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A criança, a literatura, e a filosofia

PID: S1984-59872015000200377 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Chirouter
Resumo Não há idade para fazer perguntas filosóficas e, desde muito cedo, diante do espanto perante o mundo, as crianças perguntam sobre a vida, a morte e as relações humanas. A criança seria por excelência aquele que, nas palavras de Deleuze, faz de "idiota" e levanta a questão do por que e da essência das coisas com ingenuidade e intensidade. A prática da "filosofia com crianças" está bem desenvolvido na Europa ao longo dos últimos vinte anos. Esta prática responde à necessidade de democratização de uma disciplina considerada demasiado frequentemente como hermética e elitista. Ao mesmo tempo, a literatura juvenil parece ter considerado estas questões metafísicas. Os programas de literatura nas escolas primárias também enfatizam esta dimensão das obras literárias e incitam debates reflexivos. É nesta brecha que os que desejam uma introdução precoce à filosofia se instalaram para criar sessões em salas de aula. O mundo da infância poderia hoje, assim, ser a ponte que permitiria conciliar duas disciplinas cuja história é escrita desde muito antigamente sob os sinais da concorrência e desconfiança mútuas. Elas poderiam, assim, recuperar a sua aliança original: para além das formas específicas que elas têm com a linguagem, ambas são discursos que procuram dar sentido e inteligibilidade à nossa existência. Disciplinas conflituosas por demasiado tempo, literatura e filosofia, não encontrariam uma nova complementaridade através do desenvolvimento conjunto de sua didática com as crianças?

A novela filosófica para meninas e meninos: uma ideia nova

PID: S1984-59872015000100037 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Cam
Resumo: Dada as diferenças óbvias entre contar uma história e o estabelecimento de uma teoria filosófica ou um argumento cuidadosamente raciocinado, a narrativa filosófica é, a primeira vista, um gênero improvável. Ainda mais problemático é o caso da novela filosófica para crianças, sendo considerados filosofia e crianças, nos olhos da tradição, como um conjunto não menos problemático. As novelas filosóficas de Matthew Lipman têm constituído desde há muito tempo uma prova de que tal gênero é possível. No entanto, o mero feito de sua possibilidade não anula a ponderação de que a forma está desfigurada. De fato, sem um exame mais detido, quem pode dizer que a novela filosófica não é senão um mestiço como a filosofia e a literatura? Uma novela escrita para crianças pode ser chamada de filosófica somente por cortesia? Neste trabalho destaco o que faz uma escritura filosófica para logo aplicá-lo às novelas filosóficas para crianças com o objetivo de explorar tanto as dificuldades quanto as possibilidades deste gênero.

Apenas diga o que realmente você pensa sobre drogas: cultivando a educação sobre drogas através da Comunidade de Investigação Filosófica

PID: S1984-59872015000200361 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Asgari Weber
Resumo Pesquisas mostram que o programa educativo de prevenção ao uso de drogas, cujo objetivo é assustar ou inibir os jovens a fim de mantê-los na abstinência, não foi efetivo no que tange ao problema da toxicodependência. A ineficácia dessas táticas assustadoras de aproximação ao problema levou aos idealizadores do programa a focar na prevenção e na diminuição do prejuízo associados ao uso de drogas, ou, mais genericamente, na promoção de educação em saúde. Embora significativos programas educativos desenvolvidos nas últimas décadas tenham utilizado a metodologia do debate e, assim, encorajado os estudantes a se expressarem e a serem pensadores críticos em relação ao uso da droga, suas efetivas implementações têm sido um desafio. Esse artigo apresenta a Comunidade de Investigação Filosófica como uma aproximação pedagógica a fim de promover uma educação sobre drogas. Essa abordagem é usada tanto como conteúdo quanto como meios para o desenvolvimento profissional de professores do ensino médio a fim de que os professores assumam seus papéis significativos nesses programas. O objetivo central dessa abordagem é ajudar os professores a tomarem ciência e reavaliar seus preconceitos, suas crenças e comportamentos para que estejam preparados para facilitar uma discussão não estereotipada, senão aberta e reflexiva, sobre os temas relacionados ao uso de drogas. A ideia geral desse artigo está baseada num projeto de pesquisa em andamento financiado pela organização Mitacs. É discutido, aqui, a importância desse projeto primeiramente apresentando os métodos e as abordagens teóricas existentes na área. A partir de então, é mostrado como a Comunidade de Investigação Filosófica pode contribuir para a abordagem tradicional da educação sobre drogas. Finalmente, o artigo descreve como a metodologia e as fases do projetos estão ancoradas num processo dialógico que aspira a uma estreita colaboração com os professores.

Apreciando com cuidado: o lugar das narrativas numa educação filosófica

PID: S1984-59872015000100023 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Turgeon
Resumo: Recentemente deu-se à ficção um papel central para o envolvimento com o pensamento filosófico, especialmente dentro de um contexto educativo. Encontramos muitas configurações destas intersecções do narrativo, do filosófico, e precisamos notar as variações entre elas, se examinarmos criticamente a forma em que cada uma delas opera. Aqui cabe uma pergunta inquietante: pode realmente a ficção oferecer ideias filosóficas enquanto literatura, sem ser ela mesma filosófica? Enquanto as alegorias e as analogias tem uma larga e frutífera história de elucidação de complexas ideias filosóficas, os filósofos se deram o trabalho de se diferenciar dos criadores de histórias. Os filósofos preferiram os pensamentos sustentados em argumentos racionais em vez das sugestões imaginativas, Ficção não é filosofia. Este trabalho explorará as distintas formas que a narrativa como filosofia pode tomar e oferecer uma avaliação dos méritos relativos destas histórias como convite ao pensamento filosófico.

As novelas de Lipman ou virar a filosofia de cabeça para baixo

PID: S1984-59872015000100081 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Oliverio
Resumo: A partir dos trechos da autobiografia de Lipman, nos quais se representa a descrição de uma espécie de “cena primária” de P4C, o presente artigo se propõe mostrar como a noção de pensamento qualitativa de Dewey é fundamental em toda a obra lipmaniana. A distinção de Dewey entre “situação” e “objeto” no pensamento é lida no interior da diferenciação que Lipman faz entre esquema e conceito para analisar as razões pelas quais a narrativa tem um papel crucial no projeto de educação para o pensamento. A mobilização da narrativa implica um movimento de virar a história da filosofia de cabeça para baixo, o que pode ser considerado o maior êxito (educativo e filosófico) de Lipman. Esse movimento é oposto à mera historicização e pode também ser construído em termos de “dramatização”, culminando na Bildung.

Da confusão ao amor: O rato o sua criança de Russell Hoban como novela filosófica

PID: S1984-59872015000100093 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Costello
Resumo: A fomosa novela para crianças de Russell Hoban, O rato e sua criança, se centra em volta da busca de uma criança por uma família, comunidade e autoconsciência. Este trabalho se propões descrever esta novela como filosófica na medida em que retoma temas e elementos do ensaio de Merleau-Ponty “As relações das crianças com os Outros”. Devido ao fato que o rato e seu pai se unem, porque descobrem que o que os move é um problema e trabalham atravès da ambiguidade até uma comunidade amorosa, a novela põe emfasis particular no que Merleau- Ponty chama intercorporeidade e a forma da percepção da criança da ambiguidade pode conduzir a um compromisso no patológico com os outros de uma forma amorosa, reflexiva. Finalmente, esta trabalho sustenta que a novela debe ser lida e ensinada às crianças, já que representa para elas a emoção, a linguagem, o desejo de uma criança como catalizador para o crescimento, inclusive dos adultos.

Descobrindo a eficácia da investigação filosófica com crianças

PID: S1984-59872015000200329 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Aslanimehr
Resumo Este artigo apresenta um estudo crítico do movimento da Filosofia para Crianças (FpC), que visa à expansão de habilidades de pensamento crítico, criativo e cuidadoso em estudantes por meio do diálogo filosófico. Descreve que tais práticas são capazes de incentivar as crianças a assumirem a responsabilidade no reconhecimento de seus pensamentos e ações, dando contorno ao que elas estão se tornando. O artigo delineia o desenvolvimento histórico dessa abordagem dialógica, para, em seguida, concentrar-se em alguns dos desafios e soluções a respeito da prática de filosofia para crianças. Algumas das principais preocupações levantadas pelos críticos da prática filosófica são abordadas usando argumentos filosóficos, sociológicos e psicológicos, antes de pesquisar a evidência da efetividade de tal abordagem. Este artigo apresenta uma revisão crítica dos estudos que implementaram a investigação filosófica com crianças em diferentes contextos educativos para considerar que esta prática possibilita às crianças a participação em uma comunidade aberta por meio da razão. O argumento conclusivo considera implicações para a prática filosófica tanto nos campos de sua implementação na educação quanto para futuros rumos na pesquisa. Esse artigo traz a afirmação final de que Pesquisa Filosófica Engajada é um meio crucial e necessário para a fazer emergir e promover crescimento social e emocional nos alunos, que podem alcançar um sentimento estável de bem-estar pessoal.

Deslocamento de poder: brincadeira e instituição na primeira infância

PID: S1984-59872015000200241 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Lee
Resumo Existe um fermento considerável de pesquisas considerável a respeito da natureza mutante das brincadeiras das crianças e seu lugar na infância contemporânea. Perspectivas tradicionais em pesquisas sobre primeira infância tenderam a trivializar e obscurecer possibilidades inerentes às formas de aprender das crianças. Pesquisadores raramente perguntam às crianças o que brincar significa para elas. Este artigo propõe uma imagem relativamente nova de infância, que apresenta as crianças como colaboradoras na pesquisa, como competentes intérpretes da própria experiência vivida. Aponta possibilidades de promover a voz das crianças, valorizando suas contribuições e sua cooperação na investigação em comunidade e, por fim, garantindo um lugar significativo para suas perspectivas no discurso sobre a infância. A pesquisa sobre a qual esse artigo se baseia investiga o conhecimento das crianças: seu conhecimento sobre o que é brincar, como isso é experimentado e qual o papel da brincadeira em suas vidas, na escola e em casa. Entrevistas conduzidas com alunos da escola elementar revelaram como eles percebem sua vida em relação ao dominante mundo dos adultos. Pais e professores são vistos como aqueles que definem, controlam e punem a brincadeira. Essas crianças recorrem às particularidades e aos contextos de eventos cotidianos para descrever o significado da brincadeira em suas vidas. Brincadeiras surgem tal como um estado mental, invariavelmente relacionadas a temas como autonomia, instituição e poder.

Elaborando o “diálogo” nas comunidades de investigação: atenção ao discurso como um método para a facilitação do diálogo através da diferença

PID: S1984-59872015000200299 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Vadeboncoeur Alkouatli Amini
Resumo Nas comunidades de investigação, o diálogo é tanto um método quanto um resultado da investigação coletiva. De fato, os aspectos do diálogo - incluindo, aí, a elaboração e a colocação de perguntas, o desenvolvimento de hipóteses e explicações, e a proposta e a demanda de razões - são, frequentemente, sublinhados como tendo um papel significativo na qualidade do desdobramento do diálogo. Nos questionamos, ainda, sobre a qualidade do diálogo, argumentando que o diálogo deveria permitir a expansão, mais do que a condensação, da abertura epistemológica, e que é especialmente importante, nas comunidades multiculturais de investigação, reconhecer as diferenças culturais, perspectivistas e experimentais que existem junto às similaridades como recursos para o diálogo. O propósito deste artigo é destacar duas práticas discursivas que exemplificam a natureza do discurso como uma prática social e que pode ser usada na comunidade de investigação. Atentar para essas práticas discursivas pode possibilitar professores e alunos a refletirem sobre os desdobramentos do diálogo. Primeiramente, situamo-nos em uma sala de aula multicultural da Colúmbia Britânica do Canadá. Articulamos três princípios da comunidade de investigação e, em seguida, descrevemos e exemplificamos duas práticas discursivas: harmonia heteroglóssica e conhecimento lexical. Quando atendidos por professores e estudantes, 1) a harmonia heteroglóssica permite professores e estudantes a começarem a identificar, refletir e discutir sobre as vozes e as perspectivas que são configuradas, uma vez que os participantes investigam juntos, e 2) o conhecimento lexical permite professores e estudantes a começarem a identificar suas atribuições de pensamento e de sentimento para os atores sociais e a reconhecerem e nomearem as posições dos atores sociais em relação a um conjunto de relações sociais. Mais do que um meio de comunicação neutra, o discurso social e o diálogo possuem valores inerentes agregados. Atentar cuidadosamente para o discurso que constitui o diálogo na comunidade de investigação é uma importante ferramenta pedagógica tanto para professores quanto para alunos expandirem sua abertura epistemológica e tornar visível a aprendizagem que se desenrola.

Filosofia com crianças, a linha de pobreza, e a sensibilidade socio-filosófica

PID: S1984-59872015000100139 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Kizel
Resumo: Uma filosofia com crianças de uma comunidade de inquérito alenta as crianças para que desenvolvam uma sensibilidade filosófica que implica na tomada de consciência sobre questões abstratas relacionadas à existência humana. Quando esta sensibilidade opera, permite uma introspecção sobre aspectos filosóficos significativos de várias situações e de suas análises. Este artigo busca contribuir para a discussão da sensibilidade filosófica, adicionando uma dimensão, quer dizer o desenvolvimento de uma sensibilidade sociofilosófica por meio de uma comunidade de inquérito centrada em textos relacionados com estes temas e uma análise deles com a ajuda de ferramentas narrativas que expliquem os movimentos filosóficos das crianças. A capacidade de fazer perguntas sobre temas sociais e econônmicos complexos e de se fazer perguntas sobre si mesmo, é portanto, também exemplificada na desconstrução das “grandes narrativas “ e sua transformação em dimensões humanas mais acessíveis. A primeira sessão do trabalho apresenta o marco filosófico com o qual as discussões deste tipo são conduzidas com crianças e os antecedentes históricos neste campo como um método empregado globalmente. A segunda sessão examina manuscritos escolhidos de encontros filosóficos nos quais as crianças discutem sobre temas econômicos e sociais. A terceira parte se dedica a uma análise narrativa do discurso filosófico que tenta ampliar a discussão sobre a relação entre filosofia com crianças e a forma como as próprias crianças constroem sensibilidades filosóficas que podem se desenvolver como sensibilidades socio-filosóficas. No caso das discussões relacionadas ao tema da pobreza as crianças realizaram perguntas básicas relacionadas com o núcleo da filosofia. Como era de se esperar, elas não fizeram uso exclusivo de exemplos. Sua capacidade para fazer frente a estes temas permitiu uma discussão que as levou a desenvolver um pensamento cuidadoso que é a base de um pensamento amistoso. Este se embasa em uma sensibilidade social fundada na empatioa e no nascimento de argumentos lógicos.

Filosofia para crianças como um deslocamento para o ensino em uma era de muita aprendizagem

PID: S1984-59872015000200223 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Bingham
Resumo Nesse artigo, contextualizo a abordagem da comunidade de investigação e a Filosofia para Crianças, dentro do atual contexto educativo. Especificamente, argumento que, enquanto a literatura acadêmica em torno da Filosofia para Crianças teve a tendência de criticar os problemas da autoridade docente e a transmissão de conhecimento, devemos considerar os cenários educativos sutis que têm a centralidade no aluno como uma ameaça à Filosofia para Crianças. Começo apresentando uma anedota pessoal de minha própria experiência como aluno da escola primária em 1968. Uso essa anedota para mostrar o aspecto prejudicial dessa virada em torno do aprender - e o concomitante afastamento do ensinar - nas últimas cinco décadas. Continuo detalhando o que chamo de “a lógica do aprender”, que tem cinco componentes: 1) O aprender tem uma teoria, ou uma “lógica”, que os estudantes podem descobrir; 2) O aprender é um instrumento que as pessoas precisam aprender a fim de que adquiram alguma coisa após a finalização do processo de aprendizagem; 3) O aprender diz respeito à “normalização”, ou algumas pessoas aprendem certo enquanto outras não; 4) Ensinar é o mesmo que instruir, pois ensinar sempre significa dar conhecimento aos estudantes; 5) A autoridade deveria se estabelecer como uma posse do aprendiz, então a autoridade seria entendida como uma coisa mais do que como uma relação. Mostro que esses elementos da lógica do aprender são um impeditivo para os objetivos da Filosofia para Crianças, e que os opositores da Filosofia para Crianças usam esses elementos para criticar este projeto. Continuo descrevendo uma concepção relacional de autoridade. Demonstro a importância da autoridade relacional e do ensino relacional como componentes principais da Filosofia para Criança. Finalmente, concluo que a Filosofia para Crianças precisa encabeçar um movimento a favor do ensino relacional.

Filosofia para crianças, comunidade de investigação, e direitos humanos

PID: S1984-59872015000200319 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Mizell
Resumo A Comunidade de Investigação (CoI) é um singular modelo de discurso que reúne adultos e crianças em torno de discussões colaborativas a respeito de temas filosóficos e éticos. Este artigo examina o potencial para CoI para aprofundar o entendimento moral e intelectual por meio do discurso recorrente que encoraja as crianças a transcenderem suas limitações culturais, confrontar suas próprias predisposições morais, e aumentar a compreensão intercultural. Na medida em que as crianças se familiarizam com valores normativos formulados no diálogo ético, elas são imersas em ideais de reciprocidade e empatia em forma que transcendem um estreito auto-interesse. A técnica sustenta a liberdade de pensamento e de consciência das crianças em tanto elas aprendem a expressar suas visões e a escutar as perspectivas dos outros. A comunidade de investigação é uma prática funcional que expande uma profunda e prática educação da personalidade. Tais diálogos podem tornar-se efetivos veículos para introduzir crianças nas discussões de dignidade humana e direitos, e também desafiam as tradicionais relações de poder entre adultos e crianças. O pressuposto acrítico subjacente a tais disparidades de poder frequentemente contesta com os direitos e a dignidade das crianças. A CoI é uma ferramenta valiosa para educação em direitos humanos, já que incentiva a sensibilidade das crianças para os direitos e dignidade de outros e, simultaneamente, honra os direitos e a dignidade das próprias crianças como cidadãs participantes da comunidade global.

Fundamentos da democracia e sustentabilidade: poder, realidade e dragões

PID: S1984-59872015000200283 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Anderson
Resumo O papel do facilitador dentro das Comunidades de Investigação Filosófica (CIF) tem sido frequentemente destinado a estruturar as interações do grupo e/ou confirmar as contribuições dos participantes. Neste artigo, entretanto, será sustentado que facilitadores devem assumir um papel muito mais ativo no diálogo do que tem sido reconhecido até aqui. Este é o caso porque, quando deixado a seus próprios dispositivos, o diálogo da CIF frequentemente se transforma em mera opinião, tornando-se obscuro e/ou ficando submerso por um excesso de conteúdos irrelevantes. Será argumentado que esses efeitos, por sua vez, colocam uma séria ameaça ao facilitador. Isso é, por turvar o diálogo, esses efeitos podem romper o elo entre o colocado pelo agente motivacional e o assunto em questão e, consequentemente, podem levar os agentes a interiormente se desinteressar pela discussão em curso. Dado o perigo que o diálogo não controlado coloca ao facilitador, será argumentado que o facilitador deve estar atento para prestar assistência à saúde do ambiente linguístico que ambos, agentes e participantes, ocupam. Isto é, será argumentado que os facilitadores tenham responsabilidade de cuidar das intervenções dos participantes, intervindo no diálogo e promovendo rigor e clareza. Interessantemente, esse modelo ecocêntrico de cuidado com frequência colide diretamente com uma posição mais intuitiva ou biocêntrica, segundo a qual o facilitador deve diretamente cuidar para o bem estar afetivo ou emocional dos participantes, comemorando suas contribuições para o bem da discussão. Em vez disso, é sugerido que os facilitadores possam, indiretamente, cuidar dos participantes estrategicamente, incitando-os a fazerem suas contribuições logicamente fundamentadas, concisas e claras. Mais que isso, essa perspectiva ecocêntrica também se confronta com a ótica frequente segundo a qual o facilitador é uma figura temporária que deveria, finalmente, se tornar obsoleta na FpC. Contrariamente, a perspectiva ecocêntrica sugere que o papel do facilitador é indispensável para sucesso da FpC, à medida que ajuda a criar e a manter as condições necessárias para o investimento do agente, e ajuda a assegurar a continuidade do ecossistema linguístico, do qual depende, crucialmente, o bem estar de todos.

Fundamentos da democracia e sustentabilidade: poder, realidade e dragões

PID: S1984-59872015000200265 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Donald Bowen
Resumo Com o objetivo de compreender melhor como a Pesquisa Filosófica Engajada pode ser utilizada com crianças pequenas (4 anos) em assuntos relacionados ao meio ambiente florestal local, o presente estudo apresenta algumas descobertas de um projeto piloto de um ano e um estudo posterior acontecido num abrigo para crianças e numa floresta do entorno. Utilizando métodos de pesquisa etnográfica, consideramos, transcrevemos e analisamos vídeos digitais, registros fotográficos e áudio das atividades em resposta à pregunta: praticada com crianças de quatro anos como pode a pesquisa filosófica engajada ser usada como forma de investigar acerca do meio ambiente e do conceito de sustentabilidade? Esta pesquisa foi realizada em colaboração com crianças usando um modelo construído de comunidade democrática e uma pedagogia holística que permitiu achados relativos à: 1) processos de construção de uma comunidade democrática; 2) o uso do contexto para focar nossas discussões; 3) otimizar a pertença e o tamanho de um grupo; 4) pedir a palavra e o papel do moderador, incluindo contextualizar o propósito, questionar, clarificar e reiterar as ideias das crianças. Concluímos que crianças dessa idade são capazes de comprometer-se numa discussão filosófica com a ajuda de um moderador hábil e de oportunidades de comprometer-se experiencialmente em atividades relacionadas ao fluir da discussão.

Merleau-Ponty: sobre crianças e infância

PID: S1984-59872015000200203 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Bahler
Resumo Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) não só publicou nos campos da fenomenologia, estética, política e linguística, como também lecionou como professor de psicologia infantil, o que resultou na publicação de vários textos especificamente voltados à infância. Os trabalhos mais importantes são “As relações da criança com os outros”, “Consciência e a aquisição da linguagem” e “Psicologia e pedagogia da criança: cursos da Sorbonne, 1949-1952”. E, ainda, a questão da criança aparece ao longo de todo seu trabalho. Então, torna-se um pouco difícil limitar a filosofia da infância de Merleau-Ponty a um texto ou tema específico, na medida em que sua filosofia da infância toma força, em seu projeto filosófico, de sua descrição complete do eu, dos outros e do mundo. A investigação da criança não foi uma fase na trajetória de Merleau-Ponty: foi o que guiou seu projeto inteiro. Merleau-Ponty está convencido, contudo, que seu trabalho na psicologia e na filosofia não deve ser visto como projetos distintos. Antes, ele repetidamente assinala um entrelaçamento entre filosofia e psicologia, eu e outro, teoria e prática, e (como Freud) a duração da influência da infância na vida adulta. Sob esta perspectiva, os textos a seguir, tanto de trabalhos “filosóficos” quanto de trabalhos “psicológicos”, atribuiu um sentido à importância que a criança tem no projeto geral do Merleau-Ponty, particularmente no seu trabalho sobre a intersubjetividade e a relação entre pais e filho.

O conceito de infância em Walter Kohan no contexto da invenção de uma escola popular

PID: S1984-59872015000100163 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Durán
Resumo: O presente trabalho se propõe pensar o conceito de infância proposto por Walter Kohan como uma condição de possibilidade para a criação de um conceito de escola diferente do tradicional. De acordo com nosso ponto de vista a ideia filosófica da infância proposta por esta autor não pode ser acolhida em uma instituição escolar tal como nós conhecemos dada sua radicalidade e originalidade. Para ele se realiza uma apresentação crítica da imagem de infância proposta pelo autor e uma contraposição com as visão tradicional da infância e da escola. Depois de avaliar os limites e alcances da ideia pensada por Kohan no âmbito da instituição escolar o texto propõe a criação de um conceito de escola diferente: a escola popular. Em função do que se tenta mostrar se sustenta que a instituição escolar em sua concepção tradicional não pode receber em seu seio uma ideia de infância como a que põe Kohan dado seu caráter desarticulador e desinstituinte. Devido a isso se afirma um conceito de escola que possa alojar a infância. Para tanto o texto se apoia nos trabalhos de Rancière, Masschelein, Simons e Simón Rodríguez. O atuar e o pensar de Rodríguez na cidade de Chuquisaca dá lugar a uma aparição inédita para a educação da época. Em virtude dessa aparição, Rodríguez se vê obrigado a buscar um conceito que dê conta dela. Assim nasce a educação popular como conceito que nomeia a novidade em Chuquisaca. O artigo pondera que a escola popular criada por Rodríguez em 1826 oferece uma forma de escola completamente inovadora cujas implicações ainda hoje podem ser observadas. Para nós esta forma inovadora oferece as condições de possibilidade para receber em seu interior uma ideia de infância como a que se coloca no começo deste trabalho.

Que imagem da aporia têm os alunos imersos no coração do dispositivo de tutoria aporética?

PID: S1984-59872015000100105 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Hess
Resumo: Com a perspectiva de ajudar as crianças a constituir uma identidade cidadão e uma melhor autonomia de pensamento, a Unidade de Pesquisa em “Filosofia para crianças e adolescentes” (PPEA) do HEP Friburgo, Suíça, oferece um método para guiar a discussão filosófica: tutoria aporética. Esse método inspirado pelo platonismo consiste em por as crianças frente a uma aporia que as obrigue a desafiar suas próprias opiniões e portanto confrontá-las com os limites de seu pensamento crítico. Durante o ano escolar de 2013, alunos da 5a série (10 e 11 anos) participaram de 23 classes de tutoria aporética do PPEA. Ao final lhes foi pedido, através de um questionário e de uma entrevista semiestruturada, que digam o que pensavam a respeito da aporia. O propósito era observar se eles consideravam a aporia como uma ajuda o um obstáculo para o pensamento crítico e usar os resultados para validar qualitativamente a tutoria aporética. Este artigo descreve a pesquisa da tutoria aporética tal como a assinala a Unidade de pesquisa PPEA da HEP Friburgo. A segunda parte apresenta informes dos resultados de análises qualitativas da aporia realizada por alunos que participaram do projeto de tutoria aporética.

Regras éticas e habilidades específicas

PID: S1984-59872015000100067 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Dixon
Abstract: In this paper I explore what the P4C philosophical novel can contribute to deciding how we should use ethical rules in moral education. As I see it the philosophical novel urges us to regard ethical rule-following with some suspicion. Instead we are directed to appreciate the particular contexts and circumstances of ethical thinking, saying, and doing. But if we don’t teach ethics by the rules, then what is the alternative pedagogy? One possibility is to cultivate ethical expertise by analogy to an epistemic skill model of practical activity, as some moral particularists have urged. Employing a skill model has significant implications for teaching ethics in a wide range of institutional settings where general rules and principles typically prevail.

Relação situacional e prática filosófica

PID: S1984-59872015000100055 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Carpentieri
Resumo: Este trabalho explora a questão de saber se as novelas filosóficas podem chegar a ser um modelo funcional para a praxis filosófica. Argumento que a novela filosófica é uma ferramenta para a ativação de um processo relacional mediante o conceito de “relação situada”. Uma “relação situada” é uma prática relacional, a qual é contextualizada e exercida em e entre o pensamento, a linguagem e a ação no âmbito de um processo educativo que se converte em um diálogo orientado para a inversigação atravès de redes relacionais. Essa forma de pensar não somente é Logos, senão também Patohos e Ethos na medida em que a interconexão de pensamento, linguagem, significado e comportamento se faz manifesta, reconhecida e praticada em e com o pensamento. Mediante o fomento da tomada de consciência das dimensões cognitivas e afetivas, essa forma de pensamento pode extender essa consciência a uma dimensão relacional interpessoal e intrapessoal dentro de uma forma circular constante de complementaridade.

The theoretical and pedagogical significance of the philosophical novel and philosophy for/with children: introduction to the special issue on the philosophical novel for children

PID: S1984-59872015000100011 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2015
Autores: Marzio
Resumo: Neste artigo proponho uma introdução para o número especial sobre as novelas filosóficas para crianças assinalando uma lacuna no campo teórico da filosofia para/com crianças. Sugiro a necessidade de mais investigação sobre esse tema porque constitui uma peça central no programa de estudos de Filosofia para Crianças desde uma visão lipmaniana. Descrevo a gênesis da ideia de este número especial que surgiu pela primeira vez de uma série de perguntas e experiências que encontrei enquanto trabalhava com as novela filosóficas de Lipman, em seguida a travès da exploração escolar do modelo teórico das novelas filosóficas para crianças de Lipman e culminou com a apresentação de vários dos artigos publicados aquí, em um simpósio especial sobre a novela filosófica num encontro da Associação Filosófica dos Estados-Unidos. Concluo com um adiantamento dos artigos desse número, destacando uma série de temas e preocupações compartilhados.
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