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Reformas educacionais: consequências para os sistemas e para os trabalhadores em educação

PID: S1981-81062011000300005 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2011
Autores: Araújo Filho
O presente artigo aborda as consequências das reformas educacionais, ocorridas a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, na educação básica. Essas reformas foram elaboradas sem a participação social, fazendo com que haja ainda no país um elevado número de pessoas não alfabetizadas, um grande percentual de analfabetos funcionais, a não universalização do atendimento escolar, baixa qualidade do aprendizado e uma escola com dificuldades de cumprir o papel de preparar o cidadão para a vida e o trabalho. Além disso, as políticas educacionais levaram um longo tempo, após a Constituição, para serem aprovadas e não atenderam às reivindicações e expectativas dos trabalhadores da educação. Contudo, nos últimos três anos houve mudanças na estrutura da educação brasileira levando a alguns avanços; mas, ainda, há desafios a serem superados. O autor conclui chamando a atenção para a importância da participação, organização e intervenção das entidades organizadas dos movimentos sociais para que os desafios presentes na educação sejam superados e esta esteja no rumo certo.

Registro de práticas e formação de professores: reflexão, memória e autoria

PID: S1981-81062011000200010 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2011
Autores: Marques Almeida
Este artigo tem por objetivo analisar a contribuição da prática do registro nos processos de formação em serviço e de desenvolvimento profissional do professor. Organiza-se em três partes: na primeira, explicitamos concepções de diferentes autores sobre nosso objeto (FREIRE, 1996; GUARNIERI, 2001; SÁ-CHAVES, 2004; WARSCHAUER, 1993, 2001; ZABALZA, 1994, 2004); na segunda, detemo-nos na análise de registros diários produzidos por uma professora de Educação Infantil, procurando destacar elementos que elucidem a relação entre registro, reflexão e formação; ao final, indicamos a necessidade de caminhar do registro como postura individual ao registro como processo coletivo, como sugere a perspectiva da documentação pedagógica descrita em bibliografia italiana (BALSAMO, 1998; BENZONI, 2001; BORGHI, APOSTOLI, 2001; GANDINI, GOLDHABER, 2002). O registro pode contribuir para os processos de desenvolvimento profissional e organizacional, em uma escola reflexiva (ALARCÃO, 2002, 2003) e verdadeiramente pública porque se faz visível à sociedade via documentação das experiências que educadores e crianças constroem juntos (MALAGUZZI, 1999).

Reorganização gerencialista da escola e trabalho docente

PID: S1981-81062011000300006 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2011
Autores: Hypolito
O artigo analisa formas gerencialistas de reorganização do Estado e suas repercussões para a educação, em especial para a gestão, o currículo e o trabalho docente. Como forma de organização da gestão pública, o gerencialismo segue critérios da produtividade, orientação para o cliente, modelos descentralizados, eficiência dos serviços, introdução de mecanismos de mercado na administração pública e programas de responsabilização - accountability - e avaliação, além das parcerias público-privado e do quase-mercado. A lógica neoliberal e gerencialista interpela os sujeitos, as escolas, os professores e as professoras, no sentido de uma subjetivação que conduz a comportamentos de aceitação e que são muito produtivos para um desempenho das políticas educativas, no sentido de atender ao modelo mercadológico e gerencial das políticas, tanto nos aspectos da gestão, do currículo e das práticas escolares. É a performatividade operando cotidianamente nas escolas, tanto para o currículo, para a gestão e para o trabalho docente. O texto busca demonstrar que há repercussões sobre o processo de trabalho escolar e docente, com profundas mudanças na gestão escolar, na organização do trabalho, com significativos efeitos de precarização das condições de trabalho e de intensificação. O controle e a regulação, com base nas parcerias público-privadas, introduzem um volume de novos requisitos para o professorado, que passa a se sentir responsabilizado e culpado pelo seu desempenho. O artigo conclui que muitos indicadores mostram que essas soluções, extremamente onerosas para o Estado, têm sido pouco efetivas para a melhoria da qualidade do ensino.

Sistemas de ensino privados em redes públicas de educação: relações com a organização do trabalho na escola

PID: S1981-81062011000300009 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2011
Autores: Garcia Correa
O presente ensaio, como parte de pesquisa em andamento, propõe-se a discutir a seguinte questão: quais seriam as decorrências da compra de sistemas de ensino privados para a organização do trabalho na escola? Para responder a essa questão, estão sendo realizados estudos de caso em unidades de ensino pertencentes a quatro redes municipais que adquiriram sistemas de ensino junto a diferentes empresas privadas1. A coleta de dados foi concluída no início do segundo semestre de 2001 e no momento eles estão em fase de análise. Neste trabalho, portanto, procedemos a uma discussão teórica problematizando as relações entre a compra de sistemas de ensino privados e a organização do trabalho na escola pública.

Sobre a legalidade da aquisição e uso dos “sistemas de ensino privados” na educação pública

PID: S1981-81062011000300007 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2011
Autores: Silveira Mizuki
Objetiva-se refletir aquisições de “sistemas privados de ensino” por municípios paulistas, à luz das normas constantes na Constituição Federal de 1988 (CF/88), na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/96), do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e de duas ações que o Ministério Público (MP) impetrou com relação a tais aquisições, nos municípios de São Bernardo do Campo e de Barueri. A análise dos princípios normativos indica que a utilização de “sistemas privados de ensino” interfere no processo de autonomia pedagógica da instituição educacional e dos professores e, desse modo, restringe o princípio da gestão democrática e a possibilidade do ensino ser ministrado a partir de diferentes concepções pedagógicas. Entretanto, dos procedimentos analisados neste artigo instaurados pelo MP, observou-se que a fundamentação jurídica para as ações não esteve relacionada à legislação educacional vigente, atentando-se mais para questões de escopo administrativo.

Utilização da sacola ecológica como recurso didático do zoológico “Quinzinho de Barros” na educação ambiental em espaços não-formais de aprendizagem

PID: S1981-81062011000200011 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2011
Autores: Cherutti Mathias Garcia
O Zoológico de Sorocaba desenvolve vários programas de educação ambiental para escolares e para a formação continuada de professores, sendo um deles a visita orientada. Essa visita tem como objetivo promover interação entre o público e o monitor, durante um passeio pelos setores do Zoo. Nesse passeio, é utilizada a sacola ecológica com a finalidade de apresentar conceitos relacionados à conservação do meio ambiente, preparando os alunos para a atividade. Esse trabalho investigou a aplicação da sacola ecológica como recurso didático de ensino-aprendizagem durante a visita monitorada. Foram acompanhadas duas visitas, com alunos de escolas públicas com idade entre seis e oito anos. A coleta dos dados ocorreu com uma turma que utilizou previamente a sacola ecológica em sala de aula, e outra turma que apenas realizou a visita ao zoológico sem a utilização da sacola. Os instrumentos utilizados foram observações e entrevistas semiestruturadas com o monitor, alunos e professores das duas turmas. Após a análise dos dados, pôde-se concluir que a utilização da sacola ecológica, atrelada às atividades escolares, é um importante recurso didático na assimilação dos conceitos apresentados.

Vécu des situations scolaires, estime de soi et Développement: du jugement moral a la période de la latence

PID: S1981-81062011000100003 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2011
Autores: Riard
Suivant une approche de psychologie sociale clinique, le point de vue adopté dans cet article est triple : 1- considérer les situations scolaires “ ordinaires ” comme potentiellement génératrices de difficultés; 2- s’inscrire en amont de l’adolescence afin d’améliorer la compréhension de cette dernière; 3 - considérer le vécu des élèves. La recherche menée en France (enfants de 6 à 11 ans), par questionnaire (48 situations relevant de la scolarité : classe, cour de récréation, trajet domicile/école et domicile ont été proposées) ; test d’estime de soi (Coopersmith) ; développement moral (Kohlberg). Variables : âge, sexe, mode d’habitat, position scolaire, classement, département. Les résultats (analyse de variance) démontrent un fonctionnement “ en bloc ” du niveau de vécu de difficulté. Ressortent comme variables significatives, par ordre d’importance décroissante: le sexe (les garçons ressentent davantage les difficultés que les filles); l’âge (le niveau de difficulté vécue décroît avec l’âge mais concerne surtout la cour de récréation) ; le mode d’habitat (collectif). La classe est l’espace le plus porteur de différences de vécu de difficultés indépendamment des variables. Le niveau d’autonomie et l’estime de soi sont schématiquement inversement proportionnés au niveau de difficulté vécu. La conclusion met l’accent sur l’importance des effets interactif et d’accumulation des situations.

A geografia cultural no III Milênio: perspectivas epistêmico-metodológicas e pedagógicas

PID: S1981-81062010000100006 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Correia
O artigo reflete sobre mudanças no projeto da sociedade moderna e perspectivas renovadoras dos saberes dentre eles as possibilidades da geografia cultural (III Milênio) assentadas na percepção e representação associada ao subjetivismo e intersubjetivismo da disciplina de geografia. Para tanto, aponta algumas questões metodológicas e pedagógicas da geografia cultural atual, buscando fundamentos fenomenológicos e das representações sociais, para a elaboração de um saber mais humano, transposto a um fazer pedagógico no interior da geografia escolar, o qual poderá contribuir ao projeto da sociedade como um todo. Para isso, volta-se à visão fenomenológica husserliana e merleau-pontyana, assim como a teoria das representações sociais moscoviciana. Essas vem de encontro a uma geografia humanista, à ser constituída e desenvolvida em ambientes acadêmico e didáticopedagógico da ciência geográfica.

Avaliação Institucional Participativa em escolas públicas de ensino fundamental

PID: S1981-81062010000200009 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Betini
Uma das questões em pauta hoje em educação diz respeito à participação da comunidade na vida da escola. Comunidade entendida como todos os atores da escola, ou seja, direção, professores, funcionários, alunos e pais. Esse texto tem como objetivo apresentar algumas categorias que se destacaram, na implementação da Avaliação Institucional Participativa, em escolas públicas de ensino fundamental. Essas categorias emergiram de pesquisa, realizada no doutorado na UNICAMP, em escolas públicas de ensino fundamental de Campinas-SP. Trabalhos de participação, previamente existentes nas escolas, bem como o papel da direção aparecem como fundamentais, na condução de implementação de Projetos de Avaliação Institucional Participativa. Não se exclui desse processo a importância do poder público que, por meio de suas políticas de educação, pode aumentar as condições objetivas de trabalho das escolas. A Avaliação Institucional Participativa se apresenta como possibilidade na busca da qualidade social da educação oferecida às camadas populares que têm, nas escolas públicas, uma das poucas oportunidades de se apropriar do conhecimento sistematizado pela humanidade.

Avaliação Institucional na escola de educação básica: uma aproximação orientada pelos princípios da participação

PID: S1981-81062010000200010 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Dalben
Este trabalho sintetiza a Dissertação de Mestrado que buscou identificar os aspectos que influenciaram a implantação da Avaliação Institucional Participativa em uma Escola Estadual do Ensino Fundamental, situada na periferia da cidade de Campinas, SP. O modelo de avaliação institucional proposto se apoiou no conceito de qualidade negociada e contou com a constituição de uma Comissão Própria de Avaliação, composta por representantes da comunidade escolar, para dinamizar todo o processo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujos dados foram obtidos no período entre outubro de 2005 e dezembro de 2006, quando o pesquisador se inseriu no ambiente escolar com a função de também apoiar a escola no desenvolvimento do processo de avaliação. Da análise dos dados resultaram quatro categorias analíticas que propiciaram reflexões acerca do Projeto Político-Pedagógico, da cultura educacional vinculada ao gestor escolar, dos meandros da participação e das potencialidades da Avaliação Institucional Participativa. Verificou-se também a potencialidade da Avaliação Institucional Participativa, enquanto recurso da gestão democrática e para a formação técnica e política da comunidade escolar com vistas à superação dos problemas enfrentados pela escola.

Avaliação Institucional: contribuições para a discussão a partir da experiência da UNESP/Rio Claro - Instituto de Biociências

PID: S1981-81062010000200008 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Bertagna
O objetivo deste trabalho consiste no resgate dos conceitos da avaliação institucional, caracterização de sua importância no ensino superior e contribuição para a discussão sobre a temática a partir da experiência da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho- UNESP/Rio Claro - Instituto de Biociências. O resgate histórico dos conceitos citados e a análise dos documentos relativos a avaliação institucional da UNESP, permite a retomada dos marcos legais e teóricos da proposta e analise dos mesmos a partir dos conceitos do campo da avaliação institucional.

Avaliação na creche: o disciplinamento dos corpos e a transgressão das crianças

PID: S1981-81062010000200003 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Godoi
Este artigo discute as práticas avaliativas presentes na educação das crianças de 0 a 3 anos. A metodologia foi construída através de pesquisa qualitativa, realizada em uma creche da Rede Municipal de Campinas (RMC) durante um ano e utilizou os seguintes recursos na coleta de dados: observações e entrevistas. A avaliação presente neste espaço comparava, rotulava, classificava, ora reprovava, ora aprovava a criança. Uma avaliação baseada na vigia e no controle constante (na observação se a criança obedecia ou não às regras que eram determinadas), que disciplinava o corpo e determinava as formas das crianças se portarem, como: a maneira que deveriam se sentar, comer, dormir, brincar, entre outras. Ao mesmo tempo, os dados revelaram um movimento de transgressão por parte das crianças em relação a estas regras, ou seja, uma resistência à forma de trabalho que, se apresentava rotineiro e homogêneo, que educava para o disciplinamento e para a submissão. Assim, em contrapartida a esta forma de trabalho, as crianças mostravam sinais de (des) encontro entre as propostas dos adultos e da instituição e o seu jeito de ser.

Avaliação: para além da “forma escola”

PID: S1981-81062010000200007 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Freitas
A forma que a avaliação assume no interior da escola capitalista não pode ser desvinculada da própria forma de uma escola constituída para atender a determinadas funções sociais da sociedade. Excluir e subordinar têm sido as funções preferenciais que estão na base da organização da atual forma escola. As razões para tais funções se devem ao fato de que, nesta visão, a sociedade é apresentada como um dado pronto e acabado devendo a juventude conformar-se a esta. Isola-se a escola da vida e se elege o interior da sala de aula como palco privilegiado do processo educativo. A forma que a avaliação toma é devedora destas decisões. Ao isolar-se da vida, a escola isola-se do trabalho socialmente útil, em seu sentido amplo, o qual poderia ser um elemento fundamental na própria constituição do processo de avaliação da escola. Mas, para isso, a escola teria que assumir outra forma abrindo possibilidades para outras formas de avaliação também.

Comparação de duas experiências de sondagens na alfabetização: Brasil e Alemanha

PID: S1981-81062010000100009 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Riolfi Schuler Barzotto
Nosso objeto consiste nos registros de sondagens realizadas por professores alfabetizadores. Interessando-nos por circunscrever quais são os saberes mobilizados por eles para registrar um dado estado de conhecimento, nossa interrogação incidiu sobre as habilidades e os conhecimentos necessários para que um profissional possa registrar o estado da articulação feita pela criança no que diz respeito às habilidades, atitudes e conhecimentos necessários para escrever. Para tanto, analisamos registros de sondagens coletados em dois ambientes distintos: uma escola municipal da cidade de São Paulo e uma escola estadual em Berlim. A análise dos dados mostrou que a professora brasileira não registra qualquer comentário descritivo ou analítico, limitando-se a aplicar uma grade de verificação previamente estabelecida. Por sua vez, mesmo na escola alemã, que preserva a memória da escolarização do aluno, as anotações feitas pela professora são imprecisas e genéricas, não se prestando plenamente para a partilha de informações a respeito da criança com outros profissionais. Assim, concluímos que, para terem maior relevância pedagógica, as sondagens só teriam sentido em uma escola vista como lugar de pesquisa.

Crítica e autocrítica: avaliação participativa em escolas do campo do estado de Mato Grosso

PID: S1981-81062010000200005 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Machado
Esse trabalho aborda algumas possibilidades de realização da avaliação participativa, que é entendida como uma importante dimensão do trabalho pedagógico efetivado em escolas do campo organizadas segundo os princípios político-pedagógicos do movimento dos trabalhadores rurais sem terra. Dentre os autores que fundamentam esse estudo estão Freitas (1995), Perrenoud (1986) e Pistrak (2002). A pesquisa de natureza participante, cujo instrumento principal foi a observação, teve com objetivo central analisar em que medida a crítica e autocrítica, como proposta de avaliação participativa, se traduz no cotidiano de escolas do campo. Os resultados da pesquisa mostram a valorização dessa sistemática de avaliação no contexto dessas escolas. Foi possível perceber que uma educação transformadora e emancipatória não pode prescindir da avaliação crítica e participativa, que compreende estudantes e educadores como sujeitos do processo ensino e aprendizagem. Embora seja uma prática complexa e, por vezes, conflitante, a avaliação participativa é instrumento fundamental para a sistematização e reflexão coletiva das ações e atividades pedagógicas desencadeadas na escola, assim como para o fortalecimento do projeto educativo dos movimentos sociais do campo.

Do avaliar a aprendizagem ao avaliar para a aprendizagem: por uma nova cultura avaliativa

PID: S1981-81062010000200006 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Biani Betini
Este ensaio discute a avaliação, categoria que ganhou centralidade nas reformas educacionais do final dos anos 90 no Brasil, analisando o seu papel numa escola cuja lógica opera em consonância com a lógica da sociedade capitalista na qual está inserida. Apresenta e discute as diferentes concepções de qualidade e avaliação na relação com seus objetivos. O texto propõe um repensar a avaliação na escola por todos os sujeitos envolvidos no processo educativo - famílias, professores, gestores - com a adesão a novos modelos pertinentes com a construção coletiva de práticas avaliativas escolares que caminhem da avaliação seletiva e excludente para a avaliação formativa que promova o desenvolvimento humano e a qualidade social da educação de todas e de cada criança.

Educação Infantil e família: uma parceria necessária

PID: S1981-81062010000100005 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Saisi
A pesquisa realizada em uma instituição pública de Educação Infantil de São Paulo visou identificar a natureza da interação entre a família e a escola e como esta se apropria, em seu projeto pedagógico, das informações que aquela oferece, para beneficiar a criança. A metodologia utilizada foi a pesquisa-ação, com instrumentos de observação, entrevista individual e coletiva, análise documental e questionários para professores e pais. Para interpretar os dados obtidos, utilizou-se da técnica de análise de conteúdo. Dentre os resultados, destaca-se que a relação família-instituição de educação infantil, para os pais, centra-se na instituição educacional: é ela que detém informações sobre a criança e, portanto, deve esclarecer dúvidas e orientá-los. É ela detentora de um saber que a família não possui e, como tal, é autoridade. Essa visão é compartilhada pelos educadores. Não há um movimento para incorporar em seu projeto pedagógico as informações provenientes da família, de modo a se construir e se reconstruir continuamente em bases concretas a partir de seu contexto social.

Educação contemporânea: a sociedade autolimpante, o sujeito obsoleto e a aposta na escolha

PID: S1981-81062010000100004 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Almeida
O objetivo deste artigo é discutir a educação contemporânea a partir da caracterização da sociedade autolimpante, definida pela abertura pós-moderna e pela pluralidade de mentalidades. É nessa sociedade que convivem o sujeito obsoleto, herdeiro de Prometeu, o sujeito dionisíaco, caracterizado pelo hedonismo, e o sujeito hermesiano, que valoriza a comunicação, a criação e a mediação. No embate dessas perspectivas, a educação vive sua crise de finalidade, não encontrando referências nem modelos para se atualizar. Nesse contexto, discute-se a aposta num trajeto educativo que forme o homem para a escolha, questão que se apresenta como alternativa existencial para o impasse contemporâneo.

Ensino e cultura escolarizada: o habitus no processo de estruturação do campo social da escola

PID: S1981-81062010000100007 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Vicente Junior
Nesse artigo apresento a contribuição do sociólogo francês, Pierre Bourdieu em alguns dos seus estudos e investigações sobre o sistema de ensino como reprodutor social, cultural, de exclusão, de um ensino teórico fragmentado e, na maioria das vezes, incentivando o modelo social competitivo agressivo. Nesta perspectiva, trago à discussão o ensino da Filosofia no Ensino Médio quando pode ser constatado que muito do que se ensina nesta disciplina é uma transposição da cultura tradicional filosófica, com recortes fragmentados e distantes dos acontecimentos e do cotidiano dos alunos. O conceito de habitus presente no pensamento de Bourdieu como processo de inculcação, sistema de disposições duráveis, de transmissão dos valores culturais e dos bens simbólicos na estruturas do campo social, faz parte do corpus teórico deste trabalho.

Há espaços para a negociação em políticas de regulação da qualidade da escola pública?

PID: S1981-81062010000200011 | Revista: Educação: Teoria e Prática (1981-8106) | Año: 2010
Autores: Sordi
Descreve-se projeto de avaliação institucional desenvolvido em rede municipal de ensino com destaque aos princípios orientadores da proposta que valorizam o fortalecimento dos atores locais da escola para participarem da negociação em prol de uma escola pública cuja concepção de qualidade seja socialmente relevante. Por meio das vozes de atores implicados no processo de implementação são destacados os desafios, as potencialidades e vulnerabilidades da proposta. Conclui-se que a avaliação institucional em escolas de ensino fundamental é campo em construção e que requer a disposição política de experimentar modelos alternativos em que a regulação possa ocorrer de forma negociada e participativa.
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