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Transdisciplinaridade e interculturalidade: experiências vividas e compartilhadas no curso de educação intercultural indígena - UFG (2018)

PID: S2177-60592019000200007 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2019
Autores: Pereira Araújo Nazareno
Resumo: O presente artigo pretende apresentar os conceitos da “transdisciplinaridade” e da “interculturalidade crítica” que permearam as dinâmicas das aulas sobre o Tema Contextual Educação Intercultural Bilíngue e, sobretudo, evidenciar a contribuição dos estudantes indígenas em sala como representantes de suas epistemologias. Suas experiências apontaram para a importância de debates mais aprofundados em torno da diversidade, da diferença e da interculturalidade no contexto educacional brasileiro, discussão levantada a partir de três atividades didáticas propostas e realizadas durante as aulas, nas quais narrativas, textos escritos e documentos imagéticos foram desenvolvidos. As produções e reflexões foram fundamentadas nos princípios da “enação”, “transdisciplinaridade”, “interculturalidade crítica” (MATURANA, 2000; NASCIMENTO, 2014; VARELA; THOMPSON; ROSCH, 1992; WALSH, 2013; WALSH; VIAÑA; TAPIA, 2010) e em suas experiências educacionais. Ao analisarem seus conhecimentos e usos no cotidiano, os estudantes consideraram que, para além do conceito de “interculturalidade”, cunhado na década de 1970, na América Latina, o chamado “intercâmbio entre povos” (termo rememorado por eles durante as aulas) já existia como prática, mesmo antes de ser utilizado nas políticas públicas, na atualidade.

Uma experiência com educação intercultural indígena: entrevista com a professora Joziléia Daniza Kaingang

PID: S2177-60592019000100005 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2019
Autores: Paim Pereira
Resumo: A Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tem a proposta de atender os povos indígenas que vivem na parte meridional da Mata Atlântica: Guarani (ES, RJ, SP, PR, SC, RS), Kaingang (SP, PR, SC, RS) e Xokleng (SC), com Ensino Médio completo ou em conclusão, desde 2010. O curso está estruturado em regime presencial especial, com etapas concentradas divididas entre Tempo-Universidade e Tempo-Comunidade, de acordo com a perspectiva da Pedagogia da Alternância. Joziléia Daniza Jagso Inácio Schild é, atualmente, a Coordenadora Pedagógica desse curso. Joziléia Daniza Jagso Inácio Schild nasceu na Terra Indígena do Guarita, território indígena Kaingang localizado no Município de Tenente Portela, RS. É graduada em Geografia pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) (2010), especialista em Educação de Jovens e Adultos Profissionalizantes pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) (2012), mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2016) e está, atualmente, cursando Doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Entrevistamos a professora Joziléia Kaingang em março de 2018. Na ocasião, a entrevistada compartilhou suas experiências com a Licenciatura Intercultural Indígena como estudante, como educadora e com as atuais lutas e pautas dos povos indígenas no Brasil.

A Educação para a Cidadania Mundial como aposta de construção de um novo paradigma educativo

PID: S2177-60592018000100005 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Miguel Lázaro Martín de la Rosa Pulido Montes
Resumo: O objetivo com este estudo é refletir sobre a Cidadania Mundial, por meio de uma investigação sobre o tema, considerando a evidência da sua permanência como prioridade na agenda educativa mundial, tanto para os países desenvolvidos, quanto para os em desenvolvimento. A Educação para a Cidadania Mundial tem cobrado ao longo dos últimos anos um claro protagonismo na reflexão e nas práticas educativas, tanto das organizações não governamentais quanto dos docentes mais comprometidos com um pensar e uma prática pedagógica alternativa nas suas aulas. Sua inclusão preeminente na agenda global como raíz de sua definição prioritária para o marco da Global Education First Initiative (GEFI), que impulsiona as Nações Unidas, sem dú vida, tornará muito mais visível a necessidade de aprofundar o seu desenvolvimento. Assim, uma das três prioridades da GEFI é justamente fomentar a cidadania global. A Unesco considera que a Educação para a Cidadania Mundial propõe uma mudança no papel e nos objetivos educacionais, orientados a construir sociedades mais justas, pacíficas, tolerantes e inclusivas. Essa convicção fez da Educação para a Cidadania Mundial um dos objetivos chave para a área educacional em seu projeto de estratégia a médio prazo para os próximos oito anos (2014-2021).

A formação continuada do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio na Gerência Regional de Educação de Chapecó, SC

PID: S2177-60592018000300345 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Morescho Delizoicov
Resumo: Este artigo apresenta dados de pesquisa qualitativa sobre a formação continuada de professores ofertada por meio do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio (PNEM) nos anos 2014 e 2015. O objetivo no trabalho foi investigar as percepções dos orientadores de estudo do Pacto sobre a formação desenvolvida com professores de 10 escolas públicas estaduais pertencentes à Gerência Regional de Educação (Gered) de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Os dados foram obtidos por meio de entrevista semiestruturada, e a análise apresenta o parecer do orientador de estudo, as dificuldades enfrentadas e o término do PNEM diante da Reforma do Ensino Médio. Os resultados indicaram a significância da formação, que contribuiu para o reconhecimento do estudante do ensino médio enquanto sujeito. A finalização do PNEM é tida como aspecto lamentável, associada ao temor do aumento da desvalorização e precarização da docência com a Reforma do Ensino Médio.

A obrigatoriedade da pré-escola no contexto das parcerias público-privadas

PID: S2177-60592018000200781 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Lamare
Resumo: Neste texto teve-se como finalidade analisar a obrigatoriedade da pré-escola no Brasil (Lei n. 12.796/2013) e a sua relação com o aprofundamento da participação dos organismos internacionais e do empresariado “socialmente responsável” como formulador de estratégias de implementação de políticas educacionais na Educação Infantil. O percurso metodológico da pesquisa compreendeu análise documental e reconstrução histórica com base na análise crítica marxista que situa o tema estudado no processo de luta de classes. Os resultados mostraram que as parcerias público-privadas na Educação Infantil estão em processo de expansão e fortalecimento, relacionando eficiência dos gastos sociais e investimento na primeira infância. Assim, com argumentos advindos de economistas e de neurocientistas de empresas privadas “socialmente responsáveis”, a Educação Infantil poderia ser resumida a uma etapa da educação que visa ao sucesso escolar no futuro ou a uma forma de se evitar possíveis riscos sociais consequentes da situação de iniquidade social a que as crianças estão expostas.

A pedagogia do herói sob as performances das políticas públicas contemporâneas

PID: S2177-60592018000100011 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Fabris
Resumo: O artigo propõe uma atualização da pedagogia do herói, que é acionada nas escolas e nas instituições de ensino voltadas à formação de professores por meio de políticas públicas e movimentada pela racionalidade neoliberal no contexto global/ local. O exercício analítico utiliza-se de dados de uma pesquisa de doutoramento de senvolvida com filmes hollywoodianos e de um conjunto de pesquisas desenvolvidas sobre formação de professores com aportes teóricos das políticas educacionais e do referencial sobre docência e formação de professores em uma perspectiva hipercrítica. O estudo evidencia que a pedagogia do herói produz regras para o processo de avalia ção e estimula performances cada vez mais altas dos professores e das instituições de formação docente no cenário brasileiro. Nessa pedagogia, o professor é colocado na posição de herói, e a docência, mediante uma lógica concorrencial, torna-se uma ati vidade qualificada, atingida por meio de premiações e bons resultados de avaliações em larga escala. Como desdobramentos deste estudo, apresentam-se alguns desafios para que se possam subverter os efeitos da tal pedagogia. Os resultados apontam para a necessidade de uma constante suspeita da visão de pedagogia do herói e das políticas públicas contemporâneas neoliberais, que precisam passar sob o escrutínio permanen te da crítica radical.

A universalização da Educação Básica no Brasil: um longo caminho

PID: S2177-60592018000300013 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Trevisol Mazzioni
Resumo: O presente artigo resulta de uma extensa pesquisa bibliográfica e documental desenvolvida entre agosto de 2014 e novembro de 2016 cujo propósito foi compreender a construção dos direitos à educação no Brasil e a universalização da educação básica. De natureza histórico-sociológica, o estudo demonstra que as raízes oligárquicas do Estado, assim como a cultura escravocrata e autoritária da sociedade fizeram tardar ao máximo a positivação dos direitos à educação pública e gratuita. A instrução primária, com duração de 2 a 5 anos, foi estruturada a partir de 1920 mediante as reformas estaduais. A escolaridade mínima obrigatória de 8 anos foi estabelecida somente em 1971 (Lei n. 5.692); a de 9 anos, em 2006 (Lei n. 11.274) e a de 14 anos (dos 4 aos 17 anos de idade, envolvendo a educação básica, inclusive para os jovens e adultos que não tiveram acesso na idade própria) em 2009 (Emenda Constitucional n. 59). A despeito de o Estado brasileiro ter reconhecido a educação como um direito social na década de 1930, foi somente em 1988 que o ensino obrigatório foi assumido pela Constituição como um direito público subjetivo. Ao aprovar esse princípio, a Constituição introduziu um importante instrumento jurídico de controle da atuação do poder estatal. Trata-se de uma importante inovação na medida em que ficam estabelecidas algumas situações nas quais o Poder Público tem o dever de assegurar e fazer em benefício do interesse individual do cidadão.

A violência na escola de educação básica em diálogo reflexivo com Benjamin, Adorno e Rosa

PID: S2177-60592018000200489 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Pucci
Resumo: Neste artigo se propõe dialogar com as reflexões filosófico-estéticas e formativas de Walter Benjamin, Theodor Adorno e Guimarães Rosa sobre a problemática da “violência e educação”, na perspectiva de problematizar e enfrentar a violência como barbárie, que perpassa as relações sociais e educacionais no atual quadro de dominação e de hegemonia do sistema capitalista neoliberal. E para realizar esse percurso, pretende-se o texto trilhar os seguintes passos: a violência reinante na escola de educação básica; Walter Benjamin e a crítica da violência; a violência nos escritos de Theodor Adorno; a violência como puro meio em A Benfazeja, de Guimarães Rosa; a violência divina na formação dos educandos.

Alterações recentes da educação superior: limites e perspectivas para a universidade pública

PID: S2177-60592018000100277 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Czernisz Freiberger
Resumo: Com este texto objetivou-se discutir a educação superior frente às recentes alterações da política educacional brasileira. Questiona-se: que características são assu midas pela educação superior no contexto das atuais políticas educacionais? Que limites e perspectivas estão postos para a universidade pública? A análise é desenvolvida tendo por base a abordagem materialista histórica, utilizando-se de discussão bibliográfica e análise de documentos. Entre os resultados, destaca-se que a educação superior passou por alterações significativas desde 1990 e que, assumindo a lógica operacional, ampliou a quantidade de vagas e de instituições, mantendo-se direcionada pelo desenvolvimento econômico. Finaliza ressaltando a importância do acompanhamento e da luta política em prol da garantia de uma educação superior de qualidade.

Arte, estética e diálogo na Educação Infantil: registros invisibilizados e sentidos (des)sensibilizados

PID: S2177-60592018000401051 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Ferreira Guedes
Resumo: A Educação Infantil tem participação relevante na história dos 40 anos da educação pública do Rio de Janeiro. Neste estudo teve-se como objetivo geral refletir sobre práticas recorrentes nas instituições de ensino que atendem a esse segmento e que acabam por gerar tensões entre os profissionais que lá atuam. A proposta é apontar e discutir as discrepâncias existentes entre os documentos oficiais e o que é praticado no cotidiano das escolas de educação infantil na perspectiva da formação docente, dos registros utilizados como instrumentos de avaliação e do diálogo estabelecido com a arte, num movimento de pesquisa formação-ação em que o docente é protagonista da pesquisa, refletindo sobre o que acontece em sua prática e questionando a realidade na qual está inserido.

As condições históricas para a existência da qualidade educacional constatada pelas avaliações em larga escala

PID: S2177-60592018000300101 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Dametto EsquinsaniI
Resumo: Partindo da centralidade das avaliações em larga escala nas políticas educacionais dirigidas à Educação Básica no Brasil, no presente artigo busca-se apresentar o arranjo político-discursivo que sustenta a aparição da “qualidade educacional” enquanto objeto apreensível por meio das avaliações padronizadas de redes de ensino. Sustentando o objetivo de esmiuçar as afinidades existentes entre um discurso poderoso na agenda educacional: a qualidade educacional, embasada nas avaliações em larga escala dado que, possivelmente, seja nessa coexistência que o objeto qualidade educacional, positivado por intermédio das avaliações, emerge enquanto objeto discursivamente possível e politicamente pertinente. Pautados na metodologia da pesquisa bibliográfica e revisão de literatura, no texto utiliza-se uma abordagem pós-estruturalista amparada nos escritos de Michel Foucault, dirigida ao discurso oficial e aos enunciados acadêmicos, na busca de historicizar o presente, elucidando as ancoragens epistêmicas e políticas que inscrevem o objeto “qualidade educacional” atualmente, em outros termos, apresentar os dispositivos que fazem o discurso contemporâneo da qualidade ser possível e politicamente incisivo. Enunciados, ou mesmo objetos do discurso, instituem campos de batalha, no qual forças são taticamente ordenadas na luta pela imposição do sentido. Conclui-se que, nessa esteira o discurso oficial da qualidade comporta um viés político evidente, ofuscado por uma pretensa objetividade, operada por rituais de veridicção específicos, como a avaliação externa em larga escala. A fabricação do objeto qualidade educacional enquanto performance em testes padronizados, remete ao campo interdiscursivo, cujos enunciados proporcionam a ele pontos de ancoragem e minimizam ou ofuscam suas inconsistências.

As narrativas das crianças sobre as práticas educativas do Movimento de Mulheres Camponesas

PID: S2177-60592018000300399 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Collet Silva
Resumo: Com o presente artigo tem-se o intuito de divulgar, por meio das narrativas capturadas de depoimentos orais, a voz da criança camponesa, colocando em destaque suas representações em diálogo com as mães-militantes. A pergunta-problema que orientou a pesquisa foi: no âmbito do diálogo entre crianças e mulheres-mãe militantes, quais as representações sociais sobre o processo formativo e as práticas educativas construídas nas lutas do Movimento de Mulheres Camponesas? Na perspectiva epistemológica, tomamos como referência algumas reflexões sobre as leis e categorias da dialética materialista da história em articulação com alguns aportes do pensamento freireano. Inspiramo-nos na abordagem teórico-metodológica do Círculo Epistemológico de Cultura (CEC), realizado concomitantemente com os encontros de mulheres. Em termos de conclusões provisórias, foi possível perceber nas narrativas que as crianças conhecem os meandros político- pedagógicos das práticas educativas e desejam participar de um projeto popular igualitário em um ambiente político-social de militância.

Avaliação e ranqueamento de universidades sob a lógica de critérios globais

PID: S2177-60592018000100015 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Ribeiro
Resumo: O mundo globalizado tem provocado diversos impactos no contexto uni versitário, especificamente a necessidade de adequação das instituições aos novos paradigmas impostos pelas mudanças em todos os setores da sociedade. Assim, o objetivo com esta pesquisa implica compreender o processo de avaliação de universi dades, a partir de indicadores de ranqueamentos nacional e internacionais, bem como as exigências impostas a essas instituições quanto às mudanças na política de ensi no, pesquisa, extensão e gestão. A metodologia adotada foi a abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e descritivo, tendo como elementos os indicadores adotados pelos rankings Ruf, U-Multirank, Quacquarelli Symonds, Ranking Web, THE-TR e Center for World University Rankings no processo de avaliação de universidades. Em linhas gerais, as universidades são submetidas à competitividade; os resultados clas sificatórios impõem o redirecionamento da política universitária, de forma a remeter a produção do conhecimento para o atendimento de fins, em alta medida, mercanti listas; há uma exagerada corrida das instituições avaliadas para serem reconhecidas como sendo de alta reputação, logo, universidades de classe mundial.

Capitalismo acadêmico e universidade empresarial: algumas perspectivas das Américas

PID: S2177-60592018000100021 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Somers Davis Fry Jasinski Lee
Resumo: Desde a Crise Financeira Mundial de 2008, as instituições de ensino supe rior em todo o mundo foram forçadas a mudar suas práticas financeiras para se con centrar em fatores não acadêmicos, o que foi chamado de capitalismo acadêmico. No centro do capitalismo acadêmico está a universidade empresarial, que considera os professores como produtores de capital (não educadores), estudantes como consumi dores (não aprendizes) e empresas/indústria, credenciadores e ONGs como valiosos parceiros de negócios. Neste artigo define-se capitalismo acadêmico, revisa-se a lite ratura de pesquisa, discutem-se perspectivas do capitalismo acadêmico das Américas e discutem-se as implicações do capitalismo acadêmico para a América Latina. No artigo finaliza-se com o uso da antropofagia para avaliar o que é útil sobre o capita lismo acadêmico para o Brasil.

Como ensinar frações? Práticas que (in)formam o professor que ensina matemática

PID: S2177-60592018000401001 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Pozzobon Oliveira
Resumo: Neste artigo discute-se sobre a formação do professor que ensina matemática nos anos iniciais, em especial no que se refere ao ensino de frações. O corpus de análise selecionado para este texto se constitui do caderno de matemática de um programa de formação continuada de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental, de uma entrevista com uma professora de Didática da Matemática que atuou na formação de professores na década de 1970 e de seu caderno de planejamento. Para realizar as análises, adotamos uma perspectiva teórica pós-crítica associada aos estudos de Ludwig Wittgenstein. O que defendemos é que os conceitos são produzidos a partir dos usos, em conformidade com suas regras gramaticais, e que os significados de uma palavra e os significados das proposições matemáticas são produzidos nos diferentes jogos de linguagem. Das análises empreendidas no material, foram organizados dois enunciados: a) Ensinar frações: “trazer um bolo” e “fazer um desenho” e b) “Lembrar seu significado” para ensinar o conceito de frações. A partir desses enunciados, problematizamos que os conceitos matemáticos são normas que independem do cotidiano e de aspectos empíricos, intuitivos ou indutivos. Desse modo, sugerimos que o professor tenha conhecimento da natureza das proposições matemáticas e se responsabilize pelo ensino de suas regras, não trazendo a utilidade dos conceitos, mas as convenções produzidas pela linguagem matemática.

Currículo e inclusão educacional: percepções de docentes da educação básica

PID: S2177-60592018000100317 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Prais Rosa Jesus
Resumo: Neste artigo discutem-se os pressupostos da educação inclusiva e suas im plicações para pensar e analisar o currículo escolar. Isso posto, o problema que nor teou este estudo teve como questão pensar de que maneira professores da Educação Básica percebem a relação entre o currículo e a inclusão educacional? Justifica-se essa problemática por se entender que quando as intenções inclusivas estão sistematizadas no currículo, as ações docentes propiciam, por meio da organização do ensino, a me diação qualitativa para a aprendizagem dos alunos. Para tanto, teve-se como objetivos: identificar conceitos pertinentes à inclusão e sua relação com o currículo educacional e apresentar e analisar percepções de docentes da Educação Básica, que correspon dem, respectivamente, às seções deste artigo. A metodologia utilizada nesta pesquisa tem como pressuposto a abordagem qualitativa, tendo como princípio a pesquisa bi bliográfica e de campo, na modalidade descritiva, contando com a participação de 30 docentes do Município de Londrina, PR. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados um questionário analisado em três categorias elencadas a posteriori pela análise de conteúdo. Tem-se como principais resultados e discussão que a maioria dos docen tes participantes concebe o currículo como conteúdos a serem ensinados e aprendidos, bem como que o currículo influencia na efetivação ou não da inclusão. Os professores envolvidos nesta pesquisa destacaram, como um dos aspectos a serem abordados por meio do currículo da educação inclusiva, a necessidade de fazer uma avaliação das limitações e possibilidades dos alunos.

Desenvolvimento da Teoria Histórico-Cultural da Atividade em três gerações: Vygotsky, Leontiev e Engeström

PID: S2177-60592018000400919 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Cenci Damiani
Resumo: A Teoria Histórico-Cultural da Atividade é uma teoria viva, que vem sendo desenvolvida desde os anos 1920 e 1930, a qual busca entender a formação do humano na atividade social. A Teoria vem se transformando pari passu com as mudanças nos contextos culturais das investigações teóricas e práticas que a utilizam, apresentando, assim, mudanças e continuidade das ideias ao longo de seu desenvolvimento. Nesse sentido, alguns estudiosos definem três gerações da Teoria, cada uma representada por um expoente na área da pesquisa: a primeira por Vygotsky (fundador), a segunda por Leontiev e a terceira por Engeström. O objetivo neste artigo é apresentar as propostas teóricas dos três autores, delineando as relações entre elas e oferecendo um panorama da Teoria Histórico-Cultural da Atividade. O conceito de atividade, que em Vygotsky aparece como atividade mediada (mediada por signos e ferramentas), em Leontiev aparece como atividade coletiva, base da consciência humana, e em Engeström aparece como sistema de atividade em transformação. A produção e a expansão da Teoria podem ser entendidas como atividades históricas e coletivas.

Disputas, negociações e tensões: sobre a emergência do Instituto de Educação de Belford Roxo, RJ

PID: S2177-60592018000200649 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Silva Ferreira
Resumo: Neste artigo se dialoga com um conjunto de pesquisas em História da Educação que selecionou as políticas públicas de educação e as diferentes experiências de formação docente como temáticas de estudo. De modo mais específico, o foco foi direcionado para o Instituto de Educação (Centro Integrado de Educação Pública - CIEP Brizolão 380 Joracy Camargo) localizado no Município de Belford Roxo, RJ, tendo como recorte temporal os anos 1996 a 2006. Nessa linha, foram problematizadas algumas das dimensões que teriam impulsionado a inauguração dessa Instituição de Ensino voltada para trabalhar a formação docente em Nível Médio no mesmo período em que tanto o Município se emancipava quanto era promulgada a LDB n. 9.394/96, que enfatizava a necessidade de que os professores que fossem atuar (ou já atuassem) na Educação Básica tivessem Curso Superior.

Do tradicional ao contemporâneo: representações sociais do professor construídas por alunos

PID: S2177-60592018000400861 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Vale Maciel Rodrigues
Resumo: Esta pesquisa teve por objetivo caracterizar as representações sociais construídas pelos alunos do ensino fundamental acerca do professor. Participaram do estudo 75 alunos do ensino fundamental da rede pública municipal de ensino de Mossoró, RN, de ambos os sexos e faixa etária entre 9 e 15 anos. Utilizou-se como suporte teórico a teoria das representações sociais de Serge Moscovici. Na coleta utilizou-se a técnica desenho-estória com tema. Inicialmente, fez-se uma análise detalhada dos desenhos e temas. Em seguida, as produções escritas foram analisadas por meio da análise de conteúdo. Os resultados indicam que a imagem do professor foi associada a três diferentes categorias: um professor tradicional ancorado em posturas firmes, como detentor de saber, que exige uma turma obediente e silenciosa; uma segunda que representa o professor como um profissional atualizado, desejado, que utiliza diferentes estratégias de aprendizagens que ultrapassam o espaço da sala de aula; e a terceira expressa os desafios enfrentados pelos docentes, mostrando um professor que luta por melhores condições de trabalho. Essas associações são resultados tanto das vivências dos alunos quanto das informações e representações veiculadas no seu grupo de pertença.

Educação Infantil e avaliação institucional: percursos e desafios

PID: S2177-60592018000300209 | Revista: Roteiro (2177-6059) | Año: 2018
Autores: Vieira Côco
Resumo: A trajetória da educação brasileira reúne embates que, em distintos momentos, acentuaram a exigência de enfrentamentos, repercutindo em conquistas no campo das políticas públicas. Focalizando o período das últimas quatro décadas, neste texto tem-se como propósito evidenciar questões relevantes acerca da trajetória da Educação Infantil e da avaliação institucional no Brasil. Ancorado em pressupostos teórico-metodológicos bakhtinianos e elaborado em uma perspectiva de pesquisa teórica, o presente artigo dialoga com produções científicas, ordenamentos legais e documentos orientadores publicados entre 1970 e 2017. As análises desses vestígios escritos indicam que a alteração dos rumos da primeira etapa da educação básica vem se consolidando em movimentos de disputa, e esses acontecimentos históricos demarcam posicionamentos de resistência e possibilidades de avanços. No que tange à avaliação institucional na Educação Infantil, a sistematização deste estudo explicitou que o panorama atual, decorrente de inúmeros fatos históricos, não se constitui exclusivamente o bojo das questões educacionais e se encontra circunscrito à história das crianças, das famílias trabalhadoras, da formação docente, das políticas públicas, de determinantes econômicos e sociais, entre outros elementos. Conclui-se, portanto, que na interlocução da avaliação institucional com a Educação Infantil não se pode prescindir da qualidade socialmente referenciada, e, nessa direção, um dos desafios postos é a consolidação de sistemáticas avaliativas vinculadas a dinâmicas participativas e às condições do que ofertamos às crianças em seu processo educativo.
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