total do curso, maior a CH direcionada para as DRARs. Já no curso de Fisioterapia, foi detectada uma fraca correlação negativa, isto é, quanto maior a CH total do curso, menor a CH direcionada para as DRARs. Na comparação dos três cursos, a Biomedicina apresentou maior correlação positiva, com maior espaço em CH destinado ao objeto deste estudo. Conclusão Os resultados indicaram os cursos de Biomedicina e Medicina com as maiores médias de carga horária e Biomedicina com o maior espaço em carga horária, assim como alta heterogeneidade no ensino de radiologia entre os cursos e entre os mesmos cursos de diferentes instituições. Apesar de apresentar limitações, por não analisar quais conteúdos, competências, atitudes e habilidades são ensinados nas disciplinas pesquisadas, este estudo contribui para o debate acerca do perfil curricular dos cursos da área radiológica.

O Ensino de Habilidades Clínicas e a Aplicabilidade de um Guia Simplificado de Exame Físico na Graduação de Medicina

PID: S1981-52712017000200299 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Kahwage Neto Braga Portella Andriolo
RESUMO Introdução Apesar dos avanços tecnológicos, a anamnese e o exame físico permanecem as ferramentas diagnósticas mais importantes e eficazes diante de um caso clínico. No entanto, muitos alunos concluem o curso médico com deficiências nessas habilidades essenciais. A falta de padronização do exame físico é considerada uma das principais dificuldades no ensino-aprendizagem. Objetivo Avaliar as habilidades clínicas dos estudantes do internato de Medicina e a aplicabilidade de um guia simplificado de exame físico para o aperfeiçoamento dessas habilidades. Métodos O estudo foi analítico, quantitativo do tipo comparativo antes e depois, realizado com alunos de Medicina em estágio de Clínica Médica no período de janeiro a fevereiro de 2014. Os estudantes foram treinados com o guia simplificado por um período de três semanas. Os alunos tiveram seu exame clínico avaliado em 13 itens: sinais vitais, exame da cavidade oral, fundoscopia, otoscopia, exame da tireoide, exame cardiovascular, pulmonar, abdominal, linfonodos, medidas antropométricas, índice tornozelo-braquial (ITB), exame neurológico, exame das mamas (pacientes mulheres) ou dos testículos (pacientes homens). O resultado da avaliação de cada item foi classificado em três categorias: avaliação completa, avaliação parcial e avaliação ausente. Resultados Ao todo, participaram 31 estudantes. Observou-se melhora significativa de quase todos os itens em relação à avaliação completa após a capacitação com o guia: sistema cardiovascular (3,23% versus 74,19%, antes e depois do treinamento, respectivamente, p < 0,01); sistema pulmonar (22,58% versus 90,32%, p < 0,01); abdome (22,58% versus 74,19%, p = 0,01); sinais vitais (16,13% versus 100%, p < 0,01); palpação de linfonodos (6,45% versus 77,42%, p < 0,01); exame neurológico (0% versus 22,58%, p = 0,02); palpação da tireoide (0% versus 61,29%, p < 0,01); exame da cavidade oral (6,45% versus 67,74%, p < 0,01); medidas antropométricas (0% versus 45,16%, p < 0,01); exame das mamas (0% versus 36,84%, p = 0,02); fundoscopia (0% versus 32,26%, p < 0,01); otoscopia (0% versus 64,52%, p < 0,01); avaliação do índice tornozelo-braquial (0% versus 83,87%, p < 0,01); exame dos testículos (0% versus 8,33%, p = 1,0). Foi possível observar também um aumento de 280,7% na pontuação mediana do desempenho dos alunos após o treinamento (1,92 versus 7,31 pontos, P < 0,001). Notou-se ausência de correlação significativa entre o desempenho dos alunos e o tempo de permanência no curso (R2 = 0,1242; P = 0,0515). Conclusões Há um déficit grande no ensino de habilidades clínicas durante a graduação de Medicina. Como uma solução eficaz, um guia simplificado sequencial de exame clínico pode servir no treinamento de estudantes de Medicina.

O Ensino de Habilidades Clínicas e a Aplicabilidade de um Guia Simplificado de Exame Físico na Graduação de Medicina

PID: S1981-52712017000400457 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Kahwage Neto Braga Portella Andriolo
RESUMO Introdução: Apesar dos avanços tecnológicos, a anamnese e o exame físico permanecem as ferramentas diagnósticas mais importantes e eficazes diante de um caso clínico. No entanto, muitos alunos concluem o curso médico com deficiências nessas habilidades essenciais. A falta de padronização do exame físico é considerada uma das principais dificuldades no ensino-aprendizagem. Objetivo: Avaliar as habilidades clínicas dos estudantes do internato de Medicina e a aplicabilidade de um guia simplificado de exame físico para o aperfeiçoamento dessas habilidades. Métodos: O estudo foi analítico, quantitativo do tipo comparativo antes e depois, realizado com alunos de Medicina em estágio de Clínica Médica no período de janeiro a fevereiro de 2014. Os estudantes foram treinados com o guia simplificado por um período de três semanas. Os alunos tiveram seu exame clínico avaliado em 13 itens: sinais vitais, exame da cavidade oral, fundoscopia, otoscopia, exame da tireoide, exame cardiovascular, pulmonar, abdominal, linfonodos, medidas antropométricas, índice tornozelo-braquial (ITB), exame neurológico, exame das mamas (pacientes mulheres) ou dos testículos (pacientes homens). O resultado da avaliação de cada item foi classificado em três categorias: avaliação completa, avaliação parcial e avaliação ausente. Resultados: Ao todo, participaram 31 estudantes. Observou-se melhora significativa de quase todos os itens em relação à avaliação completa após a capacitação com o guia: sistema cardiovascular (3,23% versus 74,19%, antes e depois do treinamento, respectivamente, p < 0,01); sistema pulmonar (22,58% versus 90,32%, p < 0,01); abdome (22,58% versus 74,19%, p = 0,01); sinais vitais (16,13% versus 100%, p < 0,01); palpação de linfonodos (6,45% versus 77,42%, p < 0,01); exame neurológico (0% versus 22,58%, p = 0,02); palpação da tireoide (0% versus 61,29%, p < 0,01); exame da cavidade oral (6,45% versus 67,74%, p < 0,01); medidas antropométricas (0% versus 45,16%, p < 0,01); exame das mamas (0% versus 36,84%, p = 0,02); fundoscopia (0% versus 32,26%, p < 0,01); otoscopia (0% versus 64,52%, p < 0,01); avaliação do índice tornozelo-braquial (0% versus 83,87%, p < 0,01); exame dos testículos (0% versus 8,33%, p = 1,0). Foi possível observar também um aumento de 280,7% na pontuação mediana do desempenho dos alunos após o treinamento (1,92 versus 7,31 pontos, P < 0,001). Notou-se ausência de correlação significativa entre o desempenho dos alunos e o tempo de permanência no curso (R2 = 0,1242; P = 0,0515). Conclusões: Há um déficit grande no ensino de habilidades clínicas durante a graduação de Medicina. Como uma solução eficaz, um guia simplificado sequencial de exame clínico pode servir no treinamento de estudantes de Medicina

O Teste de Progresso como Indicador para Melhorias em Curso de Graduação em Medicina

PID: S1981-52712017000100058 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Rosa Isoppo Cattaneo Madeira Adami Ferreira Filho
RESUMO Introdução O Núcleo de Apoio Pedagógico Interinstitucional Sul II (Napisul II) foi estabelecido em agosto de 2010 com o apoio da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), tendo o propósito específico de formulação, implementação e análise do teste de progresso. Objetivo Verificar se os resultados do teste de progresso podem ser usados como indicador para melhorar a qualidade do curso de Medicina. Métodos Foram realizados três estudos transversais institucionais durante os três anos da aplicação deste teste no curso de Medicina da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), localizada na Região Sul do Brasil. Todos os participantes do estudo eram estudantes de graduação em Medicina na Unesc e haviam feito o teste de progresso em 2011, 2012 e 2013. A análise estatística foi realizada com um nível de confiança de 95%. Resultados A adesão média ao longo dos três anos variou de 91,8% a 100%. Em 2011, o curso de Medicina da Unesc obteve classificação igual ou superior à média dos oito cursos que compõem o Napisul II até a oitava fase e ficou abaixo da média na quinta e sexta fases. Em 2012, a Unesc novamente foi classificada com desempenho mediano até a sétima fase. Na oitava fase, a classificação da Unesc foi significativamente maior do que a média global, e assim, na quinta fase, o curso não diferiu da média do grupo. No entanto, na sexta fase, a classificação do curso foi significativamente inferior à média. Em 2013, a Unesc foi novamente classificada com desempenho mediano até a oitava fase, e nas últimas três fases o curso foi classificado acima da média. Conclusão: O teste de progresso é um excelente indicador para os gestores, pois pode ser usado para desenvolver intervenções para melhorar a qualidade dos cursos. Após a aplicação do primeiro teste foram realizadas mudanças no curso de Medicina da universidade. Testes posteriores demonstraram a eficácia dessas mudanças.

O Trote e a Saúde Mental de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712017000200210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Lima Ramos-Cerqueira Dantas Lamardo Reis Torres
RESUMO Introdução A prática do trote é um fenômeno que teve início na Idade Média e ainda persiste em muitas universidades pelo mundo. No Brasil, embora seja um problema amplamente reconhecido, tem sido insuficientemente estudado. Objetivo Estimar a prevalência e identificar fatores associados à ocorrência de trote numa faculdade de Medicina pública, localizada no interior do Estado de São Paulo. Método Foi realizado um estudo transversal do qual participaram 477 estudantes de Medicina do primeiro ao sexto ano do curso. O questionário autopreenchido continha questões e instrumentos estruturados que permitiram avaliar: características sociodemográficas e da vida acadêmica, apoio social, sintomas depressivos, uso problemático de álcool (por meio do Alcohol Use Disorder Identification Test – Audit), transtorno mental comum (por meio do Self Reporting Questionnaire – SRQ) e se o participante sofreu trote que considerou abusivo ou se aplicou trote do qual se arrependeu posteriormente. Foi realizada análise bivariada e regressão logística para identificar fatores independentemente associados a cada um dos desfechos (ter sofrido trote que considerou abusivo ou ter aplicado trote do qual se arrependeu posteriormente). Resultados A taxa de resposta foi de 87,0%. Relataram ter sofrido trote abusivo 39,8% (IC95% 35,4% – 44,2%) dos estudantes, enquanto afirmaram ter aplicado trote do qual se arrependeram 7,5% (IC95% 5,2% – 9,9%) deles. Ter sofrido trote abusivo associou-se a: sexo masculino, não estar adaptado à cidade, apresentar menor escore na escala de apoio social e ter feito ou estar fazendo tratamento psiquiátrico e/ou psicológico após o ingresso na universidade. Ter aplicado trote, por sua vez, também se associou a sexo masculino, assim como a maior idade e maior pontuação no Audit. Conclusão Trote associou-se a sexo masculino e à procura por tratamento de saúde mental entre os que o receberam e a uso problemático de álcool entre os que o praticaram. É fundamental que as instituições debatam e compreendam melhor o problema do trote, a fim de adotar medidas efetivas para que este seja prevenido.

O Uso de Internet e Redes Sociais e a Relação com Indícios de Ansiedade e Depressão em Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712017000400497 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Moromizato Ferreira Souza Leite Macedo Pimentel
RESUMO Introdução: A internet é uma ferramenta imprescindível na atualidade, pois possibilita acesso fácil e rápido às informações e a manutenção de laços afetivos por meio das redes sociais. Entretanto, quando se percebe um uso descontrolado e desadaptativo, ocorre a chamada adicção por internet (AI). Estudos prévios investigaram diversas comorbidades associadas a esse transtorno, gerando um importante conhecimento importante para a conduta clínica. Objetivo: Investigar a correlação entre indicadores do uso de internet e redes sociais e a presença de sintomas ansiosos e depressivos. Métodos: Estudo descritivo, transversal, quantitativo, com amostragem por conveniência, realizado com estudantes de Medicina no ano de 2015. Os sintomas ansiosos e depressivos foram analisados por meio do Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) e do Inventário de Depressão de Beck (BDI), respectivamente. Além disso, utilizou-se um questionário confeccionado pelos pesquisadores com base no Internet Addiction Test (IAT). Resultados: Dos 169 estudantes que participaram da pesquisa, 98,8% (167) fazem uso diário de internet e/ou redes sociais. Foi avaliada a prevalência de diversos indícios do uso prejudicial da internet, bem como a concepção dos participantes sobre seu uso. Não foi encontrada associação estatística entre o tempo gasto na internet e a presença de sintomas ansiosos e depressivos com os escores BAI e BDI. Contudo, foram percebidas algumas associações estatisticamente significativas com os resultados dos escores BAI e BDI tanto com indicadores da necessidade de verificação da internet quanto com indicativos do uso desadaptativo da internet. Conclusão: O presente estudo ratifica achados prévios na literatura que apontam que a AI não está necessariamente relacionada com o tempo gasto na internet, mas com o padrão desadaptativo do uso. Os resultados aqui encontrados podem servir de base para futuras intervenções em instituições de ensino que busquem minimizar o prejuízo desse transtorno cada vez mais presente.

O que Aprendi com o PET? Repercussões da Inserção no SUS para a Formação Profissional

PID: S1981-52712017000400505 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Grzybowski Levandowski Costa
RESUMO O Programa de Educação pelo Trabalho (PET) desenvolvido na UFCSPA, apoiado na proposta da política da Rede Cegonha, realizou diversas atividades com vistas à qualificação da rede de atenção à saúde materno-infantil da Zona Norte da cidade de Porto Alegre (RS). O PET-Saúde/Subprojeto Rede Cegonha auxiliou na integração e articulação dos diferentes níveis de complexidade no cuidado da saúde da mulher, da criança e da família, bem como qualificou a formação dos acadêmicos e dos profissionais da rede. Este estudo buscou realizar uma avaliação de alunos de diferentes cursos de graduação da área da saúde (Biomedicina, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia, Medicina, Enfermagem) acerca de sua inserção no PET, investigando suas vivências e a contribuição dessa experiência para a sua formação profissional. Foram entrevistados, por meio de perguntas abertas e semiabertas enviadas por e-mail, 12 alunos bolsistas atuantes no PET Rede Cegonha UFCSPA por um período de 12 meses. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo qualitativa. Os depoimentos dos bolsistas demonstram uma ampliação do conhecimento sobre o sistema de saúde como um todo, em especial a atenção básica, e sobre as possibilidades de atuação profissional. Destacou-se também a importância das vivências nos locais de prática e a interdisciplinaridade na atenção em saúde, bem como uma aprendizagem ativa e o reconhecimento de um novo modelo de atuação, focado na intervenção grupal, educativa e contextualizada na esfera da promoção de saúde materno-infantil. Esses achados indicam a relevância da inserção de alunos de graduação no PET e o alcance das metas dessa proposta, devido à ampliação dos conhecimentos sobre saúde pública e o direcionamento precoce do interesse profissional para a atuação nesse contexto. A participação no PET mostrou-se um importante processo multiplicador e motivador de práticas integradas e interdisciplinares no campo da assistência em saúde.

Percepção de Tutores quanto a Sua Avaliação pelos Discentes de um Curso Médico

PID: S1981-52712017000200221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Barreto Xavier Sonzogno
RESUMO Entre as metodologias ativas de ensino-aprendizagem, a Aprendizagem Baseada em Problemas proporciona novos papéis aos agentes desse processo. O docente passa de detentor único do conhecimento a facilitador do processo ensino-aprendizagem. Por outro lado, o discente deixa o papel de sujeito passivo neste processo, participando ativamente na construção do conhecimento. O presente estudo objetivou analisar o significado atribuído pelo tutor às avaliações realizadas pelos discentes do curso médico da Universidade Estadual de Montes Claros sobre o seu desempenho profissional. Trata-se de estudo qualitativo, descritivo e exploratório, cujos sujeitos foram 11 tutores do Módulo Conteúdo Específico do primeiro e sétimo períodos do segundo semestre de 2009. Utilizou-se entrevista estruturada na coleta de dados, com análise e interpretação dos resultados segundo análise temática. Os tutores são, na maior parte, docentes do sexo feminino com curso de especialização e mestrado; há predomínio do regime de trabalho de 40 horas semanais. Das falas dos entrevistados emergiram as seguintes categorias temáticas: aspectos que influenciaram a escolha da tutoria: convites e necessidade da instituição; capacitação para tutoria: somente alguns docentes fizeram capacitação, alguns sujeitos tornaram-se tutores observando a ação de outros tutores; conhecimento da avaliação realizada pelos discentes no final de cada módulo: a avaliação feita pelo discente não se realiza de forma compromissada; docentes e gestores não se envolvem nos resultados obtidos; e, por último, as categorias concepção do tutor quanto à avaliação e percepção do tutor sobre a avaliação via intranet: nota-se que todos os sujeitos conhecem e sabem da importância da realização de tal processo, porém alguns docentes não se interessam pelas avaliações discentes. Espera-se que os resultados contribuam para melhoria da percepção do docente sobre seu papel na construção e organização curricular e, consequentemente, na formação de novos profissionais médicos, como previsto no Projeto Político Pedagógico deste curso.

Percepção dos Professores de Medicina de uma Escola Pública Brasileira em relação ao Sofrimento Psíquico de Seus Alunos

PID: S1981-52712017000300432 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Silva Tavares Araújo Ribeiro
RESUMO O sofrimento psíquico do estudante de Medicina é conhecido e já estudado. O papel do professor em detectar dificuldades geradoras de sofrimento psíquico em seus alunos e saber como lidar com elas é fundamental para a prevenção desse sofrimento. Entretanto, nem sempre os professores estão preparados para esses desafios. Objetivo: Estudar a percepção dos docentes do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em relação ao sofrimento psíquico de seus alunos. Método: Estudo transversal quantitativo realizado com os docentes do ciclo profissional do curso de Medicina da UFMG. A amostra de 102 docentes foi obtida por sorteio aleatório e dividida em quatro estratos: masculino até dez anos de docência, masculino com mais de dez anos, feminino com até dez anos de docência e feminino com mais de dez anos. Foi elaborado um questionário autoaplicativo de 28 itens com cinco opções da escala de Likert. Para análise dos dados foram construídos quatro indicadores: indicador de percepção de sofrimento psíquico (IPSP), indicador de compromisso do professor com as dificuldades emocionais do estudante (ICDE), indicador de atuação frente ao sofrimento psíquico (IAPS) e indicador geral (IG). Realizou-se análise dos quartis e calculou-se a diferença entre os grupos utilizando testes não paramétricos. Cinco questões não incluídas nos indicadores foram analisadas separadamente. Resultados: Dos 102 sorteados, 79 docentes responderam e sete se negaram a participar da pesquisa. Foi constatada preocupação com o sofrimento psíquico dos estudantes, variável entre os estratos. Para o IG, as professoras com mais tempo de docência obtiveram a mediana mais elevada em relação aos homens com menos tempo (p<0,05). Para os demais indicadores, apesar da diferença entre os quartis, a comparação das medianas não mostrou diferenças estatisticamente significativas. Para as perguntas não incluídas nos indicadores, do total de professores, 85% já tiveram alunos com dificuldades emocionais. Os homens, com maior frequência, afirmaram desconhecer a existência de problemas emocionais entre os estudantes. Houve desconhecimento das instâncias de acolhimento psicólogico aos estudantes por 16,5% dos professores. A ocorrência de bullying na FMUFMG não foi percebida por mais de 50% dos professores. Apenas 28% admitiram que seus atos ou atitudes teriam desencadeado sofrimento psíquico no estudante. Ao se perguntar sobre apoio ao professor, 75,9% desejavam uma instância de apoio emocional ao professor. Conclusão: Este estudo, apesar das limitações, é inédito ao avaliar a percepção do docente do curso de Medicina em relação ao sofrimento psíquico dos estudantes. Tempo de docência e sexo feminino parecem exercer um papel importante na percepção do docente sobre o sofrimento psíquico do estudante. Parcela significativa de professores desconhece a existência das instâncias de apoio psicológico aos estudantes. Situações de assédio e bullying na escola médica permanecem negadas por muitos docentes.

Percepção dos Professores de Medicina de uma Escola Pública Brasileira em relação ao Sofrimento Psíquico de Seus Alunos

PID: S1981-52712017000400584 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Silva Tavares Araújo Ribeiro
RESUMO O sofrimento psíquico do estudante de Medicina é conhecido e já estudado. O papel do professor em detectar dificuldades geradoras de sofrimento psíquico em seus alunos e saber como lidar com elas é fundamental para a prevenção desse sofrimento. Entretanto, nem sempre os professores estão preparados para esses desafios. Objetivo: Estudar a percepção dos docentes do curso de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em relação ao sofrimento psíquico de seus alunos. Método: Estudo transversal quantitativo realizado com os docentes do ciclo profissional do curso de Medicina da UFMG. A amostra de 102 docentes foi obtida por sorteio aleatório e dividida em quatro estratos: masculino até dez anos de docência, masculino com mais de dez anos, feminino com até dez anos de docência e feminino com mais de dez anos. Foi elaborado um questionário autoaplicativo de 28 itens com cinco opções da escala de Likert. Para análise dos dados foram construídos quatro indicadores: indicador de percepção de sofrimento psíquico (IPSP), indicador de compromisso do professor com as dificuldades emocionais do estudante (ICDE), indicador de atuação frente ao sofrimento psíquico (IAPS) e indicador geral (IG). Realizou-se análise dos quartis e calculou-se a diferença entre os grupos utilizando testes não paramétricos. Cinco questões não incluídas nos indicadores foram analisadas separadamente. Resultados: Dos 102 sorteados, 79 docentes responderam e sete se negaram a participar da pesquisa. Foi constatada preocupação com o sofrimento psíquico dos estudantes, variável entre os estratos. Para o IG, as professoras com mais tempo de docência obtiveram a mediana mais elevada em relação aos homens com menos tempo (p < 0,05). Para os demais indicadores, apesar da diferença entre os quartis, a comparação das medianas não mostrou diferenças estatisticamente significativas. Para as perguntas não incluídas nos indicadores, do total de professores, 85% já tiveram alunos com dificuldades emocionais. Os homens, com maior frequência, afirmaram desconhecer a existência de problemas emocionais entre os estudantes. Houve desconhecimento das instâncias de acolhimento psicólogico aos estudantes por 16,5% dos professores. A ocorrência de bullying na FMUFMG não foi percebida por mais de 50% dos professores. Apenas 28% admitiram que seus atos ou atitudes teriam desencadeado sofrimento psíquico no estudante. Ao se perguntar sobre apoio ao professor, 75,9%desejavam uma instância de apoio emocional ao professor. Conclusão: Este estudo, apesar das limitações, é inédito ao avaliar a percepção do docente do curso de Medicina em relação ao sofrimento psíquico dos estudantes. Tempo de docência e sexo feminino parecem exercer um papel importante na percepção do docente sobre o sofrimento psíquico do estudante. Parcela significativa de professores desconhece a existência das instâncias de apoio psicológico aos estudantes. Situações de assédio e bullying na escola médica permanecem negadas por muitos docentes.

Percepção sobre o Internato de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro pelos Preceptores do Serviço na Atenção Básica: um Estudo de Caso

PID: S1981-52712017000100079 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Oliveira Cunha Trajman Teixeira Gomes Halfoun
RESUMO Introdução O preceptor é entendido como o profissional da rede assistencial que tem importante papel na inserção do graduando e do recém-graduado na prática profissional. Entretanto, estudos sobre o ensino da prática médica na Estratégia Saúde da Família (ESF) têm mostrado inadequações na qualidade, na capacitação e no tempo destinado pelos preceptores aos estudantes. No município do Rio de Janeiro (RJ), a expansão da ESF se deu tardiamente, o que resultou num vácuo da inserção do aluno de Medicina na rede. Objetivo Conhecer as percepções dos médicos preceptores da Estratégia Saúde da Família quanto à sua atuação junto aos internos de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Método Pesquisa exploratória, do tipo estudo de caso, de abordagem qualitativa, realizada no município do RJ. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, entre setembro de 2011 e março de 2012, com 15 preceptores das seis Clínicas da Família que recebem internos de Medicina da UFRJ. As entrevistas foram gravadas, transcritas, lidas e tratadas por meio da técnica de análise de conteúdo temática, da qual emergiram cinco categorias: estímulo e motivação; valorização; capacitação; mundo real versus mundo acadêmico; integração ensino-serviço. Resultados Os preceptores se sentem reconhecidos e estimulados pelos alunos, mas não sentem a valorização pela chefia do serviço, que não libera espaço físico e horário para as atividades. Há uma boa relação estabelecida com os tutores e os alunos da UFRJ, mas desejam receber capacitação para a preceptoria e estreitar o vínculo com a UFRJ. Percebem o tempo destinado ao aluno como precioso e ao mesmo tempo desafiador, estimulando-os a repensar suas práticas do cuidado. Reconhecem no estágio a oportunidade para os internos vivenciarem na prática o que foi apreendido na teoria. Conclusão A prática de preceptoria encontra sustentação na boa relação estabelecida entre os preceptores, tutores e alunos, mas são necessários esforços para a valorização dos profissionais que desempenham esta prática.

Percepção sobre o Internato de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro pelos Preceptores do Serviço na Atenção Básica: um Estudo de Caso

PID: S1981-52712017000200320 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Oliveira Cunha Trajman Teixeira Gomes Halfoun
RESUMO Introdução O preceptor é entendido como o profissional da rede assistencial que tem importante papel na inserção do graduando e do recém-graduado na prática profissional. Entretanto, estudos sobre o ensino da prática médica na Estratégia Saúde da Família (ESF) têm mostrado inadequações na qualidade, na capacitação e no tempo destinado pelos preceptores aos estudantes. No município do Rio de Janeiro (RJ), a expansão da ESF se deu tardiamente, o que resultou num vácuo da inserção do aluno de Medicina na rede. Objetivo Conhecer as percepções dos médicos preceptores da Estratégia Saúde da Família quanto à sua atuação junto aos internos de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Método Pesquisa exploratória, do tipo estudo de caso, de abordagem qualitativa, realizada no município do RJ. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas, entre setembro de 2011 e março de 2012, com 15 preceptores das seis Clínicas da Família que recebem internos de Medicina da UFRJ. As entrevistas foram gravadas, transcritas, lidas e tratadas por meio da técnica de análise de conteúdo temática, da qual emergiram cinco categorias: estímulo e motivação; valorização; capacitação; mundo real versus mundo acadêmico; integração ensino-serviço. Resultados Os preceptores se sentem reconhecidos e estimulados pelos alunos, mas não sentem a valorização pela chefia do serviço, que não libera espaço físico e horário para as atividades. Há uma boa relação estabelecida com os tutores e os alunos da UFRJ, mas desejam receber capacitação para a preceptoria e estreitar o vínculo com a UFRJ. Percebem o tempo destinado ao aluno como precioso e ao mesmo tempo desafiador, estimulando-os a repensar suas práticas do cuidado. Reconhecem no estágio a oportunidade para os internos vivenciarem na prática o que foi apreendido na teoria. Conclusão A prática de preceptoria encontra sustentação na boa relação estabelecida entre os preceptores, tutores e alunos, mas são necessários esforços para a valorização dos profissionais que desempenham esta prática.

Perfil da Formação Médica em Terapia Intensiva no Estado de Rondônia

PID: S1981-52712017000100038 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Hassegawa Escobar Silva Katsuragawa
RESUMO A Medicina Intensiva (MI) é uma especialidade que apresenta um déficit de profissionais qualificados com título em MI. Esse déficit se deve principalmente ao significativo aumento de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) nas últimas décadas. No Brasil, menos de 2% dos médicos possuem formação nessa especialidade. A legislação vigente preconiza um médico diarista/rotineiro com título de especialista em MI para cada dez leitos em cada turno. O Estado de Rondônia conta com 183 leitos de UTI e apenas 18 médicos intensivistas, segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Esse quadro coloca em risco a qualidade do serviço em MI, principalmente para o usuário. O presente estudo buscou caracterizar o perfil de formação dos médicos intensivistas que atuam nas UTI dos hospitais da rede pública e privada do Estado de Rondônia. Trata-se de um estudo transversal e quantitativo, com uso de questionário autoaplicável com perguntas sobre condições sociodemográficas e perfil profissional, do qual participaram 93 profissionais. Os resultados mostram que a maior proporção é do sexo masculino, na faixa etária de 30 a 40 anos, com renda mensal acima de dez salários mínimos. Cerca de um terço relatou acúmulo de dois locais de trabalho, e menos de 20% atuam apenas em UTI. A maioria dos participantes atua em UTI pública e privada, e apenas 19,4% possuem especialização em Medicina Intensiva. A participação em eventos científicos foi significativa, mas apenas um em cada cinco participa de projeto de pesquisa, e um em cada quatro publica artigos científicos. O reduzido número de especialistas que atua nas UTI compromete a qualidade dos serviços de assistência prestados aos usuários. Esforços para correção dessa deficiência devem ser estimulados por meio do aumento da oferta de vagas do programa de residência médica local, visando à melhoria na qualidade da gestão e dos profissionais médicos que atuam nessas UTI.

Perfil dos Principais Autores da Revista Brasileira de Educação Médica entre 2006 e 2015: Perspectivas para um Novo Futuro?

PID: S1981-52712017000300442 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Hamamoto Filho Caramori
RESUMO As mudanças sociais pelas quais o Brasil passou nos últimos anos foram acompanhadas de mudanças na formação médica, que passa a ser, ela própria, objeto de pesquisa. De fato, as iniciativas de incentivo à formação de profissionais para atuação no ensino em saúde têm aumentado a produção científica na educação médica. Para compreender este campo de pesquisa, é importante conhecer o perfil de seus pesquisadores. No Brasil, um indicativo deste perfil poderia ser inferido com base nas características dos principais autores de artigos publicados no periódico especializado da área, a Revista Brasileira de Educação Médica (RBEM), na última década. Assim, para compreender a educação médica enquanto campo de pesquisa, realizamos um estudo bibliométrico para caracterizar o perfil dos principais autores da RBEM no período de 2006 a 2015. Foram identificados todos os autores de comunicações científicas publicadas na RBEM, incluindo para análise aqueles com pelo menos cinco publicações na revista no período. Suas informações profissionais foram extraídas de seus currículos publicados na Plataforma Lattes. Os dados foram analisados de forma descritiva. Foram identificados 2.191 autores, tendo-se analisado 39. Entre os autores analisados, 64,1% são médicos, e outros são psicólogos, pedagogos, enfermeiros e cientistas sociais. A maioria (71,8%) concluiu a graduação entre 1970 e 1989. Quase 90% dos autores têm doutorado, sendo que 46,2% concluíram o doutorado na década de 2000; 41% dos autores realizaram algum curso de especialização em ensino, principalmente nas décadas de 1990 e 2000; 76,9% dos autores estão no Sudeste, com 48,7% em São Paulo. O intervalo médio entre a publicação do primeiro artigo científico e o primeiro artigo em educação médica foi de mais de 22 anos entre os formados na década de 1970, enquanto para os formados na década de 1990 esse intervalo foi de 8,5 anos. Comparando os dados obtidos com referenciais bibliométricos e com uma perspectiva histórico-fatual da educação médica no Brasil, apontamos a consolidação da educação médica como campo de pesquisa, com a profissionalização específica crescente de seus investigadores.
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