☰ Menu
Educ@

Búsqueda por Índice

Filtro por título, resumen, autor, revista y año

Total: 435 | Página 17 de 22
0 resultados seleccionados

Do laboratorio à praxis: comunidades de investigação filosófica como modelos de (e para) o ativismo social

PID: S1984-59872016000300497 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Kizel
Resumo Este artigo discute as condições sob as quais os aprendentes-pesquisadores dialógicos podem partir do laboratório filosófico de uma comunidade de investigação filosófica para o campo do ativismo social, engajando-se em um exame crítico e criativo da sociedade e procurando mudá-la. Com base na proposta de Matthew Lipman de que as comunidades de investigação filosófica podem servir de modelo de ativismo social no presente, ele apresenta a comunidade de investigação filosófica como modelo para o ativismo social no futuro. Em outras palavras, as ideias centrais de Lipman em seu pensamento primeiro e último - incluindo o significado como um modo de ação, a relevância como forma de examinar a vida e estimular a influência para a mudança como forma de criar uma sociedade democrática - estabelecem dois círculos de influência paralelos: o tempo presente, sob a forma da comunidade filosófica de investigação que permite o aperfeiçoamento das habilidades ativistas e um espaço social que se estende para o futuro como um foro para aplicar os princípios e melhorar a sociedade. Finalmente, este artigo apresenta diversas formas de ativismo social que podem estar ancoradas na consciência filosófica das condições reais e seus contextos. Através delas, a comunidade de investigação filosófica não só constitui um lugar no qual os processos de pensamento dos jovens podem ser desenvolvidos, mas também um espaço em que eles podem aspirar a se tornarem ativistas em várias áreas.

Esboço para um pensamento da diferença e do devir deficiente na educação

PID: S1984-59872016000200277 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Lopes
Resumo Propomos neste artigo elaborar o esboço de uma crítica e de uma clínica para o pensamento da diferença e do devir deficiente na reflexão filosófica sobre a educação. O caminho escolhido passa pela análise de conceitos como diferença, devir, ontologia e acontecimento, apoiando-nos especificamente nas filosofias da diferença de Foucault e de Deleuze que aprofundaram notavelmente o diagnóstico da atualidade filosófica dessas noções. Reconhecemos, igualmente, que o estudo dos modos de problematização é a opção metodológica que um trabalho filosófico sobre a deficiência deve se empenhar em fazer para promover uma ontologia do devir deficiente, a qual considera a deficiência não mais, ou apenas, como objeto de um saber científico e pedagógico, mas como problematização das diferenças e emissão de singularidades irredutíveis ao regime do Mesmo, do Idêntico ou do Semelhante. Apresentamos sumariamente três alternativas ou possibilidades para se firmar na educação uma ontologia e uma política da diferença e do devir deficiente: reverter o platonismo ou conquistar para o devir uma arte das superfícies; propor que a reorganização do trabalho pedagógico da escola inclusiva se inscreva no domínio das práticas; e pensar a ontologia do devir deficiente sob o signo do acontecimento. Esperamos, por fim, que este trabalho contribua para aprofundar o estudo da filosofia da educação sobre a analítica da deficiência, da produção das diferenças e das práticas de inclusão na atualidade.

Escola de pensamento livre. Uma viajem desde o estigma da subnormalidade até o empoderamento de pessoas entre pessoas

PID: S1984-59872016000200417 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Sánchez Alcón
Resumo Épossível que exista uma “escola” onde se “pense” com “liberdade” ecujos “professores” sejampessoas com“incapacidadeintelectual”? Estamos falando da possibilidadede que pessoas que tem“fracassado” “escolarmente”, já adultos, fundamumespaçoescolar alternativo ao ensinoacadêmicodirigido por eles (comos apoios necessários) eonde elessejam os “professoressocráticos” e os ensinamentosqueaquise transmite, que eles transmitem, tenhama ver comopensamento, os valores ou as emoções. Eesse sonho éuma utopia possívelde dois educadores, Chema Sánchez eJuan Carlos Morcillo, edeuma instituiçãoapoiando-os como FEAPS-Plena Inclusão, junto a Filosofia para Crianças-ComunidadeValenciana (FpN-CV) como assessorapedagógica: uma utopia possível, um espaço onde as pessoas não sejametiquetadas por suas deficiências maspor suas potencialidades, umespaçocriativo onde o pensamento, como diziaOrtega, seja uma funçãovital, como respirar oucomo alimentar-se, umespaçoafetivo onde as pessoas sejamocentro de nossosolharesesuas ideais ousonhosouvalores componham as matérias “troncais” doprograma educativo, umespaço instável onde possamos crescerjuntos emdeveres eemdireitos, umespaço libertário que irradie uma nova forma de educar que não se fixe no que sabemos masno que queremos e no que desejamos, umespaçosemcopyrightcujo melhor destino é ser copiado, reproduzido, recriado emoutros lugares onde outras pessoas comincapacidadedecidamtomar as rédeasda educação edemostrar a sociedadeque não existem “pessoas incapazes” masque existemsociedades que descriminamoumarginalizam aos demais emfunçãode determinados padrõessociais que, por certo, não temespaçoemnossaEscola de Pensamento Livre.

Figuras da infância: inscrições, circunscrições e incêndios

PID: S1984-59872016000100111 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Schilling Ferreira
Resumo É impossível resistir à tentação de escrever, neste breve artigo, sobre avessos e contrapelos. Pois, afinal, estamos sob a égide de Incêndios que, ao contrário do que se espera hoje, é uma história sem final feliz. Sem final, talvez. A contrapelo das figuras contemporâneas de infância, em Incêndios há a presença das genealogias e suas possibilidades de liberdade, centradas na memória, na dor, na luta, na resistência. Há, nestas mesmas genealogias, ao mesmo tempo, suas muitas prisões. Há miragens de liberdade centradas nas figuras femininas que conseguem olhar, de olhos bem abertos. Há a palavra - difícil e frágil - que se apresenta no cantar. Há silêncios a serem decifrados (e respeitados) e há, principalmente, a libertação via domínio da palavra: aprender a ler, aprender a escrever, aprender a contar, aprender a falar, aprender a pensar. Há, como seu avesso, a impossibilidade de colocar em palavras, a inutilidade de aprender a contar, aprender a falar, aprender a pensar. Além dos grandes discursos, há uma proposta de decifrar pequenos gestos, pistas, enigmas. Todavia, inspirando-nos no conceito de campo de visão e na ideia de visão periférica, como a capacidade do indivíduo enxergar pontos ao redor de seu campo visual, trabalharemos no artigo o duplo infância-felicidade afetado pelo discurso do risco e procuraremos focar algumas questões presentes no que chamamos de enxurrada discursiva acerca do infantil, em especial, o apaziguamento da memória, da dor, da luta, da resistência e do acontecimento. Para tanto percorremos a discussão sobre a proteção/ cuidados da infância com suas figuras do risco; as figuras das crianças felizes com o deslocamento contemporâneo da ideia de resistência para o de resiliência, como sendo a capacidade de enfrentar as adversidades. Assim tentamos captar, na angular formada, a racionalidade vigente de uma época e ainda perceber que nela, supostamente, não há nada de inaugural, somente rearranjos e deslocamentos, mas que produzem, efetivamente, efeitos nos/de sujeitos.

Formação humana e força plástica. A deficiência que nos constitui

PID: S1984-59872016000200261 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Díaz Genis
Resumo O ser humano é um ser proteico. Sua realidade é a mudança e a transformação e ela é imprevisível. Ser humano é ser diferente. Uma das características do ser proteico é sua “força plástica”. Graças a ela saem dos infortúnios indivíduos e povos. Outra forma de chamar esse assunto em outros âmbitos é resiliência. Para poder viver melhor, devemos aprender a minimizar a possibilidade de acidentes, podemos e devemos aprender a cuidar de nós mesmos e dos outros, (especialmente em sociedades tão vertigninosas e submetidas a mudanças como as nossas). No contexto da plasticidade humana está a possibilidade da “força plástica destrutiva” que faz um corte entre um antes e um depois, entre subjetividade e a vida. Nos enfrentamos ou não a esta realidade do acidente. A deficiência não é só uma possibilidade de alguns, mas que forma parte da condição humana de todos. Isto nos coloca em outro ponto de vista, no qual o deficiente não é o outro, mas todos somos todos seres feitos de restos que foram afirmados no tornar se, negando as possibilidades e que pode reconstruir-se cada vez, seres incompletos, insuficientes, parciais

Foucault e as infâncias incendiárias: experiências de outras verdades e de outras heterotopias

PID: S1984-59872016000100065 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Carvalho
Resumo Considerando Incêndios (MOUAWAD, 2013) como um fazer ficcional no sentido proposto por Foucault (1994) para o fazer história, o texto tem por objetivo geral investigar como um conjunto de experiências heterotópicas pode suscitar um conjunto de problematizações acerca das filiações histórica das infâncias com as verdades. Para tanto, o texto percorre dois momentos. No primeiro, investiga a problemática questão do nascimento das verdades (NIETZSCHE, 2001; FOUCAULT, 2006), visando provocar uma interferência nos vínculos com as verdades, a partir de outras experiências, para se pensar a infância numa dimensão plural, eivada de e por outras histórias. A seguir, o texto foca no aspecto de uma construção nocional das infâncias como heterotopias (FOUCAULT, 2009), destacando alguns alcances e algumas consequências desta abordagem para as experiências das infâncias contemporâneas. Destacam-se, neste sentido, o direito à infância, a singularidade dos mundos das infâncias e a dimensão micro revolucionária de cada infância como campos problematizadores na elaboração de um duplo exercício. De um lado, trata-se de mostrar como a temática da infância se atualiza como problematização política e, de outro lado, como é urgente a produção de outras políticas para as infâncias. Ao cabo, o texto propõe nomear de infâncias incendiárias aquelas capazes de se realizarem com outras verdades e outras histórias, isto é, com suas próprias heterotopias, fazendo desta questão algo contemporâneo.

Incêndios da infância. Atrevimento de uma arte cruel

PID: S1984-59872016000100027 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Baptista
Resumo O artigo, na interlocução com a literatura, especificamente com a peça Incêndios de Wajdi Mouawad, (2003), almeja pensar sobre as implicações éticas da noção de origem utilizada nas Ciências Humanas como causa, fonte, início. A questão que move o artigo considera que, à luz de Walter Benjamin (1994), a idéia de origem seria uma criação mítica. Mito no sentido da ausência de análise histórica, do campo conflitivo de forças, do qual emerge esta noção. À luz da contribuição benjaminiana sobre a invenção da Infância, o artigo utiliza o atrevimento infantil como enfrentamento às forças míticas da literatura. A infância que, por meio de experimentações, de modos peculiares de leitura e escuta, põe à prova a obediência e a reprodução do universo mítico. Ato insurgente que impede à história narrada a conclusividade e afirma o seu desdobramento em outras tramas possíveis. Insurgência que interrompe a linearidade do tempo e da história. O artigo é composto por três momentos. No primeiro, são apresentados os contrastes entre a noção de origem, conforme Benjamin, e aquela comumente utilizada nas Ciências Humanas, assim como na vida ordinária. Fragmentos de frases da peça Incêndios são utilizados como experimentação da escrita, no intuito de justapor tempos e sentidos que escapam à linearidade da história. No segundo, a interlocução da literatura de Kafka (2012) com a peça de Wajdi Mouawad se faz presente com o objetivo de pensar sobre a agonística do silêncio e do canto nas personagens de Incêndios. No terceiro momento, é utilizada a categoria de constelação de Walter Benjamin, para intensificar a aposta ética da obra de Mouawad.

Infância é corpo encarnado / Uma perspectiva poético-existencial para o ser criança

PID: S1984-59872016000200455 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Machado
Resumo Este texto visitará importantes noções da psicanálise de crianças, para depois relacioná-las, de modo reflexivo, à fenomenologia do cotidiano e à fenomenologia das relações ordinárias adulto-criança. As noções psicanalíticas aqui discutidas são: imagem do corpo (Françoise Dolto, 1984) e sentimento do real (Donald Woods Winnicott, 1982; 1990). Dolto nos apresenta uma espécie de gênese da concretude corporal da criança, nomeando as zonas erógenas como “lugares do corpo” e revelando o propiciar da capacidade humana de fantasiar, enquanto que Winnicott afirma que o sentimento do real é algo a ser experienciado, construído e mantido, por meio de um fluxo de continuidade dos cuidados (maternagem) e das relações, bem como a oferta, por parte da comunidade adulta, de experiências totais às crianças. Em busca de um olhar híbrido em termos teóricos - entre a psicanálise e a fenomenologia - a autora entretece os conceitos à luz dos Cursos na Sorbonne, lecionados por Maurice Merleau-Ponty, nos meados do século XX. Assim, pode-se engendrar uma terceira via: a perspectiva poético-existencial para o ser criança, apresentada como algo plural que nos mostra modos de ser, estar e habitar o espaço corpo próprio bem como o mundo circundante. Trata-se de uma compreensão fenomenológica da criança, apresentada, particularmente, a partir da leitura da díade adulto-criança e em constante diálogo com o olhar merleau-pontiano para a pequena infância. Disso resultam atitudes relacionais, nas quais o adulto apura sua escuta e acolhida para as maneiras de ser da criança pequena, procura positivar os fenômenos dos mundos de vida infantis, e sintoniza com algo que Winnicott definiu como concomitantes ausência e presença. Há que estar lá quando for preciso; bem como ser capaz de ausentar-se, gradualmente, de modo que a criança descubra, a seu modo e em seu ritmo, a si mesma, ao outro e às coisas do mundo, em nome do que Winnicott nomeou “o brincar livre e criativo”.

Infância, ética e amorosidade na experiência da aprendizagem

PID: S1984-59872016000300543 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Gomes Lopes
Resumo Apresentamos neste texto reflexões e análises pautadas nos campos filosófico e sociológico a respeito da infância e da educação das crianças, tomada a partir da relação entre os conceitos de ética, estética, afeto e amorosidade. Inicialmente, postulamos que a educação das crianças deve envolver a concepção coletiva de um plano curricular ético e afetivo, apto a acolher e explorar a força vital da infância como componente educativo fundamental. Dessa forma, avaliamos como imprescindível à consecução de tal modo afetivo de aprendizagem, a constituição de uma modalidade diferencial de interações amorosas (seja entre crianças e adultos, entre elas, e delas com o mundo e a vida), capaz de engendrar as singularidades por meio das quais o movimento ético-estético e político de uma educação para a potência da infância possa conceber-se. A partir desses encaminhamentos, nos dedicamos ao desenho dos princípios básicos capazes de sinalizar uma imagem conceitual plausível para uma educação ético-afetiva das crianças. Educação está, orientada a assumir a brincadeira como plano de experimentação do díspar, aberto ao devir das forças de indeterminação - inerentes às relações sensíveis, imaginativas e intelectuais - que articulam social e culturalmente o ato de aprender e ensinar. Nosso esforço é o de colocar em discussão os imperativos de uma educação pautada em preceitos e práticas que tentam não eliminar ou minimizar, mas estabelecer uma relação positiva, atenta e sensível com as diferenças que a infância e as crianças forçosamente nos impõem.

Infâncias com as infâncias: narrativas de uma aproximação entre a filosofia e crianças de educação infantil

PID: S1984-59872016000300567 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Sampaio Santiagos Alves
Resumo O que esperar do encontro de adultos e crianças com a potencialidade do ato de filosofar? Que movimentos e possibilidades surgem deste encontro? Que impactos estes movimentos geram em professores que se percebem em constante processo de formação? O presente trabalho busca lançar um olhar sobre estas questões partindo da experiência prática de viver a experiência de filosofar com crianças da Educação Infantil. Através de uma abordagem que complexifica as já naturalizadas relações entre os sujeitos da escola, tempos e saberes, este escrito apresenta um movimento inicial de pensar a articulação práticateoriaprática como um tempo privilegiado de formação docente; denuncia limites e anuncia possibilidades dos modos de fazer escola. As práticas de filosofia com crianças da educação infantil, aqui investigadas, possibilitam pensar para além dos momentos em que convidamos e somos convidados a experienciar o pensamento através de uma aproximação filosófica. O que vamos percebendo, em nossos primeiros movimentos, é que a própria experiência filosófica possibilita pensar a atuação e a formação docente desde outras bases que, muitas vezes, se opõem as práticas majoritariamente valorizadas pela escola. Não são apenas as crianças que lançam perguntas e se aventuram nas possibilidades desta aproximação com elas: os adultos que fazem parte deste diverso grupo que se propõe a filosofar são intimamente atravessados pelas questões que se impõem no movimento de experienciar os pensamentos. O investimento em uma formação de professores e professoras que se estruture sobre os conceitos de experiência, igualdade das inteligências e a consideração do outro como ‘legítimo outro’, amplia o horizonte de possibilidades de atuação de docentes comprometidos com uma igualdade que não se apresenta como fim a ser alcançado, mas sim como início de qualquer relação que se proponha emancipadora.

Introduzindo a discussão filosófica na sua sala de aula: um exemplo de comunidade de investigação em uma escola primária grega

PID: S1984-59872016000300611 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Ventista Paparoussi
Resumo Filosofia para Crianças (FpC) foi implementado em diferentes países, mas não há muitos estudos que examinam FpC nas escolas primárias gregas. Essa pesquisa investiga a intervenção de FpC em uma escola primária no norte da Grécia. Esse estudo pode ser usado como um roteiro para educadores interessados em começar a implementar FpC, porque descreve a estrutura de uma sessão inicial de FpC em uma sala de aula inexperiente e proporciona uma análise de práticas de avaliação formativa facilmente implementadas. As perguntas da pesquisa são similares às perguntas que os educadores podem fazer quando estão iniciando a implementação da FpC: Os estudantes levantam questões filosóficas? Os estudantes estão envolvidos no diálogo? Os estudantes fornecem razões concretas para apoiar suas opiniões? Os estudantes estão dispostos a ouvir as opiniões diferentes de seus colegas de classe? Eles gostam de participar das sessões? A intervenção da FpC tem impacto na opinião dos alunos sobre o tema discutido após a intervenção? A pesquisa conduzida utilizou Shel Silverstein, The Missing Piece Meets the Big O (1976/2006) como estímulo introdutório. Os participantes eram vinte estudantes de 6 anos. O projeto de pesquisa é experimental com testes de opinião dos alunos realizados antes e após as sessões. Os resultados não podem ser generalizados, mas eles demonstram claramente que os alunos participantes se fazem perguntas filosóficas e desenvolveram satisfatoriamente um diálogo. Todos os alunos da nossa amostra participaram deste diálogo e os testes posteriores mostraram uma modificação na opinião expressa após as sessões FpC.

Não mais, mas ainda: experiência, arquivo, infância

PID: S1984-59872016000100179 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Aquino
Resumo A partir de uma leitura sumária da obra conhecida como Os jogadores de cartas de Caravaggio, sugere-se inicialmente uma plataforma analítica acerca dos diferentes regimes de tempo imanentes à experiência do viver e, mais especificamente, à apreensão narrativa do vivido. Eis o que estaria em questão também na peça Incêndios de Wajdi Mouawad, de 2003, bem como no filme correlato de Denis Villeneuve, de 2010, no que se refere ao tour de force operado pelos filhos da personagem Nawal, os quais herdam a tarefa de recompor a história pessoal de sua mãe e, por extensão, as suas próprias, fazendo com que passado e presente se digladiem e, então, se confundam na forja arquivística daquelas vidas. O acento argumentativo aqui ensejado volta-se não a uma possível reapropriação preservacionista da memória, mas à descontinuidade artificiosa do arquivo, segundo as acepções a este conferidas por Michel Foucault e Arlette Farge, abrindo caminho para uma perspectiva da educação como empuxo a um trânsito aberto e sempre instável com o extraordinário arquivo do mundo e as temporalidades vertiginosas nele atuantes. Calcado em tal premissa, o texto conclui propondo uma mirada em direção à infância como potência de reinvenção discursiva que os mais novos são eventualmente capazes de materializar a partir das pegadas que os mais velhos deixam para trás.

O devir-deficiente da pedagogia: notas para uma antropologia filosófico-educacional da plasticidade

PID: S1984-59872016000200231 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Freitas
Resumo Esse ensaio problematiza os processos formativos enquanto processos antropotécnicos, almejando contribuir com o debate acerca dos sentidos imanentes aos discursos que visam promover e difundir múltiplos aparatos para inclusão das diferenças. O argumento central defende que o abandono da reflexão em torno da noção de plasticidade tem privado a filosofia da educação de pensar os processos de exposição das vidas que não se deixam dobrar aos códigos normativos vigentes, ocultando um possível devir-deficiente da própria pedagogia. O devir-deficiente da pedagogia passa pelas manifestações expressivas das formas que explodem e que se fazem catástrofe. A plasticidade configura-se então como condição de possibilidade e como uma ameaça aos humanismos domesticadores. Seguindo as reflexões de Peter Sloterdijk e Catherine Malabou, a plasticidade é pensada como um indicativo de que toda vida humana se constitui como um acidente incontornável, sendo a deficiência apenas um limite nas tentativas biopolíticas de reconstituir um modelo ideal ou totalizante do humano. Assim, os deficientes podem guardar algumas lições inquietantes acerca de nossas máximas pedagógicas, apontando uma disposição ético-política para pensar a formação humana para além da noção de perfectibilidade. Dessa ótica, o devir-deficiente da pedagogia pode colocar em questão os arcanos quase esotéricos da reflexão pedagógica ocidental.

O diálogo humanizante como expressão de cuidado

PID: S1984-59872016000200443 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Bento
Resumo Enquanto construção de singularidades dialógicas difundidas na expressão da alegria e na manifestação do cuidado, é importante ressalvar a necessária congruência entre o pensamento e a ação como o verdadeiro jogo de afetos que constitui a humanidade. Assim, pretende-se esclarecer a posição de Matthew Lipman face a um re-nascimento significativo de uma ética do preferível como realização de uma satisfação que valoriza o hábito reflexivo, sobre si, sobre os outros e sobre o mundo, animados ou inanimados, ou seja, humanos e não-humanos, e, uma re-criação significante de uma experiência de vivência política como definição de um sentido de comunidade, e ainda, de relação humanizante, emocionalmente competente, fundada na tentativa de re-construir cooperativamente uma sociedade generosa, educadora e democrática. Eis um dos fundamentos da Comunidade de Investigação, que nomeamos, não apenas uma comunidade onde a atitude dialógica da comunicação permite reforçar o sentido de comunidade mas também onde reina a filosofia enquanto método e conteúdo investigativos, uma Comunidade Dialógica de Investigação Filosófica.

Por entre as chamas da infância: presente, memória e transmissão de experiências de violência estatal

PID: S1984-59872016000100155 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Jardim
Resumo A partir da peça Incêndios, de Wadji Mouawad, dedicamo-nos neste artigo a examinar os problemas que a transmissão de experiências de violência estatal coloca para as relações entre governantes e governados, alterando os contornos da cultura política contemporânea. Temos como pano de fundo as leituras foucaultianas de Édipo-Rei, de Sófocles, na medida em que o autor procura nela os traços de nosso “inconsciente político” no que se refere às relações entre poder, verdade e saber. Passamos à análise da peça de Mouawad, que, em nossa leitura, não apenas dialoga com Sófocles, mas atualiza a encenação dessas relações entre veridicção, aleturgia e poder, ao deslocar (conforme a experiência história do século XX) o lugar do testemunho para o reconhecimento que confirma a dimensão propriamente trágica do drama. Dedicamos atenção, em seguida, a pensar que lugar o testemunho ocupou no interior do quadro das diferentes respostas que cada estado nacional ofereceu ao problema da violência empreendida contra parcelas de sua população, conforme a norma jurídica do genocídio ou de crimes contra a humanidade. A partir da imagem forte oferecida por Mouawad, da infância como faca cravada no pescoço, encerramos nossas reflexões referindo-nos ao momento atual, em que se coloca para nós a tarefa de escutar o silêncio e abrir passagem para uma entrada decidida no agonismo da história - o que altera, sem dúvida, aspectos centrais das relações de governo nas quais nos movemos.

Sobre facas, infantia, e o inumano: uma leitura lyotardiana de Incendies

PID: S1984-59872016000100137 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Kennedy Kohan
Resumo Este texto é uma tentativa de oferecer uma leitura de Incendies, um filme canadense de 2010 escrito e dirigido por Denis Villeneuve, adaptado a partir da obra de Wajdi Mouawad, à luz da noção de infantia de J.-F. Lyotard. A partir desta perspectiva, fazemos uma distinção entre a infância como um etapa temporal da vida humana e a infantia como uma condição humana atemporal: infantia pode ser descrita como a diferença entre o que pode e o que não pode ser dito - o indizível, algo perdido que habita, imperceptivelmente, o dizível como sua sombra, o seu lembrete, algo tácito que funciona como uma condição de possibilidade, a fim de que algo significativo possa ser dito. Como tal, é uma forma do inumano, oposta a outra forma de o inumano, chamado de "desenvolvimento", "competição", "democracia representativa", "mercado", "mundo livre", ou simplesmente "capitalismo". Lyotard afirma que a tarefa política da literatura e da arte é lembrar aquele outro desumano, o que cada alma humana carrega pelo fato de ter nascido de uma necessidade, forçada a abandonar sua condição de indeterminação. "Política", para Lyotard, é a resistência ao inumano da ordem capitalista por meio de lembrar esse outro inumano a partir do qual toda ordem emerge. Esta é a força estética e política de Incendies: apresentar a nós, por meio de sua heroína, "a mulher que canta," um apelo para lembrar o desumano silenciado de onde viemos, e que nossa vida social nos fez esquecer.

Uma infância, um silêncio, um aprendizado do gesto

PID: S1984-59872016000100047 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Ribeiro
Resumo Incêndios, peça teatral escrita pelo libanês Wadji Mouawad e publicada em francês em 2003, sugere, a partir da singularidade de uma condição histórico-familiar, uma incursão analítica nas questões que remetem às relações entre gestualidade, ética, política e infância. A análise elege dois momentos da obra teatral para conduzir a argumentação: a) os efeitos do gesto de silêncio da personagem Nawal; b) a conclamação ao gesto de escrita que perpassa as três gerações de mulheres. O ensaio organiza-se a partir de três planos analíticos. Num primeiro, a partir da questão do silêncio do gesto, buscamos, na companhia de Giorgio Agamben, explorar as relações entre politização e estilização da gestualidade. Em seguida, no horizonte do pensamento de Gilles Deleuze e Félix Guattari, buscamos tomar a dimensão do gesto como recurso estratégico, da ordem dos signos, na produção de cartografias do viver. Argumentamos que as urgências cartográficas constituem-se como trabalhos de estilização e politização das formas de vida, demandando uma articulação entre política da atenção e gestualidade. Num terceiro movimento, o trabalho busca aproximar a questão da gestualidade numa perspectiva de aprendizado, apontando os efeitos dessa experiência para tomarmos infância como uma força pervasiva capaz de ubiquidade num tempo qualquer e em toda parte. A análise conclui sobre o caráter de impessoalidade do gesto e de sua respectiva potência como assinatura do mundo.

Uma outra língua: o dizer infantil

PID: S1984-59872016000300585 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Silva Lima
Resumo Este trabalho resgata um “dizer infantil”, apresentado na última seção da pesquisa de mestrado, realizada entre 2014 e 2016 no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Alagoas (PPGE/UFAL), cujo tema traz “OS ENIGMAS DE INFÂNCIA E EXPERIÊNCIAS EM UMA ESCOLA PÚBLICA DA CIDADE DE MACEIÓ/AL: o que revelam?”. Assim, esta pesquisa é um desejo inaugural para pensar a infância no estado de Alagoas. Buscamos neste estudo conhecer o cotidiano de crianças para problematizar quais os enigmas que permeiam as temáticas infância e experiência. Para esta pesquisa, dialogamos com a criança de Nietzsche, a partir do personagem Zaratustra presente na visão “Das três Metamorfoses”. Com Kohan (2007, 2011), fazemos uma leitura infantil da infância, em um tempo sem determinação; o tempo aión da criança de Heráclito. Larrosa (2009, 2013) nos traz uma outra compreensão da experiência na medida em que ela, assim como a criança de Nietzsche e a infância em Kohan (2007, 2011) vem para interromper com um conforto linguístico que busca ser coerente e verdadeiro. O tema deste colóquio Mundos que se tecem entre “nosotros”: o ato de educar em uma língua ainda por ser escrita, nos modifica, a medida que nos força a abandonar, ainda que momentaneamente, a língua adulta da filosofia e arriscar-se a escrever e ouvir em uma língua infantil. Nesta perspectiva, este trabalho traz um dos registros da pesquisa de mestrado. Nele, há um “dizer infantil” que desenha uma escola pública desde as suas próprias experiências, cuja língua não é possível de ser decifrada. E nem poderia.

Ética da amizade e deficiência: outras formas de convívio com o devir deficiente na escola

PID: S1984-59872016000200343 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Pagni
Resumo Após a implantação das políticas de inclusão, no Brasil, tem sido cada vez mais frequente a ocorrência de relações de amizades entre os atores da escola denominados “deficientes” com os demais. Muitas vezes, tais relações ultrapassam o tempo e o espaço, os saberes e o currículo escolar, produzindo modos de existência comuns e uma ética transversal, raramente vistos pela instituição. Essa invisibilidade é acentuada ainda mais no cenário biopolítico atual, que corrobora certa desconfiança referente aos modos de existência deficientes e ao devir comum que produzem nas relações amistosas entretecidas pelos atores da escola. Nessa conjuntura, este ensaio analisa a ética da amizade com os deficientes e a confiança como uma das condições de sua consecução na escola. A partir da estética da existência de Michel Foucault, objetivamos discutir: (1) se a amizade com a deficiência pode se apresentar como uma nova ética, capaz de interpelar os dispositivos formais e de resistir às tecnologias de biopoder da escola, quem sabe, criando outras formas de inclusão; (2) se a confiança no devir comum produzido nessas particulares relações amistosas pode ser considerada uma das condições de sua consecução e como uma estratégia para reverter a atual desconfiança no deficiente, em vistas a minimizar o temor e a visibilizar o signo do acontecimento da vida que representa. Com a discussão dessas questões, esperamos contribuir para que a amizade com a deficiência seja vista como signo de uma formação dos atores da escola e a confiança no devir deficiente se torne visível como uma luta transversal comum que, além de condição para a consecução da ética da amizade, se apresente como uma estratégia política importante para potencializar essas vidas distintas que merecem ser vividas.

“Incêndios” ou da experiência primária da existência

PID: S1984-59872016000100009 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2016
Autores: Marín-Díaz
Resumo Dois nascimentos, cinco silêncios. No trabalho Incêndios a infância é a experiência do ser marcada pela profunda relação espacial que significa transitar, viver e habitar um espaço, aquela experimentada no “afogamento ao nascer quando falta o ar, precisamente porque se acesa de imprevisto a ele” (SANFRANSKI, 2014, p. 15). A partir de duas figuras de infância que oferece Incêndios - o nascimento e o silêncio - o artigo apresenta um exercício de reflexão sobre aquilo que significar construir, percorrer e habitar um mundo marcado por experiências infantis. Nesta análise usa-se a lente arqueológica e genealógica proposta pelo filósofo alemão Peter Sloterdijk, derivado do pensamento de Heidegger e Foucault, para ler a infância como a experiência primária do existir, como o espaço de trânsito e habitação no qual se configura e se constrói o humano: desde o ingresso ao mundo, desde os primeiros instantes de sua construção, no trânsito entre a esfera primária de vida - a “clausura mãe” - e a esfera animada e vivida - o “receptáculo”, (SLOTERDIJK, 2014) - ocorre a experiência infantil e, com ela, a complexa produção-relação-trânsito entre mundos habitados, aquela que define a intensidade, a admiração, o desconcerto, a simpatia e a angustia… de viver.
Reportar erro A