PID: S1982-596x2014000300225 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Oliveira
O debate acerca da qualidade da educação básica que se assiste na atualidade revela um paradoxo fundamental nas políticas educacionais brasileiras, pois, ao centrar-se na avaliação, retira de foco a discussão sobre o direito e orienta seus sentidos para a racionalidade administrativa que persegue a eficiência a qualquer preço. Em meio à busca de resultados, vai se perdendo no processo a construção histórica da educação como um bem público, um direito social e que, como tal, não pode ser regulada como mercadoria. Isso ocorre em um contexto de destacada legitimação da avaliação externa, fundamentada no sistema de mérito. A complexidade da discussão assenta-se justamente no fato de que a educação como política pública, a partir das últimas décadas do século XX, passou também a ter como preocupação a inclusão de importantes segmentos sociais que estiveram alijados do gozo de direitos fundamentais na história do País justamente por não responderem aos critérios meritocráticos reinantes no sistema escolar brasileiro.
PID: S1982-596x2014000200019 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Araújo Ribeiro
O sagrado no pensamento educacional de Maria Montessori e as ressonâncias da criança divina. Trata-se numa primeira parte da relação entre a educação e o sagrado na perspetiva de Olivier Reboul. Numa segunda parte focar-se-á o lugar de Maria Montessori no seio da Educação Nova, bem como se expressa a sua concepção de “criança nova”. Finalmente, e já numa terceira parte, fala-se da ressurgência da Criança Divina na obra da autora como prolegómenos de uma religião da infância.
PID: S1982-596x2014000100017 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Lima Faria Toschi
O texto tem como objetivo refletir sobre a produção do conhecimento humano, relacionar com a atual sociedade da informação e traçar apontamentos sobre a produção do conhecimento em educação. Inicia-se com um resgate sobre a transição humana da produção do conhecimento, por meio do senso comum, até chegar à forma de conhecimento científico. Após isto, discutem-se as questões relacionadas à produção do conhecimento científico e a relação sujeito e objeto, refletindo sobre o movimento da pesquisa em educação no Brasil. Então, resgatam-se as características da sociedade da informação e sua relação com a produção do conhecimento em educação, quando se considera o paradigma apresentado por Santos (1987, 1989, 1997 e 2000). Considera-se que o processo de transição atual que fragmenta o saber em disciplinas traz motivos fundamentais para a reflexão educacional.
PID: S1982-596x2014000100018 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Paiva
O presente artigo tem o objetivo de discutir o conceito de religião na obra do pensador genebrino Jean-Jacques Rousseau, a qual oferece um conjunto de reflexões morais, educacionais, políticas e filosóficas que não tem muito a ver com a teologia, mas que contempla uma visão peculiar do fenômeno religioso. Refletindo sobre o “estado de natureza”, sob as condições dadas pelo “Autor das coisas” e o estado original “sem nenhum traço de cultura”, Rousseau deixa transparecer, sobretudo no texto da Profissão de fé do vigário saboiano, um sentido quase metafísico ou teofísico do termo Natureza, aproximando-se das reflexões de Spinoza e Santo Agostinho. Mas, em Rousseau, é a própria natureza a manifestação da divindade e, portanto, fonte de inspiração para os sentimentos humanos e o constructo da moralidade.
PID: S1982-596x2014000100007 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Silveira
O objetivo deste artigo é discutir a questão do preconceito em relação à Filosofia como um dos desafios enfrentados pelos professores dessa disciplina. Partindo de expressões cotidianas desse preconceito, procura- se investigar suas origens históricas na Grécia Antiga e demonstrar sua vinculação com o advento da sociedade de classes. Concluindo, busca-se fundamentar a crítica às noções estereotipadas da Filosofia a partir de algumas posições e categorias de Antonio Gramsci.
PID: S1982-596x2014000200008 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Loponte
Este trabalho trata sobre as possibilidades e potencialidades que a arte e em especial, a arte contemporânea, podem ter para a formação estética docente. As principais indagações da pesquisa são alimentadas pelo trabalho específico com formação docente em arte (e outras áreas) e pelas provocações teóricas dos filósofos Michel Foucault e Friederich Nietzsche. O presente trabalho apresenta algumas conclusões preliminares da pesquisa “Arte e estética da docência”, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que envolveu a criação e o acompanhamento de um grupo de estudos de docentes da Educação Básica de diferentes níveis de ensino e áreas disciplinares, tendo como eixo condutor a arte e a experiência estética.
PID: S1982-596x2014000300077 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Bassi
Il ruolo di medietà svolto dal linguaggio nelle dinamiche della relazione tra mente e corpo, così come Vico le delinea nella Scienza nuova, costituisce l'oggetto di riflessione di questo articolo, che intende mostrare come mente e corpo si strutturino reciprocamente attraverso l'elemento del linguaggio e come tale relazione configuri l'apertura di una dimensione etico-comunicativa. Ciò conduce a una riconsiderazione della dialettica tra verità e falsità, così come di quella tra regno della necessità fisicamente determinata e spazio della libertà morale. Ne deriva una ridefinizione della nozione di autorità, in cui si evidenziano le implicazioni non solo morali ma anche politiche del rapporto tra mente e corpo, una conclusione questa alla quale contribuisce anche la lettura parallela di un passo di Francis Bacon, forse uno tra i più trascurati dei "quattro auttori" vichiani.
PID: S1982-596x2014000100005 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Medici
La domanda è se vi sia contraddizione, in Gramsci, tra la prospettiva educativa (“formazione”), e la convinzione che per trasformare la società attuale in “società regolata” - che corrisponde a quella che Marx chiamava società comunista - sia necessario utilizzare mezzi coercitivi (“coercizione”). Si esaminano le differenze tra la proposta di società futura di Marx e quella di Gramsci. Diversamente da Marx, Gramsci non mette al centro della futura società “il fiorire dell’individualità”, considerando una certa standardizzazione del lavoro (e del lavoratore) come inevitabile. Ma il “gorilla ammaestrato” di Taylor in realtà non esiste, esso resta pur sempre un uomo; Gramsci crede perciò che anche dagli sviluppi del fordismo possano nascere nuove prospettive sociali alternative. Non è però uno sviluppo indolore, né automatico. In un diverso contesto, quello socialista, potrà esservi un forma di auto-coercizione che i lavoratori potranno sviluppare, un “nuovo conformismo”. Quindi Gramsci ha della coercizione un concetto abbastanza positivo, ritenendo egli che i processi economico sociali non possano prescindere da essa. Ciò vale anche sul piano storico-politico: Gramsci accetta e sostiene la necessità in certi casi dell’utilizzo delle maniere forti. Anche nella concezione di come debbano avvenire l’istruzione e l’educazione (la “formazione” dell’uomo), Gramsci crede al valore, in quei processi, di una certa dose di coercizione. Non vi è quindi contraddizione per Gramsci tra coercizione e formazione, tra prospettiva educativa e teoria politica.
PID: S1982-596x2014000200010 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Pastoriza Loguercio
O presente trabalho discute a arquitetura do conceito de representações escolares, pautado através das discussões teóricas da ideia de representação em Gaston Bachelard e do fenômeno das representações sociais de Serge Moscovici. Do trato desses dois autores são destacados seus pontos de convergência, os quais criam as condições necessárias para se falar em uma legitimidade do espaço escolar e, portanto, das suas representações que vemos atravessadas por diversos contextos e onde, neste estudo, destacamos aqueles relativos ao consensual e ao científico, que acabam sendo articulados na criação de representações propriamente escolares, com sua especificidade relativa ao contexto de produção, sujeitos, objetivos. Embora se tratando de um conceito recontextualizável em diferentes campos da educação, o presente trabalho esboça sua arquitetura baseado no campo da Educação em Ciências.
PID: S1982-596x2014000100010 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Vilaça Gawryszewski Palma
A ideia de que a prática desportiva é um eficaz instrumento para educar, incluir e transformar os jovens marginalizados, promovendo a paz, ordem e cidadania, tem sido reiterada constantemente. Educadores, mídia e a literatura científica sugestionam as pessoas a crerem em um “real poder” de transformá-los em “cidadãos de bem”. Neste artigo, desenvolvemos os seguintes objetivos: (1) identificar uma possível relação entre os valores concernentes ao conceito de capital social e os objetivos daquela prática no que concerne à juventude marginalizada; (2) refletir sobre a violência enquanto um conceito e um fenômeno político, problematizando a sua negativização absoluta; e (3) apontar os limites daquela ideia, salientando as suas imprecisões conceituais e criticando seus objetivos. Nossa conclusão é que tal ideia está envolvida por um discurso prenhe de imprecisões e serve de fundamento para uma tecnologia social de pacificação que não altera substantivamente as condições de vida da população-alvo.
PID: S1982-596x2014000200016 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Javier Colella
El presente artículo se propone poner en diálogo la noción de “maestro” en Nietzsche y Rancière. Intenta, a través de las figuras de Zaratustra y Jacotot, repensar los problemas elementales, sobre todo aquellos que adquieren presencia a partir de la Ilustración, surgidos a raíz del encuentro entre la filosofía y la educación. Asimismo, busca reconstruir la idea de “Zwischen” en el ámbito educativo y vincularla con la dimensión artística como potencia creadora.
PID: S1982-596x2014000200005 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Izzo
Este artigo pretende mostrar que a pesquisa de Gramsci na prisão se desenvolve na direção de um fundamento da democracia cosmopolita. A crise do Estado-nação, que explodiu com a I Guerra Mundial, pôs em evidência a contradição entre a dimensão global da economia e o fechamento da política nacionalista. Superar esta contradição só é possível por uma entidade política que seja capaz de combinar a dimensão internacional com o enraizamento “popular” das funções intelectuais. O cosmopolitismo do tipo “novo” é o conceito que expressa essa visão de Gramsci.
PID: S1982-596x2014000200011 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Silva Kasper
Quais as relações possíveis entre aprendizagem e diferença? Circula entre nós, por exemplo, a ideia - de resto, muito pertinente - de que é preciso aprender a conviver com as diferenças. Este artigo desloca esta discussão, colocando-se em uma perspectiva segundo a qual só se aprende por meio do contato, nem sempre apaziguado, com a diferença. Aprender envolve ser levado a diferir de si através do contato com o outro, tendo muito pouco (ou nada) a ver com a imitação de um modelo ou a aplicação de um método. Procuramos expor o conceito de ‘outrem’, elaborado por Deleuze nos textos “Causas e razões das ilhas desertas” e “Michel Tournier e o mundo sem outrem”. Percorremos também a recriação da história de Robinson Crusoé, Sexta-feira ou os limbos do pacífico, romance que é um dos intercessores na criação do conceito deleuziano de diferença.
PID: S1982-596x2014000300181 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores:
En Colombia la incorporación de la mujer a la educación formal se llevó a cabo de manera importante, al igual que en buena parte de los países de América Latina, durante las primeras décadas del siglo XX, presentando un crecimiento sostenido que cobra mayor fuerza a partir de la década del 70. Hoy en día, con diferencias de acuerdo al estrato social y a la región, las mujeres colombianas han accedido a la totalidad de los niveles educativos, algo impensable 100 años atrás, haciendo uso de uno de los derechos sociales que les han sido conferidos en su calidad de ciudadanas. ¿Pero, qué es lo que en términos de inclusión ha cambiado para la mujer con relación a la educación y cuáles han sido las repercusiones de estos cambios sobre su estatus, su identidad y sus procesos de subjetivación? ¿A qué tipo de equidad se puede hacer alusión de acuerdo al proceso de incorporación educativa de la mujer en el contexto histórico colombiano? En el presente trabajo nos proponemos dar respuesta a algunos de estos interrogantes en el marco de una investigación llevada a cabo en el grupo de investigación Educación y cultura política de la Universidad Pedagógica Nacional-Colombia.
PID: S1982-596x2014000200012 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Câmara Andrade
O artigo aponta para uma educação que atente para a diversidade cultural nas sociedades contemporâneas. Trata-se de um ensaio teórico motivado pela constatação da existência de relações conflitivas no cotidiano escolar, causadas, em geral, pela falta de reconhecimento e respeito às diferenças identitárias. Para fundamentar uma educação moral para a diversidade, buscou-se aprofundar o diálogo entre a ética do discurso de Jürgen Habermas e a psicologia do desenvolvimento de Lawrence Kohlberg. A fim de superar alguns limites universalistas de Habermas e Kohlberg para o enfrentamento de problemas relativos às diferenças, suas abordagens foram cotejadas, respectivamente, com as críticas de Charles Taylor e Carol Gilligan. A partir dessa fundamentação teórica, o artigo assinala a importância de práticas pedagógicas que possibilitem que as diversas culturas se expressem e sejam reconhecidas como manifestações legítimas das diferentes identidades que configuram uma sociedade plural.
PID: S1982-596x2014000100011 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Ó Aquino
No transcurso da trajetória intelectual de Michel Foucault, o tema da escrita parece não apenas não ter deixado de absorver seus interesses, como também provocou, em variadas circunstâncias, manifestações de sua parte, sobretudo em textos esparsos e entrevistas. Trata-se, assim, de uma questão que pode ser atestada de modo transversal, sucessivo e contínuo na obra foucaultiana, cuja abordagem analítica constitui o objetivo geral do presente artigo. Partindo da hipótese da escrita não apenas como um núcleo temático, mas também como um vetor ético- estético que transpassa a obra de Foucault, apresentamos dois patamares argumentativos complementares: num primeiro momento, focalizase a escrita foucaultiana no seio de um possível marco autobiográfico; em seguida, oferece-se uma perspectiva do trabalho escritural como experiência voltada à intensificação de um tipo de pensamento de natureza essencialmente crítica e, igualmente, à produção de uma superfície fática para modos inéditos de existir.
PID: S1982-596x2014000300263 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Adrião
Este artigo analisa, no recente contexto americano, a tendência de ampliação de um modelo de oferta educacional denominado Charter school. Para tanto, se apoia na literatura internacional sobre o tema e em informações coletadas em pesquisa desenvolvida junto a uma escola Charter de Washington DC. O pressuposto é que este modelo se configura em uma modalidade de privatização da oferta educativa, tendo em vista se tratar de um mecanismo de subsídio público a instituições geridas por setor privado, o qual vem sendo proposto, por fundações e setores governamentais, como alternativa para a educação básica no Brasil.
PID: S1982-596x2014000200006 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Said
Procuraremos nesse artigo enfocar a complexa análise de Gramsci ao conceito de “Estado integral”, que Christine Buci Gluksmann denomina de “Estado ampliado”: sociedade política + sociedade civil, encouraçada de coerção. Para isso, não perderemos de vista a relação dialética entre Estado e sociedade que permeia a obra gramsciana. Na verdade, ao refletirmos sobre o alcance da obra gramsciana na compreensão do Estado e da luta pelo poder na sociedade contemporânea, não poderemos deixar de pensar o conceito de hegemonia neste pensador que se defronta e confronta com o fascismo e com as tendências autoritárias que incidem sobre a democracia nos tempos atuais.
PID: S1982-596x2014000200014 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Pagni
Este artigo aborda a constituição do campo da Filosofia da Educação no Brasil, de 1990 até de hoje, com o objetivo de analisar a genealogia de sua “crise” como disciplina, de discutir os impasses de seu desenvolvimento e de indicar os seus principais desafios na atualidade. Para tais propósitos, por intermédio de um método genealógico, analisamos as concepções de Filosofia da Educação elaboradas a partir das perspectivas teóricas em circulação, assim como reconstruímos historicamente os embates provocados sobre determinados temas e, particularmente, sobre o da formação humana. Concluímos que os deslocamentos temáticos produzidos e a proliferação daquelas perspectivas foram responsáveis por produzir terrenos para a interlocução entre elas, porém, tal estratégia não amenizou alguns impasses da Filosofia da Educação no Brasil, evidenciando a presença de duas tradições filosóficas no debate atual e exigindo um posicionamento daqueles que atuam nesse campo de pesquisa e de ensino em relação a elas.
PID: S1982-596x2014000100008 |
Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) |
Año: 2014
Autores: Semeraro
O artigo resgata o sentido “revolucionário” da filosofia da práxis inaugurada por K. Marx e aprofundada por A. Gramsci e aponta conexões com as atuais práticas político-pedagógicas populares. Mostra como Marx revoluciona a concepção de filosofia não apenas porque unifica inseparavelmente pensamento e atividade material, teoria e prática, mas, principalmente pelo fato inaudito de reconhecer o protagonismo histórico do proletariado. É Gramsci, no entanto, quem explicita, amplia e atualiza de maneira original as virtualidades da filosofia da práxis mostrando os aspectos que a projetam como a mais avançada visão de mundo e como expressão revolucionária das classes subalternas que se organizam politicamente para romper com a submissão e se tornar dirigentes. Sendo uma construção histórica que assume diferentes configurações em diversas situações e lugares, o artigo traça uma análise das novas formas que hoje a filosofia da práxis apresenta nas insurgências populares que vêm ocorrendo no Brasil e no mundo.