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Paradoxo mercantilização do Ensino Superior e formação profissional humana: uma crítica a partir das contribuições de Paulo Freire

PID: S2178-46122020000100516 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Stecanela Piccoli
Resumo O texto se debruça sobre os princípios constantes no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) de quatro Instituições Comunitárias de Ensino Superior (ICESs), duas localizadas no Rio Grande do Sul e duas situadas em Santa Catarina. O propósito é analisá-los segundo três categorias analíticas tomadas das obras de Paulo Freire: abertura para o diálogo. autonomia; e emancipação. A análise documental retrata os procedimentos adotados na construção dos dados empíricos, segundo a abordagem de Bacellar (2005). O estudo observa o atual cenário da Educação Superior, que indica um processo de mercantilização que desafia os movimentos das universidades, especialmente das universidades comunitárias devido à natureza pública não estatal, sem fins lucrativos e legitimadas pela Lei n. 12.881/2013. O argumento central do texto se constrói em torno da seguinte problematização: Como articular a lógica de mercado com uma formação profissional humana e de qualidade, em oposição à objetificação dos projetos de formação e de atuação profissional? Entre os resultados do estudo, estão o relevo dos propósitos das universidades comunitárias e indicadores articulados com a geração de capital humano e com a geração de capital de conhecimento, considerados como possíveis alternativas para posicionar as ICESs como instituições que não serão absorvidas pelo cenário da Educação como um negócio, não obstante as fronteiras permeáveis entre o dentro e o fora da academia.

Performatividade: atravessamentos de um dispositivo de controle na constituição de sujeitos escolares

PID: S2178-46122020000100122 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Corrêa Cervi
Resumo Este artigo é o recorte de uma pesquisa maior que se caracteriza como sendo pós-crítica. O texto busca, por meio de uma análise das falas de estudantes do 3º ano do “Programa Ensino Médio Inovador”, de uma escola pública estadual do Município de Blumenau – SC, evidenciar os discursos de performatividade aí presentes. A cultura de performatividade, emergente do setor econômico-empresarial e espraiada para setores públicos/estatais, é entendida como um dispositivo que atua na regulação e no controle dos corpos, produzindo os sujeitos desejáveis para a atual sociedade neoliberal. Ao estimular a excelência, a competitividade, o julgamento, a qualidade e o resultado, essa cultura contribui para que a escola se torne um grande negócio de seleção e meritocracia. Por meio de uma pesquisa cartográfica e com registros em diário de campo, este artigo objetiva problematizar quais subjetividades estão sendo produzidas pela escola contemporânea a partir de um dado currículo, e, então, desafiar o pensamento na construção de subjetividades outras, possibilidades de re-existência, para além dos números, cifras e estatísticas. O artigo divide-se em uma seção introdutória ao tema da governamentalidade, uma seção em que se contextualiza a sociedade contemporânea e a função da escola e do currículo; outra que apresenta a análise de falas de estudantes; e, por fim, alguns questionamentos que consideram a escola uma maquinaria que produz muito e produz tudo. Pode produzir aquilo que se espera para esta sociedade, o sujeito performático, consumidor da racionalidade neoliberal, assim, como pode produzir linhas de fuga, resistências, imposturas éticas contra condutas ao que está posto.

Poética da Notação Esquizofrênica: corpos, pensamento e linguagem em jogo

PID: S2178-46122020000100116 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Esteves Adó
Resumo Este texto se propõe perspectivar a agência humana no entorno do ato de grafar, ou seja, trata das relações e suas tensões entre as percepções do real e de sua inscrição no tempo-espaço, com ênfase à escrita. Dimensiona essa questão circunscrevendo certa noção de um corpo em jogo no mundo, no qual nota e anota o que percebe, via uma Poética da Notação Esquizográfica. Passa, por conseguinte, a perspectivar tal noção de corpo a partir da ideia de um indivíduo que, em Deleuze, é colocada em questão nos termos de um eu passível, ou um ante-eu, como condição para determinações diferenciais dos e nos encontros: sob esse ante-eu, todavia, se impõe um Eu pessoal. Um corpo é, então, considerado como composto por singularidades em movimentos contínuos, variações nas quais irrompem individuações – individualidades dotadas de forças pré-individuais inerentes aos corpos. O problema é colocado a partir da ideia, presente em Barthes, de que uma logosfera nos envolve, e que precisamos, portanto, sacudi-la, pois se trata de um dado do nosso sujeito centrado: pôr em jogo, assim, o que, em nossa individualidade, constitui o Eu pessoal, que condiciona os movimentos da representação, via recognição. Com efeito, é um jogo com a linguagem, tomando-a, com Deleuze e Guattari, como incorpóreos que se expressam dos corpos. Trata-se de ponderar que o mundo, após pensado, só pode ser perspectivado nesses termos, com o pensamento e a linguagem. Destarte, o jogo que propomos – e seus efeitos sobre a educação –é condicionado, com Baudrillard, por uma impostura radical, que passa a lidar com o real, via certa Poética da Notação Esquizográfica.

Proposições em aula-sonho pela educação da diferença

PID: S2178-46122020000100124 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Corazza Reis
Resumo Tão aberto como um sonho, este artigo de teor ensaístico aborda alguns estudos em filosofia e psicologia que tratam sobre a interpretação e a função social do sonho, aproximando escrita e educação. Essa educação sensível torna-se crítica e artística ao lidar com evocações de imagens e sensações do inconsciente individual e do coletivo. Pelo diapasão da Filosofia da Diferença, traçamos proposições a pensar pelo ritmo do sonho, sentir suas ressonâncias sociais e para a elaboração da escrita em educação. Aulas-sonho, sonhografias e não lugares emergem do inconsciente em imagens a-traduzir, isto é, do que está para ser traduzido diante da linguagem. Nesse revezamento entre o corpo, o real e o sonho, dimensionamos alguns apontamentos acerca do feminino e do trauma como disparadores sociais para problematizarmos esses afetos ao corpo do docente que pensa e sonha empiricamente, diante do real da educação. Nesse arquivo de uma educação latente, e, a partir dessa abordagem em labor de sonho, uma poética é traduzida. Assim como os quadros oníricos alimentam a realidade, a realidade alimenta nossos pensamentos, sonhos, valorações e interpretações da vida. A proposta da escrita que sonha é maneira de uma prática de si transindividual, por isso educativa e filosófica. Operacionalizando o pensar pela interpretação de sonhos, mas dela perspectivando um método de sonhar a escrita, apresentamos propostas de exercícios sonhográficos para este jogo de pensamento, que não é apenas da memória descritiva, mas da evocação de signos pré-linguagem. Tais signos traduzem a sonhografia como prática de si. O desejo docente não é uma falta, mas vontade de poesia didática que opera nos currículos ao afirmar a aula-sonho como potência de pensamento.

Protagonismo dei bambini e educazione: l'approccio di San Miniato (Itália)

PID: S2178-46122020000100401 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Fortunati
Sommario Il contributo presenta gli aspetti salienti dell’approccio di San Miniato (un Comune italiano collocato nel centro della Toscana) all’educazione dei bambini durante l’età dell’infanzia. L’esperienza presentata si colloca in una realtà caratterizzata da un positivo sviluppo economico, da indicatori sociali favorevoli e da una lunga tradizione di investimento sull’educazione che ha condotto a rendere l’intera comunità partecipe e attivamente responsabile nello sviluppo dei servizi educativi per i bambini a partire dalla nascita, con percentuali di diffusione molto superiori alle medie comparative nazionali e internazionali. Partendo da una affermazione dell’identità dei bambini come persone e soggetti attivi e costruttivi all’interno delle esperienze che accompagnano la loro crescita e educazione, l’approccio punta a inves tire sull’organizzazione dello spazio educativo, su una idea flessibile di curriculum e sullo sforzo di accogliere la partecipazione delle famiglie investendo al contempo sull’educazione familiare. Tutti questi aspetti – lo spazio, il curriculum e la partecipazione – diventano nel loro insieme la forza del progetto e orientano gli educatori a un ruolo diverso da quello tradizionale, non più centrato sulla prospettiva del trasferimento delle conoscenze quanto piuttosto nell’orizzonte della loro costruzione all’interno di una dimensione di dialogo e confronto fra i punti di vista messi in gioco da bambini e educatori. Il protagonismo riconosciuto ai bambini si riflette in un nuovo protagonismo degli educatori, che si trasformano da semplici tecnici dell’educazione in ricercatori curiosi e aperti alla novità e al possibile. San Miniato ha investito negli ultimi venti anni nello sviluppo di relazioni e scambi con tante altre realtà nel mondo impegnate nello sviluppo di esperienze di qualità nei servizi educativi per l’infanzia e la BOTTEGA DI GEPPETTO – Centro Internazionale Gloria Tognetti oggi prosegue in questo lavoro onorando al contempo la memoria di una delle persone che maggiormente ha sostenuto lo sviluppo dell’approccio come Responsabile dei Servizi Educativi di San Miniato dalla fine del secolo scorso e fino alla sua prematura scomparsa nel 2017.

Qualidade em serviços educacionais italianos*

PID: S2178-46122020000100402 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Maciel Ramos Galardini
Resumo Entendemos que promover a qualidade na educação para crianças pequenas é uma das metas da Educação Básica brasileira e que, nesse sentido, há ainda muito por fazer no cenário nacional. Desse modo, busca-se inspiração na experiência de décadas do trabalho nos serviços educativos com crianças pequenas na Itália para pensar nas peculiaridades da etapa Educação Infantil que contribuam para qualificá-la. Assim, este artigo propõe-se discutir aspectos relacionados à qualidade dos serviços educativos destinados a crianças pequenas na Itália. Para analisar a questão posta, apoiamo-nos em Galardini (2002, 2019); Bondioli (2006); Fortunati (2016); e Malaguzzi (2010). O estudo segue o delineamento qualitativo e empírico, a partir de experiências de formação pedagógica, observações e visitas técnicas realizadas nos serviços educacionais na cidade de Pistoia, região da Toscana – Itália, durante período de estágio de doutoramento no ano de 2018 e na atuação na gestão e formação pedagógica de Anna Lia Galardini. Dessa relação, emergem categorias que serão problematizadas: a formação do professor que atua com crianças pequenas; o papel do coordenador pedagógico nas escolas; e, por fim, a relevância do espaço, seja interno, seja externo, como um princípio educativo. Apontam-se como resultados que qualificar o espaço nos serviços educativos significa construir um ambiente bem-dimensionado e articulado às demandas infantis, e que o coor denador pedagógico e os educadores são profissionais fundamentais para garantir a qualidade nos serviços ofertados.

Racionalidade instrumental, fascismo e Educação na contemporaneidade

PID: S2178-46122020000100504 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Ferreira Bueno
Resumo Este ensaio tem como base inicial o conflito estabelecido a partir da visão mecanicista da natureza na ciência moderna, contraposto ao finalismo metafísico anterior. Nesse viés, interessa-nos seus desdobramentos com o surgimento daquilo que Adorno e Horkheimer chamaram de razão instrumental e os comprometimentos que parecem estar subjacentes nas bases do processo educativo contemporâneo. Pautado mais pelo pragmatismo econômico e cientificista do que na percepção da Educação como um processo humanizador e emancipador, encontramos um mundo cada vez mais avançado tecnologicamente, interconectado e pretensamente socializado virtualmente, mas, em paradoxo, vivencia retrocessos no campo das conquistas políticas e sociais. A partir da Revolução Científica na Modernidade e de suas bases mecanicistas, o mundo interpretado na perspectiva da razão subjetiva – entenda-se instrumental, como nos esclarece Horkheimer (2015) – passa a ser compreendido mecanicamente, desconsiderando-se sua finalidade ou o finalismo das coisas. O controle da natureza, daquilo que nos assustava e do homem, em sua condição de racionalidade, tomado pelo processo civilizatório e esclarecedor, transformou-se, ao longo dos anos, numa racionalidade não emancipatória, mas instrumentalizadora da nossa própria existência, condição que permitiu o surgimento do fascismo e que continua a alimentar e manifestar os sinais da barbárie que ainda paira no horizonte, como já nos alertava Adorno em Educação após Auschwitz (1995). Entendido como um fenômeno projetivo pelo filósofo, a partir de uma patologia narcísica, o discurso fascista traz, em sua base, o conceito de “estranho e familiar”, em que o outro é o diferente que lembra ao agressor as próprias mazelas, aquelas com as quais ele não lida e que espelham a si mesmo. Catalisado pelo discurso de ódio disseminado de forma repetida pelo líder, o in-group dos fascistas encontra, no out-group, os grandes inimigos. Implantar seu projeto, sua ideologia, é o que está em jogo. Na contramão, talvez pensar a Educação como elemento de ruptura e desnudamento das contradições que são ocultadas numa sociedade pautada pelo mecanicismo moderno e regulada por uma racionalidade instrumental que coisifica as consciências e manifesta, em seu uso cotidiano, a administração do existente e não suas possibilidades emancipatórias.

Razão crítica e emancipação no contexto da Educação do Campo: contribuições filosóficas

PID: S2178-46122020000100515 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Fernandes
Resumo O conceito de emancipação é central à práxis formativa da Licenciatura em Educação do Campo (LEDOC) e expresso em seus documentos fundacionais, ainda no marco das exigências dos movimentos sociais. A Educação possui potenciais emancipatórios que apresentam dificuldades nas sociedades contemporâneas devido a uma reificação gradativa da própria Educação, porém, aqui defendemos que, no âmbito da Educação do Campo, esses potenciais permanecem não reificados e latentes, dadas a condição de irrupção de uma subjetividade campesina e a relação intrínseca entre uma razão crítica e o próprio conceito de emancipação. Nosso objetivo é tematizar, nesse contexto, o conceito de emancipação e sua relação com a razão crítica e suas ressonâncias e potencialidades, fornecendo elementos para uma reflexão sobre as bases filosóficas da Educação do Campo. A partir das contribuições da Teoria Crítica, podemos nos aproximar de uma razão crítica inerente e possível à subjetividade que se apresenta à sociedade e ao Estado: a subjetividade campesina. Essa subjetividade carrega consigo potenciais emancipatórios justamente por estar propensa ou exposta a uma racionalidade crítica que pode ser materializada em virtude de sua negatividade, experimentada como corporeidade transpassada pela objetividade da luta – que aqui não figura como mero conceito, mas se expressa como horizonte cotidiano dessa subjetividade. Percorre-se um caminho que parte da compreensão de alguns elementos pertinentes à Teoria Crítica, centrada na primeira geração da Escola de Frankfurt, como desvelamento de uma razão crítica. A crítica à razão instrumental revela nova possibilidade de rompimento com a vida administrada, com o dado, o ordenado, que caracterizam as sociedades tardocapitalistas, e, também, expõe, no âmbito do indivíduo, o processo ou mecanismo de irrupção dessa razão crítica a partir da dor da compreensão da exclusão, experimentada pelo sujeito. Em seguida, passa-se a algumas considerações sobre a Educação do Campo e sua condição expressa pela negatividade, que carrega os elementos necessários a uma razão crítica e, portanto, deixa claro um posicionamento marcado pela dor, pela resistência e pela luta.

Reflexões sobre a experiência e o ensino de arte: o conceito benjaminiano de “perda da aura” como parâmetro para a análise

PID: S2178-46122020000100113 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Sousa Costa Sanches
Resumo Com a análise conceitual da arte e da expressão artística, este artigo situa a discussão do ensino de arte em síntese aos pressupostos críticos de Walter Benjamin. Busca-se, primeiramente, o sentido da arte no contexto de seu surgimento, sua valorização cultural e sua função social, para, posteriormente, mediante pressupostos da Teoria Crítica da Sociedade, verificar-se as contradições com sua desintegração na atualidade, apropriada pela indústria cultural como valor de mercadoria. Nesse trajeto, a reprodução técnica da obra de arte tornase o fundamento categórico para a crítica e o desnudamento das formas decadentes sob as quais a arte é “visualizada” na modernidade. A redução das formas estéticas de percepção da arte expressa-se no desaparecimento da experiência, na incapacidade de narrar, na crise da transmissão, enfim, no ensino de arte.

Reflexões sobre as metodologias ativas como abordagem pedagógica no contexto brasileiro

PID: S2178-46122020000100127 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Lotúmolo Júnior Mill
Resumo Este trabalho analisa reflexões sobre a abordagem pedagógica denominada “Metodologias Ativas”, que estão sendo apresentadas como alternativa para melhorar os resultados de ensino e aprendizagem no Brasil. Por meio de uma revisão bibliográfica, são apresentados alguns dos principais elementos das Metodologias Ativas, principalmente suas características mais evidentes. Busca, também, trazer à discussão alguns questionamentos sobre essa abordagem pedagógica, indicando a existência de possíveis dificuldades que possam comprometer a aplicação das Metodologias Ativas. A partir deste estudo, registra-se que são necessários novos estudos sobre as potencialidades e dificuldades de implantação de Metodologias Ativas, analisando resultados efetivos de aprendizagem ativa.

Sobre um possível contexto filosófico de descoberta da intuição heurística: uma interpretação a partir de A estrutura das Revoluções Científicas de Thomas Kuhn

PID: S2178-46122020000100103 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Fagherazzi Henning
Resumo Na análise do desenvolvimento da história e filosofia das ciências, deparamo-nos com uma questão: Haveria um contexto favorável à possível emergência de uma intuição ou a mesma seria completamente desprovida de qualquer espaço que pudesse fomentá-la? Deixando de lado antigas teorias que defendiam a intuição ser proveniente dos deuses, ou outras que não exploravam espaços pelos quais ela pudesse ser favorecida, defendemos, com Kuhn (2009), uma possível vinculação a ela favorecedora. Trata-se de uma conjuntura de fatores apresentados como elementos centrais da passagem da ciência normal para a ciência revolucionária. A problematização, a criticidade, o experimento mental e o pensar filosófico são alguns fatores que não garantem um caminho rigorosamente lógico ao alcance da intuição. Embora não hajam passos predeterminados para o alcance duma intuição, não podemos ignorar aquelas vias indiretas que possam fomentá-la a partir de um possível contexto filosófico de descoberta.

Somos todos filósofos: problematizando o preconceito e a concepção de filosofia

PID: S2178-46122020000100108 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Santos Carvalho
Resumo O objetivo desse texto é apresentar uma reflexão sobre a filosofia enquanto práxis humana, na perspectiva da superação do preconceito de que a filosofia é uma atividade do pensamento, deslocada da vida e de suas relações com o contexto social, partindo do pressuposto de que a filosofia é uma reflexão, um conhecimento crítico da realidade. O foco de nossa reflexão destaca a pergunta filosófica como instrumento mobilizador da formação da consciência crítica do sujeito, como processo de criação e superação do preconceito de que a filosofia é uma atividade para alguns iluminados.

Superinteligências digitais

PID: S2178-46122020000100106 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Calisi
Resumo O desenvolvimento de tecnologias ligadas à inteligência artificial trouxe grandes mudanças na nossa vida e prospecta muitos mais nos próximos anos. Há, entretanto, um aspecto sobre o qual alguns estudiosos começaram há algum tempo a nos alertar. Refere-se à possibilidade que os sistemas baseados na inteligência artificial se tornem, um dia, mais inteligentes do que nós, adquirindo também uma autonomia de escolha e de decisão. A partir daquele momento eles poderiam fugir do nosso controle e agir de modo a nos prejudicar. Neste texto são analisadas as teses de Nick Bostrom, considerado por diversos uma das maiores autoridades neste campo específico. Os argumentos apresentados por Bostrom são numerosos e bem detalhados; todavia, no seu interior se buscaria em vão autênticos fundamentos teóricos e empíricos para as fantásticas capacidades das superinteligências que são prospectadas, como também para os perigos que elas poderiam representar para o homem. Diria-se, entretanto, que tais teses foram construídas simplesmente transpondo as características cognitivas dos seres humanos para o campo da inteligência artificial, dando por certo que não existam diferenças relevantes entre os dois domínios. A concepção que se cultiva da inteligência artificial tem consideráveis retornos sobre como nos representamos os vários aspectos da sociedade futura: ela se refere sobretudo às mudanças que interessarão ao mundo do trabalho, ao lugar ocupado pelas máquinas inteligentes na nossa vida, mas também ao tipo de instrução a dar às jovens gerações. Por isso é necessário refletir profundamente e atenciosamente antes de difundir ideias que poderiam se revelar profundamente erradas.

Trajetórias biográficas de mulheres feministas atuantes em movimentos sociais

PID: S2178-46122020000100517 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Silva Cardoso
Resumo O artigo busca refletir sobre a trajetória de mulheres feministas na cidade de Pelotas – RS, a partir de suas narrativas que, de certa forma, foram precursoras, visibilizando suas experiências no ativismo político. Entendemos que todo movimento social atua na formação humana, portanto, é um ato educativo. Utilizamos o referencial feminista descolonial, como perspectiva vinculada à resistência do sistema capitalista mundial-globalizado. Buscamos nossas bases teóricas especialmente nas autoras Heleieth Saffioti (2004), Ochy Curiel (2007), Marcela Lagarde y de los Ríos (2015), Patricia Hill Collins (2017) e bell hooks (2019), para discutir sobre a condição histórica das mulheres, em relação à classe social, ao gênero, à raça, à divisão sexual do trabalho e ao empoderamento social. A metodologia utilizada é de cunho qualitativo e, como fonte de dados, se compõe de narrativas biográficas. O conjunto de narrativas que apresentamos nesta escrita foi constituído por entrevistas narrativas individuais, com quatro mulheres que militaram politicamente nos anos 1980 e que, atualmente, têm mais de 60 anos de idade. Essas mulheres participaram de espaços institucionalizados de militância, como o Conselho Municipal da Mulher, o Grupo Autônomo de Mulheres Pelotas (GAMP), União Brasileira de Mulheres (UBM) ou sindicatos. Em recente pesquisa sobre trabalho na cidade de Pelotas, foi constatada uma grande situação de vulnerabilidade no trabalho, onde totalizaram mais de 62 mil pessoas em trabalho precário ou informal. Nesse contexto, as dificuldades de uma cidade socialmente desigual levam à criação de grupos de enfrentamento, e é nesse espaço social que as mulheres deste estudo atuam. No procedimento de análise destacam-se as categorias interseccionalidade, divisão sexual do trabalho e empoderamento social. Como resultados, ressaltamos a importância das epistemologias feministas descoloniais para aprender e conhecer a história de mulheres que colaboraram na construção do movimento feminista em prol dos direitos das mulheres. Também destacamos o empoderamento social das colaboradoras da pesquisa, pois são mulheres que se relacionam cotidianamente com a cidade, trabalham, dialogam com outras mulheres em situação de vulnerabilidade e têm consciência crítica que, através da Educação transformadora e feminista, possam colaborar para uma equidade de gênero.

Um pensamento pedagógico emergente das práticas educativas como humanização e diferença

PID: S2178-46122020000100115 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Cestari
Resumo Este trabalho apresenta uma proposta para pensar nas práticas educativas como humanização e diferença. Diante disso, põe em questão que muitos dos conhecimentos sobre educação advêm de processos de elaboração que têm pouca ou quase nenhuma relação com práticas educativas. Por isso, posiciona-se pela crítica à postura que submete a educação aos diversos discursos que circulam nas ciências da educação, superando os fundamentos humanistas modernos e o entendimento de educação como lugar de produção de determinadas subjetividades e/ou identidades. Ao contrário disso, assumindo uma atitude propositiva, as práticas educativas serão abordadas como lugar de formação humana, entendendo a humanização como um conceito aberto, cuja definição não pode ser descrita antes e fora das práticas educativas. Além disso, esta proposta argumenta em favor da diferença e/ou da pluralidade do ser humano, ou seja, deve ser aceito que a educação ainda é um processo pelo qual os indivíduos são formados de acordo com suas potencialidades, e que essas são construídas durante o processo educativo.

Uma boa Educação para além do aprenderismo: considerações acerca do pensamento de Gert Biesta

PID: S2178-46122020000100505 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Freitas Mello
Resumo O artigo apresenta um estudo teórico sobre o pensamento de Gert Biesta, filósofo e educador holandês, internacionalmente reconhecido como referência no campo da Pedagogia Crítica. Tem como objetivo pôr em discussão o conceito learnification, criado pelo autor e posteriormente traduzido por aprenderismo, considerando ser esse uma importante referência para orientar estudos e práticas na perspectiva de problematizar o discurso educacional dominante. Como método, apresenta um procedimento complementar aos estudos bibliográficos, qual seja, a análise de vídeos referentes a palestras disponibilizadas pelo autor no ambiente virtual YouTube. Com base na Análise Textual Discursiva (ATD), foram tomados como objeto de estudo três vídeos, a saber: “Good education in the age of measurement”; “Being home in the world” e “The beautiful risk of education”. Os vídeos correspondem, respectivamente, a palestras realizadas pelo autor, em diferentes eventos educacionais, entre os anos de 2013 e 2017, perfazendo um período de seis anos e contando com um intervalo de dois anos entre cada palestra selecionada. Resulta deste estudo uma compreensão ampliada do conceito, cuja complexidade buscamos expressar a partir de quatro palavras-chave: mensuração, qualificação, mercantilização e egocentrismo. Cada uma das referidas palavras-chave dá pistas para compreender o conceito, bem como para sugerir a continuidade de estudos sobre o pensamento do autor. Nesse sentido, as considerações finais apresentam questionamentos, com vistas ao aprofundamento de estudos, convidando ao diálogo. Como conclusão, reitera-se a importância do pensamento de Gert Biesta e a relevância da compreensão acerca do conceito learnification/aprenderismo, concebendo-o como significativa contribuição para orientar estudos e práticas no campo da Pedagogia Critica, na perspectiva de pensar/fazer uma boa Educação na era da mensuração.

Uma breve reflexão sobre o direito à preguiça

PID: S2178-46122020000100126 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2020
Autores: Incerti
Resumo Tendo por base os pensamentos de dois importantes intelectuais franceses do século XX, este trabalho pretende perguntar pelo lugar da preguiça em tempos em que todos são cobrados por sua alta performance. Foucault mostra, em diferentes momentos, que tanto do ponto de vista moral como em relação aos processos econômicos, a preguiça foi reprovada, vigiada, controlada. Vemos isso, por exemplo, em seu curso “A sociedade Punitiva” (1972-1973), que a preguiça clássica dos séculos XVII e XVIII, vista como vício indolente e antiprodutivo e combatida com força policial, passa, a partir do século XIX, para um tipo complexo de ilegalismo, que compromete a maximização da produção e do lucro e é contida com trabalho intenso e contínuo e com a vigilância moral sobre o trabalhador. Como se vê em Vigiar e punir (1975), é a sociedade disciplinar e vigilante, que, atuando sobre os corpos, deve eliminar todo tipo de preguiça, a fim de que se possa extrair deles a maior utilidade possível. Já no curso “Nascimento da biopolítica” (1978-1979), ele nos ajuda a perceber que o modelo neoliberal deve banir a preguiça, na medida em que o que se busca, na economia de mercado, é a máxima eficiência. Concomitantemente aos cursos de Foucault, dedicados a questões do liberalismo e do neoliberalismo, Roland Barthes, numa entrevista intitulada “Ousemos ser preguiçosos”, de 16 de dezembro de 1979 ao jornal Le Monde, nos provoca a pensar que houve, no Ocidente, a perda da “instituição preguiça” em vista, principalmente, de certa obrigação de diversificação do tempo. Por isso mesmo, para nós, torna-se intolerável o “não fazer nada”; é preciso, a todo momento, inserir algo à vida.

A educação como produto e o trabalho docente

PID: S2178-46122019000100011 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Cescon
Resumo O artigo discute o trabalho docente em instituições de educação superior, a partir das mudanças na conjuntura desse nível de ensino, marcado pelo processo de mundialização do capital, pela ofensiva neoliberal pós-crise de 2008 e reestruturação produtiva, levando à ruína direitos sociais conquistados, além do processo de mercantilização e do produtivismo nesse espaço, que tem levado ao trabalho docente elementos estranhos à educação, como: meritocracia, o cumprimento de metas, avaliação quantitativa da ciência e que parece ter estimulado a concorrência intra e extrainstitucional.

A experiência estética e a formação humana numa perspectiva monista em Dewey

PID: S2178-46122019000100008 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Cenci Morigi
Resumo O presente artigo trata da relação entre experiência estética e formação humana a partir da abordagem de John Dewey e tem como objetivo demonstrar as contribuições da experiência estética à formação humana, a partir da perspectiva monista desse autor. Para dar conta desse propósito, tomamos como referência principal a sua obra Arte como experiência e, como complementares, Democracia e Educação, experiência; Educação e Vida e educação. O artigo aborda, inicialmente, a relação entre a experiência estética e o papel da imaginação para, em um segundo passo, tematizar a contribuição da experiência estética à educação compreendida como formação em uma perspectiva monista.

A formação do si mesmo e a mestria socrática em Pierre Hadot

PID: S2178-46122019000100022 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Rossetto
Resumo O objetivo deste ensaio é retomar a importância vital que a formação ética do sujeito tem ante a condição frágil e vulnerável do ser humano. Essa finalidade é, aqui, pensada a partir da leitura que Pierre Hadot faz da filosofia antiga e, especialmente, da figura de Sócrates. Nos propomos a investigar a noção de “diálogo socrático” como um exercício espiritual que o faz ser autor de sua própria formação. Assim, o diálogo pode ser entendido como um princípio pedagógico-formativo suficientemente eficiente para deslocar a preocupação com o conhecimento para a preocupação com o sujeito do conhecimento. Sem esse deslocamento, a formação ética do sujeito mantém-se fragilizada.
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