Literatura e formação: a docência pelo olhar do narrador
PID: S1983-92782025000200301 |
Revista: Eccos Revista Científica (1983-9278) |
Año: 2025
Autores: Trevisan Barcelos Trevisan
Resumo Este artigo analisa a relação entre literatura e formação a partir de uma leitura hermenêutica do romance O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. O estudo centra-se na imagem da docência construída pelo narrador da obra, evidenciada em cenas que expressam ressentimento, empatia e acolhimento. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa fundamentada na hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer, com ênfase na fusão de horizontes e na desconstrução de preconceitos interpretativos. Parte-se da ideia de que a literatura, ao representar experiências de formação, pode revelar sentidos latentes da prática docente e oferecer subsídios teóricos para refletir sobre fenômenos como a violência escolar. O texto contextualiza a obra e discute passagens emblemáticas à luz do conceito de Bildungsroman, articulando os aportes de Freitag, Benjamin e Dozol. Com base em Charlot, Adorno, Maturana, Freire e Pereira, examina-se como essas imagens literárias problematizam os modos de ensinar e aprender, contribuindo para repensar a formação docente em chave ética e relacional, centrada no reconhecimento da dignidade do outro. O texto conclui que a formação docente deve romper com modelos autoritários e uniformizadores, adotando uma perspectiva hermenêutica que valorize o reconhecimento da subjetividade dos alunos. A literatura, ao narrar experiências de conflito e acolhimento, revela-se um potente instrumento para repensar a educação como espaço de diálogo, empatia e transformação.