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Perfil e Trajetória Profissional dos Egressos da Residência em Medicina de Família e Comunidade do Estado de São Paulo

PID: S1981-52712017000400604 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Rodrigues Forster Santos Ferreira Falk Fabbro
RESUMO O objetivo do estudo foi caracterizar o perfil e a trajetória profissional dos egressos dos Programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade do Estado de São Paulo. Métodos: Estudo descritivo, transversal, de abordagem quantitativa, que caracterizou o perfil dos 129 médicos residentes egressos de 17 Programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade (PRMFC) do Estado de São Paulo que finalizaram a residência entre 2000 e 2009. Resultados: Dos 234 residentes, (129) 55,1% responderam ao questionário da pesquisa. A maioria (96,9%) era brasileira, natural do Estado de São Paulo (71,2%); 58,1% eram mulheres; 88,4% referiram ter até 39 anos; 89,1% moravam em grandes centros urbanos, tendendo a se fixar mais no Estado de São Paulo (80,0%), onde realizaram a residência médica. Os médicos atuavam na área de Medicina de Família e Comunidade (74,0%), 49,6% ligados à Estratégia Saúde da Família. A permanência na área foi mais favorável entre aqueles que, ao terminarem a graduação, desejavam ser médicos de família (77,6%) em relação aos que não o desejavam (63,6%). Quase a metade dos egressos informou ter dois ou três postos de trabalho e 99,2% continuaram sua formação acadêmica após o término da residência. Observou-se interesse na docência por 48,1% dos entrevistados, que referiram atuar no ensino de graduação e pós-graduação stricto e lato sensu, como programas de residência médica, enquanto um terço referiu atividades de pesquisa. Conclusão: O entendimento mais aprofundado de quem são e de onde se encontram os profissionais preparados para atuar na Atenção Primária à Saúde pode contribuir para a construção da identidade dos médicos de família e, consequentemente, para o fortalecimento dessa especialidade médica. Os resultados do estudo apontaram uma perspectiva favorável da especialidade Medicina Geral de Família e Comunidade no Estado de São Paulo, que não pode ser generalizada para a realidade de um sistema de saúde tão desigual no País, mesmo considerando as melhorias promovidas pelas recentes medidas de regulação da gestão do SUS. A literatura consultada e comentada possibilita ver a potencialidade no campo da formação dos especialistas, mas a graduação tem uma latência maior para mostrar a efetividade dessas alterações.

Prevalência e Fatores Associados ao Consumo de Álcool e Tabaco entre Estudantes de Medicina no Nordeste do Brasil

PID: S1981-52712017000200231 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Pinheiro Torres Bezerra Cavalcante Alencar Donato Campêlo Gomes Alencar Cavalcanti
RESUMO Introdução O consumo de derivados de tabaco e álcool é apontado como importante causa de doenças e agravos no mundo. No Brasil, há um aumento no consumo dessas drogas entre os jovens, principalmente estudantes universitários. Objetivo Conhecer a prevalência e os fatores associados ao tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas entre estudantes de Medicina, além do nível de conhecimento acerca das técnicas de cessação do hábito tabagista em diferentes momentos da vida acadêmica. Métodos Estudo analítico, de prevalência, envolvendo estudantes de Medicina de Fortaleza, Ceará, Brasil. Foram selecionadas todas as escolas médicas e os estudantes do primeiro ano (S1/S2), quarto ano (S7/S8) e aqueles do último ano do internato (I3/I4). A amostra foi calculada considerando uma frequência esperada de 10% de pessoas fumantes, com um erro de 3%, estimando 726 estudantes das quatro instituições. Foi aplicado um questionário estruturado, com 46 perguntas. Os dados foram analisados pelo software Stata 11.2. Resultados Foram entrevistados 1.035 estudantes, distribuídos proporcionalmente nos três períodos, 392 (37,9%) do primeiro ano (S1-S2), 319 (30,8%) do quarto ano (S7-S8) e 324 (31,3%) do internato (I3-I4). Quinhentos e cinquenta e três (53,4%) eram do sexo feminino, a maioria era solteira (993; 96,3%), nascidos em Fortaleza (748; 72,4%), residiam com os pais (896; 86,8%) e com renda familiar acima de dez salários mínimos (652; 61,8%). Ao todo, 533 (51,5%) eram alunos de instituições particulares. Do total, 254 (24,6%) já haviam fumado. Esse consumo foi significativamente maior entre o sexo masculino (p = 0,025), sem diferença em relação ao estado civil (p = 0,247) ou renda familiar (p = 0,191). Todos os acadêmicos que experimentaram alguma substância derivada do tabaco já haviam ingerido bebida alcoólica alguma vez na vida (p < 0,000). O consumo de álcool foi referido por mais de 80% dos estudantes, sendo maior entre aqueles cuja família apresentou renda superior a nove salários mínimos (p = 0,001). Houve relato de embriaguez em mais de 70% dos estudantes, tendo esse fato ocorrido antes dos 18 anos. Cerveja e vodca são as bebidas mais consumidas. Apenas 39,5% afirmaram estar aptos a aconselhar um paciente a não ingerir bebidas alcoólicas e apenas 28,4% receberam algum treinamento sobre o assunto em sua universidade. Conclusão A prevalência do consumo de álcool é muito elevada entre os estudantes de Medicina, principalmente entre aqueles que relataram fumar. Esses temas são abordados de forma incipiente em sua formação. É preciso reforçar esses aspectos na formação desses futuros profissionais de saúde.

Profissionalismo Médico: Efeito da Diversidade Sociodemográfica e da Organização Curricular no Desempenho Atitudinal dos Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712017000400594 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Santos Laros Trindade Ribeiro Junior Silva Ribeiro
RESUMO Introdução: A diversidade socioeconômica e demográfica no ambiente educacional e o desenvolvimento de attitudes profissionais estão associados ao aumento na qualidade da assistência em saúde. Apesar da importância dessa diversidade para a equidade e acessibilidade ao sistema de saúde, sua repercussão no aprendizado atitudinal dos estudantes em nosso meio ainda é muito pouco estudada e avaliada. Objetivo: Avaliar a influência das diferenças demográficas, sociais e económicas e da organização curricular no desempenho atitudinal de estudantes de graduação em Medicina em diferentes fases do curso. Método: Em 2012, o desempenho atitudinal de 310 estudantes de Medicina foi avaliado mediante a aplicação de uma escala de atitudes profissionais de cinco pontos. Os participantes eram de diferentes séries do curso de graduação em Medicina de uma escola pública de Medicina de Brasília (DF). A escala de atitudes utilizada era composta por seis fatores — Comunicação; Ética; Excelência Profissional; Autoavaliação; Crenças; Determinantes Sociais; e um fator geral chamado Profissionalismo Médico — e foi validada para as finalidades desta pesquisa. O coeficiente de fidedignidade (a de Cronbach) para as diferentes dimensões da escala variou de 0,65 a 0,87. A diversidade dos estudantes foi avaliada de acordo com gênero, idade, religião, sistema de ingresso no curso (cotistas sociais/não cotistas) e condições socioeconómicas. Resultados: Os autores observaram um declínio nos escores médios de atitude em várias dimensões da escala durante a fase clínica, comparada à fase pré-clínica do currículo. Estudantes do gênero feminino obtiveram escores de atitudes mais positivos do que os do gênero masculino. Estudantes que declararam ter uma religião tiveram melhores escores do que os que se declararam ateus, agnósticos ou sem religião. Não houve correlação entre idade, estado civil e renda familiar e o desempenho atitudinal medido pela escala. Estudantes que ingressaram no curso pelo sistema de cotas expressaram maior interesse em trabalhar no sistema público de saúde. Conclusões: Houve um declínio do escore de atitude dos estudantes de Medicina com a progressão do curso. Estudantes do gênero feminino apresentaram escores de atitudes mais positivos que os do gênero masculino. Filiação religiosa parece influenciar positivamente o desempenho atitudinal dos estudantes.

Qualificação como Médico Preceptor e a Satisfação de Seus Clientes quanto à Assistência Recebida na UBS de Origem

PID: S1981-52712017000100145 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Lopes Bicudo Zanolli
RESUMO Conclusão As diretrizes curriculares propõem um perfil desejado para o médico formado, adequando o currículo às necessidades da população, com abordagem integral do indivíduo. Os profissionais da área da saúde frequentemente participam da integração ensino-serviço como preceptores. O curso de Medicina da Universidade Estadual de Campinas, em 2001, reformulou seu currículo para uma abordagem ampliada de cenários de aprendizagem, levando seus estudantes também para o ambiente em que residem seus clientes e trabalhando com a perspectiva de promover saúde. Em 2004, teve início a disciplina Atenção Integral à Saúde, em parceria com a Prefeitura Municipal de Campinas (SP), para que médicos das áreas de Pediatria, Clínica Médica e Ginecologia que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS) utilizassem quatro horas de sua carga horária para supervisão de estudantes no sétimo e oitavo semestres do curso de Medicina, em conjunto com docentes da universidade. O objetivo deste estudo foi avaliar a satisfação do cliente atendido na UBS por médicos que atuam como preceptores e conhecer se estes profissionais relacionam a preceptoria com sua qualificação. De 22 preceptores, 20 aceitaram responder a uma entrevista semiestruturada sobre como se atualizam para a supervisão dos estudantes do quarto ano de Medicina da Unicamp e se, por estarem vinculados à universidade, passam por educação médica permanente, refletindo-se em um atendimento integral a seus clientes, sendo a preceptoria um instrumento para qualificar sua atuação profissional. Seus clientes foram entrevistados com um questionário fechado utilizando Smilles (emotions) para classificar o preceptor nos itens: qualidade do atendimento médico, valorização da queixa, tempo da consulta, resolutividade da consulta, confiança e aderência à orientação, e percepção geral sobre o atendimento médico. Mais de 90% dos clientes atendidos pelos preceptores apresentam satisfação quanto à assistência recebida e 80% dos médicos entrevistados relacionam a preceptoria como um instrumento para qualificar sua atividade profissional.

Raciocínio Clínico de Estudantes de Medicina no Ciclo Básico

PID: S1981-52712017000100044 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Bregagnollo Lopes Barbosa Stamm
RESUMO Introdução As estratégias de raciocínio clínico têm como fundamento teórico os modelos hipotético-dedutivo e indutivo. O primeiro se baseia na geração de hipóteses a partir do conhecimento acerca das patologias, e o segundo, em generalizações com base nos dados do caso ou reconhecimento de padrão. O pensamento de um médico ou estudante pode ser avaliado por meio da técnica think aloud (TTA). Objetivos Identificar as estratégias de raciocínio clínico e a organização e conteúdo do conhecimento de acadêmicos de Medicina na resolução de um caso clínico protótipo em Clínica Médica por meio da aplicação da TTA. Método Estudo qualitativo realizado com estudantes de graduação em Medicina no final do ciclo básico em uma universidade pública brasileira ao longo de 2014. A partir da teoria dos protótipos e da percepção de 41 alunos sobre sinais, sintomas, síndromes e doenças típicas na Clínica Médica, construiu-se um caso clínico. A TTA foi aplicada individualmente a 30 estudantes, sorteados da amostra inicial, para obter a gravação em áudio da verbalização do processo de raciocínio frente ao caso apresentado. A transcrição das falas permitiu avaliar os textos por análise de conteúdo e identificar os processos de interpretação e combinação, bem como categorizar as estratégias de raciocínio. Foram ainda identificados os eixos semânticos, que foram classificados nas categorias de sintomas, sinais, síndromes, doenças, dados factuais e processos. Resultados Foram elaboradas 105 hipóteses diagnósticas principais (HDP), de 12 tipos distintos, identificadas como primárias, e 12 como secundárias, com média de 3,5 hipóteses principais por aluno. Na elaboração das HDP, predominou a estratégia Esquema-Indutivo (E-I) = 42,3%, seguida pelo Reconhecimento de Padrão (R-P) = 21,2%, Mista E-I (15,4%), Mista R-P (10,6%) e Hipotético-Dedutiva (10,6%). Quanto a organização e conteúdo do conhecimento, houve média de 12,9 eixos semânticos por aluno, 20,9 processos de interpretação e 6,8 de combinação. Conclusões A estratégia de raciocínio indutiva é predominante na elaboração de HDP entre acadêmicos de Medicina no final do ciclo básico. Os alunos apresentam uma rede semântica sólida e habilidade nos processos de interpretação, mas reduzida capacidade de associação quando comparados a médicos experientes.

Role-Play Precedido por Trabalho de Campo para o Ensino de Farmacologia: da “Seiva Bruta” à “Seiva Elaborada”

PID: S1981-52712017000300372 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Gotardelo Bollela Souza Barros Balbino Ballester
RESUMO Introdução: A tarefa de ensinar habilidades, atitudes e conhecimentos, às vezes complexos, relativos ao uso seguro e efetivo de medicamentos representa hoje um grande desafio para as escolas médicas, motivo por que o ordenamento de prescritores que promovam o uso racional de medicamentos em nível de graduação assume importante papel na formação profissional, impactando diretamente o cuidado à saúde da população. Nesse contexto, a implementação de métodos de ensino que permitam uma formação ativa, crítica e reflexiva dos estudantes é desejável, a fim de que estes desenvolvam competências para manejar as principais classes farmacológicas utilizadas pelo médico generalista. Objetivo: Descrever e analisar o role-play precedido por trabalho de campo como estratégia pedagógica para o ensino de Farmacologia Clínica no curso médico. Métodos: Após trabalho de campo sobre a utilização das principais classes farmacológicas utilizadas na Atenção Primária em Saúde, grupos de cinco a seis estudantes prepararam e encenaram roteiros envolvendo aspectos práticos de farmacocinética, farmacodinâmica, efeitos adversos e potenciais interações medicamentosas relativas aos medicamentos utilizados. A intervenção foi avaliada por meio das respostas dos estudantes a questionários acoplados a escalas Likert, ao Dundee Ready Education Environment Measure (DREMM) e a entrevista semiestruturada. Verificou-se a correlação entre a participação na prática de ensino e o desempenho em questões de múltipla escolha na avaliação final do curso. Resultados: Todos os estudantes se sentiram envolvidos e motivados para a atividade. Concordaram fortemente 78,5% e concordaram parcialmente 19% em que o método permitiu a reflexão sobre conhecimentos, habilidades e atitudes importantes para a prática profissional no tocante à prescrição terapêutica racional. O DREEM revelou escore de 129,23, compatível com um ambiente de aprendizagem mais positivo do que negativo, numa amostra confiável (alfa de Cronbach = 0,86). A análise das entrevistas abertas permitiu inferir que os estudantes consideraram o método eficiente, dinâmico, divertido e prazeroso, possibilitando maior compreensão e fixação do conteúdo. A estratégia foi considerada estimuladora para a realização de atividades em grupo, participação ativa, além de possibilitar o contato com a futura realidade profissional. As principais fragilidades apontadas foram o envolvimento desigual de componentes de alguns grupos e o significativo tempo despendido na preparação das atividades. Os estudantes que participaram da intervenção tiveram desempenho na avaliação final da disciplina, em média, superior aos que não participaram, mas sem diferença estatisticamente significativa. Conclusão: O role-play precedido por trabalho de campo demonstrou ser uma estratégia pedagógica promissora, promovendo aprendizagem ativa e significativa em Farmacologia, com possibilidade de utilização em outras ciências básicas.

Role-Play Precedido por Trabalho de Campo para o Ensino de Farmacologia: da “Seiva Bruta” à “Seiva Elaborada”

PID: S1981-52712017000400533 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Gotardelo Bóllela Souza Barros Balbino Ballester
RESUMO Introdução: A tarefa de ensinar habilidades, atitudes e conhecimentos, às vezes complexos, relativos ao uso seguro e efetivo de medicamentos representa hoje um grande desafio para as escolas médicas, motivo por que o ordenamento de prescritores que promovam o uso racional de medicamentos em nível de graduação assume importante papel na formação profissional, impactando diretamente o cuidado à saúde da população. Nesse contexto, a implementação de métodos de ensino que permitam uma formação ativa, crítica e reflexiva dos estudantes é desejável, a fim de que estes desenvolvam competências para manejar as principais classes farmacológicas utilizadas pelo médico generalista. Objetivo: Descrever e analisar o role-play precedido por trabalho de campo como estratégia pedagógica para o ensino de Farmacologia Clínica no curso médico. Métodos: Após trabalho de campo sobre a utilização das principais classes farmacológicas utilizadas na Atenção Primária em Saúde, grupos de cinco a seis estudantes prepararam e encenaram roteiros envolvendo aspectos práticos de farmacocinética, farmacodinâmica, efeitos adversos e potenciais interações medicamentosas relativas aos medicamentos utilizados. A intervenção foi avaliada por meio das respostas dos estudantes a questionários acoplados a escalas Likert, ao Dundee Ready Education Environment Measure (DREMM) e a entrevista semiestruturada. Verificou-se a correlação entre a participação na prática de ensino e o desempenho em questões de múltipla escolha na avaliação final do curso. Resultados: Todos os estudantes se sentiram envolvidos e motivados para a atividade. Concordaram fortemente 78,5% e concordaram parcialmente 19% em que o método permitiu a reflexão sobre conhecimentos, habilidades e atitudes importantes para a prática profissional no tocante à prescrição terapêutica racional. O DREEM revelou escore de 129,23, compatível com um ambiente de aprendizagem mais positivo do que negativo, numa amostra confiável (alfa de Cronbach = 0,86). A análise das entrevistas abertas permitiu inferir que os estudantes consideraram o método eficiente, dinâmico, divertido e prazeroso, possibilitando maior compreensão e fixação do conteúdo. A estratégia foi considerada estimuladora para a realização de atividades em grupo, participação ativa, além de possibilitar o contato com a futura realidade profissional. As principais fragilidades apontadas foram o envolvimento desigual de componentes de alguns grupos e o significativo tempo despendido na preparação das atividades. Os estudantes que participaram da intervenção tiveram desempenho na avaliação final da disciplina, em média, superior aos que não participaram, mas sem diferença estatisticamente significativa. Conclusão: O role-play precedido por trabalho de campo demonstrou ser uma estratégia pedagógica promissora, promovendo aprendizagem ativa e significativa em Farmacologia, com possibilidade de utilização em outras ciências básicas.

Simulação Médica no Ensino Universitário de Pediatria

PID: S1981-52712017000100086 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Macieira Teixeira Saraiva
RESUMO Objetivos Demonstrar as vantagens do uso de manequins simuladores no ensino prático médico, em particular pediátrico, e estudar os diferentes tipos de manequins/modelos existentes, especificidades e utilização própria de cada um deles. Métodos A formação médica baseada na transmissão teórica de conhecimentos e com aprendizagem clínica praticada em doentes reais não é viável atualmente, pois depende da oportunidade e disponibilidade dos doentes em determinado momento. Hoje em dia, a Medicina recorre a modelos de simulação médica, permitindo o desenvolvimento da proficiência necessária à execução de determinado procedimento. A simulação médica proporciona diversas vantagens: não requer doentes reais e disponíveis, possibilita repetição da técnica com correção de erros, aumenta o nível de confiança do aluno em suas capacidades e não oferece risco ao doente. Desde 2009, o ensino de Pediatria no Estágio de Saúde Infantil dos alunos do sexto ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade de Medicina de Coimbra contempla aulas práticas com modelos, onde os alunos treinam técnicas como: intubação pediátrica, manobra de Ortolani, punção venosa em membros superiores, punção lombar, intubação orotraqueal, auscultação do murmúrio vesicular, punção venosa, avaliação da fontanela normotensa e da hipertensão da fontanela. Esta componente prática de ensino estimula e agrada aos alunos, que todos os anos a elegem como uma das preferidas do Estágio de Saúde Infantil no âmbito do Mestrado Integrado. Resultados Aquisição de conhecimentos e prática de técnicas médicas, invasivas e não invasivas, por parte dos alunos, recorrendo a modelos de simulação médica pediátricos, nomeadamente: intubação pediátrica, manobra de Ortolani, punção venosa em membros superiores, punção lombar, intubação orotraqueal, auscultação do murmúrio vesicular, punção venosa, avaliação da fontanela normotensa e da hipertensão da fontanela. Feita a avaliação destas mesmas aulas pelos alunos por meio de questionário de preferências, ficou claro que esta é uma das aulas preferidas dos alunos do sexto ano de Medicina em Estágio de Saúde Infantil do Mestrado Integrado em Medicina. Conclusões Foi possível aos alunos desenvolver competências na realização de procedimentos médicos, com uma avaliação muito positiva pelos estudantes do Estágio em Saúde Infantil do Mestrado Integrado em Medicina.

Supervisão Docente Indireta: Percepções das Pacientes em Ambulatórios de Obstetrícia e Pediatria

PID: S1981-52712017000100004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Braga Figueiró Filho Santos Gheller Shinzato Simonetti
RESUMO Objetivo Conhecer a percepção das pacientes sobre a consulta realizada por estudante de Medicina com supervisão docente indireta. Método Pesquisa observacional realizada com 95 gestantes do ambulatório de gestação de alto risco e 40 mães de prematuros do ambulatório de follow-up, atendidas por estudantes do quinto ou sexto ano. Utilizaram-se dois questionários semiestruturados, antes da consulta (pré-teste) e após a consulta (pós-teste), com questões objetivas e descritivas. Os dados quantitativos foram analisados em tabela de contingência, e a análise estatística foi realizada por meio do Teste Exato de Fisher. Resultados A pesquisa mostrou mudança de atitude das gestantes e das mães de prematuros na comparação entre antes e depois do atendimento da consulta pelo estudante de Medicina sob supervisão indireta, quanto ao sentimento de conforto ao ser consultada e examinada pelo estudante de Medicina e também quanto à confiança na conduta repassada pelo estudante. A análise descritiva das palavras citadas pelas gestantes antes das consultas apontou ansiedade e, depois da consulta, calma e satisfação. Já para as mães de prematuros antes da consulta, apontou preocupação, insegurança e ansiedade. Após a consulta, as palavras predominantes foram satisfação, confiança e tranquilidade. Conclusão Este estudo demonstrou mudança positiva na percepção das pacientes de ambulatório de Obstetrícia de alto risco e Pediatria atendidas com supervisão docente indireta. As pacientes também reconheceram que este modelo de atendimento médico é importante para os estudantes de Medicina como parte de sua formação.

Tempo de Graduação em Medicina: uma Estimativa em 15 Coortes de Graduados na Universidade Agostinho Neto, Angola

PID: S1981-52712017000400615 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Magalhães Gomes Nicolau
RESUMO O tempo de conclusão do curso de graduação em Medicina está bem estabelecido nos programas de formação das escolas médicas em todo o mundo. Entretanto, nem todos os estudantes concluem o curso no tempo esperado, o que pode resultar numa baixa taxa de graduação. Contudo, uma análise isolada da taxa de graduação não permite prever com precisão a magnitude de custos de formação se não levar em conta o tempo médio de conclusão da formação, particularmente para a Medicina, que exige avultados recursos e cujo tempo de formação é o mais longo. O objetivo do estudo foi determinar o tempo médio de permanência no curso, assim como a proporção de estudantes que se gradua no tempo esperado de conclusão do curso. Foi feita uma análise retrospectiva dos dados de 15 coortes de estudantes graduados pela Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto (FMUAN), em Angola, no período de 2001 a 2015. Os dados foram recolhidos do arquivo acadêmico da FMUAN. Do total de 1.259 graduados, 59,7% eram mulheres, e a média de idade na conclusão do curso foi de 35 ± 7 anos. A taxa média de admissão ao curso foi de 6,8%, e foram graduados, em média, 88 médicos por ano, sendo 36 homens e 52 mulheres. A taxa de graduação foi de 82,2%, sendo que os estudantes demoraram, em média,dez anos para concluir o curso, e apenas 24,2% concluíram o curso no tempo esperado de seis anos. Os resultados sugerem que, apesar de ter havido uma elevada taxa de graduação, poucos concluem o curso no tempo regulamentar, realçando a importância de identificar as causas da estadia prolongada de estudantes no curso, o que pode ter implicação na gestão acadêmica e na planificação de recursos humanos de saúde. A taxa de graduados no tempo ideal, combinada com a taxa de graduação, pode ser um indicador de eficiência e um instrumento de apoio na gestão do sistema de educação médica.

Tradução, Adaptação, Validação e Avaliação para Uso no Brasil de um Instrumento Britânico de Auxílio à Escolha da Especialidade Médica

PID: S1981-52712017000300379 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Caires Goldberger Colares Grant Gale Troncon
RESUMO O objetivo deste estudo foi traduzir, validar e avaliar um instrumento britânico de auxílio à escolha da especialidade médica. Esse instrumento processa as respostas a 130 questões e fornece uma classificação de 59 especialidades médicas, em ordem decrescente de recomendação, em função do ajuste do perfil do candidato às características das especialidades. As dez primeiras recomendações são consideradas positivas, e as dez últimas, negativas. A tradução e a adaptação semântica seguiram os passos técnicos recomendados para esse tipo de trabalho, resultando no instrumento em português denominado SCIB (Special Choice Inventory - Brasil). A melhor versão das questões traduzidas foi escolhida. Em seguida, o instrumento foi aplicado a 120 médicos brasileiros (85 médicos especialistas e 35 médicos residentes), representando 38 diferentes especialidades. Foi também aplicado a 79 estudantes dos dois últimos anos do curso de graduação em Medicina. Os participantes da amostra de médicos responderam a um questionário no qual indicavam duas outras especialidades que cogitariam exercer além da atual, bem como outras três que dificilmente exerceriam. O instrumento foi considerado adequado ou muito adequado à realidade brasileira por 85,8% (103/120) dos médicos e por 73,4% (58/79) dos estudantes. Entre estes últimos, 60,8% (48/79) consideraram a escala útil ou muito útil. Os resultados da aplicação do SCIB permitiram verificar que a concordância global das recomendações positivas do instrumento foi de 67,5% (81/120) com a especialidade atualmente exercida e de 72,5% (87/120) com as especialidades que os participantes cogitaram exercer. A concordância entre as recomendações negativas da escala e as especialidades que os médicos dificilmente exerceriam foi de 87,5% (105/120). Os dados das etapas de tradução e adaptação do instrumento original trouxeram elementos para a validação de face, de conteúdo e semântica do instrumento. As respostas dos 120 médicos e os dados da reaplicação da escala a 40 deles permitiram verificar que o SCIB tem homogeneidade, consistência interna e reprodutibilidade satisfatórias. Em conclusão, a tradução e a adaptação de uma escala britânica de auxílio à escolha da especialidade médica no Brasil foram bem-sucedidas. O instrumento resultante teve desempenho muito satisfatório quando aplicado a médicos especialistas e residentes. O SCIB deve, então, constituir uma promissora ferramenta de apoio na escolha da especialidade médica, além de poder ser utilizado na investigação científica nessa área.

Tradução, Adaptação, Validação e Avaliação para Uso no Brasil de um Instrumento Britânico de Auxílio à Escolha da Especialidade Médica

PID: S1981-52712017000400540 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Caires Goldberger Colares Gale Grant Troncon
RESUMO O objetivo deste estudo foi traduzir, validar e avaliar um instrumento britânico de auxílio à escolha da especialidade médica. Esse instrumento processa as respostas a 130 questões e fornece uma classificação de 59 especialidades médicas, em ordem decrescente de recomendação, em função do ajuste do perfil do candidato às características das especialidades. As dez primeiras recomendações são consideradas positivas, e as dez últimas, negativas. A tradução e a adaptação semântica seguiram os passos técnicos recomendados para esse tipo de trabalho, resultando no instrumento em português denominado SCIB (Specialty Choice Inventory – Brasil). A melhor versão das questões traduzidas foi escolhida. Em seguida, o instrumento foi aplicado a 120 médicos brasileiros (85 médicos especialistas e 35 médicos residentes), representando 38 diferentes especialidades. Foi também aplicado a 79 estudantes dos dois últimos anos do curso de graduação em Medicina. Os participantes da amostra de médicos responderam a um questionário no qual indicavam duas outras especialidades que cogitariam exercer além da atual, bem como outras três que dificilmente exerceriam. O instrumento foi considerado adequado ou muito adequado à realidade brasileira por 85,8% (103/120) dos médicos e por 73,4% (58/79) dos estudantes. Entre estes últimos, 60,8% (48/79) consideraram a escala útil ou muito útil. Os resultados da aplicação do SCIB permitiram verificar que a concordância global das recomendações positivas do instrumento foi de 67,5% (81/120) com a especialidade atualmente exercida e de 72,5% (87/120) com as especialidades que os participantes cogitaram exercer. A concordância entre as recomendações negativas da escala e as especialidades que os médicos dificilmente exerceriam foi de 87,5% (105/120). Os dados das etapas de tradução e adaptação do instrumento original trouxeram elementos para a validação de face, de conteúdo e semântica do instrumento. As respostas dos 120 médicos e os dados da reaplicação da escala a 40 deles permitiram verificar que o SCIB tem homogeneidade, consistência interna e reprodutibilidade satisfatórias. Em conclusão, a tradução e a adaptação de uma escala britânica de auxílio à escolha da especialidade médica no Brasil foram bem-sucedidas. O instrumento resultante teve desempenho muito satisfatório quando aplicado a médicos especialistas e residentes. O SCIB deve, então, constituir uma promissora ferramenta de apoio na escolha da especialidade médica, além de poder ser utilizado na investigação científica nessa área.

Ética e Profissionalismo nas Redes Sociais: Comportamentos On-Line de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712017000400564 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Souza Lorena Ferreira Amorim Peter
RESUMO Novo tipo de relação entre médicos e pacientes vem surgindo após a expansão e abrangência das redes sociais. Assim, é necessário rever aspectos da formação de estudantes de Medicina, além de avaliar os benefícios e riscos da utilização dessas redes, no intuito de preservar a confiança e cumplicidade na relação médico-paciente. Objetivos: Descrever o comportamento on-line de estudantes de Medicina, bem como suas opiniões sobre o uso de redes sociais, além de conhecer aspectos da formação médica sobre ética e profissionalismo. Métodos: Estudo transversal realizado em hospitais de ensino de três escolas médicas em Recife (PE)entre 2015 e 2016. Um questionário autoaplicável elaborado pelos pesquisadores foi respondido por 260 estudantes de Medicina dos dois últimos anos do curso (internato). Ao mesmo tempo, os planos de ensino de cada instituição foram analisados separadamente. Os dados obtidos foram analisados por meio dos testes estatísticos: Qui-Quadrado de Pearson, teste Exato de Fisher, Kruskal-Wallis e McNemar. Para a parte do questionário do tipo escala Likert foi calculado o ranking médio das respostas dos participantes, assim como o Alpha de Cronbach. O projeto foi submetido à apreciação ética com posterior aprovação e todos os participantes concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: Entre os estudantes, 41,5% (108) afirmaram ter postado fotos ou videos mostrando consumo de bebidas alcoólicas ou cigarro e 32,3% (84) postaram fotos ou videos com pacientes em rede social. Foi observada diferença estatisticamente significativa (p<0,001) entre as instituições pesquisadas quanto à postagem de fotos ou videos com pacientes, uma vez que os estudantes da instituição III relataram menor postagem (14,3% ou 12 participantes). Na análise das respostas dos estudantes das três instituições, foi observada relação de tendência inversa entre “postagem de fotos ou vídeos com pacientes” e “abordagem de profissionalismo on-line na graduação”. Na instituição III, onde menor quantidade de estudantes relatou postagens em rede social com pacientes, maior quantidade deles relatou abordagem de questões sobre profissionalismo on-line na graduação (26,2% ou 22 participantes). Entre os pesquisados, 79% (205) concordaram em que certos conteúdos do perfil pessoal do Facebook do médico podem difamar a reputação deste. Em relação à abordagem de questões sobre profissionalismo on-line na graduação médica, 80,8% (210) dos participantes disseram que não tiveram essa abordagem. Na análise dos planos de ensino, apenas a instituição III apresentou um eixo curricular de desenvolvimento profissional e abordagem teórica formal sobre conceitos de ética durante o internato. Conclusão: Um número expressivo de estudantes pesquisados teve comportamentos contrários ao preconizado pelo Código de Ética Médica, resoluções do Conselho Federal de Medicina e guidelines estrangeiras de comportamento em rede social. É possível que a abordagem do profissionalismo e da ética na formação acadêmica tenha repercussão nos comportamentos de estudantes de Medicina na rede social. Estudos que poderiam estabelecer relação de causa e efeito são necessários para confirmar se há relação entre comportamentos on-line de estudantes e abordagem de ética e profissionalismo na graduação. Por fim, observa-se, nas escolas médicas pesquisadas, escassez da abordagem do tema profissionalismo on-line.

Ética e Profissionalismo nas Redes Sociais: Comportamentos On-Line de Estudantes de Medicina

PID: S1981-52712017000300412 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Souza Lorena Ferreira Amorim Peter
RESUMO Novo tipo de relação entre médicos e pacientes vem surgindo após a expansão e abrangência das redes sociais. Assim, é necessário rever aspectos da formação de estudantes de Medicina, além de avaliar os benefícios e riscos da utilização dessas redes, no intuito de preservar a confiança e cumplicidade na relação médico-paciente. Objetivos: Descrever o comportamento on-line de estudantes de Medicina, bem como suas opiniões sobre o uso de redes sociais, além de conhecer aspectos da formação médica sobre ética e profissionalismo. Métodos: Estudo transversal realizado em hospitais de ensino de três escolas médicas em Recife (PE) entre 2015 e 2016. Um questionário autoaplicável elaborado pelos pesquisadores foi respondido por 260 estudantes de Medicina dos dois últimos anos do curso (internato). Ao mesmo tempo, os planos de ensino de cada instituição foram analisados separadamente. Os dados obtidos foram analisados por meio dos testes estatísticos Qui-Quadrado de Pearson, teste Exato de Fisher, Kruskal-Wallis e McNemar. Para a parte do questionário do tipo escala Likert foi calculado o ranking médio das respostas dos participantes, assim como o Alpha de Cronbach. O projeto foi submetido à apreciação ética com posterior aprovação e todos os participantes concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: Entre os estudantes, 41,5% (108) afirmaram ter postado fotos ou vídeos mostrando consumo de bebidas alcoólicas ou cigarro e 32,3% (84) postaram fotos ou vídeos com pacientes em rede social. Foi observada diferença estatisticamente significativa (p<0,001) entre as instituições pesquisadas quanto à postagem de fotos ou vídeos com pacientes, uma vez que os estudantes da instituição III relataram menor postagem (14,3% ou 12 participantes). Na análise das respostas dos estudantes das três instituições, foi observada relação de tendência inversa entre “postagem de fotos ou vídeos com pacientes” e “abordagem de profissionalismo on-line na graduação”. Na instituição III, onde menor quantidade de estudantes relatou postagens em rede social com pacientes, maior quantidade deles relatou abordagem de questões sobre profissionalismo on-line na graduação (26,2% ou 22 participantes). Entre os pesquisados, 79% (205) concordaram em que certos conteúdos do perfil pessoal do Facebook do médico podem difamar a reputação deste. Em relação à abordagem de questões sobre profissionalismo on-line na graduação médica, 80,8% (210) dos participantes disseram que não tiveram essa abordagem. Na análise dos planos de ensino, apenas a instituição III apresentou um eixo curricular de desenvolvimento profissional e abordagem teórica formal sobre conceitos de ética durante o internato. Conclusão: Um número expressivo de estudantes pesquisados teve comportamentos contrários ao preconizado pelo Código de Ética Médica, resoluções do Conselho Federal de Medicina e guidelines estrangeiras de comportamento em rede social. É possível que a abordagem do profissionalismo e da ética na formação acadêmica tenha repercussão nos comportamentos de estudantes de Medicina na rede social. Estudos que poderiam estabelecer relação de causa e efeito são necessários para confirmar se há relação entre comportamentos on-line de estudantes e abordagem de ética e profissionalismo na graduação. Por fim, observa-se, nas escolas médicas pesquisadas, escassez da abordagem do tema profissionalismo on-line.

“Além da Mama”: o Cenário do Outubro Rosa no Aprendizado da Formação Médica

PID: S1981-52712017000100030 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2017
Autores: Couto Sampaio Santos Almeida Santos Santos Coelho Menezes Correia Medeiros Guzman
RESUMO O câncer de mama pode ser considerado, atualmente, um problema de saúde pública devido a sua crescente incidência e índices de letalidade. Diante disso, o movimento Outubro Rosa visa chamar a atenção da população a respeito dessas neoplasia em mulheres de todo o mundo, de modo que suas ações têm por objetivo comum realizar o diagnóstico precoce no intuito de diminuir a mortalidade em decorrência dessa neoplasia. Dessa forma, o presente artigo objetiva relatar a experiência de acadêmicos do curso de Medicina da Universidade Estadual de Santa Cruz, no Módulo de Práticas de Integração Ensino, Serviço e Comunidade III (Piesc III), numa ação conjunta com a Equipe de Saúde da Família (ESF) de Iguape, em Ilhéus (BA), no contexto do movimento Outubro Rosa, objetivando também compartilhar considerações sobre a formação médica levantadas pelo grupo acerca da vivência descrita. No período, realizou-se abordagem inicial na sala de espera, anamnese dirigida e foi feito o exame físico das mamas das pacientes que compareceram à Unidade de Saúde da Família. A experiência não consistiu apenas em identificar pacientes com suspeita de câncer de mama e quantificar os dados, mas numa oportunidade de exercício da Educação e Comunicação em Saúde e de desenvolvimento da relação médico-paciente. Ainda permitiu aos acadêmicos reconhecer e entender melhor as dificuldades das usuárias em relação à prevenção e promoção da saúde das mamas, sendo que se observou que diversas mulheres não estavam familiarizadas com os temas abordados. O estudante de Medicina precisa compreender que o conhecimento teórico-prático se reconstrói em cada paciente com contexto histórico específico e com diferentes visões e interpretações dos conceitos de saúde e doença. Além disso, o profissional médico deve exercitar, desde a graduação, habilidades que extrapolam o ortodoxo trabalho médico, assumindo também uma postura de multiplicador de cidadania, um agente propagador de direitos e deveres.

A Avaliação Global da Pessoa Idosa como Instrumento de Educação Médica: Relato de Experiência

PID: S1981-52712016000200314 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2016
Autores: Pereira Savassi Santos Barbosa Salomão Ciarlariello Mendes
RESUMO O programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) fomentou a integração ensino-serviço por meio da inserção de alunos de graduação nos cenários de prática, permitindo o desenvolvimento de competências no mundo do trabalho. Este relato analisa a experiência de estudantes de Medicina no “Projeto de Avaliação da Pessoa Idosa”, desenvolvido ao longo do PET-Saúde em dois semestres do curso de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto. A análise situacional de saúde revelou a necessidade de um acompanhamento individualizado ao idoso. Estudantes do segundo e terceiro ano de Medicina foram capacitados a desenvolver a avaliação global de idosos, realizando avaliações domiciliárias de saúde que alcançaram 20% dos idosos da comunidade. As alterações mais prevalentes na população idosa foram avaliadas e analisadas por estatística descritiva, e as conclusões foram encaminhadas à equipe de saúde. O projeto foi relevante para os idosos, com a identificação de fatores de risco de perda de capacidade funcional, para os médicos das equipes de Saúde da Família, devido à identificação de problemas não relatados nas consultas, para os agentes comunitários de saúde, que estreitaram o relacionamento com a população idosa, e para os estudantes, que ampliaram os conhecimentos, entendendo o trabalho em equipe e desenvolvendo competências na área de saúde do idoso.

A Concepção de Estudantes de Fisioterapia que Participam do Ensino Baseado em Problemas sobre o Processo Saúde-Doença

PID: S1981-52712016000400627 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2016
Autores: Hermes Cutolo Maestrelli
RESUMO O objetivo deste ensaio foi investigar a concepção dos docentes e discentes fisioterapeutas que participam do Ensino Baseado em Problemas (PBL) sobre o processo saúde-doença. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa, por meio do estudo de caso numa escola de ensino superior de Fisioterapia em Portugal. A técnica de coleta de dados foi o questionário. Os dados coletados foram analisados pela Análise de Conteúdo. Os resultados mostraram as categorias saúde como ausência de doença, saúde como bem-estar, saúde relacionada aos determinantes sociais e a percepção do sujeito. É possível no PBL uma prática pedagógica em prol de uma formação mais humana e crítica, desde que seja vivenciado enquanto método ativo de ensino nos moldes apontados na literatura.

A Evolução do Interesse do Estudante de Medicina a respeito da Atenção Primária no Decorrer da Graduação

PID: S1981-52712016000400621 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2016
Autores: Campedelli-Lopes Bicudo Antônio
RESUMO As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Medicina de 2001 evidenciaram a necessidade de mudanças na educação médica para a formação desses profissionais. As novas Diretrizes de 2014 vieram reforçar as mudanças para maior integração ensino-serviço. A Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) promoveu uma mudança, inserindo o estudante em atividades de Atenção Primária à Saúde (APS) desde o primeiro ano, incluindo no quarto ano a disciplina Atenção Integral à Saúde, na qual se vivencia a realidade da assistência em Unidades Básicas de Saúde (UBS) durante o ano letivo. Objetivo Avaliar o interesse do estudante em atuar como médico na APS. Método Questionário estruturado enviado ao terceiro, quarto, quinto e sexto anos de Medicina no ano de 2012, antes, durante e após a disciplina. A disciplina Atenção Integral à Saúde foi criada e implementada durante a reforma curricular com a intenção de que os estudantes tivessem uma imersão na APS com responsabilidade e vínculo médico-paciente, atendendo às DCN e formando médicos para as necessidades da população. As outras disciplinas de inserção ensino-serviço que já existiam no internato tiveram adaptações durante a reforma sem transformações. Resultados Observa-se uma mudança no interesse em trabalhar na APS, que passou de 20,9% no terceiro ano de Medicina, dado confirmado por estudos anteriores, para 47% no sexto ano. Foram comparadas e analisadas estatisticamente respostas das turmas vinculadas ao estudo, mostrando que a inserção mais cedo na rede pública com integração ensino-serviço foi efetiva quanto à mudança de intenção de atuar como profissional médico na APS. O cuidado com o ensino nos estágios nas UBS com professores e preceptores, mostrando qualidade e resolutividade no atendimento, pode ter auxiliado nesta mudança nas intenções de atuar futuramente como profissionais na rede municipal de Saúde.

A Pesquisa na Saúde e Suas Limitações: a Questão do Erro Médico

PID: S1981-52712016000100148 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2016
Autores: Mendonça
RESUMO Esse texto mostra a importância de apontar as dificuldades de uma pesquisa com tema tão delicado e ao mesmo tempo relevante para a atualidade. Descrevem-se alguns entraves que o pesquisador pode encontrar ao desenvolver sua pesquisa, reforçando a carência desse tipo de publicação no meio científico e almejando uma impulsão nas discussões sobre dificuldades metodológicas na educação médica.

Abordagem da Violência contra a Mulher no Ensino Médico: um Relato de Experiência

PID: S1981-52712016000300511 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2016
Autores: Machado McLellan Murta-Nascimento Castanheira Almeida
RESUMO Trata-se de um relato de experiência sobre a incorporação do tema da violência contra a mulher no ensino médico. O objetivo do estudo foi descrever as correntes teóricas explicativas da violência contra a mulher e as formas de intervenção apreendidas pelos estudantes. Foram realizados dez encontros semanais com um grupo de 12 estudantes e desenvolvidas as seguintes atividades: (a) leitura de um caso de uma mulher em situação de violência, busca na literatura científica; (b) visitas a serviços de atenção primária à saúde e ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social; (c) sistematização dos dados teóricos e práticos para construção do planejamento estratégico; (d) apresentação das atividades realizadas aos demais grupos de alunos. Ao final do módulo, destacou-se o aprendizado de quatro aspectos importantes das implicações do tema para a saúde das mulheres: (a) influência dos fenômenos socioculturais e psicossociais no processo saúde-doença; (b) importância da integralidade no atendimento; (c) a estratégia de saúde da família como facilitadora na detecção e acompanhamento dos casos; (d) violência contra a mulher como um problema de saúde pública pertinente na formação médica.
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