pode a escola se tornar uma instituição não-adultista?
PID: S1984-59872024000100208 |
Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) |
Año: 2024
Autores: liebel meade
resumo Para responder a questão sobre a possibilidade da escola se tornar uma instituição não adultista, o artigo examina as relações de poder desiguais entre adultos e crianças (professor-aluno) que caracterizam a escola no contexto de uma sociedade burguesa-capitalista e que são sustentadas por certas funções, métodos, normas e padrões de conhecimento. Sob a influência dos movimentos de protestos juvenis anti-autoritários a partir de 1960, o poder evidente nas escolas (no sentido de castigos físicos) foi criticado e, na maioria dos países, abolido. No entanto, o desequilíbrio de poder entre professores e alunos não desapareceu, mas evoluiu para um poder mais sutil e velado, como por exemplo, mediante a formulação de determinadas expectativas. Os princípios de aprendizagem hierárquica, de cima para baixo e unidirecionais das instituições escolares são, na sua maioria, mantidos sem questionamentos. Este artigo não se limita a afirmar que as escolas reproduzem repetidamente o adultismo nessas condições sociais, mas também discute as possíveis estratégias e intervenções que poderiam alterar as relações de poder desiguais e, em última análise, anulá-las. São discutidos vários conceitos e formas alternativas de educação crítica ao adultismo que têm surgido desde o começo do século 20, dentro e fora do sistema escolar público. Além disso, são exploradas as contradições que surgem e que devem ser esperadas na sua implementação no âmbito das instituições educacionais existentes. É dada especial atenção às respectivas possibilidades de ação por parte dos professores e dos alunos. Um desafio decisivo é a forma como os professores repensam seu poder, que é sempre um poder derivado e frágil, e como podem contribuir para que os alunos se empoderem e influenciem significativamente os processos de aprendizagem e de tomada de decisões na escola.