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Como ensinar filosofia?: uma proposta platônica

PID: S2178-46122018000400004 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Menezes
Resumo Como se ensina filosofia? Pergunta preciosa que abre precedentes para um longo e árduo caminho. Para isso não há resposta pronta, não está escrito e nem determinado, mas é preciso percorrer todo o caminho, pois a própria pergunta “Pode a filosofia ser ensinada?” já é uma pergunta filosófica e respondê-la significa entrar nos meandros da filosofia e em que consiste uma educação filosófica. A tentativa de responder à questão, deixa outra questão no ar: Existe tal arte de ensinar? Se ela existe, então também existe seu artífice e seu objeto. Como diz Platão em A República, “cada arte foi feita para procurar e fornecer a cada um o que lhe convém por natureza”. (341d). Se tomarmos o mestre como o artífice e o discípulo como objeto deste ensino, devemos ter em mente que a arte de ensinar é conveniente ao discípulo e não ao mestre. O mestre, portanto, é instrumento para que se possa ensinar tal arte ao discípulo. Se a filosofia é uma arte ensinável, então é preciso verificar a existência de tal mestre para ensiná-la. A dialética tem um papel de, através de seus cortes, encontrar a verdade a ser proferida no discurso da alma. O objetivo deste trabalho é refletir sobre o ensino, seu instrumento e seu objeto a partir do pensamento da Antiguidade grega, mais especificamente, da obra de Platão e de suas implicações sobre o ensino de filosofia.

Cooperação, promessa e obrigação na teoria do contrato de Thomas Hobbes

PID: S2178-46122018000500242 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Lisboa
Resumo Ao apresentar a estratégia dos agentes racionais na situação do estado de natureza em Hobbes como de não coordenação, tem-se como resultado uma situação em que a melhor escolha individual alcança o pior resultado em termos coletivos. Hampton pretende mostrar que a melhor estratégia para resolver essa aporia consiste em eliminar, na argumentação de Hobbes, o uso de conceitos jurídicos, como o de obrigação ou contrato. Desse modo, é possível resgatar a coerência argumentativa hobbesiana a partir simplesmente da ideia de um acordo autointeressado, isto é, a partir da situação em que os benefícios da barganha mostram-se suficientes para as partes realizarem um acordo. O presente texto procura mostrar a incoerência de tal argumentação. Eliminar a noção de obrigação que sustenta as promessas presentes nos pactos inviabiliza, em Hobbes, qualquer possibilidade de equilíbrio e convergência das ações humanas.

Currículo e planejamento na Educação Infantil: datas comemorativas em debate#

PID: S2178-46122018000100137 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Lira Dominico Martins
Resumo: O objetivo deste texto é problematizar o trabalho com datas comemorativas instituído e praticado nas instituições educativas, geralmente por meio de festividades que incluem apresentações, lembrancinhas e danças, além de semanas temáticas. Considerando a Educação Infantil como uma fase importante para o desenvolvimento das crianças, reflete sobre o currículo para essa etapa de ensino e questiona os encaminhamentos adotados nas práticas que privilegiam um planejamento assentado em datas comemorativas no calendário escolar, pois tratam as situações de forma superficial e muitas vezes estereotipada. Essa cultura do espetáculo segue o que já é proclamado pela mídia e publicidade, que usam as datas para vender produtos por meio de apelo afetivo. As instituições, por sua vez, furtam-se ao enfrentamento dessas questões e ao debate, na medida em que legitimam e reforçam, de forma acrítica, esse discurso. Trata-se de estudo teórico, assentado em autores como Ostetto (2017; 2012; 2011), Barbosa (2006), dentre outros, que ajudam a pensar acerca do trabalho pedagógico com crianças pequenas. A despeito da pouca literatura que trata da temática em debate, a reflexão orienta no sentido de pensar sobre o que tem sido privilegiado no trabalho com crianças, sobre a ausência de reflexão que mormente acompanha as comemorações nas instituições educativas e a necessidade de enfrentamento dessa questão por parte de professores e escolas. A execução de atividades repetitivas, destituídas de significado e participação efetiva das crianças, vai na contramão de uma educação humanizadora, desloca a energia dos professores para esses momentos, deixando de lado questões curriculares imprescindíveis à formação dos pequenos.

Da ilusão à sedução: a crise do paradigma dominante e a emergência da pesquisa (auto)biográfica

PID: S2178-46122018000400008 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Souza Aliança
Resumo A pesquisa (auto)biográfica tem conquistado estudiosos das mais diversas áreas, que advogam a potencialidade epistemológica desse método, embora ele ainda continue marginal ou ilusório para muitos acadêmicos. Nosso objetivo, neste artigo, é discutir como esse tipo de investigação se insere no que Boaventura de Sousa Santos denominou de “paradigma emergente” (1995). Buscamos, também, compreender como as histórias de vida e as narrativas de si têm transitado, nas últimas décadas, entre a desconfiança e a sedução. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica que tem como ponto de partida os escritos de Santos (1995) acerca da crise do paradigma dominante e a emergência de novo paradigma, esste mais fluido, que aceita a subjetividade, critica a neutralidade da ciência e compreende que todo o conhecimento é também autoconhecimento. A aceitação, embora com algumas reservas, das pesquisas com histórias de vida na academia não é, senão, fruto dessa nova postura epistemológica.

Da magia ao ciberespaço: a imagem como mediação das angústias primitivas

PID: S2178-46122018000200383 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Pacífico Gomes
Resumo Para lidar com seus medos primitivos, o homem utilizava a imagem como mediação dessas tensões. Nas pinturas rupestres das cavernas e nas práticas de magia, rituais buscavam apaziguar as decorrências de nossas fragilidades, sobretudo, na dimensão da finitude do homem tensionada pela sua relação com a natureza. A tentativa de superação dessa tensão deu-se, historicamente, sob a égide da razão. Todavia, a falência do plano moderno de esclarecimento pautado pelo no desencantamento do mundo, que se daria pela elevação dos sujeitos a uma ruptura com sua condição de minoridade e sua própria existência, resultou no pacto com as entranhas do pensamento mítico e, por conseqüência, com os fantasmas não superados de seu tempo. Assim, por meio de uma revisão bibliográfica, objetiva-se constituir uma análise de fenômenos como o Youtube, a Selfie, o Twitter, entre outros, para que se possa demonstrar, em sua forma e conteúdo, que a compulsão por tornar a própria vida privada em um espetáculo público, nas redes sociais, denota um contexto no qual existir passa pela mediação simbólica da autoemissão através de imagens, de modo a conjugar o ser à proporção do aparecer; assim, estar fora das plataformas virtuais ganha um peso ontológico de não existir, pois o cogito de nosso tempo resume-se em Apareço logo existo. Contemporaneamente, com a evolução das novas tecnologias, o ciberespaço e suas plataformas se fazem muito presentes nas interações humanas e, nesse contexto, a imagem ganha força de protagonista. Dessa maneira, conclui-se que, travestido em roupagem tecnológica, o uso da imagem ainda guarda as mesmas intenções de sua expressão arcaica: buscar a permanência do sujeito diante dos medos primitivos. Demonstra-se, ainda, que o pensamento crítico pode ser uma importante ferramenta no desvelamento dessas tensões.

Debates em teoria democrática contemporânea: notas sobre a relação entre as teorias do mercado político e o princípio da harmonia natural dos interesses

PID: S2178-46122018000500117 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Steffens
Resumo As discussões contemporâneas em teoria democrática estão marcadas pelo debate acerca da crise da representação. Importa a tal discussão ressignificar a tensão entre participação e representação, o que, a meu juízo, pode ser elaborado a partir da chave da deliberação. Ou seja, uma antiga tensão entre modelos representativos e participativos estaria superada (PLOTKE, 1997). Restaria, portanto, redefinir os sentidos da representação, cuja análise, no campo da teoria democrática, foi dominada durante boa parte do século XX por teóricos schumpeterianos ou neoschumpeterianos (URBINATI; WARREN, 2008). Tal orientação intelectual tem como pressuposto fundamental interpretar o fórum à luz das categorias forjadas pelas ciências econômicas para examinar as interações no mercado (ELSTER, 1986). Grosso modo, a oposição fórum e mercado foi estruturada a partir da tensão entre os seguintes pares conceituais: argumentação pública vs. barganha, deliberação vs. agregação e, no limite, racionalidade comunicativa vs. instrumental. No texto a seguir, tenho por objetivo recuperar duas concepções articuladas pelos utilitaristas clássicos: os princípios da harmonia natural vs. identificação artificial dos interesses (HALÉVY, 1972), cujas definições podem contribuir na compreensão de temas subjacentes àquele das discussões contemporâneas. Indicarei como o primeiro princípio apresenta-nos uma representação do arquétipo do social como mercado (ROSANVALLON, 1999); o ideal duma sociedade automática onde interesses concorrentes e conflitantes são harmonizados exclusivamente a partir de barganhas particulares cuja natureza revelar-se-á incompatível com uma concepção forte de representação política.

Democracia republicana e cidadania contestatória em Philip Pettit

PID: S2178-46122018000200363 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Paulo Neto
Resumo A filosofia política de Pettit realiza a leitura normativa da matriz republicana de pensamento político. Na construção historiográfico-normativa do significado de republicanismo é reafirmada a centralidade da liberdade como não dominação. Pettit mantém o intuito de releitura da cidadania republicana como sendo inclusivista. O republicanismo apregoa que a liberdade como não dominação é o princípio necessário para avaliação de qualquer organização social e política. Esse princípio não se constitui como valor apriorístico da teoria política porque as relações não dominadas são compreendidas em suas diferentes formas e contextos. No âmbito social, ela exigirá que as relações entre indivíduos sejam justas e não haja motivo para que se tenha medo ou deferência perante diferenças econômicas ou sociais. A liberdade como não dominação poderá oferecer os recursos sociais necessários, para que não se tenham as relações assimétricas de capacidade de influência e escolha na sociedade política. No âmbito político, a liberdade republicana será representada pela capacidade dos cidadãos de influenciarem e direcionarem as decisões dos representantes políticos. Por isso, abordam-se os elementos políticos necessários à contenção da dominação pública (imperium). No âmbito político-democrático, a oportunidade de participação política, a discussão das desvantagens sociais e políticas e as formas de contenção da dominação pública serão mecanismos à diminuição da dominação pública. O exercício de contestação e o controle popular podem ser mecanismos políticos à saída da forma minimalista de compreender a ação política como realização das preferências individuais (Schumpeter). Esse exercícioo político significa a possibilidade de realização do ideal de bem comum pelo procedimento discursivo de formação da opinião e da vontade políticas. O debate e a contestação se constituem em ambiente ao entendimento das normas comuns. Nesse sentido, o modelo republicano de democracia prioriza o exercício dos direitos políticos básicos, como sendo a ferramenta para estabelecer a vontade política. A democracia republicana possibilita o compartilhamento dos direitos políticos entre os cidadãos e incentiva a que exerçam o controle popular sobre as decisões governamentais.

Desacordo quanto aos critérios justos de igualdade e o papel da teoria política em um Estado Democrático de Direito: um contraste entre as posições de Dworkin, Sen e Rawls

PID: S2178-46122018000500333 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: MacDonald
Resumo As questões de justiça não dizem respeito apenas à determinação dos critérios de igualdade que devem orientar as regras jurídicas, mas também afetam a própria legitimidade da escolha desses critérios. Em virtude das experiências trágicas vividas no século XX e da impossibilidade de estabelecer um mecanismo perfeito de escolha social, o debate recente sobre os critérios justos de igualdade deve ser contextualizado em uma discussão mais ampla que envolva também questões atinentes à legitimidade política e à estabilidade dos regimes democráticos apesar do forte desacordo ocasionado pelo pluralismo. O presente trabalho tem como objetivo comparar as teorias políticas de Ronald Dworkin, Amartya Sen e John Rawls quanto ao modo como se posicionam frente ao desacordo político com respeito a quais seriam os critérios justos de igualdade a serem incorporados na legislação. Ao constatar funções distintas à teoria política conferidas pela abordagem de cada autor, busca-se verificar se essas são entre si incompatíveis ou complementares.

Desafios para a inclusão de estudantes com deficiência física: uma revisão de literatura

PID: S2178-46122018000400010 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Bisol Valentini Stangherlin Bassani
Resumo Observa-se, no Brasil, um movimento significativo para consolidação de escolas inclusivas em que estudantes com deficiência possam encontrar efetivas possibilidades de aprendizagem. Este artigo apresenta uma revisão de literatura realizada com o objetivo de identificar, em artigos nacionais, os principais desafios à inclusão de estudantes com deficiência física em escolas comuns. Para situar a análise, uma discussão introdutória a respeito do conceito de deficiência física permite compreendê-lo como uma construção influenciada pelo paradigma ou modelo de deficiência (religioso, médico e social). A revisão de literatura foi realizada utilizando o banco de dados do Portal de Periódico da Capes, por meio do cruzamento dos descritores deficiência física, inclusão escolar, educação inclusiva e paralisia cerebral. Os 29 artigos selecionados foram analisados utilizando a análise de conteúdo qualitativa. O presente artigo apresenta uma discussão de quatro categorias (formação de professores, tecnologia assistiva, rede de apoio especializado e adaptações curriculares). A análise permitiu identificar aspectos específicos relativos à inclusão de estudantes com deficiência física. Em relação à formação de professores, os estudos destacam as demandas ocasionadas pela perspectiva da inclusão e as críticas à formação inicial e continuada. Outros aspectos evidenciados são o desconhecimento acerca da tecnologia assistiva ou de seu uso, a falta de recursos e as barreiras que os estudantes continuam enfrentando. Os estudos apontam, ainda, à necessidade de dar maior apoio às equipes multidisciplinares nas escolas e à importância das adaptações curriculares à aprendizagem e ao desenvolvimento dos estudantes com deficiência. As pesquisas revelam que estamos longe ainda de ter as condições ideais para aprendizagem e desenvolvimento integral de estudantes com deficiência física em nossas escolas.

Dimensões pedagógicas da religiosidade e proteção ao uso de drogas na adolescência: um estudo de caso

PID: S2178-46122018000300006 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Pauly Flores
Resumo Existem diversos estudos que indicam os fatores de risco relacionados ao uso de drogas, entre eles, está a adolescência, considerada o período de maior vulnerabilidade. No entanto, pesquisas atuais estão interessadas em conhecer os fatores promotores de saúde e proteção, com o objetivo de prevenir o desenvolvimento de comportamentos de risco, mesmo em situações de vulnerabilidade. Nessa perspectiva, a religiosidade vem sendo identificada como fator protetor ao uso de drogas; mas, apesar disso, pouco se sabe sobre os mecanismos causais desse importante fenômeno. Este artigo apresenta uma pesquisa que investigou as dimensões pedagógicas das práticas religiosas de um grupo de adolescentes pertencentes a uma Igreja Evangélica do Município de Canoas – RS, que atua na proteção ao uso de drogas na adolescência. Para isso, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com seis jovens que atuam como líderes do grupo de adolescentes da instituição religiosa participante da pesquisa. Esse contexto caracteriza a pesquisa como um estudo de caso. Para a análise dos dados, utilizaram-se os princípios da grounded-theory, ou teoria fundamentada nos dados. Dessa forma, foram observadas quatro dimensões pedagógicas nas práticas religiosas do grupo participante da pesquisa, que poderiam atuar de maneira protetiva ao uso de drogas na adolescência. São elas: educação ao apoio social; educação à autorregulação; educação ao entretenimento consciente; e educação à espiritualidade. Os resultados da pesquisa apontam à relevância do tema para a saúde pública e a possibilidade de inserção das dimensões pedagógicas, encontradas nesse contexto religioso, em programas educativos de prevenção ao uso de drogas na adolescência.

Diversidade na Educação Escolar: limites e possibilidades

PID: S2178-46122018000100154 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Santiago Santos
Resumo: O presente estudo tem por objetivo investigar como as diversidades afro-brasileira e indígena estão contempladas na educação escolar, compreendendo que a escola é um lugar estratégico de articulação, um espaço para propostas de mudança em relação a uma educação que respeite as diferenças e singularidades. A problematização se pautou pela reflexão sobre o livro didático, pelos desafios e práticas dos professores, com o objetivo de analisar e compreender as mudanças e permanências, as inclusões e exclusões, os estereótipos e preconceitos, a visão etnocêntrica, as imagens e os conteúdos que são trabalhados na educação escolar. Quais representações e significados são tratados nos livros didáticos e nas práticas dos professores, no sentido de perceber se tais questões levantadas contribuem para a ressignificação de uma educação escolar que estimule a formação de uma consciência histórica e cidadã. Utilizamos uma metodologia centrada em uma proposta investigativo-crítica, com embasamento científico centrado em trabalhos de teóricos sobre a temática e na compreensão de que o problema não se resolve com a criação de políticas de reparação das desigualdades, mas com ações incisivas para tratamento e valorização da diversidade na escola. Das conclusões vimos que é relevante alterar valores, promover subsídios para que os profissionais da educação se insiram em um contexto de lutas mais amplo, em sintonia com o desejo por saberes diversificados, que vão além da disciplina escolar e do currículo, sabendo que não basta apenas denunciar e levantar dados; é fundamental a mobilização, o movimento, as ações coletivas, em um campo de luta em que a bandeira de combate ao preconceito e ao racismo seja permanente em todos os espaços: na escola, na sociedade e em toda a vida cotidiana.

Educação e italianidade: a opção pelas congregações religiosas italianas

PID: S2178-46122018000300008 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Rech
Resumo No início do século XX, várias congregações religiosas vieram ao Rio Grande do Sul para atender às necessidades da Igreja Católica, evidenciando, também, o zelo pastoral do clero gaúcho. Particularmente, na década de 1920, em meio a uma retomada da italianidade no estado, capitaneada pelos cônsules, observa-se a opção das autoridades pelas corporações religiosas de origem italiana, na medida em que promoviam as escolas étnicas e a manutenção de cursos de italiano. Os documentos analisados informam que tanto o cônsul Luigi Arduini como o cônsul Manfredo Chiostri acompanhavam as ações das congregações religiosas e zelavam pela sua permanência nas colônias de imigrantes. O trabalho apresenta, ainda, elementos da tratativa da vinda da Congregação de São José, demonstrando a preocupação das lideranças com o esvaecimento da ideia de pertencimento à pátria de origem.

Elementos para uma metateoria da democracia

PID: S2178-46122018000500262 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Dutra
Resumo O texto apresenta, resumidamente, quatro teorias ou modelos de democracia: agregativa, deliberativa, agônica e homogênea. Apresenta, em seguida, diversas críticas endereçadas a tais modelos. Considerando essas teorias e suas críticas, o presente estudo busca apresentar elementos que seriam indispensáveis ao tratamento da democracia. Ao final, tece algumas considerações críticas e construtivas a respeito da importância de que tais elementos sejam considerados ao se tratar da democracia.

Entre a conservação da memória e a possibilidade de novas fundações: o que permanece da tradição em Hannah Arendt?

PID: S2178-46122018000200267 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Eccel
Resumo Já é lugar comum, entre os comentadores e estudiosos de Hannah Arendt, enfatizar que ela diagnosticou o ocaso da tradição do pensamento ocidental, cujo limiar é encontrado nas teses de pensadores como Kierkegaard, Nietzsche e Marx. O que importa, nesta breve investigação, é, no entanto, averiguar no que realmente consiste tal ocaso e o quanto ainda permanece ou necessita permanecer daquilo que ela chama de main tradition? O que, no final das contas, se conserva? É possível pensar em uma refundação em termos de tradição? Para tanto, cabe investigar, primeiramente, o real papel que a tradição exerce para Arendt e, para isso, se remete também a alguns escritos de Karl Jaspers que podem ter exercido influência sobre Arendt. Em um segundo momento, investiga-se o papel da expressão cunhada como “pensar sem corrimão” (denken ohne Geländer), que contribui para pensar em uma espécie de refundação ou renascimento da tradição.

Estado representativo/governo representativo: sobre os aspectos democráticos da representação política em Hobbes

PID: S2178-46122018000500147 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Limongi
Resumo Para Hobbes, a representação desempenha um papel decisivo na estruturação do mundo jurídico em que cosiste o Estado. É nisso precisamente que Rousseau o contesta ao dizer que a Sobrerania (não o Governo) não pode ser representada. Ao fazer da Soberania uma instância de representação, e, em especial, na maneira de pensar a partir daí o Direito Penal (já que, do ponto de vista hobbesiano, o Estado não representa aquele a quem pune), Hobbes oferece um esquema conceitual promissor para pensar um dos maiores desafios das democracias contemporêneas: como tornar o Direito uma ferramenta de inclusão, já que ele é, ao mesmo tempo, uma ferramente de exclusão?

Filosofia e ética do discurso: o fundacionismo moderado em Habermas

PID: S2178-46122018000500396 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Azeredo
Resumo Neste texto, procuramos mostrar, a partir do texto de Habermas “A filosofia como guardador de lugar e intérprete” e das considerações do filósofo sobre a ética do discurso, que há no pensamento habermasiano a proposição de um fundacionismo moderado em ética que se apresenta na busca de uma justificação racional para as normas morais a partir dos pressupostos necessários da argumentação em geral, recusando, com isso, um fundacionismo absoluto que se coloque para além da história e do assentimento dos envolvidos, levando Habermas a rever o papel da filosofia, que passa a ser de intérprete e guardiã da racionalidade e a dimensão da razão, entendida como dialogal ao invés de monológica.

Formação permanente e em contexto de profissionais da Educação Infantil: contribuições de um projeto de extensão universitária

PID: S2178-46122018000400011 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Sommerhalder Martins
Resumo Este texto origina-se de uma pesquisa concluída. O estudo foi desenvolvido em um projeto de extensão universitária de formação permanente e em contexto de profissionais de Educação Infantil que atuam em creches e pré-escolas municipais de uma cidade do interior de São Paulo. A pesquisa teve como objetivo levantar e descrever aspectos referentes à participação (estar em formação) dessas profissionais, nesse projeto. Com apoio teórico de autores como Candau e Lelis, Imbernón, Nóvoa, Gatti e Barreto, Libâneo e Pimenta, entre outros, buscamos maior aprofundamento no âmbito da formação de professores. A pesquisa, de abordagem qualitativa, teve como instrumento para coleta de dados o grupo focal, com registro de filmagens e transcrição das imagens e áudio. Foram sujeitos da investigação 16 profissionais participantes (13 professoras, 1 diretora, 1 educadora física, 1 merendeira) do referido projeto de extensão. A análise dos dados foi realizada por meio da análise de conteúdo. Para o presente texto, apresentamos um recorte dos resultados, ressaltando aqueles referentes ao “Estar em Coletivo no Projeto” e “Estar Pautado na Prática”. Os resultados revelaram a necessidade de repensar a formação de professores, pautando-se pela formação colaborativa e que considere suas práticas reais e os contextos de trabalho, por meio da relação entre teoria e prática. A pesquisa evidenciou que esses elementos são fundamentais para uma formação significativa e de qualidade, possibilitando incidências sobre a ação. A aproximação da universidade de creches e pré-escolas, por meio desse projeto, possibilitou a formação em contexto desse grupo de profissionais de Educação Infantil, uma vez que os resultados evidenciaram que essa atividade de extensão se constituiu em espaço de colaboração, diálogo, reflexão, aprendizagem, troca de conhecimentos e experiências e, também, em espaço para afirmação profissional e reconhecimento de saberes.

Manifesto dos Educadores Mais Uma Vez Convocados: a concepção de público

PID: S2178-46122018000100114 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Pasinato Souza
Resumo: O presente artigo trata do Manifesto dos Educadores Mais Uma Vez Convocados: a concepção de público. O problema da pesquisa busca responder a uma questão central: Como os signatários do Manifesto de 1959 compreenderam o conceito de público e como, a partir dele, faziam uma crítica à educação vigente e aos defensores da escola privada? O objetivo geral é analisar a compreensão dos problemas educacionais, nas décadas de 1930 e 1960, assim como as soluções propostas pelo manifesto. A pesquisa é de natureza bibliográfico-documental. Utilizam-se como fontes de pesquisa: livros, capítulos de livros, dissertações, artigos em periódicos e dois importantes documentos: o Manifesto de 1932 e o Manifesto de 1959.

Modernidade, vita activa e ilusão do desenvolvimento

PID: S2178-46122018000500348 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Oliveira
Resumo O problema do desenvolvimento continua sendo abordado à maneira tradicional na semiperiferia da economia mundializada, como um problema de atração de investimentos que agreguem trabalho à economia. Políticas de fomento à inovação científica e à tecnológica são raras, e não atentam para o fato de que, nos países de desenvolvimento original, esse processo coincidiu com amplas agendas de transformação social e cultural associadas à ideia da modernidade. No entanto, a autonomia do campo político, central para a ideia da Modernidade, vem sendo comprometida por interesses definidos no campo econômico, o que agrava as condições dos países semiperiféricos. Este artigo propõe uma reflexão sobre os limites do desenvolvimento na economia globalizada, através de uma síntese entre as abordagens filosófica, sociológica e econômica da questão.

Movimento Sofístico na Grécia (séculos V e IV a. C.): o trabalho de ensinar

PID: S2178-46122018000400006 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Oliveira
Resumo Investigar a natureza do trabalho de ensinar dos sofistas na Grécia (séculos V e IV a. C.) é o objetivo deste artigo. É amplamente reconhecido o preconceito histórico-ideológico que a própria palavra sofista carrega ao longo da história da educação. Afirmamos, preliminarmente, que não vamos arrancar essa marca intrincada que, em certo sentido, assinalou o caráter dos primeiros trabalhadores do ensino na civilização ocidental. No horizonte histórico-filosófico, quando a visão cosmológica é substituída pela antropológica, são os sofistas responsáveis pelo nascimento de nova profissão: a do trabalho de ensinar. De domínio ideológico, político, econômico e vinculado ao âmbito teórico-metodológico, o problema pode ser traduzido na seguinte pergunta: Em que medida pode-se afirmar que o Movimento Sofístico, de fato, era um movimento desprezível e, portanto, aproveitara da sua obra, a educação, em favor da esfera econômica? Indagar os sofistas é perguntar qual é o sentido e os princípios da atividade do ensino em sua abrangência e complexidade histórico-teórica. Sabemos perfeitamente bem que a finalidade prática do trabalho, nessa época, era negada em todos os aspectos. Portanto, queremos responder às causas sobre o sentido, de fato, do trabalho sofístico. De caráter bibliográfico, este artigo tem (como fontes principais de pesquisa), as obras de Platão, Aristóteles, Xenofonte e Aristófanes, as secundárias, as de Werner Jaeger (2001), Henri-Marrou (1990), Mario Alighiero Manacorda (2010), Giovanni Reale (1993) e Anibal Ponce (1994). Foram consultadas também obras nacionais e internacionais.
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