☰ Menu
Educ@

Búsqueda por Índice

Filtro por título, resumen, autor, revista y año

Total: 435 | Página 7 de 22
0 resultados seleccionados

É tão estranho a gente sentir que existe: infância e cinema no curta alma

PID: S1984-59872022000100020 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2022
Autores: queiroz
resumo Esse artigo tem por objetivo apresentar uma discussão sobre infância a partir das questões suscitadas pelo curta-metragem intitulado Alma, dirigido, produzido e roteirizado pelo cineasta paraibano André Morais. Na obra, experienciamos um dia na vida de uma menina que vive com sua avó e que, ao longo de toda a trama, tece questionamentos sobre sua própria existência, os sentidos da vida e as dimensões das relações que vamos estabelecendo uns com os outros. Discute-se nesse texto, portanto, a potência do cinema e da infância como dimensões que convidam a um diálogo capaz de fazer convergir arte e vida, fertilizando também o campo da ciência, a partir das reflexões que são caras à dinâmica da experiência humana. Que concepções de infância são apresentadas na produção? De que formas a abordagem escolhida amplia a discussão sobre a infância e o cinema como potências? Em que medida as questões levantadas pela criança conectam sua experiência de infância às experiências de quem a assiste em tela? A fim de mobilizar a discussão, o texto é organizado a partir de cenas, que caracterizam a sequência dos acontecimentos que dão sentido ao que o filme quer expressar. Na primeira delas, apresenta-se a temática central; na segunda, as questões para as quais o curta nos desperta ao longo da narrativa; e na terceira, busca-se ampliar as possibilidades de leitura, no lugar de encerrá-las. Dão embasamento às discussões aqui levantadas Walter Benjamin, Mikhail Bakhtin, Antoine de Saint-Exupéry, Aristóteles e Hannah Arendt.

Nomen presságio. Uma narrativa pedagógica sobre uma comunidade de investigação em contexto de formação de professores.

PID: S1984-59872021000100301 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Rodriguez
resumo Este artigo relata a experiência de uma comunidade de investigação em uma oficina de Filosofia com Crianças dirigida a alunos de formação inicial de professores vindos da zona rural de Mendoza. A experiência foi documentada em forma de uma narrativa pedagógica, uma estratégia de pesquisa-ação-formação que permite refletir sobre a prática escolar a partir da voz do professor. Nossa narrativa documenta a experiência da oficina tal como se apresenta nas aulas, valendo-se das vozes de alunos e alunas e confrontando-as com os marcos teóricos estudados. A aula narrada a partir de um registro de áudio aconteceu entre agosto e outubro de 2018. O nó crítico da narrativa versa sobre a questão do nome. Nesse sentido a sessão aqui apresentada mostra de que maneira o nome não só constitui um elemento fundamental para a definir a identidade, mas também um núcleo problemático a partir dela. A experiência dos estudantes e o contexto abrem a possibilidade apresentar questões relativas ao papel do professor e a prática educativa em situação de formação. O trabalho também problematiza a ideia de sujeito no discurso pedagógico atual contrapondo-o ao conceito de comunidade tematizado no discurso filosófico contemporâneo.

fabulate ergo sum: a criação, o currículo e o cuidado com a vida

PID: S1984-59872021000100209 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: roseiro
resumo Este artigo discute a possibilidade de fazer da fabulação um método de pesquisa coletivo, apresentando o conceito de fabulação criado por Henri Bergson e ampliado por Gilles Deleuze e Félix Guattari para, no limite, fazer nascer o método. Partindo do princípio de que as forças vitais são minadas pela máquina capitalística, o texto indaga as possibilidades de insurreição e de apego à vida nas escolas. Se a fabulação tem um lado obscuro inclinado para a regulação da vida, a filosofia da diferença dá ao conceito a possibilidade de ampliação dos compossíveis da imanência. Fabular seria, então, uma questão de criar possíveis para a existência. Assim, este texto propõe fabular, com alunos de uma escola periférica no município de Cariacica-ES, condições de produção coletiva de vida a partir da própria escola. Desse modo, diante do imperativo funcional e mercantil que rege a escola e as produções curriculares, aborda algumas das questões e dificuldades encontradas no processo de fabulação como método. Por fim, aponta a fabulação como criação de um comum que afete os corpos. Eis, então, uma fabulação que destitui o lugar de autoria para criar um corpo coletivo capaz de criar vazios que expandam os limites da vida.

A autenticidade como ideal inarticulado no discurso contemporâneo sobre boas infâncias

PID: S1984-59872021000100210 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Miranda
resumo Este artigo consiste em uma investigação inicial sobre o significado de uma boa infância baseado no ideal ético da autenticidade. Nesta introdução a uma filosofia da infância e autenticidade, o tema central é investigar como o ideal de autenticidade já está pressuposto no discurso contemporâneo sobre o que constitui uma boa infância. No emergente campo da filosofia da infância, as capacidades de agência, autonomia e comprometimento das crianças, assim como o papel fundamental dos pais em garantir possibilidades de exercer tais capacidades, vêm sendo cada vez mais destacadas, juntamente com um discurso de que existe um valor intrínseco da infância. Esses desenvolvimentos são paralelos às reconstruções contemporâneas da autenticidade como um ideal ético. Os debates atuais enfatizam a importância de uma pessoa encontrar, criar e construir sua originalidade e como realizá-la. Ao mesmo tempo, essa busca deve reconhecer as demandas que emanam de algo além do que desejos humanos: de sua cultura e comunidade. A dinâmica paralela entre esses dois discursos - filhos-pais e indivíduo-sociedade - aponta para uma direção em que a aplicação do conceito de autenticidade à construção de novas interpretações e práticas de uma boa infância pode trazer resultados frutíferos. Depois de examinar tais paralelos, algumas dessas práticas que emergem da equação de boa infância com infância autêntica são demonstradas, como a importância de cultivar os momentos de cuidado e compromisso das crianças e o desenvolvimento de projetos pessoais. O artigo conclui explorando algumas limitações da metodologia aplicada e como ela pode ser um ponto forte em pesquisas futuras sobre este tópico.

A infância e o (in)dizível: poder ubuesco, resistência e a possibilidade da justiça

PID: S1984-59872021000100101 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Melo Schilling
resumo O artigo, como parte de uma reflexão mais ampla em torno da crítica ao direito ao desenvolvimento e seu impacto nos modos de subjetivação jurídico-política de crianças e adolescentes, problematiza a condição da criança como sujeito sem fala, ou uma fala condicionada a critérios de maturação, ditados pelo referencial adulto, num campo, ademais, delimitado ao que se lhes repute pertinente à sua manifestação. Pautado pelo pensamento da exterioridade, retomamos o debate foucaultiano sobre a pertinência entre verdade e justiça, particularmente da indizibilidade monstruosa das práticas jurídicas e judiciárias, a partir da descrição ubuesca deste poder. Em transposições críticas, analisaremos, pelas contribuições do cinismo clássico (kynismos), apoiados em Foucault, Sloterdijk, Nieheus-Pröbsting, as práticas resistentes - para além da linguagem- de crianças e adolescentes. Tratar-se-á, assim, de colocar a (in)dizibilidade no centro das disputas de poder para nos abrirmos, com Derrida, Rancière, Butler e também Foucault, a repensarmos vulnerabilidades, direitos humanos e a possiblidade da justiça. O texto se desenvolverá com os seguintes eixos de análise:1. Contextualizando o debate foucaultiano sobre verdade e justiça e o lugar do dizível; 2. A (in)dizibilidade no cerne do direito, da infância e da monstruosidade; 3. Poder ubuesco e resistência kynica;e 4. Para concluir: a criança e a possibilidade da justiça.

A noção de fink de brincar no contexto da investigação filosófica com crianças.

PID: S1984-59872021000100206 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Petropoulos
resumo Pesquisas em educação indicam que o currículo de Filosofia para Crianças (FpC) é fundamental para alcançar objetivos educacionais importantes. E, no entanto, é precisamente essa concepção instrumentalista do FpC que foi questionada por uma segunda geração de estudiosos do FpC. Entre outras coisas, esses estudiosos argumentam que P4C deve permanecer vigilante e evitar subscrever 1) desenvolvimentismo e 2) uma identificação redutora do pensamento com e a racionalidade. Pelo contrário, sugerem que P4C deve garantir dar voz à infância, permitindo-lhe entrar em diálogo genuíno com a idade adulta. Estudiosos que defendem uma abordagem não redutiva e não instrumentalista da FpC destacam a importância do brincar nas sessões de filosofia com crianças. Neste artigo, examino até que ponto a investigação filosófica tem lugar no contexto FpC pode ser entendida como uma atividade lúdica. Sustento que o relato de jogo de Fink pode nos ajudar a compreender melhor o que entendemos por jogo, o que, por sua vez, pode nos ajudar a examinar a compatibilidade entre as atividades do FpC e o jogo. Na primeira parte do artigo, examino algumas das ideias básicas de FpC e levanto a questão sobre a compatibilidade entre investigação filosófica e jogo. Na segunda parte do artigo, faço uma apreciação filosófica do jogo, baseando-me na obra de Eugen Fink. Na parte final do artigo, mostro como o jogo - entendido segundo a linha de Fink - é compatível com a investigação filosófica praticada em ambientes escolares.

A que convida o convite ao filosofar?

PID: S1984-59872021000100003 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Gomes Vieira
resumo Na chamada da childhood & philosophy escutamos um convite ao filosofar. Mas o que nos convida a viver um convite ao filosofar? De que modos um convite ou (re)convites do filosofar nos colocam em suspensão de sentidos e nos atravessam, a ponto de nos convidarem a sustentá-lo? São estas as perguntas que inquietam duas professoras que se aventuraram a abrir-se para o convite de filosofar com crianças e, que agora, se abriram ao convite de pensar e escrever em conjunto. De certa maneira, a escrita deste ensaio-experiência testemunha outros modos de pensar e viver a prática educativa, por meio dos atravessamentos que experienciamos como professoras e os outros sujeitos praticantes (crianças e adultos, professores e alunos) que nos abre o convite a viver de outras maneiras mais inventivas, e por isso mais infantis, dentro da escola pública, numa aceção de escola como scholé (Masschelein; Simmons, 2013). Este ensaio-experiência pensa a que convida o convite ao filosofar e que condições são importantes para sustentar o convite ao filosofar e oferecemo-lo como um caminho. Pensamos o conceito de convite a partir de duas perguntas das crianças quando nos (re)convidam após terem sido, por nós, convidadas a filosofar na escola. Para pensar a sustentação do convite das crianças partimos do conceito heideggeriano consumar (Heidegger, 1987), dialogamos com a proposta por uma pedagogia da pergunta (Freire; Faundez, 1985), e com a igualdade das inteligências (Rancière, 2005). Este ensaio-experiência é um convite a pensar na pergunta: a que convida o convite ao filosofar?

Bem debaixo de nossos narizes: o adiamento da igualdade política das crianças e o agora

PID: S1984-59872021000100004 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Haynes Murris
resumo Respondendo ao convite desta edição especial da Infância e Filosofia, este artigo considera o ethos da facilitação na investigação filosófica com crianças e a ordem espaço-temporal da comunidade de investigação. Dentro do movimento Filosofia com Crianças, existem diferenças de pensamento e prática sobre 'facilitação' em comunidades de investigação filosófica, e sugerimos que isso tem implicações profundas para a agência política das crianças. A facilitação pode ser executada como uma prática cronológica de progresso e desenvolvimento que funciona contra a criança, em termos de agência política. Este artigo teoriza práticas de facilitação alicerçadas em filosofias da infância que pressupõem ouvir a criança / criança como iguais, já capazes de filosofar e contra a mesmice. Exploramos as implicações políticas e éticas da reconfiguração pós-humanista radical do corpo "fechado" à luz da inclusão das energias disciplinares, imaginativas e capacitadoras do tempo cronológico por meio do conceito agora / ness. Mudamos da ética para o ethos, e de corpos "compactados" para "descompactados", por meio da noção de afeto para explorar as dimensões temporais e espaciais de facilitação em Filosofia com Crianças e a agência política infantil. Voltamos a Not Now Bernard de David McKee (1980), entrando "no texto" e tratando do adiamento da igualdade em Filosofia com Crianças.

Cartografia infantil: enfoques metodológicos seguidos de experiências com crianças e jovens de portugal e brasil

PID: S1984-59872021000100204 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Almeida Costa
resumo Este artigo tem um objetivo duplo que se consigna em situar, teórica e empiricamente, a cartografia infantil como metodologia de investigação-intervenção. Situaremos, num primeiro movimento, a cartografia infantil em suas bases epistemológicas e filosóficas, tendo como inspiração as concepções cartográficas da filosofia de Deleuze & Guattari e seus comentadores. A aposta em uma cartografia junto às infâncias desloca o olhar e o agir de uma pesquisa a dimensões outrora imperceptíveis ou mesmo relegadas a um plano de menor valia. Ao invés de somente se interessar pelo que as infâncias dizem, uma cartografia infantil lança seu mapa sensível às forças que estão imbricadas nestes dizeres, forças que se revelam no processo de convivência das infâncias com o aparato humano e inumano que circunscreve uma pesquisa. Num segundo momento explicitaremos como a cartografia infantil se situa, potencialmente, no “estar-a-ser-criança”, apresentando duas experiências cartográficas realizadas com crianças e jovens de Portugal e Brasil. Terminamos o texto com uma reflexão sobre como as cartografías infantis podem configurar-se com uma possibilidade de crianças e adultos abrirem mundo lado a lado.

Dar infância a infância. Notas para uma política e poética do tiempo.

PID: S1984-59872021000100102 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Skliar Brailovsky
resumo O texto que segue tem por objetivo colocar em discussão a ideia de discrepância entre crianças e infância no contexto de uma época governada pelos atributos da aceleração, auto-aprendizagem, conhecimento proveitoso, privilégio do cérebro, divisão entre careza e abundancia, procura de indivíduos exitosos, relação unívoca entre o saber e o utilitarismo e processos educativas partidos entre a experiência igualitária e a exigência de rendimento. A perda da infância entre as crianças é, talvez, a perda da infância na humanidade, tirando dela o tempo livre, a possibilidade de ficção, de criação, do jogo, da arte. A pergunta que o artigo percorre é, também, tentar dar conta da questão: O que supõe escutar as vozes da infância nas crianças? O que existe nelas? Como apreciá-las em tanto ponto de partida para a reinvenção de uma educação diferente? O objetivo fundamental do artigo e aquele de construir uma política e uma poética do tempo que, em sua expressão estética y ética, sinalizassem para a possibilidade de uma travessia diferente na educação para as crianças e para a infância, no sentido da existência de um tempo em que ainda, como diz o escritor Mia Couto, nunca é tarde demais.

De chrónos à aión - onde habitam os tempos da infância?

PID: S1984-59872021000100207 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Araújo Costa Frota
resumo O presente artigo faz uma reflexão sobre os tempos da infância a partir das palavras chrónos, kairós e aión, que os gregos utilizam para conceituar tempo, em diálogo com diferentes autores, tais como Kohan (2007, 2009, 2018), Pohlmann (2005), Skliar (2018), Kohan e Fernandes (2020). No campo pedagógico, apresentamos como a Pedagogia da Infância tem se debruçado sobre a importância do tempo para a experiência, o protagonismo e os processos de criação das crianças, tendo como aportes as contribuições de Hoyuelos (2020), Parrini (2016), Aguilera et al. (2020), Barbosa (2013), Oliveira-Formosinho e Araújo (2013), Oliveira-Formosinho (2018), Pinazza e Gobbi (2014). Refletimos sobre que tempos são possíveis quando pensamos nas crianças e em suas infâncias. Seria um tempo contínuo e cronológico, um tempo da oportunidade do instante e/ou intenso, aiónico? Seria possível abrir espaço na escola para outras temporalidades, quando esta se apresenta imersa em um tempo cronológico, marcado pela organização dos tempos pedagógicos que estruturam as rotinas na Educação Infantil? Afinal, onde habitam os tempos da infância? Assim, por meio de pesquisa bibliográfica, fizemos uma relação entre tempo, Filosofia, Pedagogia da Infância e Educação Infantil, com o intuito de buscar um entendimento sobre os tempos da infância e as outras possibilidades de relação entre a criança e a temporalidade no contexto escolar. Desse modo, concluiu-se que o tempo da criança é o tempo aiónico da experiência. É pela via da experiência com a brincadeira, com o movimento e com as expressões de suas múltiplas linguagens que pode ser possível habitar os tempos da infância. Quem sabe essa seja a rota de fuga para que as crianças não venham a sucumbir, como nós adultos, ao tempo chrónos da existência.

Devir-professor brasileiro em tempos de pandemia

PID: S1984-59872021000100208 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Barbosa Garcia Frota
resumo Para tentar compreender algumas nuances do devir-professor brasileiro em tempos de pandemia, foi realizado um estudo de natureza exploratória, de cunho bibliográfico, no qual foram considerados os desafios, limites e as possibilidades do trabalho docente. As discussões teóricas sobre o tema envolveram um diálogo que considerou a Pedagogia, a Filosofia da educação e a experiência dos acontecimentos políticos e sociais no período de pandemia da Covid-19 a partir das contribuições de Caponi (2020), Kohan (2007, 2008, 2010, 2011, 2017), Larrosa (2018), Neuscharank (2020), Vaz (2012), Arroyo (2012) e Abramowicz (2017). As discussões nos levam a crer que: o contexto mundial de pandemia provocado pela Covid-19 afetou profundamente a forma de viver, trabalhar e se relacionar com o outro, especialmente devido ao isolamento social, solicitando do professor brasileiro abertura para mudanças e uso de novas tecnologias, com a clara defesa de que estas não substituem as interações presenciais; as dificuldades provocadas no processo pelo fortalecimento da lógica neoliberal propiciou o debate sobre que escola temos e que escola queremos, que professores somos e que professor queremos ser; o olhar para as possibilidades de “devir-criança” enquanto desejo e abertura para o novo pode ser um convite a pensar em um “devir-professor” que se deixe atravessar por outra lógica, por outra temporalidade mais sensível e mais estética; o encontro com outros, com a arte, com a infância, com o devir pode ajudar a pensar, a resistir, a lutar.

Educação filosófica baseada no lugar: reconstruindo o "lugar", reconstruindo a ética

PID: S1984-59872021000100005 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Thornton Graham Burgh
resumo A educação como formação da identidade nas democracias liberais de estilo ocidental baseia-se, em parte, na neutralidade como uma justificativa para a reprodução da identidade individual coletiva, incluindo identidades sociais, culturais, institucionais e políticas, muitos aspectos dos quais são problemáticos em termos de reprodução de atitudes, crenças e ações ambientalmente prejudiciais para o meio ambiente. Para se posicionar sobre uma questão, é necessário abrir mão de certas formas de neutralidade, assim como efetivamente ensinar educação ambiental. Afirmamos que reivindicar uma posição de neutralidade é reivindicar uma posição além da crítica. Na sala de aula, essa também pode ser uma posição epistemologicamente prejudicial de se ocupar. Para explorar ainda mais o problema da neutralidade na sala de aula e para oferecer uma possível solução, olharemos para a pedagogía da comunidade filosófica de investigação filosófica e defenderemos a incorporação da uma educação situada; uma forma de educação experimental que promove a aprendizagem nas comunidades locais em que a escola está inserida, cada uma com sua própria história, cultura, economia e meio ambiente. No entanto, como entendemos o "lugar" é fundamental para compreender o potencial da educação baseada no lugar em dar aos estudantes um "sentido de lugar" - como eles percebem um lugar, que inclui apego ao lugar e significado de lugar. Para este fim, olhamos para as compreensões indígenas do lugar e da aprendizagem da reconstrução social para dar forma as pedagogias baseadas no lugar. Desse modo, acreditamos, que se abre um caminho para a educação ética.

Existe uma forma de cidadania específica da filosofia para crianças?

PID: S1984-59872021000100201 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Leseigneur
resumo Devido aos óbvios e amplamente estudados fundamentos Deweyanos presentes no programa educacional elaborado pelo filósofo Mathew Lipman, a Filosofia para Crianças é frequentemente apresentada como uma continuação do ideal democrático de Dewey, como um modo de vida associado. Sustento que existe um modelo democrático específico à Filosofia para Crianças elaborada por Lipman, que não pode ser reduzida às teorias de Dewey. Para tanto, proponho comparar os modelos educacionais de Dewey e de Lipman por meio da noção bourdieusiana do habitus, entendida como um conjunto de disposições mentais duradouras, provenientes de um condicionamento social específico, que se manifesta por alguns hábitos práticos. Estudar em profundidade as recomendações educacionais de Dewey e de Lipman relativas à investigação não só revela que elas estão estruturadas de acordo com diferentes racionalidades, mas também destaca o fato de que tendem a desenvolver hábitos e disposições diferentes na criança, que acabam por formar dois habitus de cidadão distintos. O habitus de Dewey pode ser denominado experimental, e o habitus de Lipman dialógico, e ambos correspondem às suas respectivas reflexões sobre a democracia e o papel que um cidadão deve desempenhar. Concluo destacando as possibilidades interessantes que emergem da análise e da comparação de modelos educacionais por meio da noção de habitus.

Mantenho meu chapéu cultural: explorando uma filosofia "habilitadora da cultura" para / com a prática infantil

PID: S1984-59872021000100002 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Elicor
resumo Neste artigo, apresento um esboço preliminar de uma prática de Filosofia para/com crianças que culturalmente habilitadora. É um enfoque sobre as relações filosóficas com crianças que visa encorajar o exercício da reflexão crítica no nível de suas respectivas culturas. Este tipo de prática de FpcC espera abordar os que formam parte de facilitar diálogos filosóficos em grupos culturalmente ou etnicamente diversos, especialmente quando prevalecem os prejuízos e os estereótipos negativos em relação às minorias culturais ou étnicas. Seu foco central é ajudar as crianças a tomar consciência de sua situação cultural e o correspondente impacto que isso tem em seu pensamento e atitude em relação ao diálogo. Subjacente a esta prática está o pressuposto de que a Filosofia é fundamentalmente uma visão de mundo e um método que está incorporado na cultura onde é criada, validada e usada. Tal maneira de fazer filosofia reconhece que as crianças são portadoras ativas de cultura e têm direito a oportunidades educativas, como o FpcC, que pode capacitá-las a pensar por si mesmas e com os outros enquanto permanecem enraizadas em suas origens culturais. Assim, a Comunidade de Investigação funciona como um espaço de cuidado onde a compreensão intercultural e a afirmação crítica das culturas são fomentadas e sustentadas. Em relação a isso, sugiro que um professor FpcC capacitador de cultura deve ter três características desejadas: a) abertura a vários recursos e perspectivas culturais, b) um senso de posição crítica e c) parcialidade para os marginalizados culturalmente.

Música, autismo e diferenças: a representação como violência em levinas e deleuze

PID: S1984-59872021000100203 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Oliveira Damasceno Hofmann Damasceno Schaefer Silveira
resumo O objetivo do presente artigo consiste em investigar e discutir as noções de diferença e representação em Emmanuel Levinas e Gilles Deleuze, articulando tais noções com um projeto de extensão universitária, uma oficina de música no autismo. A metodologia utilizada é a revisão não sistemática da literatura, por meio da seleção das obras Totalidade e Infinito e Entre Nós - ensaios sobre a alteridade, de Levinas; e “A concepção da diferença em Bergson” e Diferença e Repetição, de Deleuze, além de referências secundárias. As principais articulações da investigação realizada com a Oficina de Música consistem em aspectos como a tomada de responsabilidade pela criança autista, por meio de relações assimétricas, que se dão pela via da sensibilidade, aquém de qualquer representação, não totalizando a alteridade e mantendo, ao mesmo tempo, sua diferença radical. Além disto, há a ênfase no trabalho à diferença de cada criança, para além de sua identidade diagnóstica, entendendo-se que todos os participantes encontram-se em processos únicos de diferenciação e que algumas diferenças não são mais privilegiadas que outras, que tais hierarquias são determinadas por relações de poder. Outra contribuição desta articulação se dá na ênfase aos fluxos afetivos intensivos das crianças e à construção de relações de afetação mútua, que aumentam a circulação da potência de vida em cada uma delas. Ratifica-se, por fim, o Projeto como uma proposta para uma clínica, estética, ética e uma política da diferença, alternativa às práticas hegemônicas no autismo na contemporaneidade.

Necropolítica, governo sobre as infâncias negras e educação do rosto

PID: S1984-59872021000100103 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Silva Almeida Pagni
resumo Neste artigo, procuramos discutir a recorrência do racismo e do preconceito sobre as vidas e as infâncias negras, diante da agenda regressiva que tem bloqueado o campo das políticas de inclusão social e educacional. Seguindo as investigações inauguradas por Foucault acerca da hipótese do biopoder, revisitamos alguns de seus intérpretes, com o objetivo de discutir os desafios lançados pelo racismo para o governo pedagógico das infâncias e para uma educação dos rostos negros, como campo político de lutas em que e a necropolítica se faz presente e evidencia a dimensão tanatológica da biopolítica. Para tanto, retraçamos algumas cenas da história dos dispositivos de inclusão - em especial, aquelas políticas voltadas às populações negras -, refletimos sobre o racismo incrustado em nosso inconsciente histórico e discutimos a forma como repercute na educação dos rostos em nosso país. Problematizamos, dessa forma, as peculiaridades do preconceito racial brasileiro e exploramos sua face necropolítica, quando voltada ao governo sobre as infâncias e a educação dos rostos negros. Concluímos que essa forma de governamentalidade e de educação necessitam de um movimento de desrostificação para que encontremos no devir que repercute sobre as infâncias e os rostos negros uma clandestinidade capaz de se insurgir contra as ordens majoritárias do homem-branco-heterossexual-cristão-europeu e de criar processos de subjetivação em que possa se aliar a multiplicidade de outros devires minoritários.

O erê e o devir-criança negro: outros possíveis em tempos necropolíticos

PID: S1984-59872021000100104 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Carvalho Souza
resumo O objetivo deste artigo é o de investigar como a noção de devir-criança negra, intermediada pela experiência do erê no candomblé nagô suscita outros possíveis existenciais para as crianças em tempos necropolíticos que efetiva-se no jogo da “normose” (Butler, 2019) e tangencia o apagamento da memória. A hipótese central é de que as crianças negras são marcadores de singularidades sociais potentes para se alterar a lógica dos coeficientes mortíferos que perpassam a necropolítica atual. Ao mesmo tempo, sustenta-se que sem o enfrentamento do carrego colonial (Rufino, 2017; 2018) não há como mitigar-se a força e a presença da necropolítica nesses tempos. Para tanto, o texto atualiza a condição da necropolítica contemporânea considerando sua genealogia colonizadora. Em seguida, a partir de pesquisas com crianças negras no candomblé nagô Ilê Axé Omo Oxe Ibalatam, na cidade de São Paulo, destacar-se-á a relação do erê na deflagração do devir-criança negra considerando que o axé (energia vital) denota uma resistência contra a pulsão mortífera dos tempos necropolíticos. O giro potente do erê seria a resistência a toda e qualquer prefiguração de papeis e representação estática de vida, agenciando seus devires “africamiticamente”, bem como suas condições para criar outros possíveis para re-existir em tempos necropolíticos.

O facilitador como auto-liberador e possibilitador: responsabilidade ética em comunidades de investigação filosófica

PID: S1984-59872021000100001 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Kizel
resumo Desde seu início, a filosofia para/ com as crianças (FpcC) tem procurado promover uma discussão filosófica com crianças com base nas próprias questões destas últimas e um método pedagógico projetado para incentivar o pensamento crítico, criativo e cuidadoso. Entretanto, as comunidades de investigação podem ser atormentadas por lutas de poder motivadas por diversas identidades. Nem sempre destacadas na literatura ou no discurso da FpcC, este artigo propõe um modelo em duas etapas para os facilitadores como parte de sua responsabilidade ética. Na primeira fase, eles devem se libertar das suposições e da mentalidade fechada. Eles devem se libertar da pedagogia do medo e da "educação bancária" para agir livremente em um espaço educacional caracterizado pela improvisação que cultiva a participação das crianças. Aqui, o texto se baseia na normalização dos princípios da educação, da contra-educação e das abordagens de educação diaspórica, a fim de garantir abertura e inclusão. No segundo, eles devem abraçar visões e práticas possibilitadoras de identidade, a fim de tornar a comunidade de investigação tão ampla e rica quanto possível, reconhecendo e legitimando as diferenças dos participantes. Aqui, o texto é baseado em princípios como o reconhecimento de jogos de poder como parte da comunidade, garantindo um ambiente humano multi-narrativo e possibilitando justiça epistêmica, a fim de assegurar a multiplicidade de perspectivas, identidades múltiplas e a legitimação da diferença caracterizada por uma pedagogia de busca.

Teatro fórum encontra com a filosofia para / com crianças: explorando fisicamente situações desafiadoras na comunidade de investigação filosófica

PID: S1984-59872021000100202 | Revista: Childhood & Philosophy (1984-5987) | Año: 2021
Autores: Dewitt Kingan
resumo Este artigo apresenta as práticas teatrais de Augusto Boal, especificamente o teatro fórum, ao movimento Filosofia para/com Crianças FpcC. Ao conectar a pedagogia de Boal com FpcC, mostramos como as técnicas de teatro-fórum podem capacitar crianças participantes a se envolver fisicamente em Comunidades de Investigação Filosófica [CIFs] centradas em situações desafiadoras que elas vivenciam. Para fazer isso, apresentamos e resumimos aspectos da pedagogia de Boal, incluindo seus insights teóricos e estruturas metodológicas, com extensa referência a seu livro Teatro do Oprimido. Seguimos com uma discussão sobre algumas das conexões entre o movimento Teatro do Oprimido e o FpcC; especificamente, olhamos para as concepções semelhantes que ambos movimentos tem entre o eu e a comunidade, e o papel metodológico semelhante de estímulos e facilitadores. Terminamos expondo várias maneiras pelas quais os profissionais de teatro e educadores usaram o teatro fórum com crianças e sugerimos como os facilitadores do FpcC podem utilizar os métodos de Boal dentro da CIF. Argumentamos que o trabalho de Boal oferece ferramentas metodológicas e percepções teóricas que podem complementar o movimento FpcC, criando espaços mais corporais, criativos e inclusivos para o envolvimento filosófico. Por fim, afirmamos que a unificação desses dois movimentos tem muito a contribuir para o desenvolvimento contínuo das práticas pedagógicas no FpcC. Assim, fazemos um chamado por mais pesquisas sobre os métodos de Boal, bem como outras práticas de teatro participativo, na prática do CPI.
Reportar erro A