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Fenomenologia e Educação na perspectiva de Creusa Capalbo

PID: S1982-596x2020000200555 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: César
Resumo Creusa Capalbo fez seu doutorado em Filosofia na Universidade Católica de Louvain. Faleceu em 2017, aos 83 anos, e deixou uma obra centrada na meditação sobre Fenomenologia e Ciências Humanas. Editou um livro com esse título, cujo sexto capítulo aborda o tema Fenomenologia e Educação. Mostrando invulgar erudição e fazendo a crítica de pensadores que reduzem a educação à adequação ou à revolta contra a sociedade industrial, Creusa Capalbo entende que o papel da educação é o de propiciar a introdução de valores que assegurem a realização do bem comum. Inspira-se, para tanto, nas meditações exponenciais de Husserl, Scheler, Buber, dentre outros autores. Retomando as meditações desses pensadores, Creusa Capalbo realiza um percurso admirável, sublinhando sua fidelidade ao tema da Filosofia da Educação.

Filosofia da educação e pesquisa educacional: fragilidade teórica na investigação educacional

PID: S1982-596x2020000100251 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Dalbosco Mühl
Resumo O ensaio trata do problema da fragilidade teórica do campo investigativo educacional brasileiro e desenvolve a hipótese de que tal fragilidade deve-se ao fato da pesquisa educacional ter-se esquecido da pergunta pela validade de seu próprio conhecimento à medida que abandonou o diálogo crítico e criativo com a tradição. O texto apresenta, inicialmente, com base em Gatti, um diagnóstico da fragilidade teórica da pesquisa educacional brasileira. Na sequência, elenca e interpreta quatro fatores principais da fragilidade teórica e da frouxidão conceitual das pesquisas educacionais: o filosófico, o epistemológico, o político e o pedagógico. Por fim, problematiza o estatuto e a finalidade da filosofia da educação, concebendo o diálogo crítico com a tradição intelectual como uma das formas mais genuínas de sua contribuição à pesquisa educacional.

Filosofia e Educação como “Modo de vida”: o cuidado de si, do outro e o agradecimento a Asclépio

PID: S1982-596x2020000100279 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Silveira Mascia Azeredo
Resumo Este artigo é parte dos resultados de pesquisas empreendidas no Grupo de Pesquisa GPEFE - Grupo de Pesquisa Estudos Foucaultianos e Educação da Universidade São Francisco. As análises partem de referenciais teóricos filosóficos da Antiguidade grega, em especial Platão e avança por entre os contemporâneos como Nietzsche, Foucault, dentre outros, com intuito de perscrutar o enigmático pedido de Sócrates a Críton, quando Sócrates pediu que sacrificasse um galo a Asclépio. O que Sócrates queria dizer com este “enigma”? “- Devemos um galo a Asclépio”. Então perguntamos: Sócrates foi curado? Curado de que doença? Doenças? Qual ou quais livros de Platão poderiam esclarecer (quem sabe) o enigma? Quem era o deus Asclépio? Em que momento Asclépio se tornou importante para os helenos? Qual a simbólica do galo para os atenienses? Existe algum legado através desse enigma que possa nos ajudar de alguma forma a nos educar e educarmos? Tais leituras podem ser importantes para a esfera da Educação?

Filosofia, linguagem e formação: algumas observações de inspiração wittgensteiniana

PID: S1982-596x2020000301303 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Loiola
Resumo Neste artigo, pretendemos destacar, a partir das indicações do segundo Wittgenstein, a vinculação entre problemas presentes na origem da tradição filosófica e determinadas imagens (Bilder) da significação linguística. Em particular, procuraremos nos deter no problema da relação entre discurso e identidade do Ser, tópico emblemático da discussão travada entre Parmênides, alguns sofistas e Platão e decisivo na conformação da tradição do pensamento filosófico. Assumindo o fundo pedagógico presente nas origens da filosofia, procuraremos igualmente destacar o papel reservado à aprendizagem da linguagem - ou de certo uso da linguagem - na forma de conhecimento filosófico. Discutiremos finalmente como a filosofia pode ser entendida como uma atividade formativa de esclarecimento conceitual a partir e por meio da linguagem - um exercício que tenta remeter a obra tardia de Wittgenstein à tradição de pensamento que, direta ou indiretamente, representava o enfeitiçamento contra o qual o filósofo se debateu ao longo da vida.

Friedrich Nietzsche e a crítica da subjetividade cartesiana

PID: S1982-596x2020000301105 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Gatto
Resumo O nome de Descartes aparece várias vezes nas obras publicadas e nos fragmentos póstumos de Nietzsche. As considerações do filósofo alemão são quase sempre críticas e recuperam, embora com um diferente juízo de valor, a interpretação do pensamento cartesiano fornecida pela tradição idealista. Nesta perspetiva, Descartes é considerado o pai do racionalismo ocidental, o pensador que teria colocado o cogito no centro da representação. A este respeito, analisar criticamente a leitura nietzschiana não significa só questionar a validade da sua interpretação, mas pôr em causa os mesmos cânones da modernidade filosófica.

Humanismo do outro homem: perspectivas de uma formação a partir da sensibilidade e da ética com Emmanuel Levinas

PID: S1982-596x2020000100307 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Carbonara
Resumo As teorias da formação alcançam grande expressividade com o desenvolvimento dos ideais do humanismo moderno. Trata-se de um projeto civilizatório que visa elevar a humanidade ao seu mais alto grau de perfectibilidade. A história e a filosofia do século XX, no entanto, desautorizaram a crença no humanismo e colocaram os seus fundamentos em crise. Essa crise estende-se a tudo que foi edificado sobre o humanismo, inclusive o projeto de uma formação para o esclarecimento e para a perfectibilidade. O que o artigo propõe é uma leitura sobre a resposta à crise do humanismo a partir da filosofia da subjetividade de Levinas. Assim, assume-se o afastamento do discurso humanista da modernidade para apresentar uma perspectiva à formação orientada pela sensibilidade e pelo acolhimento a outrem. Numa revisão do conceito de formação, o texto volta sua atenção para uma ética do acolhimento à alteridade: um humanismo do outro homem.

Indecisão plena de promessas: imagens da vida e da infância na filosofia de Henri Bergson

PID: S1982-596x2020000200565 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Carvalho
Resumo Numa passagem da obra Évolution Créatrice, Bergson recupera a imagem da criança para afirmar que a natureza viva opera através de tendências divergentes. Apesar de não ter desenvolvido um pensamento de pendor educacional, encontram-se na obra bergsoniana referências que, por um lado, recuperam a dimensão criativa e criadora da infância e, por outro, acentuam a forma infantil dos movimentos do élan vital. Estas referências fazem parte da imagética do autor, mostrando como o seu pensamento sugestiona leituras ímpares. O convite para cruzar a imagem da vida como infância com a imagem da infância como vida revela-se, assim, sugestivo para repensar o que nos habita como constitutivamente outro: a criança que fomos e a natureza que somos. E será através da imagem - como forma de contacto dinâmico com o real - que poderemos encontrar algumas respostas para a sugestão bergsoniana de se promover nas escolas um conhecimento infantil (enfantin).

Materialismo dialético, luta de classes e insights filosóficos sobre a educação a partir de Slavoj Žižek

PID: S1982-596x2020000200853 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Rech Fonseca
Resumo O artigo aborda a concepção de luta de classes no atual cenário histórico, político e social. O dogma das democracias ocidentais sugere que vivemos numa era pós-ideológica. Isso implica que não há mais espaço para a ideia de luta de classes. Contudo, segundo Žižek, é esse discurso que deve ser enquadrado no campo ideológico. Žižek retoma o conceito de materialismo dialético a fim de demonstrar a contradição interna ao campo ideológico de nossa sociedade dita pós-ideológica. Nesse momento, o conceito de luta de classes retorna à cena. A luta de classes não consiste num antagonismo entre dois polos num espaço comum, mas na fissura inerente ao próprio espaço. Para desenvolver o tema, cabe, antes, abordar o conceito de materialismo teológico de Walter Benjamin, que fundamenta, substancialmente, o conceito de materialismo dialético de Žižek. Importante, igualmente, retomar uma reflexão sobre o conceito de pulsão de morte em Freud, já que tal conceito exprime exatamente a fissura interna à realidade que condiciona a luta de classes. Convém, ademais, compreender como a ideia de educação pode ser pensada a partir da contradição que mobiliza a luta de classes.

O Movimento Escola sem Partido e a captura da docência: O professor como técnico do saber especializado

PID: S1982-596x2020000200509 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Danelon
Resumo Este artigo tem por objetivo refletir sobre formas de captura das práticas pedagógicas do professor presentes no pensamento e no projeto de lei proposto pelo Movimento Escola sem Partido. Em nossa análise, a estratégia de vigilância do trabalho docente, a classificação do trabalho docente como doutrinação e a sobreposição da educação familiar sobre a escolar, emergem como formas de captura da docência, transformando o professor num “técnico do saber especializado”, conforme conceituação de Jean-Paul Sartre.

O embate do encontro: o currículo cultural da educação física como lugar de conflitos

PID: S1982-596x2020000200789 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Silva Nunes
Resumo Neste artigo, tenciona-se aproximar, problematizar e refletir sobre a relação entre duas divindades gregas: Dionísio e Apolo - e o Currículo Cultural da Educação Física. Buscamos amparo metodológico na criação filosófico conceitual, pois sua utilização pode redesenhar relações estabelecidas e permitir jogar com elementos distintos e, inicialmente, não aproximáveis. Influenciados por Dionísio, ao final, trazemos duas criações pedagógicas a fim de transgredir os limites dados pelo "excesso de Apolo" na escrita acadêmica.

O governo das diferenças e a potência da vida surda na escola

PID: S1982-596x2020000100073 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Martins
Resumo É urgente afirmar a surdez como acontecimento ontológico, produtor de diferenças, as quais se materializam no corpo dos (variados) sujeitos surdos. O artigo objetiva produzir uma análise filosófica da surdez-acontecimento, fazendo um paralelo entre a ação das políticas educacionais (normalizadoras) e a micro relação do cotidiano escolar, pelo movimento de resistência das pessoas surdas às políticas igualitárias. O conceito de governamentalidade, desenvolvido por Michel Foucault, é fundamental para essa reflexão, apontando dois movimentos nas práticas inclusivas: o primeiro, agenciado na pauta da diversidade, com foco em práticas igualitárias e o segundo movimento, produzido na lógica da diferença. Propõe-se anunciar a surdez não apenas pela diferença, linguístico-cultural, mas como efeito de uma diferença ontológica espalhada no corpo social por fluxos ramificados, em movimentos intensivos, minando internamente os sujeitos e por eles, as variadas instituições. É a prática rasteira da contra-ação desse “ser” surdo às ações normalizadoras que interessa aqui ressaltar.

O lugar próprio no espaço impróprio: o negro, o judeu e o comum

PID: S1982-596x2020000100175 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Silveira
Resumo No pós-guerra, uma série de intelectuais que residiam na França, alguns deles, como exilados ou expatriados, travaram um intenso debate a respeito das condições do negro e do judeu. Jean-Paul Sartre formulou uma das questões centrais desse debate: haveria uma essência da negritude ou do judaísmo? Para Frantz Fanon, Maurice Blanchot, Jacques Derrida e Edmond Jabès, a negritude e o judaísmo podem ser compreendidos a partir das experiências do exílio e da expatriação. Esse artigo pretende reconstruir esse debate e analisar a importância do não-pertencimento para as concepções de comunidade e comum desenvolvidas por Jean-Luc Nancy, Giorgio Agamben e Jacques Rancière.

O movimento dos secundaristas brasileiros e o momento sofístico: uma nova história começa a ser contada

PID: S1982-596x2020000200891 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Silva Crick
Resumo A partir das proposições de Arendt, delineamos o momento sofístico como um instante no qual a intersecção entre os termos riqueza, liberdade e poder possibilita aos indivíduos se engajarem na esfera política permitindo assim que influencie nas decisões. O objetivo deste trabalho é argumentar que o momento orquestrado pelos estudantes brasileiros pode ser considerado também um momento sofístico tal qual o vimos acontecer no século de Péricles, o que evidencia a necessidade de uma formação que abarque uma pedagogia retórica para que esse momento seja aproveitado em sua plenitude. As ações do movimento secundarista evidenciaram o peso da comunicação que demanda uma educação retórica, a qual inclui não só a formação na palavra em seu sentido dialógico e persuasivo, mas também raciocínio e deliberação, capacidades tão caras ao desenvolvimento do ethos democrático, por sua vez imprescindível para a edificação plena de um modo democrático de vida.

O que professa uma profissão?

PID: S1982-596x2020000100355 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Castro Castro
Resumo Professar uma profissão é algo que ainda merece ser pensado. Seja em termos do sentido, se ainda algum, de professar uma profissão. Seja em termos da investigação daquilo que professa uma profissão. Seja em termos do como professar uma profissão. Certamente, não quanto a técnicas, práticas, atitudes e comportamentos, mas sim quanto ao ser-capaz, alcançado por uma paideia aquiescida por qualquer profissão aberta à vocação própria que a chama a professar. Assim, estendemos nossa reflexão sobre a vocação, desenvolvida em outro artigo, até o professar uma profissão, enquanto professar um aí-se-é que a vocação apela a propriamente ser.

Para o “descanço dos Mestres, e utilidade dos Discipulos”: direções para a educação dos infantis no manual pedagógico Nova Escola de Meninos (Portugal, século XVIII)

PID: S1982-596x2020000301379 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Cruz Amaral
Resumo O presente estudo, de natureza historiográfica e filosófica, pretende desenvolver uma análise dos discursos relativos à boa educação de sujeitos infantis que estão presentes na obra Nova escola de meninos [...]. Publicado em Coimbra no ano de 1784. O impresso de autoria do presbítero português Manoel Dias de Sousa (1753-1823) tinha como principal objetivo apresentar um método pedagógico, proporcionado à primeira infância, para a aprendizagem da leitura, da escrita e das principais operações aritméticas, bem como instruir os meninos portugueses nos princípios da religião e da civilidade. Fundamentado na categoria conceitual governamentalidade, o estudo defende que a relação discursiva estabelecida por Sousa estabeleceu um conjunto de enunciados e de normativas sobre valores ético-religiosos, a conservação da saúde e adiantamento nos estudos. Entende-se, assim, que tais elementos enunciados na obra podem ter atuado na constituição discursiva acerca de modelos específicos de educação, buscando garantir a produção de um específico tipo de sujeito infantil masculino.

Pobreza e educação: diálogos entre o passado e o presente, entre conformações e resistências docentes

PID: S1982-596x2020000301409 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Favacho Mendes
Resumo Desde o século XIX, a pobreza tem sido objeto de governo em todos os âmbitos do Estado Brasileiro. No entanto, desde lá, a seu modo, a área educacional tem assumido fortemente essa tarefa para si, quer seja na política educacional ou na experiência docente. De fato, essa é uma questão importante, mas paradoxal. Por um lado, governam-se os pobres visando a sua liberdade; por outro, para subjugá-los. A partir de aportes teórico-metodológicos de Michel Foucault, mas também de recortes analíticos de pesquisadores do campo da sociologia da educação e da história da educação brasileira, este artigo procura estabelecer diálogo com alguns aspectos atuais da experiência docente brasileira, tentando responder se, na prática, ela é capaz de analisar esse paradoxo e de agir frente a ele. Como conclusão, o artigo sugere que a analítica de tal questão depende, enormemente, da perspicácia da política educacional e dos professores para diagnosticarem o presente e o passado da educação, para, quem sabe, experimentar novas formas de educação com as populações pobres.

Por uma política de leitura aberta de mundos: o buraco negro e o fim do mundo como possibilidade de nascimentos crianceiros

PID: S1982-596x2020000100103 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Rodrigues Souza
Resumo Este artigo é resultado de conversas afiadas e tecidas nos inconformismos e rebeldias desde as margens dos buracos negros de vidas em dissidências. O texto busca tensionar os buracos fechados pela polícia do sistema sexo-gênero na manutenção de seus privilégios e que não nos permite, via políticas públicas, acessar histórias em gêneros e sexualidades diferentes das tradicionais narrativas feitas para meninos e meninas de um certo tipo. Há subjetividades circulando entre nós nos espaços educativos que convocam os corpos, os gêneros e as sexualidades ao direito de nascerem, crescerem, florescerem e coabitarem o mundo, as escolas, as memórias e as narrativas hegemônicas das políticas curriculares na literatura infanto-juvenil. Exercitando perguntas que não se conformam com as histórias contadas, apresentadas e curricularizadas diariamente, o artigo faz problema sobre os modos de ler heterocêntricos que privilegiam o cérebro. Propõe, então, leituras buraco-negro. Estas apostas políticas, feitas de políticas anais e suas revoluções, buscam despreguear as relações de poder e as literaturas.

Reflexões sobre Professoralidade, Profissionalização, Profissionalidade, Profissionalismo e sua relação com o Desenvolvimento Profissional Docente

PID: S1982-596x2020000200923 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Rocha Bastos
Resumo Várias são as categorias teóricas que guardam relação com o tema desenvolvimento profissional docente (DPD). Professoralidade, profissionalização, profissionalismo são algumas delas, mas geralmente não aparecem conjuntamente nem em relação do DPD. Por isto, este trabalho visa a analisar estes conceitos em relação ao DPD. A investigação foi desenvolvida a partir de metodologia baseada na pesquisa bibliográfica. Os argumentos evidenciaram que o DPD, na atualidade, perpassa questões da professoralidade, da profissionalização, da profissionalidade e do profissionalismo, mesmo que em intensidades diferentes. Profissionalidade e professoralidade são aqueles que mais dizem respeito a uma estreita vinculação com o desenvolvimento profissional docente por se relacionarem de forma imbricada sem que se possa separar um do outro, ao passo que no profissionalismo e na profissionalização não existe uma relação de complementariedade ou espontânea, mas sem dúvida ambos os lados da relação podem se beneficiar um do outro.

Sociedade de desempenho e governo da vida deficiente

PID: S1982-596x2020000100045 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Silva
Resumo Na sociedade de desempenho, atribui-se a cada indivíduo a responsabilidade de fazer render seu corpo, seu tempo, sua criatividade e sua imaginação. Nesse jogo, a vida foi submetida ao cálculo administrativo, visando a eliminar a negatividade, os riscos e modos de resistências que impedem a realização do capital e de sua comunicação. É dessa perspectiva que a alteridade do deficiente, a qual resiste ou retarda a nova ordem, é negada, pois sua negatividade constitui obstáculo à lógica do desempenho, da eficiência e da lucratividade. Tendo em vista o referido contexto, busca-se pensar duas questões: Que ressonância a alteridade e a negatividade dos corpos deficientes têm sobre a cultura do desempenho e do empresariamento da vida? Que vida há nos corpos deficientes que afrontam o biopoder? Essas questões serão abordadas ao longo do artigo, tendo como ponto de referência algumas cenas - crônicas jornalísticas - nomeadas livremente de imagens literárias.

Teorias do Intelecto na Idade Média Latina De anima III, cap. 5 de Aristóteles e sua tradição medieval

PID: S1982-596x2020000301445 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Schneider
Resumo No capítulo 5 do Livro III De anima (430a10-19) Aristóteles distingue entre o νοῦς ποιητικός (nous poietikós), chamado pelos Latinos intellectus agens (intelecto agente), e νοῦς παθητικός (nous pathetikós), chamado pelos Latinos intellectus passivus, ou seja, intellectus possibilis (intelecto possível), termos técnicos e filosóficos mais comuns. O capítulo 5 é de grande importância não só para a filosofia antiga e para os comentadores das obras de Aristóteles, como os comentários de Teofrasto, de Alexander de Afrodisias, de Simplício e Themístius entre outros, mas também para a filosofia do mundo árabe e da Europa latina. Sabe-se que Aristóteles não escreveu um tratado próprio sobre o intelecto, embora possam ser encontradas várias observações acerca do intelecto em suas obras. Os tratados do Intelecto começam com Al-Kindi, Al-Farabi, Avicena e sobretudo Averróis, e se refletem, num sentido crítico e afirmativo, (nos debates) dos tratados latinos, por exemplo, nos tratados de Alberto Magno, de Tomás de Aquino, de Sigério de Brabant entre outros. Este artigo apresenta observações preliminares e preparatórias ao projeto de traduções bilíngue (Latim-Português) dos tratados medievais sobre o intelecto ‘Teorias do Intelecto na Idade Média’ que está em desenvovlimento no Centro Internacional de Estudos Medievais da UFU.
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