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(Des)construções filosóficas sobre o brincar

PID: S2178-46122024000100107 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Alves Amaral Lucindo
Resumo Viver e brincar estão diretamente associados para a criança. Aprender e desenvolver, ainda que inconscientemente, também. Do ponto de vista da Filosofia e da Pedagogia, o brincar está diretamente relacionado com as noções de consciência, alteridade e práxis, o que significa refletir que é pelo brincar que o sujeito tem a sua primeira experiência autônoma com o prazer da vida em seu inconstante devir. Como parte de uma pesquisa qualitativa desenvolvida no biênio 2019-2020 entre pedagogos (as) em formação da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), este artigo tem como objetivo evidenciar o brincar como uma ação que humaniza a criança, que ludicamente a ensina e que se constitui como uma prática de liberdade, pelo que, deve ser plenamente exercido e não meramente constar nos marcos legais como um direito da criança. Trata-se de uma revisão de literatura cujos resultados empíricos apresentados e discutidos são provenientes da referida pesquisa que, ancorada em uma abordagem qualitativa, valeu-se dos procedimentos de pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e pesquisa de campo. Como desfecho principal deste texto, constata-se uma carência da exploração da temática do brincar durante o percurso formativo dos participantes, uma vez que apenas 8% do total de horas que compõem o currículo se destinam a essa discussão. Para mudar essa realidade curricular, urge, pelos elaboradores e mediadores dos currículos proclamados e praticados, a compreensão do brincar como dimensão fundamental da vida da criança.

A biblioteca escolar e o livro literário: espaços (com)fabulados

PID: S2178-46122024000100104 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Rebello Santos Silva
Resumo Para Jorge Luís Borges a ideia de biblioteca abarcava todos os livros e, por extensão, todo o Universo (1944); sendo leitor, o homem teria acesso ao mundo. A realidade, porém, cerceia os acessos que vão das bibliotecas aos livros literários a que o professor e o leitor em formação teriam direito, transformando o espaço mágico da babel borginiana num lugar de conflitos e castigos, carente de beleza e de experiências lúdicas. O primeiro Plano Nacional de Educação (1962) previa que, em cinco anos, todas as escolas teriam uma biblioteca. Entretanto, os dados do Inep (2018) evidenciam que não houve avanços nem na ampliação do número de bibliotecas, tampouco no incentivo a seu uso. Mal-usado, precário, inacessível e frustrante, o espaço físico da biblioteca é uma interessante metáfora para se compreender os espaços que o livro literário e a formação do leitor de literatura têm na realidade escolar, na contemporaneidade. A BNCC (2018) discrimina propostas para a leitura literária na escola e considera o acesso à literatura um direito dos estudantes. Entretanto, tempo, escolarização e fragmentação de leituras influenciam nas escolhas e metodologias utilizadas em sala de aula. Na prática, o professor e o estudante só dispõem do livro didático, como meio de acesso à literatura. Este trabalho analisa as relações de espaço que se articulam entre as bibliotecas escolares, o ensino da literatura e o uso do livro didático como única forma de acesso ao texto literário, destacando como corpus de abordagem o livro Português: linguagens, (Ensino Médio, Volume 1) de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães (2015), coleção mais distribuída no país pelo PNLD/2015. Entre o que está proposto nas sugestões estratégicas do livro didático e o efetivo acesso do estudante ao livro e suas aquisições de habilidades de leitura, há um hiato. Tomando como base a seção “Sugestão de estratégias” do livro analisado, pretende-se contribuir para a expansão desse espaço de leituras e linguagens, deslocando a leitura da sala de aula e dos espaços tradicionais, propondo estratégias de “contação de histórias”, performances e expressões corporais como novas metodologias da prática da leitura em sala de aula.

A educação pré-escolar na cidade de Santo André: das iniciativas particulares ao centro de recreação infantil (1954-1969)

PID: S2178-46122024000100306 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Panizzolo Galvão
Resumo As escolas destinadas a cuidar e educar crianças pequenas, na cidade de Santo André, foram organizadas ao longo das décadas de 1950 e 1960, quando, por consequência da industrialização, aconteceu o desenvolvimento da cidade e a expansão da população. O objetivo deste texto é problematizar a história das primeiras escolas voltadas às crianças pequenas até a composição da rede andreense de ensino para a infância, responsável por acolher as crianças de 4 a 6 anos, entre os anos de 1954 e 1969. A delimitação temporal justifica-se porque no dia 27/09/1954 foi publicada a lei de criação do Departamento de Educação da cidade de Santo André, e, no ano de 1969, foi criado o Curso de Recreação Infantil no município. Toma-se como fontes ordenamentos legais, jornais, fotografias e entrevistas. Como procedimento de pesquisa foram utilizados a revisão da literatura, a seleção e análise documental. Os anúncios de jornal divulgaram as vagas oferecidas pelas diversas instituições privadas da cidade e as vagas oferecidas no projeto público municipal idealizado pela Divisão de Esportes. Por meio do ordenamento legal foi possível encontrar indícios da organização da educação para a infância, bem como os investimentos a elas destinados. Para referenciar este trabalho busca-se em Escolano (1998) e Kuhlmann (2017) aportes para compreender as instituições de educação voltadas à infância. Como resultado é possível afirmar que o Centro de Recreação Infantil foi considerado um equipamento municipal inovador, com qualidade e concorrido entre a população. Possuía proposta pedagógica que valorizava a prática esportiva e a participação das famílias nas atividades escolares. A construção de dezenas de prédios novos, permitiu divulgar a educação municipal pela cidade e propagandear as políticas públicas do governo.

A fundação do Estado e o papel do medo e da esperança na política de Hobbes

PID: S2178-46122024000100204 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Nodari
Resumo O objetivo do presente artigo é entender quais são as principais razões para a fundação do Estado e qual é o papel que o medo e a esperança têm para a concepção política de Hobbes. A obra de referência principal para este artigo é o Leviatã, sem excluir, evidentemente, possíveis complementações das obras, Do Cidadão e Elementos da lei natural e política. Para alcançar tal propósito, busca-se, em um primeiro momento, apresentar as razões da fundação do Estado, evidenciando a tese de que a passagem e a permanência, no estado civil, enquanto construção racional, é a condição de possibilidade para que cada homem supere o medo da morte, dando-lhe esperança de sobreviver sob a proteção do Leviatã. E, em um segundo momento, trata-se de analisar a concepção de Hobbes acerca do papel protagonizado pelo medo e pela esperança que ensejam a saída e a passagem do estado de natureza para o estado civil, e, nele permanecer, enquanto condição de vida preservada e pacífica.

A violência contra a mulher à luz da fenomenologia: uma revisão sistemática

PID: S2178-46122024000100205 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Benatti Leão Bruns
Resumo A violência contra a mulher é um fenômeno alicerçado na desigualdade de gênero que atravessa diferentes contextos, incluindo o universitário. Portanto, o objetivo deste estudo foi conhecer como esse fenômeno é visto dentro do paradigma fenomenológico, em especial no âmbito da universidade, e conhecer quais os fenomenólogos utilizados nesta temática. Para tanto, empregou-se o método de revisão sistemática, seguindo os passos citados por Sampaio e Mancini (2007), também Zerbinati e Bruns (2017), optando-se pelas bases de dados Google Acadêmico, Scielo e PePsic, priorizando os últimos cinco anos (2017 a 2022), artigos nacionais e em português. Os achados sinalizam a escassez de estudos que abarcam este tema na literatura científica nacional e Martin Heidegger foi o fenomenólogo mais utilizado. À vista da análise empreendida, foi possível notar a ausência de estudos que buscam apontar a incidência da violência contra a mulher à luz da fenomenologia, em especial, no contexto universitário. A relevância disso decorre da necessidade de conhecer a apresentação desse fenômeno à consciência por meio da descrição acerca da experiência e do sentido atribuído pela pessoa, promovendo assim maior compreensão e identificação dos aspectos que incidem na violência contra a mulher, de modo a se articular as formas de enfrentamento.

Base Nacional Comum Curricular e a constituição da professora gerencialista

PID: S2178-46122024000100108 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Wanderer Faleiro
Resumo O artigo problematiza a implementação da Base Nacional Comum Curricular na Educação Básica. É fruto de uma pesquisa que teve como objetivo geral examinar os efeitos produzidos pela implementação da Base Nacional Comum Curricular na docência dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de escolas privadas de um município gaúcho. As bases teóricas que sustentaram esta investigação vinculam-se ao conceito-ferramenta que Michel Foucault denominou de governamentalidade, amparadas por contribuições de autores e autoras pós-estruturalistas. O material empírico constitui-se em enunciações de dez educadoras sobre suas práticas escolares, mobilizadas pela implementação da Base Nacional Comum Curricular nas instituições em que atuavam, no ano letivo de 2020. Essas enunciações foram obtidas por meio da realização de entrevistas individuais que, posteriormente, foram transcritas em sua totalidade. A estratégia analítica utilizada para operar sobre esse material foi a análise do discurso, como proposto por Michel Foucault. Os resultados encontrados mostram a possibilidade de constituição de uma nova professora, cujo ofício passa a ser reduzido a aprender e a ensinar habilidades e competências com interesse no “saber-fazer”, transformando-a em uma técnica que reproduz pacotes pedagógicos para atender as demandas da sociedade neoliberal. Nesse viés, o modo de ser docente gerado pela efetivação da Base Nacional Comum Curricular pode ser pensado como um sujeito incitado a ser flexível ao gerencialismo educacional que, tendo lhe retirado a possibilidade de conhecer, planejar, traçar objetivos, definir conteúdos e escolher metodologias, vai corroborando para a destruição dos sistemas ético-profissionais que deveria prevalecer nas escolas, contribuindo para a sua substituição por sistemas empresariais competitivos.

Brinquedotecas na saúde e na educação: desafios contemporâneos

PID: S2178-46122024000100304 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Teixeira
Resumo As brinquedotecas, sejam na saúde ou na educação, ainda carecem de esclarecimentos acerca da sua função e seu potencial para o processo de desenvolvimento humano, em especial na fase da infância. No hospital o desafio está no reconhecimento desse espaço como promotor de saúde e por consequência na organização, sobretudo na permanência desse espaço no hospital. Na educação o desafio está na ausência do direito de brincar como parte das experiências infantis, bem como o seu potencial para a aprendizagem e desenvolvimento, mas o foco da ausência do brincar na escola está muito conectado a ausência do reconhecimento da brinquedoteca no processo de formação do Pedagogo. Neste sentido, este trabalho tem como objetivo discutir os desafios contemporâneos que a brinquedoteca ainda precisa vencer na saúde e na educação. Assim, foi realizada uma pesquisa de natureza qualitativa, compreendida como um ensaio de um levantamento bibliográfico. A partir do levantamento foram analisadas as seguintes categorias: 1. Brinquedoteca; 2. Brinquedoteca Hospitalar e 3. Brinquedoteca na Escola, das quais, com base em critérios de inclusão (Conceito de brinquedoteca e desafios atuais na saúde e educação) foram selecionados quatorze referenciais teóricos sobre brinquedoteca; brinquedoteca hospitalar e brinquedoteca na escola. Sobre brinquedoteca, verificamos que há uma diversidade de tipificação que pode ser organizada a partir do contexto, da faixa etária e do funcionamento. Na brinquedoteca hospitalar, a partir da Lei Federal 11.104/2005, os resultados apontam a necessidade de considerar a importância do brincar como meio de humanização e assistência à saúde, bem como a busca constante de equilíbrio saudável e prevenção ao estresse causado pela hospitalização. Já na brinquedoteca nos espaços de educação, há necessidade de favorecer o brincar na educação básica, mas conforme os dados dos referenciais teóricos levantados, merece destaque considerar a brinquedoteca como um critério de qualidade na formação de Pedagogo, para que na prática pedagógica possa favorecer as experiências do brincar no cotidiano da escola.

Da Crítica da Razão à Pedagogia do Descentramento: revisitando Kant, Foucault e Piaget

PID: S2178-46122024000100207 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Benevides
Resumo O presente artigo pretende construir um espaço analítico que torne inteligível certas conexões, de grande importância para o campo da Filosofia da Educação, entre a Filosofia Crítico-Transcendental de Kant e o Construtivismo Pedagógico fundamentado na Epistemologia Genética de Piaget. Cientes da necessidade de proceder com rigor e sutileza nesse empreendimento, recorremos à Arqueologia de Foucault para oferecer um campo de articulação discursiva em que a imanência, a singularidade e a transversalidade das formações discursivas presentes nos escritos de Kant e de Piaget não impeçam que um discurso transcendental estabeleça relações significativas com um discurso psicogenético (e, portanto, empírico). No que diz respeito ao pensamento de Kant, enfatizamos o modo como o filósofo alemão utiliza o que chamou de método cético, para que o discurso metafísico, fundamentado no funcionamento natural da razão, falasse por si mesmo e produzisse um conjunto de desacordos que Kant nomeou de ilusões transcendentais. Tomando por relevante a descoberta kantiana de que a Razão Pura produz ilusões inevitáveis que, todavia, podem ser, de alguma forma, freadas pela Crítica, encontramos, aí, uma importante via de diálogo com Piaget e, de forma mais geral, com o campo da Educação. Assim, tomamos a análise feita por Piaget de fenômenos como o egocentrismo e a centração para frisarmos como o funcionamento natural da cognição humana é ininterruptamente bloqueado pela dificuldade em ver de um outro ponto de vista. Trata-se, em ambos os casos, de uma dificuldade estrutural da razão humana (Kant) ou do desenvolvimento cognitivo (Piaget) que leva a um julgamento precipitado, parcial e equívoco – e isso, justamente, porque está cego diante das sutilezas e complexidades existentes em um ponto de vista que lhe é exterior. Nesse sentido, ensaiamos a propositura de uma Pedagogia do Descentramento, como aquela capaz de coordenar os distintos pontos de vista e, antes de anulá-los como equívocos ou estancá-los como corretos, situá-los em uma dada organização que terá por efeito, na articulação significativa e funcional de diferentes pontos de vista, alargar o campo de visão – e, com isso, se municiar contra dois grandes inimigos históricos da Filosofia e da Educação: o dogmatismo e a centração.

Da genialidade à burocracia: uma reflexão sobre a educação a partir do texto sobre o futuro das nossas instituições de ensino de Friedrich Nietzsche

PID: S2178-46122024000100206 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Pereira
Resumo Este artigo se estrutura em torno da análise das conferências de Nietzsche Sobre o futuro das nossas instituições de ensino (1872), utilizando-as como base para discutir a crítica do filósofo à educação de sua época e sua defesa de uma educação voltada para a Bildung. O texto explora a crítica de Friedrich Nietzsche ao modelo educacional alemão do século XIX, contrapondo-o brevemente ao sistema educacional moderno. Mostra-se que Nietzsche argumenta que a educação prussiana, ao se curvar ao utilitarismo estatal, compromete a formação integral do indivíduo (Bildung) e cria cidadãos incompletos, voltados apenas para atender às demandas políticas e econômicas da época. Além disso, se discute a relevância da crítica de Nietzsche para a educação contemporânea, argumentando que a ênfase no utilitarismo e na formação de indivíduos para atender às demandas do mercado ainda é uma realidade nos sistemas educacionais atuais. A partir da análise dessas ideias, defendemos a necessidade de uma educação que promova a autotransformação, o desenvolvimento humano integral e a liberdade de pensamento.

Diálogos entre Foucault e a educação: uma revisão de literatura em dissertações e teses em educação (1986-1999)

PID: S2178-46122024000100110 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Soler d’Oliveira Eloi
Resumo O presente artigo possui por finalidade elaborar uma revisão de literatura em teses e dissertações defendidas em Programas de Pós-Graduação em Educação, cuja perspectiva epistemológica e/ou metodológica se inscreve ou dialoga com o pensamento foucaultiano. Nosso método de trabalho se valeu de uma pesquisa bibliográfica e documental a partir de um levantamento realizado junto ao portal de teses e de dissertações da CAPES, no qual foram coletadas dezoito pesquisas analisadas nesse mesmo artigo. Nossos resultados partem de uma descrição sistemática dos trabalhos a partir de uma catalogação dos possíveis diálogos e problematizações elaboradas pelos pesquisadores em torno dos conceitos e projetos pensados pelo intelectual francês. Por conta do período histórico analisado, muitos trabalhos descrevem a problematização dos espaços escolares e não escolares em educação a partir do projeto de uma genealogia do poder, como também da perspectiva de constituição dos dispositivos disciplinares. Os resultados e as discussões apontam não só a relevância dos estudos foucaultianos para educação, como vislumbram a possibilidade de pensarmos a articulação dessas pesquisas como uma possibilidade para pensarmos as possíveis estratégias de resistência frente aos jogos de normalização no campo da educação enfatizando os seus aspectos políticos e históricos. Em um primeiro momento, é apresentada ao leitor uma discussão introdutória sobre os sentidos e os significados do diálogo entre Foucault e a educação. O segundo momento é dedicado à contextualização metodológica, no qual apresentamos cada etapa do levantamento realizado, a justificativa pela escolha da realização do levantamento junto ao portal de teses e de dissertações da CAPES e os critérios de inclusão e de exclusão. O terceiro momento é dedicado à realização de uma apresentação descritiva das teses e dissertações em diálogo com o pensamento de Michel Foucault. O quarto momento reflete sobre a capilaridade e a transversalidade da educação a partir do olhar de Michel Foucault. Por fim, nossas considerações são dedicadas a explorar os tensionamentos existentes entre Foucault e a educação, compreendendo esse saber a partir do conjunto de problematizações históricas e políticas.

Experiências, diálogos e descobertas: um projeto educativo com as crianças e seus animais de estimação

PID: S2178-46122024000100105 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Santos Lima
Resumo O presente texto é resultado do projeto realizado com uma turma de quinze crianças matriculadas na educação infantil (com idade de 5 e 6 anos), de uma escola da rede pública federal de ensino da cidade de Uberlândia, Minas Gerais. As ações, desenvolvidas com as crianças e suas famílias, foram construídas a partir da realização do projeto As famílias e seus animais domésticos, com objetivo de desenvolver hábitos e atitudes mais conscientes em relação às pessoas e à natureza, especialmente no que se refere aos animais que fazem parte da vida cotidiana dos estudantes, proporcionar para a turma momentos de aprendizagem significativa, de forma prática e lúdica e com o intuito de promover a transformação social a partir do ambiente em que vivemos. Utilizamos como estratégia metodológica a observação no cotidiano escolar, fotografias, registro escrito e filmagens das propostas desenvolvidas. Verificamos que a turma experienciou momentos singulares, nos quais houve novas descobertas e um contato significativo com diferentes animais, com a natureza e a sociedade. Por meio das atividades efetivadas a partir do desenvolvimento do projeto e fundamentadas na legislação que orienta o trabalho na educação infantil, foi possível envolver de forma qualitativa a comunidade escolar, especialmente as famílias dos estudantes. Acreditamos que foi possível efetivar um ensino-aprendizagem de maneira mais contextualizada acerca do tema do projeto, à medida que vivenciamos ações práticas junto aos estudantes da educação infantil. O processo de aprendizagem desenvolvido no decorrer do ano letivo foi considerado um ato dialógico, valorizando os saberes e experiências apresentadas pelas crianças.

Infâncias do sul global: experiências, desafios, tensões

PID: S2178-46122024000100302 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Ernst Santiago Copete
Resumo Os estudos referentes à infância têm sido historicamente marcados por diferentes concepções e representações acerca do conceito de criança. Ao longo do tempo, essas concepções foram sendo modificadas a partir de demandas econômicas e sociais da sociedade eurocentrada. Dessa maneira, inspirados em Larrosa (2004), ensejamos compartilhar neste texto, de maneira ensaística, nossas reflexões sobre os estudos de infância a partir da perspectiva do sul global. Entendemos que a infância não é mais uma experiência universal, ela é construída exprimindo as diferenças – as individuais relativas à inserção de gênero, classe, etnia, raça e às coletivas a partir dos limites estruturais materializados nos padrões de poder, de trabalho, de renda, de controle da terra, do espaço, da justiça e da política. Acreditamos que distintas culturas, tempos e localizações geográficas, bem como as histórias individuais dessas crianças, tecem teias e constroem diferentes mundos das infâncias. Inicia-se o debate a partir de reflexões sobre a infância a partir da diversidade. Trazemos também ponderações de como, culturalmente, ainda tem se pensado uma criança e uma infância marcada por características eurocêntricas, bem como tem se desenvolvido uma invisibilização em relação às crianças negras e indígenas. Outro ponto abordado no ensaio é a crítica da história institucionalizada e hegemônica da infância, que tem reproduzido uma perspectiva que não contempla a diversidade e diferenças das vivências das crianças em suas infâncias. Neste sentido, o presente ensaio visa ampliar o campo dos estudos acerca da infância do sul global, bem como dos estudos decoloniais, que têm estruturado a produção do conhecimento a partir de interlocuções locais e saberes descentrados.

Literatura y Psicomotricidad, un diálogo fértil

PID: S2178-46122024000100303 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Franch
Resumen Un diálogo entre aspectos teóricos propios de la psicomotricidad y citas literarias de reconocidos novelistas nos ayudará a reflexionar y profundizar sobre temas fundamentales relacionados con el desarrollo psicomotor y por extensión con la educción. Asimismo veremos como la ficción se acerca a la realidad y nos la muestra con toda su complejidad si sabemos leerla atentamente.

Meditações Pascalianas e Meditações Cartesianas

PID: S2178-46122024000100201 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Ferraguto
Resumo O artigo apresenta uma investigação sobre o conceito de habitus em Bourdieu e Husserl, partindo da oposição de dois estilos filosóficos diferentes, sendo um (o cartesiano) baseado na afirmação da autotransparência da razão e outro (o pascaliano) que coloca em seu centro uma individualidade aberta ao infinito, exposta à imprevisibilidade da concretude e vinculada a uma “ordem” que marca sua existência e determina sua consistência. Além de uma possível oposição, o próprio Bourdieu defende uma possível integração entre essas duas abordagens. Neste artigo, tentarei tornar explícito o sentido dessa integração, mostrando como a reflexão husserliana sobre o habitus confirme a conclusão de Bourdieu. Em primeiro lugar, descreverei as meditações cartesianas e pascalianas como dois estilos opostos (§§ 2-3). Em seguida, analisarei algumas passagens relevantes da reflexão husserliana sobre o habitus, desenvolvida em Experiência e juízo (§4), com o objetivo de destacar a relação entre habitus e motivação racional, e em Ideias 2, com o objetivo de mostrar como a formação de tais motivações nos permite esclarecer a relação entre ego puro, indivíduo e sujeito empírico (§5). Por fim, mostrarei como a oposição entre as meditações pascalianas e as meditações cartesianas é, na verdade, resolvida em uma meditação leibniziana, que de fato Husserl e Bourdieu compartilham (§6).

Narciso e o espelho das águas: a poética na formação da subjetividade ética em Bachelard

PID: S2178-46122024000100202 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Kuiava Machado
Resumo O presente estudo estabelece um diálogo entre a filosofia da imaginação de Gaston Bachelard, a mitologia de Narciso e a literatura clássica através do conto “O Patinho Feio”, visando investigar a formação e o desenvolvimento da subjetividade humana. A pesquisa explora como a imaginação material das águas, um elemento central na filosofia de Bachelard, influencia a constituição do eu e a formação da autoestima. Ao analisar o mito de Narciso e o conto “O Patinho Feio”, o estudo revela que a água, com sua profundidade e dinamismo, atua como um símbolo poderoso de autodescoberta e transformação identitária. Bachelard sugere que a imaginação, antes de ser formal, é material e dinâmica, sendo a água crucial na construção de imagens e símbolos que refletem a dualidade da experiência humana. Narciso representa o narcisismo primário essencial para a autoafirmação e desenvolvimento psíquico, enquanto o Patinho Feio, ao ver seu reflexo nas águas, passa por uma transformação identitária crucial, descobrindo sua verdadeira natureza. A imaginação material das águas não apenas reflete a realidade, mas a molda ativamente, proporcionando um espaço de diálogo entre o sujeito e o mundo. Essa abordagem destaca a importância da fantasia e do devaneio na formação do sujeito, promovendo um narcisismo saudável e estruturante. Ao valorizar o narcisismo como uma necessidade psíquica primordial, o estudo defende que a autoaceitação e o amor-próprio são fundamentais para a construção de uma identidade autônoma, sólida e resiliente, sugerindo que esse processo é essencial para o desenvolvimento de uma ética baseada no amor-próprio e na alteridade. A imaginação poética das águas oferece uma perspectiva rica e dinâmica do psiquismo, sugerindo que futuros estudos possam explorar ainda mais as implicações dessa imaginação material na formação humana e na reformulação do conceito de Bildung.

Notas sobre bebês e seus encontros com a poesia

PID: S2178-46122024000100305 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Ramos Marangoni Gonçalves
Resumo A compreensão das especificidades que matizam a relação da criança com o mundo possibilita que seja acolhida desde muito cedo ao seio de manifestações da linguagem literária. Essa linguagem vai se ajustando ao interlocutor visado, aspecto em evidência quando se fala em literatura infantil que, desde o seu surgimento, define-se pelo seu recebedor. Este artigo se atém às demandas de bebês no tocante à linguagem literária e a possibilidades da produção cultural voltada ao atendimento de tais demandas, considerando mudanças significativas que ocorrem nos primeiros anos de vida humana. Assim, indagamos: como se inauguram os contatos de bebê com a linguagem e, notadamente, com a poesia? O presente texto tem como objetivo discutir o encontro de bebês com as linguagens, mais particularmente, com a linguagem literária de natureza poética. Trata-se de um estudo de caráter qualitativo e de natureza bibliográfica que estabelece interlocução com aporte teórico de Bordini (1986), Parreiras (2012) e Debus (2006), tomando como material literário possível de interlocução cantigas de origem popular e os poemas autorais “A chuva está chorando” e “Canção para ninar dromedário”, de Sérgio Capparelli (1999). Destacamos, assim, a potência da poesia que habita as canções de ninar, os brincos, as quadras, bem como a linguagem literária e poética presente na exploração de poemas veiculados em livros literários infantis. Assumimos que os bebês são leitores, a partir da leitura sensorial e da experimentação do objeto livro, uma vez que são sujeitos de linguagens e de direitos, desejosos de explorar o mundo que os cerca.

Percepção dos acadêmicos do curso de pedagogia sobre currículo e questões raciais na formação inicial

PID: S2178-46122024000100106 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Castro Foster Custódio
Resumo A universidade, como uma importante instituição na formação de professores, tem o papel de articular conhecimentos necessários para o resgate positivo da presença negra na sociedade brasileira. Para tanto, é preciso efetivar práticas e políticas antirracistas nos currículos escolares. Este estudo tem como objetivo principal analisar a percepção dos estudantes sobre currículo e as questões raciais na formação docente do curso de Pedagogia, para o enfrentamento do racismo. A pesquisa se configura em um estudo de caso com enfoque em abordagem qualitativa. A coleta de dados materializa-se na pesquisa bibliográfica, documental e de campo, a partir de entrevista semiestruturada. Para o tratamento de dados, utilizou-se a Análise do Conteúdo de Bardin (2016) para analisar as percepções dos colaboradores da pesquisa. Os resultados apontaram o fato de que os estudantes percebem a relevância dessa temática na formação de professores, uma vez que esse processo pode redimensionar o olhar, por meio de uma consciência crítica e reflexiva do currículo, das práticas pedagógicas e dos processos sobre a formação do pensamento racial brasileiro. Assim, na perspectiva de trazer a lume questões sobre as relações raciais na formação docente, tendo em vista os avanços sobre essa temática no âmbito universitário amapaense, com recorte no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), vislumbrando reflexões e práticas pedagógicas para o enfrentamento ao racismo, é que este estudo visa contribuir, considerando, assim, a importância da educação para as relações raciais na formação de professores para o combate às práticas racistas na educação formal e demais espaços sociais.

Quem sabe, somos, antes de tudo, animais poéticos

PID: S2178-46122024000100101 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Petit
Resumo A autora retoma a sua trajetória, o que aprendeu ao longo de mais de trinta anos, interessando-se pelas formas como seus contemporâneos leem (ou não leem). Com as reflexões de Michel de Certeau como referência teórica, ela lembra como se colocou ao lado dos leitores, esforçando-se para prestar atenção às suas formas de apropriação e representação de um livro, um texto escrito ou uma biblioteca. Narra como aprofundou a análise da importância da literatura desde a infância, construindo um espaço para se descobrir e simbolizar sua experiência. Em seguida, ela conta como se interessou por experiências literárias compartilhadas que reuniam pessoas que tinham vivido muito distantes da cultura escrita: lugares de “educação informal”, oficinas em que a leitura de obras literárias e a arte desempenhavam um papel fundamental, concebidos para vítimas de catástrofes, populações deslocadas, jovens desvinculados de grupos guerrilheiros ou paramilitares, dependentes químicos nas ruas, crianças vítimas de violência doméstica, mulheres com bebês em situação de extrema pobreza... Essas experiências são conduzidas por educadores que tentam fazer algo fora do contexto acadêmico tradicional, ou bibliotecários, promotores de leitura, às vezes psicólogos, artistas, narradores, etc. A autora analisa sua arte de fazer, considerando crianças, adolescentes (e também adultos) em sua dimensão sensível, psíquica, física e não apenas cognitiva. Por fim, ela relembra como refletiu sobre a transmissão cultural, debilitada em muitas famílias: quando a luta pela sobrevivência ou o trabalho ocupa o tempo cotidiano, as crianças perdem uma etapa importante para integrar os diferentes registros da língua. Essa etapa é aquela em que, desde muito cedo, alguém é iniciado no uso das palavras tão vital quanto “inútil”, gratuito, muito próximo da vida, das sensações, das emoções, do prazer compartilhado; muito longe do controle e da qualificação. Tudo o que ela estudou a convenceu da importância da literatura, oral e escrita, que atende a uma necessidade antropológica.

Saberes e posições que configuram à docência: formação dos professores no ensino remoto

PID: S2178-46122024000100103 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Goulart Tavares
Resumo Durante o contexto pandêmico, com a implementação do ensino remoto emergencial houve rompimentos de paradigmas em relação ao uso das tecnologias digitais, de modo a evidenciar que a formação de professores corresponde a um processo constituído de saberes, conhecimentos e habilidades que permeia a prática docente. Diante disso, este artigo tem como objetivo refletir sobre a percepção dos professores sobre o aprendizado docente para uso das tecnologias digitais, considerando as práticas pedagógicas de leitura literária. Para isso, assume-se como proposta metodológica uma pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa, a partir da realização de entrevistas semiestruturadas, com professoras do Ensino Fundamental, Anos Iniciais. Abarcam-se os saberes docentes de Tardif (2014), em articulação ao conceito de posições da formação profissional de Nóvoa (2017). Os resultados indicam que as tecnologias digitais oportunizaram no ensino remoto a continuação de práticas de ensino, demonstrando ações de um saber-fazer construído na prática.

Satisfação e bem-estar na carreira docente no stricto sensu em educação

PID: S2178-46122024000100109 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2024
Autores: Timm
Resumo Existe uma linha tênue entre o processo de saúde-adoecimento e o que pode ser considerado fator de satisfação ou de insatisfação na carreira. Esse processo e a forma como cada pessoa/profissional reage a determinada situação varia conforme cada indivíduo e contexto. Logo, o que pode ser satisfatório para uma pessoa pode não ser para outra, da mesma forma, como algo considerado estressante para um pode não ser para outro. Entram em cena questões de ordem pessoal, econômica, sociocultural, estilo de vida, ou seja, tem todo um contexto e uma conjuntura por trás de como cada pessoa reage diante de determinada situação. Esse entendimento é passível de ser aplicado a qualquer profissão, sendo o foco desse texto, a docência. Deste modo, objetivouse compreender que fatores são considerados como causadores de satisfação no trabalho docente daqueles que atuam em programas de pós-graduação, com conceito 4, em um Estado da região sul do Brasil. Os dados foram coletados através de um questionário semiestruturado encaminhado por e-mail, cujas respostas foram analisadas por meio da análise textual discursiva. Como principais resultados, emergiram as seguintes categorias: docência (e aqui adentram as aulas dadas, a criação dos planos para as disciplinas, as orientações, a autonomia metodológica e a liberdade de cátedra), o estudar, o pesquisar, os resultados de pesquisas, a produção com os alunos, o contato com os alunos, o acompanhamento da evolução/crescimento dos alunos e, por fim, o reconhecimento, que reitera a questão de valorização. Concluiu-se que as categorias emergentes são reflexo de um quadro profissional específico, de uma região particular, mas que se coadunam com o que a teoria nacional desvela e revela. As categorias emergentes possuem relação direta com a essência do trabalho docente, também, como é sentida e valorizada pelo seu entorno.
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