Escolaridade, comunidade de investigação filosófica e uma nova sensibilidade
PID: S1984-59872023000100305 |
Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) |
Año: 2023
Autores: kennedy
resumo Este artigo busca reconstruir o papel da escolaridade em um momento de acelerada crise social, política, econômica, geopolítica, climática e até mesmo planetária. Identifica a escola como uma instituição potencialmente prefigurativa, uma fronteira social evolutiva capaz de alimentar o caráter social democrático, uma forma de sensibilidade sem a qual nenhuma democracia política autêntica é possível. Como teorizado por Herbert Marcuse, Richard Hart e Antonio Negri, a “nova sensibilidade” ou “multidão” é caracterizada por uma grande liberdade psicológica, individualidade, criatividade social e auto-governo, compreendendo um “todo de singularidades” que “age em comum”. Sugere um sujeito humano com um impulso vital e biológico para a libertação, com uma consciência capaz de romper o véu material e ideológico de uma sociedade baseada na hierarquia e na dominação, e está politicamente associada à democracia e ao social-anarquismo, ou ao que Murray Bookchin chamou de “comunalismo”. Este artigo identifica três características principais de uma instituição embasada nessa forma de subjetividade modal, todas elas baseadas no diálogo aluno-professor: um currículo emergente baseado em projetos, uma governação democrática direta a todos os níveis da comunidade escolar, e a prática regular da investigação filosófica comunitária, através da qual problematizamos os conceitos que orientam nossas vidas, com vista à sua reconstrução contínua.