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Virtudes e democracia

PID: S2178-46122018000500090 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Coitinho
Resumo O objetivo central deste artigo é refletir sobre a importância da conexão entre virtudes privadas e virtudes públicas de forma coerente para a garantia tanto da estabilidade psicológica como da social, visando ao fortalecimento da democracia. Para tal fim, investigo o papel das virtudes públicas da razoabilidade e tolerância. Posteriormente, tematizo a importância da identidade coletiva e da intencionalidade comum para lidar com a complexidade moral e política, bem como ressalto a característica intersubjetiva do conhecimento moral. O passo seguinte é investigar a relevância das virtudes privadas de integridade e autonomia. Termino o texto defendendo a vantagem de se usar uma teoria liberal-comunitarista que pode conectar coerentemente as virtudes privadas e as públicas, como forma de identificar mais claramente quais seriam as nossas obrigações comuns.

Ética e educação em Lima Vaz

PID: S2178-46122018000300010 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2018
Autores: Oliveira Melo
Resumo Neste artigo, defendemos a tese de que a educação é um dos temas fundamentais da reflexão de Lima Vaz. Propomos mostrar de que maneira, para ele, o ethos possui papel importante na formação da consciência e da personalidade morais. Em primeiro lugar, explicitamos em que sentido a educação, embora não seja o tema principal de nenhuma obra de Lima Vaz, pode ser compreendida como tema transversal que perpassa pelas obras do autor. Em seguida, mostramos qual é o papel do ethos na constituição do caráter. Ora, o ethos é coextensivo à cultura. Ao ser socializado, o sujeito aprende uma língua, pode ser introduzido nas tradições de uma religião, e interioriza normas de conduta. Por um lado, o ethos tem importante papel na formação do caráter e da personalidade. A comunidade educa o indivíduo e, nesse sentido, é também responsável por ele. Por outro, o hábito ético garante a permanência do ethos. Logo, o sujeito também é responsável por suas ações e pela manutenção do ethos. Finalmente, referimos que a crise do ethos e da tradição torna necessário adotar uma postura reflexiva, que é preciso tomar distância e avaliar o próprio ethos concreto. A relação entre sujeito e ethos não é completamente determinada. O sujeito pode sempre se opor às tradições e colocar em questão a validade das mesmas. Além disso, quando as tradições estão em crise, urge redescobrir nova orientação através do exercício do logos. Essa orientação deve ser capaz de conduzir o sujeito à realização do bem.

A Bíos no discurso do logos: pessoa/participante hígida em projetos de pesquisa em saúde no Brasil

PID: S2178-46122017000400536 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Silveira Agostini
Resumo: Pretende-se, com este estudo, promover uma reflexão filosófico-crítica a respeito da liberação de pesquisa em saúde no Brasil com pessoas hígidas, de acordo com a proposta de alteração da Resolução 196/1996, que foi aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), através da Resolução 466, de dezembro 2012. Tal resolução admite a possibilidade de ganhos financeiros, ou seja, pagamento aos voluntários sadios para participarem de “pesquisas clínicas de Fase I ou de bioequivalência”, conforme se lê no item II.10 da CNS-466/2012. Faremos uso de Teorias Críticas Latino-Americanas no sentido de discutir um viés, em específico, a do discurso científico, a do logos, sobre a relação da vida humana, da bíos, do convite à voluntariedade e da contribuição do voluntariado nos avanços tecnológicos na área da saúde. Igualmente, analisam-se outras questões referentes à pessoa humana, sendo: relação do participante, recrutado, não paciente; princípio da dignidade humana e sua compatibilidade com pesquisas que envolvam seres humanos; olhar decolonial sobre os possíveis discursos dos centros, cuja parte do objeto de estudo é o recrutado, o participante sadio, que não é do centro, mas é o outro, na maioria das vezes, o necessitado economicamente.

A Matemática escolar: vozes de estudantes concluintes do Ensino Médio

PID: S2178-46122017000200362 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Giongo Schvingel Oliveira
Resumo: Este trabalho tem o intuito de problematizar o lugar ocupado, no currículo escolar, pela disciplina Matemática na ótica de um grupo de 16 estudantes concluintes do Ensino Médio noturno, em uma escola pública localizada no Vale do Taquari, Sul do Brasil. Qualitativa, a investigação fez uso de entrevistas efetivadas por meio da técnica de grupo focal, tendo como aportes teóricos algumas ferramentas foucaultianas, também discutidas por seus comentadores. O material de pesquisa foi gerado em cinco sessões, com duração média de uma hora cada, nas dependências do educandário, cuja análise permitiu inferir que, para os discentes, a Matemática, por um lado, seguia com a alcunha de a "Rainha das Ciências", servindo de suporte para outras áreas do conhecimento. Por outro, enfatizaram a importância de um de seus conteúdos específicos, a Matemática Financeira, nos currículos escolares do Ensino Médio, pois, nessa ótica, é imprescindível conhecer e dominar suas regras, sobretudo para quem quer empreender. Tais resultados podem fomentar a problematização de duas questões: a primeira delas aponta à importância de dar voz aos estudantes, notadamente em questões vinculadas ao currículo escolar no Ensino Médio. Não se trata de eximir a escola de suas funções, mas de ouvir os discentes acerca de suas expectativas em relação aos conteúdos escolares; a segunda remonta à ideia das funções da escola na contemporaneidade, tendo em vista as demandas e necessidades do mundo do trabalho e da ascensão econômica e social para todos os estudantes.

A Revolução Francesa segundo Kant

PID: S2178-46122017000100161 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Durão García
RESUMO Na filosofia política e do Direito, Kant nega taxativamente o direito de resistência do súdito e considera que o próprio soberano deve promover as reformas necessárias na constituição defeituosa. Isso contrasta com a sua apologia à Revolução Francesa na história filosófica. Mas essa aparente contradição se dissolve tão logo se compreende que Kant compreendeu a Revolução Francesa como uma reforma constitucional empreendida involuntariamente pelo próprio rei Luís XVI que transferiu a soberania aos representantes do povo ao convocar os Estados Gerais, os quais não tinham a obrigação de restituí-la ao soberano anterior, mas se declararam em Assembleia Nacional com vistas a organizar a constituição republicana, a única conforme a vontade unificada do povo.

A beleza: morada da pessoa livre

PID: S2178-46122017000100002 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Garda
Resumo: Esta reflexão suscita a necessidade e importância de investigar, de forma mais profunda, uma pedagogia do gosto através do desenvolvimento autônomo da autonomia, com o interesse de que, mediante a contemplação do belo, o indivíduo possa aproximar-se do desenvolvimento de sua pessoa e da vivência da beleza como um retorno a casa, algo que é possível se o homem tiver a disposição de ser acolhido pela beleza, pois, para poder habitar nela, é necessário antes preparar em nós o lugar onde habita. Quando o homem desenvolve a sua liberdade, expressa como autonomía do gosto, pode dar verdadeira acolhida à beleza, e ela, por outro lado, se manifestará como o mais íntimo ao seu ser e lhe entregará o mundo que contempla como sua morada.

A capacidade de entender as normas e fazer juízos normativos é um produto da evolução?

PID: S2178-46122017000300068 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Marim
Resumo: Este trabalho tem como objetivo oferecer uma visão geral e concisa do papel das emoções na agência moral, quando debatemos questões sobre a natureza da moralidade. Depois de apresentar brevemente o contexto histórico, tal como foi colocado por Hume, mostramos de que modo compreender a natureza e a evolução da moralidade em uma perspectiva mais abrangente pode valorizar as emoções como base dos juízos morais, ou mais especificamente, da moralidade. Essa exploração das normas, conjuntamente com as emoções, nos leva em direção a uma abordagem psicológica do juízo moral, o que faz emergir novas ramificações à investigação ético-filosófica. Desse modo, nosso objetivo principal é esclarecer: A moralidade seria uma adaptação? Podemos dizer que a moralidade evoluiu? Esse esclarecimento tem como intuito final mostrar como a teoria não cognitivista de Gibbard configura-se como um bom modelo de explicação do papel das emoções na constituição, na formulação dos juízos normativos e principalmente na aderência às normas.

A dupla hélice do DNA: história revisitada à luz da epistemologia kuhniana

PID: S2178-46122017000400598 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Mesquita Oliveira Neto Oliveira Moraes
Resumo: O estudo acerca dos fatos e episódios científicos é importante no sentido de que possibilita a compreensão do desenvolvimento das ciências em contextos tanto do ensino, em diversos níveis, quanto da pesquisa. No entanto, a leitura dessa construção histórica precisa considerar visões de ciência que superem as perspectivas lineares e neutras sobre a construção do processo de produção científica. Sob tal perspectiva, propõe-se, neste artigo, uma releitura do movimento de elaboração do modelo da dupla hélice do DNA a partir do aporte epistemológico de Thomas Kuhn. Entendemos ser esse um contexto importante que permeia a formação científica tanto na Educação Básica quanto no Ensino Superior, no campo das ciências biológicas, e que os conceitos desenvolvidos a partir da elaboração do modelo da dupla hélice são basilares à compreensão de conhecimentos relacionados à genética, à citologia, à evolução, dentre outros. No processo de revisitar esse recorte histórico, identificamos os embates teóricos entre pesquisadores de diversos campos, a competição e o consenso como elementos que mobilizam a busca de respostas na concretização de novo paradigma. Dessa forma, a dinamicidade da ciência se mostra presente rejeitando a ideia do dado pronto e valorizando o processo no qual o conhecimento se constrói. Propomos que esse seja um exercício de reflexão considerando-se que revisitar a história da ciência a partir de diferentes perspectivas epistemológicas pode propiciar aos sujeitos novos olhares em um devir que descortine conceitos construídos de maneira dinâmica por homens e mulheres que, entre ires e vires, dão significado aos fenômenos que nos rodeiam.

A duplicidade na educação da areté em A República e no Protágoras de Platão

PID: S2178-46122017000200320 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Barreira
RESUMO O artigo compara duas propostas de educação da areté nos textos de Platão: o "Mito de Prometeu" no Protágoras (320 C-328 B) e o "Mito da Caverna" no Livro VII de A República. Isso se deve à ambiguidade do termo areté, que pode ser compreendida como virtude moral ou como competência. Há uma homologia estrutural entre o mito narrado por Platão no Protágoras e o Livro VII acima: sua antítese paradigmática e teórico-valorativa. Ambos os textos se estruturam em duas partes: a narração de uma alegoria (mythos) e, logo em seguida, a explicação analítica dessa alegoria por um discurso racional (logos). Acompanhando a terminologia contemporânea de Wolff, esse debate se traduziu numa abordagem divergente, mas complementar entre a "verdade jurídica", defendida pelo personagem de Protágoras, em contexto democrático, e a "competência técnica" do personagem Sócrates, na segunda perspectiva. Debate que acarreta, até hoje, os respectivos desdobramentos pedagógicos. No que concerne à natureza e à cultura, enrijecida pela fixidez das leis da física (physis) e pela arbitrariedade das leis jurídicas (nomos), a epistemologia ligada ao primeiro tipo de conhecimento venceu as humanidades. Essa vitória associou, depois da modernidade, as ciências da natureza com o discurso verdadeiro sobre o real. Todavia, há de se recuperar o papel dos sofistas ao enfatizarem a relação entre verdade e construção político-jurídica em contexto democrático. O ponto central dessa sua perspectiva opinativa é o paradoxo sofístico de usar competentemente algo comum, a palavra, que adquire um diferencial técnico na arena pública graças à capacidade de persuasão por uma nova técnica do discurso: a retórica.

A felicidade e a moralidade em Kant

PID: S2178-46122017000300023 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Scherer
Resumo: A busca pela felicidade está naturalmente presente como um ideal a ser alcançado pelos indivíduos da espécie humana. Kant, em sua obra Fundamentação da metafísica dos costumes, pretende buscar e estabelecer o princípio supremo da moralidade e esclarece que para esse fim o ideal de felicidade não apresenta condições de fundamentar as leis da moralidade. Na obra Crítica da razão prática, Kant sustenta essa mesma posição, mas introduz o objeto do soberano bem, referente ao qual, a felicidade é o seu segundo elemento, mas condicionada às leis da moralidade e entendida como elemento necessário do soberano bem. O objetivo deste trabalho é realizar uma breve reflexão sobre a importância da felicidade na teoria moral kantiana, enfatizando a relação estabelecida entre a moralidade e a felicidade no conceito do soberano bem. Pretende-se defender que, embora o princípio da moralidade e o princípio da felicidade própria fundamentem-se em princípios diferentes, há possibilidades de conciliar a busca da felicidade própria com a realização de ações morais.

A infância como dispositivo: uma abordagem foucaultiana para pensar a educação

PID: S2178-46122017000200279 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Braga Moruzzi
RESUMO Este artigo investe na ideia de que a infância é um dispositivo histórico do poder. Tem-se como referência analítica Foucault (1977) que concebe a noção de dispositivo em suas discussões a respeito da sexualidade. A reflexão engendrada consiste em apresentar a ideia de que, a partir do momento em que a criança se torna um dos grupos estratégicos do dispositivo da sexualidade, produz-se sobre ela um conjunto heterogêneo de regimes de verdades e práticas, o qual configura uma maneira de ser e ter uma infância, influindo significativamente nas perspectivas pedagógicas modernas. Nesta abordagem, não é possível pensar em infância de forma desassociada do conceito de sexualidade. A discussão apresentada decorre de pesquisa bibliográfica conceitual que articula sexualidade e dispositivo de modo a convergir com a ideia de infância. Observa-se que o conceito de dispositivo é pouco detalhado em Foucault, de modo que o texto dialoga também com Deleuze (1999), Agamben (2005) e Veyne (2009). Considera-se que todo dispositivo possui: linhas de visibilidade e de enunciação que são, respectivamente, máquinas de fazer-ver e de fazer-falar; linhas de força, que sustentam os campos de visibilidade e os regimes de enunciabilidade; e linhas de subjetivação que são, segundo Deleuze (1999), a dimensão do si próprio e que configuram o sujeito infantil. O artigo apresenta três grupos de práticas articuladas a essas características: as práticas pedagógicas; as práticas divisórias e identitárias de gênero e de sexualidade; e as práticas médicas. Observa-se que, para Foucault, o dispositivo da sexualidade disciplina os corpos, regula e normaliza a população, regulamenta o prazer e os saberes sobre sexo e,além disso, ocupa-se, por meio desse regime sobre sexo, da preservação da espécie humana. A infância, como dispositivo na perspectiva apresentada neste trabalho, também regulamenta a criança, constituindo-a como sujeito infantil, estabelecendo uma pedagogia e uma ciência que compuseram o pensamento pedagógico moderno sobre e para a infância, ocupando-se também da preservação e da manutenção da criança.

A refutação da representação poética na estruturação racional da cidade

PID: S2178-46122017000100032 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Façanha Leite Carvalho
RESUMO Este artigo tem o objetivo de identificar, em primeiro lugar, o desdobramento da racionalidade nos mitos no tempo em que surgem as cidades como novas formas de agrupamento social. Em seguida, analisar a formulação do conceito de justiça como estrutura ideal para a consolidação da República, considerando, em decorrência disso, a demanda por uma reforma educacional que se daria a partir da crítica filosófica à figura do poeta como representante onisciente do saber, cuja linguagem ambivalente a distanciava do referencial de verdade segundo Platão. Nesse entendimento, recorreremos aos estudos de autores como Vernant (2009), Havelock (1996), Matos (2001) e de outros que podem contribuir para a compreensão dos conceitos de política e estética em Platão. O presente artigo pode servir de auxílio nas pesquisas, cujo campo de análise se identifique especificamente com a educação, política, ética e estética, sem, contudo, pretender encerrar o debate concernente ao tema proposto.

A relação Eu-Tu em Ferdinand Ebner

PID: S2178-46122017000400409 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Caltagirone
Resumo: O pensamento dialógico e relacional, que se desenvolveu nas primeiras décadas do século XX, representa, certamente, um dos mais fecundos itinerários reflexivos em condições de acolher e definir a estrutura do antropológico. Ferdinand Ebner é um dos principais expoentes, embora seu pensamento ainda não seja plenamente conhecido. O ensaio aprofunda a relação Eu-Tu e suas articulações que, sendo central na reflexão de Ebner, pode oferecer elementos úteis à estruturação de uma ontologia relacional em um contexto pósmetafísico.

As bases empáticas do comportamento moral

PID: S2178-46122017000300002 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Silveira
Resumo: O presente artigo se destina a analisar a possibilidade de explicar as bases do comportamento moral em termos naturais compatíveis com a teoria evolucionista. A defesa dessa posição se inicia com a clarificação do conceito de empatia a partir de Hume e Darwin, acrescida de pesquisas contemporâneas nas áreas da neurociência, psicologia evolucionista e etologia. O argumento se dirige em favor da hipótese de que emoções socialmente relevantes são reguladoras do comportamento social, sendo um critério de distinção entre relações morais e meramente sociais. O que deve ser compreendido é em que sentido mecanismos psicobiológicos de sociabilidade, em particular a empatia e os instintos sociais, operam como reguladores do comportamento normativo em pequenos grupos e como isso se relaciona com o modo como são realizadas distinções morais no cotidiano. O foco da investigação está em identificar os elementos naturais que estão na base desse comportamento, de modo a explicá-lo sem recorrer a elementos metafísicos. Apresenta-se como candidato a responder a essa questão o modo como esses mecanismos se desenvolveram dentro do processo evolutivo e como agregam um elemento intersubjetivo às emoções, de maneira a que elas tenham força de inibir comportamentos socialmente relevantes.

As razões da sensualidade do sabor

PID: S2178-46122017000200200 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Cavalieri
RESUMO Entre o sabor, o alimento e o prazer, há uma ligação complexa que vai além das necessidades relacionadas com a sobrevivência, contribuindo para a realização daquela felicidade que é o fim último ao qual o homem tende. Fonte de nutrição para o corpo como para a mente, e ao mesmo tempo de gozo, o ato de degustar os alimentos satisfaz todos os sentidos, estimula a nossa vida emocional (gratifica-nos, saciando-nos, consolandonos), estimula a mente, promove a sociabilidade, gratifica o nosso senso estético e sinestésico, insta à conversa, às vezes cria dependências agradáveis, enriquecidas com diferentes significados. Partindo dessas premissas e de diversas fontes, este ensaio tem como objetivo restituir ao prazer multifacetado do saborear o seu verdadeiro valor, explorando suas muitas facetas, as muitas maneiras que se inventa para prolongar esse prazer, em busca de gratificações do paladar alternativas às oferecidos pela natureza. Um tema filosófica e antropologicamente interessante, especialmente àqueles que pretendem praticar uma filosofia encarnada, isto é, fundada no corpo vivo e senciente.

Axel Honneth e a virada afetiva na teoria crítica

PID: S2178-46122017000300104 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Campello
Resumo: Ao longo das últimas duas décadas, a amplamente repercutida proposta teórica desenvolvida por Axel Honneth sugere um modelo de racionalidade que, contudo, permanece em larga medida ainda implícito. No presente artigo, proponho que a abordagem de Honneth sugere o que podemos entender como uma virada afetiva na teoria crítica. Para tanto, desdobro minha exposição em quatro passos. Primeiramente, apresento como a categoria do reconhecimento, a partir do sentido adotado por Honneth de uma “transcendência-imanência” da teoria social, mostra-se como uma crítica aos padrões de racionalidade (1). Isto é, como esse sentido constitui-se a partir dos limites de articulação comunicativos do sofrimento, em um particular entrecruzamento entre padrões de racionalidade e patologias sociais. Em um segundo passo, discuto como uma abordagem do vínculo entre afetos e teoria social é desdobrado em Luta por reconhecimento (2), e, em seguida, como ela se distingue do sentido de conteúdos afetivos das práxis sociais em O direito da liberdade (3). Se, em Luta por reconhecimento, uma concepção de afetos parece ser mais clara a partir do vínculo desenvolvido entre teoria social e teoria da subjetividade, procurarei mostrar que, em O direito da liberdade esse conteúdo afetivo se apresenta de maneira mais plausível no âmbito de uma teoria das instituições, dissociada de fortes premissas antropológicas. Concluo mencionando de forma ainda programática como o potencial de crítica e conflito, presente nas intuições originais de Honneth, poderia se manter na análise do conteúdo afetivo da práxis social (4).

Ação pedagógica, ação comunicativa e didática

PID: S2178-46122017000100069 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Zaslavsky
Resumo: O presente artigo aborda a interdependência entre o conceito de ação pedagógica e o campo de estudos da didática. A didática como disciplina representante da pedagogia moderna instaura o conceito de ação pedagógica e o novo enfoque acerca dos meios da educação como objeto científico. A ação pedagógica nasce atrelada à didática e, ao mesmo tempo, ao caráter instrumental desta (DÍAZ-BARRIGA, 1995). O problema da ação pedagógica é a "caixa-preta" da escola: o ponto de grande interesse prático ou prioridade social, porém, comparativamente, com menor incidência de reflexões teóricas. Muitos professores escolares reclamam da saturação de teorias e repetem as mesmas práticas; já os pesquisadores acadêmicos da educação reclamam a importância da reflexão teórica para a transformação da prática. Considerando o caráter historicamente articulador entre teoria e prática da didática, é curioso e ao mesmo tempo significativo esse distanciamento entre ambas. A impotência da didática, como saber geral, evidencia-se na desarticulação teoria-prática. Questiona-se o ponto de articulação entre ação pedagógica e didática enquanto é um possível ponto de transformação: Quais são as consequências de um conceito não instrumental de ação pedagógica para a didática? Pretende-se retomar o tema: meios da ação pedagógica, sobretudo o viés instrumental com que se identifica desde seu nascimento, e sugerir uma reconceptualização em termos do conceito habermasiano de ação comunicativa, ou seja, visando ao entendimento e não ao êxito. Com esse conceito comunicativo de ação pedagógica, apresentam-se reflexões iniciais sobre uma didática comunicativa, mais hermenêutica do que técnica. O intento, ao fim e ao cabo, é sugerir a abertura de um caminho disciplinar reflexivo para se tematizar a ação pedagógica segundo a racionalidade comunicativa, abrindo, assim, a mencionada "caixa-preta". Com isso se pretende retirar consequências para a didática geral.

Contradições do progresso e ambiguidades da educação: uma discussão a partir da obra Dialética do esclarecimento

PID: S2178-46122017000400500 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Stefanuto Bueno
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo discutir implicações da dialética do esclarecimento, discutida na obra homônima de Adorno e Horkheimer, para a educação. Para tanto, volta-se ao questionamento central da obra acerca da permanência da barbárie mesmo nas sociedades com pretensões democráticas e apesar do desenrolar do processo civilizatório e do notório progresso técnico-científico que caracteriza o nosso tempo. Os argumentos fundamentais da obra citada são retomados, relacionando-a ao contexto de sua produção. Elementos como as contradições que são imanentes à cultura, a necessária autorreflexão do pensamento, a lida com o medo e com outros afetos decorrentes do não cumprimento da promessa emancipatória da cultura, a matematização da ciência e a expurgação do incomensurável e do subjetivo são pensados como implicações significativas da dialética do esclarecimento para o campo educativo. Discute-se que a educação, ainda que precariamente, é, por excelência, o âmbito tanto de formação das novas gerações como de produção de saberes, o que a torna rica em possibilidades tanto de fomentar os aspectos emancipatórios da cultura como de reproduzir e aprofundar as mazelas de nosso tempo, o que indica a importância desta reflexão. Procura-se, em alguma medida e com o intuito de aprofundar o escopo argumentativo, referenciar tanto outras obras dos autores frankfurtianos da primeira geração como obras de pesquisadores que se dedicam à atualização da produção teórica nesse campo de saber. À guisa de conclusão, são apontadas tarefas da educação, bem como aporias que precisam seguir sendo pensadas quando se concorda com a finalidade intrinsecamente emancipatória da formação.

Cooperação e conflito nos processos deliberativos do liberalismo político

PID: S2178-46122017000300083 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Fanton Silva
Resumo: Nosso objetivo neste texto, tomando como autor representativo o filósofo norte-americano John Rawls (1921-2002), é mostrar que os fundamentos da teoria política contemporânea, em sua vertente contratualista e de inspiração kantiana, estão situados historicamente e foram influenciados de modo determinante pelas pesquisas sobre psicologia e desenvolvimento moral realizadas nas décadas de 1970 a 1990, nos EUA, particularmente por Lawrence Kohlberg (1927-1987). Atualmente, o embasamento científico dessas pesquisas caiu por terra, derrubando os pressupostos adotados por Rawls e por outros teóricos contratualistas. Iniciamos detalhando como Rawls pressupõe um tipo de psicologia moral como elemento fundamental para garantir a estabilidade de sua teoria, para, em um segundo momento, apontar alguns problemas desse modelo.

Currículo, subjetivação e política da 10 diferença: um diálogo com Homi Bhabha

PID: S2178-46122017000400576 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Ribeiro
Resumo: As chamadas políticas de identidade (de identidade de diferenças) são hoje enfatizadas em debates educacionais em esfera global-local, reiterando, na luta discursiva, significantes como: currículo, cultura, alteridade e diferença. A aposta em termos como diálogo e tolerância não tem sido casual. No Brasil, as demandas da diferença vêm sendo objeto de múltiplas articulações políticas, sobretudo, desde os anos pós-ditadura militar em meio a estratégias e tensões que ressignificam, segundo o contexto, acordos e dissensos. Em jogos de poder, questões circunscritas pela ênfase em raça/etnia, gênero e sexualidade, principalmente, tem ocupado espaços de discussões. O objetivo deste trabalho, nesse contexto, indubitavelmente conflituoso, é argumentar em defesa da compreensão dos processos híbridos de subjetivação, ampliando os espaços à diferença e à ambivalência, em vez de enfoque na luta entre opostos com base em sujeitos pré-dados. Assim, me distanciando da dialética hegeliana, procuro tecer, no presente texto, um diálogo com o pesquisador indo-britânico Homi Bhabha, bem como algumas das suas bases epistemológicas e filosóficas, cujo escopo teórico-político tem sido reler e ressignificar os debates da diversidade e do multiculturalismo sob a ótica pós-colonial dos fluxos e do hibridismo. Nesse sentido, o currículo está longe de ser pensado por limites eficientistas e instrumentais, tal como documento, como grade curricular, como base estrutural. Em uma abordagem não realista, o currículo é pensado como uma política cultural, constitutivo pela contingência, entendido como a própria luta pela enunciação do que vem a ser currículo, a qual se dá, inexoravelmente, no terceiro espaço ou nos interstícios, conforme propõe Bhabha.
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