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DESCARTES EM SEU SÉCULO

PID: S1982-596x2011000300017 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Armogathe
RESUMO Nesta curta investigação da vida e dos trabalhos de Descartes, o autor insiste na habilidade verbal do filósofo (em francês e em latim) para tomar emprestado da tradição escolástica palavras, mudando seu significado para ajustar a seu novo modo de pensar; sugere vários caminhos para nova pesquisa, um dos quais é ver Descartes através das lentes de seus adversários, na França e nos Países Baixos. Nem um filósofo profissional, nem um advogado, nem um soldado: muitas características da vida de Descartes que não são estranhas ao fazer de uma nova filosofia.

DESCARTES, ARCESILAU E A ESTRUTURA DA EPOKHÉ

PID: S1982-596x2011000300037 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Lennon
RESUMO O ceticismo tem sido, nos últimos cinquenta anos, uma das principais lentes através das quais foi lido o papel filosófico de Descartes. Não apareceu ainda, todavia, uma identificação precisa do tipo de ceticismo que seja o mais adequado para essa leitura. Defendo a tese de que é especificamente o ceticismo acadêmico que caracteriza a metodologia de Descartes. O caso que serve para testar tal tese é a clássica noção de epokhé que surge em sua obra.

Educação

PID: S1982-596x2011000100012 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Paiva
Descreve-se primeiramente o entendimento comum que se tem de educação, questionando em seguida os conceitos aí compreendidos, como aprendizagem e desenvolvimento humano. Enfatiza-se o conviver como condição humana, realçando-se a historicidade como postulado fundamental para a compreensão do conviver. Passa-se, então, ao campo teórico, analisando as propriedades da relação, e afirma-se que a educação se realiza como aprendizagem pela transformação que se opera em nós ao contato com o outro. Conclui-se propondo reflexões sobre a escola.

Elementos constituintes e constituidores da formação continuada de professores: contribuições da Teoria da Atividade

PID: S1982-596x2011000200009 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Franco Longarezi
O artigo sistematiza os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Atividade de Leontiev (1983), destacando os elementos constituintes e constituidores da formação continuada de professores. Inicialmente apresenta-se uma síntese dos fundamentos antropológicos e filosóficos que delineiam o olhar leontieviano, considerando categorias trabalho; consciência; objetivação e alienação, bem como o desenvolvimento humano em toda sua complexidade. Discute os elementos constitutivos da Teoria da Atividade: atividade dominante, estrutura da atividade, significação social e sentido pessoal. Com base nesse corpus teórico, analisa a formação docente como atividade, na qual se entende que pela atividade dominante o professor se desenvolve. A atividade é ponto de partida e chegada do processo formativo profissional, pois possibilita aproximação direta do conteúdo da ação formativa com suas necessidades. Conclui-se, portanto, que os elementos constituintes e constituidores da formação continuada, na perspectiva apontada, são potencializadores do desenvolvimento humano- social e contribuem para superação de rupturas entre sentido e significado desta formação.

Formação e perspectividade. Controvertibilidade e proibição de doutrinação como componentes básicos da formação e da ciência.

PID: S1982-596x2011000200019 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Sander
Na discussão acadêmica alemã sobre a formação política, os princípios da controvertibilidade2 e da proibição da doutrinação valem, desde o Consenso de Beutelsbach, no final da década de 1970, como critérios de qualidade fundamentais e consensuais para a práxis pedagógica. Esta contribuição investiga se e em que sentido esses princípios poderiam, indo além da formação política, reivindicar validade para todo o âmbito da educação, e, de modo especial, para as escolas. Isso será feito em três passos: primeiramente, a partir do Consenso de Beutelsbach, a multiperspectividade3 será fundamentada como princípio para todas as áreas; em seguida, ela será exposta a partir de uma visão construtivista do contexto formado por saber e perspectividade; por fim, será feita a defesa de uma renaissance do conceito de formação enquanto minuta de referência para a escola com base nessa compreensão construtivista do saber

Frederick August Von Hayek e a teoria dos fenômenos completos: uma análise marxista

PID: S1982-596x2011000100008 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Lucena
Este artigo analisa os pressupostos epistemológicos de F. A. von Hayek, referentes ao liberalismo, mercado capitalista, competências e individualidade expressos em a Teoria dos Fenômenos Complexos. Demonstra as fases epistemológicas de sua obra, problematizando o debate com a ciência compreensiva e a relativa transição para os pressupostos popperianos. Tomando como referência os princípios do materialismo histórico e dialético, desenvolve a crítica aos preceitos da economia política presente no pensamento de Hayek. Demonstra que apesar do forte preceito objetivista de suas reflexões, suas análises encontram-se em um campo metafísico de proposições científicas relativas à organização da produção da sociedade e inserção de seres humanos.

Fundamentos orientadores para as políticas públicas da educação física no regime militar (1964-1985).

PID: S1982-596x2011000200010 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Carvalho Guido
Este texto, a partir da leitura do Diagnóstico de Educação Física/Desportos no Brasil, discute a inserção da Educação Física Esportiva (EFE) nos ordenamentos governamentais por meio de práticas de governo assentadas em análises sistêmicas. Destaca-se que o enfoque priorizado por nossos tecnocratas é o cibernético. Soma-se a essa parte, o pano de fundo que incrementou os investimentos governamentais em comodidades sociais - inclusive a EFE - que viabilizassem uma melhora na qualidade de vida da população e, também, a utilização da Revista Brasileira de Educação Física como uma ação efetiva para a “disponibilização” dessa benesse social com mais qualidade.

GENEROSIDADE E SUBSTANCIALIDADE DA ALMA SEGUNDO DESCARTES

PID: S1982-596x2011000300063 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Renault
RESUMO O que é o eu segundo Descartes? Para responder a esta questão é preciso levar em conta não somente as análises a respeito do ego no desenvolvimento da metafísica cartesiana, mas também as referentes a uma segunda consideração sobre o eu que se encontra nos escritos de Descartes, a qual reside nas análises consagradas à generosidade. Se a primeira consideração deriva da metafísica e se atém ao ego enquanto substancialmente distinto do corpo, a segunda consideração deriva do que se poderia chamar de a antropologia cartesiana, que Descartes anuncia no momento da redação dos Princípios da Filosofia, e da qual se observa o desenvolvimento nas Paixões da Alma. Trata-se, nesse caso, de um eu que experimenta a si mesmo através de uma paixão, isto é, não como puro ego, mas no horizonte de sua união bem estreita com o corpo. Esta união não repõe em causa a distinção, como se diz, pois, por mais estreita que ela seja, a alma e o corpo estão unidos por unidade de composição e não por unidade de essência. Em vez disso, ela coloca esta distinção à prova, uma vez que o eu se vê por ela ameaçado de ser inserido no determinismo material, isto é, em certo sentido, ele se vê ameaçado de “materialização”. Ora, é à generosidade que cabe precisamente afirmar a distinção substancial entre a alma e o corpo na relação que a alma mantém com o corpo, pois é ela que preserva a vontade de uma tal inserção no determinismo material. Tal é a ótica que adotaremos aqui na análise da noção de generosidade. Tratar-se-á aí de estudar a maneira pela qual a antropologia cartesiana renova o tratamento da substancialidade do eu, no seio do pensamento cartesiano.

Indústria Cultural e Semiformação: a atualidade da educação após Auschwitz

PID: S1982-596x2011000200011 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Zuim
Tem-se como objetivo argumentar que as considerações de Theodor W. Adorno, sobre a possibilidade de reincidência da barbárie de Auschwitz, devem ser revitalizadas. Parte-se do pressuposto de que essas considerações são fundamentais para que se possa refletir a respeito do modo como o atual desenvolvimento tecnológico da indústria cultural estimula a revitalização da semiformação e, portanto, o reaparecimento de um clima propício ao retorno da barbárie, na forma da reprodução do preconceito delirante, da frieza, da dessensibilização e sadomasoquismo dentro e fora das escolas.

LEIBNIZ E ARNAULD - ENTENDIMENTO E CONSENSO: A LÍNGUA E A LÓGICA DOS MODERNOS

PID: S1982-596x2011000300167 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Guido
RESUMO O grande século da Filosofia Moderna é lembrado quando se evoca os seus protagonistas: Descartes, Locke, Espinosa. Contudo, outros pensadores estiveram empenhados não apenas na formulação das ideias basilares da nova filosofia; eles se propuseram a tarefa da crítica da filosofia do grande século, da qual eles também eram os protagonistas. Certamente esta atitude reserva lugar proeminente na História da Filosofia a dois pensadores: Arnauld e Leibniz, cujo diálogo epistolar é o tema para a reflexão sobre o racionalismo moderno.

La filosofía explica la revelación sobre el "averroismo político” en el Defensor Pacis de Marsilio de Padua

PID: S1982-596x2011000200005 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Bertelloni
Bruno Nardi fue el primero que tipificó el pensamiento de Marsilio de Padua como “averroismo político”. Sin embargo la edad media no tuvo acceso a la filosofía política de Averroes. Por ello es improbable que Nardi haya fundamentado la utilización de esa categoría teniendo en cuenta las ideas políticas de Averroes y de Marsilio. El artículo muestra que, en todo caso, Marsilio podría ser llamado “averroista político” teniendo en cuenta, no su pensamiento político, sino sus ideas filosóficas y, en especial, las actitudes metodológicas referidas a la relación Fe-Razón que manifiesta en su Defensor Pacis. A partir de Nardi el “averroismo político” se transformó en una categoría controvertida que condujo a una polémica acerca de la existencia o no de una corriente similar en el pensamiento político medieval. De hecho, en numerosos pasajes del Defensor pacis aparece la distinción Fe-razón utilizada en favor de un predominio de una actitud metodológica racionalista. Con todo, el racionalismo de Marsilio es fluctuante. Por ejemplo, cuando explica el nacimiento de la civitas, en lugar de demostrarlo a partir del concepto filosófico de natura, atribuye ese nacimiento al pecado original. Ese uso de la historia de la salvación y de la teología parece poner en duda el racionalismo extremo de Marsilio. El artículo propone responder tres preguntas: a) si Marsilio pone límites a la revelación en el Defensor Pacis; b) cuál es el alcance de ese límite; c) si ese límite que Marsilio pone a la Revelación puede ser considerado como una influencia averroista sobre el paduano.

MEDICINA E O “GRANDE SÉCULO”: A CRÍTICA CARTESIANA

PID: S1982-596x2011000300239 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Donatelli
RESUMO A literatura nos mostra que a medicina é um dos alvos preferidos das críticas feitas no teatro por Molière na segunda metade do século XVII. Essa situação não é gratuita, pois a medicina fornece material inesgotável às sátiras das quais é vítima, seja pelas práticas terapêuticas usuais, seja pela verborragia característica dos médicos que abusam do latim e da tradição grega à qual se apegam de modo ferrenho. Na filosofia, a crítica a essa ciência também está presente já na primeira metade desse século: justamente pelo fato de a medicina de sua época conter pouca coisa da qual se possa vangloriar, Descartes deposita grandes esperanças nessa área, no sentido de não só promover um conhecimento que leve à redução ou mesmo à eliminação das doenças que afligem o corpo e o espírito, como também de prolongar a vida, livrando-se do enfraquecimento da velhice (AT VI, 63).2 Desde que se instala na Holanda, o filósofo desenvolve estudos com a intenção de construir uma medicina que se destaque daquela que é praticada em sua época, mostrando-se eficaz em seus objetivos. Projeto esse que sofre uma série de alterações à medida que o filósofo prossegue em seus estudos. Este trabalho pretende, a partir de uma breve apresentação do quadro histórico da medicina na primeira metade do século XVII, mostrar a inserção de Descartes na discussão médica de seu tempo.

Modelos de escolarización: trayectoria histórica de la educación especial

PID: S1982-596x2011000200015 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: González Pérez
RESUMEN El objetivo de este trabajo es estudiar el itinerario legislativo del sistema educativo español en orden a las discapacidades psíquicas y físicas. Desde la Ley Moyano a la Ley General de Educación la segregación escolar fue una realidad en la escuela española. El currículum y la enseñanza diferenciada han marchado estrechamente unidas a la trayectoria de la educación especial en España, segregando a los alumnos y alumnas de las aulas ordinarias. La educación con la inercia que le caracteriza, ha ido reproduciendo y legitimando situaciones establecidas, y con ello, desigualdades bajo un marco normativo que garantizaba la igualdad de oportunidades. En la actualidad la Ley de Ordenación General del Sistema Educativo (LOGSE) pretende hacer realidad “la escuela para todos” que incluya a todos sus miembros independientemente de sus peculiaridades personales. La escuela inclusiva debe dar respuesta a la diversidad de realidades del alumnado, como lugar abierto y flexible para aquellos que tradicionalmente han sido descalificados por sus limitaciones físicas y/o psíquicas.

NOTAS SOBRE O ARGUMENTO DA LOUCURA NA PRIMEIRA MEDITAÇÃO

PID: S1982-596x2011000300103 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Rocha
RESUMO O objetivo desse artigo é argumentar em favor da tese interpretativa segundo a qual nas Meditações Metafísicas Descartes, na Primeira Meditação, não recusa o argumento da loucura mas, ao contrário, utiliza-o em uma forma mais radical. Mais ainda, segundo a leitura a ser aqui defendida, o argumento da loucura em sua forma mais radical é absolutamente necessário para a eficácia da dúvida cartesiana. Através das hipóteses do sonho e do Deus Enganador, Descartes anula o aspecto individual, particular do argumento da loucura radicalizando-o. Ao admitir com essas hipóteses a possibilidade de todo homem fabricar seus próprios “dados sensíveis” e exercer a razão de modo incoerente, como o que ocorre com o louco, Descartes pode, ao final da Primeira Meditação, pôr em questão todo e qualquer critério de evidência.

Naming and affect. Ontological function of ideolog y in the school of essex’s discourse theory

PID: S1982-596x2011000200013 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Smoczynski
This paper maps the ontological function of affect and performativity as articulated in the School of Essex’s discourse theory, most notably in Ernesto Laclau and Chantal Mouffe’s writings. Firstly, it will be demonstrated that isolated agency of ideological performativity, does not involve sufficient power to introduce a coherent ontological consistency of both subject and object. Only the intertwine of libidinal force with naming, as the recent development of the School of Essex theory suggests, provides the sufficient conditions of the possibility of generating solid social ontology.

Narradores de Javé e a pesquisa em educação

PID: S1982-596x2011000200014 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Ludwig Trevisan
O texto propõe uma hermenêutica sobre os paradoxos criados pelo paradigma da relação sujeito/objeto, problematizando a absolutização da subjetividade moderna na produção do conhecimento e suas implicações na formação de professores. Nesse contexto, demarca os contornos e as deficiências localizadas na recepção das abordagens qualitativas e quantitativas nas pesquisas em educação. Para elucidar essas questões, este estudo utiliza a narrativa, Narradores de Javé, por intermédio da abordagem hermenêutico-reconstrutiva, como exercício do reconhecimento do saber da alteridade. A hermenêutica quer desvendar as armadilhas do caminho metafísico do conhecimento na formação de professores e provocar nos interlocutores envolvidos o estranhamento das práticas pedagógicas enrijecidas pelo paradigma unilateral do mundo moderno.

O CETICISMO INACABADO DE DESCARTES

PID: S1982-596x2011000300215 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Seneda
RESUMO Este texto pretende mostrar que, do ponto de vista das ciências empíricas, o projeto de demolição do ceticismo, conduzido por Descartes, perdura até a VI Meditação e nela não pode ser concluído. Se isto assim ocorre, é porque há dois modelos de superação do ceticismo em Descartes. O primeiro modelo diz respeito à superação da dúvida metafísica. Esse modelo alcança algum êxito já na II Meditação, na qual, por analogia com o procedimento matemático, a descoberta de uma evidência irrecusável conduz à primeira certeza, e esta se torna o ponto de partida para a obtenção de outras. O segundo modelo diz respeito à superação da dúvida sobre os conteúdos do mundo sensível. Embora pareça que a solução do segundo modelo decorra diretamente do êxito obtido no domínio do primeiro, isto não se dá, porque, conquanto Descartes construa os fundamentos matemáticos de uma teoria do extenso, nela não consegue resolver os problemas da Física entendida como uma teoria dos objetos empíricos.

O Filebo de Platão e as doutrinas não escritas

PID: S1982-596x2011000100007 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Perine
Na controvérsia da relação entre os diálogos platônicos e as doutrinas não escritas, o Filebo ocupa um lugar privilegiado. O artigo quer mostrar que a recusa de dar uma definição do Bem e alguns aspectos da doutrina dos quatro gêneros são indícios que podem ser remetidos ao ensinamento oral de Platão.

O MEMORÁVEL ERRO DE DESCARTES SEGUNDO LEIBNIZ: A QUESTÃO DA FORÇA VIVA

PID: S1982-596x2011000300267 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Medeiros
RESUMO Em seus escritos de maturidade, Leibniz elabora uma série de objeções à noção cartesiana de extensão como a essência dos corpos. Em particular, esta noção é considerada incompatível com o próprio princípio cartesiano de conservação do movimento e mesmo a adição da noção de massa à extensão não é suficiente para dar conta das ações mecânicas. Para tanto, é necessário conceber a força ou ação motriz como uma realidade dinâmica e distinta, e acrescentar à teoria do movimento o princípio metafísico da equivalência entre a causa plena e o efeito inteiro. O erro de Descartes foi avaliar a força pela quantidade de movimento. Pois embora a estimativa da quantidade de movimento por mv (uma composição da quantidade de extensão m com a medida do movimento v) reflita a concepção cartesiana de corpo, ela, no entanto, não é conservada. O que é conservado é a força, estimada a partir da quantidade do efeito que ela é capaz de produzir, como altura a que um corpo pode elevar-se. Disso se segue que mv² é a quantidade que mede a força e, portanto, o que é conservado no movimento. O erro de Descartes tem implicações que vão além da mecânica e repercutem na própria metafísica, tornando inválido, num caso típico, a resposta cartesiana para a relação corpo e alma.

O SENTIDO DA COGITATIO EM A BUSCA DA VERDADE DE DESCARTES

PID: S1982-596x2011000300293 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2011
Autores: Soares
RESUMO Uma vez que o descobrimento da verdade em Descartes deve ser situado no campo mais amplo da cogitatio, tentamos organizar o tema do conhecimento em A busca da verdade, através do modo como o próprio pensamento se apresenta, a começar pela transição dos falsos pensamentos para os atos de pensamento e, depois, para a cogitatio enquanto tal. Essa perspectiva elucida a relação que há entre pensamento e conhecimento, bem como o sentido que a estrutura, a saber, a restituição do pensamento à sua condição originária. Isso permite entender melhor a disposição das personagens e dos argumentos do próprio diálogo. É possível, assim, explicar por que Poliandro, a menos estudada das personagens, se torna o juiz da disputa entre as outras duas, como também explicitar o pano de fundo do texto, em que a própria noção de Filosofia é ameaçada por uma equivocidade tal que permite mesmo que ela seja tomada pelo seu oposto.
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