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Problemas de aprendizagem na alfabetização: contribuições da pesquisa-ação escolar

PID: S1982-596x2012000100016 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2012
Autores: Davis Miranda
Essa pesquisa tem por objetivo o processo e os resultados de uma pesquisa-ação desenvolvida em uma instituição escolar junto a alunos na fase de alfabetização e seus respectivos professores. Foi feito, de início, um diagnóstico sobre as dificuldades apresentadas pelos alunos para que, com base nele, fossem propostas ações pedagógicas diversificadas, capazes de superá-las. Foram então realizadas observações participantes e desenvolvidas atividades com os alunos indicados pelas professoras como problemas de aprendizagem: 21 crianças (16 meninos e 5 meninas) de 1ª e 2ª séries, todas repetentes, com faixa etária variável entre 8 e 12 anos de idade. As atividades permitiram analisar os conhecimentos disponíveis, bem como inferir as estruturas cognitivas já construídas pelos aprendizes, identificando possíveis problemas de interação com o meio social e com o próprio objeto de conhecimento. Com isso, foi possível agrupar os alunos em três níveis distintos de conhecimento, cada um deles envolvendo determinadas competências e concepções sobre a língua escrita. Esses níveis serviram de suporte para a construção de novos conhecimentos linguísticos. A intervenção aconteceu em duas salas de aula das quais faziam parte outros alunos que não aqueles diretamente envolvidos no projeto. O referencial piagetiano orientou a pesquisa.

Rousseau e o seu discurso: variações entre o eu e as justificações

PID: S1982-596x2012000100005 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2012
Autores: Martins
A vontade de afirmação expressa por Rousseau na sua vida e na sua obra reflecte-se de um modo muito evidente e sustentado em quatro ideias expostas no conjunto das quatro cartas escritas a Malesherbes. Cada uma das cartas descreve essas ideias, nomeadamente: a explicação da verdadeira natureza do seu gosto pela solidão, explicação dos seus gostos aparentemente contraditórios, explicação da felicidade sentida nos retiros e, por último, a explicação por que razão os seus colegas o acusavam de fugir às suas obrigações sociais. O discurso de Jean-Jacques Rousseau é personalista, oscilando entre aquilo que é constitutivo do seu eu, do seu carácter, e as justificações dessa mesma constituição de carácter.

Ser, história, técnica e extermínio na obra de Heidegger

PID: S1982-596x2012000200012 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2012
Autores: Faye
Com a publicação do curso de 1933 - 1934 que conclama a “exterminação total” do inimigo interior, o ano de 2001 marca uma inflexão na recepção da obra de Heidegger e exige o exame crítico do uso de termos-chave de sua doutrina, tais como o ser, concebido por ele como “termo codificado” (Deckname), a história, a técnica e o extermínio ou aniquilamento (Vernichtung). Trata-se igualmente de recolocar numa perspectiva crítica o projeto mesmo da “obra completa” (Gesamtausgabe).

Sobre a cisão entre sujeito e objeto, segundo Theodor W. Adorno: questões para a educação do corpo

PID: S1982-596x2012000200013 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2012
Autores: Bassani Vaz
Tomando a obra do filósofo alemão T. W. Adorno como referência principal de pesquisa, o presente trabalho se dedica a uma reflexão epistemológica e pedagógica sobre o tema do corpo e algumas de suas expressões, em especial, no que se refere a um dos motivos originais da constituição da civilização ocidental e do conhecimento sobre esse mesmo processo, a cisão entre sujeito e objeto. Ao considerar as consequências daquela cisão para outra, a entre corpo e espírito (Geist), os resultados dessa investigação apontam para os processos de reificação da espontaneidade corporal e de esquecimento da natureza no sujeito, considerando suas implicações no contexto da expressão mimética. A forma ambígua como tais processos se materializam no esporte e na educação do corpo por meio dele, revelam também indicações para pensar o ensino das práticas corporais como rememoração da natureza no sujeito

Sobre o processo de formação do cidadão

PID: S1982-596x2012000100006 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2012
Autores: Reis
Desde a aurora da modernidade, tornar-se cidadão, longe de ser algo natural ou espontâneo, exige esforço, na medida em que exige a cada um ultrapassar sua própria suficiência e independência. Em vista disto, Rousseau chega a afirmar a necessidade de transformar a natureza humana a fim de dotar cada indivíduo - que é um todo perfeito e solitário - da capacidade de coletivizar-se, de integrar-se a um corpo coletivo como parte inseparável. A dificuldade do projeto, ou do processo de formação do cidadão, reside em que tal exigência não se impõe espontaneamente aos indivíduos, embora seja condição necessária para o estabelecimento de uma relação harmônica entre cada um e o corpo coletivo. Discutir a tensão existente entre indivíduo e cidadão, investigando o esforço empreendido pelo legislador e por cada homem será o objeto deste artigo.

Uma pedagogia da solidão em Nietzsche

PID: S1982-596x2012000100014 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2012
Autores: Britto
O artigo pretende investigar de que forma a relação entre o cosmopolitismo, tal como foi elaborado como tarefa ética por Kant e os herdeiros da Aufklärung, e a ideia de cultura e educação (Bildung) foi redimensionada e modificada nos textos de Nietzsche, segundo um modelo que colocava em questão a própria necessidade da gregariedade para uma nova forma de Pedagogia.

A CONCEPÇÃO CARTESIANA DE SUJEITO: A ALMA E O ANIMAL RACIONAL

PID: S1982-596x2011000300135 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Forlin
RESUMO A concepção cartesiana de subjetividade é frequentemente mal compreendida. Passados quatros séculos, e depois de milhares de estudos feitos sobre a filosofia de Descartes, ainda se faz uma imagem significativamente distorcida do sujeito cartesiano. Segundo meu ponto de vista, a concepção cartesiana de sujeito é alvo de quatro grandes equívocos de interpretação: o primeiro é que Descartes seria o inventor da distinção real entre a natureza do espírito e da matéria. O segundo é que ele teria feito isso orientando-se por uma intenção primordialmente espiritualista, de ranço teológico e mesmo cristão, de quem pretendia mostrar que a mente ou consciência - sendo de natureza puramente imaterial, feita à imagem e semelhança de Deus - consistia numa realidade mais nobre e elevada que a realidade corpórea. O terceiro é de que a vontade, ou livre arbítrio, seria mesmo a faculdade essencial da alma. Por fim, o quarto é de que a concepção cartesiana de alma ou espírito consiste fundamentalmente na concepção cartesiana de homem ou animal racional . Ora, pretendo mostrar, ao longo de minha exposição sobre a concepção cartesiana de subjetividade, que essas quatro crenças ou opiniões são falsas e, em alguns aspectos, até mesmo contrárias às intenções de Descartes, de modo que são incompatíveis com a concepção cartesiana de sujeito.

A FILOSOFIA PRIMEIRA DE DESCARTES SEGUNDO MICHEL HENRY

PID: S1982-596x2011000300081 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Starzynski
RESUMO O pensamento de Michel Henry impõe-se como único na corrente das interpretações fenomenológicas de Descartes. De fato, parece que nenhum dos fenomenólogos forneceu uma leitura tão completa dos textos de Descartes, indo muito além da tradição clássica dos fenomenólogos cuja análise cartesiana resume-se muitas vezes a um comentário bastante sumário e técnico das duas primeiras Meditações. Além disso, Henry, de uma maneira compatível com a tradição husserliana, busca apreender primeiro o pensamento próprio a Descartes, e depois tenta construir uma egologia fenomenológica que corresponde e ao mesmo tempo modifica aquela do autor das Meditationes. Vale observar que o reconhecimento de Descartes como autoridade fenomenológica tem seus limites e, de maneira próxima a Husserl, o autor de Essência da manifestação esboça um cenário segundo o qual o pai da modernidade afasta-se pouco a pouco da sua descoberta original. Em nosso trabalho, vamos tentar reconstruir a especificidade do cartesianismo henryano, nos concentrando na interpretação positiva da dúvida, do cogito; em seguida, colocaremos a questão das vias cartesianas pelas quais se poderia avançar as aquisições iniciais.

A PROVA DA EXISTÊNCIA DA MULTIPLICIDADE DE CORPOS NA SEXTA MEDITAÇÃO

PID: S1982-596x2011000300181 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Battisti
RESUMO Este artigo analisa a prova da existência dos corpos apresentada por Descartes na Sexta Meditação e defende a tese de que - se bem sucedida em outros aspectos nele não examinados - ela necessariamente prova a existência de uma multiplicidade de entidades materiais. Este texto nos convoca, portanto, a interpretar literalmente a conclusão da prova, quando ela afirma que “coisas corporais existem” (no plural). O argumento central pode ser assim sintetizado: 1) se há ideias sensíveis distintas é porque a mente se submete a coações distintas, em razão dos modos distintos pelos quais o poder causal é exercido; 2) embora tais modos distintos de exercício causal não requeiram múltiplas causas, a natureza formal da causa o exige: a individuação de cada ideia-efeito requer a individuação de cada entidade-causa.

A apropriação de Aristóteles por John Dewey

PID: S1982-596x2011000100003 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Araújo Cunha
Este artigo analisa as relações entre as filosofias de John Dewey e Aristóteles, tomando como objeto de estudo o livro Logic: the theory of inquiry. Nesse livro, publicado em 1938, Dewey conclui suas reflexões sobre a teoria lógica apresentadas principalmente em Como pensamos, obra que mostra a relevância desse tema para a educação. A primeira parte do artigo é composta por um breve histórico da lógica, desde Aristóteles até o início do século XX; as duas partes seguintes apresentam o argumento do autor acerca da lógica aristotélica; a quarta parte expõe a teoria proposta por Dewey e as duas últimas seções analisam como Dewey vê Aristóteles, considerando a via interpretativa oriunda da escolástica e o movimento contemporâneo de revisão das ideias aristotélicas. No intuito de oferecer contribuições para futuros estudos, o trabalho também discute a apropriação de Aristóteles por Dewey e sugere algumas hipóteses sobre esse tema.

A educatio latina na obra de clementia de Sêneca

PID: S1982-596x2011000100005 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Coelho Pereira
O presente texto tem como preocupação discutir a concepção de clemência que Sêneca desenvolve no Tratado sobre a clemência. A obra foi destinada a Nero com a finalidade de orientá-lo a utilizar essa virtude em seu exercício de poder. Por meio da prudência política que dela derivaria, o Imperador seria capaz de harmonizar suas ações com a sociedade romana. As reflexões realizadas ao longo do trabalho levam à compreensão de que a clemência, em Sêneca, seria um modelo de sabedoria a ser aplicado pelo príncipe em suas ações políticas. Assumindo esse princípio fundamental de um bom governo e tornando-o um exemplo moral e ético, ele disseminaria essa prática por todos, selando a lealdade do povo para com seu governante. Ao mesmo tempo, de maneira velada, Sêneca procurava desviar Nero de uma tendência tirânica, cujos indícios já estariam se manifestando.

A educação escolar na produção discursiva da Revista Veja

PID: S1982-596x2011000100004 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Guimarães
O presente trabalho analisa o modo como o jornalismo constrói e põe em circulação toda uma discursividade sobre a importância e o papel da escola no atual contexto. Analisamos, de modo particular, a produção da Revista Veja, um das publicações mais representativas da imprensa escrita brasileira em termos de circulação, tiragem e influência na agenda de debate público nacional. Adotamos a análise do discurso como proposta teórica e metodológica para a leitura e interpretação dos textos. Com base nessa perspectiva, buscamos, na materialidade textual, apreender os modos de funcionamento, os consensos produzidos, as repetições e também a emergência da multiplicidade de sentidos que o jornalístico produz sobre o papel, as perspectivas e os desafios da educação escolar em nosso país.

A epistemologia charroniana de Descartes

PID: S1982-596x2011000100006 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Nunes Sobrinho
Na sua obra magistral De La Sagesse, Pierre Charron sistematiza uma epistemologia cética, que configura o pano de fundo e o alvo central do ceticismo moderno: o critério de evidência. A epistemologia charroniana desenvolve os conceitos basilares que serão empregados nas Regras para a direção do espírito e incorporados no Discurso do método como elementos cruciais para o formulação do cogito cartesiano. O escopo deste trabalho é explicitar a conexão das concepções capitais que compõem as Regras para a direção do Espírito com a epistemologia cética sitematizada no De La Sagesse e realçar os vínculos que permitem a inferência de que o critério cartesiano de evidência é, fundamentalmente, um conceito charroniano.

A estrutura da lógica segundo Tomás de Aquino

PID: S1982-596x2011000200004 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Ferreira
Neste artigo fazemos uma apresentação em pormenor do prólogo do comentário de Tomás de Aquino aos Segundos Analíticos de Aristóteles, a Expositio libri Posteriorum. Neste prólogo, isto é, uma introdução à exposição de tipo literal que Tomás empreenderá em seguida, o autor situa a obra Segundos Analíticos na estrutura da lógica. Ao fazer isso, ele apresenta, de um modo que em nenhuma outra obra ele expressou com igual clareza, sua própria concepção da lógica em geral, o modo como esta disciplina se caracteriza ora como arte ora como ciência e como ela se relaciona aos processos do espírito humano, do intelecto e da razão e como essa estrutura corresponde ao conjunto das obras lógicas de Aristóteles.

A experiência da dança no Projeto Aplysia: uma descrição baseada em diferentes olhares

PID: S1982-596x2011000100013 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Figueiredo
Neste artigo apresentarei algumas reflexões obtidas na intersecção entre as experiências de cinco adolescentes dançarinas do Projeto Aplysia e as minhas vivências no papel de pesquisadora, professora e coordenadora. Com o suporte teórico de alguns autores, principalmente de Merleau-Ponty, o corpo foi concebido como algo constituído de maneira processual em sua relação com o mundo e o outrem. Partiu-se da ideia de que percebemos o corpo do outro imbricado ao nosso ao expormo-nos ao seu olhar, levandonos a reconstruir o nosso próprio olhar sobre o nosso ser. A dança aparece como uma possibilidade de recriação das experiências vividas no corpo, através do contato com o outro, o que reconstitui o olhar sobre si.

A inter-relação estrutural entre alguns livros da metafísica

PID: S1982-596x2011000200006 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Rodrigues
O objetivo deste artigo é apresentar uma interpretação dos livros G, ZHQ e L da Metafísica de Aristóteles, mostrando que eles podem ser lidos formando um todo argumentativo conectado. Os demais livros da Metafísica serão aqui desconsiderados, pois não se adéquam à interpretação proposta. O texto começa mostrando que é plausível concentrar-se em alguns livros dessa obra de Aristóteles e deixar outros de lado. Para fazê-lo, recorre-se a alguns scholars de Aristóteles, começando por C. A. Brandis. Em seguida, o artigo desenvolve uma interpretação do livro G, afirmando que o modelo de ciência aí apresentado requer uma análise do conceito de substância. Dado que há diferentes tipos de substâncias, distinguidos nos capítulos 1 e 6 do livro L, o artigo dedica-se a esse livro e mantém que essa distinção é necessária a fim de se dar uma resposta apropriada à questão da substância. Os livros ZHQ, por sua vez, fornecem uma análise detalhada de um dos conceitos de substância distinguidos em L. Essa leitura dos cinco livros mencionados mostra, assim, que eles podem ser lidos como formando uma unidade.

A neurociência afetiva como orientação filosófica: por uma ressignificação neurofilosófica do papel das emoções na estruturação do comportamento

PID: S1982-596x2011000100009 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Almada
Minha intenção, neste artigo, é a de discutir a significação das emoções na estruturação dos raciocínios morais e nos processos de decision-making. Para tanto, proponho estabelecer um delineamento filosófico-científico da contemporânea discussão acerca das relações de interação e integração entre processos perceptivo/cognitivos e processos afetivos/emocionais. Visando a realizar essa tarefa, tomo por orientação geral a proposta da Neurociência Afetiva de Jaak Panksepp, que propõe, a partir de um modelo neurofilosófico, situar o papel das emoções básicas no comportamento. A partir do apoio no background conceitual da Neurociência Afetiva, pretendo estabelecer as possíveis relações entre estados mentais, estados neurais e comportamento, com o fim de delinear e propor uma solução para as dificuldades conceituais, filosóficas e científicas que inerem à relação entre habilidades neurobiológicas e experiências subjetivas. Por fim, proponho apresentar, no âmbito das ciências cognitivas, a vantagem do emergentismo em relação às teorias da identidade e às teorias reducionistas.

ASPECTOS DO LEGADO CARTESIANO NA TEORIA DA LINGUAGEM

PID: S1982-596x2011000300117 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Chaves-Tannús
RESUMO Desenvolveram-se no passado - e continuam sendo desenvolvidas no presente - várias tentativas, diversas entre si, de fundamentar uma posição única que julga ser possível identificar, em todas as línguas naturais, uma estrutura básica, sempre idêntica, e de natureza lógica. Se essa for uma meta passível de ser alcançada, então, será necessário admitir tanto a existência de princípios que regulem o funcionamento de tais línguas, como, também, que esses princípios sejam oriundos da Lógica. Com base em um texto do linguista francês Oswald Ducrot, intitulado Sobre um mau uso da lógica (D‘un mauvais usage de la logique), este trabalho pretende apresentar resumidamente duas das mencionadas tentativas. Elas foram elaboradas em épocas diversas e são diferentes os argumentos destinados a sustentá-las. A primeira é originária do século XVII francês e o seu alicerce teórico é a célebre dupla formada pela Lógica e pela Gramática de Port-Royal. Obras em que a influência de Descartes é um fato histórico bem estabelecido. A segunda é recente e o seu fundamento teórico é a Lógica Contemporânea. O objetivo e o pressuposto, enunciados acima e compartilhados pelas duas propostas, criam um vínculo entre a tradição cartesiana, presente em Port-Royal, e a concepção mais tardia, justificando, assim, a sua inclusão neste texto.

Ambiente da sala de aula: um estudo de caso

PID: S1982-596x2011000100002 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Paiva Lourenço
Das várias possibilidades de abordagem da sala de aula, a análise do ambiente de aprendizagem tem sido uma das opções de trabalho no campo educacional. Esta investigação tem como finalidade comprovar se o ambiente da sala de aula, bem como algumas variáveis sociodemográficas, são relevantes na explicação do rendimento acadêmico dos alunos. Para avaliar o ambiente da sala de aula foi utilizado o APSA - Escala do Ambiente Psicossociológico da Sala de Aula (Antunes 2002). Foi seleccionada uma amostra correspondente a 336 alunos do ensino obrigatório português (3.º ciclo do Ensino Básico), de duas escolas públicas do norte de Portugal. O objectivo foi orientado para a comprovação da viabilidade do modelo de equações estruturais (SPSS.17/AMOS.17), onde foram hipotetizadas e especificadas determinadas relações causais. Constatou-se que o ambiente da sala de aula tem um impacto positivo e significativo no rendimento académico dos alunos (Língua Portuguesa e Matemática).

Contribuições da cultura, imaginação e arte para a formação docente

PID: S1982-596x2011000200008 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Castro Mano Ferreira
Neste trabalho refletimos acerca das relações entre cultura, imaginação, arte e formação docente. Ao compreender o currículo escolar como artefato sociocultural, inferimos que as diferentes práticas culturais vivenciadas pelos professores fora da escola também constituem os saberes docentes. Nesta perspectiva, enfocamos resultados de pesquisas que discutem hábitos e frequência de professores da educação básica relacionados a espaços expositivos de artes visuais, espetáculos de dança e teatro, concertos e cinema, e os fatores (materiais e imateriais) que dificultam a precária inserção de docentes no circuito organizado da arte. Sem a pretensão de indicarmos soluções para temáticas tão complexas, apontamos a formação estética como fundamental à prática pedagógica e propomos uma reflexão sobre questões ainda pouco exploradas nos estudos sobre formação de professores para a educação básica.
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