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De um espaço de fora e do outro lado da rua: a visão dupla de matthew lipman

PID: S1984-59872011000100002 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Kennedy
Resumo: Esta análise da autobiografia de Matthew Lipman, Uma vida ensinando a pensar, é o reflexo dos temas e planos de sua extraordinária e produtiva carreira. Seu livro começa com as memórias da sua tenra infância e sua preocupação com a possibilidade de poder voar, vai através dos anos durante os quais sua família lutou com os efeitos da Grande Depressão, passa pelos anos de seu serviço militar durante a Segunda Guerra Mundial, sua descoberta pela alegria e beleza da filosofia, seu crescimento acadêmico na Colômbia University, sua estadia Fullbright em Paris, e sua carreira no começo e no final. O projeto educativo de Lipman se direcionou em quarto direções correlacionadas: a prática da filosofia para crianças, que foi inventada por ele e que apresenta um desafio epistemológico com o segundo campo, filosofia da educação, que é tão impressionante quanto foi a de Rousseau há duzentos anos atrás. Em terceiro lugar, ele trabalha com a área da chamada teoria da filosofia da infância, sobre a qual a prática da filosofia para criança é um tipo de ação-mediação, incitando os adultos a refletirem sobre as diferença e similitudes das crianças em relação aos adultos, no mesmo tempo e espaço discursivo. Finalmente, sua prática também implica no confronto com as filosofias da criança, pragmaticamente representadas pelo trabalho de Piaget, que representa a epistemologia da infância como evidências de várias variações genéticas e epigenéticas baseadas no desenvolvimento cognitivo em etapas. A conseqüência de uma educação desta confluência era a metodologia da comunidade de investigação, que seria como uma ponte entre os dois filósofos da educação mais influentes do século XX - John Dewey e Paulo Freire. Uma prática educacional que surge da sua tentativa, com toda sua aparente simplicidade, operacionaliza uma postura epistemológica pós-colonial em relação à infância e à criança, tira o fundamento que sustenta a escola como um aparato ideológico do estado, e dá ao ensino elementar o poder de ser o primeiro espaço para a teoria e prática democrática.

Diversidade sexual na escola: um tema em confronto com o silêncio

PID: S1984-59872011000200319 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Ohlweiler Borges
Resumo: A partir dos estudos de gênero e do pós-estruturalismo, este artigo tem como objetivo analisar as relações de poder presentes no espaço escolar a respeito do tema da diversidade sexual. Os dados analisados são oriundos de grupos de discussão realizados com professoras de Ensino Fundamental e Médio da cidade de Porto Alegre. As educadoras entrevistadas participavam ou haviam já participado do curso Educando para a Diversidade - promovido pelo NUANCES (Grupo pela Livre Expressão Sexual), inserido no programa Brasil sem Homofobia (do Ministério da Saúde, apoiado pelo Ministério da Educação), que se constitui como uma política pública e tem sido utilizado pelo governo como "estratégia de mobilização e inclusão social e educacional". A partir da análise das falas das professoras procura-se esmiuçar de que forma o tema da diversidade sexual tem sido abordado em determinadas instituições escolares.

Entre a diversidade e a disciplina: uma análise do programa escola integrada

PID: S1984-59872011000200341 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Silva
Resumo: Este artigo tem como objetivo analisar as práticas curriculares desenvolvidas em duas escolas que participam do Programa Escola Integrada, da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte. Esse Programa amplia a jornada escolar de alunos/as do Ensino Fundamental de quatro para nove horas diárias. Currículo é entendido aqui como um espaço de lutas para a construção de certos significados e de subjetividades de determinado tipo. O argumento defendido é o de que os currículos investigados ficam na fronteira entre uma abordagem culturalista (que inclui questões de diversidade e demanda uma subjetividade crítica aos padrões culturais) e um currículo disciplinar (que objetiva formar alunos/as seguidores/as das regras pré-estabelecidas). Essa disputa faz com que sentidos diversos circulem nos currículos investigados, produzindo sujeitos de diversos tipos.

O 'cuidado' na educação: análise da perspectiva lipmaniana

PID: S1984-59872011000200191 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Henning
Resumo: O tema central sobre o qual versa o presente trabalho é o "cuidado". Partindo de uma apresentação que traz a problemática à baila, procuramos sugerir a amplitude e a complexidade do tema, para posteriormente, aproximarmos à educação chegando ao contexto desejado para explorarmos os conceitos apresentados: o pensamento cuidadoso em Matthew Lipman. Para o autor, nossa tradição intelectual vem gradativamente aprofundando o que é próprio do pensamento crítico enquanto instância que se distancia daquilo a que designamos como o emocional, o afetivo, ou o conjunto das manifestações dos sentimentos humanos. Lipman, se opondo radicalmente a essa compreensão, propõe o conceito de razoabilidade que implica na conjunção do pensamento crítico, criativo e cuidadoso. É sobre este último que a nossa investigação bibliográfica busca colher as informações, para realizar algumas reflexões, a nosso ver, importantes ao âmbito filosófico-educacional.

O direito de ser crianças: uma exploração arendtiana sobre a responsabilidade do crescer

PID: S1984-59872011000200171 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Topolski
Resumo: Devido à interseção do mundo da história e das fronteiras biológicas, Hannah Arendt (1906- 1975) infelizmente nunca teve a oportunidade de experimentar a maternidade, contudo isso não a impediu de escrever, com paixão e promessa, sobre a miraculosa responsabilidade do parto e da criação de filhos. O que pode vir a ser uma surpresa para aqueles que não estão familiarizados com seu trabalho é que sua visão sobre as crianças é encontrada ao longo dos seus escritos políticos. É, assim, a primeira tarefa deste artigo articular uma conexão, dentro do projeto de Arendt, entre criança e o político. Depois disso, eu pretendo desenvolver dois de seus argumentos políticos, o primeiro bem conhecido, sua crítica ao discurso contemporâneo sobre os direitos humanos, e o segundo, à educação. Eu vou usar essa tese para argumentar que a visão dos direitos das crianças, como proposta inicialmente por Janusz Korczak em 1920 e, posteriormente, codificada na declaração de 1959 sobre a Declaração dos Direitos da Criança das Nações Unidas, está sendo destruída pela recusa de todos os cidadãos adultos (pais, educadores, políticos, etc) para crescer. No cerne dos escritos políticos de Arendt, especialmente naqueles concernentes à criança, há um apelo sincero para enfrentar a crise de responsabilidade em nossa sociedade contemporânea. Como cidadãos, devemos aceitar que apenas limitando nossos próprios desejos infantis para sermos livres da responsabilidade e aceitando o fardo de uma autoridade é que há uma possibilidade para que as crianças tenham a chance de serem crianças. Todos os direitos são ilusões sem sentido, ao menos que sejam fundados sobre a relacionalidade e responsabilidade. É este preâmbulo que, infelizmente, está faltando à declaração de 1959, que Arendt poderia argumentar que é necessário não só para as crianças mas também para o mundo compartilhado.

O encontro da filosofia com a infância na experiência do ensinar e aprender filosofia como uma questão de fundamento

PID: S1984-59872011000200221 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Agratti
Resumo: Este texto afirma que o ensino de filosofia é um problema filosófico, o que implica em uma concepção de filosofia: aqui ela é entendida como uma atividade que desnaturaliza o óbvio, que longe de estabilizar sentidos, os desloca. E desse modo, indaga e questiona aqueles que parecem mais solidificados, cristalizados, como o caso do ensino de filosofia, "ensinar", "aprender", "dar a ler", "avaliar", "problema", "pergunta", "experiência", "saber", "ignorância", "verdade", "conhecimento", "exame", "texto", "escrever". Neste trabalho, apresentamos algumas das tensões que esta concepção carrega consigo e afirma. Propomos, também, um espaço para o professor: alguém capaz de se permitir uma distância que possibilite a aparição da pergunta e, deste modo, faça efetiva a ação de filosofar e de se constituir como um intelectual crítico do próprio saber que acreditava deter: trata-se de um professor criador de espaço para que possa surgir a diferença na repetição. É um professor com atitude filosófica, alguém que não escapa das antinomias (Derrida, 1986) constitutivas de seu fazer. Finalmente, consideramos o impacto que teve em nosso trabalho a obra de um professor-produtor: Matthew-Lipman, em especial a contribuição que nasce de considerar sua obra uma filosofia na educação.

O estudo do meio como metodologia para apreensão crítica da diversidade socioambiental

PID: S1984-59872011000200299 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Sulaiman Tristão
Resumo: A Educação Ambiental é uma proposta educativa que busca a mudança de hábitos, atitudes e práticas sociais como solução para o quadro de degradação socioambiental. Apesar das estratégias propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, o tema ambiental ainda esbarra na disciplinaridade e se restringe ao contexto escolar, o que demanda mudanças estruturais e pedagógicas sobre o fazer educativo, repensando o papel da escola na sociedade contemporânea e sua responsabilidade na formação de sociedades sustentáveis. Frente a isso, fazem-se necessárias a reflexão e a criação de possibilidades de mudança sobre as questões socioambientais. Nesse sentido, o "Estudo do Meio"é um método de ensino e pesquisa que valoriza a diversidade de saberes, estimula a convivência de idéias e revela a complexidade da relação sociedade e meio ambiente.

O infantil ou o que não se desenvolve, entretanto cria

PID: S1984-59872011000200207 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Maciel
Resumo: O protagonismo da infância tem sido ressaltado hoje. Com este intuito, o presente artigo pretende afirmá-lo a partir da noção de "infantil". Esta concepção é aqui entendida enquanto aquilo que não se desenvolve, entretanto cria. Nosso ponto de vista pode ser sustentado, principalmente, via psicanálise e seus conceitos de inconsciente e pulsão de morte. Neste sentido, a infância deixa de ser concebida como o "outro" do adulto, o que muitas vezes acabou por confundi-la com imaturidade diante de um tempo cronológico. Ela, ao contrário, passa a ser pensada fazendo parte do campo psíquico o que, por sua vez, remete a outra noção de tempo. O "infantil", portanto, liga-se ao corpo e à linguagem como condições de possibilidade de uma história subjetiva. O interessante, neste caso, é a criança que no adulto sonha e cria. A interpretação que faz Derrida dos textos freudianos, na qual estes podem servir de crítica ao logos e ao fonologismo, nos aproxima de um sujeito da escritura. Ou seja, sistema de relações entre camadas. A escritura evoca um pensamento do traço que é marcado pela diferença. Esta, por seu turno, relança a estrutura para sua abertura. A memória, neste caso, seria uma escrita que é marcada por traços diferenciais. O sistema psíquico se delineia, então, na articulação entre a excitação que se dissemina e as resistências que estas encontram para a descarga, não existindo oposição entre o registro da força e o registro do sentido. Os traços se inscrevem no psiquismo no jogo entre esses registros. Já os arquivos existentes podem ser apagados pela pulsão de morte fazendo com que novos arquivos possam ser inscritos. Assim, a repetição, essência da brincadeira, ganha uma positividade na medida em que permite fazer sempre de novo. Este texto, portanto, serve como uma crítica à noção de tempo linear e progressivo que evoca uma idéia de infância como algo menor se comparado ao adulto. A relação entre esses momentos da vida é outra. Além disto, o poder de criação do "infantil" é aqui destacado.

O papel da escola na prisão: saberes e experiências de alunos e professores

PID: S1984-59872011000200271 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Onofre
Resumo: O presente texto tem a intenção de tecer reflexões sobre o papel da escola na prisão, buscando compreender como alunos e professores a significam e delinear caminhos para a melhoria da qualidade de vida de homens em privação de liberdade. Trata-se de estudo de natureza qualitativa, tendo como sujeitos, professores e alunos da escola de uma penitenciária do estado de São Paulo/Brasil. Foram utilizadas como procedimentos metodológicos para a coleta de dados a observação, conversas informais e entrevistas. A análise dos dados obtidos, com base em referenciais de autores envolvidos com a temática na América Latina, evidencia ser a escola da prisão, espaço de socialização, construção de identidade e de aprendizagens cumprindo, portanto, sua função de mediadora entre saberes, culturas e a realidade, oferecendo possibilidades de preservação dos direitos humanos de jovens e adultos em privação de liberdade.

O programa de filosofia para crianças de matthew lipman: uma concepção liberal da educação

PID: S1984-59872011000100006 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Silveira
Resumo: O presente artigo pretende demonstrar que o Programa de Filosofia para Crianças, de Matthew Lipman, fundamenta-se numa concepção liberal da relação entre educação e sociedade, concepção da qual decorre o caráter idealista e "não-crítico" de sua pedagogia. Para tanto, apresenta-se inicialmente uma breve caracterização dessa concepção, enfatizando-se a "missão redentora" e de equalização social por ela confiada à escola. Em seguida, procede-se à descrição sumária de alguns dos principais aspectos constitutivos do Programa de Lipman, para, posteriormente, explicitar-se a forma pela qual ele incorpora o ideário liberal da educação como "redentora". Finalmente, discutem-se algumas das implicações políticas e ideológicas dessa incorporação. Cabe esclarecer que a reflexão aqui apresentada não se refere a nenhuma das práticas atuais de filosofia com crianças, mas às posições do próprio Lipman expressas fundamentalmente em duas de suas obras mais importantes: A filosofia vai à escola e O pensar na educação.

O que acontece nos textos filosóficos: a teoria e a prática de matthew lipman do texto filosófico como modelo

PID: S1984-59872011000100001 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Marzio
Resumo: Este artigo explora a noção de Matthew Lipman de texto filosófico como modelo. Argumento que a visão de Lipman do texto filosófico reúne as formas textuais expositivas e narrativas de uma maneira destacada - não no sentido de que a tensão entre a narrativa e a expositiva foi superada de uma vez por todas, mas no sentido em que a forma expositiva e a narrativa são colocadas em relação dentro da própria forma narrativa. A partir da leitura de Foucault das Meditações de Descartes, argumento que as novelas filosóficas de Lipman cumprem função tanto demonstrativa quanto ascética, nos permitindo situar as novelas de Lipman na história do discurso filosófico, como também nos permitem apontar para o papel da criação de textos, e currículos filosóficos no futuro.

Os desenhos de crianças como expresses de uma ―narrativa filosofante‖. Conceitos de morte. Uma com-paração entre as crianças de escolas de ensino fundamental na alemanha e no japão.

PID: S1984-59872011000200251 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Marsal Dobashi
Resumo: Uma das famosas perguntas de Kant a respeito de ser humano interroga: ―O que posso esperar?‖ Esta questão coloca a vida individual em um horizonte abrangente de história humana e especula sobre a possibilidade de perspectivas além da morte. Em nossa época a mortalidade é geralmente reprimida, embora o desenvolvimento da consciência pessoal seja estreitamente ligado à realização da finitude de cada um. Isso torna especialmente urgente as perguntas para as crianças, e elas são deixadas para lidar com elas sozinhas. Desde o tempo em que o despertar começa, a sabedoria de que a morte pode ocorrer a qualquer memento é um dos a priori determinantes do estar vivo; ou seja, a vida é estruturada antecipadamente pela sua futura dimensão do passado. (Scheler, Heidegger, Fink, Simmel). Segundo Max Sche-ler, a morte se revela como um constituinte necessário e manifesto de toda experiência interna possível no processo da vida. As interpretações culturais e individuais do significado e consequências da morte derivadas dessa visão abriram um amplo espaço para as possibilidades imaginadas de uma ―existência continuada‖, que afetou as abordagens da vida. No nosso projeto de pesquisa ‖Inochi - O conceito da Vida após a Morte na construção do Mundo das Crianças. Uma comparação Alemã-Japonesa‖, levada com o apoio para a pesquisa da Alemanha e do Japão, nós examinamos conceitos desenvolvidos na co-munidade de investigação relativos à ―Vida após a morte do indivíduo‖ como alma, anjo, animal, estre-la, etc. Nisso queremos examinar se um meio ambiente de mídia globalizado leva a uma convergência cultural nas ideias das crianças, e se existem diferenças entre as visões dos meninos e das meninas. A relevância das ideias sobre a morte é vista no exemplo das crianças japonesas que, acreditando na reen-carnação escolhem ―se suicidar‖ com certa frequência como uma estratégia para resolver problemas. Nossa contribuição vai apresentar as imaginações das crianças usando os desenhos que eles criaram nes-se quadro, pois esses podem ser interpretados como expressões de uma ―narrativa filosofante‖, particu-larmente para as crianças japonesas. Aqui nós seguimos Mark Johnson que diz ―Os seres humanos são animais imaginativos sintetizantes‖ (1993, p. 152). Essas imaginações fazem uma boa parte de nossa compre-ensão, não somente de nossas crenças, mas principalmente nossa maneira socialmente construída de ser e habitar o mundo.

Perguntas e a comunidade de investigação filosófica

PID: S1984-59872011000100003 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Northwest
Resumo: Matthew Lipman escreveu que "perguntar é o fio mais cortante da investigação". Isto reflete a primazia da pergunta na comunidade de investigação filosófica. O ponto central do potencial transformador da filosofia é o engajamento do estudante em um diálogo estabelecido pelas perguntas que mais apareceram no grupo e a tentativa colaborativa de construir sentidos e cultivar entendimento profundo. A responsabilidade dada aos alunos de escolherem a questão para começarem suas discussões destaca a natureza democrática da comunidade e sinaliza a existência, na investigação, de questões que deixam os estudantes perplexos. Existe uma relação significativa entre ter a questão escolhida pela criança para discussão e o papel da modéstia epistemológica - e o reconhecimento de que todos os membros do grupo, incluindo o facilitador, são falíveis e sustentam pontos de vista que podem ser errôneos no final - na comunidade de investigação filosófica. Para encorajarmos as crianças a se engajarem no que Lipmam chamou de "questionamento criativo", é essencial que possamos confiar em seus julgamentos e sustentar o cultivo das suas inclinações para fazerem perguntas.

Pragmatismo e a comunidade de investigação

PID: S1984-59872011000100005 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Cam
Resumo: A influência do pragmatismo - e de Dewey, particularmente - na concepção lipmaniana de comunidade de investigação é penetrante. A noção de Comunidade de Investigação é diretamente atribuída à Peirce, enquanto Dewey manteve que a investigação deveria formar a espinha dorsal da educação numa sociedade democrática, entendida como uma comunidade investigativa. Eu exploro as formas com as quais as concepções pragmatistas de verdade e significado estão inseridas na Comunidade de Investigação, tanto quanto considero seus compromissos morais e sociais. Mostro que as noções tanto de Peirce quanto de Dewey de verdade estão perfeitamente alinhadas à comunidade filosófica de investigação, tal como o enlaçamento deweyano entre significados e ideias, responsável por traze nossas investigações a uma conclusão satisfatória. A noção deweyana de que os valores morais são justificados pela utilidade de resolverem problemas numa vida social também deve ser encontrada na Comunidade de Investigação, assim como é discutível seu ponto de vista segundo o qual os valores morais são para serem vistos como valores ativos que se colocam face ao tribunal da experiência quase como da mesma forma que as hipóteses científicas. Novamente, o foco na sala de aula na investigação de questões e problemas, a participação ativa dos estudantes na construção de suas ideias a partir da ideia de seus colegas, o sentido da responsabilidade compartilhada, e o crescimento e desenvolvimento da potência intelectual e social do indivíduo, tudo isso espelha o conceito pragmatista deweyano de democracia. Dada esta aliança, talvez possa ser argumentado que a Comunidade de Investigação encara os problemas do próprio pragmatismo. Enquanto ela pretende ser um encontro filosófico aberto com todos os tipos de questões e perguntas, os conceitos pragmatistas são tão constitutivos que talvez possam distorcer, filosoficamente, o olhar. Também discorro sobre esta questão.

À procura de (nossas próprias) palavras: filosofia e subjetividade

PID: S1984-59872011000200233 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2011
Autores: Oliveira
Resumo: Escrever sobre a prática filosófica com crianças requer uma memória do corpo, de um corpo que guarda o que é importante a si mesmo. Minha memória começa com meu contato com as ideias de Matthew Lipman e as novidades que traziam as suas palavras, mas continua com a necessidade de trocar algumas delas e/ou de atribuir diferentes significados a outras. A partir de minhas leituras dos frankfurtianos, algumas palavras ganharam, para mim, outros sentidos que compuseram o que entendo atualmente sobre a prática de filosofia com crianças e suas relações com a questão da formação, bem como de outras questões que orbitam em torno delas. A prática filosófica é uma experiência singular, intransferível que precisa ser pensada, sentida, vivida; tem seu próprio tempo e envolve, constrói e transforma nossa subjetividade. Sair à procura das nossas palavras em filosofia significa, assim, eleger aquelas que podem nos ajudar a compor os sentidos daquilo que fazemos e pensamos, permitindo-nos um trabalho com o pensamento e suas formas expressivas, para além de sua dimensão técnica. Quando esta última é enfatizada há um empobrecimento da experiência formativa, uma vez que tal ênfase relega a um segundo plano outras dimensões fundamentais de nossas vidas. No caso da prática filosófica com crianças traz ainda implicações para a relação entre adultos e crianças. Os professores acabam por colocar os alunos em condições de menoridade e, portanto de algum modo, também a si mesmos, quando reduzem a filosofia a uma capacidade formal de pensar. Neste texto, a atividade de escrita - como uma das formas de expressão do pensamento - permite-me um passeio pela minha própria subjetividade e também o encontro com as palavras que elejo para expressar os sentidos do que faço e penso em relação às novelas filosóficas e ao valor e sentido da elaboração de textos em relação com a prática filosófica, a formação e a avaliação em filosofia.
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