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Competência clínica de alunos de medicina em estágio clínico: comparação entre métodos de avaliação

PID: S1981-52712010000100015 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Domingues Amaral Zeferino Antonio Nadruz
Objetivo: Comparar quatro métodos de avaliação com base nas notas obtidas por alunos do quarto ano de Medicina em estágio clínico. Método: Ao final do estágio clínico em Ginecologia e Obstetrícia, Clínica Médica e Pediatria, em unidades de atenção primária, 106 alunos do quarto ano foram avaliados com base em quatro métodos: Prova Teórica (Pt), Portfólio (Pf), Avaliação Estruturada do Atendimento Clínico (AE) e Conceito Global Itemizado (CGI), (escala 0-10). A análise estatística utilizou coeficiente alfa de Cronbach, teste de Wilcoxon para dados pareados, coeficiente de correlação de Pearson, análise de componentes principais e distância euclidiana. Resultados: As medianas mais baixas foram de PT, e as mais altas, de AE. Houve diferença significativa nas distribuições das notas entre todos os pares de métodos (P < 0,001). A correlação mais forte e a maior concordância ocorreram entre as notas de AE e CGI. A análise de componentes principais contrastou as notas de Pt e Pf com as de AE e CGI. Conclusão: Cada método parece enfocar diferentes aspectos da competência clínica. AE e CGI parecem avaliar competências semelhantes, em oposição a Pf e Pt. Portanto, nenhum método deve ser utilizado isoladamente para avaliar os alunos em estágio clínico.

Conceito e avaliação de habilidades e competência na educação médica: percepções atuais dos especialistas

PID: S1981-52712010000300006 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Aguiar Ribeiro
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para cursos de Medicina orientam mudanças nos currículos e processos de ensino-aprendizagem-avaliação para desenvolvimento de competências e habilidades profissionais. O presente trabalho, iniciativa da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), investiga os significados e a apropriação da noção de competência por estudiosos da avaliação educacional na medicina. Foram realizadas dez entrevistas mediante roteiro com questões abertas e respondentes selecionados a partir de sua produção acadêmica sobre o assunto. Suas narrativas foram submetidas a análise de conteúdo mediante análise temática. Os resultados enfocam o significado da competência, o papel dos sujeitos e do contexto na construção da competência e a relação entre avaliação de competência e construção da integralidade em saúde. Observa-se que, embora de modos heterogêneos, o conceito de competência tem sido apropriado de modo fértil pelos especialistas brasileiros. No entanto, o estudo sugere que a consolidação de uma “cultura de avaliação” nas escolas médicas demandará investimentos em núcleos de estudo e pesquisa para aprofundamento de conceitos, objetivos, seleção de conteúdos, pactuação de critérios, elaboração de instrumentos e treinamento de avaliadores nas instituições brasileiras.

Concepções sobre assédio moral: bullying e trote em uma escola médica

PID: S1981-52712010000400005 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Villaça Palácios
O termo bullying vem sendo utilizado para descrever um tipo de violência insidiosa e devastadora, que compromete negativamente a saúde e o ambiente. Pesquisas conduzidas sobre o tema em estudantes de Medicina revelam que ela ocorre especialmente sob a forma de abusos repetidos, mas permanece pouco explorada durante a formação médica. O objetivo deste trabalho é analisar o tema do trote como aparece nas falas de docentes e estudantes quando são estimulados a relatar situações de violência entre alunos durante a graduação em Medicina. Foi feita pesquisa de caráter exploratório, qualitativa, de corte transversal, sob a forma de estudo de caso. Foram entrevistados alunos em cargo de representação e professores em cargo de chefia. Os resultados evidenciaram a ocorrência de diversas situações de abuso, especificamente durante o trote universitário. É necessário um amplo debate sobre a violência na universidade. Para que se construa um ambiente de respeito e cooperação, adequado ao desenvolvimento de pessoas, a violência precisa ser banida das universidades.

Construção de espaço social unificado para formação de profissionais da saúde no contexto do Sistema Único de Saúde

PID: S1981-52712010000200016 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Ferreira Cotta Lugarinho Oliveira
Este ensaio pretende refletir criticamente sobre a importância do processo de formação dos profissionais de saúde, enfocando aspectos de produção de subjetividade - modelos de atenção que trabalhem uma educação em saúde que amplie a autonomia e a capacidade de intervenção das pessoas sobre suas próprias vidas com a experimentação de alteridade com os usuários de produção de habilidades técnico-científicas e o adequado conhecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Destaca-se a relevância da articulação/interação entre os serviços de saúde e as instituições formadoras, problematizando o trabalho, organização de saúde e ensino, e construindo significados e práticas com orientação social, mediante participação ativa dos gestores setoriais, formadores, usuários e estudantes. Por fim, aborda a importância da construção de espaços sociais, denominados “espaço de possíveis”, que tendem a definir o universo de problemas, referências, marcos teóricos, atores e instituições. E é esse “espaço de possíveis” que possibilita concretizar a relação de trabalho desejada de forma efetiva no mundo real.

Desenvolvendo habilidades para um atendimento clínico humanizado: relato de uma experiência na disciplina de semiologia médica

PID: S1981-52712010000100020 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Leal Ribeiro
A utilização da expressão livre, com estímulo à criatividade, é apresentada como um método para o aprendizado das habilidades de comunicação e para a reflexão sobre a relação médico-paciente na disciplina de Semiologia Médica. O desenvolvimento dos trabalhos em grupo pelos estudantes estimula a reflexão e a criatividade sobre a atividade vivenciada nos ambulatórios e possibilita o exercício do trabalho em equipe.

Educação em saúde e espiritualidade: proposições metodológicas

PID: S1981-52712010000400015 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Dal-Farra Geremia
A complexidade inerente à vida humana no período contemporâneo traz à luz novos desafios para os profissionais de saúde, concernentes às inter-relações entre saúde e espiritualidade. Para além dos limites da fisiologia corporal, a consideração do ser humano do ponto de vista integral representa um aspecto importante da formação dos profissionais da área. O objetivo deste artigo é abordar as interconexões entre saúde e espiritualidade, e contribuir para as reflexões a respeito das possíveis abordagens de inclusão destas questões nos currículos.

Educação médica continuada online: potencial e desafios no cenário brasileiro

PID: S1981-52712010000100017 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Leite Carlini Ramos Sigulem
Coma intensa produção e veiculação de informações científicas, tornou-se difícil para o profissional médico manter- se atualizado com os recursos habituais. A necessidade de conhecer e de participar de processos de formação continuada se impõe. Entre outras iniciativas, a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina lançaram o Programa Nacional de Educação Continuada a Distância para médicos, buscando divulgar o conhecimento produzido nos grandes centros para profissionais de áreas mais remotas ou com reduzida disponibilidade de tempo. Tendo como pressuposto que a Sociedade do Conhecimento requer a formação inicial e continuada de profissionais e de cidadãos com um novo conjunto de competências para atuar com eficiência e responsabilidade, esses programas devem ser desenvolvidos com base em abordagens pedagógicas que efetivamente valorizem, além dos conteúdos de ensino, a disposição para a pesquisa, a autonomia na busca da informação, o espírito colaborativo e a postura ética, entre outras. No intuito de contribuir para essa reflexão, este texto tem por objetivos retomar o processo de formalização da educação médica continuada a distância no Brasil em termos didático-pedagógicos e analisar perspectivas dessas ações educativas.

Educação permanente: uma ferramenta para o desenvolvimento docente na graduação

PID: S1981-52712010000400002 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Lazarini Francischetti
Objetivo: Descrever a percepção dos docentes tutores e dos docentes da Unidade de Prática Profissional (UPP) da primeira série dos cursos de Medicina e Enfermagem da Famema quanto à relevância de participar do programa de Educação Permanente (EP). Métodos: Estudo exploratório com questionário semiestruturado. Empregou-se a técnica de análise temática do Discurso do Sujeito Coletivo. Resultados: A quase totalidade dos sujeitos considerou a atividade de EP como relevante. Os docentes da UPP apontaram ótimo espaço para aprendizagem, troca de experiências e reflexão sobre a prática. As ideias centrais dos tutores foram bom espaço de discussão e reflexão, porém um momento mal aproveitado. Considerações: Para os docentes da UPP, a proposta da EP (reflexão sobre a prática) vem sendo atingida, mas não tem respondido às expectativas e ao entendimento dos tutores. Dada a importância do desenvolvimento docente para a sustentação de um currículo inovador, é necessário problematizar os sentidos implícitos nesta fala em busca de uma EP mais responsiva aos tutores.

Empatia, relação médico-paciente e formação em medicina: um olhar qualitativo

PID: S1981-52712010000200010 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Costa Azevedo
A Relação Médico-Paciente (RMP) vai além do encontro situacional entre esses dois intérpretes, algo maior do que fazer perguntas e exames físicos, receitar medicamentos e prescrever condutas. Estudos sugerem que a RMP mescla habilidades técnicas e pessoais. Frente ao dissabor de atuações médicas homogeneizantes que ignoram a pessoalidade intrínseca de cada vivente, a empatia surge de forma prática na RMP para promover grandes avanços diametralmente opostos a estas práticas. Empatia, no contexto médico, remete à sensibilização do médico pelas mudanças sentidas e refletidas, momento a momento, pelo paciente. Talvez a empatia encontre seu significado mais compreensível na célebre frase de Ambroise Paré: “curar ocasionalmente, aliviar frequentemente e consolar sempre”. Considerando que a empatia pode enriquecer a prática médica, pode-se cogitar a possibilidade de ensinar a ser empático ou discutir a importância da empatia sob a ótica de docentes do curso de Medicina. Para isto, este artigo aborda, de maneira qualitativa, a empatia e sua importância na RMP para a formação de novos médicos numa universidade pública e discute sua transmissibilidade.

Ensino e práticas de promoção da saúde durante o primeiro ano de medicina, Unicamp

PID: S1981-52712010000400018 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Sperandio Passos Oliveira Bisinotto Santo Celestrino Silva Kunii
Introdução: Conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais e as orientações da Abem para ampliar a visão generalista da prática médica, a FCM-Unicamp renovou seu currículo ao implantar, no primeiro ano do curso de Medicina, a disciplina Ações de Saúde Pública, na qual os alunos devem identificar e atenuar um problema da região mediante projetos de intervenção nos Centros de Saúde (CS). Foi desenvolvido um projeto com foco nos motivos e consequências da presença de adolescentes grávidas nas redondezas do CS São Quirino em 2008. Objetivo: Contribuir para a melhoria da qualidade de vida de adolescentes e bebês. Métodos: Selecionadas as adolescentes, aplicou-se um questionário e formou-se um Grupo de Gestantes no CS. Oficinas com temas variados foram desenvolvidas. Resultados: Alunos e funcionários do CS trabalharam harmonicamente, o que viabilizou a sustentabilidade do trabalho nos anos seguintes. Conclusão: As adolescentes reconheceram a importância dos cuidados com a gravidez, e os alunos tiveram contato precoce com as práticas do SUS.

Epidemiologia e estatística: integrando ensino, pesquisa, serviço e comunidade

PID: S1981-52712010000200019 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Lima
O novo modelo de saúde brasileiro exige médicos dotados de visão social abrangente e capacitados para prestar à comunidade cuidados permanentes e resolutivos, bem como profissionais críticos diante da tomada de decisões. Este relato descreve uma experiência estratégica de ensino de epidemiologia e bioestatística no curso de Medicina, cuja construção do processo foi centrada no educando, que foi o agente dos conhecimentos adquiridos, por meio da produção de informações e da pesquisa na comunidade ou nos serviços de saúde. Esta estratégia resultou na integração e interdisciplinaridade acadêmica, contribuindo para a compreensão de assuntos clínicos considerando a abordagem epidemiológica e estatística. Os acadêmicos despertaram para a importância da produção científica e da construção do currículo profissional ainda na fase acadêmica, sendo capazes de identificar problemas locais e direcionar as intervenções, e reconhecer que isto representa um dos objetivos mais importantes da pesquisa em saúde. Os resultados indicam que a epidemiologia e a bioestatística podem ser trabalhadas no curso de Medicina com o mesmo sucesso de outras disciplinas da clínica, desde que seja favorecida a aprendizagem significativa dos acadêmicos.

Equipe multiprofissional em saúde da família: do documental ao empírico no interior da Amazônia

PID: S1981-52712010000300007 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Moretti-Pires Campos
As equipes multiprofissionais foram adotadas na Estratégia de Saúde da Família (ESF), justamente para que este modelo de atenção permita a articulação entre saberes na prática da assistência à saúde. Objetivo: Investigar a percepção dos médicos, enfermeiras e odontólogos sobre o funcionamento de equipes multiprofissionais na Saúde da Família do município de Coari (AM). Métodos: Pesquisa qualitativa, com roteiro semiestruturado, aplicado em entrevistas individuais a todos os profissionais da atenção primária do município, comparadas a entrevistas com fisioterapeutas e psicólogos de serviço secundário, analisadas à luz da hermenêutica dialética. Resultados: Com exceção do discurso dos psicólogos, a percepção dos médicos e demais profissionais de Saúde da Família demonstra a fragilidade na construção do projeto de intervenção conjunta, necessário principalmente à ESF, apresentando a perspectiva de que o trabalho multiprofissional se dá apenas em teoria e não na lógica que rege o processo de trabalho.

Feira de saúde do curso de medicina da UFRR: uma aproximação com a comunidade

PID: S1981-52712010000200017 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Ferreira Moura Silva Rocha Olivares Hayd
As Feiras de Saúde do curso de Medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR) buscam informar e sensibilizar a comunidade quanto à melhoria da qualidade de vida a partir da prevenção, orientando para a mudança de hábitos de vida e diagnosticando precocemente as doenças a fim de tratá-las e curá-las. Além disso, a UFRR busca se aproximar da população boa-vistense por meio desse trabalho de extensão universitária e da realização de um serviço de utilidade pública de grande relevância acadêmica e comunitária. A diversidade das lições aprendidas, registradas como relatos de experiências ou como estudos, pelo conjunto de profissionais, gestores, pesquisadores e acadêmicos constituiu um importante estímulo ao debate acerca dos limites e possibilidades do Programa Saúde da Família e da interação do acadêmico na comunidade.

Formação profissional no SUS: o papel da atenção básica em saúde na perspectiva docente

PID: S1981-52712010000200004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Ferreira Fiorini Crivelaro
A educação médica tem sofrido profundas críticas quanto à necessidade de diversificar os cenários de ensino-aprendizagem para que se construam novos currículos e sujeitos, possibilitando-lhes a inserção num processo pedagógico reflexivo e dinâmico. O objetivo desta pesquisa é analisar a percepção que docentes da Unidade de Prática Profissional da Faculdade de Medicina de Marília têm acerca do papel que a Atenção Básica de Saúde (ABS) desempenha na formação profissional dos estudantes. Realizou-se um estudo qualitativo por meio de grupos focais com análise de discurso dos sujeitos entrevistados. Construíram-se três categorias: o papel da ABS na construção do SUS; o papel do SUS na formação profissional de novos sujeitos; o papel docente na construção profissional de novos sujeitos. Considera-se fundamental o papel exercido pela ABS na formação dos profissionais de saúde, notadamente profissionais críticos e reflexivos, destacando-se o papel transformador e emancipador que o docente exerce nessa formação.

Internato Longitudinal

PID: S1981-52712010000300013 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Demarzo Fontanella Melo Avó Kishi Mattos Floriano Mello
O internato médico tem gerado recorrente debate frente às transformações curriculares em andamento no País. A despeito das discussões, um modelo de internato consonante com essas mudanças ainda não foi consistentemente delineado. Neste ensaio, trazemos uma proposta de matriz estruturante para o internato médico. Propomos que o internato médico seja realizado durante os seis anos do curso, de forma longitudinal, tendo como eixo estruturante a clínica da Atenção Básica (AB). Esse modelo de “internato longitudinal” prevê a introdução progressiva na prática clínica, iniciando-se pela AB nos dois primeiros anos, acrescentando-se progressivamente os ambulatórios de especialidades, os estágios hospitalares e demais atividades práticas, alcançando-se, dessa forma, o rol de diversidade e complexidade previsto para o egresso da escola médica.

Internato regional e formação médica: percepção da primeira turma pós-reforma curricular

PID: S1981-52712010000100004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Ruiz Farenzena Haeffner
As escolas médicas brasileiras priorizam o ambiente hospitalar para o ensino e acabam formando profissionais carentes de compromisso social. O curso de Medicina da Universidade Federal de Santa Maria implantou, em2004, um novo currículo que inclui o Internato Regional (IR), em que o interno permanece dois meses em município conveniado, atuando em atenção primária em saúde. Este estudo transversal e quanti-qualitativo teve por objetivo conhecer a percepção dos acadêmicos da primeira turma que realizou o IR sobre o impacto desse modelo de estágio em sua formação, mediante a aplicação de um questionário semiestruturado. Mais de 75% das respostas apontaram ter havido contribuição para maior conhecimento da realidade social e profissional, aprimoramento da relação médico-paciente e desenvolvimento de autoconfiança no exercício da profissão. O principal ponto negativo ressaltado foi o despreparo dos médicos-preceptores para atuar como docentes. No atual contexto de mudanças, o IR surge como uma proposta satisfatória de ampliação dos cenários de prática-ensino-aprendizagem e contribui com a formação humana e pessoal dos futuros médicos, apesar de ainda carecer de preceptoria qualificada.

Knowledge of common pediatric cancers among medical students in northeast Brazil

PID: S1981-52712010000400012 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Barros Samico Feliciano Oliveira
Introdução: Durante as últimas décadas, o diagnóstico precoce do câncer pediátrico tem tido importante destaque na agenda internacional. Neste estudo, os autores avaliaram estudantes oriundos de uma faculdade de medicina no Recife, Brasil, considerando conhecimento e práticas no reconhecimento precoce do câncer pediátrico. Métodos: estudo de corte transversal com uma amostra de 82 estudantes de um total de 86 elegíveis para o estudo. Os dados foram coletados por meio de questionários autoaplicáveis. Os subgrupos foram definidos de acordo com o conhecimento sobre o tema e a auto-percepção dos estudantes acerca de sua competência e interesse no aprendizado. Resultados: 74,4% apresentaram conhecimento mínimo. O grupo sem conhecimento mínimo e com competência percebida para identificar casos suspeitos (23,3%) se encontrava na pior situação no sentido do diagnóstico precoce. Todos expressaram interesse em aprender mais sobre o tema. Conclusões: Apesar dos níveis aceitáveis de conhecimento entre os estudantes, a definição de aspectos centrais dos processos de ensino-aprendizagem seria extremamente útil para a formação de médicos com competência para diagnosticar e tratar o câncer pediátrico.

Ludicidade e narrativa: estratégias de humanização na graduação médica

PID: S1981-52712010000400004 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Daltro Bueno
Introdução: Este trabalho apresenta a avaliação de uma experiência educacional inovadora que articula a construção do conhecimento às questões subjetivas do sujeito. A disciplina Desenvolvimento do Ciclo de Vida (DCV), ministrada no terceiro semestre, usa ludicidade e Narrativa Autobiográfica como método e busca compreender os processos psicológicos típicos da gestação ao envelhecimento e desenvolver competências interpessoais necessárias à prática médica. Objetivo: Descrever a avaliação de estudantes egressos da disciplina sobre seus efeitos educacionais. Metodologia: Estudo descritivo qualitativo, realizado numa instituição privada de ensino superior em Salvador, na Bahia. Análise de conteúdo de sete entrevistas semiestruturadas com um estudante de cada semestre, desde que a disciplina começou a ser oferecida. Utilizou-se a análise de domínios, e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética. Resultados: Os entrevistados percebem o método utilizado como uma estratégia de aprendizagem positiva e referem um importante reflexo desta em seu processo formativo. Discussão/Considerações: A aquisição do conhecimento se faz com processos reflexivos e possibilita a percepção dos limites e possibilidades do sujeito, qualificando suas competências interpessoais. A humanização emerge espontaneamente, evidenciando o impacto da disciplina na construção da identidade profissional desses estudantes.

Medicina baseada em evidências: instrumento para educação médica permanente entre psiquiatras?

PID: S1981-52712010000200013 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Tsuji Zamperin Tsuji Caputo
Introdução: O médico atualizado pode oferecer o melhor cuidado ao paciente e evitar consequências negativas que a defasagem científica pode acarretar. Objetivos: Identificar os meios de atualização utilizados pelos psiquiatras brasileiros; avaliar seus conhecimentos sobre Medicina Baseada em Evidências (MBE) e sua utilização na educação permanente. Método: Estudo transversal realizado no XXIV Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Os participantes (n = 188) responderam um questionário anônimo autoaplicado, com 28 perguntas sobre características sócio demográficas, fontes e periodicidade de atualização, e conhecimentos sobre MBE. Resultados: Para atualização de conhecimentos, 98,3% utilizavam os congressos brasileiros; 97,9% as revistas nacionais; 93,9% os livros-texto; 89,9% as revistas das indústrias farmacêuticas; 63,5% os consensos brasileiros; 63,3% a base de dados Medline; 56,7% as revistas internacionais; e 35% a Biblioteca Cochrane. Os fatores estatisticamente significativos associados com bom conhecimento sobre MBE foram estar graduados há menos de dez anos (p < 0,001), usar o Medline (p < 0,009) e a Biblioteca Cochrane (p < 0,03) como fonte de busca de literatura médica. Conclusões: Os psiquiatras fazem pouco uso da melhor fonte de evidência para educação médica permanente e continuada, havendo, assim, menor benefício aos pacientes na tomada de decisão clínica.

Medicinas alternativas e complementares no ensino médico: revisão sistemática

PID: S1981-52712010000100012 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2010
Autores: Christensen Barros
O aumento crescente da utilização das medicinas alternativas e complementares (MAC) requer que os profissionais de saúde estejam aptos a informar e atender seus pacientes, reconhecer efeitos colaterais, interações medicamentosas e praticar com segurança as medicinas complementares, isoladas ou associadas às medicinas convencionais. Este trabalho faz uma revisão sistemática da literatura (RSL) sobre o ensino das MAC em escolas médicas, com a finalidade de refletir sobre as evidências publicadas. Foram analisados 33 artigos indexados no banco eletrônico de referências Pubmed, identificados a partir dos descritores: “ensino das medicinas alternativas e complementares” e “complementary and alternative medicine teaching”. Observaram-se diferentes formas de inserção das MAC no ensino, atitudes positivas dos estudantes de Medicina frente a elas edesejo de aprendê-las como objetivo de tratar e orientar futuros pacientes. Conclui-se que o ensino das MAC nas escolas de Medicina tem como fundamento adicionar à prática médica ferramentas diagnósticas e terapêuticas para a atenção, prevenção e promoção, nos diversos níveis de complexidade do sistema de saúde.
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