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A arte do paladar e a desnaturalização dos alimentos: momentos de uma história evolutiva

PID: S2178-46122016000100002 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Cavalieri
RESUMO O objetivo deste ensaio é refletir sobre o significado da expressão “arte do paladar”, enfocando os aspectos da nossa história evolutiva - uma história contemporaneamente biológica e cultural - os quais fizeram de nós os únicos “macacos” capazes de cozinhar o alimento, de produzi-lo de modo sistemático, de escolhê-lo em meio a uma vasta gama de alimentos, com base em diferentes critérios, de atribuir-lhe um valor simbólico e de celebrálo através da linguagem; razões pelas quais o homem pode reivindicar plenamente a invenção dos sabores. Resultado de um longo processo de elaboração da natureza, a arte do paladar é, portanto, o resultado de todos os processos pelos quais transformamos um dos atos mais naturais, isto é, o ato de comer, em um artificial, cultural e intelectual, aplicando um conhecimento, um saber prático, para conceber, imaginar e elaborar novos objetos alimentares, novas sensações para o paladar (os sabores), novas possibilidades de interação social (convivialidade).

A educação para a democracia entre a vulnerabilidade e a autossuficiência humana

PID: S2178-46122016000300478 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Cenci Casagranda
Resumo: O artigo toma Martha Nussbaum como referência para tematizar a tensão clássica existente entre vulnerabilidade e autossuficiência humanas e discutir as implicações de tal tensão no campo da educação para a democracia. Defende-se a posição que a educação para a vida democrática depende do modo como tal tensão é conduzida nos processos educativos. Desse modo, dado que tanto a vulnerabilidade quanto a autossuficiência são aspectos intrínsecos à condição humana, a educação para a democracia depende do cultivo de uma autossuficiência moderada na busca de sentido para a vulnerabilidade humana. Tal cultivo passa, pois, por orientar a vulnerabilidade humana em direção a uma autossuficiência que não perca de vista a fragilidade do bem-viver humano.

A hermenêutica heideggeriana e a questão do conhecimento

PID: S2178-46122016000100188 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Seibt
Resumo: O pensamento de Heidegger, através da analítica existencial e da proposta de destruição da metafísica, elabora um novo horizonte a partir do qual o conhecimento pode ser compreendido, não mais da objetificação, dos dualismos sujeito e objeto, mente e mundo, mas a partir do lugar originário, do ser-aí [Dasein] em sua facticidade, do seu ser-no-mundo. O texto pretende mostrar e caracterizar, com a ajuda das análises de Ernildo Stein em relação à obra de Heidegger, esse horizonte originário e prévio. Daremos ênfase à questão do horizonte compreensivo prévio, que acompanha cada conhecimento e cada conhecer, mas que tende a se manter oculto e esquecido em função da primazia do ente na metafísica tradicional. Inicial e normalmente vivemos e pensamos a partir da disponibilidade e da presença dos entes, do que se chama de realidade. Há que retomar a historicidade e a temporalidade do ser humano como condições básicas que acompanham o fenômeno do conhecimento e, por isso, da noção de possibilidade e de abertura. Uma volta às condições pré-teóricas e prélógicas do conhecimento, cujo fundamento se apresenta segundo o modo de ser do ser-aí, como facticidade, abismo, ser-no-mundo, a partir donde se constituem as relações cognoscitivas e práticas. O conhecimento humano é finito, assim como o é o próprio ser humano e, por isso, não possui lugar fora do tempo onde possa ser ancorado e fixado. Há uma circularidade interpretativa e uma diferença ontológica já sempre em operação e que não podem ser superadas por teorias do conhecimento, mas devem ser autenticamente assumidas para que o conhecimento seja compreendido no seu ser.

A irredutibilidade do conceito de confiança na epistemologia do testemunho

PID: S2178-46122016000300496 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Ketzer
Resumo: Confiança é um conceito indispensável quando pensamos o ser humano interagindo com outros sujeitos, pois nos auxilia a pensar a ordem política e a cooperação social, mas está longe de ter uma definição única. A procura por uma definição mostrou ser necessário retornar às origens do conceito, na busca de compreender seu uso em epistemologia. Na filosofia moral estabelece-se uma distinção entre duas formas de confiar: 1) a confiança [trust], que se caracteriza por ser uma relação interpessoal mais profunda, a qual envolve boa-vontade e vulnerabilidade; 2) a fiabilidade, um tipo de confiança mais básica no funcionamento do mundo e das coisas. O conceito de confiança torna-se relevante em epistemologia quando passamos a considerar a transmissão de conhecimento por testemunho. A principal questão é quando podemos confiar em outras pessoas para adquirir conhecimento com base em seus atos de fala. A fim de compreender a sua utilização em epistemologia, precisamos analisar o uso do conceito na filosofia moral. Sendo assim, expomos o conceito de confiança moral e avaliamos a possibilidade de uma redução em epistemologia. Entretanto, notamos que os aspectos morais não contribuem para o cenário epistêmico. A redução não é possível, pois confiança moral pressupõe aceitação do risco, a tentativa de eliminar os riscos através de reflexão racional enfraquece a atitude de confiança. Além do mais, confiança nos faz resistentes a evidências e, em epistemologia, é errado negligenciar evidências. Defendemos que, por parcimônia, deve-se utilizar apenas fiar-se, um conceito já estabelecido na literatura epistemológica. A consideração dos aspectos morais da confiança se faz importante justamente para a identificação do problema. O conceito de confiança não pode contribuir para o debate, pois não desempenha um papel epistêmico. Já o conceito de fiar-se pode ser utilizado em epistemologia do testemunho, assim como vem sendo utilizado em outros debates epistemológicos.

A substancialidade ética da Constituição-Estado hegeliana

PID: S2178-46122016000100092 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Salvadori Sangalli
Resumo: O artigo visa abordar o meio fundamental de como o Estado deve-ser para ser a substancialidade ética, conforme o pensamento do filósofo alemão G. W. F. Hegel (1770-1831). A partir da análise de algumas passagens das obras hegelianas Princípios da filosofia do Direito e Lições sobre a filosofia da história universal, juntamente com o auxílio de alguns comentadores, tentar-se-á, primeiramente, identificar a vinculação do conceito de Estado ao conceito de história, acompanhando alguns dos movimentos fundamentais e analisando, em seguida, o que é, qual sua origem e o que representa o momento da Constituição apresentado na abordagem ético-política hegeliana. Devidamente compreendida, a Constituição em Hegel possui uma fundamentação ética e não abstrata. Hegel não trata da Constituição escrita, mas da Constituição que é a própria organização do Estado. A base ética que sustenta a Constituição é o “espírito do povo”, que é constituído pelo ethos, origem, história, costumes e hábitos de um povo. A constituição é a melhor expressão daquilo que é o povo, quando esse se reconhece nela. Tratar da Constituição hegeliana é tratar, portanto, do Estado, é tratar da conciliação da liberdade e da necessidade, da organização do todo diante da desorganização do Estado político-histórico.

A vontade livre e a retidão moral: uma reflexão a partir do tratado sobre a queda do diabo de Santo Anselmo

PID: S2178-46122016000300645 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Vasconcellos
Resumo: A retidão moral, entendida como a prática da justiça, é o tema que perpassa a trilogia composta por Santo Anselmo (1033-1109), da qual fazem parte os tratados De Veritate, De libertate arbitrii e De casu diaboli. O presente artigo pretende evidenciar o papel absolutamente fundamental da vontade livre para a realização do agir em conformidade com a justiça. O exame de algumas passagens, sobretudo do tratado sobre a queda angélica, nos permitirá concluir que, mesmo sendo a vontade uma dádiva, a criatura racional, pela livre-conjugação de seu querer, é capaz de ser, de modo absolutamente isento de constrangimentos, a protagonista de seu agir moral. A verdadeira liberdade não é fazer o que se quer. A vontade é verdadeiramente livre quando fazemos aquilo que devemos fazer.

Algumas reflexões tanatológicas de caráter educacional no pensamento de Platão

PID: S2178-46122016000300582 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Batista
Resumo: A versatilidade da sua filosofia faz de Platão (428/7-348/7 a.C.) um pensador que, perenemente, fornece matéria para reflexão sobre vários temas, inclusive o da morte. No Fédon, ao tratar dos últimos momentos de Sócrates (471/470-399 a.C.), Platão elabora seu ideário acerca da morte de maneira que, educacionalmente, seja possível refletir sobre ela. O objetivo é extrair, de algumas de suas obras, excertos que permitam articular, no âmbito do pensamento platônico, a seguinte tétrade: educação, filosofia, morte e virtude. A exposição adotada tem o seguinte procedimento: primeiro, abordagem sumária de aspectos ontológicos, gnosiológicos, antropológicos, morais e sociais da filosofia platônica; segundo, explanação de convergências dos supracitados aspectos para apontamentos de ordem educacional acerca da morte. O procedimento é de uma pesquisa teórica, servindo-se de uma metodologia analítica, cujo aporte baseia-se em autores como: Jaeger (2003), Paviani (2008), Reale (1997) e Teixeira (2006). Este trabalho se justifica pela fertilidade reflexiva proporcionada pela filosofia platônica, especialmente no que se refere à exequibilidade de uma reflexão tanatológica de caráter educacional. O que se aponta como resultado é a constatação de que Platão propõe a morte como uma questão educacional, pois raciocinar em torno da existência humana, sob a hipótese da sua continuidade ou finitude, é algo suscitado pela possibilidade de morte, que levanta questões em torno daquilo que o ser humano é, assim como em torno daquilo que o ser humano deve fazer ou esperar, o que, efetivamente, vincula-se à problemática da virtude.

Cyberbullying: preocupação dos professores e envolvimento da escola

PID: S2178-46122016000100078 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Domingues Tambosi Mondini Borges
Resumo: Inicialmente restrita aos muros escolares, a violência entre alunos passou a se manifestar também de forma online, por meio de redes sociais, estabelecendo a palavrao cyberbullying. Sob esta perspectiva, há um consenso, na literatura da área, de que cabe à escola se posicionar e assumir o compromisso de inibir tais práticas e estimular o convívio pacífico entre os alunos, dentro e fora da escola. Apesar da relevância da questão, a temática cyberbullying ainda é pouco estudada de forma empírica. Observa-se uma lacuna de informações no que se refere aos atores que podem atuar como agentes de prevenção e controle desse tipo de violência: os professores. Este estudo tem como objetivo analisar a influência da preocupação dos professores no envolvimento da escola ante às práticas de cyberbullying. Para isso, foi realizada uma pesquisa com 112 professores de Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas e privadas do Município de Blumenau - SC. Os dados foram analisados por meio de análise fatorial exploratória e equações estruturais. Os resultados indicaram que os professores demonstram maior preocupação quando percebem que o problema cyberbullying é real e afeta os alunos. Quanto ao envolvimento da escola, verificou-se a necessidade de se estabelecerem parcerias entre instituições de ensino e comunidade, promover assembleias alusivas ao tema nas escolas e dar aconselhamento aos jovens no próprio ambiente escolar. Por fim, se observou que a preocupação dos professores com práticas de cyberbullying influencia na sua crença de que o envolvimento da escola é importante, despertando a necessidade de posturas mais proativas para o combate a esse malefício.

Filosofia, ensino e emancipação

PID: S2178-46122016000100063 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Eidt Eidt
Resumo: O texto apresenta elementos textuais dos escritos do jovem Marx, onde se encontra um núcleo conceitual que trata da problemática relação entre filosofia e mundo. Aspectos teóricos presentes já nos primeiros escritos do filósofo onde fica clara a exigência de promover a interação entre pensamento e realidade, ou seja, tratar da tradição filosófica sem descuidar do trato de temas e dilemas do contexto. Assim, o texto apresenta referências da posição filosófica pela qual Marx faz frente ao caráter especulativo da filosofia alemã, para propor, já na revisão da filosofia política de Hegel, que a crítica do céu se transforme em crítica da Terra. O que singulariza um pensamento dessa natureza é a capacidade emancipatória da filosofia. No lugar da mera contemplação, Marx propõe a possibilidade de realizar a filosofia no mundo.

Formação, educação e cultura: reflexões sobre o ideal de formação cultural [Bildung] na elaboração do sistema educacional alemão

PID: S2178-46122016000200385 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Nicolau
Resumo: O texto empreende uma reflexão sobre o conceito de formação cultural [Bildung], que perpassa e está perpassado pela própria criação do sistema educacional alemão. Para isso divide-se em três momentos: 1) verificação das possíveis traduções ao termo na Língua Portuguesa; 2) apresentação da formulação do conceito no cenário intelectual alemão; e 3) descrição das condições históricas que tornaram esse um conceito-chave para o processo de reforma educacional alemão e para o pensamento pedagógico como tal.

Friedrich Nietzsche e o “dever-ser” do homem: instâncias antropoéticas

PID: S2178-46122016000300467 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Caltagirone
Resumo: A presente reflexão pretende partir da afirmação da “morte de Deus”, que constitui em Nietzsche uma das suas concepções fundamentais e se poderia dizer, também, a chave de leitura do seu filosofar. Desse ponto de partida, o estudo procura extrair e identificar, sem para tal ser exaustivo, as emergências antropológicas e éticas do pensar nietzschiano.

Klaus Günther e a nova perspectiva sobre a teoria da argumentação: justificação e aplicação

PID: S2178-46122016000200338 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Bresolin
Resumo: O presente artigo visa a apresentar, dialogar e também levantar algumas críticas à teoria da argumentação de Günther. O jusfilósofo demonstra que há dois tipos de discurso, a saber, o discurso de justificação e o discurso de aplicação. O discurso de justificação parte do princípio universal “U” - já conhecido da ética do discurso. Sua função é a justificação por meio da consideração de todos os interesses envolvidos. Segundo Günther, o engano do discurso de justificação foi entender a validade de uma norma como contendo cada uma das suas situações de aplicação. Por sua vez, o discurso de aplicação tem por objetivo considerar as particularidades da situação, a fim de verificar qual norma é a mais adequada para o contexto em questão.

Mediação educativa e alteridade

PID: S2178-46122016000100170 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Diez Costa
Resumo: Este ensaio é constituído por reflexões a respeito de alteridade na educação, defendendo a necessidade de olhar o outro como fonte de aprendizagem, visando so desenvolvimento de relações dialógicas e alteritárias. De início, analisa-se a construção da subjetividade moderna cuja centralidade é o sujeito autônomo e racional que pensa e define as relações a partir de princípios pretensamente universais, os quais, muitas vezes, procuram assimilar o outro em si mesmo. A sustentação teórica do texto é o pensamento de Emmanuel Levinas, e daí emerge a proposta de pensar o outro em sua diferença não para objetivá-lo, mas acolhendo-o em sua realidade concreta. Assim, a presente proposição defende processos de mediação educativa, nos quais os sujeitos, pela presença do rosto do outro, deixam-se despertar à responsabilidade e abertura à exterioridade.

Modernidade, infância e linguagem em Walter Benjamin

PID: S2178-46122016000200245 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Pires
Resumo: Este estudo retoma os limiares de Walter Benjamin, nos escritos e espaços de errâncias que condensam o pensamento do filósofo em torno do processo de modernidade em um conjunto de transformações no tempo e no espaço da grande cidade. Interessam-nos, sobretudo, os estudos de cidade de Benjamin articulados à sua crítica do conhecimento. No rastro do pensamento benjaminiano, a cidade é pensada como corpus de reflexão que envolve outras categorias para além do racionalismo que torna as imagens urbanas uma série de traçados objetivos. Como terreno da fantasia, das lembranças, a cidade situa-se além do dado empírico. Nessa perspectiva, discutimos a história como memória e o olhar alegorista da criança diante do labirinto urbano. Ao tentar recuperar os tempos e espaços da infância, não a partir de um período demarcado cronologicamente, mas como uma experiência de linguagem, o filósofo alemão pôs em xeque uma concepção linear de conhecimento baseada no continuum da própria história, desenvolvendo, assim, a crítica de determinado modelo de razão e de racionalidade. Destacamos nos escritos de Benjamin, especialmente nos fragmentos de Infância em Berlim, aspectos centrais da sua crítica ao sistema de pensamento lógico-dedutivo que tanto influenciou na sociedade moderna. Nessa crítica, a infância é pátria transcendental da história; a ciência e a filosofia são pensadas como arte. A partir do pensamento benjaminiano, apresenta-se uma visão ampliada de educação, para além das fronteiras e temporalidades disciplinares e dos âmbitos das instituições educativas. Outros autores acompanham-nos no diálogo com o filósofo: Agamben; Gagnebin, Matos, Bolle e outros - pesquisadores, estudiosos e comentadores do pensamento de Benjamin, e de diferentes campos do conhecimento que nos ajudam a tecer os fios articuladores deste trabalho.

O discurso pós-metafísico em uma sociedade secularizada segundo Habermas

PID: S2178-46122016000200309 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Bressiani Nodari
Resumo: Este trabalho apresenta e situa o pensamento do filósofo alemão Habermas no discurso pós-metafísico, em uma sociedade secularizada. Esta reflexão articula-se em dois momentos: em um primeiro momento, trata-se de apresentar o discurso da Modernidade (1), evidenciando os principais aspectos da crítica à razão instrumental de Horkheimer e Adorno (1.1), a importância do conceito hegeliano de Modernidade (1.2), e Nietzsche como ponto de inflexão para o discurso pós-metafísico (1.3). Em um segundo momento, apresenta-se, mais exatamente, o discurso pós-metafísico em uma sociedade secularizada (2). À luz desse esboço, seguindo o procedimento metodológico de investigação baseado no método de abordagem analítico, pretende-se, a partir do pensamento de Habermas, apresentar, por um lado, um discurso filosófico ciente das dificuldades, e, também, de sua falibilidade, mas, por outro, da sua relevância na busca da construção do discurso filosófico com sentido a partir do consenso válido intersubjetivamente.

O diálogo: fusão de horizontes: para uma fundamentação gadameriana da antropologia pedagógica

PID: S2178-46122016000100046 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Cardona
Resumo: A pergunta pelo ser do homem é a origem da antropologia tanto filosófica quanto pedagógica. Neste horizonte, pode-se resumir a resposta à pergunta dizendo: o ser humano não só é efeito do diálogo, mas humaniza e se humaniza por meio do diálogo. Quando se planeja ambientes orientados a desenvolver as potências anímicas do diálogo em todos, e em cada um dos participantes da cena pedagógica, igualmente se está tanto em meio a uma antropologia pedagógica quanto a uma didática antropológica. Esta foi a tradição que Christoph Wulf (2008), na segunda metade do século XX e no começo do século XXI, sistematizou. Dentro desta corrente de pensamento se enquadra a investigação intitulada Diálogo: condição de formação. Assim, pode-se afirmar que este projeto se baseia na tradição alemã que põe a Bildung no centro, como uma categoria que, ao mesmo tempo, tem uma fundamentação filosófica e alguns efeitos tanto na concepção quanto na ação pedagógica.

O pensamento em constelação adorniano como possibilidade de reflexão crítica sobre as práticas formativas em contextos educativos

PID: S2178-46122016000200275 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Silva Azeredo Bittencourt
Resumo: Este texto pretende apresentar reflexões acerca do pensamento em constelação proposto por Adorno para problematizar as práticas formativas colocadas em movimento nos contextos educativos. Para tanto, nos utilizamos da pesquisa bibliográfica para pensar criticamente sobre a formação dos sujeitos nos contextos educativos. Inspirados no pensamento adorniano, nos reportamos ao conceito de constelação e, posteriormente, às categorias de emancipação e autorreflexão. Há, ainda, neste trabalho, a reflexão sobre o domínio da natureza, que se desenvolveu no domínio também do ser humano sobre si mesmo, de forma que o triunfo que seria a superação do mito, do mundo encantado, tornou-se tragédia. Essta é a “rememorização” da própria dominação. Essa dominação alcança os recônditos espaços da subjetividade, escravizando o sujeito, submetendoo aos caprichos da razão formalizada, calculista, ratificando a lógica do aparelhamento econômico-capitalista. A constelação alinha-se intensamente com essas questões, sobretudo, na caracterização crítica da sociedade capitalista e na própria dificuldade de transformação dessa sociedade. Assim, sobre esses elementos, busca anotar um diagnóstico da progressiva totalização capitalista e da apreensão da sociedade como socialização produzida em determinadas condições. Num único amálgama, as problematizações construídas neste trabalho podem contribuir para o desvelamento da multiplicidade de questões que envolvem a complexidade do campo educativo e dos sujeitos que ali se constituem. Indicam a necessidade de compreender que um conceito se entrelaça com outros conceitos, que ultrapassa a linearidade e a busca de um ponto de chegada. Nessa direção, é imprescindível redimensionar os processos de formação docente, ampliando as perspectivas de formação e promovendo experiências de autorreflexão da própria razão.

O tempo do doutorado e o papel das TICs: questões para pesquisa e análise*

PID: S2178-46122016000300628 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Bianchetti Turnes Cunha
Resumo: A implementação e o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na vida em geral, e aqui com destaque nas esferas do mundo do trabalho e da educação, têm acarretado mudanças significativas na vida das pessoas, nos cenários e nas estruturas sociais contemporâneos. Na Pós-Graduação (PG) essas mudanças vêm atingindo todos os envolvidos no que diz respeito à produção e veiculação do conhecimento e à necessidade de defrontar-se qualificadamente com o redimensionamento espacçotemporal proporcionado pela inserção das TICs nos processos de estudo e trabalho. Neste artigo, decorrente de uma pesquisa vinculada a um Programa de Pós-graduação e realizada com doutorandos em educação de uma universidade pública, analisamos como se relacionam à categoria tempo com o uso das TICs para fazer frente ao desafio do processo de doutorado no contexto atual. Por meio de entrevistas com os participantes e à luz da análise de conteúdo, identificamos que os doutorandos estão se adaptando à lógica do denominado produtivismo acadêmico, embora, muitas vezes, sentindo-se paralisados diante das exigências induzidas pelos órgãos de avaliação e fomento da PG. E, nesse sentido, paradoxalmente, afirmam encontrar nas TICs um importante aliado à consecução do doutoramento, embora perpassado pela intensificação do tempo. Além disso, o próprio redimensionamento de tempos e espaços na consecução do doutoramento e no processo de pesquisa e escrita da tese com a mediação das TICs configura-se como uma “faca de dois gumes”, cujas contradições são inerentes ao modelo de regulação e avaliação da PG no Brasil. Finalmente, com base nos depoimentos dos entrevistados e nas relações entre produtividade, intensificação do tempo e mediação tecnológica nesse contexto da PG, questionamos a respeito da possibilidade de resgate da perspectiva omnilateral nesse processo formativo de futuros doutores.

O uso de fontes orais em pesquisa em Lomba Grande - RS: aspectos das Escolas Isoladas (1940-1950)

PID: S2178-46122016000200441 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Souza
Resumo: Este estudo trata de aspectos da história do ensino no meio rural de Lomba Grande - RS, entre 1940 e 1952, a partir da memória de alunos e professores de Escolas Isoladas municipais. O objetivo é construir, a partir de fontes orais, aspectos das Escolas Isoladas públicas primárias municipais, nessa localidade. As memórias são analisadas na perspectiva do “tempo social”, no sentido de que trata Halbwachs (2006), pelas relações formais ou informais, por meio de mediações culturais diversas que compõem os quadros sociais de memórias. Sob o referencial da História Cultural, a análise vale-se de depoimentos orais de dez sujeitos que participaram do estudo. Neste trabalho, enfatiza-se a discussão do uso das memórias oral e escrita como possibilidade investigativa para estudo da história da educação no meio rural, tendo como pressupostos as fontes: documento/monumento, como discutem Certeau (2011) e Le Goff (2012). As memórias permitem conhecer e compreender como as práticas e culturas escolares foram se constituindo no interior dessa Escola Isolada nessa localidade. A escolarização e institucionalização, em Lomba Grande foi marcada pela coexistência de iniciativas particulares e públicas, sob a influência da comunidade para ampliar escolas públicas no interior desse bairro.

Pensiero debole, democracia e comunismo: a questão política no pensamento de Gianni Vattimo*

PID: S2178-46122016000300561 | Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) | Año: 2016
Autores: Maia
Resumo: A presente reflexão se propõe apresentar que a questão política configura a fase atual do pensiero debole de Gianni Vattimo, apoiado não apenas na sua recente produção e na literatura pertinente, mas também na sua intervenção política no Parlamento europeu nos últimos anos. O sentido político que o pensiero debole assume como crítica do poder representa o caráter de (in)atualidade de uma filosofia que pense o presente. Tal sentido é perceptível na reflexão em torno da democracia e do comunismo, levando em consideração a crítica da metafísica e o papel da hermenêutica. Obviamente, isso implica uma releitura do comunismo como motivação e ideário que, na versão do chamado comunismo hermenêutico, ainda se configura como um espectro em nosso tempo.
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