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pode a escola se tornar uma instituição não-adultista?

PID: S1984-59872024000100208 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: liebel meade
resumo Para responder a questão sobre a possibilidade da escola se tornar uma instituição não adultista, o artigo examina as relações de poder desiguais entre adultos e crianças (professor-aluno) que caracterizam a escola no contexto de uma sociedade burguesa-capitalista e que são sustentadas por certas funções, métodos, normas e padrões de conhecimento. Sob a influência dos movimentos de protestos juvenis anti-autoritários a partir de 1960, o poder evidente nas escolas (no sentido de castigos físicos) foi criticado e, na maioria dos países, abolido. No entanto, o desequilíbrio de poder entre professores e alunos não desapareceu, mas evoluiu para um poder mais sutil e velado, como por exemplo, mediante a formulação de determinadas expectativas. Os princípios de aprendizagem hierárquica, de cima para baixo e unidirecionais das instituições escolares são, na sua maioria, mantidos sem questionamentos. Este artigo não se limita a afirmar que as escolas reproduzem repetidamente o adultismo nessas condições sociais, mas também discute as possíveis estratégias e intervenções que poderiam alterar as relações de poder desiguais e, em última análise, anulá-las. São discutidos vários conceitos e formas alternativas de educação crítica ao adultismo que têm surgido desde o começo do século 20, dentro e fora do sistema escolar público. Além disso, são exploradas as contradições que surgem e que devem ser esperadas na sua implementação no âmbito das instituições educacionais existentes. É dada especial atenção às respectivas possibilidades de ação por parte dos professores e dos alunos. Um desafio decisivo é a forma como os professores repensam seu poder, que é sempre um poder derivado e frágil, e como podem contribuir para que os alunos se empoderem e influenciem significativamente os processos de aprendizagem e de tomada de decisões na escola.

quem está cansado de michel foucault? pensando a relação entre a produção da infância e a decolonialidade a partir da perspectiva foucaultiana

PID: S1984-59872024000100211 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: roland iacobino
resumo Esse artigo tem como ponto de partida as genealogias da infância de Michel Foucault, disseminadas em sua obra e complexificadas pelos estudos foucaultianos contemporâneos, em particular os estudos feministas de Silvia Federici (e suas genealogias das mulheres) e os estudos pós-coloniais de Ann Laura Stoler (e suas genealogias dos colonizados). Visto que Foucault não menciona a história das mulheres e das colônias, esse desvio pelas genealogias feministas e pós-coloniais nos permitirá participar dos debates sobre a interseccionalidade. De fato, desde os anos 1990, essa perspectiva metodológica tem sido pensada de muitas formas (como articulação, matriz, montagem etc.), então a questão será ver como pensar a interseccionalidade em referência ao quadro de análise foucaultiano e suas críticas. Mais precisamente, ao reunir esses autores e suas genealogias, este artigo buscará se situar nos debates contemporâneos sobre a intersecção entre o infantilismo e o movimento decolonial. Enquanto alguns autores consideram a produção da infância/idade como precedente à produção de colonialidade/raça, outros veem o contrário. Para entrar nesse debate, recorreremos à ideia de Bacchetta (2015) de co-formações e co-produções das relações coloniais e etaristas na longa história das metrópoles e das colônias. Ao fazê-lo, buscaremos descrever e analisar as relações de subjugação (de gênero, classe, raça ou idade), por um lado, como um efeito de multiplicidade segundo conjunturas específicas, e, por outro lado, como a cristalização de relações de poder que se estendem ao longo de grandes espaços-tempos.

repensando o papel democrático da educação a partir do infantismo

PID: S1984-59872024000100219 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: Hedegaard
resumo Existe uma forte tendência, tanto na teoria quanto na prática, a considerar que o papel democrático da educação é equipar os estudantes com atributos específicos presumidamente necessários para a vida democrática. As discussões, portanto, giram em torno de identificar os valores, as habilidades e as capacidades requeridas para participar da democracia, assim como os tipos de esforços educativos que melhor a fomentam. O que sustenta tais discussões é a suposição de que a criança é inerentemente incompleta, o que, argumento, leva a um beco conceitual sem saída. Neste artigo, exploro como o conceito de infantismo pode ampliar o quadro epistemológico para compreender e teorizar sobre o papel democrático da educação. Usando o conceito de Biesta e Rancière de democracia esporádica, junto com a teoria de injustiça epistêmica de Fricker, discuto o caso de uma escola estadual dinamarquesa onde um professor assedia um estudante. Argumento que a percepção da criança como um ser faltante faz com que as crianças sofram injustiças epistêmicas sistêmicas (e outras injustiças), uma vez que incidentes de adultos assediando crianças podem passar sem ser nomeados nem reconhecidos. O potencial dano a longo prazo é a perda de confiança em suas capacidades de conhecer, interpretar e compreender o mundo. Argumento que isso também significa uma perda de possíveis reivindicações de igualdade baseadas na percepção individual e social de injustiça; uma perda que prejudica a qualidade democrática da sociedade. O artigo propõe um giro infantista na pesquisa sobre o papel democrático da educação. O infantismo permite um avanço hermenêutico que pode gerar novas discussões sobre as normas acadêmicas, sociais e políticas em relação à questão da democracia e da educação.

rompendo fronteiras: crianças ativistas como agentes epistêmicos dentro dos contornos da marginalização epistêmica

PID: S1984-59872024000100214 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: maldonado castañeda
resumo Este artigo se aprofunda no campo do ativismo ambiental infantil, retratando-o como uma resposta conjunta que visa desafiar o status quo social e político predominante, o qual sistematicamente subestima o papel das crianças na tomada de decisões nas esferas políticas e sociais. Logo, destaca-se a importância primordial do marco epistemológico que engloba as experiências das crianças, enfatizando como excluí-las do discurso político e social conduz à marginalização epistêmica. Essa exclusão não só as impede que assumam o papel de agentes epistêmicos, como também as priva de agência e perpetua as desigualdades existentes. De um ponto de vista filosófico, o artigo propõe uma análise minuciosa da agência epistêmica das crianças, introduzindo o conceito de “capacidade epistêmica”. Afirma-se que, apesar da marginalização social, crianças que possuem conhecimentos podem se equipar com recursos epistêmicos para interpretar suas realidades e realizar mudanças. Além disso, considera-se que o ativismo ambiental desempenha um papel fundamental como recurso epistêmico para elas, facilitando a expressão de suas ideias, o questionamento das narrativas dominantes e o enfrentamento direto aos problemas ambientais e sociais. Nesse sentido, enfatiza-se o potencial transformador do ativismo como recurso epistêmico, permitindo uma participação substantiva e empoderando as crianças para navegar e transcender tais circunstâncias marginalizadas. Em conclusão, destaca-se como o ativismo ambiental infantil não apenas desafia o status quo, mas também oferece às crianças ferramentas fundamentais para seu desenvolvimento como agentes epistêmicos e sociais, promovendo mudanças significativas nas dinâmicas de poder e na luta pela justiça social e ambiental.

“Educar crianças para a sabedoria”: reflexão sobre a abordagem de comunidade de investigação da filosofia para crianças a partir da alegoria da caverna de platão

PID: S1984-59872024000100101 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: alvarez-abarejo
Resumo Existe uma crença difundida na Filosofia para Crianças (FpC) de que Platão, o famoso pensador grego que introduziu a filosofia no mundo em forma de diálogo, era contra ensinar filosofia para crianças pequenas. Décadas de implementação da pedagogia de investigação do programa de Filosofia para Crianças mostram conclusivamente que as crianças não são, na verdade, incapazes de receber treinamento e educação filosófica. Mas será que Platão estava errado? Ou será que ele foi amplamente incompreendido? Sua teoria da educação mostra o valor de cultivar virtudes nos jovens? Este artigo busca responder a essas questões através da leitura da República, especificamente a teoria da educação de Platão e a alegoria da caverna, como um manual de educação que pode fortalecer a compreensão da abordagem pedagógica da Filosofia para Crianças e a importância de educar crianças para a sabedoria e para outras virtudes intelectuais. Mostra-se que a concepção platônica de educação é coerente com a posição teórica da FpC de uma educação transformadora, facilitadora e baseada em virtudes. Ao destrinchar os simbolismos e significados da metáfora da caverna, também se discute a facilitação eficaz, a capacitação docente e a partilha de responsabilidades na educação. Por fim, partir da teoria da educação de Platão pode recalibrar e melhorar a forma como se vê o papel da educação na construção de comunidades solidárias que capacitem estudantes e educadores para a democracia, a aprendizagem superior e o sucesso.

“com amor”: o legado colonial da pornografia pedófila racializada no mundo atlântico

PID: S1984-59872024000100212 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2024
Autores: patton
resumo Este trabalho apresenta uma análise dos cartões postais norte-americanos do início do século XX, com foco na representação de crianças negras e brancas como uma ferramenta estética de supremacia branca e dos prazeres pedófilos racistas. Essas representações visuais não apenas refletiam, como também perpetuavam ideologias coloniais e estereótipos raciais, influenciando diretamente as práticas e políticas educacionais e contribuindo para uma sociedade onde a discriminação e a sexualização de crianças eram normalizadas. O artigo começa com o forte contraste na representação de crianças brancas e negras, revelando um padrão no qual crianças brancas eram normalmente fetichizadas como personificações de inocência e pureza, enquanto crianças negras eram submetidas a retratos pornográficos que reforçavam estereótipos negativos e buscavam garantir a contínua subjugação intergeracional dos povos afro-americanos na vida após a escravidão. Um aspecto significativo dessa análise é o papel do zeloso defensor da pureza Anthony Comstock (1844-1915) na formação de visões sociais sobre a inocência e a obscenidade da infância durante a Era Progressista. Como inspetor postal dos EUA, Comstock exerceu uma influência significativa sobre o discurso e as políticas públicas, principalmente por meio de suas campanhas contra a distribuição do que ele considerava representações de mídia moralmente questionáveis. Essa investigação abrange as implicações raciais das ações adultocêntricas de Comstock, explorando como elas contribuíram para o tratamento diferenciado de crianças negras e brancas, tanto nas representações de mídia quanto em contextos sociais mais amplos. Argumento que essas imagens não eram apenas reflexos passivos de crenças sociais; na verdade, eram ferramentas ativas usadas para moldar e influenciar os processos de educação e socialização das crianças, e contribuíram para a perpetuação da violência de Jim Crow, manifestada através de agressão sexual, castração e linchamento de jovens negros. Além disso, este artigo investiga o amplo contexto sócio-histórico no qual as imagens racistas e pedófilas foram produzidas e divulgadas. Esses cartões-postais ainda são traficados hoje em dia, sob a falsa designação de “Memorabilia Negra”, atingindo preços significativos como ítens vintage de colecionador; mas estou redefinindo-os como um gênero de pornografia infantil explícita. Essa perspectiva decolonial desafia criticamente as narrativas vigentes que podem higienizar ou minimizar a natureza exploratória e violenta dessas imagens de crianças negras. Este trabalho pede uma reconsideração do significado histórico desses itens de consumo como instrumentos intrinsecamente cúmplices na manutenção de estruturas coloniais e ideologias acerca da inocência infantil na América do Norte. Dentro dessa estrutura analítica, a desumanização de crianças negras por meio da pornografia pedófila reflete uma longa herança de violência contra crianças nas tradições ocidentais e a estratégia colonial de explorar crianças de cor como um mecanismo vantajoso de lucro e prazer libidinal.

A etnografia e o campo dos novos estudos sociais das infâncias

PID: S1984-59872023000100110 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: simões barbosa ferreira
resumo O campo interdisciplinar dos novos estudos sociais das infâncias parte de uma ruptura epistemológica com as abordagens clássicas das ciências que adotam visões biologizantes, essencialistas e universais da criança e encontra na etnografia uma possibilidade de conceituação de criança enquanto sujeito ativo e de infância enquanto categoria social geracional. O reconhecimento desses conceitos de criança e de infância pela etnografia na pesquisa com crianças implica voltar-se para a criança como o outro, o diferente, o estrangeiro. A proposta de ruptura teórico-conceitual na investigação das infâncias exige a implementação de metodologias que focalizem as experiências, os pontos de vista e as vozes das crianças, compreendendo-as enquanto processo, em outras palavras, constante construção. Portanto, para essa perspectiva, a criança não é o objeto do estudo, mas é sujeito que interage com o pesquisador na construção dos sentidos e significados da pesquisa. O texto está organizado em três partes que abordam os aspectos epistemológicos, teórico-conceituais e metodológicos do debate proposto. Ao final, procura-se uma articulação entre os diferentes aspectos da discussão, propondo uma reflexão sobre a ética e a alteridade, reconhecendo que a diferença atravessa as relações humanas e, portanto, é o diferente, o incomum, o incompreensível, o oposto, o desigual, o inalcançável que marca e define a pesquisa com criança.

A filosofia da infância e a participação política das crianças: desafios poli(s)fónicos

PID: S1984-59872023000100206 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Matos Vieira
resumo Que desafios a participação política das crianças coloca à Filosofia da Infância? Que desafios a Filosofia da Infância coloca à participação política das crianças? O texto que compartilhamos é um balancear entre a “pesquisa como um enumerar de situações e a pesquisa que tira o sono ao pesquisador”. Neste contexto, apresentamos uma narrativa criativa ilustrada, em forma de diálogo. Na orla do que poderia ser o território da participação política, encontram-se duas personagens - Sentinela e Andante - que conversam a propósito de ondas de crianças que se espraiam no território. Essa narrativa é enquadrada num referencial teórico que embasa o grupo de estudos a que pertencemos e o nosso trabalho com as crianças em sede de comunidade de investigação filosófica. Estabelecemos uma articulação entre a escuta das vozes das crianças, as condições de escuta com o lugar da sua participação política no espaço público. Em que medida um espaço e um tempo de escuta das crianças abrem movimentos polifónicos e possibilitam a construção de novas formas de polis: poli(s)fonias? De que formas a Filosofia da Infância se desafia a si mesma na criação de poli(s)fonias onde a participação das crianças dá o tom? De que modos a Filosofia da Infância nos interpela à criação de poli(s)fonias?

A filosofia na escola fundamental uma indagação sobre formação de professores

PID: S1984-59872023000100005 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Casolaro
Resumo O artigo analisa alguns dos resultados que emergiram de um questionário aplicado no ano letivo 2021/2022, destinado a investigar a percepção de professores do ensino básico sobre experiências de reflexão filosófica com crianças. Este trabalho analisa algumas questões como as necessidades formativas e a formação de professores que pretendam abordar estas experiências de ensino, os benefícios transversais que a filosofia pode trazer para melhorar a aprendizagem noutras disciplinas, a possibilidade de desenvolver na criança o pensamento crítico e reflexivo, o aumento das competências lógicas e argumentativas e, finalmente, o desenvolvimento das competências de cidadania e responsabilidade social. Um quadro positivo parece emergir dos resultados em que os professores são proativos no que diz respeito à possibilidade de perceber a filosofia não mais como uma disciplina a ser proposta apenas aos alunos mais velhos. Isso leva a revisitar as práticas normais de ensino e leva necessariamente os professores a se questionarem por meio de uma formação específica.

Atentividade, qualidades da escuta e o ouvinte na comunidade de investigação filosófica

PID: S1984-59872023000100306 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: elvis
resumo Esse artigo busca reparar o foco predominante na fala, em detrimento da escuta, na teorização da Comunidade de Investigação Filosófica (CIF). Frequentemente, quando as habilidades da escuta estão em debate, o foco é encorajar as crianças a serem ouvintes ativos. Essa forma de descrever a escuta que ocorre na Comunidade de Investigação Filosófica (CIF) tem perdido a eficácia, visto que a linguagem da escuta ativa tem sido cooptada como uma técnica de gestão centrada em fazer o falante se sentir ouvido, com pouca ênfase na intenção e nos efeitos para o ouvinte. Assim, numa leitura cínica, ‘escuta ativa’ pode ser reduzida a indicadores físicos performativos de escuta (como contato visual e linguagem corporal), ignorando os compromissos éticos-epistêmicos do ouvinte genuinamente engajado. Em vez de formular novos termos para descrever a escuta, proponho aqui a descrição da atenção feita por Iris Murdoch como um descritor adequado dos efeitos no self de uma escuta verdadeiramente envolvida, que procura atender ao desdobramento do conteúdo da CIF, e também como uma forma de caracterizar as qualidades de uma CIF em que essa escuta é alcançada. Aqui, a atentividade é apresentada como um conceito que captura as facetas únicas da escuta como um desafio para os indivíduos que participam dela e se preocupam em contribuir efetivamente para o diálogo que se desenvolve ao longo da CIF e para aqueles que facilitam esse diálogo. São exploradas brevemente algumas implicações no contexto prático, propondo três intervenções para cultivar a atentividade nos participantes da CIF e nos facilitadores (especialmente se forem graduados ou pós-graduados em filosofia, porque a identidade filosófica pode se tornar um obstáculo à atentividade). Em sua conclusão, esse artigo reposiciona a escuta na CIF como um risco produtivo, com uma forma particular de ‘vivacidade’ habilmente capturada pelo termo atenção.

Cidadania e comunidade no contexto democrático ocidental: análise filosófico-educacional

PID: S1984-59872023000100104 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Ortega Tibaldeo
resumo Este trabalho traz uma análise filosófica acerca da condição atual da educação cívica nas democracias ocidentais, de forma a explorar a problemática do dualismo entre o individualismo extremo e o comunitarismo fechado, que mexeu com as modalidades relacionais e os estilos de vidas específicos que caracterizam a pluralidade humana. Assim, a intenção deste artigo é compreender como a formação do cidadão por meio do suporte da prática da filosofia pode cultivar uma comunidade dialógica, aberta e pluralista capaz de enfrentar de maneira mais consciente e eficaz essa dualidade existente. Para este propósito foi feita uma análise crítica e sistemática de obras e artigos que, ao abordar a questão da relação entre indivíduo e comunidade, pretende ir para além desse dualismo problemático. Dentre os principais resultados está que a Filosofia para Crianças (Philosophy for Children, P4C), de Lipman e Sharp, colabora no desenvolvimento de cidadãos competentes em dialogar e encontrar saídas criativas e éticas, nas diversas circunstâncias do cotidiano. Além disso, ao empoderar cada cidadão, a P4C contribui para o desenvolvimento de comunidades solidárias, plurais, abertas, autocorretivas e engajadas na busca rigorosa do bem comum. Portanto, concluiu-se que práticas filosóficas comunitárias, como a P4C, conseguem contribuir para a educação cívica e a formação de cidadãos responsáveis, oferecendo um possível paradigma para desenvolver o eixo humanístico do indivíduo e a abertura à diversidade.

Como gerar (educar) uma comunidade de investigação-jazzing: sugestões livres e abertas de um workshop internacional (ICPIC 2022)

PID: S1984-59872023000100209 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: zorzi santi
resumo Este texto apresenta a reflexão coletiva e todas as sugestões emergentes da comunidade de investigação (CdI) temporária criada durante um workshop internacional na XX Conferência Bienal do ICPIC, “Filosofia dentro e fora da sala de aula”: fpcc através das diferenças culturais, sociais e políticas”. O workshop, intitulado “Pedagojazz - improvisando e investigando, interação comunitária”, foi realizado via Zoom, mas os participantes estavam tanto online quanto presentes pessoalmente. O tópico focou a perspectiva pedagojazzística e as curtas atividades propostas visavam envolver a CdI (temporária) dos participantes em uma discussão coletiva sobre como seria possível educar uma comunidade de perguntas e transformá-la em uma comunidade de perguntas-jazzing. Três premissas foram introduzidas como um fundo comum para desenvolver nossas reflexões: a perspectiva pedagojazzística; a conexão já desenvolvida entre os idiomas pedagojazz e os diferentes papéis do facilitador na fpcc; e a ideia de que o jazz, e particularmente a improvisação coletiva, podem informar o desenvolvimento da CdI. As perspectivas do pedagojazz e da improvisação coletiva são apresentadas aqui, e os conceitos relacionados são descritos em detalhes. Durante a oficina, o chat do Zoom e o site Wooclap foram usados para envolver todos os participantes e reunir suas contribuições e sugestões. Uma nuvem de palavras e três tabelas foram produzidas e são apresentadas aqui. Surgiram solicitações e perspectivas interessantes que podem nos ajudar a refletir de uma forma mais complexa sobre a educação fpcc da comunidade e dos facilitadores através das diferenças culturais, sociais e políticas.

Contribuições da filosofia para crianças à educação ecosocial

PID: S1984-59872023000100001 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: rodriguez
resumo Hoje, as pessoas estão mais bem informadas sobre a degradação ambiental do que nunca. No entanto, isso não implica que as pessoas estejam mais engajadas em questões ecológicas nem mais comprometidas em alcançar uma maior justiça ecológica. O exemplo da educação ambiental é paradigmático: a atual geração de jovens é, de longe e sem dúvida, a mais conhecedora e consciente dos problemas ambientais, graças, entre outras coisas, à presença desde o final do século XX da educação ambiental no ensino fundamental e médio. No entanto, níveis de comprometimento com questões ecológicas significativamente maiores do que antes não são observados, exceto quando se trata de comportamento pró-ambiental individual. Como vincular a consciência ambiental a um compromisso coletivo, político, ecossocial e ecocidadão? A fim de avançar caminhos para a reflexão sobre esta questão, este artigo apresenta, em primeiro lugar, os elementos que caracterizam a atual crise ecossocial. Em segundo lugar, aborda a crise ecossocial como uma crise de conhecimento que, em última análise, aponta para o desafio de transformar as visões de mundo. Em terceiro lugar, considera a crise ecossocial como uma crise de um mundo que abre a possibilidade de criação de novos mundos no planeta. Em quarto lugar, a crise ecossocial é apresentada como uma crise da educação contemporânea. Em quinto lugar, resume os dois riscos a considerar na prática da educação ecossocial: o risco do dogmatismo e o risco de culpar os indivíduos pelos problemas globais. Finalmente, são propostas algumas pistas que apontam para o programa de Filosofia para crianças como um programa que pode apoiar a prática educativa necessária pela atual crise educacional e ecossocial, bem como limitar os riscos reconhecidos da educação ecossocial.

Da filosofia para crianças indígenas à filosofia das crianças indígenas: uma proposta a partir da nosotrificação Maia-Tojolabais

PID: S1984-59872023000100113 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Barrientos-Rastrojo
Resumo Ao longo dos últimos anos, a Filosofia para Crianças tem testemunhado o surgimento de práticas dentro de comunidades indígenas ao redor do mundo. Das práticas mexicanas de Madrid ou Ezcurdia às africanas de Odierna e as asiáticas de Elicor, diversos especialistas têm destacado seus benefícios para o desenvolvimento do pensamento crítico e, por conseguinte, para a libertação das condições de opressão e colonialismo às quais foram submetidos os povos originários. Mas apesar das boas intenções, existe a preocupação de que as metodologias do pensamento crítico ou da verdade aplicadas segundo critérios discursivos ou lógico-argumentativos podem se converter em um mecanismo neocolonial ao impor formas de pensamento ocidentais. Além disso, a agenda de temas das sessões filosóficas e seus materiais correspondem a horizontes estadunidenses e europeus. Portanto, podemos estar diante de um processo de imposição de discurso, onde a salvação do pensamento crítico venha a se tornar um novo modelo de opressão. Esse artigo analisa os riscos dessa realidade e propõe um modelo cooperativo. Essa cooperação encoraja a escuta às filosofias desses povos para ampliar, corrigir e melhorar os pressupostos da Filosofia para Crianças. Para isso, a proposta segue o caminho inverso ao trabalho filosófico realizado com as comunidades indígenas mencionadas anteriormente. Ela reflete sobre os avanços feitos por sua filosofia em relação às pressuposições ocidentais de nosso campo. Dessa forma, abre espaço para um produto sinérgico que facilita a criação de uma Filosofia das crianças indígenas Maias-Tojolabais e não uma Filosofia para elas.

Da pandemia à polifonia: “declaração de dependência” comunitária

PID: S1984-59872023000100216 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: santi antoniello cavallo
Resumo Em tempos de crise, as conexões entre as pessoas, culturas e sociedades parecem ser os principais antídotos contra os riscos do individualismo, da autorreferência e da cultura de vingança. A conectividade oferece oportunidades para nutrir a generatividade humana (Santi, 2021) rumo a futuros melhores e cenários cosmopolitas, em contraste à ilusão da economia autárquica, à retórica do nacionalismo político, ao fortalecimento de polarizações políticas como a competição/marginalização, que abrangem também a educação. A pandemia que ocorreu em 2020 enfatizou os riscos do isolamento e as oportunidades de conexão: tem sido uma situação tanto paradoxal quanto paroxística pensar sobre formas de dependências, especialmente nos contextos educacionais. O pretexto da investigação proposta a 817 estudantes da Universidade de Padova foi um provocante título de um álbum de músicos conhecidos: “Declaração de Dependência". O objetivo era pensar sobre (in)dependências que criam papéis “regulares”, como “estudo/estudante”, que são importantes na nossa existência humana e foram completamente abalados pela “sindemia” (Singer, 2009). A aspiração era revelar o inalienável senso de pertencimento a uma universidade próspera que considera as dependências das pessoas numa comunidade generativa de horizontes futuros. Nossos esforços levaram à elaboração do manifesto compartilhado da “Declaração de Dependência”, um documento que sussurrou e gritou as dependências dos estudantes e que foi, posteriormente, partilhado com a comunidade em múltiplas linguagens. Em 2021, a natureza acolheu a reunião das declarações através da prática filosófica e do diálogo, como um paradigma do pensamento complexo. No workshop realizado no ICPIC 2022 - 20ª Conferência Bienal em Tóquio, demos uma dimensão internacional às reflexões que nos acompanharam no contexto universitário de Pádua. O objetivo foi refletir sobre as dependências educacionais, coletivas e pessoais da comunidade contemporânea através da prática da FpcC na natureza como um tempo e espaço para a escuta, para estar aberto e ganhar perspectiva. Foi uma oportunidade de dar voz a diferentes pensamentos, vivências e contextos sócio-políticos sobre como a pandemia impactou, mudou e gerou. Considerando os novos desafios educacionais e filosóficos, sentimos uma necessidade urgente de desconstruir as fronteiras estabelecidas e retornar às origens. Recordar a metáfora da natureza (Roversi et al, 2022) no mundo das dependências recorda à humanidade que ela faz parte de uma ecologia sociocultural que se fundamenta e se alimenta na sua relação com os outros. Uma comunidade que busca suas dependências como dádivas para projetar um futuro melhor parece ser o amanhecer de amanhã.

Des-classificar Pinóquio

PID: S1984-59872023000100003 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: charabati
resumo As Aventuras de Pinóquio é um dos poucos contos de fadas que não apenas resistiu ao teste do tempo, como também se tornou parte da cultura e, 139 anos depois, continua a ser recriado em versões literárias, cinematográficas, teatrais, plásticas e até mesmo pedagógicas. Neste artigo, tentamos abordar alguns dos silêncios que a Disney impôs a uma parte importante da história, deixando de fora, por exemplo, a questão da pobreza. Atualmente, nos perguntamos se um produto cultural como As Aventuras de Pinóquio pode desencadear conversas e reflexões com as crianças de hoje, e se as escolas podem se apropriar desse material para filosofar não só com os alunos, mas também com os adultos. Por que, em um mundo de malfeitores que roubam, trapaceiam, cozinham, vendem ou enforcam crianças, o olhar de reprovação se volta para uma criança que conta mentiras? Por quais experiências uma criança precisa passar para enxergar a si mesma como “má”? Quais são os riscos da classificação, por outro lado, tão necessária no conhecimento? Embora partamos de uma experiência realizada em uma escola na Cidade do México, a análise apresentada aqui se preocupa principalmente com o vínculo entre a(s) leitura(s) e a reflexão filosófica nessa história.

Desafiando o adultocentrismo: discurso oral e a possibilidade de diálogo intergeracional

PID: S1984-59872023000100304 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Petropoulos
resumo Este artigo reflete sobre o papel da Filosofia no ambiente escolar, dando atenção especial à promessa de diálogo intergeracional levada adiante pelos programas de filosofia associados ao currículo de Filosofia para Crianças (FpC) de Lipman e sua atual transformação em Filosofia com Crianças (FcC). Existem duas ideias básicas que constituem a linha orientadora das minhas reflexões. A primeira é que intervenções filosóficas desse tipo desafiam as visões adultocêntricas da educação e da filosofia. A segunda é que essa iniciativa carrega consigo a promessa de reconhecer crianças como participantes iguais no processo de questionamento filosófico e de criação de significado. Na primeira parte do artigo, defendo a importância de entender o ato de filosofar com crianças como um rompimento do adultocentrismo. Primeiro, reflito sobre uma estreita orientação-para-o-futuro que parece caracterizar a temporalidade da escola. Sugiro que as intervenções da Filosofia para/com Crianças (FpcC) interrompam essa orientação para o futuro, convidando os estudantes a mergulharem em um “agora” de múltiplas possibilidades. Em seguida, reflito sobre as maneiras pelas quais as intervenções da FpcC desafiam o pressuposto de que a filosofia é uma preocupação de adultos. É dada atenção especial ao trabalho de acadêmicos que desafiam nossos pressupostos restritivos sobre o que se qualifica como pensamento filosófico. Na segunda parte deste artigo, volto-me para o trabalho de Merleau-Ponty com o objetivo de rascunhar alguns requisitos para a possibilidade de diálogo entre infância e adultez. Sugiro que as reflexões de Merleau-Ponty sobre a infância e a fala expressiva são inestimáveis no contexto da FpcC porque nos convidam a: 1) apreciar a alteridade das crianças sem reduzi-las a “outros” inferiores e 2) permanecer atentos para a expressividade do discurso infantil.

Desenvolvimento do pensamento multidimensional para a construção de uma cidadania criativa

PID: S1984-59872023000100210 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Rojas Chávez Herraro-Hernández Dumett Arrieta Tabares Salazar García Gutiérrez
resumo A importância do projeto de Cidadania Criativa a partir da promoção do pensamento crítico, ético e criativo em crianças da primeira infância como atores sociais e construtores da paz reside na integração da Cidadania Criativa com a perspectiva da Filosofia para Crianças (FpC) do filósofo norte-americano Matthew Lipman, na medida em que promove nos participantes a capacidade de pensar de forma crítica, ética e criativa nas e a partir de suas realidades, promovendo o exercício permanente de competências de pensamento nas diversas áreas de sua vida cotidiana. Por outro lado, esta pesquisa foi levantada a partir de uma abordagem qualitativa, na medida em que procurou indagar sobre o sentido e o significado das relações, particularmente de crianças e agentes sociais que estão ligados a processos formativos, procurando explorar, descrever, gerar perspectivas teóricas e, ao mesmo tempo, promover transformações sociais a partir das mesmas comunidades por meio do empoderamento do pensamento multidimensional. De acordo com o exposto, as seções que compõem este artigo foram organizadas tomando como ponto de partida a noção de Pensamento Multidimensional, passando por uma revisão do conceito de Cidadania Criativa e finalizando com o de Construção de Paz. Estas três categorias teóricas permitiram situar as intenções investigativas no quadro das realidades da infância e das mediações pedagógicas que ocorreram ao longo da implementação do projeto. Tendo em conta a avaliação dada ao desenvolvimento do pensamento nas infâncias, propõe-se a seguir um estatuto conceitual que fundamenta a ideia de pensamento e nela a forma como se entende a promoção de competências nas crianças. Por sua vez, em um segundo momento, explora-se a noção de Cidadania Criativa, apontando o movimento criativo que envolve a participação das infâncias em ambientes sociais e a configuração de ações transformadoras dos problemas percebidos. Finalmente, propõe-se o conceito de Construção de Paz, aprofundando a forma como a comunidade de diálogo filosófico implica um compromisso com a configuração de ambientes pacíficos na medida em que forja as capacidades dos cidadãos para empreender ações individuais e coletivas que lhes permitam criar e re-criar a partir de seus contextos, cenários de convivência pacífica.

Educando a si mesmos em uma era viciada em tecnologia.

PID: S1984-59872023000100201 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Chen gardner
resumo Neste artigo, argumentamos que, se é verdade que o autodesenvolvimento máximo é melhor tanto para os indivíduos quanto para a sociedade, e se é verdade que esse autodesenvolvimento está sendo seriamente restringido por forças tecnológicas ambientais ubíquas, então, claramente, os sistemas educacionais, uma vez que eles são os guardiões do “desenvolvimento” dos jovens, têm um imperativo moral de resistir às forças que diminuem o eu. Por outro lado, se não é verdade que “mais eu é sempre melhor”, que talvez a “bondade do ajuste” (goodness of fit) entre o eu e a sociedade seja ótima, então os sistemas educacionais são justificados em continuar a prestar pouca atenção às forças do autodesenvolvimento (ou falta dele). Em consonância com o argumento de Sherry Turkle (2011) de que as forças tecnológicas estão diminuindo o tipo de raciocínio reflexivo necessário para o autodesenvolvimento, argumentamos que, uma vez que trocas comunicativas são necessárias para o autodesenvolvimento, e um eu em constante desenvolvimento é necessário para um desenvolvimento cada vez mais profundo e um diálogo mais significativo (portanto, formando uma dialética), o fato de que a mídia social e outras formas de conexão tecnológica impedem um intercâmbio profundo e significativo tem sérias implicações. Especificamente, argumentamos que, na sociedade contemporânea de alta tecnologia (o que estamos chamando de Sociedade 2.0), a dialética entre eu (self) e comunicação está indo para o lado “errado”; que o diálogo genuíno está se tornando cada vez mais raro, o que, por sua vez, está resultando em “eus diminuídos”, o que, por sua vez, está resultando em cada vez mais complacência diante do intercâmbio comunicativo totalmente superficial. Começamos com uma visão geral do que queremos dizer com um “eu diminuído” e, em seguida, observamos como as mídias sociais, o vácuo de leitura, o robotismo, a comunicação coletiva e a diminuição do capital social estão resultando em "eus diminuídos". Como isso está resultando em uma sociedade “diminuída”, refletiremos se essas iniciativas educativas dialógicas que promovem o autodesenvolvimento estão, de fato, fazendo dodôs, ou seja, tornando os jovens inaptos para o meio em que se encontram. Em última análise, argumentamos que, se os educadores escolherem lutar contra as forças que diminuem o eu da Sociedade 2.0, eles precisam levar os eus (selves) a sério e envolver ativamente os jovens no diálogo com aqueles com pontos de vista opostos. Em última análise, os jovens na Sociedade 2.0 precisarão de toda a assistência que os educadores puderem reunir para combater as forças viciantes e literalmente entorpecentes de estar “felizmente” “sozinhos” e, em vez disso, escolher a opção mais arriscada e muitas vezes infeliz de mergulhar no processo de busca da verdade com várias coalizões de disposições.

Entre corpos, danças e educações: uma experiência infantil

PID: S1984-59872023000100106 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Barros Leite
resumo O presente texto tem por objetivo colocar em movimento algumas notas acerca de experiências educativas e de pesquisa com crianças, uma pesquisa inspirada por encontros dançantes e produção de imagens que provocaram questões e nos convidaram a pensar as relações entre corpos, danças e educações. Das diversas interrogações que nos deparamos, gostaríamos de destacar as seguintes: quais modos de pensar e experimentar os corpos que se apresentam nos encontros com as crianças? Quais aprendizagens, com as crianças, são possíveis nas experiências desses corpos que dançam? Que educações podem ser pensadas ao nos depararmos com as infâncias das crianças nestes momentos de uma experiência com corpos e danças? Desse modo, encontramos em autores como Gilles Deleuze, Félix Guattari, Michel Foucault, Jan Masschelein e Manoel de Barros, entre outros, possibilidades de agenciar algumas imagens, algumas perspectivas de olhares, alguns sentidos… Essa escrita dançadeira é, portanto, fruto de uma pesquisa experiência; uma pesquisa que foi se delineando durante o caminho, passo a passo pelos trajetos que se abriram, uma pesquisa infantil que convocou os olhos, a boca, o nariz, a pele, os olhares, os cheiros, os sabores e as texturas. Uma pesquisa sobre movimento, com movimento, em movimento. Assim, não temos aqui qualquer intencionalidade em fixar respostas, o que temos é um convite a pensar filosoficamente e infantilmente, levantar perguntas e, quem sabe, produzir algum movimento nos corpos e no pensamento: um convite a dançar por entre as interrogações.
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