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Medicina e espiritualidade: o perfil de estudantes e médicos de uma escola médica brasileira

PID: S1981-52712024000100207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Banin Silva coleta e tabulação de dados (aplicação dos questionários) Moreira Padula Mariotti Andrade
Resumo Introdução: Pesquisas científicas indicam que a espiritualidade desempenha um papel importante na vida da maioria dos pacientes. Além disso, atividades e crenças religiosas podem, de acordo com algumas pesquisa, estar relacionadas à melhor saúde e qualidade de vida1. Objetivo: Este estudo teve como objetivos avaliar o nível de espiritualidade de estudantes de Medicina e de médicos já formados, e analisar o ensino da interface “medicina e espiritualidade” na escola médica. Método: Realizamos um estudo transversal descritivo por meio da aplicação de questionários a estudantes de Medicina e médicos de uma escola médica pública brasileira. Resultado: Avaliaram-se 234 participantes. A maioria acredita em uma força superior. A espiritualidade foi maior entre médicos já formados e entre pessoas do sexo feminino. A maioria acredita que a formação universitária não prepara o médico para abordar o tema com os pacientes. Apesar dessa limitação, a maioria já abordou a espiritualidade com seus pacientes. Conclusão: Médicos e estudantes de Medicina consideram importante contemplar, de maneira ecumênica e respeitosa, aspectos espirituais dos pacientes. Apesar disso, consideram que não receberam preparo suficiente na escola médica para essa abordagem.

Mentoria entre pares na transição para ciclo clínico na Famed/UFVJM: percepções dos estudantes participantes

PID: S1981-52712024000400205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Melillo Chagas Leite
RESUMO Introdução: Na educação médica, programas de mentoria entre pares fomentam que alunos mais experientes ajudem colegas iniciantes no seu desenvolvimento. Mentorear o indivíduo durante sua vida universitária é uma maneira de oferecer suporte especialmente em momentos de transição, possibilitando o debate de tópicos relevantes muitas vezes não contemplados no currículo formal, como desempenho acadêmico, saúde mental e soft skills. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as contribuições da mentoria entre pares na transição para o ciclo clínico desenvolvida em uma escola médica, a partir da percepção dos estudantes participantes. Método: Trata-se de estudo transversal, descritivo, com abordagem qualiquantitativa. Foram realizadas três jornadas de mentoria entre pares, com quatro a seis encontros semanais entre grupos de discentes mentores do sexto ao décimo período e mentorados do quarto. Houve atividades voltadas ao aprendizado de habilidades médicas, discussão de casos clínicos, treinamento de anamnese e comunicação médica, além do compartilhamento de vivências. Os alunos participantes foram convidados a responder, anonimamente, a questionários online autoaplicados antes do início e após o último encontro. Realizaram-se análises estatísticas simples, frequências absoluta e relativa das variáveis concernentes às questões fechadas, e análise temática das respostas às questões abertas. Resultado: Participaram das três jornadas 144 estudantes: 99 mentorados e 45 mentores. Destes, 66% dos mentorados e 86% dos mentores responderam aos questionários. Pela visão da ampla maioria, a mentoria se mostrou efetiva, trazendo benefícios para mentorados e mentores. Os mentorados mencionaram que se sentiram mais preparados para as próximas atividades envolvendo atendimento ambulatorial e mais satisfeitos com o próprio desenvolvimento acadêmico e com as atividades de capacitação em habilidades de comunicação médica ofertadas pelo curso. Os mentores relataram que seus mentorados também os prepararam para avançar no curso e que auxiliaram no desenvolvimento pessoal e acadêmico. Conclusão: A mentoria entre pares na transição para o ciclo clínico revelou-se estratégia promotora de desenvolvimento acadêmico e pessoal, na percepção dos participantes, estimulando o engajamento dos estudantes, tanto mentores quanto mentorados, no processo de ensino-aprendizagem. Mais estudos com metodologias diversas, como aplicação de escalas, acompanhamento prospectivo ou análise de indicadores de êxito, podem incrementar a compreensão das contribuições da mentoria entre pares para a formação dos futuros médicos.

Metodologia da problematização no ensino remoto para debater sobre infecções sexualmente transmissíveis em idosos

PID: S1981-52712024000100401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Sales Andrade Lima Oliveira
Resumo Introdução: Atualmente o Brasil mostra um expressivo aumento da sobrevida e consequente elevação do número de idosos na sua população. Do ponto de vista de propostas para a melhoria da qualidade de vida deles, a sexualidade deve ser compreendida a partir do princípio holístico, não somente do fator biológico. Nesse cenário, novas reflexões de profissionais da saúde tornam-se indispensáveis para o planejamento de ações específicas, objetivando a atenção integral à saúde do idoso. Relato de experiência: O presente relato de experiência traz o início de um diálogo com acadêmicos de Medicina de uma universidade pública sobre a complexidade da sexualidade e infecções sexualmente transmissíveis (IST) em idosos, buscando identificar o conhecimento desses discentes sobre o assunto e idealizar propostas de ação ao público-alvo. Para isso, estruturou-se uma estratégia de ensino-aprendizagem cuja abordagem consistiu na adaptação e aplicação da metodologia do Arco de Maguerez para o debate sobre IST no contexto da saúde pública brasileira, o qual foi realizado com base nas diretrizes do ensino remoto emergencial. Nossos resultados vão de encontro à literatura que visa compreender as representações sociais acerca da sexualidade dos idosos. Neles, verificou-se que as representações sociais acerca da sexualidade na terceira idade assemelham-se à descrição científica, apresentado similitude entre o senso comum e o conhecimento erudito. Discussão: Diante da discrepância descrita na literatura quanto aos conceitos errôneos por parte dos idosos e dos familiares e pelos profissionais de saúde acerca da sexualidade na terceira idade, são imprescindíveis a realização de campanhas e o desenvolvimento de medidas e estratégias preventivas voltadas para idosos, a fim reduzir a incidência de IST nessa comunidade. Para isso, são fundamentais estratégias de educação em saúde no ensino acadêmico e de educação profissional continuada para sedimentar os conhecimentos necessários na idealização de propostas eficazes. Conclusão: A partir da formação médica adequada e por meio da discussão dos aspectos complexos sobre o assunto, serão possíveis a construção, a implementação e a avaliação de políticas públicas de saúde para o enfrentamento das IST, de modo a diminuir as barreiras relacionadas à prevenção de doenças e à promoção de saúde sexual na população idosa.

Metodologias ativas de ensino-aprendizagem em genética humana: percepção de discentes dos cursos de saúde

PID: S1981-52712024000300217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Santos Mourão Oliveira
RESUMO Introdução: No processo de ensino, as estratégias de ensino, como as metodologias ativas, desempenham um papel fundamental na promoção da construção do conhecimento dos alunos, especialmente em disciplinas com temáticas e conteúdos científicos de difícil assimilação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a percepção dos alunos sobre as metodologias ativas usadas na disciplina de Genética Humana nos cursos de saúde de uma universidade pública do Amazonas. Método: Neste estudo, alunos de Enfermagem, Medicina e Odontologia responderam a um questionário com alternativas de respostas em escalas Likert sobre seis metodologias ativas na sala de aula: construção de modelo didático, gamificação, aprendizagem baseada em equipe, sala de aula invertida, estudo de casos clínicos e aprendizagem baseada em vídeo. Avaliou-se a confiabilidade das respostas, e testes qui-quadrado, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis foram usados para análises de associação com nível de confiança de 95%. Resultado: Os participantes, em sua maioria mulheres, tinham uma média de idade de 20,4 ± 3,5 anos. Os alunos de Medicina foram os mais representativos em quatro das seis metodologias ativas usadas. Observou-se uma associação significativa entre o sexo feminino e a preferência pela metodologia de construção de modelo didático, enquanto o sexo masculino tendeu a avaliar mais positivamente a aprendizagem baseada em vídeo. Além disso, a análise individual revelou que a aprendizagem baseada em vídeo foi mais associada ao curso de Odontologia em comparação com Enfermagem, enquanto o estudo de casos clínicos foi mais favorecido pelos alunos de Medicina em comparação com Enfermagem. Isso sugere uma preferência dos estudantes de Odontologia e Medicina por essas metodologias, respectivamente. Quanto ao entendimento do conceito de metodologias ativas, a palavra “aluno” foi a mais frequentemente mencionada. Conclusão: Os alunos reconhecem o envolvimento direto das metodologias ativas, mas têm compreensão parcial dos benefícios. Metodologias ativas em genética humana motivaram e despertaram interesse. Docentes devem considerar a diversidade de competências e preferências dos alunos ao usarem tais metodologias, bem como compartilhar suas experiências e buscar uma educação permanente.

Metodologias para calcular os custos de um curso de graduação em Medicina: uma revisão de escopo

PID: S1981-52712024000300301 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Maia Brito Silva Jr Poz
RESUMO Introdução: Em julho de 2021, o Brasil tinha 373 cursos de Medicina autorizados pelo MEC, dos quais 229 de instituições privadas, com um valor médio de mensalidade de R$ 8.242,70. O grande volume de recursos envolvidos em mensalidades, bolsas e fomentos (Prouni, Fies etc.) justifica o esforço envolvido neste trabalho. Objetivo: A revisão visou identificar as metodologias de análise de custo de formação de médicos, classificando-as segundo categorias de nível de ensino e abrangência do custo. Método: A metodologia escolhida foi a revisão de escopo, dado que a produção na área de foco é irregular e com lacunas metodológicas. Resultado: As buscas em português e inglês resultaram na seleção de 24 textos, que foram agrupados em nove grupos, elaboradas a partir do foco de seus conteúdos combinados com os interesses da pesquisa. Conclusão: A inexistência de consenso metodológico e a busca por otimizar recursos e avaliar a eficácia do ensino reforçam a necessidade do desenvolvimento de metodologias de apuração de custos da graduação em Medicina.

Modelos de preceptoria de residência em medicina de família e comunidade: um estudo Delphi

PID: S1981-52712024000100203 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Maggioni Pessoa Trindade Pessoa
Resumo Introdução: A preceptoria na atenção primária à saúde desempenha papel central na formação do residente, já que 70%-80% da carga horária dos programas de residência de medicina de família e comunidade (PRMFC) acontece na unidade de saúde da família. Como preceptor entende-se o professor que ensina na prática clínica. O cenário atual de expansão dos PRMFC, associado a poucos profissionais especializados em preceptoria, fez com que vários modelos fossem praticados. Uma revisão de literatura feita em estágio anterior a este trabalho, além das contribuições da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, identificou quatro modelos de preceptoria em MFC: ombro a ombro, preceptor da equipe ao lado, preceptor de unidade e preceptor de campo. Objetivo: Este estudo teve como objetivos validar esses quatro modelos e identificar outros, determinar, sob a ótica da qualidade de formação dos residentes, a aceitabilidade e o grau de recomendação dos modelos, e reconhecer os pontos positivos e negativos. Método: Utilizou-se a técnica Delphi modificada por questionários on-line. O estudo começou com 24 participantes de todo o Brasil na primeira rodada e terminou com 18. Aplicaram-se a técnica de estatística descritiva e a análise de conteúdo. O estudo foi realizado entre fevereiro e abril de 2022. Resultado: Validaram-se os quatro modelos apresentados, e nenhum outro foi identificado. Os modelos ombro a ombro, preceptor da equipe ao lado e preceptor de unidade foram considerados aceitáveis; e o modelo preceptor de campo, inaceitável. Os modelos ombro a ombro e preceptor de unidade foram recomendados. Reconheceram-se 92 aspectos como pontos positivos e negativos, dos quais 81 atingiram consenso. Conclusão: Obteve-se a validação dos quatro tipos de modelos de preceptoria para PRMFC. Como os modelos ombro a ombro e preceptor de unidade foram elencados como aceitáveis e recomendáveis, é importante que sejam priorizados na implantação e manutenção dos PRMFC. Os modelos preceptor da equipe ao lado e preceptor de campo foram julgados como não recomendados e, portanto, devem ser evitados. O conhecimento das fortalezas e fraquezas de cada modelo prepara os PRMFC para as possíveis dificuldades e os auxilia na escolha do modelo adequado às diversas realidades existentes no país.

Monitoria de metodologia científica: relato de experiência em um componente curricular de saúde coletiva

PID: S1981-52712024000200401 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Sanday Silva Mocellin
RESUMO Introdução: A monitoria acadêmica é uma ferramenta complementar à construção do conhecimento dos discentes do ensino superior. Apresenta-se como mecanismo de auxílio e de orientação para os monitorados ao mesmo tempo que desenvolve as habilidades comunicacionais para além dos saberes essenciais do monitor. O presente trabalho tem como objetivo relatar uma experiência de monitoria com diferentes estratégias de ensino e de avaliação por meio de metodologias ativas, aplicando atividades teóricas e práticas interdisciplinares para estudantes de Medicina. Relato de experiência: Este relato de monitoria, realizado em um componente curricular de saúde coletiva da graduação em Medicina de uma universidade pública federal do Rio Grande do Sul, apresenta dados quantitativos e discute os conhecimentos adquiridos com a aplicação das atividades do projeto de ensino. Discussão: Analisaram-se quatro semestres, em que se compararam registros realizados em formulários on-line sem identificação dos respondentes referentes à participação das monitorias de caráter teórico e prático, sendo a maior adesão de participantes nas atividades práticas (42,31% versus 25,55%). Depreenderam-se as principais motivações dos discentes para buscar a monitoria, sendo a elucidação de uma etapa da simulação de pesquisa a mais requisitada. Houve predominância dos valores próximos ao máximo em monitorias práticas em relação às teóricas na avaliação geral delas, sendo considerados três aspectos: importância da atividade; clareza e didática da monitora; esclarecimento de dúvidas. Percebeu-se que o tempo destinado aos encontros variou de forma considerável, sendo mais frequente destinar 60 minutos às atividades teóricas e 30 minutos às atividades práticas. A comparação da proposta de atividades práticas e teóricas aplicadas por meio de metodologias ativas no projeto de monitoria evidenciou o quanto o discente, monitor ou monitorando, beneficia-se do processo de ensino-aprendizagem quando inserido como responsável principal pela própria educação. Conclusão: Na perspectiva da monitora, houve um fortalecimento das próprias competências relacionadas ao saber científico, assim como se observaram um nivelamento da turma em relação aos conteúdos de base e a progressão gradual da aquisição de um raciocínio crítico do estudante da área da saúde.

Métodos de avaliação institucional que incluem o corpo discente em faculdades de Medicina: uma revisão sistemática

PID: S1981-52712024000100303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Jesuino Leite Cordeiro Nogueira Silva Guedes
Resumo Introdução: A avaliação institucional é uma importante ferramenta para o constante aperfeiçoamento dos cursos de Medicina, principalmente quando tomam a opinião discente como um de seus pontos. Objetivo: O estudo teve por objetivo averiguar, por meio de uma revisão sistemática de escopo, quais os métodos utilizados para realizar avaliações institucionais que contem com base na opinião discente através de uma revisão sistemática de escopo. Método: Em conformidade com o “Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses for Scoping Reviews (PRISMA- ScR)”, as buscas foram realizadas de modo padronizado, envolvendo no mínimo dois pesquisadores, e consultando as bases Lilacs, SciELO, PubMed, Embase e o banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Por meio do software Rayyan, marcaram-se os estudos duplicados, o que permitiu a avaliação cega e independente dos dois revisores em cada etapa . Os critérios de inclusão utilizados foram: estudos publicados entre 2009 e 2019, que avaliassem cursos de Medicina e em que alguma etapa da avaliação tivesse sido realizada por estudantes. Adotaram-se os seguintes critérios de exclusão: trabalhos em idiomas diferentes do português, inglês, francês e espanhol; avaliações de uma intervenção pedagógica específica ou limitada a algumas disciplinas e artigos com foco na autoavaliação do aluno. Resultados: Foram encontrados 2.355 registros e incluídos 12 artigos. A maior parte dos trabalhos criou um questionário próprio e utilizou-se majoritariamente de escalas quantitativas, embora muitos tenham também incluído algum tipo de análise qualitativa com questões abertas. A maior parte dos estudos referia-se a uma análise pontual e não de a um projeto de avaliação permanente da instituição. Conclusão: Publicações no campo de avaliação institucional que envolvam os discentes e descrevam o questionário ainda são raras, principalmente quando se trata de avaliações permanentes.

Nível de satisfação e engajamento com aulas virtuais baseadas em metodologias ativas para estudantes de medicina

PID: S1981-52712024000300207 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Moura Chakr
RESUMO Introdução: Metodologias de ensino tradicionais, baseadas em aulas expositivas, têm sido usadas como padrão nas escolas médicas. Nas últimas décadas, têm ocorrido mudanças na educação médica no sentido de adotar métodos que encorajem a participação ativa dos alunos. Foi provado que as metodologias ativas aumentam o engajamento e isso foi particularmente necessário durante a pandemia da COVID-19, quando as metodologias ativas foram cruciais para aumentar a participação dos estudantes nas aulas virtuais. Objetivo: Este estudo objetivou medir a satisfação e o nível de participação dos alunos com aulas virtuais baseadas em metodologias ativas durante a pandemia da COVID-19. Método: Foram compilados dados de pesquisa anônima respondida por estudantes brasileiros do quarto ano de Medicina de uma universidade pública federal que cursaram a disciplina de pediatria durante um período de 18 meses. As metodologias usadas foram sala de aula invertida e aprendizado baseado em casos clínicos. Resultado: Participaram desta pesquisa 121 estudantes. O nível de satisfação com a metodologia foi alto (53% = muito satisfeito; 39% = satisfeito; 6% = indiferente; 2% = insatisfeito). A maioria dos alunos (70%) respondeu preferir ter aulas com as metodologias ativas empregadas, em comparação com aulas expositivas (16% preferem aulas expositivas; 14% são indiferentes). A adesão à leitura dos textos (sala de aula invertida) foi boa: 81% dos alunos leram entre 75% e 100% dos textos, e 19% leram entre 50% e 74% dos textos disponibilizados. Conclusão: A implementação de metodologias ativas na disciplina demonstrou ter sido bem-sucedida, considerando a participação e o nível de satisfação dos alunos.

O podcast como ferramenta para o ensino em saúde do idoso na graduação em Medicina

PID: S1981-52712024000300202 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Oliveira Caldato Carneiro
RESUMO Introdução: A expectativa de vida mundial vem aumentando nas últimas décadas, e, para atender a essa demanda, é necessário formar e capacitar profissionais de saúde para o atendimento adequado da população geriátrica no Brasil. Nesse contexto, a literatura traz o podcast como uma possível ferramenta complementar para a educação médica, visto o potencial da comunicação digital em transformar o ensino mundial. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o aprendizado em saúde do idoso por meio da ferramenta podcast em alunos de graduação em Medicina. Método: Trata-se de um estudo descritivo, longitudinal, quantitativo, ocorrido entre janeiro e dezembro de 2022, realizado com 59 discentes de Medicina da Universidade do Estado do Pará. Os estudantes responderam ao questionário-teste, no período de agosto a outubro de 2022, antes e depois de escutarem os episódios do podcast criado para esta pesquisa, com perguntas específicas sobre saúde do idoso, divididas em cinco domínios (anamnese do idoso, exame físico no idoso, relação médico-paciente, quedas e imunização no idoso). Resultado: Na avaliação geral de cada domínio, identificou-se estatisticamente diferença em quatro dos cinco grupos, assim como no valor geral, em que os discentes aumentaram seus acertos de 70,7% para 80,6%, uma melhora de quase 10 pontos percentuais após o podcast. O domínio imunização foi o que teve maiores ganhos percentuais (de 45,2% para 74,0%), seguido do domínio que tratou sobre quedas em idoso: de 79,1% antes do podcast para 91,0% na segunda avaliação. Conclusão: Os alunos obtiveram melhores resultados nos testes objetivos após escutarem os episódios de podcast sobre saúde do idoso. O podcasting tem o potencial de se tornar formal ou informalmente um componente central da educação médica. Estudos adicionais devem investigar também como os podcasts podem ser construídos a fim de que se possa otimizar a retenção de conhecimento por parte dos ouvintes.

O ensino da bioética nos cursos de Medicina do Brasil

PID: S1981-52712024000400221 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Pacheco Sauerbier Lutz Grasel Bonamigo
RESUMO Introdução: O progresso científico, tecnológico e social nas diferentes áreas do conhecimento, notadamente nas ciências biológicas e no cuidado em saúde, provoca o surgimento de conflitos morais em medicina e impulsiona a relevância da bioética no que se refere às novas interfaces da relação médico-paciente, suscitando a necessidade de aprimoramento na formação ética durante a graduação em Medicina. Objetivo: O objetivo deste estudo foi verificar a oferta de conteúdos curriculares que tratam do teor da bioética nas matrizes curriculares dos cursos de graduação em Medicina do Brasil. Método: Trata-se de um estudo documental. A coleta dos dados foi realizada no site de cada curso de Medicina. Analisaram-se as matrizes curriculares de cada curso com o intuito de averiguar as informações sobre a oferta de componente curricular ou a presença de conteúdos curriculares com o teor da bioética na matriz. Quando presente, verificaram-se a carga horária, o ciclo e a modalidade (se associada, isolada, ao longo do curso, em outras disciplinas ou optativa). Resultado: Constatou-se que a bioética era ofertada por 61,85% dos cursos, e a maioria a oferecia no ciclo básico, associada a outro componente curricular, com média de 53 horas. Os cursos da Região Sul ofereciam o componente curricular em maior porcentagem e com maior número de horas. Conclusão: O ensino da bioética, a despeito de sua importância, ainda não é ofertado por todos os cursos de Medicina do Brasil, contrariando as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ministério da Educação e as recomendações da Unesco.

O ensino de cuidados de saúde no Brasil entre os séculos XVI e XIX

PID: S1981-52712024000200802 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Baroneza Venosa Fernandes
Resumo Introdução: Entre os anos de 1500 e 1822, o Brasil esteve sob o domínio colonial de Portugal, e apenas em 1808 as duas primeiras escolas oficiais de Medicina foram abertas em seu território. Por mais de três séculos após o descobrimento, a falta de instituições locais para formar profissionais de saúde foi um problema diante de uma população vulnerável tanto às doenças tropicais quanto às enfermidades importadas. Nesse contexto, predominava a disseminação de conhecimentos, crenças e práticas dos padres jesuítas, pajés indígenas e africanos escravizados, frequentemente com perspectivas conflitantes. Desenvolvimento: Este ensaio tem como objetivos abordar o ensino dos cuidados de saúde no Brasil colonial e refletir sobre esse período histórico e suas influências para a formação de médicos no país. Conclusão: A educação médica tem enfrentado atualmente muitos desafios, e entendemos que os avanços pedagógicos, científicos e tecnológicos devem ser adotados, sem desconsiderar os contextos histórico e cultural, e a pluralidade da população e do sistema de saúde nacional. Mais de 500 anos se passaram desde a chegada dos portugueses, e ainda hoje o Brasil continua sendo um país com complexidades territorial, étnica, cultural, econômica e religiosa ímpares.

O ensino de cuidados paliativos nas faculdades de Medicina de Salvador, Brasil: análise documental

PID: S1981-52712024000300213 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Carvalho Silva Silva
RESUMO Introdução: Cuidados paliativos são práticas multidisciplinares que visam promover qualidade de vida em condições de saúde crônicas, degenerativas e que ameacem a vida. A homologação do Parecer nº 265/2022 incluiu cuidados paliativos nas Diretrizes Curriculares Nacionais da graduação em Medicina. No entanto, muitas faculdades ainda não adaptaram seus currículos para contemplar essas competências. Diante desse contexto, questiona-se como é realizado o ensino de cuidados paliativos nas escolas de Medicina de Salvador, na Bahia. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar evidências documentais do ensino de cuidados paliativos nas escolas de Medicina de Salvador. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, exploratório, por análise documental. O corpus é composto pelas matrizes curriculares, pelas ementas das disciplinas e pelo currículo do corpo docente das seis escolas de Medicina de Salvador. A coleta de dados foi realizada entre dezembro de 2022 e maio de 2023. Nas matrizes curriculares, foi investigada a presença de componente curricular específico para cuidados paliativos, sua carga horária e metodologia. No corpo docente, analisou-se a presença de profissionais qualificados na área. Nas ementas, verificou-se a presença de temas centrais dos cuidados paliativos, estabelecidos por categorias a priori e sua carga horária. Resultado: Apenas um dos seis cursos de Medicina apresenta um componente curricular específico para o ensino de cuidados paliativos, de metodologia teórica e carga horária de 30 horas. Foi obtida informação do corpo docente de três escolas, das quais somente duas possuem profissionais especializados em cuidados paliativos. Nas ementas, “habilidades de comunicação” foi a categoria com mais unidades de registro (UR), “Conceitos em cuidados paliativos” teve o terceiro maior número de UR e “Avaliação e manejo de sintomas dolorosos” teve o menor número de UR. Conclusão: Podem-se perceber lacunas importantes no ensino médico em Salvador, com a ausência de componente curricular específico sobre cuidados paliativos na maioria das escolas. Foram percebidas deficiências na exposição de temas como manejo de sintomas dolorosos, critérios de elegibilidade para cuidados paliativos, áreas de atuação e comunicação de más notícias. Entretanto, a valorização do debate dos conceitos e princípios dos cuidados paliativos é uma boa oportunidade para adaptar o currículo às novas Diretrizes Curriculares Nacionais.

O que é Residência Médica em Rede?

PID: S1981-52712024000200803 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Generoso Rossi Mazaferro
RESUMO Introdução: A Residência Médica em Rede é um novo modelo de formação de médicos especialistas que visa expandir o treinamento médico tradicional, particularmente nas redes de atenção à saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Embora legalmente respaldada, carece de regulamentação específica e definição precisa. Desenvolvimento: Um programa em rede, a nosso ver, opera nas redes temáticas do SUS, é coordenado por uma instituição pública, desenvolvido em cidades com mais de 50 mil habitantes, aprovado pela Comissão Nacional de Residência Médica e tem um programa de educação permanente para preceptores. Os desafios incluem padronização de conteúdo, treinamento contínuo de preceptores e um projeto andragógico sólido. O perfil de competências requer não só habilidades médicas, mas também de gestão, trabalho em equipe, conhecimento profundo do SUS e de atenção primária. Barreiras incluem a coordenação de cenários distintos e avaliações apropriadas. Conclusão: O sucesso do modelo exige regulamentação precisa, padronização e integração efetiva para formar especialistas alinhados com o SUS.

O uso da gamificação no ensino da fisiologia renal

PID: S1981-52712024000400222 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Parahyba Júnior Martins Weyne Nogueira Ponte Marques Silva
RESUMO Introdução: O modelo tradicional de ensino em que o professor é o mentor do processo educativo, tendo enfoque em extensas aulas expositivas, ainda é bastante predominante nas instituições de ensino de diferentes níveis de escolaridade. Esse cenário pode ser considerado incongruente com a nova era tecnológica e o novo modo de pensar. Em contrapartida, a gamificação é uma metodologia ativa que visa tornar o aluno o centro do aprendizado, a fim de aumentar o interesse dele e melhorar a absorção do conteúdo. Objetivo: O presente estudo visa analisar a percepção de alunos do segundo semestre de um curso de Medicina sobre a utilização de um jogo que contempla os principais conceitos da fisiologia renal. Método: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo prospectivo. A atividade consistiu em uma dinâmica que usou um jogo de tabuleiro com cartas sobre a fisiologia renal para 104 alunos. Em seguida, foi aplicado um questionário com 11 perguntas, majoritariamente objetivas, cujas principais variáveis investigadas foram a experiência prévia com a gamificação, a adequação da duração da aula prática, como os discentes avaliaram o uso da gamificação da aula prática, entre outras. Resultado: Os resultados mostraram que a maioria dos alunos afirmou ser esse tipo de metodologia estimulante (93,3%) e que auxilia no estudo dos assuntos propostos (94,2%), consolidando os temas já vistos em sala de aula pelo método tradicional. Também foi pontuado pelos estudantes que a melhor maneira de assimilar o conteúdo seria adicionar a gamificação, após o método tradicional de exposição dialogada (61,5%). Quando questionados sobre a percepção do uso de gamificação nas aulas práticas, a maioria a classificou como ótima (65,4%) ou boa (30,8%). Conclusão: Diante dos resultados expostos, pode-se concluir que a gamificação se mostrou uma excelente aliada à aula teórica tradicional, servindo como mecanismo de sedimentação e aumento de interesse para os discentes.

Os impactos da comunicação inadequada na relação médico-paciente

PID: S1981-52712024000100205 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Defante Monteiro Silva Santos Leonardo
Resumo: Introdução: Como um componente substancial na relação médico-paciente, a comunicação pode ser determinante na construção da hipótese diagnóstica e na adesão ao tratamento por parte do paciente, e, por isso, há a necessidade de compreender os fatores que influenciam no processo comunicativo e descrever a efetividade dele. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar os impactos da comunicação inadequada na relação médico-paciente. Método: Vinte e três pacientes voluntários com a maioridade atingida preencheram questionários de informações socioeconômicas, uso da linguagem e impressões da consulta médica. O médico preencheu um questionário sobre a experiência da consulta. Resultado: Os resultados indicaram que os pacientes apresentaram alguma dificuldade em comunicar ao médico o que sentiam, e, de modo complementar, os médicos, em 20% dos casos, tiveram algum grau de dificuldade de chegar à hipótese diagnóstica a partir do relato do paciente, o que se relaciona com a linguagem pouco descritiva utilizada pela maior parte dos pacientes. Conclusão: Dada a necessidade da qualidade da comunicação entre o médico e o paciente, conhecer os fatores que impactam o processo comunicativo é o primeiro passo para a garantia de um atendimento eficaz com autonomia do paciente e maior adesão ao plano terapêutico.

Os privilégios reproduzidos pelo elitismo no ensino da medicina: uma revisão integrativa de literatura

PID: S1981-52712024000400303 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Fujii Moraes Nobre Fredrich Sanches
RESUMO Introdução: O elitismo no ensino da medicina é um fenômeno histórico. Desde as universidades europeias da Idade Média, o ensino da medicina tornou-se um monopólio da elite. No Brasil, a elitização do conhecimento médico ocorreu com a vinda da família real em 1808, reforçando o papel dos médicos como protagonistas da saúde, enquanto práticas curativas populares foram desvalorizadas. Nos Estados Unidos, Abraham Flexner influenciou o ensino médico mundial com um modelo elitizado baseado na lógica biomédica. Objetivo: Este estudo teve como objetivos compreender os fatores que reproduzem o contexto elitista no ensino da medicina, investigar como esses aspectos influenciam a exclusão de determinados grupos sociais no meio médico e apontar caminhos para a discussão e o enfrentamento do problema. Método: Trata-se de uma revisão integrativa de literatura realizada a partir de 14 artigos selecionados entre 182, publicados no período de 2012 a 2022 e filtrados das bases de dados PubMed, SciELO, Lilacs, Web of Science e Scopus. Resultado: Percebem-se semelhanças entre o grupo privilegiado na medicina, formado por homens, brancos, heterossexuais e cisgênero, de condição socioeconômica favorável, em comparação ao grupo sistematicamente marginalizado de mulheres pertencentes a minorias étnico-raciais, de baixa classe socioeconômica e/ou parte da população LGBTQIA+. Essa coincidência tem bases históricas e econômicas que refletem uma estrutura maior, que distribui privilégios partindo dos critérios de raça, gênero, classe social e orientação sexual. Entre os processos históricos que reproduzem esse padrão, cita-se o processo de colonização de países como o Brasil, marcado pela exploração, pelo apagamento e pela imposição de uma cultura e ciência médica balizada por um padrão europeu; o racismo e machismo que, como ideologias, continuam sendo critérios para a distribuição de privilégios na sociedade de classes; e a heterocisnormatividade, que também atua excluindo corpos e orientações sexuais e produção de conhecimentos e práticas de cuidado em saúde. Conclusão: Epistemologias críticas como as presentes no pensamento interseccional do feminismo negro e na colonialidade do poder de Aníbal Quijano e Audre Lorde apresentam-se como caminhos à ruptura dessa norma, propiciando o questionamento de suas raízes para a organização de lutas coletivas e formas de produção de conhecimento que venham ao encontro dos interesses dos grupos historicamente oprimidos.

Percepção de alunos ingressantes de Medicina sobre o aprendizado durante a pandemia da Covid-19

PID: S1981-52712024000200206 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Dourado-Maranhão Cunha
RESUMO Introdução: No ano de 2019, com o surgimento pandemia pelo coronavírus, o mundo teve que se adaptar e utilizar medidas de distanciamento social visando ao controle da disseminação do vírus. Um dos setores que sofreram maior impacto com essas medidas foi a educação que precisou se adaptar ao ensino remoto emergencial. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender a percepção dos alunos de um curso de Medicina sobre o próprio aprendizado durante o período da pandemia pela Covid-19. Método: Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, de abordagem qualitativa. O referencial teórico foi o interacionismo simbólico. O estudo foi realizado em uma instituição de ensino superior privada do Distrito Federal. Participaram do estudo 14 alunos do terceiro ano da graduação em Medicina de turmas que tiveram a oportunidade de cursar períodos da graduação por meio do ensino remoto emergencial. Os dados foram coletados por meio de entrevista gravada, na modalidade grupo focal, e analisados por meio da análise temática indutiva. Respeitaram-se todos os conceitos éticos da Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Resultado: A análise dos discursos resultou em três categorias temáticas que exploram a percepção dos estudantes sobre o aprendizado. A primeira categoria, “Vivendo como se fosse em um balão de ensaio”, aborda as mudanças vivenciadas pelos alunos no ingresso na faculdade, com sentimentos de medo, insegurança e falta de motivação devido ao estresse da pandemia. A segunda categoria, “Sentindo-se isolados e desolados”, observou a percepção do adoecimento mental e a falta de apoio dos colegas, dos professores e da instituição, influenciando no desempenho e aprendizado dos alunos. A terceira categoria, “Lidando com erros e acertos”, identificou a percepção dos resultados do aprendizado durante e após a pandemia, destacando o impacto no déficit de conhecimento e a necessidade de adaptação no retorno ao ensino presencial. Conclusão: O ensino remoto emergencial trouxe drásticas mudanças no ensino médico. Entender essas mudanças e compreender a percepção dos alunos sobre o aprendizado nesse período nos permite reconhecer os desafios enfrentados, entender a necessidade de suporte emocional adequado e pensar em estratégias de aprendizado eficazes para superar essas e outras adversidades.

Percepção de pacientes sobre a imagem profissional na assistência médica: reflexões para a educação médica

PID: S1981-52712024000400217 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Silva Marcussi Angonese Bordignon
RESUMO Introdução: Os estudos brasileiros sobre comunicação não verbal e seu possível impacto na relação entre profissionais de saúde e pacientes ainda são incipientes na literatura científica. A maioria dos estudos é de outros países que não o Brasil. Objetivo: Este estudo teve como objetivos identificar a relação que as pessoas estabelecem entre estilos de vestimenta utilizados por médicos e os diferentes perfis ou habilidades profissionais, assim como conhecer a maneira como se sentem em relação a determinados aspectos de aparência desses profissionais. Método: Trata-se de um estudo com desenho transversal do qual participaram 160 indivíduos atendidos em um serviço público especializado de saúde do estado do Paraná, no Brasil. Os dados sociodemográficos e a maneira como os participantes percebem aspectos relacionados à aparência dos médicos foram coletados por meio de um questionário estruturado e analisados com recursos da estatística descritiva e inferencial. Resultado: A amostra foi composta principalmente por mulheres (70%). Os participantes demonstraram em geral preferência por vestimentas que incluíram o jaleco branco, sendo “formal com jaleco branco”, “pijama privativo com jaleco branco” e “casual com jaleco branco” os estilos mais indicados quando consultados sobre a vestimenta a ser utilizada pelo médico. Os aspectos de aparência que mais geraram incômodo com relação aos profissionais do sexo masculino foram: roupa suja e amassada, e uso de bermuda. Entre médicas mulheres, os participantes indicaram incômodo principalmente com os seguintes aspectos de aparência: roupa suja e amassada, blusa mostrando a barriga, shorts e vestido curto. Conclusão: Os estilos de vestimenta que incluíram jaleco branco foram os mais preferidos em geral, mas há resultados conforme situações específicas que devem ser considerados. Roupa suja e amassada foi o aspecto que mais gerou incômodo para profissionais de ambos os sexos.

Percepções de usuárias do ambulatório ginecológico sobre o atendimento em um hospital universitário

PID: S1981-52712024000100204 | Revista: Revista Brasileira de Educação Médica (1981-5271) | Año: 2024
Autores: Arantes Costa
Resumo: Introdução: A graduação no curso de Medicina se dá por meio de uma formação teórico-prática que tem nos hospitais universitários o seu principal cenário de práticas. Nas consultas que envolvem questões da intimidade do paciente, o constrangimento é uma possibilidade. Isso pode comprometer a qualidade da assistência e/ou da formação médica. Objetivo: Este estudo teve como objetivo investigar os aspectos psicoafetivos da consulta ginecológica, a partir da percepção das pacientes, de modo a encontrar elementos que possam favorecer a adequação da formação médica à humanização do atendimento. Método: Trata-se de um estudo observacional, transversal, de abordagem qualitativa, realizado no ambulatório de ginecologia de um hospital universitário. Foram incluídas as usuárias do ambulatório que estavam na sala de espera para atendimento ginecológico, configurando-se como uma amostra por acessibilidade. A coleta de dados se deu entre os meses de fevereiro e agosto de 2021, por meio de uma entrevista semiestruturada com perguntas norteadoras previamente elaboradas. Realizaram-se 50 entrevistas, cujos discursos foram posteriormente transcritos e analisados pelo software IRaMuTeQ. Resultado: Sob a perspectiva das pacientes, o momento da consulta ginecológica envolve duas esferas de interesse principais: a assistência médico-ginecológica dada a elas e o ensino-aprendizado destinado aos estudantes. A partir dessa divisão, emergem duas perspectivas: aquela que parte da demanda pessoal, e a que considera o interesse do outro (o estudante). Nos discursos sobre a assistência ginecológica, as falas concentram o olhar para si, para o constrangimento vivenciado durante a assistência. Já nos discursos sobre o ensino e a aprendizagem dos estudantes, as falas referem-se, em sua maioria, ao reconhecimento da importância da prática clínica na formação médica. Dessa forma, ocorre uma intersecção entre “a assistência fornecida a mim” e o “processo de ensino-aprendizagem do outro”. O constrangimento das pacientes parece ser superado em favor de um objetivo maior: contribuir para a formação de futuros médicos. Conclusão: Apesar do constrangimento experimentado na consulta ginecológica em ambiente acadêmico, a compreensão das usuárias acerca da sua contribuição para a formação médica promove um posicionamento colaborativo, revelando-se como elemento facilitador da assistência nesse cenário. Foi revelada também uma atenuação do constrangimento proporcional à experiência da mulher nesse tipo de atendimento.
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