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Atitudes diante da morte e espiritualidade em estudantes de Medicina: um ensaio educacional

PID: S1981-52712024000200208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Santos Costa Santos Melo Ferreira
RESUMO Introdução: Apesar de ser parte essencial do cuidado, os profissionais de saúde não recebem, durante a formação, o preparo adequado para que possam lidar com os sentimentos consequentes da morte de um paciente, o que pode gerar impactos negativos no bem-estar deles. Por conta disso, é imprescindível realizar uma reflexão sobre essa temática. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar as atitudes dos estudantes de Medicina acerca do processo de morte e o índice de espiritualidade antes e depois da vivência do módulo “Saúde do Idoso, Envelhecimento e Terminalidade da Vida”, dirigido aos alunos do oitavo período da Faculdade Pernambucana de Saúde, em 2021. Método: Realizou-se um ensaio educacional, do tipo antes e depois, analítico, baseado na abordagem da morte e do processo de morrer por meio do referido módulo. Os participantes responderam a um questionário contendo as variáveis de interesse e instrumentos validados (Perfil de atitudes frente à morte - Revisado (DAP-R) e Spirituality Self Rating Scale - SSRS). Para análise estatística, adotou-se o teste do qui-quadrado, considerando o valor de p < 0,05. Resultado: Não houve mudança significativa da atitude diante da morte antes e depois do módulo (p = 0,236), destacando-se predominância de atitudes negativas (p = 0,775), em especial evitamento da morte, nos dois momentos do estudo. Entre os estudantes com espiritualidade alta, atitudes negativas também foram mais prevalentes, sem diferença significativa nos períodos pré e pós-módulo. Conclusão: A ausência de mudanças de atitude corrobora a hipótese de que a atual abordagem acerca dessa temática não é suficiente para que os estudantes desenvolvam atitudes adaptativas necessárias para lidar com a morte no âmbito profissional.

Avaliando a implementação da residência em medicina de família e comunidade na atenção primária

PID: S1981-52712024000300206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Ribeiro Cyrino Pazin-Filho
RESUMO Introdução: A medicina de família e comunidade (MFC) é a especialidade preferencial para estar presente na atenção primária à saúde (APS). O padrão ouro de formação de profissionais para a especialidade é a residência médica, momento que ao menos 70% do período de estágio é na APS. Assim, é imprescindível avaliar a qualidade de inserção da residência nesse local. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de implementação dos programas de residência médica em MFC na APS. Método: Utilizou-se uma ferramenta desenvolvida para a análise de implementação de residência de MFC na APS em programas pequenos (até dois residentes do segundo ano), médios (de dois a cinco) e grandes (a partir de seis), avaliando de zero a quatro pontos, entre não implantado e totalmente implantado. As notas foram obtidas a partir de entrevista com residentes, preceptores, coordenadores e gestores municipais, considerando a avaliação de quarta geração com análise de Bardin das falas. Resultado: Seis programas foram avaliados, em municípios de 20 mil a 12 milhões de habitantes, com variação de um a 22 residentes do segundo ano por programa, desde insatisfatório (um programa) a totalmente implantado (dois programas). Municípios com maior cobertura de APS apresentaram resultados de implementação melhores. As notas mais baixas foram nos itens “educação permanente” e “educação continuada”, e as mais altas na presença de especialistas em MFC como preceptores. Há diferença de percepção entre os entrevistados considerando as mesmas perguntas. O estudo sugere que municípios com maior investimento na APS também possuem melhores programas de residência, independentemente de o vínculo ser com centros educacionais ou secretarias de saúde. A pandemia de Sars-CoV-2 também dificultou a educação em saúde. Os resultados também foram definidores quando entrevistadas diferentes pessoas, demonstrando ser essencial a análise de quarta geração. Conclusão: Há a necessidade de observar a implementação dos programas de residência na APS para garantir formação de qualidade, e não apenas quantidade para provimento.

Avaliação da participação das mulheres brasileiras no CNPQ na área de pesquisa médica

PID: S1981-52712024000200201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Keffer Sousa Oliveira Magalhães Oliveira Martelli Júnior
Resumo Introdução: A produção científica brasileira apresentou crescimento substancial e visibilidade internacional. Contudo, em geral, a participação das mulheres em atividades científicas ainda é limitada. Objetivo: Este estudo objetivou avaliar os indicadores de produtividade científica de mulheres bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na área de medicina. Método: Foi realizado estudo transversal com 541 (211 mulheres, 39%) pesquisadores cadastrados como bolsistas de produtividade em medicina do CNPq conforme lista disponibilizada em dezembro de 2022. Resultado: Houve predomínio de pesquisadores do sexo masculino (n = 330; 61%). Em ambos os grupos, masculino e feminino, a maioria dos investigadores encontra-se no nível 2, sendo 62,5% mulheres e 47,2% homens (p = 0,018). Todos os 211 pesquisadores foram distribuídos em 37 instituições diferentes e publicaram 34.969 artigos em revistas científicas, com média de 165,7 artigos por pesquisador. De 2018 a 2022, foram publicados 9.679 artigos. Ao longo de suas carreiras, os 211 pesquisadores orientaram 5.440 alunos de iniciação científica, 4.144 alunos de mestrado e 2.923 alunos de doutorado. Houve diferença significativa entre os níveis de bolsas quanto ao desenvolvimento de recursos humanos em iniciação científica (p = 0,040), mestrado (p = 0,027) e doutorado (p < 0,001). Conclusão: Ainda há menor participação de mulheres do que de homens entre os pesquisadores médicos do CNPq. Contudo, foi possível observar participação substancial das mulheres em todos os quesitos avaliados, incluindo a produção técnica e científica e a formação de recursos humanos.

Avaliação de programa de residência em medicina de família e comunidade pela ótica dos médicos residentes

PID: S1981-52712024000400206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Guimarães Guimarães Souza Júnior Machado Freitas Nuto
RESUMO Introdução: A residência médica (RM) é considerada acadêmica e profissionalmente o método padrão ouro no ensino de médicos egressos da universidade. O Programa Integrado de Residência em Medicina de Família e Comunidade (PIRMFC) de Fortaleza, no Ceará, reúne os programas da Universidade Federal do Ceará, da Escola de Saúde Pública do Ceará e da prefeitura, e é o primeiro do gênero em larga escala, contando com cerca de 70 residentes na primeira edição, implantado em uma capital, paralelamente ao processo de implantação da rede de serviços da Estratégia Saúde da Família (ESF) pela prefeitura. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar um PIRMFC a partir da ótica dos residentes. Método: Trata-se de uma pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, utilizando o modelo de Kirkpatrick no seu primeiro nível: reação e satisfação dos residentes. A coleta de dados foi realizada com a participação de 18 residentes (R2) em cinco grupos focais, no segundo semestre de 2020. Aplicaram-se também questionários com perguntas fechadas para caracterização da amostra, seguidas de questões de múltipla escolha graduadas em escala Likert. Os dados qualitativos foram examinados pela técnica de análise temática, e os quantitativos, por meio de frequências simples e percentuais. Resultado: Identificaram-se as seguintes categorias principais: estratégias de ensino-aprendizagem, avaliação do processo ensino-aprendizagem, produção de autonomia, transferência da formação para a prática, fragilidades e potencialidades da residência. Os residentes compreendem a responsabilidade que têm no atendimento médico diário, ainda que como aprendizes. Eles demonstram insegurança como sujeitos da formação, sentindo-se mais confortáveis quando são colocados no papel passivo. Contudo, os discentes do programa reconhecem a metodologia ativa de ensino-aprendizagem como adequada para o ensino de adultos, mas precisam que as estratégias estejam voltadas para a resolução de problemas comuns à prática profissional deles. Conclusão: O programa não conseguiu firmar bases para o engajamento dos residentes em algumas estratégias ativas simuladas de ensino-aprendizagem, como grupos tutoriais. É preciso valorizar as experiências e competências adquiridas heterogeneamente pelos residentes para compor momentos de equalização do aprendizado, buscando o protagonismo do aluno em vez da imposição de conhecimentos.

Avaliação do perfil do egresso e da residência médica em ortopedia e traumatologia do HCFMRP-USP

PID: S1981-52712024000200202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Ribeiro Santos Engel
Resumo Introdução: Bons programas de residência médica (PRM) devem investir na estruturação e no desenvolvimento contínuo dos serviços de assistência no contexto da rede de saúde, na organização da estrutura de apoio às atividades didáticas e assistenciais, e na remuneração e capacitação contínua de preceptores e coordenadores. Objetivo: Este estudo observacional, transversal e descritivo buscou caracterizar o perfil dos egressos do Programa de Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia (PRMOT) do HCFMRP-USP e coletar dados sobre as características do programa que orientem ações de aperfeiçoamento na metodologia de ensino. Método: Participaram do estudo egressos do PRMOT ou que concluíram os programas de complementação especializada e residência médica em cirurgia da mão entre 1964 e 2020. Resultado: Foi encaminhado um questionário a 302 indivíduos (73,6% do total de egressos), obtendo 214 respostas (70,8% dos indivíduos contatados ou 52,2% do total de egressos). Indivíduos do sexo masculino correspondem a 92,5% dos egressos, e 71,9% residem no estado de São Paulo. As duas subespecialidades mais cursadas foram cirurgia do joelho e da mão. A pós-graduação stricto sensu fez parte da formação acadêmica de 40,6% dos egressos, dos quais 60,7% trabalharam com ensino médico. Dos egressos, 71% atuam na subespecialidade escolhida. Na avaliação do ensino do PRMOT e do grau de satisfação profissional, os aspectos que se destacaram positivamente foram: capacitação para atendimento em níveis terciário e secundário, número de atendimentos, variabilidade dos casos e preparo para o mercado de trabalho. Os aspectos que se destacaram negativamente foram: remuneração mensal, carga horária de aulas teóricas e realização de procedimentos cirúrgicos. Conclusão: O estudo conseguiu traçar o perfil do egresso e determinar os pontos fortes e as oportunidades de melhoria do PRMOT do HCFMRP-USP.

Como ensinar cuidados paliativos para estudantes de Medicina e Enfermagem? Uma revisão integrativa de literatura

PID: S1981-52712024000400302 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Medeiros Trovo Duarte Barros Fukuda Freitas Latorre Herbst
RESUMO Introdução: A garantia na oferta de cuidados paliativos (CP) a pacientes e seus familiares que enfrentam doenças graves e ameaçadoras da vida é uma responsabilidade ética dos sistemas de saúde, bem como dos profissionais. Diversas ações contribuem para a garantia na prestação desse tipo de cuidado, podendo-se destacar o ensino em CP para os profissionais de saúde. No Brasil, a inclusão do ensino de CP na graduação é exceção, tanto para o curso de Medicina como de Enfermagem. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar quais são as competências paliativistas recomendadas para o ensino de CP nas graduações em Medicina e Enfermagem, e caracterizar as evidências das melhores práticas para o ensino de CP para graduandos desses cursos. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, em que foram utilizarados os seguintes descritores: Medical student, Nursing student, education, learning, teaching e palliative care. A busca ocorreu, com o emprego do recurso booleano OR e AND, nas bases de dados eletrônicas Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), PubMed, Scopus e Web of Science. Resultado: A estratégia de busca gerou 182 artigos potenciais para inclusão nesta revisão. Destes, 85 foram excluídos por não estarem dentro dos critérios de inclusão, e 13, por não estarem disponíveis para acesso na plataforma digital. Os artigos incluídos trouxeram aspectos das competências a serem desenvolvidas para prática de CP, estratégias de ensino e estrutura curricular. A maior parte dos estudos incluídos teve como enfoque as estratégias de ensino, com destaque para as metodologias ativas que têm por objetivo não apenas a transferência de conhecimento, mas também o desenvolvimento de habilidades e atitudes para oferta de um cuidado que visa ao alívio do sofrimento. Conclusão: A revisão integrativa de literatura desenvolvida permitiu identificar as competências a serem adquiridas ainda nas graduações em Medicina e Enfermagem para que os futuros profissionais possam ofertar CP primários, bem como as melhores estratégias de ensino utilizadas.

Como estamos avaliando competências? Projeto de intervenção nos instrumentos avaliativos de um programa de residência medicina intensiva

PID: S1981-52712024000300403 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Moraes Guará Lucas Barros Silva
RESUMO Introdução: O ensino baseado em competências no âmbito das residências médicas tornou evidente o descompasso dos processos de avaliação tradicionais com os objetivos educacionais dos projetos pedagógicos alinhados às matrizes de competências de cada especialidade. A matriz de competência para o Programa de Residência em Medicina Intensiva (acesso direto em três anos) foi aprovada em 2021. O objetivo deste artigo é descrever o relato de experiência de um projeto de intervenção nos instrumentos de avaliação de desempenho dos residentes no Programa em Residência em Medicina Intensiva de um hospital público universitário em São Luís, no Maranhão. Relato de experiência: Após a organização do grupo de estudo e de trabalho para a intervenção, houve a escolha do objeto “ferramentas de avaliação de competências” e a seleção do Programa de Residência de Medicina Intensiva. Inicialmente, foi aplicado um questionário a todos os médicos preceptores e residentes, com atuação no cenário da unidade de terapia intensiva (UTI), com o objetivo de aferir as percepções deles acerca do instrumento avaliativo vigente, seguindo a pergunta norteadora: “A avaliação atual atende à concepção do programa traduzido pela matriz de competência da Comissão Nacional de Residência Médica?”. Discussão: Embora a maioria dos preceptores e residentes tenha considerado que os métodos de avaliação atendiam à concepção do programa, havia pontos frágeis em relação ao feedback e à avaliação de desempenho dos residentes. Como intervenção, propusemos adaptação da ferramenta existente, adequando-a aos desempenhos previstos na matriz de competências da especialidade com formalização do feedback e introdução de avaliação de desempenho em cenário real utilizando o Miniexercício Clínico Avaliativo (Mini-Cex). Conclusão: Os limites entre a avaliação e a aprendizagem são tênues. Com base em indicadores sobre a percepção de preceptores e residentes de fragilidades na avaliação utilizada de longa data, foi proposta uma intervenção de modificação dos instrumentos avaliativos com o intuito de adequar/melhorar a avaliação de competências.

Competências comuns para a prática interprofissional no cuidado às pessoas em situação de violência sexual

PID: S1981-52712024000100202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Lima Freitas Júnior
Resumo Introdução: A violência sexual é um grave problema na sociedade brasileira cujas repercussões no âmbito da saúde pública tornam imperativa a abordagem dessa questão no contexto da formação das suas profissões. Igualmente, a integralidade do cuidado destinado às pessoas em situação de violência sexual requer a atuação conjunta de diversas profissões, além da integração em rede e articulação de diferentes equipamentos sociais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo reconhecer quais competências - entendidas como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes - são necessárias para o desenvolvimento do cuidado integral destinado às pessoas em situação de violência sexual, segundo os melhores padrões de qualidade e segurança para a saúde delas. Método: Realizou-se um estudo qualitativo de caráter exploratório e descritivo que envolveu a aplicação de um formulário prévio sobre os conhecimentos acerca das competências, seguido da dinâmica da construção da figura humana, que consiste na confecção de um boneco no qual os conhecimentos estariam representados pela cabeça, as habilidades pelos membros e as atitudes pelo corpo, na realização de uma oficina com 76 participantes de diferentes profissões. Adicionalmente, aplicou-se um questionário a 32 profissionais com reconhecida expertise na área de violência sexual e com experiência prática no atendimento às pessoas nessa situação. Foi empregada a análise temática categorial. Resultado: Identificaram-se desafios a serem superados nas três dimensões constituintes das competências, com nítida deficiência de conhecimentos para a atuação em rede visando à efetividade e à integralidade do cuidado. Reconheceram-se 15 competências comuns aos profissionais que lidam com a violência, e o produto final foi representado num infográfico de disposição radial com a organização dos conhecimentos, das habilidades e das atitudes identificados como necessários para o desenvolvimento de tais competências. Conclusão: Reconhecer competências comuns e identificar, separadamente, quais conhecimentos, habilidades e atitudes as constituem representa estratégias promotoras da abordagem transversal desses conteúdos na formação das profissões, sobretudo da saúde. A proposição de uma matriz de competências comuns para prática interprofissional no cuidado destinado às pessoas em situação de violência sexual pode orientar a qualificação desse cuidado e alicerçar a interprofissionalidade em cenários cruciais de atuação coletiva para o enfrentamento da flagrante injustiça social que a violência sexual significa.

Compreensão de médicas sobre gênero e a influência na formação acadêmica: um estudo qualitativo

PID: S1981-52712024000300208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Santana Jansen Nascimento Moura
RESUMO Introdução: A “feminização” da medicina é uma tendência nacional e mundial. Cada vez mais mulheres têm escolhido essa área como profissão, mudando a demografia médica brasileira e internacional. No entanto, ainda há algumas barreiras na formação e atuação em medicina, como a manutenção de estereótipos de gênero, o que pode ser observado na sub-representação de mulheres em áreas cirúrgicas. Ademais, desigualdade salarial, assédio, machismo, preconceito e discriminação de gênero são outros desafios enfrentados pelas médicas. Objetivo: O artigo analisou a compreensão de mulheres médicas sobre as relações de gênero e a possível influência na sua formação acadêmica. Método: Consistiu em um estudo qualitativo, sendo realizadas entrevistas semiestruturadas, no período de novembro a dezembro de 2022, com 13 médicas que atuam profissionalmente no município de Marabá, no Pará. A amostra foi obtida por meio do método bola de neve, e, para a abordagem dos dados, utilizou-se a análise temática de conteúdo proposta por Laurence Bardin. Resultado: As entrevistas apontaram uma diversidade de compreensões acerca do conceito de gênero e demonstraram, de variadas formas, a interferência das relações de gênero na formação médica. As participantes narraram situações misóginas e machistas vivenciadas por elas, as quais, em sua maioria, evidenciavam a minimização das qualificações profissionais das mulheres. Além disso, o assédio foi algo bem evidenciado pelas colaboradoras, nove das 13 entrevistadas relataram episódios que envolviam comentários sobre aparência, convites, favores e contatos físicos, principalmente provenientes de professores e preceptores. Também foi pontuado que os estereótipos relacionados à escolha da especialidade são evidentes no meio médico, pois observam-se a predominância de mulheres em áreas da clínica médica, como dermatologia e pediatria, e o afastamento das especialidades cirúrgicas. Conclusão: Por meio dos relatos das participantes, foi observado o que médicas compreendem sobre o conceito de gênero, e revelou-se um contraste entre as suas percepções. Ademais, este trabalho abordou como, do ponto de vista de médicas, o gênero influencia na formação acadêmica das mais variadas formas, sendo retratada a qualidade de situações apresentadas pelas entrevistadas que evidenciam essa interferência.

Conhecimento dos acadêmicos de Medicina da Amazônia acerca das línguas indígenas e da Libras

PID: S1981-52712024000300201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Santos Portella Ishtiaq Souza Sequeira
RESUMO Introdução: A qualidade da comunicação entre o profissional de saúde e o paciente é um importante pilar para uma atenção em saúde eficiente. O estado de Roraima caracteriza-se por possuir um alto percentual de indígenas, além de outros grupos que demandam linguagens de comunicação específicas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar comparativamente os níveis de conhecimento dos estudantes do curso de Medicina e dos profissionais médicos recém-formados pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e dos discentes de outros cursos de graduação da UFRR, que não pertencem à área de saúde, acerca da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e das línguas indígenas Macuxi, Yanomami e Wapichana. Método: Trata-se de um estudo de corte transversal, observacional e descritivo, com caráter quantitativo, envolvendo 202 participantes, o qual utilizou como ferramenta de coleta de dados um questionário estruturado aplicado de forma virtual. Resultado: O presente estudo envolveu 80 estudantes ou profissionais recém-formados em Medicina (39,6%), 47 estudantes ou profissionais recém-formados de Engenharia (23,3%) e 75 estudantes ou profissionais recém-formados de Direito (37,1%). Dentre a totalidade dos participantes, 100 eram homens (49,5%) e 102 mulheres (50,5%). Houve associação entre cursar Medicina e saber falar pelo menos uma língua indígena (p = 0,0004). Essa relação não foi evidenciada nos cursos de Direito e Engenharia Civil. Também foi identificada a associação entre estar cursando ou ter cursado Medicina e ter interesse em aprender Libras (p = 0,0159) ou ter interesse em aprender uma língua indígena (p = 0,0054). Essa associação não foi identificada entre os alunos que cursaram ou estavam cursando Direito ou Engenharia Civil. Conclusão: Apesar de os participantes de Medicina possuírem um maior nível de conhecimento a respeito de línguas indígenas e Libras, quando comparados aos outros cursos, isso não garante uma atenção em saúde efetiva em sua integralidade, uma vez que se evidenciou uma grande dificuldade no processo de comunicação entre eles com indígenas e pessoas surdas.

Conhecimento, desejo e atitude de estudantes de Medicina e Enfermagem sobre a doação de órgãos

PID: S1981-52712024000200205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Miranda Maia Pontes Pascoal Eufranio Miranda
Resumo Introdução: A necessidade crescente de doadores de órgãos e de profissionais capacitados impulsiona novos estudos que esclareçam o entendimento e comportamento da sociedade perante a doação de órgãos. Estudantes de saúde vêm sendo alvo de estudos por seu influente papel social e, além disso, quando formados, farão parte de etapas fundamentais da doação. Contudo, evidencia-se conhecimento insuficiente dos estudantes apesar de possuírem atitude positiva. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o grau de conhecimento, desejo e atitude perante as doações de órgãos entre os acadêmicos de Medicina e Enfermagem na cidade de Recife, em Pernambuco. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado a partir da análise de questionários respondidos por estudantes de Enfermagem e Medicina nos últimos períodos acadêmicos. Além de dados demográficos, os estudantes foram questionados quanto ao entendimento sobre aspectos da validação de possível doador, diretrizes do protocolo de morte encefálica, motivações e opções pessoais em relação à doação de órgãos. Resultado: De fevereiro a dezembro de 2022, 218 questionários foram coletados, dos quais 208 entraram para a amostra. Dentre os estudantes, 57,2% eram do sexo masculino, a média de idade foi de 24 ± 2,7 anos. Dos graduandos, 85,1% cursavam Medicina, e 14,9%, Enfermagem. Apenas 49% dos estudantes sabiam da não necessidade de neurologista para o diagnóstico de morte encefálica. Ademais, 63% não sabiam quem é o responsável por abordar a família do potencial doador. Grande parte dos acadêmicos já considerou a possibilidade de ser doador de órgãos, representando 92,3% do total de estudantes avaliados. Dos alunos, 67% afirmaram já ter conversado com as próprias famílias sobre a doação de órgãos e que elas conheciam essa decisão. Em caso de familiar apresentar diagnóstico de morte encefálica, 83,2% dos alunos consentiram a doação. Em relação aos possíveis benefícios materiais ou emocionais para a família do doador, 86,1% julgam que a doação de órgãos pode trazer algum benefício. Conclusão: Apesar da atitude positiva, o estudo evidenciou conhecimento insuficiente dos alunos, reforçando a necessidade de ampliação do currículo das universidades e criação de cadeiras direcionadas à aquisição de conhecimento e habilidades quanto à condução de casos de morte encefálica e atuação perante os potenciais doadores.

Construção e validação de um simulador de cricotireotomia não orgânico, caseiro e de baixo custo: um estudo transversal

PID: S1981-52712024000300204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Quadri Oliveira Filho
RESUMO Introdução: A cricotireotomia é um procedimento que pode salvar vidas em caso de insuficiência respiratória aguda de emergência. A cricotireotomia deve ser treinada durante a graduação médica, e simuladores de baixo custo podem oferecer uma solução satisfatória em termos econômicos e práticos. Objetivo: Este estudo teve como objetivos construir e determinar as validades de face, conteúdo e construção de um simulador caseiro de cricotireotomia de baixo custo desenvolvido pelos autores. Método: Quarenta e sete estudantes e nove cirurgiões realizaram três cricotireotomias simuladas sucessivas e responderam a um questionário de validade de face e de conteúdo. A validade de construto foi testada comparando tempos procedurais e um escore de desempenho global intragrupos e intergrupos. Resultado: A maioria dos itens do questionário de validade face e de conteúdo foram avaliados de forma positiva, sem diferença entre os grupos. Assim, estudantes e cirurgiões concordaram que o simulador se assemelha a uma superfície anterior do pescoço humano, é fácil e seguro de usar, permite a realização de etapas críticas da cricotireotomia e apresenta potencial viabilidade de ensino. O tempo de procedimento diminuiu entre a primeira e a terceira tentativa entre os estudantes (diminuição média do tempo = 61,85 s; IC 95% - 41,86 - 81,85; p < 0,001), e foi encontrada diferença significativa entre os tempos de atuação dos cirurgiões e dos estudantes (diferença média = 101,36 segundos [IC 95% = 69,08 - 133,64] p < 0,001), sugerindo validade de construto. Os escores de desempenho dos alunos melhoraram entre a primeira e a segunda tentativa (diferença média = 2,25 pontos; IC 95% = 1,31 - 3,20; p < 0,001). Conclusão: O simulador de cricotireotomia inorgânico, de fabricação caseira e de baixo custo possui validade de face, conteúdo e construção aceitáveis para ser usado como ferramenta de treinamento para estudantes de graduação em Medicina.

Contribuições de egressos de Medicina para a avaliação do curso

PID: S1981-52712024000300215 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Senger Castro
RESUMO Introdução: O curso de Medicina do Centro Universitário de Votuporanga (Unifev), aprovado em 2012, teve a primeira turma graduada em 2018. O Projeto Político Pedagógico do Curso (PPC), baseado nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), utiliza de metodologias ativas, entre elas a aprendizagem baseada em problemas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar o perfil profissional, a trajetória e a adaptação ao mercado de trabalho do médico formado pelo Unifev, além das fragilidades e fortalezas da matriz pedagógica, a partir das percepções dos egressos. Método: Trata-se de um estudo transversal, descritivo e qualiquantitativo do qual participaram 114 egressos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Unifev. Aplicou-se, via Google Forms, um questionário semiestruturado sobre dados pessoais, informações profissionais e acadêmicas, opiniões referentes à formação dos egressos e o PPC. Resultado: Responderam 80 (70,2%) egressos distribuídos no estado de São Paulo, com maior representação feminina (71,2%). No primeiro ano após a formatura, 41,5% atuavam na urgência/emergência e 18,4% na atenção primária, com 282 postos de trabalho ocupados (2,6 ± 1,2 postos por pessoa). Sessenta e sete (83,3%) egressos obtiveram financiamento estudantil, sem relação com a faixa salarial mensal atual (dez ou mais salários mínimos para 55,5%). Poucos (n = 27; 33,8%) estavam inseridos em programa de residência; muitos ainda pretendem cursá-lo. Grande parte (72,5%) realizou curso preparatório para residência. A integração das áreas, a capacidade para o trabalho em equipe, o conhecimento das DCN e do PPC, e a ocorrência de momentos de tensão emocional/estresse foram referidos pela maioria dos respondentes (de 88,0% a 100%). Conclusão: Houve expressiva taxa de respostas com contribuições para um currículo mais próximo das necessidades dos alunos, ênfase na aprendizagem de temas das urgências e da pediatria, e no necessário cuidado com a saúde mental dos estudantes. O curso foi bem avaliado pelos respondentes, e o financiamento estudantil provou ser uma importante política, com resultados consideráveis para a jovem instituição. O estudo representa o primeiro passo para a criação de um elo mais robusto entre a instituição e seus egressos, auxiliando na concepção da cultura de acompanhamento frequente de suas trajetórias e repercutindo na avaliação do programa curricular, na medida em que oferece aos gestores do curso um diagnóstico para manter os acertos e alertar sobre possíveis ajustes.

Criação e validação de cenário simulado interprofissional para a pronação de pacientes com SDRA

PID: S1981-52712024000300216 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Santos Boostel Bortolato-Major Bucco Silva Félix
RESUMO Introdução: Este trabalho versa sobre a construção e validação de um cenário simulado com abordagem interprofissional, que permitirá a utilização no ensino e na educação permanente de profissionais da saúde por meio da metodologia ativa de simulação clínica. Objetivo: Este estudo teve como objetivos construir e validar um cenário simulado para a pronação de pacientes críticos com síndrome do desconforto respiratório agudo. Método: Trata-se de um estudo metodológico desenvolvido durante o ano de 2022 em uma universidade pública do Sul do Brasil e realizado em duas etapas: 1. delineamento do caso clínico e construção do cenário, e 2. validação de conteúdo e de aparência por 11 juízes com expertise em simulação clínica e/ou cuidado destinado ao paciente crítico, que atenderam aos critérios de Fehring. Aplicou-se um questionário do tipo Likert para a avaliação de 37 itens estabelecidos a partir do referencial de Fabri et al. Para medir o percentual de concordância entre os juízes, adotou-se o índice de validade de conteúdo (IVC). Resultado: Para a construção do cenário, desenvolveram-se o roteiro e guia de apoio ao facilitador e ao participante, e o roteiro para o ator simulado; um quadro de ações esperadas para cada participante; a relação de materiais e equipamentos necessários para o desenvolvimento; e o checklist de observação do desenvolvimento de competências e habilidades para cada profissão envolvida no cenário (médico, fisioterapeuta, enfermeiro e técnico de enfermagem). Os juízes eram predominantemente enfermeiros (63,6%), seguidos por fisioterapeutas (18,1%), médico (9%) e docente de enfermagem (9%). Os juízes responderam a um questionário que abordou os seguintes temas: “experiência prévia do participante/briefing”, “conteúdo/objetivos”, “recursos humanos”, “preparo do cenário”, “desenvolvimento do cenário” e “avaliação”. Todos os itens obtiveram IVC superior ao desejável (0,80) e, portanto, foram considerados válidos. Além disso, os juízes realizaram sugestões de melhorias para o cenário, as quais foram acatadas ou rejeitas e discutidas com a literatura disponível. Conclusão: Este estudo permitiu criar e validar um cenário que reflete a prática real, ao mesmo tempo que oportuniza um ambiente seguro para os participantes e responde aos objetivos da aprendizagem interprofissional.

Criação e validação de face e conteúdo de simulador realístico para treinamento de cistostomia suprapúbica

PID: S1981-52712024000400210 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Anselmo Souza Neto Santos Junior Silva Medeiros
RESUMO Introdução: A realização da cistostomia suprapúbica deve ser uma competência do médico urologista e cirurgião geral. O treinamento dessa competência por meio da simulação surge como alternativa segura, livre de riscos para pacientes e médicos residentes. Objetivo: Este estudo teve como objetivos criar um simulador realístico para o treinamento de cistostomia suprapúbica e obter sua validação de face e conteúdo. Método: O procedimento foi realizado no simulador por especialistas que posteriormente responderam a um questionário semiestruturado para a avaliação do realismo anatômico e a utilidade do simulador como ferramenta de ensino e treinamento. Resultado: Avaliaram o simulador 21 urologistas com idade média de 41,2 anos. O realismo anatômico teve nota média de 4,24 (nota máxima: 5), e a utilidade como ferramenta de ensino obteve média de 4,76 (nota máxima: 5). Conclusão: O simulador desenvolvido é, portanto, útil para o ensino prático de cistostomia por punção, pois foi validado em face e conteúdo, e, por isso, pode ser incorporado aos currículos da formação de médicos residentes, sobretudo em cirurgia geral e urologia.

Depressão, estresse e ansiedade em médicos residentes durante o período de pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712024000300214 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Noronha Gondim Tardivo
RESUMO Introdução: A pandemia do novo coronavírus trouxe um agravamento de transtornos psíquicos, especialmente em populações específicas, como profissionais de saúde. Nesse contexto, vem à tona a residência médica (RM), período de treinamento intenso e com importantes modificações na rotina durante a pandemia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar os sintomas de depressão, estresse e ansiedade, por meio da Depression, Anxiety and Stress Scale - Short Form (DASS-21), nos médicos residentes de um hospital universitário no Nordeste do Brasil, buscando possíveis associações com parâmetros sociais, de carga horária de trabalho e de hábitos de vida. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal e analítico, realizado no período de outubro de 2021 a fevereiro de 2022, envolvendo médicos residentes ativos, pertencentes aos programas de RM entre março de 2021 e fevereiro de 2022. Resultado: Avaliaram-se 41 residentes, 68,3% do sexo feminino, com média de idade de 30,5 ± 3,7 anos. Algum sintoma de depressão, estresse e ansiedade estava presente em 68,3%, 41,5% e 85,4% da amostra, respectivamente. Nove usaram psicotrópicos no último ano, 13 realizaram psicoterapia e cinco passaram por acompanhamento psiquiátrico. Houve associação estatisticamente significativa entre o uso de psicotrópicos nos últimos 12 meses e maior pontuação na subescala de estresse da DASS-21 (18,00 ± 12,61 versus 9,81 ± 9,34; p = 0,038). Houve associação entre uma menor média de tempo de sono por dia e a presença de algum sintoma de depressão apontada pela DASS-21 (6,03 ± 0,79 versus 6,77 ± 1,01; p = 0,016). Conclusão: Observou-se frequência elevada de sintomas de ansiedade, estresse e depressão nos médicos residentes, havendo baixos índices de acompanhamento psiquiátrico e de intervenção psicoterapêutica ou farmacológica.

Desempenho acadêmico de alunos de Medicina beneficiados pelas ações afirmativas

PID: S1981-52712024000200211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Valle Hamamoto Filho Marco Ferras Dias Boas
RESUMO Introdução: A Universidade Estadual Paulista (Unesp) implantou o sistema de cotas (ações afirmativas) para ingressantes em 2014, por meio do sistema de reserva de vagas destinada a alunos oriundos de escolas públicas. As principais ressalvas quanto ao sistema de cotas dizem respeito às dificuldades de adaptação desses alunos ao meio acadêmico universitário, que poderiam interferir em seu desempenho durante a graduação. Por isso, é necessário conhecer o desempenho desses alunos para poder propor alternativas viáveis para suas necessidades. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o desempenho acadêmico pelo coeficiente de rendimento (CR) escolar dos egressos do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp segundo forma de ingresso no vestibular. Método: Foram avaliados os CR finais dos alunos que finalizaram o curso de Medicina nos anos de 2019, 2020 e 2021. Os dados foram obtidos na Seção de Graduação da FMB. Realizaram-se comparações das médias do CR entre os grupos (ingresso universal - IU e ação afirmativa - AA). Resultado: No período de 2019 a 2021, graduaram-se 252 alunos: 184 do IU (73%) e 68 (27%) de AA. A média geral do CR foi de 8,41 + 0,61. As médias do CR dos alunos do IU foram de 8,45 + 0,61 e de AA de 8,31 + 0,60 (p = 0,414). Conclusão: A análise do CR dos formados em três anos do curso de Medicina da FMB revela que o desempenho dos ingressantes por AA e IU é semelhante.

Desenvolvimento e validação de aplicativo para ensino de abordagem da dor em cuidados paliativos

PID: S1981-52712024000100201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Gondim Peixoto Junior Marçal Melo Rocha Peixoto
Resumo Introdução: Avaliação e manejo adequados da dor têm se tornado uma preocupação cada vez maior dos profissionais de saúde. Segundo a definição de cuidados paliativos da Organização Mundial da Saúde, são importantes a identificação precoce, a avaliação e o tratamento da dor. Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e avaliar um aplicativo para dispositivos móveis voltado para o ensino de abordagem da dor em cuidados paliativos. Método: Foi desenvolvido um aplicativo móvel, seguido de sua utilização por médicos residentes e de avaliação qualiquantitativa prospectiva. Aplicou-se o teste de conhecimento. Obtiveram-se a usabilidade do aplicativo, por meio da System Usability Scale (SUS), e a satisfação, por meio do Net Promoter Score (NPS). Os dados foram tabulados no Microsoft Office Excel® e exportados para o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20.0 (IBM): na realização das análises, adotou-se uma confiança de 95%. Para a análise qualitativa das avaliações, o conteúdo das respostas foi transcrito e organizado em nuvens de palavras para destacar as ideias centrais. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Centro Universitário Christus. Resultado: Desenvolveu-se o PaliPain App, aplicativo constituído de casos clínicos de pacientes em cuidados paliativos com manifestações de dor, além de questões, vídeos e imagens, disponibilizado nas plataformas Android e iOS. Utilizaram o aplicativo 13 médicos residentes. A média de acertos de questões no pré-teste sobre dor em cuidados paliativos aumentou de 6,08 para 7,54 após manuseio do aplicativo. Na avaliação sobre a usabilidade do aplicativo, obtivemos na SUS uma média de 89,2, acima do nível considerado adequado de 70,0. Na avaliação de satisfação, 54% dos médicos responderam com pontuação 10 à pergunta: “Em uma escala de 0 a 10, quanto você recomendaria o aplicativo PaliPain a um amigo ou colega?”. Conclusão: O PaliPain App, desenvolvido e disponibilizado nas plataformas Android e iOS, foi bem avaliado pelos médicos residentes, apresentando ótimos escores de usabilidade e de satisfação. Identificamos que houve ganho de conhecimento, com pontuação média na resolução de questões aumentando de 6,08 para 7,54 após livre uso da aplicação. O PaliPain App pode ser uma ferramenta útil para ensino de abordagem de dor para médicos residentes.

Desenvolvimento e validação de aplicativo para o ensino da dermatologia na graduação em Medicina

PID: S1981-52712024000400218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Silva Sousa Cavalcante Costa Carneiro Pereira
RESUMO Introdução: As doenças de pele são comuns nas consultas da atenção primária à saúde (APS), com mais da metade dessas consultas realizadas por médicos não dermatologistas e frequentemente encaminhadas para especialistas. Profissionais da APS parecem ter conhecimento limitado em dermatologia devido à escassez de práticas durante a graduação, de modo que as tecnologias para o ensino da medicina tem sido cada vez mais utilizadas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e validar uma ferramenta tecnológica educacional dermatológica, em forma de aplicativo, para alunos do curso de Medicina e para médicos que atuam na APS. Método: Realizou-se um estudo de desenvolvimento técnico-metodológico para a elaboração e validação de aparência e de conteúdo do aplicativo, no qual a primeira etapa consistiu na elaboração de um aplicativo móvel intitulado Dermap para os sistemas operacionais Android e iOS, composto por telas com definição, quadro clínico, diagnóstico e tratamento das dermatoses mais frequentes, seguido de validação de conteúdo e aparência por juízes especialistas dermatologistas e profissionais da tecnologia da informação, respectivamente. Resultado: O aplicativo Dermap apresenta, em sua tela inicial, uma página contendo 23 doenças que podem ser acessadas individualmente, e a exposição de conteúdo é realizada por meio não somente de textos, como também de imagens, com o objetivo de facilitar o entendimento, e seguida sempre de legendas. Nos quesitos de validação de objetivos, conteúdos, estrutura e relevância, o índice de validade de conteúdo por dermatologistas foi de 100%. Nos quesitos qualidade de interface, estética e linguagem, o índice de validade de conteúdo foi superior a 85% em todos os quesitos avaliados por profissionais de tecnologia da informação. Conclusão: O Dermap demonstrou ser uma ferramenta viável para ser empregada por estudantes, residentes e profissionais envolvidos na instrução e prestação de cuidados de saúde. Pode ser aplicado tanto em ambientes educacionais formais, como salas de aula, quanto em contextos não formais, como ambulatórios, clínicas de saúde e hospitais, com o intuito de aprimorar o ensino da dermatologia. Além disso, possui aspectos de alcance social, visibilidade e transparência.

Efeito de grupos de apoio entre pares na saúde mental de estudantes da saúde

PID: S1981-52712024000400204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Campos Val
RESUMO Introdução: Os grupos de apoio entre pares se valem do construto do apoio social e são formados por membros que apresentam características comuns. Os grupos podem ser utilizados em diversos contextos para a manutenção da saúde mental de seus participantes. Em 2020, criaram-se os grupos de apoio entre pares da FCM/Unicamp, nos quais, para avaliar os efeitos na saúde mental de seus participantes, foi realizada a pesquisa apresentada neste artigo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito dos grupos de apoio entre pares na saúde mental de estudantes universitários da área da saúde, visando compreender as percepções deles, assim como comparar o apoio social percebido pelos participantes e não participantes dos grupos. Método: Para análise qualitativa, realizaram-se entrevistas em profundidade com os participantes dos grupos, que posteriormente foram submetidas à análise temática. Resultado: Observou-se que a criação de uma identidade grupal e a identificação de problemas comuns aos participantes auxiliaram na construção do vínculo que, por sua vez, foi essencial para o exercício da função de apoio social dos grupos. Conclusão: Tem-se reforçado o efeito benéfico e protetivo dos grupos para a saúde mental de seus participantes. Assim, concluímos que os grupos de apoio entre pares são uma estratégia de apoio social versátil e viável de se aplicar em ambientes universitários, podendo auxiliar na manutenção do bem-estar psicológico de seus participantes.
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