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A governamentalidade como ferramenta analítica em Michel Foucault

PID: S2178-46122019000100005 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Kroetz Ferraro
Resumo O presente artigo tem como objetivo abordar a governamentalidade proposta por Michel Foucault como ferramenta de análise a ser utilizada em investigações no campo da educação. Considerando sua tradição arqueogenealógica, ao romper com a perspectiva de um continuum historiográfico em favor de uma descontinuidade histórica, trata-se de uma mirada sobre os acontecimentos para além da tradicional narrativa encadeada dos fatos, convertendo-se em uma analítica das condições de possibilidade para a emergência de outras formas de se (re)pensar e agir sobre a história. Em assim sendo, a governamentalidade permite examinar, no interior de organizações discursivas, novas formas de racionalidade política e suas respectivas tecnologias para o governamento a partir dos modos de produção de saber em sua articulação com as relações de poder que, em um sentido prático, atuam sobre processos de subjetivação.

A ideia de divindade e as paixões no système de la nature de Holbach

PID: S2178-46122019000100029 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Primo
Resumo Em seu Système de la nature, Holbach afirma que algumas ideias que o homem engendra dentro de si são derivadas de uma oscilação dos humores que o impede de entrever quais são as razões de atribuir um caráter sacro a certas palavras ou opiniões. Nesse sentido, as paixões, longe de serem romantizadas e levarem vantagem em relação à reta razão justamente por serem menos frias e mais lúdicas, sob a pena do barão, ganham uma imagem negativa, definidas como verdadeiros obstáculos ao homem que pretende entender os princípios, o curso e as leis da natureza, dispensando o recurso a instâncias ou entidades sobrenaturais criadas pela imaginação, pela inconstância dos humores ou pela linguagem.

A influência da religião na legitimação do Estado através da obra de Maquiavel

PID: S2178-46122019000100002 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Gonçalves
Resumo O presente artigo pretende demonstrar como a obra de Maquiavel elenca aspectos pertinentes sobre a relação entre religião e Estado, e como esses podem ser analisados através do ponto de vista da teoria política moderna. Suas contribuições relacionadas ao estudo da função política da religião, entendida como item essencial na manutenção, no reconhecimento e na solidez do Estado, levantam indagações indispensáveis para pensar a influência de determinados preceitos confessionais, relacionados ao poder eclesiástico, na formulação de uma moral política voltada à obediência dos ditames de natureza religiosa, e que auxiliam no desenvolvimento de uma virtù coletiva, elemento, segundo o autor, indispensável para o Estado. O artigo ainda procura explorar questões relacionadas ao método empregado por Maquiavel e à sua busca pela “verdade efetiva das coisas”. Através dessa preocupação, o autor elucida questões religiosas pela capacidade que as mesmas têm de influenciar na vida coletiva, influência que abrange decisões dos cidadãos no que concerne a temas políticos, garantindo a disciplina e, consequentemente, o fortalecimento do Estado. Assim, o autor de Florença reconhece a incumbência da doutrina religiosa e sua eficiência ao motivar o vivere civile.

A voz-práxis dos marginalizados entre estética e política: autoafirmação, resistência e luta em tempos de institucionalismo forte, cientificismo e lógica sistêmica

PID: S2178-46122019000100009 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Danner Danner Bavaresco Dorrico
Resumo Criticamos, no artigo, duas exigências fundamentais postas pelo paradigma normativo da modernidade como condição da crítica, da reflexividade e da emancipação, a saber, a racionalização epistemológica dos sujeitos, das práticas e dos valores como critério de justificação e de validade, e o procedimentalismo imparcial, neutro, formal e impessoal como práxis da fundamentação ético-política. Argumentamos que essas duas exigências teórico-práticas levam a dois graves problemas para uma teoria social-crítica e para uma práxis político-emancipatória relativamente à modernidade: primeiro, sujeitos epistemológico-políticos marginalizados pela modernidade (por exemplo, indígenas e negros) teriam de abandonar a carnalidade e a vinculação ao seu contexto e sua situação de vítimas da modernidade como condição de uma perspectiva crítica ante à própria modernidade como universalismo epistemológico-moral autêntico; segundo, uma perspectiva político-metodológica imparcial, neutral, formal e impessoal conduz tanto à apoliticidade e à despolitização dos sujeitos da fundamentação quanto à correlação de institucionalismo forte, cientificismo e lógica sistêmica, já que, nesse segundo caso, apenas as instituições (desde uma dinâmica lógico-técnica) têm condições de assumir uma atuação e um enquadramento sociais nesses requisitos de imparcialidade, impessoalidade, neutralidade e formalismo. Como alternativa, apontamos à necessidade, por parte das vítimas da modernização, de uma voz-práxis político-politizante, carnal e vinculada, que tem como ponto de partida sua condição de marginalização e sua pertença social e antropológica como base da autoafirmação, da resistência e da luta e que se processa sob a forma de um anarquismo estético-político antissistêmico, anti-institucionalista e anticientificista, aberto, inclusivo e participativo.

A ética do gênio: aproximações entre Otto Weininger e Ludwig Wittgenstein

PID: S2178-46122019000100019 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Brígido
Resumo Em Modern moral philosophy (1958), Elisabeth Anscombe aponta para uma atitude tipicamente wittgensteiniana que corresponde a uma crítica e, ao mesmo tempo, a uma rejeição às formas tradicionais de pensar a ética. A consequência mais radical dessa crítica rompe, de maneira original, a exigência de “tornar-se um ser humano melhor”, realizando uma atividade sobre si mesmo, com a finalidade de se constituir como sujeito ético. Tendo essa perspectiva como fundamento, esta pesquisa defende a existência de um itinerário - indicativo, não prescritivo - que conduz à constituição do sujeito ético na filosofia de Wittgenstein, do qual o gênio resulta como figura central. Para tornar plausível e sustentar essa afirmação, propõe-se uma aproximação entre o pensamento de Wittgenstein e o pensamento moral de Otto Weininger, registrado nas linhas de Sexo e caráter.

A “ação educativa” em Hannah Arendt

PID: S2178-46122019000100024 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Petry
Resumo No presente artigo apresento uma reflexão acerca do conceito de ação e sua repercussão para a educação escolar, a partir de Hannah Arendt. Considerando a distinção arendtiana entre fabricação, labor e ação, argumento que uma das atividades específicas da escola é a ação educacional, no sentido de que alunos e professores atuam quando aparecem e se relacionam mediados pelos conteúdos e respondendo aos desafios que representam o mundo. Ademais, se a tarefa da educação é, em Arendt, introduzir as novas gerações no mundo, essa introdução se dá, preferencialmente, pela ação. Mas, no que tange aos alunos, a ação não é no sentido político, visto que eles estão em processo de formação e não são responsáveis pelas consequências de seus atos e pelo mundo. Por isso, o cuidado, a proteção, a responsabilidade e a autoridade do adulto são fundamentais para compreender a escola e a educação, bem como a especificidade da ação na escola.

As canções populares e o sentimento de missão educadora dos intelectuais românticos: o exemplo do poeta Juvenal Galeno no contexto do Romantismo brasileiro

PID: S2178-46122019000100027 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Andrade Filho Andrade
Resumo A partir do século XVIII, na Europa, muitos intelectuais europeus passaram a alimentar o gosto e o interesse pelas questões populares. O filósofo alemão Johann Gottfried Herder (1744-1803) é considerado um dos expontes que influenciaram muitos intelectuais, cujas ideias alimentaram o movimento romântico. Contrariando a mentalidade racionalizante iluminista, tais ideias conduziram os adeptos dessa tendência a voltarem-se aos estudos da tradição campesina, buscando, no povo e no seu passado glorioso, o elemento constituidor da nacionalidade, particularmente na canção e na poesia populares. Aos intelectuais românticos estava essa questão posta como missão educadora. Em terras brasileiras, tal interesse se fortaleceu ainda no período Regencial, alimentado pela lógica do contexto que foi se constituindo logo após a nossa independência política. Deveu-se, sobretudo, à iniciativa dos intelectuais românticos brasileiros, nutridos pelos referidos ideais do Romantismo europeu, notadamente francês, moldado pelo Espiritualismo Eclético, e firmes na convicção da missão restauradora de educação da pátria através da instituição de sua história e sua literatura. Em um percurso histórico e compreensivo, intentamos mostrar que as ações do poeta cearense Juvenal Galeno, expressas em suas obras, estavam sintonizadas com a referida causa romântica e, assim, definir o mesmo como intelectual com propósito de missão educadora.

As relações interpessoais como promoção de ética segundo Maurice Nédoncelle

PID: S2178-46122019000100001 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Caltagirone
Resumen En la reflexión filosófica contemporánea, la relación se ha convertido en una categoría interpretativa de la realidad humana y de sus articulaciones. Entre los filósofos que han estado interesados a la persona y sus relaciones intersubjetivas un lugar particular merece Maurice Nédoncelle, original personalista francés de ‘900, que ha reflexionado sobre la reciprocidad de las conciencias con el fin de captar la estructura relacional y intersubjetiva de lo humano. El presente estudio explica las coordenadas fundamentales del pensamiento de Nédoncelle, con el fin de configurar una perspectiva ética que también es relacional.

Diálogo, dialogismo e dialogicidade em Buber, Bakhtin e Freire: algumas observações

PID: S2178-46122019000100015 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Bentes Souza-Bentes
Resumo O diálogo, o dialogismo, a dialogicidade são termos recorrentes em inúmeras teorias. São orientadores de práticas pedagógicas que buscam uma educação transformadora. Neste artigo, faz-se uma reflexão sobre esses termos, a partir de três teóricos: Martin Buber, Mikhail Bakhtin e Paulo Freire. A tarefa principal é analisar, em obras destes filósofos, as semelhanças e diferenças. A questão que nos interessa focalizar refere-se à suposição de que há uma convergência entre esses autores. Nessa direção, o investimento na pesquisa desses autores tem uma dimensão, a um só tempo, introspectiva, já que permite detectar, nas obras dos três filósofos, semelhanças e diferenças a respeito das concepções sobre o diálogo, quanto prospectiva, uma vez que abre espaço para a sugestão de indicativos para uma prática que atenda aos desejos de uma educação de qualidade, transformadora de realidades opressivas.

Ecos de uma futura professora: memórias da formação em páginas de cadernos do Curso Complementar (1934-1936)

PID: S2178-46122019000100006 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Almeida Poletto
Resumo O presente artigo toma como objeto de análise cadernos produzidos por Romana Bragatti, entre os anos de 1934 e 1936, estudante do Curso Complementar do Colégio São José, localizado em Caxias do Sul - RS. O estudo investiga esses suportes de escrita, suas materialidades e enunciados, na tentativa de compreender o uso dos artefatos e os discursos constitutivos da formação docente. Como respaldo teórico, são referenciados António Viñao-Frago (2008), Castillo Gómez (2012) e Jean Hébrard (2001), autores que trabalham com a história da cultura escrita, exploram aspectos gráficos, apontam para caminhos metodológicos e sinalizam na direção de possibilidades de produção historiográfica em torno desses dispositivos. Por meio desses aportes, a pesquisa busca contribuir com a análise desses artefatos da cultura escolar e expressar caminhos de investigação para quem se arrisca a desenvolver pesquisas inscritas nessas perspectivas. Como escrituras disciplinadas, cadernos escolares, em tese, não permitem a expressão da espontaneidade dos escreventes, entretanto, alguns registros produzidos pela aluna, aparentemente sutis, realçam transgressões sobre esse material e sobre o processo de escolarização que vivenciava, possibilitando perceber marcas da autora. Os assuntos que comparecem nesses cadernos versam sobre temas de História Universal e de Pedagogia, saberes considerados importantes à formação das estudantes, apresentados descritivamente. Especialmente o Caderno de Pedagogia, para além da descrição, manifesta também um caráter explicativo-prescritivo, constituindo-se, supostamente, em referência de leitura, notadamente de orientação teórico-metodológica. Ao examiná-los, observa-se uma espécie de mimetização dos manuais escolares vigentes. Infere-se que as alunas copiavam textos desses manuais, que eram ditados ou exibidos no quadro-negro pelo professor, considerando o pouco acesso aos livros naquela temporalidade. Em relação ao Caderno de Pedagogia, o que mais se destaca são, por um lado, indicativos de códigos de conduta moral considerados adequados à professora, em conformidade com o processo de feminilização da docência naquele contexto. Por outro, percebem-se indícios de que a futura professora esteve em contato com o escolanovismo, que instituía a Pedagogia em bases científicas, enfatizando a importância da Psicologia Experimental.

Ensaio sobre a dialética do esclarecimento: reflexões e provocações educativas

PID: S2178-46122019000100025 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Barbosa
Resumo Na obra Educação e emancipação, ao propor um novo imperativo categórico, “que Auschwitz não se repita”, Theodor W. Adorno (1995, p. 119), incita à reflexão sobre a cumplicidade entre Auschwitz e os processos históricos que o tornaram possível, e revela as contradições contidas nas promessas da modernidade. Adorno apresenta a vinculação do esclarecimento com o princípio de dominação, expondo o quanto está entrelaçado com progresso e regressão, o que resulta na constituição patológica da sociedade e dos indivíduos que acolhem as condições para que barbáries e catástrofes continuem sendo reproduzidas. Permite que sociedades, com desenvolvimento tecnológico em níveis avançados, permaneçam tuteladas em termos culturais. No presente artigo, temos como objetivo refletir sobre os processos formativos premidos por uma racionalidade instrumental e apresentar quais são as possibilidades de crítica educativa a partir da tese da dialética do esclarecimento de Theodor Adorno e Max Horkheimer. Para isso, propomos realizar uma crítica aos limites da razão e a reflexão sobre as implicações filosófico-educacionais, proposta por esses autores, a fim de refletir sobre a problemática educativa. A crítica da razão realizada pelos autores críticos incide diretamente sobre o tema da formação e sobre as possíveis implicações nas relações pedagógicas atuais. O horizonte que pretendemos apontar, por fim, é que a tarefa vital que se coloca para a educação é dotar os indivíduos da capacidade crítica para enfrentar a aparência do mundo administrado, que permita uma reflexão crítica sobre as condições objetivas, a consciência de que as condições que tornaram Auschwitz possível ainda permanecem. Trata-se de um estudo bibliográfico.

Filosofia, tragédia e ensino do homem grego

PID: S2178-46122019000100012 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Godoy Menezes
Resumo O intuito do presente artigo é problematizar o ensino do homem, na perspectiva da Grécia antiga. Pretendemos, assim, trazer questões que possam auxiliar a investigação para uma solução coerente e satisfatória do ensino do homem grego. Para tal, retomaremos alguns conceitos gregos de educação, dos modelos clássicos da tragédia e da sofística, a fim de demonstrar a influência naquilo que chamamos de educação. Se tomarmos o mestre como o artífice e o discípulo como objeto desse ensino, devemos ter em mente que a arte de ensinar é conveniente ao discípulo e não ao mestre. O mestre, portanto, é instrumento para que se possa ensinar tal arte ao discípulo. O objetivo do trabalho é refletir sobre o ensino, seu instrumento e seu objeto, com o intuito de repensar o caminho do ensino na educação. Para isso, buscaremos apoio nos conceitos paidéuticos na formação do homem grego da Grécia clássica.

Formação de professores na Educação Profissional: uma análise sobre a dimensão pedagógica

PID: S2178-46122019000100003 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Richit Hupalo
Resumo O artigo examina as perspectivas de formação pedagógica de professores, no âmbito da Educação Profissional no Brasil, olhando- as a partir de resultados de estudos. A investigação consiste em uma análise qualitativo-interpretativa, baseada em uma análise de conteúdo sobre dissertações e teses voltadas à temática formação pedagógica de pr ofessores de Educação Profissional, produzidas no período compreendido entre 2005-2015. Esse recorte temporal foi estabelecido tendo em vista a expansão dos estudos sobre essa tônica concomitantemente à expansão da própria Educação Profissional em nosso país. Os dados foram analisados sob a luz das perspectivas teóricas relacionadas à profissionalidade e à constituição docente, esboçadas por Maurice Tardif, José Contreras e José Gimeno Sacristán. Os resultados evidenciaram perspectivas distintas de formação pedagógica docente, das quais duas são discutidas neste artigo: formação profissional docente que prioriza a articulação entre teoria e prática e a complementaridade entre disciplinas e dimensões formativas, na medida em que os docentes reconhecem a importância e valorizam a dimensão pedagógica da formação para a concretização da prática profissional; e formação profissional docente que se concretiza mediante a constituição profissional do professor e a prática pedagógica, visto que para um grupo de professores dessa modalidade de educação o conhecimento prático assume centralidade na constituição docente.

Fundamentos filosóficos e epistemológicos da Educação Ambiental: discurso, poder e resistência

PID: S2178-46122019000100021 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Silva Henning
Resumo O presente artigo trata dos aspectos filosóficos e epistemológicos das perspectivas pós-críticas no campo de saber da Educação Ambiental. Objetivase compreender as possibilidades que essas perspectivas podem trazer os interior do grupo de trabalho - GT 22 da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd). Analisam-se 13 trabalhos aprovados pelo Comitê Científico da 26ª a 37ª reuniões científicas, que se utilizam de concepções de Educação Ambiental, pautadas pelas bases das perspectivas póscríticas. Para a realização desta pesquisa, os conceitos foucaultianos de formação discursiva e diferença são norteadores para a compreensão de que, em uma mesma formação discursiva, tem-se presente a heterogeneidade conceitual, filosófica e epistemológica de diferentes perspectivas teóricas, que se debruçam sobre um mesmo objeto de estudo. Nesse cerne, a diferença é entendida pela potencialidade do encontro, do pensamento múltiplo, que fomenta a criação de outros olhares para o campo de saber da Educação Ambiental. A recorrência dos Ao caráter eminentemente político da Educação Ambiental, por meio de discussões que focalizam as formas de conduzir a população para a adoção de atitudes sustentáveis, atravessadas, principalmente, pelo discurso de medo da perda do Planeta e por uma visão socioambiental antropocêntrica. Diante disso, conclui-se que essas perspectivas almejam a criação de fissuras nos discursos que esvaziam as questões socioambientais com o objetivo único de mudança de comportamento. A diferença conceitual, filosófica e epistemológica entre as perspectivas teóricas que se debruçam sobre a Educação Ambiental não produz um consenso; é justamente na multiplicidade do pensamento que é verossímil experimentar a Educação Ambiental como instrumento de criação, resistência e problematização.

Interculturalidade e Educação Infantil: reflexões sobre diferenças culturais na infância

PID: S2178-46122019000100028 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Melo Ribeiro
Resumo Nosso objetivo com este artigo é apresentar a interculturalidade crítica como ferramenta pedagógica que deve ser central na constituição dos cenários e contextos em Educação Infantil. Utilizamos referenciais teóricos de estudiosos da interculturalidade e da Educação Infantil, como Candau (2016, 2008), Sarmento (2005), Walsh (2009, 2007), Tomazzeti (2004), Santiago, Akkeri e Marques (2013), entre outros. Situamos a Educação Infantil como etapa fundamental na formação ética e intercultural de crianças, pensando a função social da educação como formação para a democracia. O trabalho pedagógico com as diferenças culturais na Educação Infantil é amparado legalmente pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e por outras políticas de identidade, como a Lei n. 11.645 de 2008, que instituiu a obrigatoriedade do ensino da cultura e história indígenas e afro-brasileiras desde a Educação Infantil. No entanto, essa legislação também é confrontada por interesses neoliberais que invadem as políticas educacionais. Diante disso, apresentamos algumas possibilidades e desafios para a construção de práticas interculturais nessa etapa da escolarização; questionamos: Como as práticas pedagógicas vêm sendo desenvolvidas na Educação Infantil, no sentido da monocultura ou da interculturalidade? O trabalho pedagógico na Educação Infantil tem se orientado pela diversidade e diferença na estruturação de currículos e práticas? Como esse trabalho vem ocorrendo? No sentido de homogeneização, de monoculturalidade, ou no sentido crítico de considerar as diferenças como vantagem pedagógica? Como conclusão, referimos que um dos principais desafios da educação, na atualidade, é construir práticas e contextos que tratem as diferenças desde um viés político, visando à construção de uma sociedade mais democrática, considerando o direito à diferença. Construir práticas interculturais na Educação Infantil, significa abrir mão da monocultura do saber, da homogeneização em favor da heterogeneidade, do epistemicídio da construção de outras alternativas de pensamento. (SANTOS, 2010).

Interdisciplinaridade e ética: uma abordagem para além da perspectiva epistemológica

PID: S2178-46122019000100023 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Carbonara
Resumo O presente artigo ocupa-se, em sentido amplo, de um tema já consagrado por pesquisas acadêmicas oriundas de diferentes áreas do conhecimento: a interdisciplinaridade. Já não é mais necessário justificar a relevância sobre tais estudos, uma vez que são preponderantes os discursos que apontam à emergência da superação do isolamento entre disciplinas. Em sentido estrito, este artigo posiciona o tema da interdisciplinaridade numa perspectiva que não é comum entre os debates mais recorrentes sobre o tema: assume-se a primazia da ética sobre a epistemologia na justificação da interdisciplinaridade. Após uma exploração preliminar sobre o que é característico nas definições de disciplina e interdisciplinaridade, o texto segue explorando, sob dois aspectos, a primazia ética: primeiramente, busca evidenciar uma dimensão ética constituinte da interdisciplinaridade; na sequência toma da hermenêutica filosófica a relação entre compreensão e deliberação para posicionar a primazia da ética sobre a epistemologia na justificação da interdisciplinaridade. Trata-se, aqui, de um estudo teórico que, de modo analítico e interpretativo, volta-se a definições preliminares e alcança uma construção conceitual sustentada pelas perspectivas teóricas estudadas. A fim de apoiar as definições preliminares sobre disciplina e interdisciplinaridade, analisa textos de Pombo (2008) e Paviani (2008). A partir de Bombassaro (2014), é indicado o acento ético do debate sobre interdisciplinaridade e, com Rorty (1997), é demarcada a solidariedade como processo de construção dos saberes. O argumento sobre a primazia da ética é especialmente construído com apoio em Gadamer (2004). O percurso conceitual aqui apresentado visa a oferecer subsídios para que os debates sobre interdisciplinaridade em distintos setores da sociedade - desde aqueles em que se desenvolvem os saberes, até aqueles que os divulgam e aplicam - tenham especial atenção às implicações éticas aí presentes.

Kafka na problematização da docência: o devir-animal como linha de fuga

PID: S2178-46122019000100018 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Schwantz Rodrigues Matos
Resumo Neste texto, pretende-se explorar a ideia de devir a partir da novela “A metamorfose” de Franz Kafka. Pela leitura, evidencia-se a presença da animalidade na sua escrita, de maneira que chama a atenção a insistência em dar voz às questões emergentes da sociedade e do modo de vida, não somente animal, mas humano: a metamorfose de Gregor Samsa, que acorda numa manhã transformado em um inseto. Parte-se, também, da concepção de devir para os filósofos Deleuze e Guattari como estado de sensação que é capaz de multiplicar as intensidades afetivas, de pensamento e expressão em um corpo. Relaciona-se a docência à problemática da existência por meio da literatura e da filosofia. Tal investigação é impulsionada por experimentações realizadas com professores, atuantes e em formação, na oficina de escrileituras denominada “Conatus”, utilizando-se, dentre outras matérias, da literatura kafkiana para questionar o fazer docente e aquilo que adoece em meio ao cotidiano escolar. Diante das pequenas novelas de rádio escritas e gravadas pelos participantes, os autores se deparam com a interrogação: Quais são as condições para que algo seja criado na prática pedagógica? As novelas deram visibilidade, entre outras questões, aos conflitos enfrentados na profissão. Destaca-se a criação intitulada “A vaca”, na qual os professores acenaram suas inquietações e a desfiguração da sua imagem como uma linha de fuga da identidade depreciativa e sagrada tomada por diferentes circunstâncias e local em que se vive. Como resultado, entende-se que a literatura e a filosofia mostram-se intercessoras potentes ao favorecer a desconstrução de significações e a abertura para pensar sobre as condições de possibilidades de outros modos de existir.

O conceito de trabalho em Lukács: implicações no campo da política educacional

PID: S2178-46122019000100010 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Hostins Rochadel Melo
Resumo O artigo é um ensaio teórico com o propósito de discutir as implicações do conceito de trabalho, na perspectiva do filósofo húngaro György Lukács, no campo da política educacional. Em tempos em que a educação brasileira se distancia de um projeto de emancipação do indivíduo, dadas as configurações que vêm assumindo as políticas educacionais nos últimos anos, particularmente as políticas curriculares para o Ensino Médio, parece apropriada a análise do trabalho em sua matriz ontológica, estabelecendo uma estreita correlação entre subjetividade e objetividade. São tratados no decorrer do texto: o conceito de trabalho na ontologia lukacsiana e sua diferenciação do trabalho abstrato - como mantenedor do Capital - e trabalho fundante - como definidor da natureza ontológica do ser social - em correlação com o campo da política educacional, em especial, com alguns princípios que regem a atual reforma do Ensino Médio, elencados para tratar de aspectos da política educacional brasileira que estão a serviço do trabalho abstrato.

O ensino de Filosofia como potencializador da experiência interdisciplinar na Educação Básica: interfaces entre Hannah Arendt e Matthew Lipman

PID: S2178-46122019000100004 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Fávero Kapczynski Centenaro
Resumo A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (9.394/1996) inseriu a Filosofia nos currículos do Ensino Médio com o indicativo de interdisciplinaridade, permanecendo em aberto questões acerca de como fazer com que a Filosofia potencialize a experiência interdisciplinar. Com o objetiv o de correlacionar interdisciplinaridade e Filosofia, o artigo resulta de uma análise hermenêutica que confronta reflexões de Hannah Arendt sobre a crise na educação e a proposta da comunidade de investigação de Lipman. Parte da noção de que, em meados do século XX, a educação tradicional foi substituída pela pedagogia progressista, e a educação passou a ser pensada como ciência do ensino em geral, a fim de atender à dinâmica dos avanços científico e tecnológico. A visão analítica e linear das especialidades não responde, satisfatoriamente, às demandas atuais de uma ciência complexa, articulada e em rápida transformação. Diante do requisito interdisciplinar da ciência, o específico da Filosofia é a problematização e a sistematização do filosofar; de mediação entre as disciplinas, em virtude da dimensão holística de seus conteúdos e de vigilância epistemológica como recurso de revisão e atualização dos saberes.

O mito de Sísifo de Albert Camus, e sua relevância no processo de ensino e aprendizagem de Filosofia

PID: S2178-46122019000100013 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Barreira
Resumo O artigo preconiza a relevância pedagógica da filosofia da não significação de Albert Camus, especialmente em O mito de Sísifo. O eixo argumentativo segue a última frase do referido livro: “É preciso imaginar Sísifo feliz”. A certeza da existência e a estranheza de se inserir num cenário de catástrofe, sem esperança, suscita em estudantes, especialmente da rede pública, um “sentimento de absurdidade”, mas esse estado não há de ser visto como maldição. A liberdade paradoxalmente advém quando se assume o absurdo como meio de se afirmar a vida, contra os suicídios físico e filosófico, tornando Sísifo o “herói absurdo”. Camus atribui ao pensamento de Søren Kierkegaard a proposta do suicídio filosófico, como sacrifício do intelecto pelo salto kiekegaardiano da fé, porque ele entende a felicidade encontrada na vida eterna como uma superação e cura da doença mortal do desespero. O esforço dialético de autorreflexão da consciência entre o finito e o infinito faz da resignação infinita uma preparação para o salto da fé. Para nosso autor, porém, o pior mal é não ter sofrido desespero, pois é a partir dele que imaginativamente o absurdo, como potência existencial, transfigura-se numa “revolta metafísica” - uma posição a ser desenvolvida no processo de ensino e aprendizagem de Filosofia.
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