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Tornar-se calunga: participação e subjetivação política de crianças e jovens

PID: S1984-59872023000100102 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: noronha tebet
resumo O artigo pretende discutir processos de subjetivação política de crianças e jovens a partir de recortes de uma pesquisa realizada no âmbito de mestrado em educação, apresentando uma cartografia da participação política de crianças e jovens moradoras de territórios vulnerabilizados do município de São Vicente, no litoral Sul de São Paulo, integrantes de coletivos e ações educativas do Instituto Camará Calunga. Os conceitos de participação e subjetivação se apresentam como elementos importantes dos processos de politização, retratando o modo pelo qual crianças e jovens se engajam politicamente de diferentes formas, coordenadas ou apoiadas por adultos, representando a si mesmas ou apoiando os adultos em suas demandas, contrapondo a noção de que as crianças não agem politicamente ou de que o modo ideal de participação de crianças e jovens seria a produção de consenso e não haveria espaço para a contestação. A pesquisa ocorreu em meio a pandemia de COVID-19, fundamentalmente de modo virtual, mas traça uma continuidade com as práticas de participação do Instituto no período pré-pandêmico. A pesquisa fez uso do método cartográfico, de modo virtual e presencial no contexto do trabalho vivo, da convivência cotidiana com crianças, jovens e educadores do Camará, por meio de entrevistas semiestruturadas e diários de campo.

Um olhar prático sobre o conceito de liberdade com uma abordagem filosófica para crianças na primeira infância

PID: S1984-59872023000100004 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: yüceer coşkun keskin
Resumo Tanto os estudos sociais quanto os programas pré-escolares mencionam a liberdade como um valor. No entanto, no currículo de estudos sociais, a perspectiva filosófica não é incluída e não há espaço para discussão. o ensino do currículo pré-escolar, a liberdade é um conceito abstrato e prevalece a crença de que as crianças não conseguem entender conceitos abstratos. Além disso, os estudos sobre valores continuam restringidos a determinar a frequência dos valores em vez de interrogá-los. Portanto, esse estudo tem como objetivo investigar as visões das crianças sobre o conceito de liberdade, como essas visões mudaram após a atividade e como o conceito de liberdade pode ser abordado nos estudos sociais em um contexto filosófico. A pesquisa utilizou um projeto de estudo qualitativo aplicado; as crianças foram entrevistadas antes e depois da aplicação da atividade. O grupo de pesquisa do estudo foi composto por 19 crianças (14 meninos e 5 meninas) com idades entre 5 e 6 anos. Como parte da Filosofia para Crianças, a atividade “a liberdade… se parece com, porque…” foi usada no pré e pós-teste. Após a pré-aplicação, “… eu sou livre?” e Rapunzel foram realizadas como atividades de histórias. O estudo usou entrevistas semiestruturadas e análise de documentos como instrumentos de coleta de dados. Os dados obtidos foram submetidos à análise descritiva e de conteúdo. Como resultado do estudo, verificou-se que as crianças mencionaram, antes da atividade, o significado de liberdade no contexto da Filosofia para Crianças e os limites da liberdade para elas (permissão, proibição, crescimento, dinheiro, regras); e que os discursos sobre o conceito de liberdade que foram levantados e continham o significado correto aumentaram e foram enriquecidos após as atividades (regras, dinheiro, ser independente etc.).

Uma história em aberto de alguns lados escondidos da escuta ou (o que) estamos realmente (a fazer) com a infância?

PID: S1984-59872023000100301 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Haynes Carvalho
resumo O artigo surge de um acontecimento partilhado que se transformou numa experiência: a descoberta de um pedaço infantil de papel, a caminho de uma conferência sobre filosofia nas escolas, e como esse encontro afeta as nossas posições educativas e práticas de investigação sobre a escuta das crianças. Movidas pela questão sobre o que significa escutar, somos levadas a um exercício de autoquestionamento inspirado por alguns dos autores que já escreveram sobre o tema, especificamente no contexto da comunidade de investigação filosófica. O pensamento do texto desdobra-se com a narração da história sobre o pedaço de papel encontrado, atravessando diferentes camadas de questionamento e tentando manter a investigação aberta para os leitores: o que é que não sabemos sobre escutar as crianças? E até que ponto isso que não sabemos poderá ser a causa de práticas enviesadas e adultistas? Será necessário voltar ao que a filosofia é e onde pode ser encontrada dentro do ambiente escolar? Será que a filosofia já lá está quando os adultos chegam? Será que não estamos a escutá-la? Ou existem lugares específicos para diálogos e conversas filosóficas, tais como a sala de aula? A filosofia também é convidada para as margens desses espaços? Quem decide o que conta como filosófico? Não se trata de responder a perguntas ou de encerrar as nossas preocupações como educadoras e investigadoras, mas sim de partilhar com os leitores como até no lugar menos suspeito possível - um evento académico sobre trazer a filosofia para as escolas - podemos não estar a escutar as crianças. Ao regressar a este movimento de autoquestionamento, queremos ecoar algumas perturbações do pensamento e das práticas de escuta dentro do chamado movimento da filosofia para/com crianças: com este fenómeno do para/com; com a sua política e as suas relações; com alguns pressupostos que podem estar presentes nos dilemas da prática de educadores e investigadores; mas também com as suas ressonâncias estéticas, a beleza da perturbação, a (des)afinação do autoquestionamento, as questões que nos traz enquanto investigadoras e os espaços de dúvida e incerteza que nos oferece, enquanto hesitações ou ocasião para respirar. E talvez, pensamos, seja nesses entre-espaços, nas suas fendas e transições, que coisas importantes possam encontrar o seu caminho no nosso pensamento e nas nossas conversas sobre a infância. Tal como um pedaço de papel num quarto de hotel.

Urgência existencial: uma provocação para pensar "diferente"

PID: S1984-59872023000100303 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Wolf Weber
Resumo Neste ensaio, expandimos a noção de pensamento enfatizando a provocação e a urgência de pensar e também reconceptualizando o pensamento como uma prática corporizada. O objetivo é expandir a abordagem de Lipman e Sharp à investigação filosófica com crianças e mostrar como outras formas de pensar podem ser incluídas. Esforçamo-nos para desdobrar uma forma de "pensar" que é tanto diferente da racionalidade (pensamento crítico), quanto do pensamento criativo e cuidadoso. Na primeira parte do artigo, discutimos os méritos do pensamento crítico, criativo e carinhoso de Lipman e Sharp, dentro da Comunidade de Investigação Filosófica (CIF). Em seguida, expandimos o método filosófico de Lipman/Sharp através do Modelo de Cinco Dedos de Ekkehart Marten, que permite diferentes abordagens filosóficas. Na segunda metade do trabalho, baseamo-nos no texto O que significa pensar?, de Martin Heidegger, para desenvolver seu conceito de "chamada" para pensar, juntamente com as noções de provocação e urgência. Com base nisso, recorremos a Maurice Merleau-Ponty para mostrar como este chamado não é uma atividade intelectual ou um mero exercício da "mente", mas afeta toda a nossa existência. Assim, o pensamento torna-se uma resposta a uma urgência existencial que é uma prática corporizada. Usando conceitos como encarnação, afeto e sensibilidade, tentamos ampliar nossa concepção de pensamento em uma CIF. Por fim, esperamos que isto permita aos facilitadores ouvir a voz única de cada criança para que ninguém fique sem ser ouvido.

Votar na pergunta como prática pedagógica numa comunidade de investigação filosófica

PID: S1984-59872023000100204 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: Reynolds
resumo Este artigo considera duas das etapas metodológicas de uma Comunidade de Investigação Filosófica: elaboração das questões e votação das questões. Ambas as práticas são realizadas por crianças de 8 e 9 anos que são participantes de uma investigação filosófica, que facilitei em uma escola pública primária na África do Sul. Matthews (1994) nos lembra que as crianças como pensadoras/agentes filosóficas foram deixadas de fora das narrativas dominantes sobre crianças e infância. Uma questão que norteia esta pesquisa é onde está o lugar para as questões filosóficas (desenvolvidas pelas crianças) e o tipo de pensamento/desenho/criação/ser filosófico para crianças (e adultos) nas escolas? Como abrir espaço para tais questionamentos - para que a riqueza desses encontros pedagógicos realmente importe e faça a diferença no ensino e aprendizagem em curso? Gandorfer, em entrevista a Barad (2021), sugere que o pensamento crítico “é encontrar o que é irreconhecível e imperceptível, mas sensível e construtivo de sentido sem separá-lo do mundo físico” (p. 20). Eu concordaria e aplicaria isso aos pensamentos críticos da criança. Esse pensamento não está localizado na criança, na sua mente e não surge apenas através dos pensamentos que a criança verbaliza. Uma análise crítica da teoria/prática do pós-humanismo garante que, como pesquisadora, eu não fico fora da pesquisa observando à distância. Da mesma forma, as crianças, as perguntas, as votações e as indagações não estão separadas do mundo, mas já estão todas emaranhadas com o mundo. Quando as crianças estão votando nas questões, isso funciona como uma pedagogia da interrupção (Michaud, 2020). Como facilitadora, não sei qual a pergunta que receberá o maior número de votos para a investigação filosófica. Isso possibilita um currículo emergente em seu tornar-se(com). As formulações de Toby Rollo (2016) sobre a criança como agente político e não apenas moral e as implicações para uma escolarização mais democrática e justa são teorizadas neste artigo por meio do ato de as crianças votarem nas questões. Eu argumento que as crianças não são apenas excluídas da participação nas decisões sobre o que e até mesmo como estão aprendendo na escola, mas também da maioria das práticas pedagógicas nas salas de aula e nas escolas. Mostro como as práticas de as crianças criarem e votarem nas perguntas podem ser práticas democráticas, com implicações políticas e morais em uma comunidade de investigação filosófica.

’You talk and try to think, together’ - a case study of a student diagnosed with autism spectrum disorder participating in philosophical dialogues

PID: S1984-59872023000100215 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2023
Autores: gardelli backman franklin gardelli
resumo Apresentamos os resultados de um único estudo de caso baseado em entrevistas semi-estruturadas com um estudante (do terceiro ano escolar) diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e seu corpo docente, após participarem de uma intervenção curta e de pequena escala realizada em 2019 em uma escola primária sueca socioeconomicamente desfavorecida. O estudante participou de uma intervenção de sete semanas, com um total de 12 diálogos filosóficos (entre 45 a 60 minutos cada). Dois facilitadores, ambos com anos de experiência em mediação escolar, professores e com, no mínimo, licenciatura em filosofia, facilitaram a maioria dos diálogos e, principalmente, seguiram uma “rotina”. Tão logo a intervenção teve fim, o estudante foi entrevistado sobre as experiências que teve a partir dos diálogos e as suas percepções sobre se e como esses diálogos o influenciaram. Os dois professores do estudante, que engajaram nos diálogos como participantes, foram entrevistados em dupla, também em conexão direta com o fim da intervenção, enquanto a direção da escola foi entrevistada dois anos depois do estudo. Estas entrevistas com a equipe escolar se referiam às experiências do grupo sobre a influência dos diálogos nos alunos durante a intervenção, bem como aos efeitos de transferência para outros contextos na escola. Os dados do estudo incluem elaborações detalhadas da perspectiva do estudante sobre os diferentes efeitos no seu desenvolvimento comunicativo e cognitivo, que são, em diversos aspectos, confirmados também pelos relatos do corpo docente. Os resultados mostram que o estudante estava apto, interessado e disposto a participar dos diálogos filosóficos, e nossos dados apontam para diversos resultados positivos para o estudante nos domínios da comunicação e cognição.

Youtubers infantis e bens específicos da infância: quando a exploração e a brincadeira tornam-se trabalho

PID: S1984-59872022000100009 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: cabezas
resumo Este artigo explora a natureza e as consequências de ser uma criança YouTuber de sucesso como uma nova forma de trabalho e brincadeira infantil na era das redes sociais. Esta nova atividade infantil pode, em princípio, atuar como potencializadora da autonomia infantil, da criatividade e alguns bens específicos da infância, como a brincadeira e a exploração. No entanto, o impacto de tornar-se uma microcelebridade de blogueiros de vídeo com tão pouca idade está pouco explorada. Assim, trago à discussão ética as condições específicas desta atividade, como a superexposição e a adultização, mostrando assim como pode tornar-se uma ameaça para o bem-estar da criança, especialmente em relação a construção da identidade e a dinâmica intrafamiliar. Destaco seu duplo papel como potenciador dos bens específicos da infância e da vulnerabilidade infantil, especialmente quando se torna uma forma silenciosa de subjugação. Assim, defendo que o ponto forte do princípio de precaução poderia ser uma normativa para equilibrar a necessidade de exploração e autonomia das crianças sem colocar em risco outros bens específicos da infância e seu bem-estar.

A politização da criança educável através do poder etéreo

PID: S1984-59872022000100002 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: Krönig
resumo O artigo argumenta que uma concepção predominante de poder nas ciências educacionais é prejudicial à pedagogia tanto como campo de prática quanto como disciplina e é também inepto como conceito científico do ponto de vista epistemológico. A designação deste conceito de poder como "etéreo" pode fornecer aos discursos teóricos da educação um meio de analisar e criticar posições e argumentos que têm minado a autonomia da educação desde o estabelecimento do pensamento foucaultiano nas ciências educacionais. Primeiro, este artigo argumenta que a noção pedagógica da criança educável depende dos conceitos de individualidade, plasticidade e autonomia dentro da estrutura de uma ontologia negativa. Em segundo lugar, problematiza os efeitos da substituição destes conceitos nas ciências educacionais pós-modernas críticas do poder para a pedagogia em geral e a criança como seu conceito chave em particular. A criança politizada é concebida como subjugada, passiva, vulnerável, e o que é crucial: como uma coisa, ou seja, pedagogicamente ineducável, mas uma identidade apenas moldável através do poder. Em terceiro lugar, ela analisa a base filosófica desta mudança em direção à politização da criança, introduzindo o conceito de "poder etéreo". O artigo conclui com uma reflexão sociológica sobre a dimensão societal desta transformação fundamental da educação e sugere a emergente pedagogia pós-crítica como um possível remédio.

Bebês, materialidade e objetos técnicos na primeira infância no brasil e na frança

PID: S1984-59872022000100001 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: Tebet Caetano Souza Impedovo Costa
resumo O presente trabalho tem como objetivo central discutir a materialidade das relações e das experiências por crianças na educação infantil, a partir de um diálogo com as diretrizes curriculares brasileiras para a educação infantil em âmbito nacional e em 3 municípios do estado de São Paulo, utilizando conceitos de objetos técnicos e individuação desenvolvidos por Simondon. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utiliza como metodologia não apenas a pesquisa bibliográfica e documental, como também a produção de cartografias de cenas em que se observam relações entre bebês e objetos. A cartografia aqui utilizada é inspirada nos registros desenvolvidos por Fernand Deligny (2015) e sua apropriação para pesquisa com bebês, proposta por Julia Oliveira (2016). Foi realizada uma investigação sobre o tema no campo da educação em artigos científicos e documentos norteadores para a educação infantil. As trajetórias e afetos dos bebês e suas relações com os objetos foram mapeados em dois cenários distintos que foram coletados no campo de um projeto coletivo integrado pelas autoras. Trata-se de uma obra que contribui para a educação infantil de modo geral e, em específico, para os estudos de bebês.

Crianças, pandemia e escola: recomeçar é um ato político

PID: S1984-59872022000100004 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: Menezes Gil
resumo O presente artigo é um convite a envolver-se com a Pedagogia da Pergunta, de Paulo Freire, como possibilidade para retomar a cotidianeidade escolar com as crianças, compreendendo este acontecimento como um ato político. Partindo de uma conversa instigante que Paulo Freire teve com Antônio Faundez (1985), narrada na obra Por uma Pedagogia da Pergunta, este texto pretende provocar pensamentos e instigar o leitor com seus argumentos e suas ideias, para que pensemos juntos, pesquisadoras(es), professoras(as), educadoras(es), alternativas que sejam acolhedoras, responsivas e amorosas com as experiências dos meninos e meninas neste tempo de “quase-exílio” da pandemia da covid-19. “Quase-exiladas” da escola, dos direitos, dos encontros, das trocas, torna-se necessário recomeçar de onde estão, verdadeiramente, as crianças. Recomeçar de suas aventuras, de suas dores, de suas perdas, das suas vivências e experiências reais. Permitir que estas produzam perguntas necessárias às suas curiosidades, ao saber-fazer docente e aos planos escolares, como temperos singulares em um prato especial que será preparado e servido por todos e todas, sem exceção. Neste caminho, o diálogo com Freire e Faundez encontrou Cussiánovich e Márquez (2002), assim como Silva, da Luz e Carvalho (2021), e outros pensamentos que contribuíram para tornar o debate mais potente, aberto e convidativo.

O caso da filosofia para crianças nas escolas quenianas

PID: S1984-59872022000100005 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: ominde k'odhiambo gunga
resumo A importância da educação baseada em valores no desenvolvimento do caráter e na inculcação de atitudes de cidadania ética nas escolas quenianas não pode ser subestimada. No passado recente, os casos de comportamento antiético entre crianças que frequentam a escola primária e aquelas que se formaram neste importante segmento da educação aumentaram, apesar das várias intervenções do governo queniano para integrar, no currículo, preocupações com os valores. Desde 2020, houve um aumento acentuado nos casos de incêndios criminosos liderados por estudantes em instituições de ensino no Quênia. Desde a independência, o governo do Quênia adotou uma abordagem indireta de educação de valores que defende a integração de valores no currículo regular. Esta estratégia parece ineficaz devido ao aumento dos casos de indisciplina entre os alunos. Este estudo procura examinar a aplicação da Filosofia para Crianças (FpC) como a arquitetura para implementar a educação baseada em valores e a realização do Capítulo Seis da Constituição do Quênia, porque os valores que a FpC visa nutrir são altamente consistentes com os da Constituição do Quênia. Por meio da FpC, o sistema educacional queniano pode atingir seu objetivo de preparar cidadãos responsáveis e éticos de alta integridade moral. O Capítulo Seis da Constituição do Quênia estabeleceu os princípios fundamentais de Liderança, Integridade e elementos de cidadania ética. Ele dita o código de conduta para funcionários do estado e cidadãos responsáveis. Por meio do Currículo Baseado em Competências (CBC), o Ministério da Educação busca inculcar esses princípios nos alunos desde cedo.

O cultivo de emoções por meio de uma educação emocional em filosofia com crianças

PID: S1984-59872022000100008 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: Albert
resumo A reivindicação das emoções é uma tarefa essencial nas sociedades do século XXI. Não podemos continuar vivendo deixando-as de lado com a importância e o peso que têm em nossos pensamentos e nas ações que fazemos no dia a dia. As emoções são fundamentais nas esferas íntimas e, também, devem sê-lo nas esferas públicas. Por isso, torna-se cada vez mais importante aprender a identificar o que sentimos e o que sentem as pessoas ao nosso redor, como expressamos esse sentimento e suas consequências para podermos transformar as emoções mais nocivas em outras mais favoráveis ao bem-estar de nossas relações pessoais e com o meio. Com esse objetivo, o texto se propõe a reivindicar uma educação emocional no marco de uma educação para a paz, começando na infância, que enfatize o cultivo da capacidade emocional para a reconstrução de uma cidadania global crítica, ética e criativa. Neste trabalho, busco recuperar a metodologia da escola da filosofia com crianças, o que dá um grande sentido de práxis filosófica ao texto, ao colocá-lo em diálogo, também, com a corrente da filosofia para fazer a paz. Desse modo, acredita-se fundamental reivindicar a empatia e a imaginação moral desde que somos crianças, por meio do pensamento baseado no cuidado, para o cultivo de uma educação emocional que estimule a fantasiar com outras alternativas emocionais, fugindo dos próprios limites e explorando as perspectivas dos outros até se fundir com seus horizontes.

Pensar infância e experiência com a criança Benjamin

PID: S1984-59872022000100006 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: Santana Oliveira
resumo Walter Benjamin é um instigante filósofo que em suas obras nos faz pensar nos conceitos de experiência, criança e infância. Viajar por entre suas experiências e narrativas nos aproxima do mundo da criança Benjamin. Trata-se assim de uma viagem filosófica no sentido de nos levar rumo a algo que nos é desconhecido e que ao final pode nos transformar. Atravessaremos os seguintes textos de Benjamin: A hora das crianças narrativas radiofônicas (2015), Infância berlinense: 1900 (2013), Reflexões sobre a criança o brinquedo e a educação (2009), Rua de mão única (2013) e O contador de histórias. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov (2018). Atravessar esses textos é permitir experimentar outras formas de olhar o mundo e estar nele. É permitir experienciar as experiências da criança Benjamin que se oferecem a nós como narração. É percorrer lugares pouco habitados, isto é, lugares únicos. É atravessar o mundo de uma criança sentindo seu tempo e olhar. De acordo com Jorge Larrosa (2003), a infância é um enigma. Nos permitimos entrar neste enigma que é descortinar imagens de experiência da criança e da infância, nos aproximando deste mistério que uma vida filosófica e pulsante como a deste filósofo é capaz de nos oferecer.

Resenha de: Agratti, Laura (2021). Devenir pregunta: filosofia e infancias entre la escuela y la universidad. Rio de Janeiro: NEFI

PID: S1984-59872022000100106 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: Tettamanti
Resumo Em Devenir pregunta: Filosofía e infancia entre la escuela y la universidad Laura Agratti aborda o ensino da filosofia a partir da pergunta: por que e como foi possível a presença e permanência da Filosofía con Niños (FcN) na Escola Joaquin V. González? A autora consegue contextualizar e conceituar sua experiência com o projeto, revisa e analisa o percurso histórico que permitiu seu desenvolvimento, ao mesmo tempo em que refaz o caminho intelectual de seu mestre, Guillermo Obiols, que inaugurou os debates e reformulou as propostas sobre como ensinar filosofia na Argentina. O livro mostra os efeitos transformadores e emancipatórios do projeto da FcN sobre o ensino da filosofia, bem como sua capacidade de modificar concepções de filosofia, de gerar tensões sobre o conhecimento tradicional transmitido pela escola e de ter um impacto sobre a subjetividade dos professores. Sem desviar o foco da pesquisa sobre a prática da filosofia com crianças, Agratti se concentra nas possibilidades de autotransformação que esta atividade de pensamento oferece aos professores. Em sua pesquisa, percebe-se a necessidade de escolher um sentido amplo e plural da infância, que inclui tanto o sentido cronológico quanto o não cronológico do termo. Desta forma, Agratti considera que "Filosofia com Infância" (FcIs) é uma expressão que torna visível todas as pessoas envolvidas na prática (professores e alunos), entendendo a sala de aula como um espaço em que a infância das idades e a infância existencial convergem. Sua visão profunda e detalhada do projeto FcN na escola destaca a importância dos professores filósofos na primeira escola, um espaço onde começa a relação com o conhecimento, para que se possa ter uma educação filosófica que permita conhecer a si mesmo e com base nisso manter uma relação com os outros, com o mundo, com o conhecimento; fazendo perguntas que possibilitem novas ideias.

Será que a voz que ouvimos por dentro é a mesma que as pessoas ouvem por fora?

PID: S1984-59872022000100007 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: carvalho
resumo O presente texto nasceu da escuta de uma pergunta infantil sobre a voz, feita por uma menina. Essa pergunta aconteceu numa escola básica, em espaço rural, e provocou um movimento de desconstrução sobre diferentes dispositivos da atividade filosófica tal como é apresentada a crianças e adultos no contexto de comunidades de investigação filosófica. O exercício de escuta dessa pergunta revelou ainda aspetos importantes no modo como nos subjetivamos enquanto adultos e adultas que acreditam ser importante levar a filosofia para dentro da escola. Este texto é a tentativa de prolongar o rasto de afetação deixado por essa pergunta inicial, desdobrando-se em três momentos ou possibilidades de requestionamento. Esses momentos - que não pretendem constituir uma sequência ordenada de leitura, mas possíveis entradas para a pergunta da Lara - constituem-se como possibilidades marcadas pelo ritmo de três perguntas, filhas da inquietação primeira: o que se escuta quando falamos da voz? o que se diz quando falamos da escuta? O que se pode pensar na partilha das vozes e das escutas? O texto convida a entrarmos na construção da voz enquanto conceito alinhado com um determinado paradigma ou modelo do pensamento ou do exercício do pensar (comumente designado como “a filosofia”). O texto convida a entrarmos nessoutro conceito de escuta enquanto constructo que recua às origens da filosofia ocidental e que se tem perpetuado e tornado transversal. O texto convida a entrarmos na proposta de uma forma diferente de entender a voz e a escuta a partir da ideia de pensamento como espaço-entre de partilha, incidindo especificamente no âmbito de atividades de diálogo filosófico com crianças.

Um convite às crianças para fazermos uma experiência com suas visualidades no contexto pandêmico

PID: S1984-59872022000100015 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: david silva
resumo Este estudo tece reflexões sobre as formas como as crianças, em tempos pandêmicos, se expressaram e entraram em contato com seus professores e colegas de turma por meio de Cartas-Imagem, formas de dizer e se dizer para o mundo através de mídias audiovisuais infantis. Partilhas sensíveis de seus cotidianos foram reveladas por estas mídias e nos deram a pensar sobre as infâncias deste tempo. O referencial teórico que subsidiou este trabalho contou com o aporte de Certeau no que tange aos estudos sobre cotidiano, Walter Benjamin com seus escritos sobre a experiência infantil, Sandra Corazza e Walter Kohan com suas contribuições para os estudos sobre as infâncias contemporâneas e Virgínia Kastrup que nos embasou no que diz respeito ao método da cartografia, abordagem metodológica que nos permitiu acompanhar o processo da pesquisa. O objetivo deste trabalho foi observar as formas como crianças se comunicam por meio de mídias verbo-visuais e que tipo de conteúdo e recortes do cotidiano elas elencaram para dividirem com a instituição escolar suas experiências durante o período da pandemia. É importante destacar que a divulgação das imagens foi autorizada pelas crianças e seus responsáveis através de termo de livre consentimento, atendendo aos princípios éticos de pesquisa com imagens de crianças. Outrossim, as imagens estão disponíveis através de QRcode e podem ser acessadas através da câmera de um smarthfone.

Uma abordagem de comicsofia para o ensino de filosofiaA comicsophy approach to teaching philosophy

PID: S1984-59872022000100003 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: cerić cerić
resumo O artigo apresenta uma abordagem inovadora para o ensino de filosofia, que os autores denominam como "comicsofia" - uma sabedoria das histórias em quadrinhos. Tal aplicação criativa dos quadrinhos no ensino da filosofia corresponde plenamente ao caráter escandaloso (skandalonic) e dialógico da própria filosofia. O valor metódico do uso dos quadrinhos no ensino de filosofia se manifesta exatamente no caráter distintamente escandaloso dos quadrinhos. O skandalon é um processo metódico que procura provocar a curiosidade dos alunos ao questionar algo que de outra forma parecia inquestionável, auto-evidente, para apresentá-lo sob uma nova luz, de modo a torná-lo objeto de questionamento crítico e reflexão. Dada a visualidade dos quadrinhos, sua diversão e raízes na cultura popular, é uma excelente ferramenta motivacional para reflexão filosófica e compreensão da realidade, questões filosóficas, ideias e conceitos no ensino de filosofia. Ao apresentar os quadrinhos como produtos reconhecíveis da cultura pop, próximos ao interesse e experiência de leitura dos alunos no ensino de filosofia, é mais fácil para eles conectar o que aprendem na escola com a vida real, ou seja, aplicar o que aprenderam em situações da vida cotidiana. As histórias em quadrinhos podem ser utilizadas como fonte de informação, uma forma de aprendizado de novos conteúdos, bem como base para estimular o diálogo e a discussão em sala de aula. Além disso, os quadrinhos podem ser usados como estímulo na abordagem da filosofia para crianças (P4C). A P4C e a abordagem comicsophy ao ensino de filosofia são particularmente complementares, o que permite que sejam combinados de forma eficaz. Os alunos podem, individualmente ou em pares/grupos, criar histórias em quadrinhos sobre temas filosóficos específicos, desenvolvendo assim o pensamento criativo, crítico e colaborativo. O artigo apresenta critérios específicos para avaliar histórias em quadrinhos sobre questões filosóficas que os alunos criam nas aulas de filosofia.

Ver as crianças brincando: por uma terra alegre

PID: S1984-59872022000100301 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: uskoković uskoković uskoković
resumo Ver a los niños jugar es el pasatiempo favorito de muchos personas mayores. Sin embargo, debido a la creciente preocupación por la seguridad, los padres se han vuelto cada vez más reticentes a la idea de que extraños observen a sus hijos en los parques y zonas de juego. Esto crea una brecha intergeneracional en la comunicación con consecuencias potencialmente perjudiciales para todos los grupos sociales. Entrevistas orales realizadas y encuestas escritas distribuidas verificaron el titubeo que sienten las personas mayores, especialmente en los Estados Unidos, respecto de pasar tiempo en los parques infantiles a pesar de que encuentran estimulante la proximidad de los niños. Se llevaron a cabo observaciones de comportamiento en parques infantiles de Irvine, California, para cuantificar los efectos positivos y negativos de la edad de los supervisores en el juego de los niños y, de este modo, evaluar indirectamente si podría haber un beneficio mutuo en hacer que la presencia de personas mayores en los parques infantiles, habitual en muchos países, fuera más aceptable culturalmente. Las observaciones centradas en el comportamiento de una pareja de hermanos mostraron que cuando los niños estaban en presencia de una persona de mediana edad hubo una mayor probabilidad tanto de conflictos como de expresiones de alegría que cuando eran vigilados por personas mayores. Esto ha sugerido que las expresiones más libres estimuladas en presencia de figuras semejantes a los padres inducen simultáneamente los patrones de comportamiento no deseados y los deseados en forma de propensión al conflicto y propensión a las expresiones de alegría, respectivamente. Esto ha confirmado que la posición desde la que se observa tiene un efecto crítico sobre el resultado de la observación y que la edad de los observadores tiene un efecto sobre el comportamiento de los niños que juegan, correlacionándose directamente la edad con la tranquilidad del juego, pero también con un menor grado de euforia. Para dar cuenta genuinamente de un estudio científico sobre el jugar de los niños, el artículo adopta una forma innovadora, combinando una analítica rigurosa con un tríptico poético que sitúa a personajes infantiles de la vida real en el escenario central del discurso.

acampamento filosófico: experiência lúdica de pensamento com a infância

PID: S1984-59872022000100014 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: quiroz Murcia
resumo Este artigo apresenta alguns dos resultados do projeto de pesquisa Lúdica y juego en la educación infantil: construcción conceptual, financiado pela Vice-reitoria de Investigaciones da Universidad Pedagógica y Tecnológica de Colombia, Tunja, Boyacá, Colombia. O objetivo é identificar e explorar as concepções do que o Acampamento de Filosofia representa para seus participantes dentro da estrutura do projeto Filosofia e infância. Este estudo tem uma abordagem qualitativa, para a qual foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas como instrumento de coleta de dados. O software Atlas.ti 8® também foi usado para analisar os dados. Foi realizada uma codificação aberta, axial e seletiva, na qual as categorias emergentes da análise foram experiência, encontro, aprendizado, autocuidado e corpo. Como resultado da conceitualização, descobriu-se que os campos de filosofia são cenários que permitem uma relação entre os ambientes de aprendizagem universitária e a educação primária, básica e secundária. Eles são também uma experiência para um encontro dialógico entre diferentes perspectivas sobre o mesmo assunto. Através do Acampamento Filosófico, a filosofia foi levada à escola, e o encontro com a infância - como estado, atitude e possibilidade - fomenta espaços de pensamento, amizade e interações.

ao rosto do adulto, o gesto de Alice nas cidades

PID: S1984-59872022000100010 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: costa kasper
resumo Uma cena do filme “Alice nas cidades”, de Wim Wenders, arde em nós - ela movimenta matérias em nosso pensamento. Trata-se de uma polaroide recém-emitida em que os rostos de um adulto (Phillip Winter) e de uma criança (Alice) se confundem. A partir dessa imagem percorremos a narrativa fílmica, elaborando reflexões sobre a potência de liberdade contida no encontro com a infância. Em um primeiro momento, observando a relação que o personagem Phillip estabelece com seu trabalho jornalístico, discutimos o lugar do investimento de sua angústia e sua aparente indisposição para o devir, manifestas no entendimento que expressa com as imagens que produz com sua máquina fotográfica. Em seguida, compreendemos a chegada de Alice como capaz de desfazer as tramas existenciais que enquadravam o rosto do adulto, lançando-o ao imprevisível. Esse acontecimento se cristaliza em um gesto poético: a criança interpela o adulto com seu próprio rosto, fazendo seu retrato. Aqui, os conceitos de rostificação e de desterritorialização são entretecidos e elaborados a partir dos pensamentos de Georges Didi-Huberman, Gilles Deleuze e Félix Guattari. Por fim, nos dedicamos a pensar o valor da inquietude, presente na criança e no viajante, como estratégia de fuga possível em direção a uma liberdade libertada, ou ainda, desrostificada.
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