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Mudanças no ensino de gramática/análise linguística: com a palavra, os professores

PID: S1981-81062015000100099 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Silva
O artigo apresenta resultados de um estudo que teve como objetivo analisar mudanças nas práticas de ensino de gramática/análise linguística de professores dos anos iniciais do ensino fundamental. Para isso, apoiamo-nos em referenciais ligados não apenas ao ensino de gramática/análise linguística, mas também aos saberes e às práticas docentes. A proposta metodológica, que se inscreveu em uma abordagem qualitativa, utilizou como procedimento metodológico a entrevista semiestruturada, a qual foi realizada com professores de 4º e 5º anos do ensino fundamental de escolas públicas de cidades do interior do estado de Pernambuco - Brasil. A partir do suporte da análise temática de conteúdo, percebemos, nas falas desses professores, que, para eles, as mudanças em suas práticas de ensino de gramática/análise linguística relacionavam-se, principalmente, a dois aspectos: a utilização de textos e o uso não exclusivo do livro didático. Todavia, os depoimentos dos docentes revelaram que tais mudanças não substituíam, inteiramente, as antigas maneiras de ensinar gramática, mas evidenciavam um complexo processo no qual se articulavam mudanças e permanências.

Mudanças organizacionais na gestão da escola e sua relação com o mundo empresarial: aprofundamento da privatização na educação básica brasileira?

PID: S1981-81062015000300432 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Adrião Garcia
Resumo O artigo aborda transformações na gestão empresarial capitalista nas últimas décadas e sua incidência sobre proposições para a gestão da escola pública. Discutem-se as formas por meio da quais os temas autonomia, participação, avaliação, redução de níveis hierárquicos e trabalho em equipe são apresentados como soluções para gestão educacional e escolar, referenciados nas teorias e tecnologias de gestão voltadas à ampliação do capital. Ao contrário do relevante lugar ocupado por tais temas nas lutas sociais pela democratização da gestão escolar, pretende-se reorganizar o trabalho à semelhança do que se faz na empresa privada. Conclui-se que tais soluções, apresentadas como esforço de generalização da lógica capitalista de gestão no interior da escola, não contribuem para a qualidade da educação pública e para a democratização da gestão escolar, por não considerarem a especificidade do processo de trabalho pedagógico.

O atendimento privado subsidiado na educação infantil: os convênios e contratos administrativos em análise

PID: S1981-81062015000300460 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Azevedo Borghi
Resumo Este trabalho resulta de dissertação de mestrado que teve por objetivo analisar os instrumentos jurídicos adotados em parcerias entre instituições privadas com fins lucrativos e cinco municípios do interior paulista (Araras, Hortolândia, Limeira, Piracicaba e Sumaré) para a oferta de vagas na educação infantil. Objetiva-se verificar se tais instrumentos jurídicos atendem às exigências legais, bem como se configuram parte de estratégias legislativas para alocação de recursos públicos na esfera privada. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza documental. Os procedimentos metodológicos empregados foram a análise documental, a pesquisa bibliográfica e a análise de conteúdo. Por meio da análise de conteúdo constatou-se que os programas municipais não correspondem a uma política transitória para a oferta de vagas na educação infantil, pois fixam prazos longos de vigência das parcerias e preveem a possibilidade de prorrogá-las. Também se observou que a transferência de responsabilidades quanto à execução do atendimento às entidades privadas de finalidade lucrativa, a utilização de termos vagos ou imprecisos e a falta de mecanismos de fiscalização do atendimento pelas prefeituras constituem uma estratégia política de privatização da educação infantil.

O ensino de língua materna na perspectiva da teoria histórico-cultural: reflexões sobre leitura e escrita

PID: S1981-81062015000100114 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Miller
Este artigo objetiva refletir sobre a leitura e a escrita no ensino da língua materna que considera a função social da escrita e a especificidade do trabalho escolar ao lidar com as questões da linguagem. Resulta de pesquisa feita com base no estudo de autores da teoria histórico-cultural, visando a refletir sobre as implicações pedagógicas da teoria para o desenvolvimento dos processos de ensino e de aprendizagem da leitura e da escrita nas séries iniciais do ensino fundamental. Para a presente reflexão, tomamos parte desse estudo que fez uma aproximação entre a teoria histórico-cultural e a teoria dialógica da linguagem, culminando na sistematização de proposta para organização do ensino de língua materna que põe em relação três elementos formadores da dinâmica deste trabalho: o conteúdo cultural (a língua escrita, como meio de interação entre as pessoas), o professor (que orienta a relação do aprendiz com o objeto de conhecimento, por meio de enunciados de diferentes gêneros) e o aluno (ser ativo que aprende em suas relações sociais estabelecidas em sala de aula). Conclui que, trabalhando com a significação, sem a qual a palavra fica reduzida à sua realidade física, o professor viabiliza a compreensão da língua como ela é: uma realidade viva.

Processos formativos em Educação Ambiental: rumo à manutenção ou transformação da realidade?

PID: S1981-81062015000200239 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Queiroz Plácido
Este trabalho é fruto de duas pesquisas de mestrado concluídas pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Objetiva-se refletir e construir algumas considerações provocativas, embora não inaugurais, sobre diferentes processos formativos em Educação Ambiental (EA) no que toca a formação inicial e continuada de educadores. No primeiro estudo, analisa-se a incorporação da dimensão socioambiental em dois cursos de Licenciatura de universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro, verificando como a EA é percebida e praticada pelos docentes. No segundo, a abordagem recai sobre a análise de processos formativos instituídos por empresas no ambiente escolar. Como opção teórico-metodológica, sustenta-se a discussão no materialismo histórico e dialético, na análise dos discursos e das práticas dos educadores envolvidos nas pesquisas. Conclui-se que, nos processos formativos em EA naturalizam-se discursos e práticas conservadores por dentro e por fora do contexto escolar. Políticas de formação de educadores são construídas na lógica desenvolvimentista, sem aprofundamento crítico, limitando-se a experiências romantizadas, tecnicistas e comportamentais.

Produção acadêmica nacional sobre qualidade no ensino fundamental: mapeamento da concepção e seus indicadores

PID: S1981-81062015000100080 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Silveira Tavares Soares
Este artigo tem como objetivo apresentar e analisar a produção acadêmica publicada no Brasil, no período de 1995 a 2012, referente ao tema da qualidade do ensino fundamental. Para uma organização sistemática e qualitativa das referências investigadas, optamos por realizar o levantamento de teses, dissertações e artigos consultando os sítios eletrônicos da Capes, Scielo e Anped. Foram analisados 182 trabalhos por fonte de publicação, ano, instituição de pesquisa, região geográfica de vinculação dos autores, área de concentração das publicações, localidade de pesquisa e os indicadores de qualidade abordados. Na maioria das publicações o enfoque dado sobre a discussão da qualidade da educação ocorre por meio do fluxo e do desempenho educacional dos alunos nas avaliações em larga escala e ênfase na gestão e organização do trabalho escolar. Em alguns trabalhos está explícita a importância do conceito de educação de qualidade relacionar-se às finalidades às quais a educação se destina. Outros trabalhos destacam as condições materiais da escola; valorização dos trabalhadores em educação; a gestão e organização do trabalho pedagógico no interior da escola, assim como recursos adequados como fundantes para a almejada qualidade da educação.

Projeto Jovem de Futuro: uma Tecnologia do Instituto Unibanco para a Gestão de Escolas Públicas de Ensino Médio

PID: S1981-81062015000300534 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Oliveira Balduino
Resumo Este artigo tem como objetivo discutir a relação entre o público e o privado na Educação Básica. Para tanto, focaliza o Projeto Jovem de Futuro, apresentado pelo Instituto Unibanco, pré-qualificado no Guia de Tecnologias Educacionais do Ministério da Educação (MEC), efetivado por meio de parceria realizada com o MEC, governos dos estados (Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará e Piauí) e o Instituto, no âmbito do Programa Ensino Médio Inovador/Jovem de Futuro, para a gestão de escolas de Ensino Médio. Mostra que se trata de proposta de gestão escolar para resultados, com base na lógica de mercado e busca problematizar, mediante análise documental, as orientações do Programa, que influenciam as políticas educacionais brasileiras para o Ensino Médio

Protagonismo feminino e relações afetivas vivenciadas no recreio escolar dos Anos Iniciais: problematizando discursos docentes

PID: S1981-81062015000200268 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Carvalho Vargas
O artigo tem como objetivo a problematização das questões de gênero e sexualidade, presentes em discursos de docentes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, sobre as relações afetivas vivenciadas por meninas de uma escola pública de periferia com colegas de anos escolares posteriores no contexto do recreio. A pesquisa foi realizada através da metodologia de grupo focal e contou com a participação de doze professoras. As docentes, através de seus discursos (produzidos por uma rede de instituições e artefatos culturais), constituem regimes de verdade que operam no governamento do comportamento das estudantes. A partir das análises, é possível evidenciar que os discursos docentes objetivam a regulação dos modos de ser, de agir e de conviver das estudantes. Para tanto, tais discursos apresentam um vocabulário que diferencia os comportamentos esperados de meninas e meninos, na expectativa de que elas vivenciem suas feminilidades a partir de um padrão heteronormativo. Por esse motivo, conclui-se que os discursos heteronormativos proferidos no contexto escolar devem ser debatidos, para que as escolas possam contribuir para a superação das desigualdades, introduzindo no currículo e na prática cotidiana a problematização de toda e qualquer forma de discriminação de gênero.

Reflexões Sobre a Educação do Campo na Perspectiva Pedagógica da Indignação

PID: S1981-81062015000200312 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Moreira Beck Silva
O direito à educação tem sido considerado passaporte dos cidadãos à autonomia e à dignidade humana, bem como condição sinequa non da possibilidade de desenvolvimento e crescimento com equidade social e econômica de uma nação. A uma categoria específica desses cidadãos, no entanto, tem sido negado tal direito a uma educação de qualidade, condizente com sua realidade socioeconômica e cultural. É o que tem sido manifestado pelas reivindicações dos movimentos populares dos meios urbano e rural. As classes populares e, em especial os camponeses, anunciam sua indignação, exigindo um olhar particular dos poderes públicos para sua carência educacional ou agindo propositivamente com projetos alternativos, de modo a buscar um ensino adequado a seus objetivos. Neste contexto, políticas públicas que atendam a tais reivindicações são vistas como necessárias, além de enfocarem a formação e a prática transformadora dos agentes mediadores da educação, os docentes. Necessária, também, será a construção de currículos e de infraestrutura básica, dando condição de oferta de um ensino adequado à realidade desses grupos de indivíduos que ainda não foram atendidos na plenitude da sua cidadania.

Relação Família e Escola e Educação Especial: Opinião de Professores

PID: S1981-81062015000100168 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Borges Gualda Cia
A relação entre a família e a escola de crianças, público alvo da educação especial (PAEE), vem sendo apontada como benéfica para o processo de escolarização na escola comum. Considerando a contribuição positiva da parceria entre os pais e os agentes escolares para o desenvolvimento e aprendizagem dessas crianças, julga-se necessário investigar como ocorre essa relação no contexto da educação infantil, já que essa é a primeira etapa de escolarização das crianças. O objetivo deste estudo foi descrever a relação entre a família e a escola de crianças pré-escolares PAEE matriculadas na escola comum, segundo a opinião de professores. Participaram da pesquisa 20 professoras pré-escolares que lecionavam para crianças PAEE, da rede municipal de ensino. Para responder ao objetivo, as participantes preencheram um questionário que avaliou a relação estabelecida por elas com as famílias de crianças PAEE e as possíveis estratégias que poderiam ser realizadas para estreitar essa relação. A maioria das professoras apontou a socialização como o principal fator da escola que poderia influenciar no sucesso escolar da criança, e que a boa relação família e escola é constituída pela troca de informações e diálogo. Em relação às estratégias utilizadas para se comunicarem com os pais, têm-se com maior frequência as reuniões de pais e o uso de bilhetes. Aproximadamente metade das professoras apontou que informava os pais sobre o desenvolvimento e aprendizagem da criança, a fim de ajudá-los no processo de escolarização na escola comum. Esses resultados podem nortear intervenções a serem desenvolvidas com pais e professores, a fim de estreitar tal relação.

Relações entre Autonomia e Projeto Político-Pedagógico de Escolas Públicas

PID: S1981-81062015000100054 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Camargo Flach
Derivado de pesquisa mais ampla, este artigo procura refletir sobre o desenvolvimento da autonomia de escolas públicas através do Projeto Político-pedagógico. A partir da análise de dados colhidos em pesquisa de natureza qualitativa, o texto apresenta como acontecem e são previstas as interações entre escola e comunidade nos âmbitos social, governamental e escolar e suas implicações para a organização do Projeto Político-pedagógico em escolas públicas e sua relação com o desenvolvimento da autonomia. As análises indicam que para o trabalho pedagógico e escolar atender as necessidades educativas da comunidade precisa pautar-se em um Projeto político-pedagógico socialmente referenciado. E, ainda, que o desenvolvimento da autonomia da escola via projeto político-pedagógico situa-se em espaço contraditório, onde avanços e recuos são presentes e se fazem necessários. Além dessas questões, conclui-se que há, ainda, no meio educacional, muita dificuldade em entender como o Projeto Político-pedagógico pode auxiliar na conquista de uma escola democrática e autônoma.

Relações entre o público e o privado na educação: o Projeto Jovem de Futuro do Instituto Unibanco

PID: S1981-81062015000300520 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Peroni Caetano
Resumo Este trabalho faz parte da pesquisa Parcerias entre sistemas públicos e instituições do terceiro setor: Brasil, Argentina, Portugal e Inglaterra implicações para a democratização da educação, realizada pelo Grupo de Pesquisa Relações entre o Público e o Privado na Educação, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nesta etapa da pesquisa, o grupo enfoca o conteúdo da proposta, isto é, como a lógica privada mercantil está sendo inserida no sistema público e, também, como se dá a influência das redes nacionais e globais na política educacional brasileira de educação básica, sob a perspectiva de Thompson (1981) de que são sujeitos e relações com objetivos de classe. Assim, neste texto, priorizamos esses dois aspectos - sujeitos e conteúdo da proposta - na análise do Projeto Jovem de Futuro do Instituto Unibanco.

Repolitização da Gestão Educacional no Brasil: Estratégia de Gestão no Âmbito Público

PID: S1981-81062015000300449 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Fernandes
Resumo O objetivo deste ensaio é problematizar a respeito da ressignificação da gestão, mediante a introjeção de um aparato conceitual e procedimental que reifica a lógica privada no interior da gestão pública. A partir da perspectiva do método materialista histórico-dialético, evidencia-se os resultados parciais de uma pesquisa bibliográfica e documental, acerca dos desdobramentos da reforma estatal iniciada no final do século XX na orientação do processo de gestão municipal da educação na contemporaneidade. Ao apregoar a relação de unidade-distinção entre liberalismo, neoliberalismo e terceira via, conclui-se que a confluência entre gestão e gerencialismo expressa um processo de repolitização vinculado à proposta liberal-corporativa de redefinição do Estado, que estabelece, em suas bases, a reiteração da imbricação entre as noções de público e privado, o que implica a alteração do sentido do que seja gestão, direito e cidadania.

Representações sociais de pais sobre atuação de homens como educadores de crianças de 0-3 anos

PID: S1981-81062015000200282 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Gonçalves Faria
Este estudo busca investigar as representações sociais dos pais e das mães de crianças matriculadas em turmas da Educação Infantil, com idade entre de 0-3 anos, sobre a atuação de homens como professores nessa etapa da Educação Básica. A abordagem teórica baseia-se em pensadores como: Scott (1998), que conceitua gênero como uma questão cultural; Louro (2012), que aborda sobre a profissão docente que passou a ser vista como feminina; Moscovici (1973), que afirma que as pessoas têm as suas atitudes baseadas nos valores e nas ideias predominantes na sociedade, entre outros. Foram feitas entrevistas semiestruturadas, gravadas em áudio, que, posteriormente, foram transcritas e analisadas, com duas mães e dois pais de crianças com idade entre 0-3 anos, matriculadas em instituições de Ensino Infantil, na cidade de Naviraí-MS. Os resultados indicam que as representações sociais predominantes são de que a função do professor da Educação Infantil está intrinsecamente relacionada ao papel maternal e que há o receio de abuso sexual quando se trata de homem atuando com crianças dessa faixa de idade. Percebe-se que o professor da Educação Infantil é visto pelos entrevistados mais como um cuidador de crianças do que como um professor educador.

Responsabilização ou controle da qualidade do ensino: a que serve a avaliação externa?

PID: S1981-81062015000100067 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Machado Alavarse
No Brasil, assim como em outros países, constata-se a consolidação das avaliações externas como iniciativas de políticas educativas governamentais, tendo como principal objeto o desempenho de alunos em leitura e resolução de problemas. Seus resultados, também, têm servido de base para avaliação de escolas e professores, incluindo políticas de bonificação. Nesse sentido, ao identificar a qualidade do desempenho dos alunos em provas padronizadas como responsabilidade quase que exclusiva das equipes escolares, a avaliação externa torna-se uma política de accountability, ou seja, de responsabilização. Contudo, pondera-se, neste trabalho, que os resultados das avaliações externas permitem, por outro lado, estabelecer um controle da qualidade do ensino, no sentido de acompanhamento da aprendizagem dos alunos e do trabalho desenvolvido pelas equipes escolares.

Só a alegria produz conhecimento: corpo, afeto e aprendizagem ética na leitura deleuzeana de Spinoza

PID: S1981-81062015000100186 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Yonezawa
O objetivo deste trabalho, realizado a partir de pesquisa teórica da obra filosófica de Gilles Deleuze, é compreender a relação entre a produção de conhecimento, o afeto e o corpo, problemática contida na leitura deleuzeana de Spinoza. Para tanto, são explorados os textos de Deleuze que tratam de Spinoza, bem como os livros Ética e Tratado da Reforma do Entendimento do filósofo holandês. Observa-se, pois, que o corpo se constitui como matéria ética da produção de diferentes níveis de conhecimento. Este trabalho está centrado especificamente nos dois primeiros níveis de conhecimento, os quais, de modo crescente, trazem um conhecimento dos encontros, de forma a potencializar a sensibilidade e o pensamento. Abordando os conceitos de afeto e noção comum enquanto produtos dos encontros entre corpos, se traça o sentido de um conhecimento ético, o qual depende do corpo poder ser afetado de alegria. Ao final, conclui-se que a potência de conhecer também só é produzida como aumento da capacidade de agir na medida em que um esforço não natural do pensamento se alia a essa sensibilidade do corpo.

Tendências na formação de professores da educação básica dos municípios paulistas: uma abordagem crítica

PID: S1981-81062015000200209 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2015
Autores: Bello PennaI
O objetivo deste artigo é contribuir com o debate sobre a formação inicial de professores do ensino fundamental I mediante análise de uma das ações empreendidas pelo MEC a partir de 2007: o Plano de Ações Articuladas (PAR). A partir dos termos de cooperação técnica assinados para a efetivação da parceria entre o MEC e os municípios paulistas considerados prioritários no período 2007-2011, foi feito um levantamento das demandas de formação continuada apresentadas pelos professores do ensino fundamental I. Tais demandas foram analisadas tendo como base estudos de António Nóvoa sobre aspectos considerados inerentes à formação de professores, a saber: compreensão da educação como campo de conhecimento; conhecimento de metodologias de trabalho e domínio dos conteúdos escolares. Devido às demandas identificadas no levantamento de dados, acrescentou-se às dimensões de Nóvoa o conhecimento da gestão e organização do trabalho escolar. Mediante a análise dos dados, foi possível evidenciar qual direcionamento o MEC tem dado à formação docente, assim como identificar o descompasso entre os currículos dos cursos de Pedagogia e as necessidades formativas para o exercício do magistério.

A inserção da história e cultura afro-brasileiras no cotidiano escolar: um estudo de caso

PID: S1981-81062014000300118 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2014
Autores: Martins Salles
A presente pesquisa investiga as implicações da obrigatoriedade do estudo da temática História e Cultura Afro-Brasileiras no cotidiano escolar. Procura-se analisar em que medida a promulgação de uma legislação específica pode modificar relações estabelecidas na escola. Os dados desta pesquisa, delineada como um estudo de caso, foram coletados através de questionários, entrevistas, observação, análise de documentos e grupos focais. A análise indicou que os preconceitos e relações preconceituosas existem e determinam relações conflituosas frente às quais, em geral, os educadores tendem a se omitir. A análise revelou, ainda, que o cotidiano escolar é permeado por relações de conflito etnicorraciais que adentram o espaço escolar, evidenciando que relações de poder que se manifestam por meio de preconceitos e discriminações etnicorraciais estão presentes no cotidiano das escolas. O estudo, entretanto, apontou que a atuação da escola pode contribuir para mudar a forma de pensar e de agir dos alunos, colaborando, assim, para a mudança da realidade social e das relações estabelecidas no cotidiano escolar.

Abordagem de Questões Sócio-Científicas Controversas no 1º Ciclo do Ensino Básico

PID: S1981-81062014000300097 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2014
Autores: Ribeiro Vieira
Assumindo a importância da educação em ciências, desde os primeiros anos, visando a formação de cidadãos capazes de pensar e agir criticamente em situações de cariz científico-tecnológico, realizou-se um estudo com a finalidade de desenvolver situações de aprendizagem focadas em questões sócio-científicas controversas para promover a construção/mobilização de conhecimento científico e capacidades de argumentação dos alunos. O estudo enquadra-se numa metodologia qualitativa, seguindo um plano de investigação-ação. Foi realizado com uma turma do 3º ano (8 anos), tendo sido abordadas questões sócio-científicas controversas, enquadradas em temas curriculares de ciências, recorrendo a estratégias de debate, role-play e escrita de ensaios argumentativos. Na recolha de dados usou-se um instrumento de análise das produções, orais e escritas, dos alunos. Na análise de dados, privilegiou-se a análise de conteúdo. Os resultados obtidos sugerem que os alunos mobilizaram conhecimentos científicos, evidenciando melhoria no uso eficaz de capacidades de argumentação em foco. Tal permite concluir que a abordagem de questões sócio científicas controversas contribui para a promoção da capacidade de argumentação, bem como para a contrução/mobilização de conhecimentos científicos dos alunos.

Alterações de um olhar cristalizado, dos educadores para seus alunos e alunas

PID: S1981-81062014000100003 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2014
Autores: Lima Salles
Este artigo se propõe a identificar as concepções de masculino e feminino de professores e professoras de uma escola de ensino fundamental na cidade de São Paulo e caracterizar os estereótipos sobre alunos e alunas verificando seus desdobramentos na atuação docente. Para realização da pesquisa foram utilizados instrumentos da abordagem qualitativa (escala e entrevistas semiestruturadas). O estudo evidenciou que vários estereótipos estão sendo desconstruídos, entretanto outros ainda perduram. Os educadores parecem ter clareza que a sexualidade é uma construção histórica social, mas só isso não é suficiente para que concepções sejam reformuladas. Nas falas dos educadores e educadoras se evidencia o papel da escola enquanto instituição formadora não só de conhecimentos acadêmicos, como também de conceitos, preconceitos, concepções e valores.
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