A arte do paladar e a desnaturalização dos alimentos: momentos de uma história evolutiva
PID: S2178-46122016000100002 |
Revista: Conjectura: Filosofia e Educação (2178-4612) |
Año: 2016
Autores: Cavalieri
RESUMO O objetivo deste ensaio é refletir sobre o significado da expressão “arte do paladar”, enfocando os aspectos da nossa história evolutiva - uma história contemporaneamente biológica e cultural - os quais fizeram de nós os únicos “macacos” capazes de cozinhar o alimento, de produzi-lo de modo sistemático, de escolhê-lo em meio a uma vasta gama de alimentos, com base em diferentes critérios, de atribuir-lhe um valor simbólico e de celebrálo através da linguagem; razões pelas quais o homem pode reivindicar plenamente a invenção dos sabores. Resultado de um longo processo de elaboração da natureza, a arte do paladar é, portanto, o resultado de todos os processos pelos quais transformamos um dos atos mais naturais, isto é, o ato de comer, em um artificial, cultural e intelectual, aplicando um conhecimento, um saber prático, para conceber, imaginar e elaborar novos objetos alimentares, novas sensações para o paladar (os sabores), novas possibilidades de interação social (convivialidade).