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Prescrições para normalistas contidas no livro didático Fundamentos de educação, de Amaral Fontoura (1949 a 1957)

PID: S2178-46122019000100007 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Costa
Resumo Este texto tem como objetivo analisar o livro didático Fundamentos de educação, de Amaral Fontoura, buscando compreender a produção do autor e as prescrições destinadas às normalistas, no recorte temporal de 1949 a 1957. O período em tela corresponde, respectivamente, a 1ª e a 4ª edições do livro. A obra tem, na sua 4ª edição, 342 páginas e se analisaram os elementos dos textos e paratextos. (GENETTE, 2009). Quanto aos textos, observou-se o índice, composto por 19 capítulos e dois anexos. No que se refere aos paratextos, foi possível verificar elementos tais como: capa, relação de obras produzidas por Amaral Fontoura para a coleção “Biblioteca Didática Brasileira”, dedicatória, parecer do secretário de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, apresentação da coleção, e sua organização em quatro séries, além de uma nota prévia. Teve-se como fonte primária dessa investigação, um exemplar da 4ª edição (1957) do livro didático Fundamentos de educação, de Amaral Fontoura. Buscando melhor compreender o compêndio em questão, analisou-se o Decreto-Lei 8.530, de 2 de janeiro de 1946, Lei Orgânica do Ensino Normal. O estudo foi feito com base nos seguintes autores: Chartier (1990), Julia (2001), Choppin (2004), dentre outros. A análise do livro didático Fundamentos de educação, de Amaral Fontoura, permitiu compreender, em parte, o currículo das Escolas Normais nas décadas de 1940 e 1950 no Brasil, por intermédio do cruzamento dos dados apresentados nesse livro didático e no Decreto-Lei 8.530, de 2 de janeiro de 1946, Lei Orgânica do Ensino Normal. Fundamentos de educação é um livro integrado que apresenta conteúdos de três disciplinas: Fundamentos de Educação; Metodologia; e Administração Escolar, sempre com ênfase ao Estado do Rio de Janeiro.

Sócrates e a parrhesía democrática

PID: S2178-46122019000100016 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Silva
Resumo Neste artigo procuro mostrar que, embora Sócrates tenha sido um crítico da democracia ateniense, seu pensamento, como conhecido a partir dos primeiros diálogos de Platão, coaduna-se com os valores fundamentais da cultura democrática de Atenas. Para defender essa interpretação, focalizo um dos princípios mais importantes da democracia grega: a liberdade de expressão. Primeiro, examino o conceito de liberdade de expressão. Esclareço que, no contexto político-democrático, dois termos gregos comunicam dois sentidos conexos mas distintos da liberdade de expressão: isegoría - , que significa a igual oportunidade de todos os cidadãos falarem nas assembleias políticas; e parrhesía - , franqueza, a liberdade para criticar e para uma pessoa dizer a verdade como a vê. Em seguida, trato de três aspectos interligados do pensamento socrático: o método da refutação (elenchos), a noção de “cuidado de si” e o ideal da vida examinada, para evidenciar como eles pressupõem ou se assentam no valor da liberdade de expressão. Destaco que é preciso que a pessoa esteja seriamente comprometida a perseguir e exprimir a verdade, para que seja capaz de avaliar suas crenças e livrar-se daquelas que são falsas. Consequentemente, esta pessoa pode prestar conta da própria vida expondo se seu pensamento, discurso e seus atos estão em acordo, assim como ela é capaz de levar a vida, examinada, pondose sob escrutínio e os outros, praticando o pensamento crítico que é essencial para o aperfeiçoamento moral e a formação de um bom cidadão para uma sociedade democrática. Concluo que, na medida em que promove o dizer a verdade, a atitude crítica socrática não é somente coerente com os preceitos básicos do regime democrático, mas também útil à democracia.

Trajetória histórica de um periódico científico: percursos, percalços e desafios

PID: S2178-46122019000100017 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Schneider Danielewicz
Resumo O presente artigo tem como foco temático um dos instrumentos mais utilizados na contemporaneidade para disseminação de conhecimentos produzidos pela ciência: o periódico científico. O estudo segue os pressupostos da pesquisa exploratória e tem por objetivo descrever o percurso histórico do Roteiro, periódico científico da área da educação filiado à Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). O caminho metodológico percorrido leva em consideração o papel do periódico, como mecanismo estruturado e formal de comunicação e disseminação do conhecimento científico, evidenciando percursos, percalços e resistências ao longo de sua trajetória evolutiva. Em termos empíricos, destaca resultados de um estudo de campo, efetuado entre os anos de 2017 e 2018, cuja finalidade era levantar dados e informações sobre o Roteiro, um periódico do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNOESC, criado no ano de 1978 e que, em 2017, completou 40 anos de existência. Destaca um conjunto de dificuldades enfrentadas no percurso histórico do Roteiro e demandas contemporâneas tendo em conta, especialmente, o avanço das tecnologias da informação, a competitividade internacional e as novas funções atribuídas aos periódicos como ferramentas de disseminação do conhecimento acadêmico-científico. Em termos conclusivos, aponta à necessidade de aperfeiçoamento constante dos periódicos da área da educação especialmente no tocante à implementação de ferramentas de controle e incremento dos fluxos de publicação, o que inclui formas de recepção, avaliação, revisão, publicização e acesso aos conhecimentos científicos gerados. Realça, por fim, a necessidade de superação da soberba e prepotência por parte de algumas nações, especialmente de países centrais, e a consequente compreensão de que o conhecimento deve ser um meio para a humanidade viver em harmonia com o Planeta e não razão de sofrimento ou causa de mazelas das populações mais vulneráveis.

Uma breve análise arqueológica foucaultiana da escola integral

PID: S2178-46122019000100026 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Torres Santos
Resumo O presente estudo analisa a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Plano Nacional de Educação e o Programa “Mais Educação São Paulo”, especificamente as partes que tratam da política curricular da ampliação da jornada de aulas na rede pública de ensino de São Paulo, conhecida como escola integral. Metodologia: A análise se dá a partir da perspectiva arqueológica de Michel Foucault, sua terminologia e análise discursiva. Objetivo: O objetivo da pesquisa é valer-se da contribuição do filósofo e de sua analítica para a leitura crítica e ponderada de documentos educacionais oficiais. Os documentos foram analisados à luz dos pressupostos que alicerçam seus objetivos e concepções, mas principalmente sob a perspectiva da analítica arqueológica. A metodologia contemplou, portanto, a análise das regularidades (homogeneidades, continuidades e identidades), contradições (intrínsecas, extrínsecas e derivadas), comparações (isomorfismos, modelos, isótopos e correlações) e transformações (permanências, repetições e descontinuidades) dos três documentos fundantes da escola integral. Resultados: A leitura arqueológica de três documentos da escola integral revelou que a proposta é, de certa forma, totalizante, no sentido de que apresenta a escola integral como supostamente detentora de enorme poder de transformação social, política e educacional. Revelou, além disso, que a proposta tem características paliativas, no sentido de que a escola integral é apresentada como panaceia, quando, de fato, não parece funcionar efetivamente em todos os casos, circunstâncias e objetos, como os documentos presumem. Mostrou, ainda, que a proposta padece, entre outras coisas, de contradições intrínsecas, extrínsecas e derivadas. Finalmente, revelou que a proposta hierarquiza saberes e nem sempre tem aplicação prática e assume, às vezes, contornos demagógicos. O discurso da escola de tempo integral parece trair a ideia de que o tempo proporciona uma espécie de controle regimental sobre os outros. Fala-se de mais tempo na escola como se issto significasse, automaticamente, mais qualidade no ensino. Conclusão: Concluímos, portanto, que a proposta de escola em tempo integralesvazia a discussão de uma consideração mais atenta acerca da qualidade das políticas educacionais como um todo, especialmente as curriculares.-

Voluntariado e humanização com palhaços: Por quê? Para quê? Intervenções em crianças hospitalizadas

PID: S2178-46122019000100020 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Sommerhalder Lino Nicolielo
Resumo O artigo origina-se de investigação sobre uma prática social vivenciada por adultos voluntários que atuaram como palhaços e personagens em intervenções realizadas em um hospital no Município de São Carlos - SP. O objetivo é identificar e refletir a partir de recursos circenses e da atividade voluntária, indicadores para uma relação dialógica entre os participantes: crianças, funcionários, acompanhantes e voluntários. Dessa forma, analisar a finalidade com que ocorrem as intervenções durante a internação de crianças para tratamento de saúde. As atividades, a estrutura e a forma de organização do Grupo Amor em Gotas (GAG) 1 (São Carlos - SP) constituíram o contexto de estudo para uma análise e reflexão sobre a função do voluntariado e das intervenções com palhaço, visando ao processo de humanização no ambiente hospitalar, destacando que há diversos grupos que atuam nessa atividade com práticas semelhantes. O estudo apresenta a inter-relação entre a cultura circense, as condições de internação hospitalar e as possibilidades de ressignificação do adoecimento. O estudo de caso foi realizado como metodologia científica da pesquisa qualitativa com registro em diários de campo. A análise apresenta aporte teórico da educação, com destaque para o pensamento de Paulo Freire. Dentre os resultados, a presença de grupos de palhaços e personagens em ambiente hospitalar expressa o voluntariado como forma de educação permanente, além de representar uma estratégia de enfrentamento da dor e do sofrimento causados pelo adoecimento. Principalmente, nessa interação, as crianças assumem a condição de sujeitos e autores no seu modo próprio de agir no mundo, que tem, no brincar, não a forma alegre e divertida para suportar o tratamento, mas a ressignificação de possibilidades de enfrentamento e superação.

Ética do decrescimento e a complexidade do homem-sociedade no combate à fome e ao desperdício de alimentos

PID: S2178-46122019000100014 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2019
Autores: Freitas Santos Vilela Milagres
Resumo O presente artigo tem por objetivo investir em uma abordagem crítica e reflexiva, acerca da parcela de contribuição deixada por alguns filósofos contemporâneos, sobre a valorização do aproveitamento e uso racional dos alimentos de forma integral, evitando o desperdício. Trata-se de uma reflexão descritiva estruturada em quatro seções. Aproveitar cascas, sementes e talos de frutas, para produção de alimentos alternativos e seguros é uma boa alternativa para minimizar os impactos ambientais e a fome, já que o Brasil é um dos grandes produtores mundiais de frutas tropicais.

A construção do ponto de vista e a alteridade em textos produzidos por alunos do Ensino Médio

PID: S2178-46122018000100045 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Oliveira Júnior Muniz
Resumo: Estudos desenvolvidos por pesquisadores da Linguística Textual, de viés sociocognitivo-interacionista, argumentam que a construção do ponto de vista relaciona-se intrinsecamente à produção dos referentes textuais (objetos de discurso sociocognitivamente elaborados). Noutros termos: os objetos de discurso são reveladores dos pontos de vista assumidos pelo enunciador. (Cortez; Koch, 2013). Com base nisso, analisamos o texto produzido por um estudante do Ensino Médio, durante a realização da Prova de Redação do Enem-2013. Por essa análise, objetivamos evidenciar como a construção de ponto de vista costuma se apoiar no diálogo do enunciador consigo mesmo, autodialogismo, e com outros enunciadores, heterodialogismo. Para tanto, destacamos as duas principais cadeias referenciais coesivas (Roncarati, 2010) presentes na produção textual em análise. Isso nos possibilita demonstrar que, para argumentar sobre “os efeitos da Lei Seca no Brasil”, o estudante produziu conteúdos referenciais que, além de serem responsáveis pela progressão textual, também são indiciadores dos pontos de vista construídos pelo enunciador em diálogo consigo mesmo e com outros enunciadores. Por essa razão, consideramos que, para construir opinião, o enunciador reformula o próprio dizer, ora por adaptações de sua própria voz, ora por influência de outros dizeres com os quais dialoga durante a atividade verbal. Assim sendo, o professor de Língua Portuguesa precisa estar atento aos modos de compreensão que seus alunos revelam quando produzem dizeres nas atividades realizadas em sala de aula, pois se faz imperativo assumir que os sentidos são sempre negociados, e que os sujeitos, quando focalizam um conteúdo assumindo-se como enunciadores de um dizer, manifestam, ao mesmo tempo, o dialogismo presente em toda ação de linguagem.

A educação entre muros e a transmissão do saber interdisciplinar*

PID: S2178-46122018000400009 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Rodrigues
Resumo O objetivo deste artigo é analisar o processo formativo em interface à perspectiva interdisciplinar no campo educacional. Para tanto, parte-se da análise do “paradigma do muro”, como um problema que se evidencia enquanto representação emblemática do projeto da sociedade, pautada na interdição ou na exclusão do outro. No campo da ciência, existem outros muros que se erguem como barreiras que nos impedem de pensar o conhecimento para além da ciência disciplinar. Para analisar a educação entre muros e a transmissão do saber interdisciplinar, a metodologia utilizada encontra-se no âmbito da filosofia da educação, no sentido de compreender a apropriação crítica do conceito do muro como um projeto arquitetônico de interdição ou exclusão do sujeito na vida em coletividade, ou na recusa do pensamento em interface com as diversas áreas do conhecimento. Em nossa percepção, a proposição da crítica radical seria o questionamento da própria construção do muro como um lugar que prende o sujeito no campo da realização da liberdade. Seria esse questionamento como proposição de crítica da crítica enquanto condição de proporcionar todo o movimento do pensamento que se apresenta nas interfaces entre a educação e os processos formativos numa apropriação crítica do fazer, o trabalho como expressão de si e a saúde do irreversível processo de degeneração de si, pois, se for somente para buscar a luz no final do túnel, a modernidade já faz isso e apresenta todo seu excesso em diversas respostas competentes de manter “a gente feliz”. Temos a esperança de que a impertinência da crítica da crítica, no campo da interdisciplinaridade, torna possível a heurística do processo formativo para consolidação de projeto de sociedade da educação sem muros na transmissão do conhecimento. A partir dos estudos abordados, concluiu-se que existem outros muros difusos, que também impedem a passagem física e social do sujeito para diversos espaços na vida em sociedade. No caso específico no campo do conhecimento, o muro que impede a passagem para o meio intelectual se apresenta em toda uma semiótica que nos conduz ao pensamento reificado do senso comum e, principalmente, à manutenção da hegemonia da apropriação de determinada representação de mundo, que se pauta numa hierarquia entres aqueles que mandam e os outros que obedecem.

A espiritualidade na formação de professores em tempo de catástrofes: considerações a partir de Viktor Frankl

PID: S2178-46122018000300004 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Trevisan Borin
Resumo O artigo procura analisar o tema espiritualidade diante de eventos catastróficos, investigando como a educação pode contribuir para a reconstrução das mazelas provocadas por tais episódios. Na formação docente, é importante levar em conta a consolidação da normatividade e a expressividade do sentido como meio de compreender como os traumas e as catástrofes tomaram-se parte do nosso cotidiano. Eles vêm ocupar um lugar vazio de sentido, pois as pessoas só se sensibilizam diante de imagens chocantes. A discussão gira em torno do pensamento de Viktor Frankl, especialmente a partir de sua obra A presença ignorada de Deus, prevendo a contribuição da espiritualidade para a discussão do tema na perspectiva hermenêutica. O dilema situa-se em uma educação que permanece na reprodução de modelos ou numa educação que desperta os educandos para visualizarem outros horizontes, permitindo que novos saberes aconteçam nos ambientes escolares, entre eles a espiritualidade que auxilia a saber expressar e saber prevenir, ou saber priorizar o sentido do humano em todas as ações. Nesse caso, a educação pode colaborar na discussão sobre a relação da espiritualidade com as catástrofes, oportunizando a compreensão da realidade espiritual através da hermenêutica e, assim, as possibilidades de tratamento do tema de forma a não separar os sujeitos dos acontecimentos que os condicionam a agir daquela forma. Nessa perspectiva, a educação tem seu potencial humanizador reforçado, ao tecer entrecruzamentos entre a educação e a logoterapia, discutindo o tema numa dimensão emancipadora. Assim, a espiritualidade, na educação, tem como pretensão dissipar o frio existencial, fazer derreter o inverno gélido do coração do homem contemporâneo em suas relações pessoais e comunitárias. A espiritualidade amplia a discussão na dimensão acadêmica, para que essa venha a criar dispositivos que contribuam à formação integral do ser humano.

A fenomenologia heideggeriana e a diferença de princípio entre filosofia e ciência

PID: S2178-46122018000200216 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Alves
Resumo Este artigo examina, em âmbito fenomenológico, as categorias da experiência fática da vida e do fenômeno histórico, a partir da primeira parte da preleção “Introdução à fenomenologia da religião”, proferida por Heidegger, no semestre de inverno de 1920/1921. Elucida a peculiaridade dos conceitos filosóficos e a diferença de princípio que há entre filosofia e ciência. Apresenta a reelaboração do método fenomenológico, como ponto de partida da filosofia, capaz de fazer jus à vida fática (concreta e individual) e à historicidade (mundo vital e significatividade) do Ser-aí. Examina o significado do fenômeno histórico e a crítica à maneira habitual de pensá-lo, como “algo que transcorre no tempo” ou “uma propriedade geral aplicável a todo objeto temporal”. Conclui que as vias de afirmação da vida contra o histórico caem no modo teorético e não expressam o histórico em seu caráter imediato. Portanto, preservar o caráter fenomenológico e intranquilizador da história significa respeitar a historicidade viva e a força vital e multidirecional do sentido fático do Ser-aí.

A inserção dos Programas de Pós-Graduação em Teologia no sistema Capes: consequências para o campo

PID: S2178-46122018000300007 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Guindani Quartiero Bianchetti
Resumo Neste artigo discutem-se as induções e os tensionamentos gerados pelo Sistema de Avaliação e Fomento da Capes nos processos de produção de conhecimento dos Programas de Pós-Graduação em Teologia (PPGTS). Problematiza-se a influência dos critérios de avaliação da Capes na produção/veiculação de conhecimento no campo epistemológico da Teologia, tendo como aporte teórico o conceito de campo de Bourdieu. Constata-se que o campo de conhecimento teológico – que na sua origem e essência trata da fé e do mundo transcendente – gradativamente, assume um lugar no campo científico, na busca do reconhecimento/credenciamento e do protagonismo no ranking dos Programas de Pós-Graduação com notas máximas na avaliação da Capes. Para a análise, realizou-se pesquisa em seis PPGTs do País, existentes em 2011 e um estudo de caso múltiplo em três desses programas com conceitos iguais ou superiores a 5 e com cursos de mestrado e doutorado reconhecidos pelas suas igrejas – católica ou protestante – em período anterior à inserção na Capes. A coleta de dados teve como base os seguintes documentos: fichas de avaliação dos programas emitidas pela Capes, proposta dos PPGTs em análise, produção docente e discente veiculada nos Currículos Lattes, análise das publicações nas revistas científicas dos Programas pesquisados, além de entrevistas com 22 professores dos PPGTs, que avaliaram os ganhos, as perdas e os embates decorrentes desse processo de reconhecimento. Os resultados da pesquisa apontam que a inserção no Sistema de Avaliação e Fomento exigiu dos Programas mudanças, estruturais e epistemológicas, tais como: alterações nas linhas de pesquisa, nas temáticas das teses e dissertações, bem como transformações nos tempos e meios de veiculação da produção docente.

A moralidade na interpretação histórica do direito: reflexões sobre o caso Michel Villey

PID: S2178-46122018000500230 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Storck
Resumo Este artigo propõe retornar à interpretação histórica de Michel Villey acerca do direito que ele desenvolveu ao longo de sua carreira como filósofo e historiador do direito. Em primeiro lugar, será questão de reconstruir as linhas gerais de sua crítica à noção de direitos humanos e de mostrar como, segundo o filósofo francês, essa crítica deve ser entendida por relação ao nascimento da noção de direito subjetivo no final da Idade Média (William de Ockham) e no início do período moderno (Thomas Hobbes). Na segunda parte, será questão de apresentar as principais críticas dos historiadores do direito e da filosofia à tese de Villey, em particular as de Brian Tierney. Além da crítica histórica, também será questão de se perguntar pela correção conceitual de sua tese. O artigo tentará mostrar que a tese de Villey esta baseada em um equívoco sobre a relação entre direito e política.

A pedagogia diante do doutrinamento das religiões

PID: S2178-46122018000300002 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Gascón
Abstract This study asks if the Pedagogy has to do something before the indoctrination of religions, which is lavished as education; if, as a science of education par excellence, it should be pronounced scientifically on the subject; whether this is a socially, educationally and personally necessary issue or if it is irrelevant and why; what are the reasons why it is a scientifically driven challenge; from which pedagogical approach can be based the denunciation and the formative alternative, and what observations and reasons can support their epistemology (foundations and methods), both for their awareness and for a redefined and complete educational action. The objective of this essay is to analyze what is considered a scam of religions and generate pedagogical foundations for an education based on conscience. Specifically, the work refers to arbitrary elaborations about death and about God, because they are understood as epicenters of religious indoctrination. Epistemological supports are three: the radical and inclusive approach to training, the Pedagogy of Death and some compatible teachings of the philosopher and educator Osho. The methodology is the pedagogical essay of a dialectical nature, with a metaphorical and destructive and constructive basis at the same time. The contents that are developed are: egocentrism, conscience, education and reason; pseudo-correlations; death and God in pseudo- religions; towards a Pedagogy of religious deconditioning; other considerations on the Pedagogy of Death; from violence to unity with nature, and some conclusions. It is hoped that the observations and reasons given may be useful for self-training, teaching and pedagogical research from the subject matter.

A promoção do desenvolvimento humano de Amartya Sen a partir da releitura smithiana

PID: S2178-46122018000200402 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Costa Barbosa
Resumo O presente trabalho tem como objetivo avaliar em que medida a releitura que Amartya Sen faz do pensamento smithiano permitiria vislumbrar a economia internacional como promotora do desenvolvimento humano. Com esse intuito, inicialmente, será apresentada a releitura seniana da obra de Smith, focando em suas preocupações éticas, para, em seguida, apresentar o modelo de justiça pautado pelas liberdades como condição para o progresso humano em Sen. Para isso, utilizamos como fio condutor as obras On ethics and economics, de Sem, e An inquiry into the nature and causes of the wealth of the nation, de Smith.

A vontade geral não se representa, sempre se presume

PID: S2178-46122018000500069 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Torres
Resumo A comunicação divide-se em três partes. Na primeira, trata de apresentar os pressupostos conceituais da tese de Rousseau de que a vontade geral é irrepresentável. Na segunda, com base no ocorrido já ao início da Revolução Francesa, mostra que, historicamente, a tese não teve herdeiros. Na terceira parte apresenta as razões que autorizam sustentar a priori que todo poder político é necessariamente representativo e chama atenção para o fato e para o modo em que o Estado de Direito contemporâneo trata de controlar e remediar as distorções políticas inerentes à natureza representativa do poder político.

Angústia e desespero como possibilidade de construção da existência humana a partir da filosofia de Sören Kierkegaard

PID: S2178-46122018000200307 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Façanha Sousa
Resumo O objetivo do artigo consiste em analisar a experiência de angústia e de desespero, tomando como base a filosofia existencial de Sören Aabye Kierkegaard (1813-1855). Ao refletir sobre a angústia e o desespero, intentamos acentuar o caráter positivo de tais experiências. Através da angústia, o homem pode ter o reconhecimento de que é um ser-capaz-de e qu, diante de diversas possibilidades, pode escolher, exercitando sua liberdade. No tocante ao desespero, o homem pode perceber os graus de inautenticidade de sua condição existencial. A partir desse dado, pode tomá-lo como ponto de partida à construção de uma existência esclarecida e autêntica, realizando a síntese do finito e do infinito, do temporal e do eterno, da possibilidade e da necessidade. Para este texto, tomaremos como base as obras O conceito de angústia (1844) e A doença para a morte (1849).

Aproximações à ideia de bem em A República de Platão

PID: S2178-46122018000500002 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Paviani
Resumo o texto apresenta de algumas características básicas da ideia de bem em A República, com algumas referências gerais a outros diálogos, a partir da leitura do texto platônico e de algumas contribuições de comentadores, tendo em vista a presença dessa ideia na filosofia e na ética de Platão.

As crianças participam de corpo inteiro

PID: S2178-46122018000200347 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Agostinho
Resumo As crianças participam de corpo inteiro dos seus mundos de vida, visibilizando a natureza incorporada da ação humana. A partir de uma pesquisa etnográfica com crianças de 3 a 6 anos, em nível de Doutorado, sua empiria e bases teóricas (FERREIRA, 2009, 2013; FINGERSON, 2009; GIL, 1997; LE BRETON, 2009), vimos que o corpo da criança está na base de toda sua experiência social, mediador das relações, das práticas, dos discursos, das apropriações do outro e do mundo. Tal ideia precisa ser considerada nas práticas pedagógicas, para que vençamos os fortes mecanismos de controle e dominação que instituem e orientam um ordenamento social normativo do modelo ideal de corpo disciplinado e obediente, que marginaliza e exclui o corpo da criança ávido por descobrir e se descobrir na sua relação novidável e embrionária com o mundo. As crianças, como atores sociais de corpo inteiro, têm, na sua ação incorporada, uma de suas formas de participar dos contextos coletivos de educação pela qual expressam seus pontos de vista, sendo imprescindível o desenvolvimento de abordagens adequadas às formas de comunicação das crianças, instaurando uma cultura de comunicação, que comece a partir da posição da criança, a fim de que possamos construir práticas democráticas, estabelecidas no paradigma da escuta, mais especificamente da ausculta, implicadas na comunicação humana. As crianças, como sujeitos de conhecimento e produtoras de sentido, têm “voz”, são legítimas as formas de comunicação e relação que utilizam para se expressar e, ao fazê-lo, contribuem à renovação e reprodução dos contextos dos quais participam quando existe quem esteja interessado em ouvir suas vozes.

As raízes filosóficas das questões que envolvem a revisão ética nas pesquisas científicas no Brasil

PID: S2178-46122018000200287 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Amaral Filho
Resumo O presente artigo busca identificar os possíveis fundamentos filosóficos que possam embasar a área biomética, no sistema CEP/Conep, os quais justifiquem seu domínio diante das questões relativas à revisão ética na pesquisa científica no Brasil. Para tanto, começa por expor o modo pelo qual se processa a referida ingerência e sua inadequação ético-epistemológica. Na sequência, identifica, no surgimento da própria concepção de episteme, na Grécia antiga, as possíveis raízes desse imbróglio. Termina mostrando que é a partir de uma apropriação duvidosa da filosofia de Descartes que a área biomédica julga poder justificar seu domínio ante outras ciências, principalmente as ciências humanas e sociais. Revela, assim, que os procedimentos universalizantes estabelecidos pelo sistema CEP/Conep, ao fim e ao cabo, não possuem fundamento algum, apenas e tão somente, um desejo não justificado de poder.

As variedades do interesse comum

PID: S2178-46122018000500293 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Azevedo
Resumo O artigo apresenta um estudo exploratório sobre o tema dos interesses gerais, propondo uma diferenciação entre interesses genuinamente coletivos e interesses comuns. A defesa de que há interesses genuinamente coletivos é parte essencial das teorias políticas identificadas como “republicanas”. Meu objetivo, porém, não será propriamente defender a visão republicana contra suas adversárias. Pretendo apenas explorar alguns caminhos teóricos que permitem tornar plausível a tese de que nem todos os interesses tidos como “públicos” possuem uma característica única. Defenderei que há uma diferença essencial entre os interesses que chamarei de “comuns”, que resultam da agregação de interesses individuais, e os interesses genuinamente “coletivos”. Não obstante, mesmo que existam interesses genuinamente coletivos disso não se segue que todos esses interesses devam prevalecer sobre todo e qualquer interesse privado ou comum. Há interesses individuais exigíveis (direitos individuais) sobre a comunidade, que, por definição, prevalecem sobre os interesses da coletividade. Ao final, abordarei a questão de se o princípio majoritário pode ser defendido como modalidade de decisão epistemicamente superior quando se trata de decidir qual é o conteúdo do interesse geral.
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