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Elaboração e validação da Escala Brasileira de Empatia Clínica (EBEC): teste-piloto

PID: S1981-52712024000400207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Generoso Cordeiro Peixoto Moura
RESUMO Introdução: A empatia, um elemento primordial do humanismo, tem sido alvo de crescente interesse no ensino médico. No contexto das profissões de saúde, a empatia no atendimento ao paciente é um atributo que envolve a compreensão das experiências, da dor, do sofrimento e das preocupações do paciente combinados com a capacidade de comunicar esse entendimento e uma intenção de ajudar. Apesar do desenvolvimento de práticas que estimulam a empatia nos estudantes de Medicina, um desafio presente na vida acadêmica é mensurar essa habilidade. Objetivo: Este estudo teve como objetivos elaborar e validar uma escala brasileira de empatia no contexto do atendimento clínico. Método: Trata-se de estudo-piloto de construção e validação de uma escala psicométrica, realizado em cinco etapas: 1. definição das dimensões do construto baseada em revisão da literatura; 2. itens submetidos à análise teórica com juízes especializados no tema, objetivando identificar a pertinência do item dentro do construto; 3. realização de um pré-teste com a população-alvo visando avaliar o entendimento dos itens; 4. validação da escala com aplicação a 207 estudantes de Medicina brasileiros; 5. aplicação de testes estatísticos que auxiliam na validação da escala. Resultado: Ao final do estudo, a escala de empatia elaborada continha 21 itens, com respostas em escala de Likert, distribuídos em dois fatores: compreensão empática e ação empática, que apresentaram boa confiabilidade proposta (> 0,842) e boa consistência interna (H-latente > 0,879 e H-observado > 0,864) com total de variância explicada de 44,95%. Conclusão: A aplicação da escala de empatia clínica em estudantes de Medicina resultou em um instrumento que atendeu aos critérios de adequação semântica e cultural, e revelou evidências preliminares de validade.

Elaboração e validação de Instrumento de Identificação de Assédio Sexual de Estudantes de Medicina (IIASEM)

PID: S1981-52712024000100208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Falbo Neto Araújo Arruda Barros
Resumo Introdução: O assédio sexual é uma realidade que permeia as relações de poder hierárquicas e de gênero. Embora perceptível nos meios médico e acadêmico, é considerado uma violência silenciada que acarreta agravos orgânicos e psíquicos com grandes consequências para a vítima. Objetivo: Este estudo teve como objetivos elaborar e validar um instrumento de identificação da ocorrência de assédio sexual em estudantes de Medicina. Método: Após revisão da literatura sobre o tema, elaborou-se um instrumento, com repostas do tipo Likert em cinco níveis de opção, que possui duas partes: a primeira com informações sobre características sociodemográficas e acadêmicas dos participantes, e a segunda contendo 21 itens agrupados em três dimensões: formas de assédio, fatores facilitadores e identificação do assediador no meio acadêmico e na prática hospitalar. Efetuaram-se as validações semântica e de conteúdo por consenso de especialistas, e a validação FACE realizada por grupo focal de 12 estudantes, sendo dois de cada ano do curso. Para verificação da confiabilidade, o instrumento foi enviado a 1.146 estudantes de Medicina uma vez por semana, por quatro semanas. Obteve-se a resposta de 350 (30,5%) estudantes no teste, seguindo a recomendação para estudos psicométricos. Após 15 dias, iniciou-se o reteste com os 350 respondentes do teste, seguindo a mesma cronologia de envio para a verificação da estabilidade. No reteste, obtiveram-se 69 respostas. Para a elaboração do banco de dados, utilizou-se o programa Excel versão 16, e, para a análise, adotou-se o programa estatístico Stata versão 13. O instrumento foi aplicado on-line pelo software livre LimeSurvey. Resultado: A confiabilidade do instrumento ficou evidenciada pelo alfa de Cronbach de 0,8163 e de 0,7826 para o teste e reteste, respectivamente. Para a constatação da estabilidade, utilizou-se o teste de Stuart-Maxwell que apresentou um valor de p = 0,126. Adotou-se ainda o Kappa ponderado, em que o resultado de todas as 21 assertivas está contido no intervalo de confiança, demonstrando a homogeneidade da distribuição dos escores médios entre o teste e o reteste. Conclusão: Como o instrumento validado se mostrou confiável e estável, pode ser utilizado em escolas médicas para a identificação do assédio sexual em estudantes de Medicina.

Empatia e espiritualidade em estudantes e residentes de Medicina

PID: S1981-52712024000400202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Dedivitis Matos Castro Castro Giaxa Tempski
RESUMO Introdução: A empatia tende a diminuir ao longo da formação médica. A relação entre espiritualidade e empatia não tem sido amplamente explorada. Objetivo: Este estudo teve como objetivo correlacionar empatia e religiosidade/espiritualismo por meio de questionário voluntário, entre estudantes e residentes de Medicina. Método: Trata-se de um estudo transversal exploratório por meio de um questionário online para preenchimento voluntário entre estudantes de medicina e residentes, composto por: dados sociodemográficos, questionário de empatia e questões sobre religiosidade/espiritualismo. Resultado: De 1.550 convites, 273 participantes voluntários responderam (17,6%). A maioria era católica (103 - 37,7%), seguida de agnósticos (84 - 30,8%), protestantes e kardecistas (27 - 9,9% cada). A Escala de Empatia de Jefferson apresentou pontuação média de 120,4 (de 90 a 140). Não se constatou correlação entre a crença religiosa e o grau de empatia. Ambos os conceitos não indicaram diferença significativa ao longo do período da educação médica. Conclusão: Empatia e religiosidade/espiritualismo não apresentaram correlação entre estudantes e residentes de Medicina.

Ensinando o Método Clínico Centrado na Pessoa na graduação em Medicina: uma revisão narrativa

PID: S1981-52712024000400304 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Yogui Magalhães Bivanco-Lima
RESUMO Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para Graduação em Medicina preconizam que o egresso seja empático e humanizado, crítico e reflexivo, com a formação articulada às necessidades da sociedade, centrado na pessoa, na família e na comunidade. Objetivo: Este estudo de revisão narrativa da literatura centrou-se em verificar as estratégias utilizadas no processo ensino-aprendizagem do Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP) na graduação em Medicina. Método: Utilizaram-se as produções científicas disponibilizadas nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed/Medline, que foram selecionadas por conveniência e pela relevância nas áreas que abordam o tema deste estudo, no período de 1990 a 2021. Também se utilizaram legislações e publicações encontradas nos sites governamentais e na literatura cinzenta, via Google Scholar (2002-2018), além de livros de acervo particular (2010-2017). Resultado: Evidenciou-se que é fundamental incorporar o ensino do MCCP, que articula aspectos de comunicação, poder na relação médico-paciente, profissionalismo, centrado na autonomia dos pacientes. O MCCP incorpora competências integrativas, como comunicação, valorização do vínculo e de boa relação médico-paciente, sensibilização quanto aos aspectos humanísticos do cuidar, além de habilidades de orientação e pactuação. Por sua complexidade, o MCCP requer uma multiplicidade de métodos no processo ensino-aprendizagem, com ênfase nas metodologias ativas, no ensino das humanidades em saúde e na aplicação na prática real, de forma longitudinal no currículo. Conclusão: Dessa forma, o ensino do MCCP se configura como central na construção de um profissional de saúde humanizado e centrado na pessoa. É fundamental que o ensino do MCCP seja inserido nos currículos de graduação em Medicina de forma sistemática e longitudinal, com ampliado uso de metodologias para a construção das competências relativas ao cuidado centrado na pessoa.

Ensino de pediatria e puericultura no curso médico: cenários de prática em discussão

PID: S1981-52712024000300218 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Puccini Ribeiro Bicudo Alves Sarinho Cavalcante Strufaldi Souza
RESUMO Introdução: A integralidade da atenção à saúde da criança constitui diretriz para o ensino de pediatria, sendo essenciais as atividades práticas em todos níveis de atenção do Sistema Único de Saúde. Objetivo: Este estudo teve como objetivo descrever carga horária, cenários de práticas e preceptoria utilizados no ensino da saúde da criança e do adolescente. Método: Trata-se de um estudo transversal, com aplicação de questionário constituído por 43 questões objetivas e duas questões abertas, encaminhado por meio de formulário eletrônico para 247 escolas médicas do país que contavam com pelo menos uma turma formada em 2019. Resultado: Responderam ao questionário 37 (14,97%) escolas médicas, sendo 16 públicas e 21 privadas de 14 estados da Federação e das cinco regiões. Verificou-se mediana de 940,5 horas direcionadas à saúde da criança e do adolescente, equivalente a 11% da carga horária total dos cursos; 13 escolas apresentaram inserção de temas de saúde da criança desde o primeiro ano, e a maioria (75,8%), a partir do terceiro ano. Atividades práticas predominaram no internato: 87,5% (quinto ano) e 88,8% (sexto ano). Os cenários incluíram unidades básicas de saúde, comunidade, ambulatórios de pediatria geral e especializados, unidades de internação, serviços de neonatologia, urgência e emergência e laboratórios de habilidades e simulação. Foi referido que o ensino de puericultura é desenvolvido em ambulatórios de pediatria geral (32 escolas) e em unidades básicas de saúde dos municípios (32 escolas), estas consideradas essenciais para formação. Docentes pediatras desenvolvem preceptoria na maioria dos cenários de práticas; pediatras da instituição de ensino ou do sistema local de saúde estão mais presentes em unidades de internação (70,3% e 54,0%, respectivamente) e ambulatórios especializados (54,0% e 35,1%, respectivamente). Conclusão: Com participação de 37 escolas médicas, este estudo apresenta limitações para generalizações sobre o ensino no país. Neste estudo observou-se que o ensino sobre saúde da criança e do adolescente desenvolve-se em todos níveis de atenção à saúde, visando à integralidade, sendo destinados em média 11% da carga horária total do curso para esse ensino. Houve predominância de docentes e médicos pediatras na preceptoria, e a puericultura permaneceu como componente relevante na atenção básica, sendo apontados desafios para manutenção desse cenário de práticas.

Estratégias de ensino-aprendizagem de neuroanatomia: uma revisão integrativa da literatura

PID: S1981-52712024000200301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Reis Coelho Cortez
Resumo Introdução: Uma significativa parcela dos estudantes de Medicina considera a neuroanatomia um conteúdo de difícil compreensão, muitas vezes desprovido de aplicações práticas devido à sua extensa e monótona apresentação. Além disso, ao longo das últimas décadas, houve uma redução no tempo dedicado à apresentação teórica da neuroanatomia. Corroborando tal afirmativa, durante a pandemia de Covid-19, observou-se um distanciamento crescente entre professores e alunos, o que, por sua vez, agravou ainda mais os desafios no ensino da disciplina. Objetivo: Este estudo possui como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura no intuito de explorar estratégias para aperfeiçoamento do ensino da neuroanatomia no curso superior de Medicina. Método: Para atingir esse objetivo, os subscritores efetivaram uma pesquisa integrativa de artigos publicados sobre estratégias de ensino-aprendizagem de neuroanatomia para estudantes de Medicina no período entre 1º de janeiro de 2000 e 26 de maio de 2023. Para obtenção de tais dados, os autores utilizaram três bases de dados - PubMed, SciELO e BVS -, empregando os seguintes descritores e o operador booleano “AND” em ambos os idiomas (português e inglês): “ensino”, “aprendizagem”, “neuroanatomia”, “estudantes de medicina”, “learning”, “teaching”, “neuroanatomy” e “medical students”. Resultado: A revisão da literatura revelou uma crescente exploração de novas abordagens de ensino e aprendizado em neuroanatomia, destacando-se o uso de tecnologias como realidade virtual, cursos de neuroanatomia assistidos por computadores, modelos anatômicos de argila e a aplicação de estudos de casos clínicos. Conclusão: Nota-se nos últimos anos um notável surgimento de novas estratégias de ensino-aprendizagem no cenário acadêmico, que, por sua vez, visam aprimorar o conhecimento e a experiência dos alunos nos mais variados campos, inclusive na neuroanatomia.

Estratégias pedagógicas de ensino de diagnóstico por imagem nas escolas médicas brasileiras: uma revisão sistemática

PID: S1981-52712024000300303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Brito Sousa Silva Hanna
RESUMO Introdução: A competência dos profissionais de saúde em radiologia não apenas desempenha um papel fundamental no controle de custos, mas também na prevenção de erros médicos decorrentes da inexperiência durante a prática clínica. Objetivo: Este estudo realiza uma revisão sistemática com o objetivo de investigar as estratégias pedagógicas empregadas no ensino de diagnóstico por imagem nas instituições médicas brasileiras, bem como analisar o nível de conhecimento adquirido pelos estudantes de Medicina ao longo de sua graduação. Método: A revisão sistemática da literatura seguiu as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) e abrangeu as bases de dados PubMed, LILACS/BVS, Scopus, Web of Science, Embase e ScienceDirect. A busca visou identificar artigos que abordassem metodologias e estratégias de disseminação do conhecimento em imagiologia médica. A avaliação do nível de evidência foi conduzida utilizando a abordagem GRADE. Resultado: Dos 152 artigos inicialmente identificados, 13 foram selecionados após a remoção de duplicatas e análise de títulos e resumos. Durante a leitura completa, excluíram-se oito artigos por causa de metodologias inadequadas ou desalinhamento com os objetivos da pesquisa. Os estudos elegíveis envolveram 461 alunos de Medicina em 49 instituições brasileiras, principalmente privadas, caracterizadas por um sistema híbrido de ensino e uma ênfase particular em módulos de radiologia médica. Salas de aula foram destacadas como os principais ambientes de ensino. No contexto do ensino de diagnóstico por imagens, muitos alunos ainda enfrentam dificuldades na avaliação de exames, independentemente do período letivo. O estudo aponta para a falta de uniformidade nos benefícios das políticas governamentais, resultando em segregação regional e financeira no acesso ao ensino. Conclusão: A despadronização do ensino contribui para uma formação deficiente em radiologia, deixando os profissionais despreparados para a interpretação adequada de exames. Diante da escassez de estudos e das disparidades identificadas, torna-se imperativo estabelecer parâmetros mínimos para os currículos em radiologia médica, proporcionando uma base estruturada para as instituições de ensino nacionais e visando à melhoria da qualidade do ensino e da formação profissional.

Estudante com perfil de dominância na Aprendizagem Baseada em Problemas: percepção dos docentes e discentes

PID: S1981-52712024000400201 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Coelho Araujo Caminha Falbo
RESUMO Introdução: A Aprendizagem Baseada em Problemas ocorre por meio do trabalho em pequenos grupos, facilitado pelos tutores, devendo haver contribuição de todos para o alcance dos objetivos de aprendizagem. O estudante com perfil dominante pode desequilibrar essa dinâmica do grupo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender, na perspectiva da aprendizagem colaborativa, os significados atribuídos pelos docentes e discentes à presença do estudante com perfil dominante no grupo tutorial. Método: Realizaram-se dois estudos, de natureza qualitativa, com tutores e estudantes de uma faculdade do Nordeste do Brasil. O primeiro estudo objetivou compreender a percepção dos docentes sobre presença do estudante dominante no grupo tutorial. Para tanto, utilizaram-se entrevistas semiestruturadas para coleta das informações. A população foi composta por tutoras da graduação de Fisioterapia, com mais de dois anos facilitando grupos tutoriais. O segundo estudo objetivou compreender os significados atribuídos por discentes à presença do perfil de dominância nas tutorias. Utilizou-se o grupo focal como método de coleta. Participaram estudantes de Medicina dos quatro primeiros anos do curso. O processo de análise e interpretação das falas dos dois estudos foi ancorado nos pressupostos teóricos da aprendizagem colaborativa, os quais também serviram de referência para elaboração do roteiro das entrevistas e do grupo focal. Adotou-se a técnica da análise de conteúdo de Bardin. Os estudos foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa com CAAE nº 26191119.5.0000.5569 e CAAE nº 38005320.5.0000.5569, respectivamente. Resultado: Os tutores e estudantes enfatizaram a diversidade encontrada no perfil de dominância. Caracterizaram o estudante com esse perfil como colaborativo, participativo e preparado. Apontaram também características de impaciência, dificuldade em escutar e aceitar colocações contrárias às suas, além de comportamento intrusivo, silenciando e limitando a participação de outros. As tutoras reforçaram a dificuldade em lidar com o estudante dominante, inclusive em dar feedback. Os discentes relataram que os tutores, perante o estudante dominante, não percebiam a ausência de colaboração no grupo e apresentavam insegurança para intervir. Conclusão: Os discentes expressaram tolhimento e insegurança diante da presença do estudante dominante, com prejuízo na construção do conhecimento do grupo e no desempenho individual, bem como decepção quanto à atuação do tutor. Os tutores demonstraram reconhecer as sutilezas dentro do perfil de dominância, apesar de suas dificuldades em intervir adequadamente.

Estudo sobre fatores que influenciaram concluintes do curso de Medicina na futura carreira

PID: S1981-52712024000400203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Onuki Alves Skylis Amorim Bizetti Abujamra Figueira Focaccia
RESUMO Introdução: Os avanços da medicina desencadearam um aumento significativo do grau de especialização dos médicos. Entretanto, apesar da crescente procura dos médicos por especialização, existe escassez de profissionais em determinadas áreas, o que torna relevante compreender os fatores e as barreiras que influenciam os alunos de Medicina na tomada da carreira futura. Essa decisão passa por inúmeras reflexões, e o tema tem sido extensamente abordado no mundo tudo. Objetivo: Esta pesquisa visou estudar os principais fatores e motivações que levaram os estudantes do sexto ano da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) a escolher a especialidade médica. Método: Trata-se de um estudo observacional transversal com abordagem quantitativa. Foi realizada uma análise estatística não paramétrica em que se utilizaram a linguagem R versão 4.2.3 e o teste exato de Fisher para testar as hipóteses. Dos 106 alunos matriculados, apenas 90 participaram voluntariamente da pesquisa. Resultado: Na pesquisa, 57 alunos identificaram-se como do gênero feminino e 33 como do masculino, sendo a maioria entre 23 e 26 anos. A grande área médica mais desejada foi a clínica médica (35,6%), seguida da clínica cirúrgica (23,2%), ginecologia e obstetrícia (22,2%) e pediatria (11,1%), sendo as duas últimas escolhidas, majoritariamente, pelo gênero feminino. Entre as especialidades citadas, destacou-se a anestesiologia (13,3%). Os principais fatores e motivações de influência foram: “qualidade de vida e retorno financeiro” (55,6%) e “presença de docente do internato” (53,3%), porém sem significância estatística como as especialidades escolhidas. A área da clínica médica se correlacionou estatisticamente com “oferecer maior envolvimento integral com o paciente, permitindo melhor assistência, além de prática ambulatorial” e a clínica cirúrgica e ginecologia e obstetrícia com “prática de procedimentos invasivos e atendimento de emergência, e predomínio de prática hospitalar”. Dos concluintes, 30% mudaram de opinião durante a graduação e 32,3% pretendem atuar como médicos generalistas e realizar especialização posterior. Conclusão: Este estudo demonstra como diversos fatores dentro da graduação exercem influência direta na escolha da carreira médica pelos estudantes de Medicina. Estudos adicionais são necessários, assim como estratégias de aconselhamento acadêmico, com a finalidade de esclarecer as oportunidades possíveis para cada área médica.

FOFA da residência em medicina de família e comunidade no estado de São Paulo

PID: S1981-52712024000200203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Ribeiro Cyrino Pazin-Filho
Resumo Introdução: A residência médica é o padrão ouro para formação em medicina de família e comunidade. Na última década houve aumento substancial de vagas sem a avaliação da qualidade dos programas. Objetivo: Este estudo teve como objetivos observar e qualificar a percepção dos preceptores da residência nessa área. Método: Aplicou-se um questionário qualiquantitativo no estado de São Paulo, com análise estatística descritiva e elaboração da matriz FOFA associada à tríade de Donabedian a partir da análise de conteúdo dos entrevistados. Resultado: A amostra foi de 64 preceptores em 27 programas, com mediana de idade de 37 anos e composta de 52% de mulheres. A distribuição mais prevalente é de dois residentes por preceptor, e 67% atuam também com a graduação. Da amostra, 56,7% possuem residência médica e 13,4% são titulados, além de 82% com cursos em preceptoria. A análise qualitativa aponta a formação em preceptoria e o aumento de especialistas como pontos relevantes, mas ainda há a dificuldade com a organização dos serviços e o baixo apoio da gestão municipal. Conclusão: Embora haja preceptores com formação adequada, ainda é necessário seu incremento ante o aumento do número de vagas desproporcional à capacidade instalada. Melhoria das condições estruturais e maior apoio dos municípios serão necessários de acordo com a percepção dos preceptores em medicina de família e comunidade.

Fatores associados às atitudes acerca da morte em estudantes internos de Medicina

PID: S1981-52712024000100206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Garrote Siqueira Almeida
Resumo Introdução: O curso de Medicina constitui uma jornada de formação profissional exigente, acentuando-se nos dois últimos anos, no período do internato. Ocorre a exposição a inúmeros fatores estressantes, como o contato com a morte. O morrer envolve aspectos biológicos, sociais, culturais, legais, religiosos e históricos, mas, na medicina, é visto como ato de falha médica por causa da ausência de treinamento para manejá-lo. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados às atitudes perante a morte em estudantes internos de Medicina. Método: Trata-se de estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada por meio de questionários aplicados de modo digital a estudantes internos de Medicina de todo país. Utilizaram-se os seguintes instrumentos: um questionário sociodemográfico e de aspectos relacionados à vivência com a morte e a Escala de Avaliação do Perfil de Atitudes acerca da Morte (EAPAM). Resultado: A amostra investigada foi de 171 internos de Medicina, sendo 74,9% do sexo feminino, 45% da religião católica e idade média de 24 anos. No fator medo da morte, houve maior escore nos estudantes de religião católica (p = 0,0395) e nos que não se consideraram preparados para lidar com a morte (p = 0,0010). No fator evitar a morte, maior escore no estado civil casado (p = 0,0147) e nos estudantes que não se consideraram preparados para lidar com a morte (p = 0,0020). Na aceitação por escape, maior escore nos estudantes de religião protestante (p = 0,0270), nos que referiram ter atendido paciente que faleceu (p = 0,0030) e nos que afirmaram que não se consideram empáticos (p = 0,0261). Na aceitação neutra, maior escore nos estudantes adeptos de outras religiões (p = 0,0296) e nos que afirmaram ter orientação sexual homoafetiva (p = 0,0398). Na aceitação religiosa, maior escore nos estudantes do sexo feminino (p = 0,0490), de estado civil casado (p = 0,0006), de religião protestante (p < 0,0001), com forte envolvimento religioso (p < 0,0001) e que atenderam paciente que veio a falecer (p = 0,0150). Conclusão: Assim, conclui-se que a abordagem biopsicossocial da morte no ambiente acadêmico é fundamental, haja vista a evidência encontrada em relação ao despreparo dos estudantes de Medicina do internato em relação a esse fenômeno.

Ferramenta digital como recurso de ensino-aprendizagem da otorrinolaringologia: construção de um protótipo

PID: S1981-52712024000400208 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Barros Muniz Aquino Brito
RESUMO Introdução: Os recursos tecnológicos digitais, a exemplo dos jogos, podem ser usados de forma eficiente e colaborativa no processo de ensino-aprendizagem, principalmente pela facilidade de serem inseridos no contexto acadêmico, uma vez que significativa parte dos estudantes tem acesso à internet e faz uso desses mecanismos em seu cotidiano. Tais recursos podem ser utilizados para aprimorar o conhecimento acerca de uma área específica, como a otorrinolaringologia, que envolve habilidades clínicas essenciais na formação do médico generalista, sendo destaque entre os agravos frequentes na atenção primária. Objetivo: Nesta pesquisa, objetiva-se o desenvolvimento de uma ferramenta didática que possa auxiliar na aquisição de conhecimentos específicos pertinentes à prática clínica de médicos egressos. Método: Trata-se de um estudo descritivo, de caráter experimental de um aplicativo denominado ORLearning, baseado em competências previamente definidas em um consenso Delphi, a ser usado em estudantes de Medicina a respeito da otorrinolaringologia. Resultado: Construiu-se o protótipo com interfaces próprias destinado a discentes de Medicina. Conclusão: Frisamos a importância do uso dessas ferramentas tecnológicas no processo de ensino-aprendizagem da especialidade para graduandos e recém-formados em Medicina, de modo a tornar esse processo lúdico e inovador.

Graduação médica, a prescrição de medicamentos não incorporados ao SUS e a judicialização da saúde

PID: S1981-52712024000400211 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Gariolli Loureiro Bezerra
RESUMO Introdução: O fenômeno da judicialização da saúde pública possui números expressivos, sobretudo quanto ao montante de gastos do erário ou ao volume processual. Entre suas causas, esta pesquisa se dedica à prescrição médica de fármacos em desconformidade com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), com enfoque na percepção educacional do bacharelando em Medicina acerca da relação do médico com a judicialização da saúde pública. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar a graduação médica acerca da prescrição de medicamentos não incorporados ao SUS, como fator gerador da judicialização da saúde. Método: Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, desenvolvido com o corpo discente de uma Instituição de Ensino Superior do Estado do Espírito Santo/ES. A coleta de dados foi realizada por meio de questionários, seguindo um roteiro com perguntas norteadoras, registradas e examinadas de acordo com a análise de conteúdo proposta por Bardin. Conjuntamente, examinaram-se os planos de ensino de matérias que possuem maior aproximação com a temática. Resultado: Verificou-se uma lacuna entre a graduação médica e a judicialização em saúde no que diz respeito à prescrição de fármacos que não fazem parte da política pública sanitária do SUS, atraindo a necessidade de promoção de uma política pública educacional por parte das instituições de ensino de Medicina, voltada à efetiva abordagem do assunto, de maneira articulada e interdisciplinar.

Habilidades de comunicação clínica: análise da autoavaliação dos residentes de medicina de família e comunidade

PID: S1981-52712024000100213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Tenório Figueiredo Almeida Fernandes
Resumo Introdução: O conhecimento das habilidades de comunicação clínica é primordial para o adequado exercício da medicina de família e comunidade (MFC), visto que um dos princípios da especialidade advém da relação médico-pessoa. A comunicação assertiva é uma competência clínica básica que deve ser aprendida, sobretudo, durante a residência médica. Não se trata de uma característica inata, perpassa um processo de conhecer, aplicar e dominar, necessitando, portanto, de avaliações. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção dos médicos residentes de MFC em relação às suas habilidades de comunicação. Método: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal. O cenário de estudo foi o conjunto de programas de residência de MFC do município de João Pessoa, na Paraíba. A coleta de dados foi feita a partir de um questionário on-line, disponível para preenchimento de setembro a novembro de 2022. Utilizamos para a construção do questionário o instrumento A Consulta em 7 Passos. Desenvolvemos escores denominados índice de desempenho geral (IDg), índice de desempenho por passo da consulta (IDp) e índice de desempenho por item (IDitem). Na análise estatística, utilizamos o teste t para amostras independentes. Resultado: O IDg médio foi de 72,0%. Os residentes tiveram o maior índice de IDp no passo 5 da consulta (81,7%), seguido pelos passos 2 (77,6%), 3 (76,1%) e 6 (75,9%). Os menores desempenhos foram nos passos 4 (68,9%), 7 (63,7%) e 1 (63,3%). Não houve significância estatística quanto ao desempenho quando se compararam sexo, ano de residência e programa. Conclusão: Os residentes de MFC avaliam positivamente suas habilidades de comunicação. Entretanto, ainda há o que aprimorar, como fomentar momentos crítico-reflexivos sobre os fenômenos subjetivos que ocorrem na consulta. Destarte, a utilização do instrumento A Consulta em 7 Passos se revelou, no presente estudo, como uma ferramenta importante no processo de formação e avaliação da comunicação clínica durante a residência.

Impacto de uma intervenção educativa sobre segurança do paciente para residentes em anestesiologia

PID: S1981-52712024000400219 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Maranhão Lino Santos Silva Freitas
RESUMO Introdução: A matriz de competências dos programas de residência médica em anestesiologia do Brasil apresenta como objetivo específico “realizar a anestesia com segurança em todas as suas etapas”, cujos elementos para a implementação de um currículo específico precisam ser definidos. Diante desse cenário, foram propostas a elaboração e a implementação de um módulo educacional sobre segurança do paciente para residentes de anestesiologia. Objetivo: Este estudo teve como objetivos desenvolver e implementar um módulo educacional sobre segurança do paciente em anestesiologia para residentes da especialidade, e avaliar a efetividade e o grau de satisfação deles com o módulo. Método: Trata-se de um estudo quase experimental com desenho série temporal interrompida com um grupo, realizado no âmbito do mestrado profissional em Ensino na Saúde, de uma universidade pública do Nordeste do Brasil, com residentes de anestesiologia dos três anos. Desenvolveu-se um módulo educacional, em formato e-book, e implementou-se uma estratégia pedagógica para intermediar a aprendizagem de residentes, em quatro encontros presenciais, ocorridos durante o expediente de atividades práticas no hospital. Realizaram-se uma avaliação de conhecimentos com pré-teste, antes da primeira discussão dos conteúdos de segurança do paciente, no primeiro encontro, e pós-teste, no último encontro, e uma avaliação de satisfação utilizando questionário com escala Likert. Resultado: As notas do pré-teste variaram de 6.25 a 8.75 (média 7.50), enquanto no pós-teste houve uma variação de 7.50 a 10.0 (média 9.03). Houve melhora significativa das notas medianas no pós-teste de 7.50 para 8.75, com p = 0.0199. O questionário de satisfação (coeficiente alfa de Cronbach = 0.793) apresentou respostas satisfatórias para cada um dos itens avaliados, todas variando de “concordo” a “concordo totalmente”. Conclusão: A elaboração e implementação de um módulo educacional para intermediar a aprendizagem durante o processo formativo de residentes de anestesiologia foram efetivas em promover conhecimento sobre segurança do paciente para o anestesiologista em formação, com altos índices de satisfação. Assim, ressalta-se a importância da inserção do tema segurança do paciente na estrutura curricular dos cursos de residência em anestesiologia, com espaço e tempo protegidos para o processo de aprendizagem desses profissionais. Ademais, são necessários mais estudos que possam mensurar o impacto dessa intervenção em longo prazo, sua influência na aquisição de competências e se essas intervenções educacionais melhoram os resultados para os pacientes.

Impressão 3D na relação médico-paciente, relato de experiência da integração entre ensino, inovação e assistência

PID: S1981-52712024000300401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Sanchez Silva Heilmann Tube Almeida Rolim Filho
RESUMO Introdução: Na literatura, diversos artigos apresentam a satisfação dos pacientes e a melhor clareza de entendimento acerca das informações transmitidas pela equipe médica, com o auxílio de peças tridimensionais. A educação e a saúde são práticas inseparáveis e interdependentes, sempre estiveram articuladas, consideradas elementos fundamentais no processo de atuação dos profissionais da saúde. Assim, professores e alunos do curso de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco criaram uma extensão universitária, que objetivava o uso de modelos anatômicos, impressos em 3D, para educação dos pacientes do ambulatório de ortopedia e traumatologia. Relato de experiência: Ao longo dos seis meses de projeto, foram assistidos 77 pacientes, e o projeto contou com o trabalho de três professores e 18 alunos da graduação, totalizando 98 pessoas envolvidas no projeto. As ações foram divididas em dois blocos. O primeiro consistiu na capacitação dos alunos. No segundo, os discentes realizavam visitas ao ambulatório, acompanhados por um médico especialista responsável, usavam peças impressas pelos próprios alunos, para orientar os pacientes quanto à sua respectiva condição, e davam orientações sobre a terapêutica valendo-se dessas peças impressas. Discussão: A possibilidade de utilização dessa ferramenta como auxílio na comunicação médica abre um vasto horizonte de aplicação da impressão 3D na educação popular em saúde. Isso, por sua vez, propicia o aperfeiçoamento da promoção da saúde de regiões menos desenvolvidas, uma vez que essa interação entre equipe de saúde e comunidade permite a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, a partir de um diálogo horizontal, valorizando e respeitando o usuário do sistema de saúde, de maneira a torná-lo agente e protagonista do processo saúde e doença. Conclusão: Projetos de extensão desse tipo têm um enorme potencial para gerar impactos na medicina, na comunidade acadêmica e na população assistida, sobretudo a menos instruída.

Instrumentos avaliativos nos estágios da atenção primária: revisão bibliográfica

PID: S1981-52712024000400301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Marques Cardoso Almeida Oliveira Amorim
RESUMO Introdução: O estágio supervisionado na atenção primária é uma etapa importante na graduação médica. A avaliação é indispensável para a formação dos futuros profissionais que atenderão às demandas da sociedade, uma vez que permite direcionar a aprendizagem. Existem diversos instrumentos avaliativos, seja para a análise cognitiva ou das habilidades e atitudes dos discentes de medicina. Objetivo: Este estudo teve como objetivo elaborar uma revisão integrativa sobre os instrumentos de avaliação para estudantes de Medicina nos estágios da atenção primária no Brasil e em outros países. Método: A busca na literatura foi realizada nas bases de dados National Library of Medicine (MEDLINE) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) via Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e MeSH foram: avaliação do ensino OR avaliação da educação AND estágio clínico AND estudantes de medicina AND estratégia saúde da família OR atenção primária OR atenção básica. Resultado: A partir da combinação dos descritores, obtiveram-se 740 estudos, e, após a análise dos critérios de inclusão e exclusão, elencaram-se seis estudos para a construção da discussão. Identificaram-se diferentes métodos avaliativos, como testes de múltipla escolha, rubrica padronizada para avaliação de habilidade escrita, Objective Structured Clinical Examination (OSCE), conceito global, feedback, autoavaliação e avaliação por pares, além da associação entre alguns deles. Conclusão: Apesar dos diferentes métodos avaliativos encontrados, não existe uniformização desses instrumentos no cenário mundial.

Ligas acadêmicas em saúde: uma revisão sistemática e proposta de checklist norteador de novos estudos

PID: S1981-52712024000100301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Gonsalves Fernandes Casari Falco Neto Rissi
Resumo Introdução: As ligas acadêmicas (LA) são grupos organizados sem fins lucrativos que seguem os princípios do trinômio universitário (ensino, pesquisa e extensão) por discentes e profissionais orientadores, historicamente presentes em faculdades de Medicina, mas também difundidas em diversos cursos de saúde. No entanto, o conhecimento sobre as LA é limitado. Objetivo: Este estudo teve como objetivos realizar uma revisão sistemática sobre as LA de saúde no Brasil, analisar o perfil demográfico e atuação delas no país, e propor concomitantemente um checklist norteador para a redação de relatos de experiência sobre a temática. Método: O estudo consiste em uma revisão sistemática que adotou as orientações do PRISMA e utilizou como banco de dados a BVS e Medline. Realizaram-se a descrição de detalhes das LA, a evolução histórica, o perfil demográfico e a avaliação bibliométrica dos dados obtidos. Além disso, elaborou-se um checklist (Crelas) para orientar novos relatos de experiência de LA. Resultado: Foram selecionados 2.064 estudos, e incluíram-se 74 artigos em 20 anos de análise (2003-2022). O perfil das LA em saúde se alterou com o passar dos anos, chegando ao modelo atual pautado no tripé de atividades. Ainda assim, as LA são heterogêneas no país, concentradas em algumas regiões, especialmente no Sudeste. Ademais, observaram-se uma heterogeneidade dos estudos, ausência de uma revista central e carência de estudos quantitativos uni/multicêntricos que avaliassem o impacto das LA na formação dos estudantes. Conclusão: Ainda são necessários novos estudos sobre essa temática com o propósito de esclarecer a lacuna acerca das atividades desenvolvidas e seus impactos acadêmicos e sociais.

Matriz de competências em ultrassonografia para um programa de residência médica em radiologia

PID: S1981-52712024000400220 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Dantas Diniz Vilar
RESUMO Introdução: O processo de formação médica no Brasil e no mundo vem se aperfeiçoando nas últimas décadas por meio do desenvolvimento de currículos organizados por competências. Nesse contexto, a Comissão Nacional de Residência Médica tem publicado as matrizes de competências, gerais e temáticas, para a formação do especialista, entre elas a referente aos programas de residência médica em radiologia e diagnóstico por imagem (PRM-RDI). Objetivo: Este estudo teve como objetivo elaborar a matriz de competências específica para o treinamento em ultrassonografia (US) aliada aos avanços na definição de estratégias de ensino-aprendizagem e avaliação, durante um PRM-RDI. Método: Foi realizado um estudo exploratório, descritivo composto, inicialmente, por meio de uma análise documental para a elaboração de uma versão inicial da matriz. A seguir, fez-se a construção coletiva da matriz de competências, utilizando o método Delphi modificado, com a aplicação de questionários para um painel de nove especialistas. Resultado: Com base na construção da matriz de competências inicial e após três rodadas de questionários, ocorridas entre novembro de 2022 e abril de 2023, obteve-se o consenso de opiniões entre os participantes e determinou-se a matriz de competências final. A maior taxa de concordância ocorreu entre as competências gerais, com seus métodos de ensino, as competências específicas de áreas médicas mais desenvolvidas pelos preceptores participantes e as competências para o primeiro ano de residência médica. A maior taxa de discordância ocorreu entre métodos de avaliação e atividades com pouca ou nenhuma oportunidade de treinamento. Não houve a sugestão de novos itens, mas apenas a alteração de alguns itens avaliados e a retirada de outros. Conclusão: A matriz de competências na área de US para um PRM-RDI representa um instrumento relevante para a formação por competência e a melhoria da qualidade da prática profissional, com foco no aprimoramento da formação em US.

Medicina culinária: relato de experiência de uma disciplina eletiva para alunos de Medicina

PID: S1981-52712024000300402 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Nascimento Watanabe Bueno Katekawa Cruz Alvarenga Machado Yarak
RESUMO Introdução: O aumento global da alimentação não saudável está intimamente ligado a uma tendência de redução na preparação da comida feita em casa. Já existem estudos que mostram uma associação positiva entre o aumento das habilidades culinárias e a redução de risco cardiovascular. Somado a isso, o baixo tempo destinado à educação nutricional no currículo das faculdades de Medicina contrasta com as altas taxas de mortalidade atribuíveis à má alimentação. A medicina culinária (MC) é um campo emergente da medicina, que traz uma nova abordagem educacional, baseada em evidências científicas, cujo objetivo é ensinar o poder que a comida tem sobre a saúde e melhorar os comportamentos alimentares dos profissionais de saúde e, consequentemente, de seus pacientes. Relato da experiência: Desenvolveu-se uma disciplina eletiva de MC na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que resultou em um relato de experiência, com abordagem qualitativa, realizado com 18 alunos que participaram de encontros semanais durante cinco semanas de forma 100% online, por meio da plataforma Zoom. Os dados deste estudo foram coletados por meio de portfólios, em que cada estudante descreveu sua experiência com o curso. A avaliação do material foi feita por meio de análise temática. Aplicou-se um questionário que avaliou o Índice de Habilidades Culinárias, desenvolvido e validado segundo a autoeficácia no desempenho das habilidades culinárias e tendo como referencial teórico o Guia alimentar para a população brasileira. Discussão: Existem inúmeros desafios, como a conscientização dos médicos sobre a importância desse assunto, que muitas vezes parece ser mais prático do que técnico, e a subjetividade do tema sobre mudança de comportamento de médicos e pacientes. No entanto, os resultados deste estudo evidenciam que os alunos que realizaram a eletiva acreditam que essa reformulação curricular é extremamente importante e urgente. Conclusão: Observa-se uma tendência mundial de transformação da grade curricular dos profissionais da saúde, e acredita-se que esse processo pode ser iniciado nas faculdades de Medicina por meio de disciplinas eletivas de MC como a que foi implementada na Escola Paulista de Medicina da Unifesp.
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