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Creche: lugar para ficar ou para aprender? As famílias respondem

PID: S1981-81062017000100095 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Casanova Ferreira
Resumo Esta pesquisa teve como objetivo escutar as famílias de crianças de berçários que frequentam a creche em período integral, procurando compreender o sentido atribuído por elas às atividades realizadas nas creches. A coleta de dados foi feita através de entrevistas na casa das onze famílias participantes, dessa forma, conhecemos um pouco mais quem são essas famílias e como vivem. Escutar as famílias nos permitiu constatar que a creche é um lugar para deixar as crianças enquanto as mães estão no trabalho. Esta característica é reforçada nos momentos de entrada e saída das crianças, em que algumas mães conversam com as professoras e são informadas se a criança comeu, dormiu e se passou bem o dia. As famílias observam que sua criança brinca, canta, ouve histórias, faz “trabalhinhos” nesse espaço, mas definem tais atividades como distração. Porém, as mães também reconhecem a creche como um lugar para aprender, entretanto, essa constatação se faz na relação com a própria criança e não por intermédio dos profissionais da creche.

Crianças acolhidas institucionalmente e educação escolar: o que pensam os professores?

PID: S1981-81062017000200327 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Correr MansanoBarros Senem
Resumo Objetivo: Caracterizar a concepção de professores sobre crianças em acolhimento institucional em escola regular de ensino fundamental. Método: Participaram oito professoras que lecionavam também para crianças abrigadas, no interior de São Paulo. Os critérios de seleção foram: a modalidade da escolarização (ensino fundamental)e a disponibilidade e interesse em participar da pesquisa. Foi utilizada entrevista semidirigida. Utilizou-se análise de conteúdo para tratamento dos dados. Resultados: Os resultados foram agrupados em categorias: atributo da criança abrigada; causas dos atributos; tratamento dado pelas professoras; efeito na escolarização. Na reflexão analítica, as categorias foram decompostas em subcategorias e conceitos descritores. Conclusões: As professoras apresentaram um universo de significados que determina uma ação pedagógica reducionista: crianças abrigadas são compreendidas como depositárias de atributos que se confundem como naturais daquele indivíduo ou resultantes da condição de carência e sofrimento. Isso acarreta dificuldades de desenvolver práticas, pois não consideram a possibilidade de ação docente técnica que reconheça a dificuldade para propor saídas pedagógicas, menos determinadas por preconceitos que excluem e estigmatizam.

Direitos humanos sob ameaça: organizações patogênicas, trabalho e subjetividade

PID: S1981-81062017000100113 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Silva Piolli Heloani
Resumo Objetiva-se, neste artigo, discutir os Direitos Humanos no processo civilizatório atual, e em que medida ele estaria fragilizado, no campo do trabalho, e caracterizado por quantofrenia e desqualificação dos que resistem ou não alcançam metas desumanas de produtividade. Consideramos a universalização dos Direitos Humanos um sinal evidente do processo civilizatório e condição para a democracia e concretização de uma ética balizada na tolerância e prática dialógica. No entanto, ao analisarmos as relações entre direitos humanos, ética e trabalho, nas organizações públicas e educacionais inclusas, e suas influências sobre a subjetividade, apontamos que a barbárie se inscreve no processo civilizatório. De forma contraditória aos princípios éticos e democráticos, são produzidas situações de assédio moral e formas de solidariedade mórbidas no trabalho, calcadas na humilhação e estigmatização.

Discutindo aspectos metodológicos de ensino e aprendizagem no atendimento educacional especializado para alunos com surdez

PID: S1981-81062017000100056 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Viana Gomes
Resumo Este artigo tem o propósito de evidenciar as práticas pedagógicas para o aluno com surdez no âmbito do Atendimento Educacional Especializado - AEE. Na prática docente, as principais dificuldades encontradas no processo de inclusão escolar de pessoas com surdez referem-se, por exemplo, ao desconhecimento da língua de sinais e a falta de estratégias metodológicas adequadas a um ensino que respeite a singularidade do indivíduo surdo. Diante desse cenário, o AEE surge com o intuito de criar e aprimorar as condições para o aprendizado e o ensino escolar para todos. Trata-se de um ensaio teórico fundamentado numa revisão crítica da literatura. As discussões sobre as práticas pedagógicas para alunos com surdez no âmbito do AEE serão apresentadas focalizando elementos que ampliem a visão sobre as reais condições do educando surdo, motivados pela crença no seu potencial de desenvolvimento e de aprendizagem. É necessário reforçar o funcionamento do AEE, mas se contrapondo a uma utilização movida por modismos e/ou pelo afã dos discursos de ser apenas uma prática inclusiva.

Educação como prática da liberdade e a perspectiva da educação integral no ensino superior

PID: S1981-81062017000300526 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Silva Brasileiro
Resumo Neste artigo discutimos a ideia de educação como prática da liberdade, tendo em conta uma perspectiva emancipatória de educação integral para o ensino superior. Assim, refletimos sobre uma educação integral em contraposição à versão hegemônica e simplista de uma educação para o mercado e até mesmo em contraposição àquela que significa absorção de conhecimentos objetivos superiores. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, onde buscamos uma síntese dinâmica entre autores(as) marxistas e a discussão decolonial/pós-colonial. O horizonte teórico foi de um materialismo histórico dialético, mas sem descurar que os conhecimentos estão para além do olhar ocidental e que a ciência não é a única lógica de conhecimento válida. Tendo em vista que o conhecimento é não só reflexo da realidade, mas a interpretação desta, a busca por uma educação integral é também a busca por interconhecimento. Isso nos leva a dessacralizar a universidade e a transformá-la em local de construção de relações democráticas.

Educação de tempo integral em Santarém: ações da secretaria municipal de educação

PID: S1981-81062017000300457 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Ferreira Colares
Resumo O tempo integral e a ampliação dos espaços escolares são temas recorrentes nos debates educacionais. Este artigo descreve as ações que a Secretaria Municipal de Educação de Santarém (Semed) desenvolveu no período de 2008 a 2014 para a implementação da educação de tempo integral. A pesquisa teve por base uma dissertação de mestrado desenvolvida no PPGE/UFOPA e foi feita por meio de pesquisa bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa. Para a fundamentação e as análises recorreu-se a estudiosos do tema, à legislação e a outros documentos, tais como os Cadernos da Série Mais Educação do Ministério da Educação. Os resultados demonstram que a secretaria instituiu algumas ações de ampliação da jornada escolar, como a oferta de educação escolar integral em uma escola do campo e em uma na zona urbana, além do atendimento complementar em outras duas escolas diferenciadas e a implementação do Programa Mais Educação em dezoito escolas, a qual foi objeto de maior atenção neste estudo. O currículo se configurou pela ampliação dos conteúdos e do tempo, sem que estes se integrassem com as atividades regulamentadas pela escola, evidenciando a dicotomia entre turno e contraturno, aprendizagem e diversão, conhecimento científico e conteúdos éticos e estéticos.

Educação integral em pauta: “a escola de tempo integral ou que vise uma formação integral é uma possibilidade para a melhoria do ensino no Brasil”: entrevista com Romualdo Portela de Oliveira

PID: S1981-81062017000300628 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Caetano
Resumo A educação integral tem sido foco de discussões políticas em segmentos diversos no contexto da educação brasileira, com especial destaque para produções acadêmicas que consideram o diálogo profícuo entre as políticas públicas e experiências educativas. Na entrevista apresentada, o professor Romualdo Portela de Oliveira atualiza o cenário das políticas em educação integral e aponta para uma perspectiva das possibilidades reais, diante das políticas nacionais, na ampliação das ações em relação à implementação de uma escola de educação integral no Brasil.

Educação integral, tempo e espaço: problematizando conceitos

PID: S1981-81062017000300542 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Assis Silva
Resumo A educação integral, a despeito de ser tema de agenda de política pública há algumas décadas, ainda carrega consigo disparidades referentes ao seu conceito. Nesse sentido, este artigo tem como objetivo problematizar não só os conceitos de educação integral, mas também as categorias tempo e espaço constantes nas revistas Em Aberto, organizadas e publicadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), de números 80 (2009) e 88 (2012), respectivamente intituladas “Educação Integral e tempo integral” e “Políticas de educação integral em jornada ampliada”. A metodologia é pautada na análise de conteúdo de Bardin, respeitando as etapas de pré-análise (corpus da pesquisa formado pelos textos presentes nos periódicos); exploração do material (leitura dos textos com a codificação de dados, escolhendo as unidades de registro para categorização); e tratamento e interpretação dos resultados, tendo como base a Pedagogia Histórico-Crítica de Saviani. O trabalho revela multiplicidade conceitual convergente e divergente, que provoca discussão sobre uma concepção crítica de educação integral.

Educação integral: direito público subjetivo

PID: S1981-81062017000300575 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Ganzeli
Resumo A ideia de educação integral envolve múltiplas possibilidades de compreensão, especialmente no âmbito de políticas, programas, projetos, entre outras dimensões da organização do espaço educativo, relacionadas à ampliação do tempo de permanência de estudantes em atividades educativas, que, por sua vez, atendem a um determinado modelo de Estado. Este artigo tem por objetivo analisar a concepção de educação integral na perspectiva da formação do sujeito de direito. Inicialmente apresentaremos o modelo do Estado social de direito, conforme prescrito na Constituição da República Federativa do Brasil, de outubro de 1988, como referência para a definição das três premissas constituintes da educação integral: pleno desenvolvimento da pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho. Em seguida, exploraremos as características básicas do planejamento participativo, processo fundamental para a realização da educação integral nos espaços educativos. Considerando que a educação, na perspectiva da formação do sujeito de direito, deve atender a integralidade do ser humano, este estudo contribui na construção de referencial conceitual sobre a educação integral.

Em defesa dos currículos pratica dos pensados nos cotidianos escolares

PID: S1981-81062017000200213 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Gonçalves Peixoto
Resumo O presente texto toma como ponto de partida a criação de uma Base Nacional Comum Curricular, em curso no Brasil, para problematizar as bases tradicionais e tecnicistas do pensamento curricular que dão sustentação a essa política ao analisar três ações contrárias à BNCC produzidas por entidades representativas de pesquisadores do currículo. Nesse sentido, centramos nossas análises em algumas das ações produzidas pela Associação Brasileira de Currículo (ABdC) e pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd): 1) a produção de um dossiê publicado em 2014 sobre a ideia de Base Nacional; 2) a campanha “Aqui já tem currículo”; 3) o ofício enviado ao Conselho Nacional de Educação (CNE) com uma “Exposição de Motivos contra a Base Nacional Comum Curricular”. Entendendo que a garantia da justiça cognitiva é um pressuposto para a garantia da justiça social, faz-se mister a desinvizibilização dos currículos praticadospensados nos cotidianos escolares. Consideramos a produção de conhecimentos em redes e a necessidade de provocar práticaspensamentos numa perspectiva pós-abissal.

Entre o prescrito e o realizado: a atividade lúdica no ensino fundamental de nove anos

PID: S1981-81062017000200262 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Rocha Ribeiro
Resumo O trabalho consiste na análise dos 10 anos de experiência com a implantação e implementação do Ensino Fundamental de 9 Anos (EF9A) em Itajubá, município do estado de Minas Gerais, a fim de averiguar os modos pelos quais políticas públicas são implantadas e implementadas no Brasil. A lei 11.274/2006 oficializou o EF9A em âmbito nacional; resoluções, relatórios e documentos orientadores foram publicados e pesquisas cientificas demonstram dificuldades em efetivar as prescrições governamentais, sobretudo em relação à inserção de atividades lúdicas no currículo ofertado ao 1º ano. O material empírico se constituiu por entrevistas semiestruturadas com 5 Coordenadores Pedagógicos, com diferentes tempos de experiência com o EF9A, perscrutando(i) a participação e envolvimento dos entrevistados no processo de ampliação do EF no município, (ii) a construção do currículo para o 1º ano e (iii) concepções e inserção da atividade lúdica no cotidiano escolar. As análises realizadas permitiram concluir que a dificuldade em atender as leis e prescrições deve-se à fragilidade teórica, ao aligeiramento e sobreposição de informações das instâncias superiores. Espera-se que essa pesquisa possa contribuir para a revisão dos modos pelos quais novas políticas públicas são implantadas e implementadas no Brasil.

Formação docente em Sul-América: aspectos regulatórios

PID: S1981-81062017000200284 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Zuluaga Iaochite Souza Neto
Resumo O artigo derivado da pesquisa de doutorado intitulada “Orientações Pedagógicas no Estágio Supervisionado de Educação Física na Colômbia, Brasil, Argentina e Chile”. Especificamente, ele teve como objetivo apresentar e discutir em linhas gerais, os aspectos regulatórios de formação de professores nesses países. É uma pesquisa qualitativa e utilizo a Análise Documental como procedimentos metodológicos. Como resultado, verificou-se que há aspectos intrínsecos regionais e culturais utilizados para argumentar a favor da política de formação de professores em cada país. No entanto, estes aspectos convergem em termos de que: a) a preparação profissional dos professores deve ser orientada pela perspectiva da ação-reflexão-ação; b) conhecimento e uso da Tecnologia Digital da Informação e Comunicação deve ser parte deste processo; c) desenvolvimento da identidade do professor e o compromisso com o ensino. As conclusões foram feitas considerando-se que a literatura recente tem apontado para programas de formação de professores.

O ensino do direito no Brasil. As vozes das pesquisas

PID: S1981-81062017000200408 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Vilalva Martins Lorandi
Resumo A análise do ensino universitário demonstra a necessidade da melhoria da docência. No curso do Direito há ênfase no tecnicismo devido ao forte caráter liberal dos juízes, promotores e advogados em condição de professor, com ausência de identidade docente. Utilizando-se a metodologia da revisão sistemática em dissertações e teses produzidas em programas de pós-graduação em Educação e Direito no Brasil, sem limitador de tempo, buscou-se trabalhos vinculados ao tema da formação docente. De um total de 79 trabalhos encontrados nos bancos de teses da Capes, concluiu-se a leitura de seis trabalhos de nove inicialmente selecionados Três categorias foram recorrentes: ausência de formação pedagógica, necessidade de formação continuada e identidade docente. Conclui-se que a formação do docente de Direito se baseia na cultura geral, em conhecimentos adquiridos na faculdade e nas experiências docentes e pessoais. Criar ações podem melhorar o processo de formação do docente universitário. Os dados mostram que os docentes da área acreditam em formação continuada de caráter pedagógico, o que facilitaria a relação professor-aluno em todos os aspectos.

O gerencialismo na educação pública da cidade do Rio de Janeiro (2009-2012): origens, implantação e resultados

PID: S1981-81062017000100133 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Santos Oliveira
Resumo Este trabalho tem como objetivo estudar a política de gestão do sistema educacional público da cidade do Rio de Janeiro, no período de 2009 a 2012. A hipótese que desencadeia este estudo é a de que o novo modelo de gestão implementado está baseado em preceitos da administração pública gerencial, aqui entendida em oposição aos preceitos da administração pública burocrática clássica. Em sequência a essa hipótese o estudo verificará em que medida essa política trouxe resultados positivos para a melhoria da educação pública da cidade. A pesquisa buscou um encadeamento teórico e empírico por meio da análise da presença da concepção gerencial nesse novo modelo de gestão da educação pública, sua implementação e os resultados obtidos. Constatou-se que o modelo utilizado na gestão educacional da cidade do Rio de Janeiro, devido a suas origens e às formas de associação com outros mecanismos tradicionais do serviço público não agregou substanciais evoluções na qualidade do processo educacional, pois os resultados apresentados são pouco representativos, apesar dos significativos recursos públicos investidos.

O pessimismo na poesia de Augusto dos Anjos

PID: S1981-81062017000100006 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Amorim Moreira
Resumo Augusto dos Anjos faz parte, em nossas letras, de um seleto grupo de escritores que, por ter mergulhado a fundo na existência humana, criou na Literatura Brasileira obras que fogem aos lugares-comuns de seu tempo e à condição de carnavalização atribuída à diversidade cultural das terras brasileiras, visão essa que tanto distorceu e ofuscou o verdadeiro poder de nossos artistas. O pessimismo assume, dessa forma, uma função essencial: questionar o que se está fazendo e como se está fazendo, uma vez que todos os grandes pessimistas são, no fundo, grandes realistas. O objetivo de tal trabalho é avaliar o pessimismo da poesia de Augusto dos Anjos e identificar as reflexões inovadoras que seus versos apresentam. Para tanto, leu-se a sua única obra, “EU”, bem como poemas publicados na juventude e alguns de seus principais críticos e estudiosos, como Raimundo Magalhães Júnior e o poeta Ferreira Gullar. A metodologia utilizada foi de revisão bibliográfica, avaliando a poesia do autor e identificando em sua obra, em comparação com o pensamento de seu tempo, a gênese de sua singularidade em nossa Literatura.

O texto literário em sala de aula e o desenvolvimento das funções psíquicas superiores: reflexões necessárias

PID: S1981-81062017000100023 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Oliveira Mello
Resumo Este artigo objetiva analisar o desenvolvimento das funções psíquicas superiores a partir do texto literário trabalhado em sala de aula. A análise é feita a partir dos fundamentos da Teoria Histórico Cultural em Vygotsky e da Semiótica de linha francesa. Busca-se refletir sobre o modo como os textos literários são trabalhados na educação escolar e se há possibilidades para a construção do pensamento elaborado e crítico. A metodologia consiste em um estudo teórico em autores como Vygotsky (1989, 2001, 2008); Luria (1990); Leontiev (1969); Fiorin (2000, 2005) entre outros. Pela análise interpretativa do texto, torna-se possível a construção subjetiva da relação entre o autor e leitor (aluno, professor), entre o narrador e o narratário e entre as personagens do conto, além de reconstruir o contexto literário no qual a obra se insere. A partir desse exercício crítico, pode-se pensar novas alternativas para o trabalho com o texto literário nos espaços formativos escolares.

O uso da (auto)biografia em pesquisas brasileiras (2001 - 2010): a consolidação de uma tendência metodológica

PID: S1981-81062017000100175 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Silva Sgobbi Carlindo
Resumo O objetivo desta pesquisa é apresentar um mapeamento/balanço quantitativo que possibilita dar visibilidade ao uso que foi feito do recurso teórico-metodológico (auto)biografia por pesquisadores brasileiros no período de 2001 - 2010. Busca-se, assim, mostrar o movimento que consolidou esse recurso como tendência metodológica no referido período no âmbito da história epistemológica produzida em tal tempo no Brasil, nas Ciências Humanas e no Campo Educacional. Trata-se de uma pesquisa documental. As fontes foram 742 pesquisas: 514 mestrados e 228 doutorados. Usou-se o Banco de dados da CAPES. Os dados apontam que o uso do referido recurso metodológico consolidou uma tendência metodológica no âmbito da história epistemológica produzida no Brasil em tal tempo, abarcando as Ciências Humanas de modo geral e o Campo Educacional em particular. Nesse sentido, na década em questão, a média anual de produção foi de 74 pesquisas. Outrossim, os dados evidenciaram os nichos institucionais nucleares da consolidação da tendência.

Princípios de justiça nas ações afirmativas para acesso à educação superior

PID: S1981-81062017000200227 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Rosa
Resumo Este estudo tem como objetivo averiguar de que modo os princípios de justiça incidem sobres as políticas afirmativas para acesso à educação superior brasileira. Esta investigação surge da compreensão de que há insuficiência de vagas nas instituições de ensino superior no país, tendo em vista que apenas 16,4% dos indivíduos com idade regular entre 18 e 24 anos estão matriculados nesse nível de ensino, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2013. Para os provenientes de estratos sociais historicamente excluídos da sociedade, tais como egressos de escolas públicas, negros, indígenas, quilombolas, deficientes, entre outros grupos, a exclusão desse nível de ensino mostra-se ainda mais perversa. Esse quadro, portanto, requer a intervenção do Estado, que, na perspectiva da justiça, é o agente distribuidor de recursos. Nesses termos, a partir do perfil socioeconômico e educacional das minorias étnico raciais do país, especialmente negros e pardos, apresenta-se um estudo teórico que demarca a relevância das políticas de ação afirmativa para acesso à educação superior, as quais coadunam com princípios de justiça distributiva, e, logo, de justiça social.

Professores iniciantes dos anos finais do ensino fundamental: indicação das necessidades formativas

PID: S1981-81062017000200308 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Giordan Hobold André
Resumo A presente pesquisa tem como objetivo apresentar as necessidades formativas dos professores iniciantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental da Rede Municipal de Ensino de Joinville. São professores que ingressaram entre os anos de 2010 e 2013, sendo considerados iniciantes em um novo contexto de trabalho. É uma pesquisa de abordagem qualitativa que utilizou a entrevista semiestruturada como instrumento para a coleta dos dados. Os principais autores que embasaram a leitura e interpretação dos dados foram Romanowski (2007, 2012), Romanowski e Martins (2013), Marcelo Garcia (1999, 2009) e Marcelo Garcia e Vaillant (2013). Os resultados indicaram que os professores solicitaram que os momentos de formação continuada privilegiem a troca de ideias/experiências, que sejam planejados para que ocorra a interlocução entre os docentes, bem como que ocorra a ampliação da quantidade de cursos para o aprimoramento profissional. Duas temáticas foram apontadas como cadentes para o trabalho dos entrevistados: como utilizar tecnologias e como lidar com a inclusão de alunos com deficiência. Os professores indicaram que a formação inicial não lhes possibilitou uma discussão efetiva sobre essas duas temáticas e que sentem necessidade de que sejam trabalhadas nos espaços de formação continuada.

Programa mais educação e o novo modelo de escola de tempo integral: semelhanças e singularidades

PID: S1981-81062017000300493 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2017
Autores: Schimonek Garcia
Resumo Este artigo apresenta e problematiza os Programas Mais Educação (PME) e o novo modelo de educação integral de São Paulo. O primeiro foi implantado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2008 por meio de convênios com estados e municípios, e o segundo pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo em 2012. Ambos ampliaram a jornada escolar dos estudantes, adotando modelos diferenciados, mas convergentes em alguns pontos. O estudo analisa os programas considerando: objetivos declarados, público-alvo, concepção de educação integral, presença do setor privado, seleção das escolas, profissionais envolvidos e fontes de recursos. Para obtenção dos dados, recorreu-se a fontes primárias - regulamentações e documentos oficiais -, e fontes secundárias, analisando-se o conteúdo dos documentos. Complementarmente, recorreu-se a entrevista com gestor público. Destaca-se que o programa estadual institui diferenciação entre profissionais da mesma rede e atende um número ínfimo de estudantes, com condições infraestruturais qualitativamente superiores em relação às escolas regulares. O PME abrange as escolas prioritárias e promove “seleção” de estudantes, a partir do critério “grau de vulnerabilidade social”.
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