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Desafios da supervisão escolar: o papel do supervisor escolar no planejamento participativo-escolar

PID: S2178-46122017000400482 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Souza Skolaude Costa Souza
Resumo: O presente artigo é marcado por reflexões acerca dos desafios da supervisão escolar: o papel do supervisor escolar no planejamento participativo-escolar. O objetivo geral é identificar os desafios do supervisor escolar quando da elaboração do planejamento participativo escolar. São objetivos específicos: conceituar supervisor escolar, analisar sua previsão legal, suas responsabilidades e atribuições; conceituar planejamento participativo, bem como indicar sua importância na comunidade escolar. O planejamento participativo-escolar é de extrema importância à gestão democrática da escola, que é parte integrante da rede de direitos prevista constitucionalmente. Ainda: o planejamento participativo analisa e norteia todas as ações que possam intervir na escola, daí sua importância: afeta a sociedade na qual a escola está inserida. Outrossim, é importante que o bem comum prevaleça ante o interesse de um particular, ou seja, deve se pensar em um saber-fazer coletivo. O sustentáculo teórico do texto são os ensinamentos de Paulo Freire e, a partir deles, exsurge o pensamento de que o educando também pode e deve participar dos processos decisórios do território escolar, fortalecendo, assim, uma dimensão de exercício democrático na escola, permitindo e incentivando a participação orgânica da comunidade escolar no fazer-pensar do educandário. O método de abordagem é o dedutivo, e o método é de procedimento monográfico com técnicas de pesquisa bibliográfico-documental. O enfoque principal do trabalho está centrado no estudo da importância do supervisor escolar no planejamento participativo-escolar, bem como da participação dos estudantes e da comunidade escolar nos processos de tomadas de decisão.

Educação, trabalho e saúde: as práticas sociais e as controvérsias do desejo

PID: S2178-46122017000100099 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Rodrigues
Resumo O artigo propõe uma reflexão sobre alguns determinantes presentes no campo da educação, trabalho e saúde que podem oscilar entre a produção do sujeito emancipado e a produção do sujeito autoritário. O principal fator de análise é que, na modernidade, ocorre uma predominância e uma resistência em romper com a hegemonia do paradigma da técnica incorporada que produz oposição ao pensamento crítico. Nesse caso, o problema da pesquisa está no campo de reflexão sobre o fato de a prática educativa destituir-se como atividade intelectual. Portanto, ocorre a necessidade de compreender o campo educacional como lugar de produção e, principalmente, esclarecer sobre a concepção de mundo em que o sujeito encontra-se veiculado. O objetivo do trabalho é ampliar a discussão sobre os meios e fins utilizados, sobretudo sobre as diversas técnicas ensinadas, como elemento educacional, mas destituídas do pensamento crítico. Temse como hipótese de trabalho que o educador deveria assumir a posição de intelectual, no sentido de criticar e inovar o uso da técnica e seus processos na constituição da sociedade em que o sujeito pode realizar-se na emancipação. A metodologia de investigação no trabalho insere-se numa hermenêutica de leitura de autores que subsidiam a análise sobre a questão do sujeito emancipado na modernidade. As principais conclusões do estudo é que o educador deveria enfrentar-se na posição de intelectual, na tentativa de encontrar pontos de fuga nesse modelo de sociedade e de mercado, em que técnicas e processos encontram-se reificados, tornando as relações educativas, inclusive seus conteúdos, como algo sem significado.

Emoções e motivação moral: Prinz versus Kant

PID: S2178-46122017000300059 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Borges
Resumo: Esse artigo pretende responder à seguinte pergunta: Emoções e sentimentos são necessários para a moralidade? Essa questão será desdobrada em três outras: 1) Emoções e sentimentos são necessários para a determinação do correto moralmente?; 2) Emoções e sentimentos são necessários para a motivação moral?; e 3) Emoções e sentimentos são necessários para a ação moral? Para responder a essas questões, usa dois modelos distintos: o de Prinz, tal como apresentado no livro The emotional constructions of morals11 e o de Kant. Tenta mostrar que Prinz responde positivamente às três questões e que há dois modelos possíveis de compreender a teoria kantiana, que dariam respostas diferentes às questões 2 e 3.

Ensino de filosofia com arte: entre o pensar, o sentir e o escutar

PID: S2178-46122017000200342 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Marton
Resumo: Como propiciar um estado permanente de criação filosófica no ensino de filosofia entre os estudantes de Ensino Superior? Eis o objetivo deste artigo. Essa questão está previamente acompanhada por dois argumentos: um deles é relativo ao fato de que o ensino prevê uma atitude de abertura, disposição e curiosidade, condições essas indispensáveis à aprendizagem; o segundo, decorrente do primeiro, é que o ensino de filosofia está intimamente vinculado à natureza própria da filosofia que, distante da busca pela verdade como afirmação ou detenção de um saber, resulta da experiência de alguém que é perguntado pela verdade, em certa atitude que se expressa no "cuidado de si mesmo" conduzindo a uma transformação, como vem apresentado por Foucault em sua obra A hermenêutica do sujeito (2010). Argumentaremos que o filosofar pode ser intensificado pela arte e, nesse aspecto, iremos estabelecer relações entre experiência filosófica e música como paisagem sonora (SCHAFER, 2001). Essa conexão estimula entre os alunos a construção de realidades materiais e imateriais - paisagens - de modo que habitem seu universo de memórias afetivas, intelectuais, poéticas, musicais e filosóficas. Em sintonia com essa forma de pensar, será apresentado o conceito de pensamento-sentimento (2006) desenvolvido pela filósofa portuguesa Paula Cristina Pereira, que exibe grande fecundidade na direção do acesso às matrizes fundantes de nossa condição antropológico-existencial. Nesse diálogo entre filosofia e música, escuta musical e experiência filosófica, suscitam-se possibilidades para um ensino de filosofia habitado pelo sensível e pelos sentidos da vida em tempos tão difíceis como na atualidade, porque extremamente fugazes, dispersos, "líquidos" e carentes de densidade e dignidade humana.

Formas expressivas da linguagem psicótica

PID: S2178-46122017000200188 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Bucca
RESUMO Este estudo resulta de uma série de estudos realizados em algumas instituições psiquiátricas italianas. Especificamente, a investigação diz respeito às formas psicóticas emocionais, cognitivas e linguísticas de expressão. Discute, portanto, formas psicóticas de expressão por meio do exame de um caso clínico de amostra, ou seja, comentando sobre as produções iconográficas e textuais (centenas de esboços, desenhos e pinturas e muitas páginas de textos delirantes) feitas por uma pessoa em diferentes décadas de experiência psicopatológica. Neste artigo, discutem-se as formas psicóticas de expressão e maneiras emocionais que as caracterizam. Portanto, esses códigos de expressão psicótica são linguísticos, comunicativos, referenciais e importantes à criatividade artística, mas, acima de tudo, pretende-se destacar o papel emocional, libertador, catártico e compensatório das funções que a "linguagem da loucura" permitir ao doente expressar. E, mais: geralmente, tenta-se considerar o seu modo relacional peculiar e seu ser-para-o-mundo.

Ilan Gur-Ze’ev e o professor-improvisador: a importância da Educação Continuada de educadores na escola pública

PID: S2178-46122017000400436 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Guilherme Antunes Santos
Resumo: Neste artigo aponta-se para uma importante contribuição que o Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio introduz no campo da educação, quer dizer, a possibilidade de constituição do professor-improvisador, tão defendido por Ilan Gur-Ze’ev. Como resultado desta pesquisa empírica com análise qualitativa de dados mostra-se que, sem o apoio de tais ações, a oportunidade de os indivíduos expandirem suas capacidades críticas é reduzida, comprometendo o potencial para o surgimento e/ou revelação desse professor improvisador, crítico e encorajador da crítica. Ainda: busca-se destacar a importância desse tipo de ação no que concerne à valorização e à melhoria da escola pública.

Kant, Schiller e a virtude em observações sobre o sentimento do belo e do sublime

PID: S2178-46122017000300049 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Feldhaus
Resumo: Este estudo examina a concepção de virtude em Kant, no texto pré-crítico Observações sobre o sentimento do belo e do sublime e no período crítico, assim como a concepção de virtude em Schiller em Sobre graça e dignidade, mostrando principalmente que existem algumas continuidades entre a posição de Kant a respeito da virtude no período pré-crítico e a concepção do período crítico do pensamento moral à luz do debate entre Kant e Schiller a respeito do papel dos sentimentos na concepção de virtude ou perfeição moral.

Kant, sua interpretação moral do Cristianismo e raízes bíblico-cristãs da sua ética

PID: S2178-46122017000200226 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Santos
RESUMO O assunto de que se trata neste ensaio situa-se na confluência entre a filosofia moral e a filosofia da religião de Kant, uma zona de coabitação problemática ou, antes, uma zona de passagens e de tensões, que muito raramente é visitada. E, todavia, da sua abordagem podem resultar importantes clarificações para pontos fulcrais nomeadamente da ética kantiana. Começa-se por considerar alguns problemas de método a respeito do assunto do ensaio e das dificuldades que o envolvem e se passa, depois, a abordar a interpretação que Kant faz da ética cristã no confronto com outros sistemas éticos da Antiguidade (nomeadamente o Estoicismo e o Epicurismo), apontando à explícita inspiração bíblico-cristã de tópicos essenciais da ética kantiana. De seguida, esclarece-se a interpretação kantiana do Cristianismo como religião moral e natural e a suposta complementaridade entre moral e religião, segundo o entendimento do filósofo, passando, após, à explicitação do pressuposto geral que preside à hermenêutica bíblico-teológica kantiana: a razão como supremo exegeta e o princípio da moralidade como o seu supremo critério. Conclui-se com um breve apontamento sobre uma inesperada, muito relevante e ainda recente reabilitação do filósofo da razão pura como qualificado intérprete do mais genuíno significado humano, moral e histórico do Cristianismo.

Necesidad de la filosofía ante la problemática social Latino Americana

PID: S2178-46122017000400420 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Panduro Muñoz Battestin Jung
Resumen: El presente artículo se dedica al tema del papel de la filosofía en Latinoamérica. El objetivo consiste en reflexionar sobre la importancia de la filosofía en el contexto de la contemporaneidad y, en el caso de América Latina, de su problemática social. Escándalos de corrupción en países como México y Brasil, sólo es la punta del iceberg de toda una situación estructural que impide que los procesos de la administración pública se den de manera coherente, eficiente y transparente. Con metodología cualitativa y teórica, busca revisar críticamente los conceptos, visiones y preceptos fundamentales de nuestra cultura regional para valorarlos y tener un punto de referencia ante la oferta de rutas de comportamiento descomprometidas con el ser humano. Los resultados de la investigación señalan que la filosofía social es de gran importancia, abordando los problemas generales de la sociedad para que no se pierda la visión sobre lo humano. Aunque las ciencias sociales hayan avanzado mucho, con grandes resultados, no podemos quedarnos solamente con estos estudios pues negaríamos la posibilidad de recrear y alimentar la visión del ser humano; nos quedaríamos con una marcada tendencia hacia ciencia instrumental cimentada en un escepticismo ontológico, ético y antropológico. En este sentido, dejar de hacer filosofía sobre los problemas sociales es seguirles el juego a los escépticos del ser humano, es dejar que en nombre de la ciencia se aniquile la verdad; cosa vergonzosa, pues la búsqueda de la verdad es lo que le da sentido desde sus inicios a la actividad científica. Los problemas generales de la sociedad deben ser abordados también desde la filosofía para que la visión sobre lo humano de las personas no se pierda.

O problema da experiência na disputa sobre o método científico: Dilthey, Windelband e Rickert

PID: S2178-46122017000100136 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Rezende Júnior
RESUMO No século XIX, com o estabelecimento das ciências humanas, desenvolve-se, dentro da filosofia, uma disputa sobre o método científico. Em termos gerais, essa disputa girava em torno de saber se o método científico era universal, aplicando-se indistintamente a fenômenos naturais e humanos, ou se cada tipo de fenômeno demandava um tipo especial de método. No presente trabalho, essa disputa está circunscrita à discussão entre Dilthey e a escola neokantiana de Baden, nas figuras de Windelband e Rickert. Apesar de relativamente bem-documentada, os motivos e fundamentos dessa discussão permanecem obscuros e pouco estudados. Procurando lançar alguma luz sobre esses pressupostos, este trabalho toma como estratégia de investigação a análise das concepções de experiência de cada um dos pensadores citados. Com isso, procura-se mostrar que boa parte das críticas e incompreensões de ambos os lados podem ser explicadas pelas diferenças entre as concepções de experiência assumidas por eles. De um lado, para os neokantianos, a experiência é pensada como algo passivo e o método científico como aquilo que a organiza em função da orientação assumida na pesquisa. Já Dilthey oscila ambiguamente entre uma posição ontológica, que procura determinar o método científico a partir de tipos diferentes de experiência, e uma concepção formal próxima ao neokantismo, pela qual a experiência é distinguida em tipos em razão da orientação metodológica adotada em pesquisa científica. Por fim, além de expor a atualidade da crítica metodológica neokantiana, o trabalho procura mostra que a ambiguidade do pensamento de Dilthey não constitui uma limitação, mas reflete as dificuldades de nova forma de pensar que terá desdobramentos decisivos na filosofia contemporânea, para além das discussões sobre metodologia científica.

O surgimento da racionalidade: um ensaio filosófico

PID: S2178-46122017000100011 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Danner
Resumo O artigo argumenta que a emergência, no Ocidente, da questão da racionalidade somente pode ser entendida em sua dinâmica e em sua evolução a partir da correlação entre instituição filosófica/teológica/científica e objetividade forte, no sentido de que tal objetividade forte apenas pode ser fundada por meio de uma práxis científica institucional, algo que o senso comum e as pessoas comuns não permitem e não podem fazer. O modelo platônico de instituição científica enquanto centralizando e monopolizando a fundamentação epistemológico-política, impondo-a diretamente ao senso comum e às pessoas comuns, está baseado na ideia de que a objetividade epistemológico-moral forte é a condição normativa do sentido como um todo, é a condição para o enquadramento, a legitimação e o fomento social do conhecimento e da cultura válidos, novamente a partir da contraposição ao senso comum e às pessoas comuns. Aqui, a instituição científica adquire um papel de juiz e de guia em relação à evolução social como um todo. O argumento central do artigo consiste em que tal ligação platônica entre instituição científica e racionalidade (ou objetividade epistemológico-moral enquanto produto da instituição científica) deve ser desconstruída em favor do senso comum e das pessoas comuns, isto é, em favor da democracia como base da fundamentação epistemológico-moral, o que significa, como consequência, o enfraquecimento e mesmo o abandono institucionais daquele auto-entendimento platônico que liga instituição científica e objetividade.

Os refugiados sob o olhar da filosofia e da educação

PID: S2178-46122017000100082 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Muraro
Resumo: O objetivo deste trabalho é abordar o caso dos refugiados como atividade filosófica e educacional. A questão colocada para debate é a seguinte: A filosofia tem algo a dizer acerca dos refugiados? Em que base uma educação pode evitar a repetição da experiência de refugiado? O procedimento de análise adotado consiste na metodologia de caráter bibliográfico. Para resgatar aspectos da experiência dos refugiados utilizamos, de início, uma poesia que alavanca a possibilidade de tratar o próprio conceito refugiado a partir de uma experiência empática com o seu grito no contexto da experiência da barbárie. Para nos aproximarmos do conceito de refugiado e identificar a dimensão e gravidade do problema, usamos dados organizados pelas Nações Unidas e estudos sobre o tema. Em seguida, optamos pela análise do conceito, referenciados no pensamento de Adorno como forma de penetrar, compreender e buscar alternativas diante dos problemas colocados. Nesse sentido, exploramos o conceito de Auschwitz como razão bárbara, experiência anticivilizatória e desumana e a alternativa proposta pelo autor na forma de educação para a emancipação pessoal e social por meio de reflexão e esclarecimento como base para o processo democrático e desbarbarizador. Na perspectiva de Adorno, uma pedagogia democrática se funda na reflexão crítica, no processo e na elaboração do passado e dos acontecimentos de nossa história. Ela é caminho para esclarecimento, para autonomia e emancipação. É a resistência a Auschwitz, à redução, à barbárie, ao totalitarismo, ao caráter manipulador, ao fetiche da técnica, à consciência coisificada, reificada. Educação como emancipação permanente requer a realização de experiências em que a autoridade se conjuga com liberdade, esclarecimento e práxis democrática.

Política, democracia e Justiça: o que pode o povo com uma Justiça que se assemelha a Artêmis?

PID: S2178-46122017000400517 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Heuser
Resumo: A partir de algumas considerações a respeito do estado da arte da política, da democracia e da Justiça brasileira, o artigo recorre à literatura kafkiana na descrição que ela faz do funcionamento da máquina judiciária e de como a lei opera atingindo todos, para, então, desmontar os procedimentos jurídicos e, com humor, exibir o ímpeto e a vaidade dos magistrados. Tais aspectos provocam uma metamorfose da própria Justiça, que acaba por se transformar em “Deusa da Caça”, e daí advém a questão que intitula e orienta o artigo. Faz-se necessário, então, trazer a tematização da Justiça relacionada à política e à democracia, campos próprios de desentendimento, porque implicam disputa de mundos. Para tanto, a diferença entre política e polícia, estabelecida por Rancière, é desenvolvida, ao lado daquilo que ele define como democracia e do princípio de igualdade, uma manifestação do desacordo que perturba o mundo sensível, organizado e recortado em lugares e funções.

Reconhecimento e autorrealização: um caminho para a construção da liberdade em Hegel

PID: S2178-46122017000100121 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Weber Kirsten
Resumo: O presente estudo tem por objetivo demonstrar uma via de interpretação na qual o conceito de reconhecimento, como abordado por Axel Honneth a partir da obra hegeliana, é uma engrenagem fundamental no processo de determinação da liberdade na obra de Hegel. Para isso, é necessário que se caminhe para além da fronteira erigida na tradição, a qual liga o conceito de reconhecimento à dialética do senhor e do escravo na Fenomenologia. Dado que os trabalhos de Honneth se fundam nos escritos do jovem Hegel, anteriores a essa, é possível ir além de tais fronteiras. A conexão entre reconhecimento e liberdade torna-se possível por meio da tentativa de reatualização da Filosofia do Direito (2010) honnethiana, a qual tem por objeto lançar as bases de uma teoria da justiça.

Regulação e controle na pós-graduação: do produtivismo acadêmico à noção de excelência com pertinência territorial

PID: S2178-46122017000100052 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Machado Grosch Santos
Resumo Focamos neste trabalho algumas das tensões vivenciadas por professores-pesquisadores vinculados ao sistema de Pós-Graduação (PG) brasileiro, no contexto das transformações recentes da universidade. Os protagonistas da PG buscam alternativas éticas para o que consideram descaminhos na produção de conhecimentos científicos. O trabalho decorre dos resultados de um conjunto de pesquisas subsequentes sobre temas associados à produção intelectual e ao chamado produtivismo acadêmico no contexto da comunidade científica, mais especialmente, no campo da educação, desenvolvidas na última década por diversos pesquisadores, em grupos ou projetos de investigação (a maioria financiadas). Os resultados vêm mostrando, cada vez mais, maior interferência de organismos nacionais de regulação, controle e avaliação do sistema de PG, sobretudo irradiados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), na dinâmica e no funcionamento das universidades, ferindo a sua autonomia. Em consequência, os professores que atuam na PG veem-se compelidos a obedecer a dois "patrões", ou "senhorios", com exigências distintas ou antagônicas. Diante dos frequentes conflitos entre as exigências, prevalece a subserviência ao órgão externo, já que as IES estão sob a avaliação desses órgãos. Nesse contexto, emerge o debate sobre a excelência da produção acadêmico-científica, trazendo-se à tona os limites da produção/ produtivismo. Como contribuição, trazemos a noção de pertinência territorial para pensar outra possibilidade de excelência. Enriquecemos a discussão da problemática, a partir da perspectiva do pensamento descolonial, que envolve a crítica ao eurocentrismo (muito presente em nossa academia). Propomos o "penso onde sou" (MIGNOLO, 2010) como caminho para que a produção científica encontre alternativas conectadas às realidades e necessidades dos territórios em que estão instaladas as universidades, seus estudantes e docentes e seus programas de PG.

Semiótica das afecções: uma abordagem epistemológica

PID: S2178-46122017000300036 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Conter Telles Silva
Resumo: O presente texto propõe uma leitura de diversas teorias do afeto pelo viés da semiótica. Partindo do preceito de que é impossível não afetar ou não ser afetado, estabelece alguns parâmetros para definir o que é afeto (diferenciando-se afecção/afeto de emoção, paixão, sensação e até de afeto como compreendido pelo senso comum) para dar conta das dimensões epistemo e ontológica da semiose. Com base em Espinosa, Deleuze e Guattari, ensaia dizer que há, para além de uma capacidade significante, também uma qualidade “sensacional” da semiose, aproximando a processualidade deste fenômeno às cadeias afetivas que devêm de toda afecção.

Sobre a escuta como acolhimento do outro: fragmentos de uma poética da escuta como caminho de formação humana

PID: S2178-46122017000400561 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Pascucci
Resumo: Em meio ao tempo e ao ritmo estabelecidos pela dinâmica social da atualidade, caracterizada por uma paisagem sonora que conduz ao desapego e ao distanciamento afetivo nas relações, exaurindo os próprios sentidos da vida humana, este trabalho pretende retomar o sentido ético da escuta como condição primordial de acesso à verdade, uma escuta que, para além do simples ouvir, permita espreitar os sons que constituem a singularidade dos sujeitos e do mundo e dão a tônica da sua existência. Estabelece relações entre o Logos segundo Heráclito, música encantatória no seu sentido original que, por ser linguagem, comunica e diz algo, e a mousiké grega cujo poder de en-cantamento traz aos sujeitos a verdade como voz que orienta a vida. Destaca as artes da existência apontadas por Foucault na epiméleia heautou associada a melos e melodia, aquilo que canta e encanta desde algum lugar do sujeito e o apela a se interessar por determinada pessoa, objeto ou acontecimento. Dessa forma, a verdade do sujeito é sonora, manifestase como linguagem, como canto que se dá, se doa, na condição de escuta dos sujeitos dispostos, na sua abertura, a ouvi-la. À luz do pensamento de Sloterdijk (apud ROCCA, 2006, 2007, 2008), identifica as esferas sonoras como o domínio onde as palavras primigênias, fundadoras do ser, ressoam revelando sua origem e essência. Coloca a música como uma arte de viver que atua como elemento reorganizador do conhecimento que construímos sobre o mundo e sobre nós mesmos. Focaliza as ressonâncias formativas do gesto de escutar e silenciar como parte de uma disposição [Stimmung] vital para lidar com conflitos e tensões de nossa época.

Sobre o conceito de amorosidade em Paulo Freire

PID: S2178-46122017000200380 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Amorim Calloni
Resumo Neste texto, trata-se de uma contextualização filosófica que perpassa os limites e as fronteiras do pensamento reducionista, que fragmenta e exclui a subjetividade humana em nome da objetividade racionalista. Volta-se ao pressuposto de que tanto a subjetividade quanto a objetividade são legítimas fontes do pensar e do agir humanos e, por isso mesmo, fontes primárias da religação ética entre o eu e o outro. Debruçar-se sobre o conceito de amorosidade, em Paulo Freire (1921-1997), remete à discussão acerca da ética como campo ontológico das relações entre humanos e humanos e entre humanos e não humanos. A proposta que tangencia o estudo tem por objetivo principal compreender o conceito de amorosidade e seus desdobramentos dentro e fora da pedagogia freireana, sobretudo incorporada ao ethos e à racionalidade prática nesta contemporaneidade. Com este ensaio, almeja-se oferecer algumas reflexões sobre o sentido e o sentir da amorosidade como modo de acolhimento do outro no eu, uma possibilidade de reconhecimento de um eu no outro.

Travessias de uma pesquisa: mapeando algumas ferramentas metodológicas da análise do discurso em Michel Foucault

PID: S2178-46122017000200300 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2017
Autores: Garré Henning
RESUMO O presente trabalho trata-se de discussão sobre algumas ferramentas da Análise do Discurso (AD) de Foucault. Tal estudo se deu a partir de tese de doutorado que analisou o modo pelo qual a revista Veja coloca em funcionamento e potencializa um dispositivo da Educação Ambiental (EA) no século XXI. As análises situam-se a partir de reportagens de capa da revista Veja de 2001 até a atualidade. Evidencia-se uma determinada constituição discursiva de EA na revista, porém essa funciona em relação a outras práticas contemporâneas. Compreende-se que o dispositivo em estudo não se fabrica apenas nos ditos da revista, mas ela é uma das formas de potencializá-lo, tornando-o visível e enunciável na atualidade. Porém, outros elementos a auxiliam e atualizam tal dispositivo, há uma rede discursiva em torno da EA muito potente e heterogênea. Assim, se trabalha com ferramentas analíticas que fortalecem o trabalho: enunciação, enunciado, discurso, dispositivo, relações de poder e modos de subjetivação. Essa empreitada de estudos alinha-se aos autores da perspectiva pós-estruturalista e dos Estudos Culturais. O estudo tornou possível entender que há uma constituição de determinado domínio de saber, colocado em funcionamento a partir de relações de poder, que subjetivam os sujeitos a certas práticas ambientalmente necessárias. Nesse sentido, os ditos em torno da questão ambiental se pautam por emblemas muito caros aos pesquisadores de EA, isso porque, parece, muitas vezes, que lhes é repassada a tarefa de encontrar o caminho certo para fazer uma adequada EA. Na contramão de tais emblemas, o movimento do trabalho em questão é o de pensar de que modo a EA foi se conjecturando e funcionando como um dispositivo potente neste século.

A (in)determinância do capital cultural e do background no desempenho dos bolsistas Prouni: das notas além do esperado às hipóteses de resultados improváveis

PID: S2178-46122016000200288 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Bertolin Fioreze
Resumo: Estudos sobre eficácia escolar, bem como o conceito de capital cultural, de Bourdieu (1979), evidenciam que o contexto socioeconômico e cultural - ou o background - exerce papel fundamental nas notas e nos resultados obtidos pelos estudantes em exames. Ou seja, segundo essa teoria, alunos com menor background tenderiam a apresentar desempenho inferior em comparação com alunos oriundos de um contexto socioeconômico e cultural mais privilegiado. Nesse sentido, considerando que os bolsistas do Programa Universidade para Todos (Prouni) devem ter desvantagem de background em relação aos seus colegas pagantes, tendencialmente, o seu desempenho deveria ser inferior, afinal o programa, criado em 2004, busca viabilizar o acesso à Educação Superior por meio da concessão de bolsas de estudos integrais ou parciais de 50%, a estudantes com renda familiar per capita de zero a três salários-mínimos que cursaram o Ensino Médio em escolas públicas ou em escolas privadas na condição de bolsistas. Entretanto, percepções subjetivas de docentes indicam que nem sempre é isso que ocorre, ou seja, bolsistas estariam obtendo, em diversas situações, melhores resultados que os colegas pagantes nas disciplinas que cursam em instituições privadas. Nesse contexto, com o objetivo de refletir sobre aspectos fundamentais da qualidade e da equidade do Prouni, o presente artigo problematiza a suposta superioridade de notas dos bolsistas em disciplinas e no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e, ao mesmo tempo, analisa hipóteses que explicariam o desempenho além do esperado desses estudantes provenientes de meios populares. Quanto ao desenvolvimento metodológico da pesquisa, são utilizadas duas fontes de dados: a primeira delas é composta por microdados das avaliações de disciplinas (por curso) de uma universidade comunitária do Rio Grande do Sul entre 2009 e 2012; a segunda consiste nos dados do Enade referentes ao ano de 2006.
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