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A comunidade dos amantes: anacronismo e aforismo em questão em Blanchot e Derrida

PID: S1982-596x2020000301253 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Dionizio Ferreira
Resumo A reflexão sobre o pensamento da “comunidade”, especificamente no séc. XX e, em especial, por pensadores franceses, é tema de diversas obras. Em torno dessa temática, pensadores como Bataille, Deleuze, Foucault, Blanchot, Jean-Luc Nancy e Derrida deram importantes contribuições. Apesar de Derrida recusar a noção de comunidade colocando em seu lugar a noção de coletividade, as concepções que fundamentam uma experiência de comunidade/coletividade são próximas: alteridade; différance; escritura; acontecimento e presença de uma ausência. Nesse contexto, a possibilidade de uma interseção entre esses conceitos, a partir da obras de Blanchot e Derrida, permite pensar a experiência da comunidade em sua relação com a escritura.

A condição humana e a condição docente: das ilusões de onipotência ao reconhecimento do desamparo

PID: S1982-596x2020000200679 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Bogéa
Resumo Partindo do princípio de que todo processo educacional é aberta ou veladamente guiado por uma determinada maneira de se compreender o ser humano, procuramos nesse artigo colocar em questão os ideais de “humano”, e consequentemente, de humano-professor, que a tradição ocidental nos legou. Em seguida, tentamos indicar alguns caminhos para repensarmos contemporaneamente o que significa ser humano e, por conseguinte, o que significa ser professor. Enquanto os antigos ideais insistem em projeções de poder e invulnerabilidade ao assumir uma essência imaterial para o humano, apostamos numa concepção de humano encarnado, afetivo e desejante que envolve, em contrapartida, a disposição para assumirmos o irremediável desamparo e a incontornável vulnerabilidade que são intrínsecos à condição humana.

A metafísica de Os Princípios da Matemática de Russell e a controvérsia à respeito da suposta semelhança entre essa metafísica e a ontologia meinongiana

PID: S1982-596x2020000301339 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Pitt
Resumo No presente artigo, objetiva-se apresentar as principais características da metafísica do realismo lógico, desenvolvido por Russell em Os Princípios da Matemática, de 1903, e, principalmente, analisar a controvérsia sobre se os princípios dessa metafísica podem realmente ser interpretados como semelhantes aos princípios da ontologia meinongiana. São comparados os pontos de vista opostos dessa controvérsia à luz dos trechos de Os Princípios da Matemática que supostamente comprometeram Russell de ter elaborado uma gramática filosófica na qual todo e qualquer nome próprio ou descrição definida, ocupando a posição de sujeito lógico nas proposições, referem-se a objetos com alguma categoria de Ser. Ao realizar tal análise, conclui-se que o problema central diz respeito aos nomes próprios vazios e que, portanto, a metafísica de Os Princípios da Matemática expressa uma perspectiva instável da teoria da denotação de Russell.

A questão sobre o homem e a II Meditação

PID: S1982-596x2020000301141 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Agostini
Resumo Neste artigo, analiso a noção pré-filosófica de “homem” discutida por Descartes na Segunda Meditação. Apesar da atenção dirigida a esse tópico pelos contemporâneos de Descartes, em particular Bourdin, os pesquisadores não se demoram sobre tal questão. Argumentarei nas páginas seguintes que a análise da noção pré-filosófica de homem, por parte de Descartes, constitui um caso paradigmático do procedimento seguido na Segunda Meditação para encontrar a distinção. Esse procedimento consiste, de fato, em um movimento que, retomando uma noção pré-filosófica, encontra, através da atenção e, por conseguinte, da clareza, a distinção: concentrando a atenção na noção pré-filosófica de homem em que “descobre” a cogitatio, o meditador torna tal noção clara; depois, a separa das determinações às quais está unida, tornando-a distinta.

A unidimensionalização da linguagem e a fragilização teórica do campo investigativo educacional: desafios para a pesquisa em educação

PID: S1982-596x2020000200965 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Baroni
Resumo Tendo por base o conceito marcuseano de linguagem unidimensional, o presente ensaio pretende problematizar esse tema com relação às suas implicações no campo da pesquisa educacional. A não utilização do conceito e do excesso de significado que a linguagem bidimensional traz em si, resulta na fragilidade teórica fortemente sentida no campo da pesquisa educacional, que resulta, em última instância, na dificuldade de validação do seu conhecimento. Nesse sentido, defendemos a importância da retomada dos estudos de caráter teórico, assim como do trabalho adequado do conceito e dos universais, como instrumentos conceituais imprescindíveis na pesquisa que deseja considerar toda a complexidade do campo da educação.

Agostinho da Silva, de engajado filólogo a humanista militante e crítico: itinerário seareiro em tempos de formação do Salazarismo (1928-1933)

PID: S1982-596x2020000200607 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Pinho
Resumo Este estudo reconstitui o itinerário teórico-político de Agostinho da Silva entre os anos de 1928 e 1933, sobretudo através da análise de uma série de artigos que publicou na Seara Nova, relevante revista portuguesa de “doutrina e crítica”. À luz desse recorte temático-cronológico, o viés aqui privilegiado perspectiva: 1) uma parte pouco conhecida, porém representativa, da obra de juventude de Agostinho da Silva, por meio da qual podemos conhecer a atuação de um jovem e polêmico filólogo, engajado numa ofensiva de renovação dos Estudos Clássicos em Portugal, ao arrepio do establishment intelectual; 2) a gestação do humanismo militante e crítico que, doravante, se estabelecerá como fundamento decisivo do seu pensamento e ação; e 3) a institucionalização coetânea, no plano macro-político, do Estado Novo de Antônio de Oliveira Salazar. Ao chegar às considerações finais, poderá o leitor compreender a forma como os três aspectos analisados ao longo do estudo encontram-se estreitamente articulados, na medida em que quedará demonstrado como a trajetória teórica e política do jovem pensador recapitula as grandes questões daquela conjuntura portuguesa e europeia do entreguerras. Nesse sentido, a história do indivíduo, aqui, é também um retrato condensado de uma época.

Alunos com deficiência: modelo de inclusão na Universidade Federal de São Carlos

PID: S1982-596x2020000301189 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Juárez Lacerda
Resumo O objetivo desta pesquisa foi descrever o funcionamento do programa de inclusão para alunos com deficiência na Universidade Federal de São Carlos, Brasil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com base na análise do discurso de quatro entrevistas semiestruturadas com alunos com deficiência, pesquisadores especializados e gestores. Os resultados centrais mostram que não é suficiente trabalhar sobre os eixos principais de atenção a estes alunos, que deve-se analisar e avaliar as funções dos atores envolvidos no processo de inclusão, e é preciso uma estrutura que motive uma mudança cultural na comunidade universitária, caso contrário, as barreiras atitudinais continuam sendo limites principais para estes alunos.

Arte, educação e comunidade em estética pedagógica

PID: S1982-596x2020000100155 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Castilla
Resumo uma das tendências estéticas contemporâneas mais prósperas, a «estética pedagógica», levantou desde o início a combinação entre arte e educação. As criações apoiadas por essa orientação baseiam-se em muitas das idéias das pedagogias críticas dos anos 60 e também nos orçamentos das chamadas vanguardas artísticas mais recentes. Todos eles compartilham o mesmo espírito emancipatório em sintonia com as teorias mais críticas da sociedade capitalista de produção. Mas, nos últimos anos, a «estética pedagógica» foi levada a problematizar a questão da «comunidade» de diferentes pontos de vista, com base no fato de que não pode haver educação ou arte sem repensar o espaço comum que ambos Eles colocam em jogo.

Cartografias da ingovernabilidade dos corpos na arte e na vida

PID: S1982-596x2020000100031 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Martins Alves
Resumo Sofremos uma crescente governamentalização dos corpos e das condutas ao longo do mundo moderno e contemporâneo. Essa foi uma das expressivas contribuições do pensamento do filósofo francês Michel Foucault. No entanto, tal governamentalização não adveio sem contrapartida. Trata-se, em todo caso, de um empreendimento sistemático de investimento pelo poder e de redução dos corpos à sua dimensão extensiva, utilitária, funcional e orgânica, numa palavra, instrumental. Uma pletora de práticas foi criada em vários campos - saúde, educação, trabalho, lazer, esporte, etc. - com este fim. No entanto, por mais incontornável que seja, os corpos não se deixam reduzir a um estado de coisa, a sua extensão, em resumo, a sua reificação. Este trabalho visa circunscrever esta problemática, para os fins de explorar o tema que concerne a relação entre os corpos, a cultura e o papel da arte como cartografia intensiva, sob o signo da ingovernabilidade.

Cinema no abrigo: encontros, gestos e acontecimento

PID: S1982-596x2020000301235 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Walter Scareli
Resumo Este texto é fruto de reflexões sobre nossa vivência com o Projeto de Extensão “Educação, Cinema, Outros Territórios” no Lar de Idosos ‘Abrigo Tiradentes’, em Minas Gerais. Um objetivo específico do Projeto é realizar sessões de cinema junto aos idosos em diferentes territórios. A metodologia e a avaliação das ações são compreendidas como um gesto de acompanhamento do Programa de Extensão, amparado na investigação cartográfica, prática metodológica pertinente para o acompanhamento de processos em curso e a produção de subjetividades. As questões que nos colocamos para esta reflexão são: o que pode o cinema num Abrigo de Idosos? Quais conexões poderíamos arquitetar entre cinema, linguagem e acontecimento? O que essas pessoas experimentam com os filmes? O que poderíamos exercitar, a partir do conceito de acontecimento, no pensamento? Buscamos, por meio deste ensaio, um exercício de pensar “acontecimentos” no nosso encontro com os moradores e com os filmes durante as sessões de cinema no Lar de Idosos - Abrigo Tiradentes.

Claude Clerselier leitor da dúvida de René Descartes

PID: S1982-596x2020000301077 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Agostini
Resumo Claude Clerselier foi amigo, correspondente, tradutor e editor de René Descartes, de quem publicou os três volumes da correspondência (Cartas do senhor Descartes), O homem e O mundo. Sua atividade de editor e tradutor foi sempre animada por um duplo desígnio : divulgar a filosofia de Descartes, construindo e veiculando, entretanto, a imagem mais ortodoxa possível do filósofo. Essa imagem de Cleserlier « vulgarizador » da filosofia de Descartes, que sempre o fez o fiel discípulo que se esforça para não se distanciar do mestre cujos méritos celebra, merece em nossa opinião um aprofundamento. Uma análise atenta do Prefácio a’O homem mostra incontestavelmente que Clerselier não se limita a difundir e defender a filosofia cartesiana, mas também que dela é um intérprete escrupuloso. A passagem desse Prefácio no qual Clerserlier discute certos temas, centrais, da metafísica cartesiana, nos parece, com efeito, sugerir uma abordagem completamente diferente daquela de seu mestre.

Considerações sobre a Estrutura da Recherche de la Verité: O Papel da Visão em Deus

PID: S1982-596x2020000200705 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Pricladnitzky
Resumo No seguinte artigo abordamos o contexto argumentativo em que se insere a doutrina da visão em Deus de Nicolas Malebranche na sua obra, Recherche de la Verité. Ainda que Malebranche seja conhecido tanto por essa doutrina acerca da cognição humana, quanto pela sua visão ocasionalista da estrutura causal, tais posições só são adequadamente compreendidas quando as colocamos no contexto argumentativo projetado pelo autor, o que costumeiramente não é feito. Com isso, pretendemos situar a posição da visão em Deus na Recherche partindo, em um primeiro momento, da análise do fio condutor da obra. Desse modo, ao vislumbrarmos de que modo uma teoria da cognição se encaixa no projeto filosófico malebranchista, seremos capazes de reconstruir adequadamente essa importante e influente doutrina filosófica do século XVII.

Considerações sobre a impossibilidade de definir o homem a partir de Descartes

PID: S1982-596x2020000301157 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Soares
Resumo Procuramos, neste texto, pensar o significado da rejeição da tradicional definição de homem efetuada por Descartes, quando tenta entender o que somos. Essa rejeição é resultado de um novo método de filosofar, que poderíamos designar como via das ideias - aquela que parte das forças do próprio espírito para examinar tudo o que ocorre nele e em qualquer outra coisa, evitando usar de pressuposições. A fim de marcar essa diferença de perspectiva e a reiterada disposição do filósofo francês em elaborá-la, apontamos a limitação da noção de conceito - seja aquela da tradição aristotélica-escolástica, seja a pós-cartesiana, fortemente marcada pela representação científica - para dar conta da problemática do fenômeno humano. Nesse sentido, insistimos na riqueza e amplitude da noção de ideia - elaborada e reelaborada ao longo dos anos pelo filósofo - para enfrentar esse complexo fenômeno. Uma vez que o homem não é uma substância, a manifestação dos seus aspectos é sempre adjetiva, podendo qualificá-lo sem, contudo, propiciar a sua compreensão. Essa dificuldade de apreensão exige, portanto, que o estudo da ideia de homem explore até o limite a própria racionalidade humana

Descartes e a ideia de homem. Imperfeição e perfeição do homem

PID: S1982-596x2020000301055 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Guenancia
Resumo O autor nota, por um lado, que Descartes se refere a uma compreensão muito larga, mas também comum e corrente, do homem e, por outro, que o homem não pode ser identificado nem ao corpo, nem à alma, nem mesmo à união do corpo e da alma. Quando falamos da natureza humana, ela evoca o caráter de uma perfeição limitada, cuja particularidade é sua capacidade de ter o livre-arbítrio. A noção do homem enquanto sujeito de (não) perfeição é baseada sobre uma ideia que se define por uma relação à ideia do infinito sob a forma da aspiração a ser mais perfeito. O exercício do livre-arbítrio se articula concretamente a um esforço de atenção e de vigilância que permite evitar um juízo errôneo. A tese exposta se desenvolve, em seguida, em três tópicos. Primeiramente, a razão se apresenta como um instrumento universal do homem, que, por sua vez, aparece como ser polivalente que o utiliza, sendo capaz de se adaptar às situações as mais diversas. Em segundo lugar, a perfeição especificamente humana significará a capacidade de exercer a dúvida e de recorrer às suposições e probabilidades no plano cognitivo. Isso significa, entre outros, que, para a aquisição da perfeição, é preciso reconhecer a sua própria imperfeição. Enfim, em terceiro lugar, a capacidade de usar propriamente o livre-arbítrio conduz à definição de homem como generoso, em que o homem é compreendido no sentido moral mais que no metafísico.

Desigualdade, Pobreza e Diferença: Precariedade na Vida Escolar

PID: S1982-596x2020000100193 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Chizzotti Casali
Resumo O presente artigo tem como objetivo analisar a desigualdade, a pobreza e as diferenciações inferiorizadoras - discriminações e segregações - e seus efeitos de precarização sobre a vida escolar: reprovação e abandono escolar. O centro crítico da análise encontra-se na circularidade viciosa pela qual, num sentido, a desigualdade e a pobreza determinam diferenciações inferiorizadoras que resultam em fracasso escolar e, no sentido inverso, o fracasso escolar resulta em mais pobreza e mais desigualdade. Tal processo selaria a impossibilidade de cumprimento do direito universal à educação, inscrito como promessa nos ideais da democracia liberal. O estudo pode ser caracterizado como bibliográfico, embasado em autores do campo da economia, sociologia, direito e filosofia, com especial apoio em documentos da ONU, UNESCO, OCDE e Constituição Federal brasileira. Os resultados do estudo apontam para as graves responsabilidades das políticas públicas, dos sistemas de ensino e dos projetos pedagógicos das unidades escolares em interromper a circularidade dessa precarização.

Do passeio pela filosofia Deleuze-Guattariana ao encontro com o possível conceito de programa de vida

PID: S1982-596x2020000100223 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Borges
Resumo De todas as maneiras de incursionar uma filosofia, o passeio pareceu ser a abordagem possível diante do emaranhado pensamento de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Ainda que alguns se dediquem a localizar onde começa e onde termina a contribuição de cada um nas obras que os dois filósofos escreveram juntos, é nesse entre, no encontro de dois pensadores, que enfrentavam questões específicas em cada campo de ação, mas que foram capazes, por meio da troca, ou melhor do roubo recíproco, como gostava de dizer Deleuze, que se produziu um pensamento que não se acomoda ou se ajusta à tradição. Desse passeio, destaca-se o encontro com um possível conceito presente em diferentes obras desses filósofos que é o programa de vida. Não se trata de um conceito efetivo, pois ele não é alçado a esse status pelos seus autores, ou pelo menos de forma objetiva. Cabe a este artigo, enfim, apresentar um plano sobre o qual esse protoconceito possa ser desenvolvido.

Educação e experiência

PID: S1982-596x2020000301277 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Santos
Resumo Este artigo visa aprofundar o conceito de experiência tal como Hegel o concebe na Fenomenologia do Espírito. Para tanto, me basearei nas interpretações de Jean Hyppolite e, sobretudo, de Heidegger. Ela, a experiência, será compreendida como aspecto determinante de uma concepção filosófica de educação. O artigo se divide em seis sessões. Primeiro, justifico por que a experiência, como Hegel a compreende, contribui para a elaboração de uma concepção filosófica de educação. Depois, abordo aspectos básicos da consciência, que são a condição de possibilidade da experiência. Em seguida, apresento os dois aspectos ontológicos pelos quais algo se manifesta no horizonte de inteligibilidade da consciência, “ser para” e “ser em si”. Então, preparo as condições para determinar o que significa “experimentar”, erfahren. Enfim, abordo o último aspecto da experiência: o surgimento de um novo objeto. Para concluir, dedico a última sessão às considerações finais onde destaco o sentido formativo da experiência.

Educação e filosofia para além dos processos de domesticação e de bestialização dos indivíduos

PID: S1982-596x2020000200765 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Almeida
Resumo O presente artigo traça um paralelo entre a educação, a ética e o ensino de filosofia para além dos processos de domesticação e de bestialização dos indivíduos na contemporaneidade. Tal problemática tem seu ponto de partida com a crise do humanismo que afeta toda a estrutura educacional. Dentro deste contexto da crise do humanismo podemos nos perguntar: qual é a função da escola desde as suas origens no século XVIII até os dias de hoje? Portanto, o objetivo deste trabalho é pensar os processos de domesticação e de bestialização dos indivíduos e suas relações com a educação e a filosofia. A filosofia, assim, apresenta-se como uma forma crítica de pensar que auxilia esta tarefa.

Em defesa de uma desordem pedagógica: a institucionalização da infância no cinema e no cotidiano escolar

PID: S1982-596x2020000100133 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Monteiro Garcia
Resumo Nos livros imagem-movimento e imagem-tempo, Deleuze analisou o cinema a partir de múltiplas variações possíveis, mas privilegia a perspectiva de um pensamento no qual a articulação de imagens e signos está ligada à expressão de significado ou de uma ideia. Nessa perspectiva, o fluxo de expressão de significados entre o encontro de nossas experiências com os filmes A Guerra dos Botões e As Pequenas Flores Vermelhas, nos levou a problematizar a institucionalização da infância a partir das seguintes perguntas: O que é isso institucionalizado mundo? Nós ajudamos a construir? Como se pode ser criança nessa lógica contemporânea que estrutura e institucionaliza, de maneira comercial, a rotina escolar? A hipótese que pretendemos defender é que o atual processo de institucionalização incorporado nos princípios neoliberais tende a reforçar as características narcísicas e individualistas. Diante disso, defendemos a busca de formas de resistência a esse processo que hoje chamamos de (des) ordem pedagógica.

Entre Mead e Heidegger: a interioridade desdobrada e a formação humana

PID: S1982-596x2020000200819 | Revista: Educação e Filosofia (1982-596x) | Año: 2020
Autores: Silveira Rodrigues Cenci
Resumo O artigo visa aproximar a abordagem da psicologia social de Mead e a perspectiva fenomenológico-existencial de Martin Heidegger da noção de interioridade desdobrada. Tal aproximação permite sustentar que há uma radical e inseparável reciprocidade entre homem/mulher e mundo. A radicalidade de tal reciprocidade suplanta a dicotomia interioridade e exterioridade, reaproximando o corpo do tempo, lugar mesmo da abertura existencial humana. Apresenta-se a noção de “self” como processo e a mente como resposta comportamental interativa com vistas a relacioná-la ao modo de ser-no-mundo. Também, uma breve incursão à psicologia de viés fenomenológico-existencial, buscando articular o interacionismo de Mead e a analítica existencial de Heidegger e suas implicações para o campo da formação humana.
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