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MOVIMENTO CULTURAL ARTE MANHA: LUGAR DA ARTE, CORPO E MEMÓRIA AFRO-INDÍGENA NA ESCOLA, CARAVELAS, BA

PID: S1984-71142020000200486 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Ferreira Carvalho
Resumo: Neste artigo, apresento um recorte da etnografia realizada sobre relações interétnicas com um grupo de pessoas que se autodeclaram afro-indígena, em Caravelas, BA e pertence ao Movimento Arte Manha, criado em 1988, com objetivo de luta e resistência negra e indígena. Nele, procuro descrever o lugar da arte, corpo e memória afro-indígena no movimento e na escola, tratando de redes de sociabilidades, “encontros” e zonas de contato. A escolha do tema, como recorte para este trabalho, é o fato de que o grupo trouxe provocações, quando traz repertórios sócio-históricos de suas culturas de origem, a valorização das africanidades do legado africano e a cultura indígena e, por meio de estratégias, se apropria da arte, do corpo e da memória (BOSI,1994) como instrumentos de luta, resistência e práticas educativas. É assim que os afro-indígenas de Caravelas conduzem as teias da memória e a construção de um passado que, por sua vez, é também fruto de criação e de novas experiências subjetivas e afro-indígenas, focando o corpo como centro das políticas, no sentido de (des)racializar e pluralizar espaços sociais, arte, objetos e coisas e traçam esse percurso em busca da memória e da ancestralidade. Na escola, as ações dependem da “necessidade” do grupo, chamadas de interdisciplinares, como entalhe em madeira, desenhos, danças africanas indígenas, roda de conversa para discutir modos de vida afro-indígena. E a escola é espaço privilegiado à realização de ações artístico-culturais. O espaço de trocas de saberes e conhecimentos se estabeleciam entre os participantes de modo transversal.

NOVOS PARADIGMAS: APROXIMAÇÕES ENTRE PÓS-DRAMÁTICO E EDUCAÇÃO EMERGENTE EM UMA PEDAGOGIA TEATRAL

PID: S1984-71142020000100071 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Sommer Batista Pinho
Resumo: Diante das dificuldades para se trabalhar as noções do teatro pós-dramático no ambiente escolar, reconhece-se a emergência de um novo paradigma educacional também na pedagogia teatral. Este trabalho busca perceber aspectos metodológicos influenciados pela relação entre o ensino do teatro pós-dramático e o paradigma educacional emergente, refletindo a partir da concepção de pós-dramático desenvolvido por Lehmann (2007) e de paradigma educacional emergente proposta por Moraes (2007). O estudo utiliza a revisão teórica para delimitar as noções e estabelecer as aproximações e seu possível reflexo no ensino do teatro pós-dramático em uma perspectiva educacional emergente.

O GESTO É A ESCRITA NO AR: REPRESENTAÇÃO IDEATIVA DE PALAVRA E APROPRIAÇÃO DA ESCRITA EM VIGOTSKI

PID: S1984-71142020000100121 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Franco Martins
Resumo: Este texto de natureza teórica focaliza o desenvolvimento da linguagem escrita como função psíquica superior. Seu objetivo é apontar a representação ideativa da palavra como unidade mínima de análise para a compreensão do desenvolvimento da linguagem escrita. Ao afirmar que escrever é grafar ideias, esta análise ampara-se na perspectiva histórico-cultural de desenvolvimento humano. Ao longo da presente exposição e tomando como eixo a periodização da formação de conceitos em Vigotski, buscamos analisar a apropriação da escrita a partir do conceito de palavra. Apontamos que o ato psíquico consubstanciado na escrita não radica no trato ou no uso externo que a criança faz da palavra oralmente, mas sim de sua representação como conceito. Advogamos, pois, que a formação do conceito de palavra, tanto em sua dimensão semântica, quanto em sua morfologia e fonética, se impõe como tarefas de um ensino desenvolvente desde a educação infantil, construindo-se, assim, o substrato para a aquisição da escrita propriamente dita nos anos de escolarização subsequentes.

O PENSAMENTO COMPUTACIONAL NA FORMAÇÃO DO LICENCIANDO EM PEDAGOGIA

PID: S1984-71142020000100226 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Corrêa Júnior Raabe
Resumo: Este artigo é parte de uma tese de doutorado em andamento, na qual se defende a importância de se promover a inserção do Pensamento Computacional nos cursos de Licenciatura em Pedagogia, dado que este se faz presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e esta, por sua vez, a partir da Resolução 02/2019 do Conselho Nacional de Educação, constitui-se no elemento norteador dos currículos de formação dos professores da Educação Básica. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa e, quanto à sua tipologia, constitui-se como empírica (Estudo de Caso) e documental, tendo como método a análise de conteúdo. As evidências obtidas por meio de uma intervenção junto a licenciandos do curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Itajaí, por meio de oficinas pedagógicas, indicam que é possível e viável a proposição de atividades com o objetivo de desenvolver o Pensamento Computacional para este público.

O SELF E A ATUAÇÃO: FERRAMENTAS PARA CONSCIÊNCIA E CRIAÇÃO NO TRABALHO DE ATOR

PID: S1984-71142020000200451 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Barone
Resumo: Este artigo aborda ferramentas para o trabalho criativo de ator a partir do aprofundamento do conhecimento de si. O texto apresenta o relato da experiência pedagógica da autora em um curso de extensão (2018), que propôs como etapa de projeto de pesquisa focar na relação entre a ampliação da consciência psicofísica do ator e a criação de um personagem. Foram investigadas práticas de meditação ativa, de máscara neutra, da Educação Somática (pelos sistemas corporais do Body-Mind Centering™) e de elementos da técnica de atuação de Michael Chekhov. A estreita relação entre imaginação e percepção foi enfocada tanto como base para a ampliação da consciência corporal e psíquica quanto como fonte de criação psicofísica.

PERFIL DISCENTE NAS LICENCIATURAS EM CIÊNCIAS E EM QUÍMICA NA UECE E FORMAÇÃO PROFISSIONAL

PID: S1984-71142020000100177 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Martins Júnior Vidal
Resumo: Este artigo objetiva apresentar e analisar informações sobre o perfil dos ingressantes e concludentes nos cursos de licenciatura curta em Ciências e licenciatura plena em Química na Universidade Estadual do Ceará (UECE), desde seu surgimento em 1976 até 2018. Utiliza o estudo de caso do tipo único e integrado, tendo sido analisados dados quantitativos referentes aos seis campi da UECE que ofertam os respectivos cursos. A trajetória estudantil foi mapeada pelo trabalho com tais dados, contidos em planilha de Excel fornecida pelo Departamento de Informática da instituição, na qual foi aplicada uso de filtros e análise por meio de estatística descritiva. Os resultados encontrados evidenciam que estes cursos sofrem com percalços que atingem a área de Ciências e Matemática em relação à dificuldade de formar professores. Há evidências de altos percentuais de abandono, que superam os percentuais de formados, tanto no período de oferta da licenciatura curta, quanto no período subsequente. Registra-se, no entanto, uma modificação no perfil de procura pela formação inicial, quando o percentual de mulheres se sobrepõe ao de homens no curso atual. Observa-se também modificações na cartografia da oferta, com o aumento da interiorização após a plenificação da licenciatura.

PESQUISA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL: POR UMA EPISTEMOLOGIA DA VIDA

PID: S1984-71142020000100147 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Steuck Pereira
Resumo: Neste artigo, apresentamos os modos de pensar descritos por Heidegger (2003) em diálogo com os modos de pensar do mundo andino (BERMUDEZ, 2016), para discutir elementos de uma ontoepistemologia ambiental (PEREIRA; FREIRE; SILVA, 2019) e que contribuam para uma pesquisa que pretende compreender as relações entre a filosofia, a felicidade e a Educação Ambiental. Os elementos identificados emergiram da escuta e se caracterizam por terem sido elaborados em diálogo com os interlocutores, a partir de narrativas na perspectiva hermenêutica, estando assim organizadas em três categorias: olhar, compreender e conhecer. Parte da compreensão de que viver em um mundo é participar da impermanência das coisas todas, em um projeto inacabado, de verdades temporais e transitórias. Os resultados apontam para a fecundidade da narrativa hermenêutica como possibilidade de elaboração de elementos para a compreensão do ser no mundo, inserindo-os em um debate ontoepistemológico na Educação Ambiental.

POR UMA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NÃO EXCLUDENTE: DESCONTRUINDO PADRÕES CORPORAIS HEGEMÔNICOS NA ESCOLA

PID: S1984-71142020000100042 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Longo
Resumo: A escola como instituição responsável pela inserção das crianças na sociedade, desde sua constituição, mostrou-se excludente. Por meio de símbolos, hábitos e discursos, instaura modelos e hierarquiza sujeitos, muitas vezes, utilizando-se das práticas corporais. Este artigo objetivou refletir as possibilidades práticas dos estudos interculturais como referencial teórico para aulas de Educação Física que se pretendem afirmadoras das diferenças identitárias e de práticas corporais não excludentes. Canen (2000, 2002, 2007), Candau (2008), Louro (2008), Sctrazzacaappa (2001) e Csordas (2008) constituíram-se aportes teóricos. Ratificou-se que a abrangência semântica abarcada pelo conceito de corpo desafia pesquisadores mas, também, pode constituir-se em uma possível estratégia subversora de um estereótipo estético etnocentricamente determinado e que categorias como a crítica cultural, a hibridização e a ancoragem social dos conteúdos mostraram-se aportes teóricos potentes aos professores que se pretendem mediadores de aulas de Educação Física não excludentes.

PROFESSORES E GESTORES COMO PESQUISADORES: A REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA A PARTIR DA ESCUTA DOS ALUNOS

PID: S1984-71142020000100092 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Almeida Diniz
Resumo: Este artigo tem como objetivo apresentar reflexões de professores e gestores de escolas de educação básica que participaram, na condição de pesquisadores, da pesquisa Autoavaliação Institucional: a percepção de alunos do ensino fundamental sobre a educação de qualidade, realizada entre 2016 e 2018. A pesquisa envolveu quatro escolas públicas, sendo duas da rede municipal e duas da rede estadual, todas situadas no município de São Paulo. Os dados aqui reunidos decorrem da análise de documentos gerados no processo de pesquisa: atas de encontros mensais e registros de encontros realizados para avaliar a aplicação dos instrumentos de coleta de dados e avaliação final do projeto. Como resultado, é possível afirmar que o desenvolvimento de pesquisa na escola pública com a participação de professores e gestores na condição de pesquisadores favorece a aquisição de conhecimento no domínio da teoria e promove o exercício de utilização deste conhecimento no domínio da prática. Além disso, promove a aproximação entre professores e alunos, dos professores entre si e da universidade com a escola.

PROVOCAÇÕES E PRÁTICAS DE UM CORPO NO ENCONTRO DE CRIANÇAS COM KANDINSKY

PID: S1984-71142020000200341 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Moraes
Resumo: O presente artigo visa analisar, a partir da problematização dos estudos de Kandinsky, modos de pensar o corpo por alunos do quinto ano do Ensino Fundamental do Colégio Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Para tanto, utilizou-se da cartografia como método de pesquisa-intervenção, mais especificamente uma oficina dispositivo a partir dos estudos do pintor dos movimentos corporais da bailarina expressionista Gret Palucca. Da experiência, considerou-se que alguns saberes em relação ao corpo entraram em evidência, tais como a proporção e o debate sobre o que constitui um corpo.

PRÁTICAS EDUCACIONAIS E NOVAS CORPOREIDADES DANÇANTES EM ESPAÇOS E TEMPOS DE MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA

PID: S1984-71142020000200428 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Wosniak
Resumo: Este trabalho tem por objetivo desenvolver uma reflexão sobre práticas educacionais, ancoradas nas competências docentes exigidas pela era da ubiquidade digital e inseridas no âmbito de um curso de formação de artistas-docentes de dança em uma instituição pública de ensino superior no Paraná. O objeto empírico da investigação é constituído pelo projeto avaliativo na disciplina “Crítica de Dança”, que integra a grade curricular do referido curso. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com abordagem metodológica de revisão bibliográfica associada a um estudo de caso do tipo exploratório. A reflexão aqui proposta fundamenta-se na teoria sociocultural de Vigotski, no conectivismo proposto por Siemens, nos pressupostos da educação para/na era digital de Pérez Gómez e Dede, bem como nas noções de educação ubíqua propostas por Santaella. Neste estudo, foi possível evidenciar a eclosão de novas corporeidades dançantes que emergem em contextos de (des)articulação digital, utilizando como parâmetro discursivo a criação de videodanças, elaboradas pelos alunos com o uso de seus smartphones. Como resultado, além da criação de videodanças, também foi possível observar que as mediações tecnológicas ubíquas alteram a maneira como nos relacionamos com as artes do corpo que, por sua vez, amplificam a linguagem da dança graças à disseminação em múltiplas telas digitais.

TEMAS EMERGENTES EM ESTUDOS DO E NO CORPO NO CURSO DE PEDAGOGIA

PID: S1984-71142020000200289 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Lombardi
Resumo: O objeto desta pesquisa são os temas emergentes nos estudos do e no corpo no curso de Pedagogia, tendo como questão-problema: quais são as principais demandas de conhecimento de futuras pedagogas no campo da educação do corpo? O artigo apresenta resultados da interpretação de dados coletados por meio de narrativas de estudantes no período de 2014 a 2020 no âmbito de uma disciplina da graduação. Foram analisadas 645 respostas para a pergunta: “Qual seu maior encantamento e sua maior decepção em relação à questão do corpo e do movimento ao longo de sua vida escolar?”. Os resultados revelam que o debate sobre o corpo dentro da instituição educativa precisa de abordagem interdisciplinar no que tange aos temas a serem estudados, levando em conta a diversidade dos corpos que transitam pelos espaços da escola e da universidade.

VITALISMO FILOSÓFICO EM NIETZSCHE: FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E A VALORIZAÇÃO DA ARTE NA EDUCAÇÃO

PID: S1984-71142020000100138 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Hecktheuer Lopes Dettoni
Resumo: Esta pesquisa busca responder à questão da possível relação entre o posicionamento epistemológico de Nietzsche e o papel da Arte na Educação. Para isso, estudamos os fundamentos epistemológicos da filosofia nietzscheana, em especial a temática relativa à verdade, à crítica à supervalorização da razão e a uma sabedoria a serviço da vida. Em seguida, examinamos as consequências educacionais de um pensamento vitalista. Metodologicamente, realizamos pesquisa bibliográfica, investigando relevantes obras de Nietzche sobre o tema, bem como de comentadores de sua filosofia. Na composição do texto, organizamos seis seções: Introdução; A questão da verdade em Nietzsche; Filosofia tradicional e supervalorização da razão; Uma filosofia a serviço da vida; Implicações Educacionais; e Considerações Finais. Com a pesquisa, pudemos concluir que a Arte tem papel essencial na Educação, inspirada no vitalismo nietzschiano, o que nos interpela acerca do lugar que como sociedade temos dado à dimensão estética no âmbito educacional contemporâneo.

VIVER PARA ESCREVER: SARTRE COMO FILÓSOFO-EDUCADOR

PID: S1984-71142020000100217 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2020
Autores: Silva
Resumo: Este artigo tem como objetivo discutir alguns aspectos da filosofia sartriana que revelem uma intersecção entre sua filosofia (e também sua biografia) e o que se pode chamar, muito genericamente, de processo educacional, isto é, fatos e fenômenos que apresentam, de modo direto ou indireto, um lastro pedagógico mais ou menos evidente em sua produção filosófica. Do ponto de vista metodológico, realizamos uma pesquisa bibliográfica, buscando a interação entre filosofia e educação, tendo como resultado parcial da referida pesquisa a ideia do ato pedagógico como um ato libertário, numa linhagem de pensamento capaz de aproximar Sartre e Paulo Freire.

A BANALIZAÇÃO DA INJUSTIÇA SOCIAL E A PEDAGOGIA DO SOFRIMENTO: CATEGORIAS PARA PENSAR A EDUCAÇÃO SOB O NEOLIBERALISMO

PID: S1984-71142019000100090 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2019
Autores: Coelho Correia
Resumo: O presente artigo objetiva analisar o sofrimento humano causado nas relações de trabalho pelas novas exigências do mercado neoliberal; da sua violência psicológica e da instauração da banalização de injustiça social. Nossa pesquisa bibliográfica, na perspectiva da crítica filosófica, se inscreve nos possíveis espaços dos mecanismos subjetivos de dominação do neoliberalismo; os efeitos psíquicos sobre o humano que se tornam devastadores, cujos sofrimentos sociais se somatizam na sociedade e nem sempre são considerados estruturalmente pela educação. Consideramos o neoliberalismo como a manifestação da nova racionalidade global, como Pierre Dardot e Christian Laval (2016), a qual impera nos governos locais; mas, sobretudo, assume a própria conduta dos governados, impondo tacitamente a criação de uma nova ética pela qual as relações sociais se estabelecem: o mercado e os homens empresa. Trata-se de um mecanismo subjetivo de colonização contemporânea, cuja nova moralidade mercantil subalterniza e dociliza consciências. Pela subalternização, identificamos a intimidação e o medo nas relações trabalhistas como novas táticas de dominações, como apontam Paulo Arantes (2014) e Cristophe Dejours (2001). O sofrimento social é consequência desse novo ethos-racional capitalista. Também, no escopo dessa investigação, apontamos como lastro desse sofrimento social a categorização estrutural da pedagogia do sofrimento e do sacrifício necessário na sociedade, analisados por Veena Das (2008), como construtos de coesão social, conformação e legitimação dessa nova moralidade neoliberal por meio da própria cultura e da educação para consolidação da sociedade moderna.

A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR E OS SUJEITOS QUE DIRECIONAM A POLÍTICA EDUCACIONAL BRASILEIRA

PID: S1984-71142019000200132 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2019
Autores: Caetano
Resumo: O artigo apresenta como objetivo mapear e problematizar quem são os sujeitos que influenciaram a construção e a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) por meio da inserção de propostas privadas no processo. A BNCC é uma demanda da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e uma agenda do Plano Nacional de Educação. Em 2013, surge o Movimento pela Base Nacional Comum coordenado e financiado pela Fundação Lemann, entre outros, orientando a política educacional brasileira, trazendo consequências para o conteúdo educacional.

A EDUCAÇÃO PRIMÁRIA RURAL EM PELOTAS-RS (1932-46): PROMISCUIDADE ENTRE O SETOR PÚBLICO E PRIVADO

PID: S1984-71142019000200142 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2019
Autores: Vicente Xavier
Resumo: Este artigo destaca aspectos da educação primária rural a partir da investigação da Escola Primária Rural Santo Antônio, que foi inaugurada em 1932, em Pelotas-RS e, em 1946, passou a ser subvencionada pelo governo do estado do RS. Nosso objetivo foi analisar como essa instituição que, mantida pela Igreja Católica, foi destacadamente financiada por organismos públicos e observar traços da cultura escolar ali vigente. Trabalhamos com a investigação de documentos escolares, como fotografias e atas da Sociedade de Educação Cristã, instituição criada em 1930 e ligada à Igreja Católica. Utilizamos como pressuposto teórico-metodológico autores como Abdala (2013); Souza (2001; 2008); Kossoy (1989); Tambara (1995; 2000; 2005) e Severino (2005), dentre outros. Concluímos que essa instituição atendeu à comunidade carente de Pelotas com forte conteúdo agropecuário, tendo em vista as expectativas do catolicismo e do Estado para a educação rural, de modo que foi mantida, quase que essencialmente, por verbas oriundas do governo federal, atendendo aos preceitos cívicos nacionalistas vigentes à época.

A GENEALOGIA DA ESTUPIDEZ

PID: S1984-71142019000100016 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2019
Autores: Hardt
Resumo: O artigo tem como objetivo aproximar dois autores por meio de dois conceitos: genealogia e estupidez, com o propósito de pensar nosso tempo e interpretá-lo. Em termos metodológicos, destacamos uma aproximação entre o conceito de genealogia compreendido como um movimento de interpretação da realidade com o conceito de estupidez, para verificar em que medida não estamos conseguindo interpretar nosso tempo em função de obstinadamente querer encontrar uma verdade sem antes indagar-se sobre determinadas ideias e conceitos já absorvidos e que ocupam um valor que impedem a própria interpretação. Deste modo, o artigo pretende sustentar que Nietzsche ocupa uma posição filosófico-educacional quando nos convida a prosseguir pensando, apesar de nossos valores e, ao mesmo tempo, o artigo pretende sustentar que nos darmos conta disso pode significar enfrentar nossa estupidez. Estupidez e política parecem ter certa afinidade. Em algum momento sempre somos estúpidos, o risco começa quando já não mais nos identificamos com ela e nos definimos sábios para orientar o outro. Estupidez não é antônimo de inteligência. Para Musil (2016), existem dois tipos de estupidez: uma é honesta, admite que algo falta. A outra estupidez é inteligente - errática, pretensiosa. Segundo Musil (2016), esta estupidez parece mais uma doença da cultura. Nietzsche nos alerta sobre a estupidez em vários momentos de sua obra e apresenta estratégias para enfrentá-la. O diálogo aparece em Nietzsche (ZITTEL, 2016) como forma de exposição de disposições suaves, de atenuações e de um amistoso ceticismo, de enigmas e ocultamentos, constituindo-se em uma ferramenta contra a estupidez. Com o desejo de fazer Musil e Nietzsche dialogarem, arrisco dizer que a estupidez como chave de leitura não quer nos fazer calar, não quer nos ver imobilizados. Contudo, precisamos rastrear nossa estupidez, que pode ser ocasional, funcional e até constitucional. De acordo com Musil (2016), vivemos condições de vida tão pouco claras que a estupidez ocasional muito rapidamente converte-se em estupidez constitucional coletiva. A estupidez sempre está servida de pensamentos e afetos que podem num único corpo demonstrar estreiteza, amplitude, agilidade, simplicidade, fidelidade. A luta contra essa estupidez exige paciência. É preciso cuidar para que os afetos não esmaguem a razão, em vez de inspirá-la. Assim, a estupidez não é a falta de inteligência; na realidade, toda inteligência tem sua estupidez e rastreá-la parece ser o grande desafio formativo do momento atual. Resistir à estupidez é um desafio educativo e nos coloca diante de outro cenário: não seguir obstinadamente em busca de uma verdade, mas verificar por que certas ideias e conceitos adquirem valor em nossos argumentos.

A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA SOB O ENFOQUE DA RELAÇÃO PÚBLICO-PRIVADA: LIMITES E POSSIBILIDADES PARA A SUA DEMOCRATIZAÇÃO

PID: S1984-71142019000200010 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2019
Autores: Pires Peroni
Resumo: O estudo analisa os limites e as possibilidades para a democratização do direito à educação por meio da construção da esfera pública no Brasil e os impasses da relação com setor privado a partir dos anos 1930. A metodologia utilizada tem como base as análises bibliográfica, histórica e legislativa. Assim, contextualiza-se a relação público-privada na história da educação ao longo da formação política e social brasileira. Conclui-se que a educação brasileira, historicamente, sofreu as consequências dos períodos de instabilidade política e social.

A PARTICIPAÇÃO DO PROGRAMA “A UNIÃO FAZ A VIDA” DA FUNDAÇÃO SICREDI NA REESTRUTURAÇÃO DO ESTADO: IMPACTOS NA COMPREENSÃO DA CIDADANIA

PID: S1984-71142019000200051 | Revista: Contrapontos (1984-7114) | Año: 2019
Autores: Schmidt Zanella
Resumo: O Programa de Educação Cooperativa “A União Faz a Vida” da Fundação SICREDI está alinhado aos novos papéis atribuídos ao Estado neoliberal no que diz respeito à educação básica e faz parte das reformas contemporâneas que expressam interesses em participar da formação de uma nova cultura cívica. Dessa maneira, refletimos sobre o tipo humano que o PUFV vem fomentando por meio de projetos educacionais, consolidando as estratégias do capital com implicações para a democracia e os direitos sociais em direção contrária à emancipação da classe trabalhadora.
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