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Ensino superior angolano: educação como bem público face ao mercado

PID: S1982-596x2023000100235 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Paxe Nguluve
Resumo: A educação, a superior em particular, tem sido uma questão central nas políticas do Estado em Angola. E como compromisso, o Estado angolano tem-na definida como bem-público, o que implica uma série de medidas relacionadas ao seu acesso, seus processos de gestão e também os mecanismos de financiamento. Como resultado das disputas ideológicas na esfera do Estado, e também a emergência da economia de mercado em Angola, a condição de bem-público da educação é capturada pelos agentes do mercado que adentram a esfera da educação. A emergência dos empresários da educação, bem como as demandas do mercado de trabalho e as políticas de carreiras transformaram a educação numa questão que supera as agendas públicas dos governos. Neste texto, vamos relatar a realidade proporcionada pelas políticas da educação superior na esfera do Estado. Compreendemos que o Estado é colocado diante do desafio de salvaguardar a condição de bem público através da regulação do sector e seus processos, por outro lado, é impelido pelas dinâmicas dos grupos hegemónicos nas esferas políticas e económicas, a condescender com a privatização da educação.

Entre o ranking e o rating: A avaliação digital docente na era da sociedade métrica

PID: S1982-596x2023000100529 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Zuin Bianchetti
Resumo: Os processos avaliativos, na universidade, são perpassados por um ethos que prima pela quantificação e pelo ranqueamento. Em decorrência, observa-se cada vez mais a descaracterização da avaliação na sua acepção qualitativa e, consequentemente, formativa. A afirmação desse ethos, na universidade, bem como na sociedade, é facilitada pelos algoritmos de big data, os quais estão na base da constituição da chamada “sociedade métrica”, em que há uma tendência geral para utilizar formas quantitativas para realizar classificações sociais. Neste texto, com respaldo em revisão de literatura, objetiva-se refletir sobre dois processos de avaliação de docentes que atuam no ensino superior e que ultrapassam o espaço acadêmico pela sua dimensão pública espetacularizada: a) o ranqueamento da produção docente, por meio do índice h; e b) a avaliação realizada por estudantes em sites públicos, neste caso específico, o site de avaliação docente ratemyprofessors.com. A partir destas duas estratégias de avaliação, professores, pesquisadores e alunos envolvem-se em uma espécie de certame onde se mostrar, ser visto, monitorado, classificado passa a ser critério de aprovação (percebido) ou, no limite, perda de financiamentos e do próprio trabalho (cancelado).

Erich Fromm e a crítica à universalidade do Complexo de Édipo

PID: S1982-596x2023000201143 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Moreira Drawin
Resumo: O psicanalista e teórico social Erich Fromm (1900-1980) alcançou fama mundial e foi largamente traduzido em nosso país nos anos sessenta e setenta do século passado, mas, posteriormente, encontram-se poucas referências às suas obras na literatura acadêmica brasileira. O objetivo do nosso texto não é expor a teoria de Fromm em seus múltiplos aspectos, mas retomar a sua crítica ao naturalismo freudiano, como uma forma de subsidiar a discussão contemporânea acerca do caráter universal ou etnocêntrico da interpretação psicanalítica do mito edípico.

Escarafunchando os sentidos da docência: ofício e vocação

PID: S1982-596x2023000200875 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Fortunato Araújo Medeiros
Resumo: Este artigo, escrito na forma de um ensaio, tem como objetivo traçar uma discussão a respeito de um binômio particular ao magistério: ofício ou vocação. Nossa pergunta chave é: seria a docência um exercício de vocação, baseado no dom de ensinar e no apreço pelas pessoas? Por meio de três princípios da e para a docência, produzimos um diálogo articulado entre as premissas mais gerais a respeito do trabalho docente e as reflexões originadas da experiência cotidiana como professores formadores. Ao final, esperamos destacar a complexidade da profissão que é ofício e vocação.

Fetichismo da Mercadoria e Fantasmagoria na obra “Infância Berlinense: 1900”, de Walter Benjamin

PID: S1982-596x2023000100455 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Enoque Said
Resumo: O pensamento de Walter Benjamin ocupa uma posição particular e, pode-se até dizer, especial na história do pensamento crítico moderno. Sua obra, fragmentada, inacabada, hermética, atual, anacrônica e complexa, possibilita um passeio sobre uma diversidade de temáticas que vão desde a literatura, passando pela sociologia, filosofia, arte, história, entre outras. O objetivo principal deste artigo consiste, assim, em estabelecer mais um olhar em direção a esse pensador. Trata-se, sobretudo, de compreender como as temáticas do fetichismo da mercadoria e da fantasmagoria podem ser vistas em uma de suas principais obras semificcionais (“Infância Berlinense: 1900”). Foram selecionados, para fins deste trabalho, oito excertos. São eles: “O telefone” “Rua de Steglitz, esquina com a rua de Genthin”, “Mercado”, “Krumme Straβe”, “Um fantasma”, “O anãozinho corcunda”, “Blumeshof 12” e “Desgraças e Crimes”. Após a análise dos excertos, pôde-se observar que o conceito de fetichismo da mercadoria, cunhado por Marx no Capital e ampliado por Benjamin como um elemento de interpretação da realidade burguesa alemã da época de sua infância (fantasmagoria), pode ser visualizado na maioria dos excertos escritos pelo autor na obra “Infância Berlinense: 1900”.

Formação continuada docente: a perspectiva de caminhante e a (in)completude do ser

PID: S1982-596x2023000200767 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Moro Jung
Resumo: Este artigo objetiva investigar de que forma a proposta de educação continuada de uma escola de Educação Básica privada franciscana, localizada no Sul do Brasil, contribui na construção de si e da prática pedagógica de seus docentes. A metodologia é de abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso. Para a coleta de dados utilizou-se a entrevista semiestruturada, com escolha intencional dos participantes (professores, coordenadoras pedagógicas e alunos). Optou-se pela análise textual, cujo processo de auto-organização deu-se a partir da desordem em direção a uma nova ordem, passando pela emergência do novo para, finalmente, auto organizar-se de forma intuitiva. Os resultados apontam possíveis caminhos para o projeto formativo e confirmam que a participação dos professores na educação continuada ofertada pela escola contribui para a mudança no ser pessoa, incentivando-os a empreenderem inovações na prática pedagógica. Além disso, produziram aprendizagens significativas sobre a sua prática pedagógica e concepções de educação continuada, seus entendimentos no processo de autoformação (subjetividade) de si como seres em devir. Evidenciou-se que o despertar para a necessidade da educação continuada como contribuição para a autoformação do ser pessoa profissional é algo inerente ao ser humano na busca pela sua inteireza.

Governamentalidade e memória: quando a reflexão se torna flexão

PID: S1982-596x2023000100409 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Dourado
Resumo: Analisaremos o conceito foucaultiano de governamentalidade e os seus impactos sobre a memória. Veremos como aquilo que Foucault chama de governo contém em si uma forma específica de conduzir os sujeitos ao exame das próprias consciências, direcionando-as para um objetivo pré-estabelecido. Trataremos de explicitar a articulação entre memória e reflexão a fim de verificarmos como o sujeito que examina a sua própria consciência é um sujeito que reflete, essa reflexão, no entanto, quando influenciada pelo governo, se torna aquilo que chamaremos de flexão. Em seguida, veremos como a flexão é um modo particular de memória da sociedade competitiva, uma memória que contém em seu íntimo a competitividade. Por fim, indicaremos os impactos da flexão na memória e, por conseguinte, na educação.

Horkheimer, o Absoluto e a ambiguidade conceitual da teologia negativa

PID: S1982-596x2023000301567 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Bueno
Resumo: A obra Eclipse da razão, de Horkheimer, é tensionada por uma ambiguidade conceitual. No texto Meios e Fins, o conceito de razão objetiva tem uma fundamentação metafísica, que é contestada pela análise materialista exposta no texto Sobre o conceito de filosofia. Essa ambiguidade conceitual repercute nas reflexões teológicas tardias de Horkheimer, em que o conceito originalmente metafísico do Absoluto é recepcionado em termos materialistas. Nesse sentido, a teologia negativa postulada por Horkheimer reflete problemas relativos à fundamentação conceitual do materialismo dialético no campo filosófico. O objetivo deste artigo consiste em expor essa ambivalência, e também apontar os problemas conceituais envolvidos na fundamentação filosófica do materialismo dialético.

Hume e o debate contemporâneo sobre as razões motivantes

PID: S1982-596x2023000200899 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Souza
Resumo: Este artigo busca colocar a filosofia de David Hume diante de algumas teorias contemporâneas a respeito do tema das razões para agir ou motivantes. Há certa dificuldade em se afirmar que Hume aborda as razões motivantes, um conceito contemporâneo voltado a explicar aquilo que efetivamente impele um agente e referente ao lugar do desejo e da crença. Há dois grupos, intitulados respectivamente como humeanos e não-humeanos, de modo que, para o primeiro, supostamente mais alinhado a Hume, o desejo tem lugar garantido e até certa primazia na motivação para o ato e a crença, um papel limitado. Já para o segundo, o desejo não é sempre fundamental para motivar as ações e a crença pode tomar a dianteira nesse aspecto. Apesar do desafio de se colocar o próprio Hume junto a esses debatedores que orbitam sobre seu pensamento, é possível aproximar tais intelectuais no intuito de se investigar se Hume não teria uma perspectiva sobre as razões motivantes, quando ele reflete sobre a ação humana ao tratar das paixões, da crença e da razão. Esta investigação também contribui para se ampliar a compreensão a respeito das considerações de Hume sobre o uso do intelecto na esfera prática.

Metamorfoses em Emanuele Coccia: composições para habitar a educação e a formação docente

PID: S1982-596x2023000301465 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Rigue Sales Dalmaso
Resumo: Estes escritos visam proliferar relações filosófico-poético-educacionais a partir do contato dos/as autores/as com a leitura atenta do livro Metamorfoses, do filósofo Emanuele Coccia (2020), em meio a uma série de encontros de um Grupo de Estudos e Pesquisas em educação. Por meio de uma leitura-escrita Fiandográfica (DALMASO, 2016), a obra do autor foi sendo posta como intercessora, fazendo-a funcionar com aspectos de uma formação docente por vir, e capaz de angariar nascimentos presentes e futuros no campo educacional. Alguns componentes da obra - nascimentos, casulos e à deriva - foram centrais no enfoque criativo para dar consistência às noções metamórficas da educação e formação docente. Sobretudo, os escritos funcionam como um convite às alianças impensadas, traçando alusões e inventando problemas, a saber: como a metamorfose pode evocar uma composição com vida e a educação que temos? O que fazemos com os movimentos metamórficos que permeiam-atravessam a formação-vida? Como potencializar a vida-metamorfose pela via de processos educacionais? Estes alvos-perguntas não desejam ser respondidos, mas tangenciados e mapeados como possíveis, e persistem em nós como campo futuro, ainda inquietador, dando nascimento a textos, pensamentos, estratégias, educações, formações e vidas por vir.

Mito e emancipação em Walter Benjamin e Herbert Marcuse

PID: S1982-596x2023000301671 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Machado
Resumo: O presente artigo traça um paralelo e faz uma aproximação entre a concepção de mito em Walter Benjamin e Herbert Marcuse. Busca-se mostrar como estes autores, em certo momento de suas obras, propõem uma superação do mito a partir do mesmo, ou seja, sem abdicar de um certo potencial emancipatório presente em sua dimensão imagética e em seu vínculo com a fantasia.

Negros em Programas de Pós-Graduação em Filosofia no Brasil

PID: S1982-596x2023000100429 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Moreira
Resumo: O presente artigo analisa a composição étnico-racial dos programas de pós-graduação brasileiros da área de filosofia. O propósito é identificar as características gerais da área e analisar os dados disponíveis sobre as declarações de cor/raça em seus mestrados e doutorados. Espera-se que essas análises sejam úteis para a discussão e proposição de ações afirmativas em tais programas. O resultado obtido evidenciou que negros estão largamente sub-representados na pós-graduação em filosofia. Com efeito, a área é atualmente entre as humanidades a de maior concentração de estudantes declarados brancos. Isto posto, o estudo especula possíveis causas e consequências dessa situação, procurando encontrar caminhos para o enfrentamento efetivo do racismo acadêmico.

O Ensino de Filosofia: uma via para emancipação, criticidade e autonomia do educando

PID: S1982-596x2023000100577 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Moraes
Resumo: Neste artigo, apresenta-se um prelúdio de ideias e vivências acerca da importância do ensino de Filosofia, apontando também para um caminho aonde, a partir de experiências e estudos, acredita-se que esse ensino possa ser mais bem conduzido. Assim, como escopo, busca-se desenvolver breves considerações em torno da premissa de que o ensino de filosofia, este sendo aplicado em um novo paradigma educacional, pode ser uma via profícua para o processo de emancipação, esclarecimento (Aufklärung) e autonomia do indivíduo. Nessa medida, o artigo terá como referência o ensaio O que é esclarecimento, de Immanuel Kant, a obra Educação e emancipação, de Theodor Adorno, e do artigo O ensino de filosofia e a questão da emancipação, do comentador Walter Omar Kohan, entre outros textos de apoio. Por fim, buscaremos fazer uma correlação entre o ensino de Filosofia, seu potencial crítico-emancipador e o modelo de educação à distância, procurando destacar as possibilidades a serem abordadas dentro desse novo paradigma pedagógico, que, como mostraremos, apresenta inúmeras potencialidades a serem utilizadas no demandado processo de transformação da educação explorado no texto.

O Programa Jovem de Futuro no Pará e as implicações para o Direito Humano à Educação - DHE

PID: S1982-596x2023000100069 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Pereira Cossetin Garcia
Resumo: O presente artigo sistematiza informações sobre a implementação do Programa Jovem de Futuro, PJF, na rede estadual de ensino no Pará, considerando suas implicações para o Direito Humano à Educação, DHE, de acordo com o proposto no Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais- PIDESC, que demarca quatro indicadores da ação estatal para a asseguramento do direito à Educação. São eles: Disponibilidade, Acessibilidade, Aceitabilidade, Adaptabilidade e, ainda, Controle Social incorporado na matriz de pesquisa. Em diálogo com tais indicadores, coletamos informações em páginas oficiais da Secretaria Estadual de Educação do Pará e do ator privado responsável pela implementação do Programa, o Instituto Unibanco. Procedemos análise de documentos oficiais localizados nas referidas páginas, além de consultar a produção nacional sobre o PJF, com ênfase à sua consolidação no estado do Pará, no período de 2011-2018. A pesquisa de tipo qualitativa, apoiada em revisão bibliográfica, análise documental e coleta de dados de fontes primárias e secundárias, possibilitou a constatação de forte influência do setor privado na educação pública paraense, que direcionou a adoção de modelos de gestão empresarial para a obtenção de melhores resultados educacionais, com controle e monitoramento em todas as etapas do PJF, com sérias consequências ao DHE.

O Senhor da Criação

PID: S1982-596x2023000100681 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Langer Oliveira
Resumo: Neste artigo, publicado pela revista Fortune em 1944, a filósofa estadunidense Susanne K. Langer retoma temas fundamentais de sua obra mais célebre, Filosofia em nova chave, cuja primeira edição data de 1942. Em linguagem acessível destinada a público não especializado, a autora sintetiza sua concepção antropológica, visitando questões como a especificidade de nossa mentalidade; a distinção entre os signos e os símbolos, assim como entre as esferas do real e do possível; a transformação simbólica; a essência da linguagem; a relevância de formas articuladas não discursivas para a expressão e a cognição humanas; a conexão entre a razão e a loucura. Para além de uma mera síntese, Langer relaciona, de modo sagaz e oportuno, tais aspectos ao período de guerra no qual escreveu este artigo, ao observar, como sintoma da crise cultural de então, a perda de referências simbólicas e a substituição dos antigos símbolos (míticos e religiosos) por aquele do nacionalismo.

O agonismo como conceito articulador entre crise, democracia e educação

PID: S1982-596x2023000201013 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Grützmann Bonin
Resumo: Este artigo visa tensionar e imbricar os conceitos de crise e de democracia sob o prisma da educação. Partimos da elasticidade e complexidade de cada um dos termos para, em seguida, utilizando como instrumento os diagramas de Venn e Pierce, auscultarmos as articulações, intersecções e problematizações possíveis. Este exercício é tanto filosófico-conceitual quanto político, na medida que tem por objetivo verificar as responsabilidades, os limites e as potencialidades da educação na atual crise da democracia. Bauman (2000) e Morin (1979) referenciam as análises sobre o conceito de crise e suas ressignificações contemporâneas; Laclau (2014) e Mouffe (2005, 2013) fundamentam o percurso em busca do conceito de democracia e dos termos que cingem a ideia de crise, como é o caso do antagonismo e do dissenso. Como resultado de nossas análises, o conceito de agonismo surge e revela duas faces: uma se apresenta como elemento articulador entre crise e democracia, e outra como horizonte de ação ou criterium para a educação em circunstâncias intempestivas.

O amigo-inimigo: contribuições da filosofia indígena à teoria da amizade

PID: S1982-596x2023000201191 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Vianna
Resumo: Este ensaio pretende compreender algumas das imagens diversas que o amigo pode suscitar em nosso pensamento. Parte-se de uma crítica ao tratamento filosófico da tradição ocidental-moderna à amizade, questionando a tese aristotélica do amigo como um outro-si-mesmo, fraterno e irmão. Então, busca-se percorrer imagens a partir das filosofias indígenas, considerando a política de amizade inventada entre anfitriões indígenas e antropólogos. Nestas relações que envolvem Dom Juan e Castaneda, Kopenawa e Albert, Dzoodzo e este autor, vislumbra-se uma ética que se constitui a partir da imagem imanente do inimigo e não do irmão fraterno. Desta perspectiva, passamos a considerar, ao invés de uma alteridade binomial, como em Aristóteles, uma alteridade genérica, enquanto um fundo virtual de diferença, a partir do qual as relações de que são feitas a amizade são atualizadas. Esse movimento implica reconhecer enquanto sujeitos entes e seres não concebidos assim no arranjo sociopolítico moderno. Por fim, o amigo emerge como uma atualização de um outro-outro, deixando-nos com a questão extraída da metafísica indígena: quais são os efeitos políticos de reconhecer o amigo a partir da imanência do inimigo?

O cuidado de si como perspectiva ética em Machado de Assis

PID: S1982-596x2023000100623 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Fernandes Campos
Resumo: Por intermédio da análise dos gêneros carta e conto escritos por Machado de Assis, procuramos oferecer uma resposta à questão do horizonte ético e moral que opera nos textos do autor. Trabalhamos numa perspectiva interdisciplinar, pois dialogamos com filósofos, historiadores e críticos literários procurando, num primeiro momento, demonstrar que a noção de cuidado de si se mostra na correspondência machadiana a partir da perspectiva de cura de si, isto é, um tipo de sabedoria dos antigos gregos e romanos que o autor lança mão para realizar e organizar o pensamento literário, seu e de seus pares, na direção das publicações e conquistas no âmbito da literatura. Num segundo momento, demonstramos que o cuidado de si terá outro sentido nos textos de ficção, pois se volta para um cuidado da alma no sentido do desenvolvimento do pensamento crítico do sujeito em relação ao eu e ao outro, ao indivíduo e ao mundo social.

O itinerário de Agostinho de Hipona em busca da verdade e seu projeto de formação cristã

PID: S1982-596x2023000301437 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: Duarte Oliveira
Resumo: Este estudo objetiva identificar a natureza de verdade por Agostinho de Hipona (354-430), segundo as reflexões contidas no VII Livro da obra Confissões (397) que trata da Busca da Verdade. Para isso, é necessário reconhecer quais percursos o bispo de Hipona percorreu em sua vida terrena, bem como sua vivência filosófica. Nesse itinerário em busca da verdade se envolveu com o maniqueísmo, que em certa medida apresentava uma verdade racional e material, perspectiva que se aproximava do pensamento de Agostinho na sua fase de juventude. Conforme foi amadurecendo intelectualmente e buscando compreensões das questões que permeiam a vida humana pode-se depreender o seu projeto de formação cristã, uma vez que, ao criticar o modo como conduzia sua vida pregressa (anterior à conversão) e evidenciar as mudanças em seus atos cotidianos para se adequar à forma de vida de um bom cristão, o autor explicita um projeto de educação e de sociedade que conduza aos bens eternos e imutáveis. A busca e o encontro da verdade ocorrerão mediante ações decorrentes de um ato de escolha particular, livre.

O poder corporativo no debate educacional e constitucional no Chile

PID: S1982-596x2023000100267 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2023
Autores: López Moreno
Resumo: As elites econômicas intervieram historicamente no sistema educacional chileno e, nos últimos tempos, consolidaram sua posição no quadro da extrema privatização promovida pela reforma neoliberal. O poder corporativo na educação aparece hoje como um poder paraestatal que afeta a organização e os rumos que os sistemas educacionais tomam, no atual contexto de globalização capitalista. No Chile, o princípio constitucional da liberdade de ensino permitiu a organização de um mercado educacional, que finalmente reproduz o poder da elite sobre o próprio sistema. No contexto de apresentação de propostas para uma nova constituição, o poder corporativo se mostra próprio. Quais são os principais elementos que tal poder defende nesta conjuntura? Como é possível estabelecer limites?
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