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O desenvolvimento moral humano: perspectivas e contribuições da teoria de Lawrence Kohlberg

PID: S1984-71142007000300009 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Lyra
Falar-se em ética/moral talvez nunca tenha sido um tema tão atual. Em uma sociedade onde por muitas vezes é questionado o verdadeiro significado do que vem a ser valores morais, quais os principais meios de transmiti-los e apreendê-los, Lawrence Kohlberg nos apresenta o ser humano em suas possibilidades de agente e sujeito, ou seja, constituinte e constituído pelo longo processo de aquisição de comportamentos morais. Sendo este, para Kohlberg, um caminho que perdura ressignificando-se até o fim da vida do ser humano, o autor retoma o modelo piagetiano de desenvolvimento moral e o aperfeiçoa. O presente estudo buscou realizar uma breve revisão acerca da Teoria do Desenvolvimento Moral defendida pelo autor, pontuando seu ideário, mecanismos de efetivação, bem como breves aproximações e distanciamentos ao modelo do qual é originário.

O diálogo de Illich e Freire em torno da educação para uma nova sociedade

PID: S1984-71142007000300006 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Mesquida
Ivan Illich e Paulo Freire foram contemporâneos e as visões de ambos sobre as bases teóricas e práticas da opressão do povo latino-americano se identificam, mais do que se aproximam. Portanto, se Ivan Illich queria desescolarizar a sociedade para eliminar um aparelho utilizado pelas classes dominantes para manter a exclusão, e propunha a criação de redes de convivialidade, Paulo Freire desejava desescolarizar a educação, substituindo a escola pelos círculos de cultura, lugares de domínio da palavra e de preparação para a práxis transformadora, local, portanto, de união da reflexão e da ação. O sonho sonhado por Paulo Freire da construção de uma sociedade solidária passava necessariamente pela transformação radical do papel da educação; a utopia de Ivan Illich de uma sociedade igualitária visualizava um futuro sem escolas da maneira como elas se apresentavam no presente, pois a escola e a educação que ela veicula existem, segundo Illich, para perpetuar a exploração e a exclusão. Dessa maneira, tanto um quanto outro se aproximavam na crítica que faziam ao sistema capitalista de produção e à maneira como o sistema utiliza os meios de formação de opinião, em especial, a escola/educação, para eternizar a dominação e o poder de uma determinada classe social.

O pensamento do professor: pressupostos e dimensões de estudo

PID: S1984-71142007000200011 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Braz
O texto tem como objetivo sistematizar o surgimento e desenvolvimento das pesquisas sobre o pensamento do professor, com a intenção de refletir sobre os processos pelos quais os professores estruturam seus pensamentos. Organiza-se em torno dos pressupostos básicos que dão sustentáculo a essas pesquisas, bem como suas dimensões de estudo. Baseada em análise do paradigma sócio-construtivista, a autora aponta para a necessidade de se conhecer o pensamento do professor através das suas teorias implícitas, por constituir seu pensamento um suporte relevante para definir suas atividades, para identificar problemas, para tomar decisões, viabilizando, assim, uma elevação na qualidade da prática educativa.

Pareceres descritivos de avaliação da aprendizagem: conteúdo e o processo de elaboração

PID: S1984-71142007000100007 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Sousa
Este artigo aborda os resultados do trabalho realizado com o objetivo de analisar os pareceres descritivos de avaliação da aprendizagem, investigando as implicações, resistências e avanços que se expressam na prática avaliativa do professor, no contexto do programa Escola Sem Fronteiras. A pesquisa foi desenvolvida pela abordagem qualitativa, com a coleta de dados através da entrevista, observação, seminários, análise documental e o uso da análise de conteúdo. O presente estudo não pretendeu esgotar as análises sobre o conteúdo dos pareceres descritivos quanto ao seu significado e viabilidade para o redimensionamento da prática pedagógica, mas sinaliza limitações, avanços e sugestões de encaminhamentos ao programa de formação continuada, em torno da avaliação da aprendizagem e do uso dos pareceres descritivos.

Processos psicossociais na formação de professores: um campo de pesquisas em psicologia da educação

PID: S1984-71142007000200009 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: André Placco
O presente texto busca definir o campo de estudos sobre formação de professores, priorizando os aspectos psicossociais. Centrando-se no processo de constituição da identidade profissional de professores e coordenadores, entende-se que o estudo dos processos psicossociais inclui suas histórias, saberes, experiências, representações, sentimentos, emoções, assim como suas relações e práticas no contexto institucional em que atuam. Na investigação desses processos pode-se recorrer a quatro dimensões interrelacionadas: subjetiva, institucional, pedagógica e sociocultural.

Psicologia (em) contextos de escolarização formal: das práticas de dominação à (re)invenção da vida

PID: S1984-71142007000200003 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Zanella Molon
Este trabalho, eminentemente teórico, tem por objetivo demarcar a necessidade da produção de práticas psipotencializadoras da vida, comprometidas com a criação de formas novas de existência singulares e coletivas em contextos educacionais. Para tanto, parte-se de reflexões sobre o modo como as relações entre Psicologia e Educação vêm se processando historicamente no Brasil, destacando-se a crítica às interfaces que mascaram as condições históricas que (re)produzem relações sociais de dominação/submissão e suas variadas formas de discriminação e violência. Em contraposição, defende-se a necessidade de relações estéticas e éticas, pois estas se caracterizam pela experimentação e constituição de relações sociais mutuamente constitutivas cujo foco é a sensibilidade e o acolhimento à diversidade que caracteriza a condição humana.

Psicologia da educação na formação de professores

PID: S1984-71142007000200007 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Sayeg
O artigo tece algumas considerações sobre a função da Psicologia da Educação para a formação de professores, fundamentadas na experiência do autor como docente de uma instituição privada no interior do Estado de São Paulo. Consideramos relevante selecionar aqueles conteúdos teóricos que possam garantir, ao mesmo tempo, uma visão global da teoria e subsidiar a prática docente. Esta prática compreende tanto a análise de comportamentos de alunos e o planejamento de atividades, como a realização de experiências educacionais em sala de aula, tendo por finalidade o ajuste do ensino às características e necessidades de desenvolvimento dos alunos. Por fim, relatamos a estratégia de ensino da disciplina, que compreende quatro momentos: leitura dos textos teóricos, revisão dos conceitos e princípios teóricos, extração de princípios psicopedagógicos da teoria e aplicação dos referidos princípios.

Psicologia da educação: construindo novos sentidos para o processo de formação do professor

PID: S1984-71142007000200008 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Henriques
Este trabalho discute a importância das práticas instituídas de formação na construção de novos sentidos para os processos de conhecimento e ensino-aprendizagem através da disciplina Psicologia da Educação do Curso de Formação de Professores da Universidade Federal Fluminense. Pois embora essa disciplina discuta teoricamente questões de conhecimento em situações de aprendizagem formal, deve interagir com concepções e modelos de ensino de alunos constituídos através das mais diversas experiências escolares. Dessa forma, torna-se importante trabalhar com uma proposta para a disciplina Psicologia da Educação que integre conteúdos teóricos e concepções dos alunos sobre o processo de conhecimento e ensino-aprendizagem. Para isso realizou-se um trabalho junto a turmas desta disciplina, com suporte teórico do campo do Imaginário Social e da corrente Sócio-Histórica e cuja metodologia consistiu na seleção e discussão de contos literários que tivessem como tema situações ligadas à prática docente. Tal metodologia, inspira-se na prática que o jovem Vygotsky denomina como “crítica de leitor”, na qual defende a concepção de que a obra de arte após sua criação, separa-se de seu autor e é reconstruída pelo leitor. Assim, o trabalho crítico com obras literárias com temas relacionados a experiências educacionais em geral, tornam-se veículo de revelação e expressão de vivências e concepções, permitindo uma nova relação com os conteúdos teóricos e um novo sentido para os processos de formação.

Psicologia histórico-cultural: indicações para uma leitura marxista de Vigotski

PID: S1984-71142007000200005 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Carmo Jimenez
O artigo contrapõe-se à inserção da psicologia de Vigotski no universo construtivista, reafirmando a importância do resgate da psicologia histórico-cultural a partir de seus fundamentos marxistas. Para tanto, com base na revisão de uma literatura crítica selecionada, retoma de forma breve, a trajetória intelectual de Vigotski e seu papel na construção de uma psicologia marxista, ao lado de Luria e Leontiev, no contexto da Rússia do período revolucionário inaugurado em 1917; discute as principais dificuldades relativas à reconstrução da obra de Vigotski, após a avalanche stalinista, bem como à introdução de seu pensamento no Ocidente, particularmente nos Estados Unidos e no Brasil; e, por fim, aponta os desvios essenciais operados pelo tratamento particularizado atribuído pelo neovigotskianismo à linguagem, descolado do princípio marxiano do trabalho.

Um estudo sobre os estados morais em Kohlberg

PID: S1984-71142007000300011 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Villela Raitz
Este artigo tem como preocupação discutir os estados morais em Kohlberg para compreendermos as questões relacionadas ao desenvolvimento da consciência democrática. No mundo em que, muitas vezes, negam-se valores ou estes se limitam ao aspecto individual desde a ética relativista, convém identificarmos como o raciocínio mental opera frente aos desafios e dilemas enfrentados no cotidiano para entender: como a construção pessoal da consciência democrática oportuniza o rendimento produtivo do sujeito trabalhador, a capacidade de tomar decisões, de resolver problemas complexos e de fazer frente às situações imprevistas, no âmbito da cotidianeidade. Neste sentido, a perspectiva social neste estudo considerará os níveis da seguinte forma: nível pré-convencional que tem interesse na aprovação social; o nível convencional preocupado com a lealdade às pessoas, grupos e autoridades; nível pós-convencional pelo bem estar de outros e da sociedade. Um valor básico, tanto em nível convencional como pós-convencional é a confiança.

Um possível caminho para a construção de formas de registro da avaliação formativa

PID: S1984-71142007000100006 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Krause
Este artigo apresenta parte da produção de materiais para registro e divulgação dos resultados da avaliação. Esses materiais foram produzidos durante pesquisa que investigou a evolução do processo de registro da avaliação da aprendizagem orientada pelos princípios da avaliação formativa no currículo do ensino fundamental de uma escola da rede municipal de ensino de Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Destaca-se que a problematização da articulação de uma avaliação formativa com o ensino e as formas de registros avaliativos, pautados em critérios, podem favorecer uma prática mais integrada de ensino e de aprendizagem. Neste artigo é evidenciada a necessidade de registros simples e objetivos para a realização da avaliação da aprendizagem, visando o acompanhamento do processo de ensino e de aprendizagem e a divulgação dos resultados. Há, ainda, algumas considerações sobre os fundamentos da avaliação formativa, conteúdo fundamental para que o professor possa visualizar a avaliação como forma de compreender o funcionamento cognitivo do aluno, a fim de regular os processos de aprendizagem.

Wallon e a educação: uma visão integradora de professor e aluno

PID: S1984-71142007000200006 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2007
Autores: Calil
A teoria psicogenética de Henri Wallon constitui a base conceitual escolhida para referenciar este estudo, porque, ao trazer contribuições para a compreensão do desenvolvimento dos seres humanos, oferece conceitos e princípios relevantes para o entendimento da totalidade da pessoa e do papel dos professores em sala de aula. O texto contempla primeiramente a teoria psicogenética walloniana sobre o indivíduo, relacionando os domínios que o compõem; ressalta numa próxima instância a relação Eu-Outro na formação do indivíduo e, conseqüentemente, na formação do professor. Ressalta a seguir a relação entre Wallon e a educação e, por último, mas não menos importante, revela a presença dos domínios afetividade, cognição, ato motor e pessoa, no cotidiano do professor.

A andragogia no limiar da relação entre velhice, trabalho e educação

PID: S1984-71142006000100004 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2006
Autores: Peres
Este artigo analisa o caráter funcionalista do atual modelo educacional, considerando a sua importância na formação de mão-de-obra qualificada e disciplinada para o sistema capitalista e a exclusão dos idosos e adultos mais velhos do projeto burguês de educação. Para tanto, inclui-se a andragogia e a educação popular ou não-formal voltadas à velhice como formas alternativas de educação, mais abrangentes e universais, podendo ser compreendidas enquanto espaços de resistência à lógica do capitalismo. Incluir os idosos e adultos mais velhos na agenda educacional coloca em xeque o sistema educativo burguês, fundado na educação pedagógica de caráter restrito. Da mesma forma, o viés elitista das Universidades da Terceira Idade contrasta com as altas taxas de analfabetismo observadas entre os maiores de 60 anos. Assim, uma educação que transcenda a lógica funcionalista inerente ao capitalismo deve se centrar, acima de tudo, na universalização dos destinatários e na conscientização política.

A atuação do professor coordenador diante dos conflitos na escola pública

PID: S1984-71142006000300004 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2006
Autores: Abreu
O presente artigo apresenta as conclusões de pesquisa que resultou em dissertação de Mestrado em Educação, defendida em 2006, cujo foco de estudo é a atuação de uma professora coordenadora diante dos conflitos que ocorrem no cotidiano de uma escola pública, situada na periferia de São Paulo. As situações analisadas revelam a importância de investir na formação docente no sentindo de garantir autonomia para que os professores possam resolver os conflitos presentes em sua prática educativa.

A cultura da mídia atuando na subjetivação docente na aula de história

PID: S1984-71142006000200008 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2006
Autores: Rosa
Esta pesquisa se propôs a investigar como a cultura da mídia atua na subjetivação de uma docente de História do ensino fundamental de sétima série. A observação em sala de aula foi realizada durante a exibição do longa-metragem Coração de Cavaleiro no tema trabalhado sobre a cultura da Idade Média. A estratégia utilizada foi acompanhar o desenvolvimento de uma etapa do plano de ensino da professora, em que tanto o uso de vídeo quanto a discussão do tema cultural estivessem contemplados, de forma que fosse possível analisar desde a utilização do artefato até sua mediação e repercussão nos trabalhos acadêmicos dos alunos. Além de assistir a três de suas aulas, também entrevistei a professora em dois momentos distintos.

A fragilidade de mudança no trabalho dos professores na condição da pós-modernidade

PID: S1984-71142006000100001 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2006
Autores: Villela
É grande o esforço dos professores em realizar mudanças numa prática de desconstrução de versões reais já existentes. A qualidade, a flexibilidade e a plenitude do trabalho dos professores vão além de métodos e competências específicas de domínio de sala de aula. O trabalho dos professores está estreitamente ligado à forma como se desenvolvem enquanto pessoas e profissionais. As suas carreiras e suas relações com colegas e com a sociedade de modo geral, as condições de status, de recompensa e de liderança nas quais trabalham, são fatores, entre outros, que interferem na qualidade do que realizam na docência. Este texto descreve sete dimensões fundamentais da condição social pós-moderna e os desafios postos aos professores e à reestruturação do seu trabalho. De modo a cumprir as novas expectativas e pressões da pós-modernidade, o papel do professor assume novos requisitos, embora o papel antigo não seja posto de lado. Tanto as certezas científicas perdem a sua credibilidade como os métodos e estratégias são constantemente criticados, à medida que ocorre o colapso das certezas morais. A validade e o poder de afirmação das vozes dos professores confrontam teorias e conduzem questionamentos, sugerindo a mudança, embora ainda fragilizada.

A perspectiva panóptica dos ambientes virtuais de aprendizagem: as estratégias técnicas e pedagógicas para o acompanhamento/controle dos alunos

PID: S1984-71142006000300005 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2006
Autores: Ramos Segundo
Este texto propõe a reflexão sobre os recursos de acompanhamento/controle dos alunos disponíveis em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA). Para tanto, servem de referência as nossas leituras, reflexões, observações e dados de pesquisa a respeito destes aspectos e recursos pertinentes ao processo ensino e aprendizagem. Além disso, para enriquecer nossa reflexão resgatamos o projeto arquitetônico penitenciário sistematizado por Jeremy Bentham no século XVIII, o qual permitia uma visão privilegiada do inspetor, garantindo, assim, maior controle sobre os presos. Atualmente, as tecnologias permitem inúmeras formas de controle, que dispensam a arquitetura física e tornam mais sutis as estratégias. Destacamos os recursos para o gerenciamento e acompanhamento dos alunos em cursos a distância que utilizam AVAs. Da mesma forma que na proposta de Bentham era possível visualizar e controlar os presos a partir de um ponto de vista central, ao professor também está franqueada a possibilidade de avaliar e controlar a presença e o desempenho dos participantes de cursos a distância. Por fim, salientamos que a forma como estes recursos são utilizados refletem a prática pedagógica e sua intencionalidade, assim, podem ser utilizados para incentivar e orientar o aluno em seu estudo, como para punir e classificar.

A presença da cultura meritocrática na educação de jovens e adultos

PID: S1984-71142006000300010 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2006
Autores: Backes Baquero Pavan
O texto tem como objetivo problematizar a dimensão da cultura meritocrática que invade a educação, especificamente, neste artigo, a Educação de Jovens e Adultos. A pesquisa de campo foi realizada por meio de entrevistas semi-estruturadas junto a oito professoras da Educação de Jovens e Adultos, gravadas e, posteriormente, transcritas e analisadas. Na análise, observou-se que os/as professores/as apontavam, de maneira recorrente, a meritocracia tanto como causa quanto como solução, seja para os problemas da sociedade ou os de ordem educacional. Para compreender e problematizar estas explicações, articulamo-las com a compreensão de cultura, vista como um processo de construção de sentido. A meritocracia faz parte deste processo de construção cultural, contribuindo para a construção de um individualismo por meio do qual cada um é visto como responsável pelo que é, pelo que pode possuir, pelo lugar que ocupa na sociedade. Este sentido construído culturalmente no contexto atual, como demonstra o artigo está muito presente na Educação de Jovens e Adultos, por meio dos discursos dos/as próprios/as professores/as. Deste modo, os/as professores/as vêem, muitas vezes, o/a aluno/a da EJA como alguém que se deu conta de que a saída para seu estado de exclusão está nele mesmo enquanto indivíduo e não na luta coletiva, como postula a teoria crítica.

As competências e o mundo do trabalho

PID: S1984-71142006000100002 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2006
Autores: Bonazina
O objetivo deste artigo é contextualizar a temática da competência no mundo do trabalho. Para tanto, apresentamos diferentes conceitos utilizados nas matrizes curriculares que nos permitem promover uma discussão sobre este tema numa dimensão interdisciplinar. Partimos do pressuposto de que a palavra competência vem do latim competentia Aurélio (1998). Sendo também como a qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver certo assunto, fazer determinada coisa, capacidade, habilidade, aptidão, idoneidade. Este conceito nos remete a idéia de que ao falarmos de competência estamos falando de uma dimensão individual, de uma dimensão social e das relações que se estabelecem entre os sujeitos - indivíduos envolvidos nas ações do cotidiano - tanto num plano pessoal como no profissional. A dimensão histórica das questões do trabalho e suas implicações para o estudo das competências assinalam os diferentes movimentos que marcaram as novas necessidades de estruturação - distribuição e organização - do trabalho. Apresentamos a noção de sujeito que norteia as discussões e, num segundo momento, focalizamos as dimensões psicológicas das competências e suas implicações para a atuação do pedagogo no contexto organizacional.

Ciberliteratura: arte ou armazém?

PID: S1984-71142006000200004 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2006
Autores: Neitzel
Esta pesquisa foi desenvolvida no curso de Pedagogia da Universidade do Vale de Itajaí, SC, sétimo período, no primeiro semestre de 2006, Campus Piçarras, com o objetivo de investigar como as acadêmicas interagem com o computador e com seus pares ao analisarem sites literários disponíveis na Internet. Ela motivou discussões acerca de como a Internet pode auxiliar o docente no tratamento da literatura em sala de aula como objeto estético e fruitivo. Partiu-se do princípio que a poesia visual e o hipertexto literário podem colaborar no processo de entendimento da literatura como arte, isto é, como um objeto que necessita de apreciação estética. Algumas questões sobre o destino da leitura na era da WWW são trazidas à baila e acerca das três dimensões do espaço textual: o sujeito da escrita, o destinatário e os textos exteriores.
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